28 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

spm

Compartilhe Compartilhe

28 fevereiro 2015 A PALAVRA DO EDITOR

MANCHETE DO SÁBADO – ACABARAM-SE AS DÚVIDAS

brincadeiraOPI-002.eps

* * *

Se alguém ainda tinha dúvidas de que no gunverno passado só se fazia merda, burradas e brincadeiras, agora não há mais razão pra se duvidar.

O gunverno passado, não se esqueçam, era de Dilma.

E o fato foi confirmado por um ministro de Dilma.

Estamos falando do Ministro da Fazenda, o mais destacado, o mais importante e, certamente, o único sério e respeitável do time de tolôtes que compõem o gunverno petista.

Compartilhe Compartilhe

28 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

PASSOFUNDO – CHARGE ONLINE

passofundo

Compartilhe Compartilhe

http://www.fernandogoncalves.pro.br
HERÓIS DE VARSÓVIA

Quando, em 1940, os assassinos nazistas amontoaram 450 mil judeus em menos de quatro quilômetros quadrados, no Gueto de Varsóvia, o mundo não imaginava que, no início de 1942, mais de 80 mil já haviam falecido de fome, alguns meses depois outros 300 mil seriam transferidos para campos de extermínio. E em 1943, maio, quando os moradores do Gueto se rebelaram, o restante, 60 mil, foi morto ou deportado, o bairro sendo integralmente destruído.quem-escrevera-nossa-historia

Nesta tragédia assassina, provocada pela insanidade dos alucinados do III Reich, heróis ficaram eternamente reverenciados pelo mundo hebreu, comandados por Emanuel Ringelblum, o criador da Alegria do Sábado, uma organização secreta que tinha por finalidade resistir e documentar a vida desenvolvida no Gueto, incentivando as solidariedades pelos encarcerados e documentando as crueldades praticadas pelos nazistas para as gerações futuras. Reunindo testemunhas e anotações desse pavoroso crime contra a humanidade, enterraram tudo em locais secretos, posteriormente desenterrados pelos poucos sobreviventes.

Um livro sobre o acervo secreto de Varsóvia merece ser lido com todo respeito e a mais ampla sensibilidade: Quem escreverá nossa história?: Os arquivos secretos do Gueto de Varsóvia, Samuel D. Kassow, SP, Cia. das Letras, 2009. O autor ocupa a cátedra Charles Northam de História no Trinity College, Connecticut, USA, tendo manuseado milhares de documentos e anotações. Um feito que pode ser considerado como o maior projeto intelectual da Segunda Guerra Mundial, hoje transformado em patrimônio cultural da humanidade.

Segundo informações históricas, “os arquivos foram obtidos após a Segunda Guerra Mundial a partir de caixas de metal e latas de leite enterradas sob as ruínas do gueto de Varsóvia. Foram compilados clandestinamente entre 1940 e 1943, sob a liderança do historiador Emanuel Ringelblum. Os membros da organização secreta Oyneg Shabes reuniu milhares de testemunhos de encarcerados de Varsóvia e refugiados de centenas de outras localidades, além da criação de um registro documental do destino em tempo de guerra de judeus poloneses. Agora alojado no Instituto Histórico Judaico em Varsóvia, o arquivo abrange cerca de 35.000 páginas, incluindo documentos, matérias de imprensa, fotografias, memórias e cartas”.

Segundo Samuel Kassow na sua Introdução, todo trabalho de cavar os escombros do edifício que ficava na Nowolipki 68 teve início em 16 de setembro de 1946, após semanas de planos e preparativos. Não sendo um trabalho simples, a Oyneg Shabes envolveu dezenas de pessoas que documentaram e registraram a vida judaica naquele gueto.

Um dos jovens que mais colaboraram, David Graber, deixou um escrito. Sintentizo-o, para fechar o artigo: “O que não podemos gritar e bradar enterramos no chão. Para que o mundo possa saber tudo. Cumprimos nossa missão. Que a história seja testemunha”.

(Publicada originalmente no Jornal do Commercio de 28/Fev)

Compartilhe Compartilhe

28 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE

genildo

Compartilhe Compartilhe

Arievaldo Vianna visto por Jô Oliveira
http://www.acordacordel.blogspot.com/
O CASO DO FEIJÃO FALSIFICADO E DA MULHER QUE FUGIU COM UM ET NO CARNAVAL

FET

Autores: Arievaldo Vianna, Jota Batista e Pedro Paulo Paulino.

Ao lançar da minha pena
Nas páginas desse caderno,
- Enquanto o povo sofrido
Suspira pelo inverno -,
Outros da parte do Cão
Estão pintando feijão
Fazendo o maior inferno.

Eu pergunto ao Pai Eterno
O que mais falta se vê?
É só roubo e violência
Nos jornais e na TV,
Inda mais, no carnaval,
Uma mulher, só de mal,
Teve um caso com um ET.

Primeiro eu conto a você
A história do feijão
Que se deu em Fortaleza
Causando admiração;
Uma mente “satanável”
Fez o caso mais notável
De uma falsificação.

De posse de um galão
De uma tinta esverdeada
Um saco de feijão branco
Água fervida ou gelada
Fez logo o feijão inchar
Ficar verde e embalar
Para vender na calçada.

Virgem Mãe Imaculada
Que sujeito astucioso!
O povo comprou feijão
Por ser verdinho e “gostoso”;
Mas quem provava uma vez
Não se tornava freguês,
Por ficar branco e pastoso.

Mesmo assim, algum guloso,
Se passando por incauto
Comprava bem baratinho
Pra vender por preço alto;
Uma velha “sacripanta”
Foi comprar feijão pra janta
Desconfiou do assalto.

E depois gritou bem alto:
- Numa seca como esta,
Se vê tanto feijão verde
Numa quantidade desta?!
Lhe respondeu o “Camonge”:
- Isso vem de muito longe,
Lá do bairro da Floresta!

Clique aqui e leia este artigo completo »

28 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO

elvis

Compartilhe Compartilhe
SEMANA PASSADA

Novos tempos, velhos tempos. Esta semana, que finda, reinaugurou e reiterou o Brasil. Reinaugurou um Brasil que estava adormecido, mas não extinto: o Brasil dos protestos. Agora, protesto de caminhoneiros. Adornando a crise econômica que se instalou, silente, nos números negativos do PIB e da produção industrial. Crise que se torna sonora, na medida de seu desenrolar. Não será uma ária de Verdi. Está mais para uma abertura Wagneriana. Sem o encanto Bayreuth.

E reiterou o Brasil do patrimonialismo. Da mistura escusa entre público e privado. Agora, chegou a vez de um magistrado. Que aprecia coisas finas. Com recursos alheios. Sob salvaguarda da Justiça. Ainda assim, credite-se ao pouco ínclito juiz o bom gosto de salvafurtar um piano. Branco, alvíssimo, como o som que escorre de suas teclas. Para interpretar o concerto 40 de Mozart?

juiz carro eike2

O patrimonialismo é um feito brasileiro. Os donos do poder, de que falava Raymundo Faoro, tem especial gosto em aproveitar-se do que é público em seu benefício particular.

O caso do Porsche, também de propriedade de Eike Batista, era improvável. Mas, a tradição patrimonialista do brasileiro poderoso não deixou escapar a chance. E passeou sua altaneira arrogância na pista macia do Parque do Flamengo.

Quem nunca dirigiu um Porsche, muito menos de outrem, não é capaz de sondar o que pensava o juiz ao dirigir o bólido. Qual sua sensação ao praticar tal furto de uso? Ele, magistrado, praticando, à luz do sol tropical, infração capitulada no Código Penal Brasileiro?

Terá ele reduzido, em alguns gramas, o prazer do passeio por se saber infringente da lei? Ou tal sensação negativa não atingiu sua rara sensibilidade?

duke11

O PMDB tem desempenhado, ao longo dos últimos anos, papel singular. É um Partido múltiplo no conjunto de uma federação de tendências internas. Mas, externamente, é um Partido de uma nota só na função estabilizadora do sistema político brasileiro.

O caçador de sonhos, Ulysses Guimarães, consagrou uma das etapas mais brilhantes do roteiro peemedebista. Não apenas na senda da resistência à ditadura, nos anos, 70, como também na forja cívica da Constituinte de 1988.

Passou o tempo. E o PMDB acomodou-se nas delícias de um exercício amoral e lúdico de usufrutuário de verbas públicas. Mas, um proveito político o PMDB está prestando ao país: enfrenta o PT, não por acaso seu parceiro de governo. Enfrenta e subtrai ao PT, que adora desfrutar sozinho o poder, parcelas do comando da República.

Pois tem as chefias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Num ensaiado pas de deux. Balé que tem, em Eduardo Cunha, um saliente bailarino treinado nas agruras do combate à presidente. E tem, em Renan Calheiros, esquivo dançarino de antigas valsas revogadas por peças mais modernas. Mas que ele olvida inteiramente, atento à pintura de cachos implantados em alturas desbotadas.

* * *

Figura da semana – João Cabral de Melo Neto

Joao-Cabral

João Cabral era um angustiado. Pela dor de cabeça que não passava. E pelas dores do mundo, o qual ele amava. E cujos enigmas ele não compreendia.

João Cabral era um trabalhador de palavras. Concluía seus poemas, suado, como se tivesse picareta, e não, caneta na mão.

João Cabral não queria geometrizar sentimentos. Apenas falava a língua do sentir com calcário que existe no dizer.

Ei-lo em Forte Orange, Itamaracá:

“Junto da pedra que o tempo
Rói, pingando como um pulso,
Inroído, o metal canhão
Parece eterno, absoluto.
Porém o pingar do tempo
Pontual, penetra tudo.
(…).
Ele fará, com seu pingo
Inestancável e surdo,
Que se abracem, se penetrem,
Se possuam, ferro e musgo”.

Até a próxima.

Compartilhe Compartilhe

28 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

AROEIRA – O DIA

aroeira

Compartilhe Compartilhe

http://www.neumanne.com/
JORNAL TV GAZETA

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

nani3

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEXTA-FEIRA – NÃO HÁ MOTIVO PARA PÂNICO

reaj

* * *

Esta notícia é fresquinha. O aumento foi aprovado hoje, sexta-feira.

Todavia, vocês podem ficar tranquilos. Não há motivo pra desespero.

Este reajuste só atingirá os consumidores de energia que votaram pela reeleição de Dilma.

Um excelente final de semana pra todos vocês.

E fala, Dilma!!!

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

sid

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SÉRGIO BANDEIRA DE MELLO – RIO DE JANEIRO-RJ

Ordem Unida

Para defender a Petrobras contra os perigos provenientes da punição das empreiteiras do povo, Lula ameaçou os favoráveis ao impeachment com o exército de Stedile, o general dos Sem Terra.lula_mst

Como o Sem Vergonha também é, de fato, o comandante em chefe das forças armadas, já que dá ordens ao Jaques por meio da sua abominável criatura, deseja mandar nos dois exércitos.

Assim, se o todo poderoso que nada sabe e nada vê determina o que faz Vagner no ataque da CUT ou defende Wagner na Defesa, caberá ao Sem Caráter promover e coibir greves; fechar e liberar rodovias federais, fabricar e lançar bombas caseiras, bem como responder às agressões com artefatos de efeito moral, por mais que o Sem Escrúpulos ignore o sentido da palavra.

Eu, pessoalmente, por questões de ordem eleitoral, não era favorável ao impeachment da Sem Rumo, mas agora passei a torcer fervorosamente pela medida extrema. Não necessariamente pela cassação do mandato em si, mas pela paulatina execração pública do líder supremo da milícia petista que virá embutida em todo processo.

Gostaria imensamente de ver os caninos do vampiro do Jaburu aterrorizando a perdida nas trevas, durante um apagão do Palácio do Planalto. Contra estacas no peito ou dentes de alho, uma cunha e um Cunha na porta da Câmara.

Adoraria observar a jugular presidencial exposta à vingança do equilibrado vice, transformado em fera nas noites de vigília regimental, à espera da remissória alvorada no Alvorada.

Mesmo que, para tanto, a exemplo do que ensinou Cerveró, mártir que representava os legítimos interesses dos seus correligionários no esquema Petrolão, o Itamar de Dilma tenha de ficar com um olho no peixe e outro no gato durante todo mandato tampão.

Por essas e outras, se o ordinário Sem Noção prefere conclamar uma delirante guerra civil do que abrir mão do seu ilimitado poder de decidir mal e transferir a culpa, teremos sangue para operação sanguessuga nenhuma botar defeito, um sangue levado pelas ambulâncias superfaturadas e lavado a jato.

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

JOTA A – JORNAL O DIA (PI)

jotaa

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 A COLUNA DE RAPHAEL CURVO


SEM ALTERNATIVA

O que temos visto pela mídia, nos últimos tempos, relativo aos jovens é grave. É muito visível que os jovens, em sua maioria, estão sem encontrar um norte para suas vidas. Os valores de vida estão indefinidos, suspeitos e conflitantes com os discursos. Prega-se a honestidade, a ética, a moralidade, o respeito, mas a prática dos que a pregam não conjuga com a homilia. Estes movimentos desestruturantes do entendimento e do pensar jovem, os encaminham a busca de razões para viver. Nem mesmo as drogas estão como caminho de fuga ao vazio, a ausência de sentido existencial que a sociedade atual está gestando no viver e no desenvolvimento humano.

Creia, esta é a razão que tem levado enormes contingentes ao consumismo desenfreado para suprir vazios existenciais, ao tráfico de drogas para viabilizá-lo, a se transformarem em nem-nem, os que nem trabalham e nem estudam, a não querer buscar por uma vida independente e até mesmo, constituir família. Caso tudo isso permanecesse nestes limites, a possibilidade de recuperação desses jovens corações e mentes exigiria tarefas e ações de persuasão bem plausíveis e até mesmo eficazes, desde que a sociedade familiar e de governo quisessem realmente atuar.

Acontece que essa não está mais sendo a rota de fuga desses jovens em busca de um sentido para o viver, o existir. Isso tudo já é pouco para respostas as suas dúvidas, aos seus anseios e compreensão da atual condição de viver socialmente no planeta. Embutido no discurso de evolução industrial e econômica como sociedade evoluída, está, na verdade, uma escravidão por trabalho de sobrevivência e subserviência aos caprichos e interesses dos detentores da produção que realizam trabalho de psicopolítica para manter o status quo de dominação social e de suas manifestações limitadas aos seus interesses.

Esse domínio do pensar e da lealdade social, via lavagem cerebral, não tem mais surtido os efeitos esperados e desejados pelos senhores detentores do Poder e da produção. O crescimento da informação e da construção do conhecimento rompeu o discurso do socialmente correto e imposto (escolas, leis/estado, ordem social, culturas etc.) e está contaminando os valores de vida, da própria vida com questionamentos em busca de uma nova ordem.

O problema é qual será esta nova ordem: o shangri-lá ou o inferno? Como a retidão está sendo desmoralizada e desmantelada pelos detentores do Poder político e de produção, a alternativa é a busca da nova ordem no inferno, naquilo que seja confronto com o estabelecido. Essas são algumas lamparinas que nos levam a pensar na razão da juventude estar freneticamente se aglomerando em torno do crime e da guerra. A morte está exercendo fascínio a alternativa do que a eles estão sendo apresentados no modo vivende de nossa sociedade. Os meios de comunicação só apresentam o luxo e a miséria e como o luxo é domínio de poucos, a escolha recai naquilo que se pode ter maior probabilidade de se conseguir conquistar.

Estão aí as estatísticas que mostram milhões de jovens pelo mundo sendo mortos entre 15 e 29 anos. Gangues e tráfico estão na ponta, mas já surge no horizonte um novo caminho para se tornar “gente”. São os movimentos políticos religiosos, de terrorismo e de guerrilhas que estão em ascensão, como Estado Islâmico. Pegar em armas e matar está se tornando um rito de muito apreço no meio jovem. O planejamento de vida não passa do dia seguinte para uma enorme massa da juventude. Isso os encaminha nessa direção da guerra como se penetrasse e fizessem parte das batalhas que tanto enfrentam e jogam em seus computadores. É uma fixação, um delírio, mas é o caminho que idealizam na falta de um suporte melhor. O terrorismo está se tornando um canal para a expressão de vida da juventude. A degola os eletrizam.

Desemprego, péssimos salários, sofríveis condições de vida, ausência do estado, carência de família, pressão social e de consumo, escolas que não se adequam ao novo mundo, universidades que não catapultam ao campo do saber e da realização profissional, governos que mentem e não realizam, tudo isso, e outros mais como hospitais, transportes, moradia, empregos de qualidade e por aí vai, são chips da construção mental e da visão dessas gerações que estão ignoradas e sendo servidas a desconstrução social. Qual a alternativa para isso? São muitas desde que se encontre quem as queiram realizar. Aí mora o problema, o ego daqueles que tendo ferramentas para o coletivo realizam apenas seus sonhos individuais ou grupais. É a razão da briga pelo Poder.

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU

nicolielo

Compartilhe Compartilhe

http://www.lucianosiqueira.com.br/
MINHA BALALAICA

Navegando pela internet ao jeito de puro devaneio – como quem não quer nada nem nada procura – encontro a palavra balalaica, que me desperta a atenção, mas logo a perco. E não consigo mais achar o texto que passou sob meus olhos como uma nuvem transitória e rápida.

Balalaica, quanto tempo!

Em que momento da minha vida apareceu uma balalaica? Como? Em que contexto?

Nunca vi uma balalaica, o objeto.

Mas em algum instante uma balalaica me marcou. Guardo apenas a imagem tênue de uma garota em trajes ciganos dedilhando as cordas de uma. Num filme? Ou terei imaginado a cena ao ler um romance ou um poema?balalaika

Confesso certa frustração pela lembrança fugidia. Não que o “alemão” esteja me pegando, minha memória continua ativa e generosa. Mas por que diabo não consigo localizar a balalaica em minha já prolongada existência?

O fato é que sou tomado de inexplicável afeto pelo “instrumento musical russo de três cordas dedilhadas, de sessenta centímetros (balalaica prima) a um metro e setenta (balalaica baixo) de comprimento, com um corpo triangular (nos séculos XVIII e XIX também oval) levemente curvado e feito de madeira” – conforme fico sabendo pela Wikipédia.

Sigo pesquisando: “A família da balalaica inclui cinco instrumentos, do mais agudo ao mais grave: a balalaica piccolo (muito rara), a prima balalaica, segunda balalaica, balalaica alto, balalaica baixo e balalaica contrabaixo.”

Tudo bem, mas não resolve o meu problema: achar a razão de tamanho afeto guardado em algum cantinho da minha consciência, que agora aflora.

Gosto de música, é verdade, embora não toque nenhum instrumento, nem cante sequer o Hino Nacional, desafinado incorrigível que sou. E nunca toquei uma balalaica, nem vi tocar.

Ah, minha balalaica querida, a ti que voltas a me emocionar depois de tanto tempo, prometo que ainda descobrirei a origem do nosso amor. Sem estresse nem obsessão, mas por fidelidade a esse sentimento tão puro.

Afinal, amor é assim: nem sempre a gente explica, como ensina Clarice; a gente sente, vive e renova.

Quantos amores você que me lê agora já teve – breves, intensos, duradouros, findos, frustrados, eternos enquanto duraram feitos chama?

Se em sua vida em algum momento uma balalaica lhe impressionou, me avise: quem sabe aí esteja a resposta à minha busca – num filme que seja, num romance ou um poema. E meu amor se fará para sempre redivivo.

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO

migueljc

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 A PALAVRA DO EDITOR

INDIGNAÇÃO DESPERDIÇADA

A propósito do juiz flagrado usando o carro de Eike Batista, tô recebendo mensagem que só a porra de leitores fubânicos indignados com a atitude do magistrado.

Num custa nada ressaltar: o juiz levou pra garagem da casa dele os carros do empresário cuja apreensão ele mesmo determinou em despacho num processo. Carros de luxo, caríssimos.

Apenasmente isto. Somente isto. Bananicamente isto. Nada mais que isto.

elvis

Pois então, desde que esta história veio a público, não para de chegar mensagem aqui no JBF de leitores fubânicos indignados com a incrível atitude do juiz Flávio Roberto.

Tem gente completamente emputiferada com esta história típica de republiqueta de banana ou de ditadurazinha africana.

Eu quero só perguntar uma coisa aos indignados:

Vocês se esqueceram que a gente vive num país cujo eleitorado elegeu e, em seguida, reelegeu, um cabra do quilate de Lula???

Esqueceram disto???

Daí pra baixo, vocês esperavam o quê?

Vereadores, prefeitos, gunvernadores, ministros, otoridades diversas, inclusive juizes, de alto nível?

Pra um país que já teve Lula sentado na cadeira mais importante da nação, isto por oito longos anos, ter um juiz que sai num veículo apreendido é pinto. É besteira. É minxaria. É troco.

Vocês viram o que Lula falou esta semana  a respeito de “defender a Petrobras”?

Vocês viram Lula convocando o “exército de Stédile” pra meter a porrada em quem participar de passeatas ou manifestações contra a roubalheira do Petrolão?

ste

Stédile é um marginal, um fora da lei, um criminoso, um vadio que, se fosse comprar a prazo numa loja, não conseguiria apresentar um comprovante de residência ou uma carteira de trabalho pra comprovar sua renda.

Pois é. É isto. Um cabra deste nível e que tem este tipo de comportamento e de parceria pulítico-ideológica, já foi prisidente da república.

E vocês querem ficar indignados com o juiz que andou no carro de Eike???

Ora, ora, tenham santa paciência.

Eu desejo é que o juiz, além de andar no carro, também crave a pajaraca na bacurinha de Luma de Oliveira!

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO

clayton

Compartilhe Compartilhe

SOU UM POUCO DE TUDO…

Um pouco de mim

Sou aprendiz de caminhos
Não sou mestre de nada
Sou pedreiro do destino
Sou construtor de estradas

Sou chegada, sou partida,
Da boa e da má sorte
Sou um pedaço da vida
Entre nascimento e a morte

Sou um construtor de sonhos
Em terras do coração
Somei ao meu patrimônio
Um punhado de ilusão

Sou ator de muitas lágrimas
Por muitos palcos vazios
Sou uma estrela apagada
Duma constelação sem brilho

Sou enfermeiro do amor
Anestésico da saudade
Troquei ataduras da dor
Curei a infelicidade

Sou embaixador da luz
Sou ministro das trevas
Sou espinho, calvário e cruz…
Sou joio, sou trigo e ervas.

Pintei as paredes da vida
Com as cores da ilusão
Cobri com telhas de vidro
O leito da solidão

Sou uma porta de saída
Que permanece fechada
Sou um pouco de tudo
Sou quase tudo de nada

No meu desvario louco
Sou plebeu, vassalo e rei
Sou quase poeta, falta pouco
Quem sabe um dia, sê-lo-ei.

Do livro “Meias Metades – Histórias de vida Contadas Em Pedaços”

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

nani2

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 DEU NO JORNAL

OS SAQUEADORES DA LÓGICA

FERNANDO GABEIRA

Se o PT pusesse fogo em Brasília e alguém protestasse, a resposta viria rápida: onde você estava quando Nero incendiou Roma? Por que não protestou? Hipocrisia.

Com toda a paciência do mundo, você escreve que ainda não era nascido, e pode até defender uma ou outra tese sobre a importância histórica de Roma, manifestar simpatia pelos cristãos tornados bodes expiatórios. Mas é inútil.

Você está fazendo, exatamente, o que o governo espera. Ele joga migalhas de nonsense no ar para que todos se distraiam tentando catá-las e integrá-las num campo inteligível.

Vi muitas pessoas rindo da frase de Dilma que definiu a causa do escândalo da Petrobrás: a omissão do PSDB nos anos 1990. Nem o riso nem a indignação parecem ter a mínima importância para o governo.

Depois de trucidar os valores do movimento democrático que os elegeu, os detentores do poder avançaram sobre a língua e arrematam mandando a lógica elementar para o espaço. A tática se estende para o próprio campo de apoio. Protestar contra o dinheiro de Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, no carnaval carioca é hipocrisia: afinal, as escolas de samba sempre foram financiadas pela contravenção.

O intelectual da Guiné Juan Tomás Ávila Laurel escreveu uma carta aos cariocas dizendo que Obiang gastou no ensino médio e superior de seu país, em dez anos, menos o que investiu na apologia da Beija-Flor. E conclui alertando os cariocas para a demência que foi o desfile do carnaval de 2015.

O próprio Ávila afirma que não há números confiáveis na execução do orçamento da Guiné Equatorial. Obiang não deixa espaço para esse tipo de comparação. Tanto ele como Dilma, cada qual na sua esfera, constroem uma versão blindada às análises, comparações numéricas e ao próprio bom senso.

O mundo é um espaço de alegorias, truques e efeitos especiais. Nicolás Maduro e Cristina Kirchner também constroem um universo próprio, impermeável. Se for questionado sobre uma determinada estratégia, Maduro poderá dizer: um passarinho me contou. Cristina se afoga em 140 batidas do Twitter: um dia fala uma coisa, outro dia se desmente.

Numa intensidade menor do que na Guiné Equatorial, em nossa América as cabeças estão caindo. Um promotor morre, misteriosamente em Buenos Aires, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, só e indefeso, é arrastado por um pelotão da polícia política bolivariana.

Claro, é preciso denunciar, protestar, como fazem agora os argentinos e os venezuelanos. Mas a tarefa de escrever artigos, de argumentar racionalmente, parece-me, no Brasil de hoje, tão antiga como o ensino do latim ou o canto orfeônico.

Alguma evidência, no entanto, pode e deve sair da narrativa dos próprios bandoleiros. Quase tudo o que sabemos, apesar do excelente trabalho da Polícia Federal, veio das delações premiadas.

Alguns dos autores da trama estão dentro da cadeia. Não escrevem artigos, apenas mandam bilhetes indicando que podem falar o que sabem.

Ao mesmo tempo que rompe com a lógica elementar, o governo prepara sua defesa, organiza suas linhas e busca no fundo do colete um novo juiz do Supremo para aliviar sua carga punitiva. O relator Teori Zavascki, na prática, foi bastante compreensivo, liberando Renato Duque, o único que tinha vínculo direto com o PT.

Todas essas manobras e contramanobras ficarão marcadas na história moderna do Brasil. Essa talvez seja a razão principal para continuar escrevendo.

Dilmas, Obiangs, Maduros e Kirchners podem delirar no seu mundo fantástico. Mas vai chegar para eles o dia do vamos ver, do acabou a brincadeira, a Quarta-Feira de Cinzas do delírio autoritário.

Nesse dia as pessoas, creio, terão alguma complacência conosco que passamos todo esse tempo dizendo que dois e dois são quatro. Constrangidos com a obviedade do nosso discurso, seguimos o nosso caminho lembrando que a opressão da Guiné Equatorial é a história escondida no Sambódromo, que o esquema de corrupção na Petrobrás se tornou sistemático e vertical no governo petista.

Dilma voltou mais magra e diz que seu segredo foi fechar a boca. Talvez fosse melhor levar a tática para o campo político. Melhor do que dizer bobagens, cometer atos falhos.

O último foi confessar que nunca deixou de esconder seus projetos para ampliar o Imposto de Renda. Na Dinamarca (COP 15), foi um pouco mais longe, afirmando que o meio ambiente é um grande obstáculo ao desenvolvimento.

O País oficial parece enlouquecer calmamente. É um pouco redundante lembrar todas as roubalheiras do governo. Além de terem roubado também o espaço usual de argumentação, você tem de criticar politicamente alguém que não é político, lembrar o papel de estadista a uma simples marionete de um partido e de um esquema de marketing.

O governo decidiu fugir para a frente. Olho em torno e vejo muitas pessoas que o apoiam assim mesmo. Chegam a admitir a roubalheira, mas preferem um governo de esquerda. A direita, argumentam, é roubalheira, mas com retrocesso social. Alguns dos que pensam assim são intelectuais. Nem vou discutir a tese, apenas registrar sua grande dose de conformismo e resignação.

Essa resignação vai tornando o País estranho e inquietante, muito diferente dos sonhos de redemocratização. O rei do carnaval carioca é um ditador da Guiné e temos de achar natural porque os bicheiros financiam algumas escolas de samba.

A tática de definir como hipocrisia uma expectativa sincera sobre as possibilidades do Brasil é uma forma de queimar esperanças. Algo como uma introjeção do preconceito colonial que nos condena a um papel secundário.

Não compartilho a euforia de Darcy Ribeiro com uma exuberante civilização tropical. Entre ela e o atual colapso dos valores que o PT nos propõe, certamente, existe um caminho a percorrer.

* * *

Nota do Editor:

O Editor do JBF vai botar o jegue Polodoro pra rinchar. Pra rinchar em homenagem a todo aquele que, sendo alfabetizado e tendo acesso à internet, após ter lido este texto de Gabeira ainda continue apoiando e aplaudindo Lula, Dilma e o gunverno do PT.

E pra rinchar, especialmente, em homenagem a três zintelequituais zisquerdistas de Banânia: Emir Sader, Leonardo Boff e Marilena Chaui.

Rincha, Polodoro!

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

newtonsilva

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JEFFERSON DESOUZA – SANTA TEREZINHA-PE

Editor Berto.

Desculpe por passar tanto tempo sem enviar fuleragens para esta gazeta da bixiga lixa, o ano passsado foi tão corrido que até ida ao banheiro era agendada, por sinal, hora esta aproveitada para conferir o JBF (risos).

Desde já peço que o Editor do JBF interceda junto ao Papa para que não excomungue esse piedoso padre da ICAS por preguiça e corpo mole. Sei que o JBF e a Igreja são entidades distintas.

E para começar minha cara lisa, nos meu trabalhos de paparazzi fubânico flagrei a abertura de um novo poço da PetroGrana sendo aberto.

petromoney

Segue em anexo também um foto de Polodoro numa cama de hospital doente de tanto rinchar pelas safadezas do brazi.

polodoro doente

Grande Abraço e estou de volta!

R. Até que enfim você deu notícias, seu cabra. Eu já estava preocupado com o seu sumiço. Ainda bem que voltou a dar expediente nesta gazeta escrota.

Quanto à doença de Polodoro, ela é motivada pela revolta que ele sente ao presenciar aqueles cabras na ilustração anterior, arrancando dinheiro da Petrobras impunemente, sem que o nosso querido jegue possa nem mesmo dar um coice nos corruptos petralhas.

Polodoro, coitado, num pode nem mesmo enfiar a pajaraca na boca de Lula, como se uma rolha fosse, pra ver se o Palanque Ambulante não fala tanta mentiras e sofismas sobre o petrolão.

Aliás, é outro desgosto de Polodoro: ver seus parentes jumentos que participam das plateias amestradas que aplaudem as merdas que Lula fala.

Coitado do bichinho…

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – FOLHA DE PERNAMBUCO

thiagolucas

Compartilhe Compartilhe
POETA IMPROVISADOR MANOEL XUDU, UM GÊNIO DA CANTORIA

Poeta paraibano Manoel Xudu Sobrinho (1932 – 1985)

Numa meia construção
Eu fui trabalhar de meia
Com meia lata de areia
Meio metro alto do chão
O dono meio enrolão
E eu também meio tolo
Ele me deu meio tijolo
Com meio metro de linha
E na construção só tinha
Meia pedra e meio tijolo.

* * *

Nessa vida atribulada
O camponês se flagela
Chega em casa meia noite
Tira a tampa da panela
Vê o poema da fome
Escrito no fundo dela.

* * *

Deus querendo, todos comem
Que um dia Ele pregando
Mais de cinco mil pessoas
Que estavam lhe observando
Com cinco pães e dois peixes
Comeram e ficou sobrando.

* * *

Eu admiro muito o padre
Que seu conselho tem luz
Toda sua pregação
Nasce nos braços da cruz
Massa de trigo em mãos dele
Vira corpo de Jesus.

* * *

Uma galinha pequena
Faz coisa que eu me comovo:
Fica na ponta das asas
Para beliscar o ovo,
Quando vê que vem sem força
O bico do pinto novo.

* * *

Quanto é bonito a vaca
Se destacar do rebanho,
Dando de mamar ao filho
Quase do mesmo tamanho,
Lambendo as costas do bicho
Porque não sabe dar banho.

* * *

Sou igualmente a pião
saindo de uma ponteira
que quando bate no chão
chega levanta a poeira
com tanta velocidade
que muda a cor da madeira.

* * *

Voei célere aos campos da certeza
E com os fluidos da paz banhei a mente
Pra falar do Senhor Onipotente
Criador da Suprema Natureza
Fez do céu reino vasto, onde a beleza
Edifica seu magno pedestal
Infinita mansão celestial
Onde Deus empunhou saber profundo
Pra sabermos nas curvas deste mundo
Que Ele impera no trono divinal.

* * *

O homem que bem pensar
Não tira a vida de um grilo
A mata fica calada
O bosque fica intranqüilo
A lua fica chorosa
Por não poder mais ouvi-lo.

* * *

Sou vulcão, pela cratera,
Suas lavas vomitando,
Sou um trovão estrondando
E corisco na atmosfera.
Meu bigode é de pantera,
Meu rosto não é bonito,
Mas tentação do maldito
Não desmantela o que eu faço.
Eu sou martelo de aço
E você pedra de granito.

* * *

Poesia tão linda e soberana
E tão pura, tão branca igual a um véu…
Está na terra, no mar, está no céu
E no pelo que tem a jitirana.
Ela está em quem vive a cortar cana
Quando volta pra casa ao meio dia…
Está num bolo de fava insossa e fria
Que um pobre mastiga com lingüiça.
Está na paz, no amor e na justiça
O mistério da doce poesia.

* * *

O mar se orgulha por ser vigoroso
Forte e gigantesco que nada lhe imita
Se ergue, se abaixa, se move se agita
Parece um dragão feroz e raivoso
É verde, azulado, sereno, espumoso
Se espalha na terra, quer subir pra o ar
Se sacode todo querendo voar
Retumba, ribomba, peneira e balança
Não sangra, não seca, não para e nem cansa
São esses os fenômenos da beira do mar.

O próprio coqueiro se sente orgulhoso
Porque nasce e cresce na beira da praia
No tronco a areia da cor de cambraia
Seu caule enrugado, nervudo e fibroso
Se o vento não sopra é silencioso
Nem sequer a fronde se ver balançar
Porém se o vento com força soprar
A fronde estremece perde toda calma
As folhas se agitam, tremem e batem palma
Pedindo silêncio na beira do mar

Não há tempestades e nem furacões
Chuvadas de pedras num bosque esquisito
Quedas coriscos ou aerólito
Tiros de granadas de obuses canhões
Juntando os ribombos de muitos trovões
Que tem pipocado na massa do ar
Cascata rugindo serra a desabar
Nuvens mareantes, tremores de terra
Estrondo de bombas, rumores de guerra
Que imite a zoada das águas do mar.

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO

paixao

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 EPÍSTOLAS - Carlito Lima

CACÁ DIEGUES – VIDA DE CINEMA

C

Recebi, via sedex, um livro, Vida de Cinema, presente de amigo de infância, fiquei felicíssimo ao ler a carinhosa dedicatória, “Para Carlito, com meu amor fraterno. Cacá Diegues. (veja pg 33)”.

Tivemos uma infância iluminada, livre, leve e solta, na areia branca, na água azul turquesa, matizes verdes, cor única do mar da praia da Avenida da Paz. Jogando pelada, ou zorra, na praia, só terminava a partida ao entardecer, às vezes, com o “Gol da Lua”, o primeiro gol depois da Lua surgir, cor de prata. À noite o calçadão da Avenida se prestava às nossas brincadeiras, bicicleta, patins, roubar bandeira, gata parida, os meninos da Avenida se divertiam. Cacá escreveu na pg. 33: “…verão de Maceió, o paraíso da praia e da festa, da pelada na areia que meus parceiros locais chamavam de “zorra”, do circo da Praça Sinimbu, da torcida do CRB…da pesca de siri no rio Salgadinho com Carlito Lima ( amigo de infância cujos afeto, talento e inteligência cultivo até hoje), dos passeios da canoas pelas lagoas, uma Veneza selvagem formada por canais que ligam a Mundaú à Manguaba, com infindáveis coqueirais a margear ilhas e coroas ( que mais tarde eu filmaria em Joana Francesa), indo terminar na beleza colonial de Marechal Deodoro, antiga cidade das Alagoas, primeira capital do estado…, segunda feira à noite, ainda havia a sessão de cinema no Clube Fênix Alagoana… Foi ali, no pequeno coreto da Avenida da Paz, que dei o meu primeiro beijo numa menina cujo nome não guardei ( o amor pode ser muito cruel).

Cacá já morava no Rio de Janeiro, seu irmão Fernando Manoel entrou na Escola de Marinha ( chegou a Almirante), eu na Escola Preparatória de Cadetes do Exército e Cacá desde a adolescência só pensava em cinema. Sua casa no Rio, era a Embaixada das Alagoas, Dona Zaira e Dr. Manelito tinham prazer em receber alagoanos. Enquanto cursei a Academia Militar das Agulhas Negras em Resende, fui poucas vezes à casa de Cacá em Botafogo. Depois nos dispersamos, nos encontrando, às vezes, com intervalo de anos.

bsa

Cacá beija este colunista durante a IV FLIMAR, sob o olhar de Lêdo Ivo

Certa tarde passei por um cinema em Salvador, em cartaz o filme Ganga Zumba, de Cacá Diegues, dei um grito de alegria como se fosse um gol do Fluminense, ninguém entendeu minha zoada espontânea, solitária, na porta do cinema. Assisti entusiasmado o primeiro longa metragem de meu amigo com maior orgulho, devia ter pouco mais de 20 anos. Sou cinéfilo compulsivo, nunca perdi um filme de Cacá, o mais negro dos cineastas brasileiros.

Certa vez Cacá foi filmar em Alagoas, “Joanna Francesa” , nessa época eu havia deixado o Exército, edificava e vendia loteamento. Aproveitando a passagem, dei um lote (de boca) para Cacá num loteamento na belíssima praia de Barra de São Miguel, ele recebeu o carinho com emoção. Passaram-se alguns anos, resolvi aumentar minha casa de praia com um espaçoso terraço, invadi o lote do Cacá, também, ele há mais de 4 anos não aparecia, não escrevia. Certa tarde depois do almoço, de bons uísques, dormindo na rede do terraço, acordaram-me balançando, ao ver Cacá, Ricardo Braga e Danuza Leão, me enchi de alegria e abraços. Ele logo perguntou pelo seu lote, eu apontei para o chão respondendo: “É esse!”. Minha casa de praia tem sócio famoso.

Nos anos 80 Cacá veio dar palestra em Maceió, à noite saímos, levei-o ao Bye Bar Brasil, da querida amiga Paulinha, sentamos à mesa, juntamente com MIlton Pradines, Vera Arruda, Elinaldo Barros; noite divertida, quando Paulinha se achegou, Cacá seriamente cobrou direito autoral, o nome do bar lhe pertencia , registro do filme “Bye, Bye, Brasil“, o advogado Guilherme Braga iria procurá-la para negociar o pagamento. Paulinha perdeu a graça e o sorriso bonito. Certa hora fui ao banheiro, ela chorando falou comigo, iria falir. Sorrindo, contei a história na mesa, Cacá a chamou, propôs, com um sorriso maroto: “Não quero dinheiro, você vai pagar meu direito autoral em chope, o consumo do Carlito nesse ano“. Ao perceber a brincadeira, ela respondeu aliviada, feliz: “Eu prefiro pagar em dinheiro, sai mais barato“.

Li as 678 páginas do livro em um fim de semana, não consegui sair de casa, a autobiografia de Cacá se confunde com a história do cinema brasileiro, com a história recente do país; é uma linda e escancarada declaração de amor ao cinema, ao Brasil, e à sua amada Renata. Imperdível, leitura obrigatória para todas gerações.

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

REGI – AMAZONAS EM TEMPO

regi

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 DEU NO JORNAL

PEITANDO A TRUCULENTA PULIÇA VERMÊIO-ISTRELADA

O caminhoneiro Ivar Schmidt está fazendo o governo perder o pouco que lhe resta de sono.

Líder do Comando Nacional de Transporte, uma entidade que não reconhece os sindicatos pelegos ligados ao PT, ele não quer saber de transigir com o governo petista.

E diz que a paralisação da categoria vai continuar.

ivar-schmidt

* * *

Eu mesmo não tenho nada a comentar.

Apenas registro que foi ótimo ter vivido o bastante pra ver um gunverno do PT mandar a polícia soltar bombas numa manifestação, baixar o cassetete no lombo de trabalhadores, tacar balas de borracha em caminhoneiros e tentar acabar uma greve à força, manu militari.

Repito: foi o gunverno comandado pelo Partido dos Trabalhadores que fez tudo isto!!!

Falta de aviso não foi: o Conselheiro disse que chegaria o dia em que o mar iria virar sertão. E o sertão viraria mar.

Por uma curiosa coincidência, foi uma greve de caminhoneiros, em 1973, que deu início à derrubada do gunverno de Salvador Allender no Chile. Xô, assombração! Afe! Sai-te! Te dana! T’esconjuro, peste!

Limito-me a transcrever duas declarações dadas por este caminhoneiro Ivar Schmidt, cujo nome nunca ouvi antes, mas que já passei a admirar e que já mora na minha estima:

“Nós estamos com lucro zero, aí o governo nos propõe de ficar tendo lucro zero mais seis meses. Eu acho que eles não regulam certo da cabeça. Devem estar com problema.”

“O nosso movimento abomina sindicato, associação, federação, confederação. E esses segmentos tentaram nos representar nas últimas décadas e nunca resolveram nosso problemas.”

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH

sinovaldo

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 DEU NO JORNAL

MENTIU: COMO DE HÁBITO

ricardo noblat

No passado era impensável que um governo do PT preferisse chamar a polícia a ter de negociar à exaustão o fim de uma greve.

Mas foi o que fez, ontem, o governo da presidente Dilma Rousseff. Convocou a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal para que acabassem com a greve dos caminhoneiros.bruno

E despachou tropas da Força Nacional para cinco Estados.

Na véspera, o governo gastou menos de um expediente na tentativa de acabar a greve com o gogó e com poucas concessões. Foi quando pisou feio na bola.

Chamou para negociar sindicatos e federações que em troca de muito dinheiro costumam fazer o que o governo manda. E deixou de fora os verdadeiros líderes do movimento.

Esses líderes não têm ligações com sindicatos. Por sinal, detestam sindicatos. Consideram pelegos os que respondem por eles.

A greve dos caminhoneiros está sendo conduzida por meia dúzia de líderes desconhecidos do governo e da mídia, e que se utilizam de redes sociais para se comunicar.

Às 20h30 de ontem havia bloqueios em 88 trechos de rodovias em cinco Estados.

O governo anunciou na quarta-feira o fim da greve. Mentiu. Como de hábito.

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

luscar

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 DEU NO JORNAL

OS DONOS DO PETRÓLEO

sandro vaia

Há alguma coisa sobrevoando a Operação Lava Jato e não são aviões de carreira, como se dizia antigamente.

Desde que o ministro da Justiça resolveu receber advogados de empreiteiras acusadas em audiência fora da agenda e que começou a tricotar estranhamente com o procurador geral da República, Rodrigo Janot, cuja integridade física estaria ameaçada às vésperas da divulgação de uma supostamente “bombástica” lista de políticos envolvidos na operação, há uma forte suspeita de “abafa” no ar.

O fato de que alguns empreiteiros importantes tenham desistido de recorrer à delação premiada depois da conversa com Cardozo é um indício de que alguma porca pode estar torcendo o rabo. O fato de Cardozo não parar de defender o seu encontro “extra-agenda” como se fosse uma prerrogativa dos ministros da Justiça ignorar o dever da transparência no trato com a coisa pública, reforça mais ainda a suspeita de que alguma trama esteja sendo urdida por baixo dos panos.

O juiz Sergio Moro criticou o encontro do ministro com as empreiteiras e o MP se manifestou contra um eventual acordo de leniência entre governo e as empresas envolvidas na apuração dos crimes na Petrobras.

Este porém não é o único imbróglio que envolve a Petrobras, embora nada seja mais letal para a empresa do que a sua transformação num balcão de negócios de sustentação de esquemas políticos.

Ela perdeu o grau de investimento da agência de avaliação de risco Moody’s não só pelos prejuízos causados pelo esquema de desvio de dinheiro, mas acima de tudo pela perda de controle de governança da empresa, que não conseguiu sequer divulgar um balanço devidamente auditado.

A presidente Dilma comentou a perda de grau de investimento com mais uma das platitudes que tem pronunciado com preocupante insistência, coisa que ela faz com a solenidade de quem anuncia ter descoberto o sentido da vida. Ela disse que a agência de risco não tem informações suficientes sobre a situação da Petrobras – como se agências de risco não fossem capazes de identificar riscos – ainda que tardiamente.

De resto, quem tinha “informações suficientes”? Ela? Gabrielli? Graça Foster?

Mesmo sendo responsável por uma administração que conseguiu a façanha inimaginável de transformar as ações da Petrobras em “junkie bonds”, o PT, como é de hábito, inverteu o foco da narrativa e voltou a atirar em seus fantasmas prediletos: a mídia, a reação, a direita, a cobiça internacional, os especuladores, os de sempre.

Todos são culpados pela desgraça da Petrobras, menos os que a provocaram. O discurso já é conhecido e só os fiéis da seita acreditam nele e o repetem como se fosse a Ave Maria. Mas desta vez o discurso veio acompanhado de uma ferocidade inédita.

Ao colocar na rua uma tropa de bate-paus mal encarados e de camisetas vermelhas para conter os protestos anti-governistas e a favor da impeachment da presidente, o PT criou um cinturão de segurança em torno do prédio da ABI, onde o líder supremo fazia a sua arenga “em defesa da Petrobras” (contra quem, além dele mesmo?)

Com a habitual serenidade e equilíbrio, Lula disse:

“Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele na rua”.

Ficamos sabendo, então, que há uma tropa de choque de prontidão para entrar em campo e ajudar a enriquecer o debate político e quem sabe melhorar a nota da Petrobras com paus e pedras.

marginais

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA

OPI-002.eps

Compartilhe Compartilhe
O CAIXEIRO-VIAJANTE

Chico Brito era um comerciante de Natal (RN), do ramo de tecidos, cuja esposa era muito amiga de Dona Lia Pimentel. Sua loja, que tinha o nome de “Casa Pérola” , era localizada no Bairro da Ribeira, onde, nessa época, o comércio de Natal se concentrava. Dentro da loja, o comerciante mantinha seu escritório comercial, não lhe faltando clientes para atender. Todos os dias, Chico Brito estava na sua loja, pela manhã e à tarde. Era a menina dos seus olhos e a sua segunda família.

Nesse tempo remoto, bem aquém da modernidade da Internet, sempre chegavam a Natal, os caixeiros-viajantes, que eram representantes comerciais dos fornecedores, e traziam amostras de variados tecidos que estavam na moda, para que os comerciantes fizessem suas escolhas e pedidos. CAIXEIRO-VIAJANTE III

Esses caixeiros-viajantes, geralmente, tinham um sotaque diferente do “nordestino”. Falavam com a língua enrolada, passando-se por sulistas ou por gringos, o que, de certa forma, influenciava nas transações. Sempre tinham boa aparência, eram educados, e muito bem treinados para vender sua mercadoria.

Numa certa tarde, por volta de catorze horas, Dona Lia Pimentel encontrava-se na residência de Chico Brito, conversando amenidades com a grande amiga Nazinha, esposa do comerciante. De repente, alguém tocou a campainha. A dona da casa foi atender e percebeu que se tratava de um caixeiro-viajante. O homem trazia duas grandes bolsas nas mãos, e tinha jeito de estrangeiro. Muito educado, dirigiu-se, gentilmente, à dona da casa, e falou, misturando francês com português:

- Bonsoir, madame! Monsieur Britô” está?

Dona Nazinha, semi-analfabeta, mas muito falante, pensou um pouco e respondeu “em cima da bucha”:

- Non, monsier! Meu maridô Britô almoçou, tomou bondê e foi Ribeirar. Se monsier quiser com ele falar, monsier vai ter que ir Ribeirar!!! Ele está na lojá”…

O caixeiro-viajante compreendeu que Chico Brito almoçou, tomou o bonde e foi para a Ribeira, precisamente para a sua loja.

O homem disse “Merci…Vou até lá …au revoir” e saiu.

Dona Nazinha olhou para a amiga Lia Pimentel, que tinha estudo e conhecia bem o idioma Francês, e teve a ousadia de explicar:

- Lia, eu falei com esse caixeiro-viajante em francês!!! Eu disse a ele que Brito almoçou, tomou o bonde e foi pra Ribeira. Se ele quiser falar com meu “maridô”, deve ir Ribeirar…

Dona Lia não conteve as gargalhadas, e disse à amiga:

- Você não é besta não, Nazinha? Você falou francês?!!!

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA

AUTO_myrria

Compartilhe Compartilhe

27 fevereiro 2015 ENFOQUES - Inácio Strieder

A BANALIDADE DO MAL

No século passado a questão do mal assumiu proporções gigantescas: as duas guerras mundiais, os campos de concentração, a “solução final”, o terrorismo, os crimes diários…

Ao final do 2º. Milênio da Era Cristã, utopistas, místicos e espiritualistas previam que o século XXI seria um século de paz, solidariedade e espiritualidade. Mas, os acontecimentos dos inícios deste 3º. Milênio nos mostram que a prática do mal continua com as mesmas proporções dos tempos históricos passados. Dali a pergunta: por que tanta maldade? Esta pergunta está na boca do povo e na pena dos acadêmicos.

Hannah Arendt (1906-1975), pensadora e cientista política alemã, de origem judaica, enquanto fazia a cobertura jornalística do julgamento de Eichmann, em Jerusalém (1961), construiu a tese da “banalidade do mal”. Os seus artigos resultaram num livro, originariamente publicado em 1963/64, e traduzido para o português em 2000, com o título: Eichmann em Jerusalém – um relato sobre a banalidade do mal.eichmann-jerusalem

Em sua tese, Arendt sustenta que existe um mal sem raízes, praticado por homens comuns. Um mal sem origem demoníaca, em que os atores não são monstros, nem psicopatas, mas simplesmente homens banais, comuns.

Hannah Arendt tomou como protótipo do homem banal o carrasco nazista Adolf Eichmann, condenado e enforcado em Israel, após ter sido sequestrado na Argentina, e condenado à morte em Jerusalém.

Durante o processo, Eichmann, que enviara milhares de judeus às câmaras de gás, não demonstrou qualquer anormalidade psíquica, nem arrependimento, diante das monstruosidades que praticara. Pelo contrário, externava a consciência de que fora um funcionário público exemplar, cumpridor de seu dever. Não lhe competia analisar criticamente as ordens de seus superiores; nunca tivera ódio dos judeus.

Arendt classifica o mal praticado por Eichmann como o “mal banal”. Praticado por homens que não pensam criticamente. Talvez, pelo aumento demasiado da população, e consequente burocratização da sociedade, cada vez mais os homens são considerados supérfluos, objetos, banalidades. Assassinar 10, 20 ou milhares é percebido como absolutamente banal por aqueles que dominam a sociedade e a população em geral. Juízes julgam sem consciência, não se comovem com a desumanidade das condições prisionais; decretam reintegrações de posses ociosas, sem se importarem com a violência policial e o constrangimento de idosos, mulheres grávidas, crianças e doentes; assassinos, ladrões… permanecem impunes; processos não são julgados.

As injustiças, impunidades, vagarosidade nos julgamentos, prisões superlotadas e desumanas, miséria, favelas sem condições humanas de habitação, etc… tudo isto contribui para tornar os “cidadãos” insensíveis e banais, acostumando-os a considerar as monstruosidades diárias como absolutamente normais e banais. O fruto é um homem que não pensa criticamente, que é capaz de praticar males monstruosos sem remorso, com a consciência de ter cumprido seu “dever”.

É por aí que vai a tese de Hannah Arendt, que ainda continua atual e consistente. Diariamente somos confrontados com homicídios e monstruosidades sem fim, muitíssimas vezes, por motivos totalmente banais. Males, ao que parece, sem raízes, nem explicações. Pura irracionalidade!

Por que, segundo Hannah Arendt, existem tais males? Porque não pensamos criticamente a nossa organização social. Por isto, que tal levar os jovens, e os “cidadãos” adultos, a pensarem criticamente. Um grande passo seria termos políticos honestos e íntegros, conscientes de sua responsabilidade social e humanitária. Mas, para isto, o povo não pode ser levado ao “voto de cabresto”, ou ser “manada” sem consciência crítica, que vota neste ou naquele salafrário, por causa da esmola de alguns miseráveis reais, que nunca o tirarão da dependência e miséria.

Compartilhe Compartilhe

© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa