22 outubro 2017 FULEIRAGEM

BRUM – TRIBUNA DO NORTE (RN)

22 outubro 2017 JOSIAS DE SOUZA

ABRAÇADO AO GAMBÁ, PSDB FOGE DO MAU CHEIRO

Presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati passou a defender a saída de Aécio Neves do comando da legenda. “Eu acho que ele não tem mais condições, dentro das circunstâncias, de ficar na presidência do partido”, disse Tasso nesta quarta-feira. “Precisamos ter uma solução definitiva, e não provisória. Não tem mais condições.” Heimmmm?!?!?

Na véspera, Tasso e todos os tucanos presentes à sessão do Senado posicionaram-se a favor de Aécio na votação que devolveu ao correligionário o mandato que o Supremo Tribunal Federal havia congelado. Quer dizer: depois de impor aos brasileiros o retorno de Aécio à ribalta, o tucanato quer se livrar do companheiro tóxico, renunciando-o de uma presidência partidária da qual já está licenciado.

Submetido ao paradoxo, Tasso disse que a decisão do Senado foi “mal interpretada”. Hã?!? “No meu entender, é dar ao senador Aécio o que ele não teve até agora, que foi o direito de defesa.” Conversa fiada. Afastado do mandato, Aécio conservava intactos os direitos de investigado. O que lhe falta não é direito de defesa, mas a própria defesa. Os R$ 2 milhões recebidos da JBS em malas e mochilas transformaram o príncipe do tucanato num sapo indefeso.

“Agora, aqui, no próprio Senado, ele vai ter o Conselho de Ética. E, no Conselho de Ética, vai ter que se defender”, acrescentou Tasso. Lorota. Aécio já teve a chance de enfrentar de fronte alta um primeiro pedido de cassação do seu mandato. Preferiu a fuga. Aliou-se à fina flor do arcaísmo para obter o arquivamento da representação no Conselho de Ética. Acossado por uma segunda peça, nada faz supor que adotará comportamento distinto.

“Ao mesmo tempo, o julgamento no Supremo continua”, prosseguiu Tasso. “E, no Supremo também ele vai ter o direito de apresentar sua defesa.” Lero-lero. Se Tasso estivesse preocupado com os rumos do processo, teria votado não a favor de Aécio, mas da manutenção da decisão da Primeira Turma da Suprema Corte. O afastamento de Aécio não prejudicava a defesa. Ao contrário, era um estímulo para que o investigado priorizasse a busca de explicações que ainda não foi capaz de apresentar.

Devolvido ao Senado como se nada tivesse sido descoberto sobre ele, Aécio ganha outra prioridade: conspirar contra qualquer iniciativa que se pareceça com um esforço anticorrupção. Vale a pena, a propósito, recordar um trecho do diálogo vadio que o senador tucano manteve com o delator Joesley Batista, da JBS:

– Aécio: Esses vazamentos, essa porra toda, é uma ilegalidade.

– Joesley: Não vai parar com essa merda?

– Aécio: Cara, nós tamos vendo (…) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história é o Eunício [Oliveira, presidente do Senado] e o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (…) na terça-feira.

– Joesley: Texto do quê?

– Aécio: Não… São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (…) de quem doa e de quem recebeu.

– Joesley: E de quem recebeu.

– Aécio: Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão [dupla], texto pronto nãnã. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na… Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez… Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.

– Joesley: Lógico.

– Aécio: O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?

– Joesley: Todo mundo fica com essa. Não…

– Aécio: E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí… forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade… O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.

– Joesley: Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.

– Aécio: Ontem até… Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.

– Joesley: E aí ele chega lá e amarela.

– Aécio: Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira [Franco], esse povo, o próprio [Eliseu] Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.

(…)

– Joesley: Esse é bom?

– Aécio: Tá na cadeira (…). O ministro [da Justiça] é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (…). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.

– Joesley: Pro João.

– Aécio: É. O Aécio vai pro Zé (…)

(…)

– Aécio: Tem que tirar esse cara.

– Joesley: É, pô. Esse cara já era. Tá doido.

– Aécio: E o motivo igual a esse?

– Joesley: Claro. Criou o clima.

– Aécio: É ele próprio já estava até preparado para sair.

– Joesley: Claro. Criou o clima.

***

Difícil saber o que é maior, se a desfaçatez ou a insensatez. Ao pregar a saída de Aécio da presidência do PSDB um dia depois de ter votado a favor do retorno dele ao Senado, Tasso Jereissati exagera no cinismo. Parece supor que a plateia é feita de bobos. Luta por um partido limpinho ao mesmo tempo que tenta zelar pelo conforto do companheiro enlameado. Ainda não se deu conta. Mas faz o papel do sujeito que tenta fugir do mau cheiro abraçado a um gambá.

* * *

SE AÉCIO SE CHAMASSE CUNHA, ESTARIA NA TRANCA

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

NO TERREIRO

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

22 outubro 2017 MARY ZAIDAN

O QUE EM VEZ DE QUEM

A tensão predominava no plenário naquele 12 de dezembro de 2007 quando o Senado cravou o fim da CMPF por 45 a 34 votos. Para o então presidente Lula, a derrota significava o fim do sonho do terceiro mandato, enterrado ali junto com o imposto do cheque.

Lula tinha popularidade recorde, mas faltava a ele a maioria parlamentar para atos impopulares.

Como a memória política costuma ser curtíssima, e seletiva, vale lembrar que o ex-ministro da Previdência de Lula e líder do governo petista no Senado era o atual líder do presidente Michel Temer, Romero Jucá (PMDB-RO), que tentou, sem êxito, adiar a votação do adeus à CPMF.

Foi impedido pelos senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Alvos do ódio de Lula, os dois tucanos até pareciam ter sido tragados pela praga do ex. Perderam as eleições seguintes, ficaram fora do jogo. Hoje, são as melhores chances para o PSDB – segundo maior partido do país – sair da lama em que se afundou.

Coube a Tasso assumir a presidência da sigla em substituição ao enroladíssimo Aécio Neves, a quem o senador cearense tenta convencer a abandonar definitivamente a direção partidária para evitar danos ainda maiores à legenda. É o mínimo depois das demonstrações sucessivas de bambeza ética.

Tasso representa ainda a corrente que quer recolocar o PSDB na linha que inspirou sua fundação, em contraposição aos que pretendem dar a direção partidária ao governador goiano Marconi Perillo.

Já Virgílio, prefeito de Manaus pela terceira vez, mexeu com o que a tucanagem imaginava imexível: lançou-se candidato à Presidência da República, anunciando a pretensão de disputar as prévias partidárias. Mais: com uma plataforma arrojada, em que fala de reformas da Previdência e tributária profundas, e privatização geral – incluindo a intocável Petrobras.

Além de incomodar a briga paroquial entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu pupilo, o prefeito João Doria, Virgílio acrescenta algo a que o PSDB e todos os demais pretendentes parecem não dar importância: o debate de temas.

Com o seu conhecido espírito polemizador, convoca o eleitor a discussões que os pré-candidatos protelam ao máximo. Cria desconforto ao PMDB de Temer e Jucá, incomoda o eixo paulista de poder, desanca discursos do lulismo ao expor sua oposição a gente que o PT hoje acusa de “golpista” mas que foi aliada de primeira hora.

E coloca o PSDB em uma encrenca no mínimo curiosa. Alckmin, que defende as prévias por ter maioria nos diretórios, e Doria, que aposta no critério de pesquisas, não contavam com a hipótese de um ano antes dos debates eleitorais obrigatórios ter de expor ideias e plataformas.

Um problema e tanto para eles, mas com enorme ganho para o eleitor.

Aos 72 anos, Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto, político experiente, filho e neto de políticos, que começou sua vida pública no PCB, dificilmente será ungido candidato. Mas, um ano antes das eleições, pode ter acertado o alvo, substituindo a chatice de discutir o quem pela importância de o que fazer e como fazê-lo.

Arthur Virgílio

* * *

Nota da Editoria:

Conheço bem o político e diplomata Arthur Virgílio e acho que a colunista Mary Zaidan esqueceu de um detalhe relevante: ele é Ficha Limpa.

Limpíssima.

Além disto, Arthur Virgílio é faixa vermelha 9 graus em Jiu-Jitsu e faixa preta em judô.

A figura certa pra derrubar corruptos num tatame político.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA


HOJE É DOMINGO – VAMOS COMER MARISCOS?

Faz algum tempo que meu Avô faleceu. Era trabalhador. Usava bem o machado e melhor ainda a foice (mas sequer ouviu falar em comunismo). Tarrafeava que era uma maravilha e nunca fez um lanceio que não trouxesse pelo menos piabas na tarrafa.

Além da roça que tínhamos, como meeiros, tínhamos também uma pequena horta no quintal da casa. Todo dia Vovô pegava “quatro caminhos d´água” – três jumentos, cada um com dois tonéis cheios d´água. Para regar a pequena horta e para dar de beber aos próprios animais, incluindo caprinos, galinhas, patos e perus.

O canteiro com cebolinha, tomate, pimentão e cheiro verde ficavam suspensos. Coisa de 1,50m do chão, para não ser destruído pelas galinhas.

No chão da pequena horta Vovô plantava batata doce e quiabo. E batata doce e quiabo eram as duas únicas coisas que completavam nosso feijão do dia a dia. Carne bovina, só aos domingos ou feriados. Galinha, só quando alguém adoecia ou a própria galinha “pedia” para morrer, fazendo alguma traquinagem. Assim, essa ia pra panela.

Esses quatro primeiros parágrafos, apenas para dizer que, conheci e comi marisco pela primeira vez (caranguejo) em Fortaleza, depois que passamos a morar na cidade. Depois conheci o siri, camarão, lagosta e outros. Comi ostra e mexilhão (sururu) pela primeira vez em São Luís. E hoje é dia de comer marisco.

Tem quem goste do camarão Pitú. Eu nunca comi. Nossos mares produzem mais de três dezenas de espécies diferentes de camarão. Só o Maranhão produz pelo menos dez espécies diferenciadas e cada uma melhor que a outra.

Mas, o caranguejo é dos mariscos, o mais popular, ao lado do mexilhão (sururu). No Maranhão existem ainda, o sarnambi, a tarioba e a ostra, sendo esta de valor comercial mais alto.

Caranguejo “guaiamum”

Em Fortaleza, lá pelos anos 50/60, caranguejo não era uma comida muito aceita. Havia restrições. Ainda como povoado e município de pequena população Caucaia, possivelmente por ser tão próxima de Fortaleza, era a que atendia a demanda da capital no item caranguejo. Muito do siri consumido também vinha daquela região, que se prolongava até Icaraí, uma praia que estava sendo descoberta – Cumbuco é algo mais moderno, tipo anos 70.

De Caucaia para Fortaleza vinha muito o caranguejo uçá, uma espécie que se reproduz com mais facilidade no manguezal, provavelmente pelo tamanho, que não desperta tanto interesse. Mas isso foi uma barreira vencida anos depois, porque os “pegadores” ou “tiradores” se dispuseram mais à captura, em vez de procurar o guaiamum – que alguns garantem ter um sabor adocicado.

Caranguejo “uçá” – mais popular e mais consumido

Caranguejo é uma comida que esconde o sabor e o prazer de comer, no biombo da forma de preparar. Não é qualquer pessoa que sabe preparar caranguejo para ser comido com mais vontade. Adequadamente limpo, o crustáceo vai ficar mais gostoso se for servido com um bom pirão de farinha seca.

No Maranhão, o “caranguejo está bom para comer, logo na primeira fervura”. Na primeira fervura a carne pode ser retirada com mais facilidade, sem a necessidade de quebrar as unhas (patas) com violência. Com uma fervura mais demorada, a carne fica mais presa e de difícil retirada.

O acompanhamento é parte essencial. Arroz de toucinho com vinagreira picada. Molho vinagrete preparado com o caldo do cozimento do caranguejo e leite de coco babaçu ou azeite de oliva para quem o prefere. O molho é colocado sobre o bocado a ser comido, antes de levado à boca.

Caranguejo cozido no leite de coco

Outro marisco preferido nos domingos é o siri. A Bahia é o estado que mais consome siri e é da capital, Salvador, o conhecido prato “moqueca de siri mole”, uma comida dos deuses. Preparado à base do leite de coco ou do dendê, é um prato que pode ser encontrado em qualquer bom restaurante da capital baiana.

Nos estados do Ceará e do Maranhão, o siri também tem grande aceitação, mas ainda não domina a moda da moqueca. Apesar do tamanho da orla marítima do Maranhão e do Ceará, o siri é um marisco que não é tão fácil encontrar.

Siri preparado ao leite de coco

Moqueca de siri mole

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

22 outubro 2017 JOSIAS DE SOUZA

MALUF DEFENDE A IDONEIDADE DE TEMER. ENTÃO TÁ!

A tramitação da segunda denúncia da Procuradoria contra Michel Temer transcorre anormalmente como uma novela repetida. Para acordar a plateia entorpecida, o acaso enfia no enredo cenas simbólicas que valem por uma epifania. Como o discurso proferido por Paulo Maluf na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em defesa da honestidade do presidente da República.

O país vive atrás do significado maior de qualquer coisa que resuma a época atual. No futuro, a historiografia talvez eleja a defesa apaixonada da honra de Temer por Maluf como um desses momentos que explicam o que se passou no Brasil quando o derretimento ético da política mudou o significado do vocábulo cidadão, que passou a ser definido nos dicionários assim: “Cidade muito grande, habitada por pessoas que, anestesiadas pela ruína moral, perderam o interesse pelo exercício da cidadania.”

Maluf vem de uma condenação na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão por lavar dinheiro desviado de obras em São Paulo. Alheio à própria ficha corrida, o orador disse que Temer é “honesto”. E tachou o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, que denunciou o presidente, de “terrorista”, um sujeito que difunde acusações “falsas” e “vazias” com o propósito deliberado de explodir a economia nacional.

Diante disso, não resta senão ecoar uma velha tese de Dostoiévski: se Deus não existe, tudo é permitido, dizia o gênio. Se Paulo Maluf é ‘advogado’ de Temer, extinguem-se sobre a Terra todas as dúvidas éticas e morais que rondam o presidente do Brasil. Suponha que uma alma distraída, que não está acompanhando a novela, lhe pergunte: “E aí, em que capítulo estamos?” Responda simplesmente: “O Maluf já passou pelo palco para informar que o Temer é honesto.” E seu interlocutor dirá, sem titubeios: “Ah, bom! Então, tá!”

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

AROEIRA – O DIA (RJ)

ESTUDO CIENTÍFICO ATRAVÉS DA BUNDA

Comentário sobre a postagem ZOP – CHARGE ONLINE

Adail Augusto Agostini:

“Acredite quem quiser:

Rumpologia:

A técnica de ler o passado e o futuro através de detalhes bundísticos (e é levada a sério por muitos!!!).”

* * *

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

SIÁ RITA TAPERA

Boanerges era o detetive. Policiava a fazenda. Dava notícias de tudo.

Investigava os desvios de conduta, rastejava e colhia vestígios de algum malfeito. Observador e astuto, era um menino vivo, mesmo com a cara abestada, própria de quem nasce no mato.”

Siá Rita Tapera era uma negra magra e comprida, de seus quarenta e poucos anos, com a pele tostada e engelhada pelo sol dos Cariris; filha do lendário vaqueiro Vicente Matias da Pedra da Bicha, era casada com Zé Tapera e morava na vizinha Santa Catarina, uma enorme fazenda de propriedade do agrônomo Edson Santa Cruz, que a gente nunca chegou a ver e a quem todo mundo chamava de “o Doutor”.

Siá Rita tinha aquele fuá de cabelo enorme que parecia nunca ter visto um pente e trazia sempre um cachimbo de barro a cano comprido num dos cantos da boca; tinha um jeito de falar e contar histórias num sotaque engraçado, o linguajar muito rápido e sempre olhando pro chão.

Usava um pano que lhe cobria os cabelos já começando a embranquecer, o que tornava a sua cabeça ainda maior do que era. Aparecia pelo menos uma vez por semana lá por casa, quando ia lavar a nossa roupa, já que mamãe e nossas irmãs não conseguiam dar conta de tudo.

Pois bem, Nunes, como chamávamos Boanerges, um dia, desconfiou que a cabeça de Siá Rita estava maior do que de costume.

Enquanto alguém a entretinha, ele, por trás, puxava o pano que lhe cobria a cabeça, sem que ela pudesse nada fazer.

E a surpresa foi aquela chuva de sabão pelo chão da nossa cozinha.

É que ela guardara, ali, o sabão – artigo mais ou menos raro, já que além do “sabão da terra” que mamãe gastava horas e horas na beira do fogo pra fabricar, de sebo de gado e “potaça”, como chamávamos a soda cáustica, aquele em barras só era encontrado nas bodegas, e era caro.

Siá Rita fazia da cabeça um depósito para levar o sabão com que lavava os seus “panos”.

É claro que nós todos rimos muito enquanto mamãe, bondosa feito ela, não brigou com Siá Rita, ponderou apenas que, da próxima vez, não precisava esconder o sabão, era só pedir, que ela lhe daria.

Até porque não se podia abrir mão de uma boa lavadeira, num tempo em que a apanha do algodão, abundante naquela época era atividade que ocupava toda mão de obra dali: adultos, crianças e até idosos.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

22 outubro 2017 DEU NO JORNAL

FORA TEMER, QUEM MAIS OS PETISTAS ODEIAM?

Eduardo Affonso

Pois é. Eles dizem que o governo de Temer é ilegítimo, inconstitucional, fisiológico, entreguista, feio, bobo, golpista etc.

Compactuo com o horror que os petistas têm ao Temer, ao seu governo, aos seus ministros. Acho que ele deve ser julgado, cassado e enviado para a Papuda.

Com a ressalva de que eu não votei no Temer.

Eles, sim.

O Temer me caiu de paraquedas, me foi enfiado goela abaixo.

Os petistas, ao contrário, escolheram-no.

E não uma vez só, mas duas.

Aceitei o Temer como quem aceita uma injeção de Benzetacil.

Não queria, não gostava, era horrível – mas era isso ou uma infecção generalizada.

Respirei fundo, prendi o choro, xinguei a mãe do moço da farmácia e toquei o barco.

Como os petistas, não suporto olhar para a cara do Edison Lobão, nobre presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Mas, ao contrário dos petistas, eu também não o suportava quando ele era Ministro de Minas e Energia de Lula e de Dilma.

Compartilho com os petistas uma profunda antipatia pelo Presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Só que eles o achavam simpaticíssimo quando era Ministro das Comunicações de Lula.

Eliseu Padilha, braço direito do golpista, quem consegue confiar nesse sujeito?

Os petistas, certamente – pelo menos enquanto foi Ministro da Aviação Civil da finada Presidenta.

Como não me solidarizar com os petistas no asco pelo Geddel Viera Lima, o do apartamento com vista pro mar em Salvador?

Mas o asco deles é recente, só desabrochou depois que ele deixou de ser Ministro da Integração Nacional do viúvo de D. Marisa.

Ah, Romero Jucá, o sorumbático Romero Jucá…

Impossível não ser tomado de ojeriza ao vê-lo, ouvi-lo, imaginá-lo.

Exceto os petistas, que surubaram com ele sem pudor algum enquanto era Ministro da Previdência Social do Lula.

E Silas Rondeau, encalacrado na Lava Jato, indiciado por tráfico de influência?

Abominável, diriam os petistas – e eu concordo.

Mas os petistas só acham isso depois que ele deixou de ser Ministro de Minas e Energia.

De quem?

Ganha um sítio em Atibaia quem adivinhar.

E tem ainda Moreira Franco, estrategicamente nomeado pelo nefasto Temer apenas para adquirir foro privilegiado.

Se bem me lembro, ele teve o mesmo foro como Ministro de Assuntos Estratégicos de Dilma, e ninguém falou nada.

Eu não gosto do Temer, mas desde sempre.

Os petistas, esses só começaram a desgostar quando ele se cansou de ser um vice decorativo e resolveu partir para novos desafios e se reposicionar no mercado.

Por isso entendo quando entram em transe (e em loop) com seu mantra “Fora, Temer”.

É que levaram cinco anos para perceber que ele existia (e que existiam Moreira Franco, Jucá, Eunício, Rondeau, Padilha, Geddel), e só aí começar a ladainha.

Sabe como é, ficha de petista demora um pouco a cair.

* * *

A Editoria do JBF complementa esta postagem colocando o jumento Polodoro pra rinchar em homenagem aos eleitores do PT.

E rinchar mostrando a pajaraca que foi feita sob medida pra ser enfiada no furico de quem vota em Lula e nos postes que ele indica.

Rincha, Polodoro!

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

22 outubro 2017 DEU NO JORNAL

CAGADOR ORAL

Em visita a uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) no ABC, neste sábado, o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que os processos a que responde na Justiça são fruto de perseguição política e ironizou as acusações de que seja dono de imóveis não declarados.

Em um discurso aos sem-teto da ocupação, Lula disse que se conseguirem provar que o tríplex no Guarujá, o apartamento vizinho à sua cobertura em São Bernardo do Campo e o sítio de Atibaia forem seus, ele vai doá-los ao MTST.

* * *

Vocês sabiam que tem gente que acredita no que este multi réu fala?

Pois é.

Podes crer, amizade.

Existe mesmo gente de miolo frouxe que acredita em tudo que ele caga pela boca.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

IOTTI – ZERO HORA (RS)

ENTRE A CRUZ E A ESPADA

Levanta-te Senhor e vem julgar a causa da tua fé!

Sempre tive muita curiosidade para saber de onde vem a expressão “Entre a cruz cruz e a espada”. Pois bem: A origem é o escudo da sagrada inquisição. Ou aceita a cruz (e ganha um ramo de oliveira, símbolo da paz), ou é passado a fio de espada.

Se fosse apenas ser passado pela espada, era muito bom: Morria e estava tudo acabado. Só que, antes de morrer, o infeliz tinha que ser barbaramente torturado e esfolado vivo, até se arrepender de seus “pecados”. A imaginação dos tarados do Santo Ofício não tinha limites. Joseph Mengele, o monstro de Auschwitz, era um anjinho inocente se comparado a eles. Mataram e esfolaram uma multidão estimada em milhões de pessoas simplesmente porque não concordavam com as suas opiniões.

Desde a origem, a Igreja Católica nunca primou pela compreensão para com aqueles cujas ideias divergissem da sua ortodoxia. Esta agressividade para com seus dissidentes vem de longa data. Daí para tentar exterminar todos aqueles que dela discordassem, foi um simples passo. Desde os Arianos, Nestorianos, Sabelianos, Pelagianos, até os Albigenses, ou Cátaros, e outros menos votados, a norma sempre foi essa.

São mais de 165 movimentos heréticos que a história registra e a tônica sempre foi a mesma.

Depois dos heréticos, a sede de sangue da cúpula católica, sempre em perseguição da total e absoluta hegemonia sobre os corações e mentes, voltou-se contra os judeus. Durante todo o período da ocupação árabe na Península Ibérica (711 a 1491), a península viveu um período de grande harmonia entre os praticantes das 3 grandes religiões. Tal harmonia chegava ao ponto dos líderes árabes confiarem importantes posições de governo a cristãos e judeus. O mesmo sucedeu em Portugal, após a reconquista por Afonso Henriques (1109-1185), seu primeiro rei. A convivência harmônica se manteve. Todo o reinado de Afonso Henriques ficou marcado pela tolerância para com os árabes e judeus. Estes estavam organizados num sistema próprio, representados politicamente pelo grão rabino, nomeado pelo rei. O grão-rabino Yahia Bem Yahia chegou a ser escolhido para ministro das Finanças de Afonso Henriques, sendo responsável pela coleta de impostos no reino. Com esta escolha, teve início uma tradição de escolher judeus para a área financeira e de manter um bom entendimento com as comunidades judaicas, que foi seguida pelos seus sucessores até a data fatídica de 1492.

O ano de 1469 marcou o nascimento do Estado Moderno espanhol. Isabel de Castela e Fernando de Aragão selaram um casamento, unindo os reinos do norte da Península Ibérica. Foi essa fusão que criou a massa crítica necessária à conclusão da expulsão dos mouros da península em 1492. Daí à expulsão dos judeus foi só um pulo: Fugiram todos para o benevolente Portugal, à época do rei D. Manoel.

Só que a bonança durou pouco. Ao casar D. Manoel com a filha dos “Reis Católicos”, assumiu relutantemente o compromisso de expulsar os judeus também de Portugal. Para fiscalizar a promessa, veio acompanhando a Infanta, como seu confessor, o famigerado Torquemada. Começou o terror! A verdade é que os portugueses sempre levaram essa perseguição em fogo brando. Tanto é que uma quantidade enorme se converteu de fachada e continuou vivendo por lá, ou veio para o Brasil, cuja população era composta naquela época majoritariamente por “marranos” (judeus convertidos na marra).

O terror só foi pra valer após a Espanha anexar Portugal, em 1580, já que o rei D. Sebastião havia desaparecido (ou morrido?) em batalha sem deixar herdeiros. Aí a perseguição começou pra valer!

Dessa vez, os judeus fugiram de Portugal para a Holanda, inimiga da Espanha então, levando toda sua riqueza. Com esta riqueza, trataram de montar a Cia. das Índias Ocidentais e invadiram o Brasil.

Mas isto já é uma outra conversa. O que nos interessa aqui é a longuíssima tradição de intolerância e brutalidade, e que perdura até os nossos dias, só que transferida para outros objetivos. Essa milenar brutalidade é a mesma do Estado Islâmico, do Holocausto e de incontáveis guerras de extermínio.

Nunca considerei diferença de opiniões em política, em religião e em filosofia, como sendo razão para me afastar de um amigo.

A capacidade que os seres humanos possuem para praticar atrocidades com seus semelhantes é qualquer coisa de admirável. Decididamente, temos muito ainda por evoluir. Enquanto não aprendermos a contrapor firme oposição a todas as canalhices que contra nós são praticadas, mas sem decair para os padrões morais daqueles que estamos combatendo, nosso futuro nunca será de paz e de progresso.

Tem sido para mim grande sofrimento encontrar tantos, entre nossos oponentes, que não possuem a liberalidade de distinguir entre oposição política e social; e que transferem à pessoa o ódio que tem de suas opiniões políticas.

P.S. Esta coluna é uma homenagem ao Goiano que, apesar de suas idéias desconexas e sem correspondência com os fatos da vida real, continua sendo nosso prezado amigo.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

22 outubro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE VERDADEIRA DO DOMINGO

* * *

O Instituto Lula soltou uma nota avalizando a manchete de hoje da Folha de S.Paulo.

Diz a nota que esta confirmação da Lava Jato com relação às ladroagens do PMDB de Michel Temer é verdadeira.

Já as outras confirmações, apurações, afirmações e denunciações da Lava Jato com relação a Lula e ao PT, são todas mentirosas.

Todas.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

SAMUCA – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

ILUSTRES PERNAMBUCANOS XLII

Bastos Tigre

Manuel Bastos Tigre nasceu no Recife, em 12/3/1882. Bbibliotecário, engenheiro, jornalista, poeta, compositor, humorista, dramaturgo e publicitário. Realizou o curso secundário no Colégio Diocesano de Olinda, onde compôs os primeiros versos e criou o jornalzinho humorístico O Vigia. Formou-se engenheiro pela Escola Politécnica, em 1906, mas não seguiu esta profissão. No entanto, chegou a trabalhar na General Electric e no DNOCS – Departamento Nacional de Obras contra as Secas.

Era um homem de múltiplos talentos, particularmente como pioneiro da publicidade brasileira. O slogan “Se é bayer é bom”, que correu o mundo, é dele. Em 1934, fez a letra de um jingle musicado por Ary Barroso e cantado por Orlando Silva: “Chopp em garrafa”. Naquele ano a Brahma passou a engarrafar o produto. Assim, foi o criador do primeiro jingle no mercado da publicidade brasileira.

Em 1915, prestou concurso para bibliotecário do Museu Nacional com uma tese sobre classificação bibliográfica. Mais tarde, transferiu-se para a Biblioteca Central da Universidade do Brasil, onde serviu por mais de 20 anos. Exerceu a profissão por 40 anos, é considerado o primeiro bibliotecário concursado no Brasil. No dia do seu aniversário – 12 de março – é comemorado o Dia do Bibliotecário, que foi instituído em sua homenagem.

Segundo o historiador Marcelo Balaban, que acabou de lançar o e-book pela Editora da Unicamp (2017) Estilo moderno: humor, literatura e publicidade em Bastos Tigre, analisando sua trajetória, “ele viveu no início do século XX, o dilema enfrentado até hoje por grande parte dos artistas: agradar o grande público, viver do seu ofício ou ser aceito entre os grandes. Melhor dizendo era mais um “trilema” do que um “dilema”, pois ele vivia entre alta literatura (poesia), o humor ligeiro e o mercado publicitário. Ainda conforme o historiador, “Apesar de reconhecido como mestre do gênero humorístico pelo público e mesmo por seus pares, Tigre foi sendo esquecido pela crítica literária e abandonado por muitos de seus colegas escritores. Seu legado resumiu-se a slogans publicitários”.

O humor trocadilhesco, os epigramas, os sonetos humorísticos e as peças de teatro do chamado gênero ligeiro, como revistas de ano e vaudevilles, garantiram-lhe prestígio em sua época. Fazia sucesso junto ao público que consumia avidamente esse tipo de literatura. Por outro lado, era olhado com desconfiança por seus colegas escritores que o viam mais interessado em agradar um público pouco ilustrado do que em desenvolver uma arte maior, José Domingos de Brito nasceu em 9/8/1950, em Jupi, Pernambuco. Bibliotecário, professor, pesquisador e editor. Fundador, presidente e diretor cultural do Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo no período 1979-1992. Organizador ou reorganizador dos centros de documentação e bibliotecas dos órgãos e empresas: Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (1985-1986); Companhia de Engenharia de Tráfego-CET/SP (1976-1980); Companhia Municipal de Transportes Coletivos-CMTC (1983-1986); Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (1986-1992); Parlamento Latino-Americano (1993-2007); União Brasileira de Escritores (2008-atual).

No final da década de 1910, ele encontrou na publicidade uma oportunidade de reforçar o orçamento doméstico. Dedicou boa parte de seu tempo a esta atividade, chegando a abrir um escritório especializado, o simulacro de uma agencia de publicidade. Sua produção literária, além da veia humorística, conta também com uma crítica política contundente, conforme se vê no poema abaixo:

ESTA REPÚBLICA

É certo que a República vai torta;
Ninguém nega a duríssima verdade.
Da pátria o seio a corrupção invade
E a lei, de há muito tempo, é letra morta.

A quem sinta altivez, força e vontade
Ficou trancada do Poder a porta:
Mas felizmente a vida nos conforta
De esperança, uma dúbia claridade.

Porque (ninguém se iluda), “isto” que assim
A pobre Pátria fere, ultraja e explora,
Jamais o sonho foi de Benjamin.

Os motivos do mal não são mistério:
– É que a gentinha que governa agora
É o rebotalho que sobrou do Império

Veja-se a atualidade de seu poema: a corrupção entre nós é um problema já no nascimento da República. Publicou mais de 30 livros, dos quais destacamos os títulos abaixo: Saguão da Posteridade (1902), Versos Perversos (1905), Moinhos de Vento (1913), Bolhas de Sabão (1919), Arlequim (1922), Fonte da Carioca (1922), Penso, logo… eis isto (1923), A Ceia dos Coronéis (1924), Carnaval: poemas em louvor ao Momo (1932), Entardecer (1935), As Parábolas de Cristo (1937), Senhorita Vitamina (1942), Aconteceu ou Podia ter Acontecido (1944), Conceitos e Preceitos (1946). Musa Gaiata (1949) e Sol de Inverno (1955).

Em 1982, a Associação Brasileira de Imprensa-ABI em parceria com a FUNARTE publicou As vidas de Bastos Tigre, 1882-1982. Catálogo da exposição comemorativa do centenário de nascimento. Faleceu em 1/8/1957.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

ANA AMELIA SARMENTO – SALVADOR-BA

Luiz Berto,

Vejo aqui nessa gazeta o editor esculhambar com a presidente do PT Gleisi e a ex-presidenta Dilma.

E não vi reação do Goiano.

Mas quando fala mal do Lula… aí se ofende.

Não é machismo do Goiano?

R. Cara leitora, pergunte pra ele. Tenho certeza que ele responderá.

Embora eu desconfie que Goiano hoje vá estar muito ocupado com a coluna do Josias de Souza, logo aí embaxo, que trata de aluguel e recibos de aluguel.

E como Goiano é especialista em Ciências de Aluguéis e Recibos Lulaicos, penso que ele vai passar o domingo provando que não são evidentes as evidências mostradas por Josias.

De fato, não tenho lembrança de alguma defesa que nosso estimado colunista já fez aqui das duas assombrações que você citou, cara leitora. Uma parelha de altíssima grandeza do PT.

Goiano só se interessa mesmo pelo santo da seita, o iluminado que é mais honesto do que Jesus Cristo. Chegou até mesmo a escrever um poema teológico, dentro de liturgia petêlha, em homenagem ao seu santo.

Veja que lindo:

“Lula no meu coração
Lula no corpo e na alma
Lula na minha emoção
Lula é quem me acalma
Lula é a solução
Lula é tudo de bão”

Mas, pode ser que ele já tenha defendido a ré Gleisi, a Amante da lista de propinas da Odebrecht e atual presidente do bando, e também já tenha defendido a Vaca Peidona, o maior destrambelhamento que Banânia já viu sentada na cadeira do Planalto.

Pode ser. Não tenho certeza.

O leitor que pesquisar e indicar uma defesa veemente de Amante e de Vaca Peidona feita por Goiano – com a mesma intensidade das defesas que ele faz de Lula -, vai ganhar um brinde da Editoria do JBF.

O brinde será o livro “13 Razões para votar no PT“, da autoria de Aurélio Marcondes Bittencourte e Lina, publicado pela Editora Matrix.

Um resumo da obra pode ser lido clicando aqui.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

22 outubro 2017 JOSIAS DE SOUZA

ALGUÉM PRECISA DEFENDER MARISA DO SEU MARIDO

Repentinamente, verifica-se que Lula e seus advogados perderam o respeito pela memória de Marisa Letícia. De mulher exemplar, a ex-primeira dama foi transformada numa doidivanas que pagou em dinheiro vivo, durante quase cinco anos, os aluguéis do apartamento malcheiroso de São Bernardo, vizinho à cobertura da família Silva. Nessa versão, a mulher de Lula foi acomodada pela defesa do homem com quem viveu por 43 anos, ao lado de personagens como Aécio Neves, outro inconsequente que tem uma predileção pelas formas mais primitivas e inseguras de transferência de valores: os envelopes, as malas, as mochilas.

No total, Marisa teria manuseado entre 2011 e 2015 algo como R$ 189 mil. Com esse dinheiro, teria quitado os aluguéis do apartamento que a Lava Jato sustenta que a Odebrecht comprou para Lula com dinheiro sujo desviado da Petrobras. No caso de Aécio, a Polícia Federal filmou as malas e mochilas utilizadas para transportar parte dos R$ 2 milhões que o senador tucano alega ter tomado emprestado do benfeitor Joesley Batista. Quanto a Marisa, ainda não foi explicado como ela fazia chegar os envelopes, mês a mês, às mãos do locador.

Chama-se Glauco Costamarques o hipotético locador. Segundo a força-tarefa de Curitiba, trata-se de um laranja que o amigo José Carlos Bumlai providenciou para funcionar como proprietário de fachada do imóvel que a Odebrecht deu de presente a Lula. Reside em Campo Grande. Não há notícia de que Marisa tivesse o hábito de visitar amiúde a capital do Mato Grosso do Sul. Aécio confiou ao primo Frederico Pacheco a missão de buscar a grana provida pelo dono da JBS. Os advogados de Lula ficaram devendo o nome do portador dos aluguéis que Marisa mandou pagar.

Em depoimento a Sergio Moro, Lula disse que nunca teve tempo para cuidar do ordenamento das despesas da família. Delegou a tarefa a Marisa. Foi ela quem assinou o contrato de locação. Era ela a responsável pelos pagamentos. O juiz da Lava Jato cobrou os recibos. E a defesa anexou aos autos um papelório malcheiroso. Agora, mais essa: dinheiro vivo! Lula costuma dizer que seus investigadores mentem. E inventam novas mentiras para justificar as anteriores. O pajé do PT enxerga mentirosos em toda parte, menos no espelho.

Viva, Marisa talvez não se importasse de emprestar seu nome para ser usado na fábula que a defesa de Lula compõe para justificar os confortos do ex-mito. Mas não estava previsto no contrato de locação – ou na certidão de casamento – que a veneranda senhora, depois de recolhida à sepultura, deveria servir de álibi post-mortem para um marido indefeso.

Alguém precisa defender Marisa Letícia do marido dela. É pena que os filhos não se animem a convocar uma entrevista coletiva. Não seria preciso muita coisa para salvar a imagem da mãe. Bastaria uma declaração singela. Algo assim:

Mamãe era honesta. E nunca foi uma mulher imbecil. Como qualquer criança de cinco anos, ela sabia o que é um DOC. Para realizar o pagamento de um aluguel de quase R$ 4 mil mensais, mamãe não trocaria o ‘Documento de Ordem de Crédito’, uma forma de pagamento e transferência de dinheiro disponível em qualquer agência bancária, devidamente regulamentada pelo Banco Central, por envelopes de dinheiro vivo. Em tempos tão inseguros, com tanto ladrão ao redor, mamãe não se atreveria a retirar o dinheiro do ambiente eletrônico para levá-lo até o meio da rua.

De resto, convém aos filhos de Marisa mandar confeccionar uma lápide nova para colocar no túmulo dela. Sugere-se a seguinte inscrição: “Não contem mais comigo!”.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

22 outubro 2017 JOSELITO MÜLLER

HOMEM TRANS TAMBÉM QUER USAR BANHEIRO FEMININO

A vida de Gonçalão, nome fictício, foi sempre de muitas batalhas.

Homem nascido no corpo de uma mulher, ele sempre notou, desde a infância, sua dificuldade de se adaptar ao corpo biológico de menina, o que o levou a se tornar um dos primeiros homens do sexo feminino no Brasil.

Recentemente ele obteve uma importante vitória judicial, quando no seu registro de nascimento foi incluída a informação de que ele nasceu mulher, mas era do sexo masculino.

Mas como nada na vida é fácil, Gonçalão tem sido protagonista de uma outra batalha judicial, motivada pelo fato de ser barrado toda vez que tenta entrar no banheiro feminino em lugares abertos ao público.

“QUANDO VOU ENTRAR NO BANHEIRO AS PESSOAS ME OLHAM TORTO, COMO SE, PELO FATO DE SER HOMEM, EU NÃO PUDESSE FREQUENTAR O BANHEIRO FEMININO”, LAMENTA.

Ele revela que esse tipo de incidente ocorre desde que assumiu a identidade masculina, aos 19 anos de idade.

“DEIXEI PARA VIRAR HOMEM SÓ DEPOIS DOS 18 ANOS, PORQUE EU NÃO QUERIA SERVIR O EXÉRCITO”, REVELA GONÇALÃO.

Ele não descarta a possibilidade de voltar a ser mulher, visando a possibilidade de vir a se aposentar mais cedo.

“OUTRA VANTAGEM DE VOLTAR A SER MULHER É SER PROTEGIDO PELA LEI MARIA DA PENHA, ENTÃO É UMA COISA QUE TENHO REPENSADO BASTANTE ULTIMAMENTE”, FINALIZA.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

DORINHO – CHARGE ONLINE

22 outubro 2017 EVENTOS

PARA OS FUBÂNICOS DO RECIFE – VOCÊ COM SAÚDE NA MAIOR IDADE

Devido ao grande interesse dos pacientes, o tema Esquecimento – Quando Devo Me Preocupar? volta a ser abordado no Você com Saúde na Maior Idade, no dia 26 de outubro, às 15h. O evento é promovido mensalmente pelo Hospital Santa Joana Recife, no Santa Joana Recife Diagnóstico (Unidade Dom Bosco).

“Percebemos que essa é uma queixa frequente entre os pacientes, por isso o interesse é tão grande. Recebemos muitos pedidos para que voltássemos ao assunto”, afirma Andréa Figueredo, geriatra do Hospital Santa Joana Recife. A médica ministrará a palestra juntamente com a também geriatra Lilian Karine.

Durante o evento, serão abordados os sinais de alerta para o esquecimento e dicas de como envelhecer de maneira saudável.“O controle da diabetes e da pressão alta durante toda a vida e a adoção da atividade física são importantes para prevenir o esquecimento. Muitas vezes, o problema é atribuído ao Alzheimer, mas a ansiedade, por exemplo, também pode ser fator determinante”, explica Andréa Figueredo.

Além das orientações das médicas, o encontro conta com aferição de pressão arterial, teste de glicemiae oficinas envolvendo as equipes de nutrição, fisioterapia e terapia ocupacional do hospital. A participação no evento é gratuita e os interessados devem fazer inscrição pelos telefones 3412-2827 ou 3412-2823. As vagas são limitadas.

Você com Saúde na Maior Idade
Tema: Esquecimento – Quando Devo Me Preocupar?
Data: 26 de outubro, quinta-feira. – Hora: 15h.
Local: Espaço Fidelidade- Santa Joana Recife Diagnóstico – Rua Dom Bosco, 961 – Boa Vista – Recife.
Inscrições gratuitas pelos telefones 3412-2827 ou 3412-2823.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

QUINHO – ESTADO DE MINAS

WASHINGTON LUCENA – VISTA SERRANA-PB

Capa: Érica Nicodemos

* * *

O SONHO COM DEUS

I
Eu sou matuto senhor
Só sei falar a verdade !
Preste atenção por favor
Digo com seriedade,
Eu queria está dormindo
Para ver se repetindo
O sonho de ontem a noite
Transformei em Poesia
O perfil da nostalgia
Do que fiz no meu pernoite.

II
Ontem estive sonhando
No sonho falei com Deus
E já fui lhe perguntando
Por alguns problemas meus
Por que, que a seca castiga?
Por que nós temos intriga?
Que nos causa desamor
Por que o humano faz guerra?
Se Jesus deixou na terra
Liberdade, paz e amor.

III
Na mansão celestial
Eu seguir perguntando…
Por que existe tanto mal ?
Se seu filho viveu amando
Entregou-se de verdade .
E quem busca liberdade
Por que sofre covardia ?
E ficando sempre atento
Esperando esse momento
Onde Deus me respondia.

IV
Deus respondeu para mim
Abrindo o globo terrestre:
Os homens fazem seu fim
Matando a fauna silvestre
Mexendo no ecossistema
Mudando todo sistema
Pra gerar sua riqueza
E o que fiz com tanto gosto
Hoje vejo com desgosto
Os males da natureza .

V
Levou-me para outro canto
Na janela do passado
E mostrou-me quanto e tanto
Nosso mundo tem mudado.
Vendo as guerras mundiais
Que retiraram a paz,
E massacrava os Judeus
Fazendo a separação.
E trazendo destruição
Pra todos os europeus.

VI
Eu jamais quis uma guerra
Ele assim me respondeu
Nem na sua santa terra
Onde muitos já morreu.
Por amor mandei Jesus
E que se entregou na cruz
Pra redimir o pecado
E que morreu sem dever
E eu ganhei sem merecer
A vida pra ser amado.

VII
De cima do firmamento
Fomos olhar o sertão
Vi o mundo tão cinzento
Nas paisagem desse chão
Perguntando lá de cima
Por que não mudas-te o clima?
Da estiagem nessa terra
Deus me respondeu sorrindo
Tudo que fiz é infindo
E minha mão jamais erra.

VIII
A culpa nunca foi minha
Eu fiz tudo tão perfeito
Não ponha a culpa mesquinha
No construtor desse feito
Ponha culpa no machado
Que desfez todo legado
Que fiz com tanto explendor
Plante sem nunca cortar,
Produza sem devastar
As obras do Criador.

IX
Mais Deus eu fui caminhando
Por cima do nevoeiro
Ele foi me aconselhando
Eu fui seguindo o roteiro
E levando minha vida
Amando sem ter medida
Sem temer nenhum futuro
Levando só esperança
E em Jesus a confiança
Caminhando até no escuro.

X
Quando fui lhe perguntar
Pela vinda do Senhor
Eu já podia escutar
A fala do Salvador
Mas fiquei sem ter respostas
Toparam nas minhas costas
E sem querer acordei
E agora estou sem saber
E não posso responder
O que mais eu perguntei.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

O VENTO E OS TEMPOS

Pois são tempos estranhos, estes; tempos em que se descobre que um antigo político, que se supunha afastado do ramo desde que foi condenado pelo Mensalão, controla um robusto partido com 37 deputados federais. O presidente Temer, naturalmente, sabia de tudo; e sabia ainda que o preço do ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, Boy, comandante-chefe do PR, era a manutenção do Aeroporto de Congonhas em mãos do Estado. Nada de privatização: Congonhas continua estatal, prometeu Temer a Boy. Em troca de tão patriótica atitude, Temer ganha o apoio do PR para continuar no cargo, livre das desagradáveis denúncias da Procuradoria da República.

OK, Valdemar Costa Neto pediu, Temer concedeu. Mas por que estará Boy tão interessado na permanência de Congonhas em mãos do Governo?

Talvez alguma vertente brizolista em sua ideologia, por que não? Seria novidade, porque: a) parte dos políticos brasileiros acha que Boy não tem ideologia, guiando-se sempre pelos resultados, estes sempre excelentes; b) outra parte dos políticos brasileiros acha que Boy tem ideologia, sim, mas menos brizolista e muito mais petista, da ala ligada ao empresariadão. Talvez esteja preocupado em garantir a eficiência do aeroporto, já que, como se sabe, as estatais tradicionalmente produzem melhores resultados – e, sem dúvida, os bons resultados são sempre seu objetivo, um objetivo sempre alcançado. Temer e Boy, políticos experientes, sabem conversar.

Ventos uivantes

Nesse tipo de bate-papo entre velhos amigos, entre xícaras de bom café e biscoitinhos, a conversa sempre deriva para assuntos paralelos. No caso, decidiu-se reativar o antigo aeroporto de Pampulha, em Belo Horizonte, para voos interestaduais. Pampulha, é certo, também trará bons resultados.

Blowin’ in the Wind

Não se assuste: esta coluna não trará aos leitores nenhuma nova versão do clássico de Bob Dylan na interpretação de Eduardo Suplicy. Para evitar más interpretações da história dos aeroportos, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, apresentou a Michel Temer estudos da aviação civil e análises de consultorias independentes que demonstram que, sem a receita de Congonhas, a Infraero perde sua base financeira, e outros aeroportos do sistema no país ficam inviáveis. Que tal privatizá-los? O aeroporto da ilha de Santa Elena, entre América do Sul e África, está num lugar tão ruim que só um modelo de avião no mundo, um Embraer, lá chega e decola. É um aeroporto privado e dá lucro. A resposta, diz Bob Dylan, é soprada pelos ventos. Mas, que pena, o aeroporto dá lucro, embora só aos investidores!

Palavras ao vento

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que Geddel Vieira Lima é o chefe da quadrilha. Renan Calheiros, que conhece tudo do partido e do Governo – o que é preciso saber e o que nem fica bem pensar que ele sabe – rebateu: “Engraçado. Nunca soube que Geddel era o chefe. Para mim, o chefe dele era outro”. Renan se conteve: já pensou se ele conta e de repente descobrimos que aquilo já não é mais surpresa?

Depois do vendaval

No interior de São Paulo, há uma frase feita a respeito de chefe: “Quem tem chefe é índio”. Coincidência: o presidente do Senado, Eunício Oliveira, fiel dos fieis de Michel Temer, tem o apelido de Índio. Ele acaba de dizer que é eleitor de Lula e é nele que, “obviamente”, deve votar nas eleições do ano que vem, se o PMDB não tiver candidato próprio e com acordos locais para decidir quem indica quem para cada cargo. Traduzindo, se não estiver garantida a ele, Eunicio, uma candidatura forte ao Senado pelo Ceará.

Livre como o vento

Segundo Eunício, o PMDB é um partido livre. “Livre” é uma palavra bonita, uma das preferidas deste colunista. Mas não é em todos os lugares, nem em todas as épocas, que “livre” é uma palavra elogiosa. Conforme o lugar, conforme a época, dizer que uma senhora tem comportamento livre é tudo, exceto um elogio. Em certos partidos, também. Pode significar que, a menos que haja garantias de sucesso em certas áreas, as palavras “livre” e “traidor” se transformam em sinônimos perfeitos.

O vento sabe a resposta

E, a propósito, há lógica na união, ao menos regional, de PT e PMDB. No Nordeste, Lula é o político mais popular; e o PMDB tem de longe a melhor estrutura, com mais prefeituras e mais tempo de televisão. Ambos são pragmáticos, digamos. Unir-se e ganhar juntos, muito, é o que querem.

Onde o vento faz a volta

Aeroportos, bons lucros – como na cobrança do transporte das malas, que segundo a Anac geraria uma tendência para reduzir o custo das passagens. Resultado: as passagens subiram 35,9% – cálculo da Fundação Getúlio Vargas, obtido pelo Diário do Poder.

22 outubro 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

DELICADO

Oscar Emílio Tirao mais conhecido como Cacho Tirao, instrumentista argentino, interpreta de Waldir Azevedo o chorinho “Delicado“. Essa apresentação deu-se em 1990.

21 outubro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

21 outubro 2017 JOSIAS DE SOUZA

SUJO, RENAN IRONIZA NA WEB TEMER, O MAL LAVADO

Dono de um currículo penal invejável, Renan Calheiros, estrela de 16 inquéritos e réu numa ação penal, sentiu-se à vontade para fazer troça na internet com Michel Temer, primeiro presidente da história a arrostar duas denúncias por fatos vinculados à corrupção.

Renan achou “engraçado” um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal pela doutora Raquel Dodge. Nele, a procuradora-geral da República sustenta que há 51 milhões de motivos para manter Geddel Vieira Lima atrás das grades.

A certa altura, Dodge anota que Geddel parece ter assumido posição de líder de organização criminosa constituída para assaltar o erário. E Renan: “Nunca soube que Geddel era o chefe. Para mim, o chefe dele era outro.

Considerando-se que Temer, Renan e Geddel integram diferentes facções da mesma falange partidária, a plateia fica com a incômoda sensação de que sucede nos porões do PMDB algo muito parecido com o que ocorre na favela da Rocinha: uma disputa pelo controle do território.


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