16 outubro 2018 DEU NO JORNAL

BANDIDAGEM VERMÊIO-ISTRELADA

Em entrevista à Jovem Pan, a recém eleita Senadora pelo estado de São Paulo, com 6.513.138 votos, Mara Gabrilli relembra cenas da bandidagem vermêio-istrelada.

16 outubro 2018 CHARGES

BRUM

16 outubro 2018 HORA DA POESIA

SONETO ERRANTE – Francisca Araújo

De passos quebrados o meu verso manco
Refaz os caminhos trilhados outrora,
Costura sorrisos, porém, sempre chora
Na parte mais rasa da dor que eu estanco…

E todo delírio, de mim, pulsa fora
Nas páginas cobertas por um papel branco.
O canto sentido da mágoa não tranco
Talvez por receio de ver-me em piora!

É nessa mistura de frases sortidas,
Que algumas estrofes achadas perdidas,
Acordam saudades de forma discreta…

E eu, linha cruzada nas mãos do destino,
Qual rima queixosa prossigo sem tino
Fingindo pra o mundo e amando o poeta.

16 outubro 2018 CHARGES

ZOP

16 outubro 2018 DEU NO JORNAL

É GAIA!

Profissionais que atuam na campanha presidencial do PT já desistiram de reclamar.

Mas continua o climão provocado pela atitude da mulher do candidato do PT, Ana Estela Haddad.

Ela sempre dá um jeito, quando não pode ficar no meio, de aparecer ao lado do maridão e da vice Manuela, nos atos de campanha.

O motivo é um mistério.

* * *

Hum…

Eu acho que isto é chifre.

Dona Ana Haddad deve estar sentido conceira na teste.

Ou, como se diz aqui no Nordeste, é gaia, é gaia, é gaia!!!

16 outubro 2018 CHARGES

IOTTI

NA CAL

16 outubro 2018 CHARGES

CACINHO

GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – MANGARATIBA

Mangaratiba- RJ

Quando miúdo ouvia muito “Mangaratiba”, na voz de Luiz Gonzaga, parceria do rei com Humberto Teixeira.

A vitrola ficava acesa o dia inteiro. O aparelho servia para tocar a trilha de cada um dos que se hospedavam ali, na faixa, na casa de vovô, no bairro de São José, Recife-PE

Eram Gonzagão, Jakcson, Gordurinha, Ary Lobo, Marinês, Nelson, Ãngela Maria, Dalva, Marlene, Emilinha, Trio Irakitan, Dick Franey, Lucio Alves e uns novatos – Edu Lobo, Chico Buarque, Ivan Lins, João Donato, Zimbo Trio, além de outro bocado de músicas de todos os gêneros.

Eu, parcularmente, era muito chato e usava da prerrogativa de ser neto do dono da casa para interromper Orlando Dias, por exemplo…

Uma música que sempre me deixou curioso foi “Mangaratiba”, principalmente pelo título que me parecia muito próximo da prosódia e de um termo de origem nordestina e não conhecia, não sabia se era cidade, fruto ou nome de um pau.

Mais tarde, vim saber que era um dos mais belos balneários do Rio, lugar onde todo high-society carioca tinha casa, mansão.

Mangaratiba é um munípio da microrregião de Itaguaí-RJ, contíguo à Regiao Metropolina do Rio de Janeiro, estado do Rio. Está a 85 km da capital e possui cerca de 40 mil habitantes, segundo o IBGE.

Mangaratiba é um termo originário do Tupi antigo e significa “ajuntamento de mangarás”, da junção de mangará (termo que designa plantas da famílias da aráceas) e tyba (ajuntamento).

Mangaratiba (Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira), com Gonzagão

Prá falar a verdade, fiquei sabendo das peculiaridades de Mangaratiba há pouco tempo. Além de originária de um povoado de pescadores, depois tornado um dos mais bonitos templos do litoral do Rio, a escondida cidade ficou muito famosa para nós, não fluminenses, principalmente por conta da presença da nata da máfia da corrupção nacional, incluindo o ex-governador Sergio Cabral e o interessante Fernando Cavendish.

Sim, Neymar também está lá numa bela mansão, tratando do dedinho, tão valioso, que poderá nos ajudar a ganhar mais uma Copa. Mas, este não é um meliante, ganha seu dinheiro fazendo gols e lances mágicos pelos campos do mundo inteiro…

Semana que vem, tem mais..

16 outubro 2018 CHARGES

MYRRIA

16 outubro 2018 DEU NO JORNAL

CACHORRADA ENTRE FACÇÕES

O senador eleito Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro Gomes, o presidenciável derrotado no primeiro da eleições presidencial desse ano, fez duras críticas ao PT durante evento da campanha de Fernando Haddad, candidato do PT.

Cid chamou petistas de “babacas”, atacou o ex-presidente Lula e afirmou que o partido vai “perder feio” porque não fez um “mea culpa” sobre erros cometidos nos últimos governos petistas que comandaram o país.

* * *

Este fato assucedeu-se ontem, segunda-feira, 15, em Fortaleza-CE.

A briga interna entre quadrilhas e facções rivais faz um bem enorme pra banda decente do Brasil.

Vejam só a cachorrada:

16 outubro 2018 CHARGES

LEONARDO

VERDADES SOBRE VIOLÊNCIA NA ELEIÇÃO

O servente de pedreiro e pedagogo Adélio Bispo de Oliveira, militante político de esquerda, tentou matar com uma facada o candidato da direita Jair Bolsonaro, do PSL, num evento político da campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais, na tarde de 6 de setembro. Um mês depois, o barbeiro baiano Paulo Sérgio Ferreira de Santana, eleitor do capitão e deputado, encerrou uma troca de xingamentos, aparentemente de natureza política, matando com 12 facadas o capoeirista e ativista negro Romuário Rosário da Costa, o Moa do Katendê, que, de acordo com a família, é militante e eleitor do Partido dos Trabalhadores (PT). Essas duas ocorrências são as únicas com autoria conhecida e já processadas em que é possível relacionar a escolha política a algum ato violento. A protagonista do terceiro caso noticiado – uma moça de 19 anos que contou ter sido agredida, quando envergava uma camiseta com os dizeres “#Elenão”, por três pessoas que a marcaram à faca com uma suástica – não teve o nome revelado nem registrou o caso na polícia, o que cobre pelo menos com o véu de dúvida a história inteira.

Ainda que o terceiro episódio seja reconhecido como um atentado de presumível empatia com o nazi-fascismo, qualquer leitor minimamente familiarizado com o noticiário policial de cada dia terá dificuldade em classificar o clima reinante nas cidades brasileiras como anormal em termos de violência por causa da realização da eleição. Portanto, o auê que o ventríloquo preso Lula, por intermédio de seu boneco Haddad, está fazendo na campanha para denunciar a insegurança de seus militantes no cotidiano ou em atos políticos é, no mínimo, exagerado.

Antes da eleição já houve momentos mais tensos, tanto de um lado quanto do outro, ambos identificados como “radicais”, que, por decisão soberana, pacífica e serena do eleitorado, ganharam no primeiro turno de domingo 8 de outubro credenciais para concorrer à Presidência da República no segundo, marcado para o próximo dia 28. Diante da evidência de que Lula/Haddad teve 18 milhões de votos a menos do que o oponente nas urnas na rodada inicial e começou a campanha para a decisiva amargando um avanço do outro, agora um abismo de 49% a 51%, 18 pontos porcentuais, de acordo com o último Ibope, não seria talvez ilógico supor que a tentativa de superar a distância abissal de intenções de voto seja forte razão para levar o denunciante a procurar pelo em ovo ou chifre em cabeça de cavalo. Algo similar às declarações de Bolsonaro, que lança no ar acusações sem provas de manipulação de pesquisas e fraude nas urnas eletrônicas, também sem fato concreto que a comprove.

O assédio moral de cabos eleitorais petistas aflitos com a situação do candidato do partido na decisão da eleição, denunciado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista a Pedro Venceslau, do Estadão, não se resume ao inimigo preferencial que virou noiva da vez ou tábua de salvação do náufrago. Haddad, encarnação do verdadeiro candidato, enche-se de melindres para reclamar de casos de seus acólitos maltratados por “fanáticos” que votam em Bolsonaro. Não é de todo improvável pelo clima, realmente tenso, mas não com excessos notáveis de violência, como ele reclama, que tenha, de fato, razão. Mas não há registro de que tenha criticado Zé de Abreu, autor de um post no qual reproduziu uma cena de novela em que sua colega da Globo Regina Duarte era, no papel de Helena, surrada pela irmã. Se o signatário da mensagem não pretendia, como pareceu aos desconfiados, sugerir uma punição similar à atriz no dia em que ela visitou o candidato do PSL em sua casa, o amigo do peito de Zé Dirceu não deveria ter apagado o palpite infeliz de sua rede social?

Atitude similar também foi tomada por Olavo de Carvalho ao postar mensagem atribuindo o apreço de Haddad (no caso, não no papel do presidiário) pelo incesto, quando, de fato, o petista se resumia a citar num texto dele outro autor. Mensagens como essa, de um lado ou de outro, foram copiadas em memórias de computadores de desafetos, que logo as disseminaram. Como ocorreu com Helena Rizzo, chef de cuisine do Mani, que, transgredindo regras de educação doméstica e respeito a empregados e clientes, reuniu uns para erguerem o dedo médio a outros, no conhecido e condenado insulto escatológico. Haddad, no papel de Lula, referiu-se na própria propaganda à malcriação do ancião, mas ninguém o viu, leu ou ouviu referindo-se à grosseria da moça. Se arrependimento matasse, teria havido uma avalanche de mortes nas estatísticas da violência na campanha.

Esses deslizes, frequentes em arquibancadas e botecos mal frequentados, mas condenáveis em ambientes sociais familiares, caso do debate político, não podem ser relacionados como atos de brutalidade, mas não recomendam candidatos nem eleitores. Não pega bem um candidato favorito à Presidência fingir que empunha fuzis, usando tripés de câmeras e indicadores das duas mãos. Não pode também ser considerado um gesto de contrição cristã o segundo colocado, saindo da igreja depois de comungar, maldizer o outro, negando o mais elementar dos princípios da fé que acabara de professar.

Em 28 de outubro um dos dois vencerá e o vencido será mais um cidadão brasileiro a ser governado pelo vencedor, que será o presidente de todos. Terá, assim, em suas mãos a tarefa difícil de combater a insegurança generalizada que torna a população brasileira refém de bandidos perigosos enjaulados em presídios. Milhões de brasileiros comuns, divididos entre o anti-Lula e o “Lula livre”, terão motivos para se queixar de amigos perdidos na rixa política no afã de tentarem levar seu pretendente favorito ao trono do presidencialismo monárquico.

O Fernando que não é Haddad, mas Henrique, disse na entrevista ao Estado que não aceita “coação moral” de quem agora busca seu apoio: “Quem inventou o nós e eles foi o PT. Eu nunca entrei nessa onda. Com que autoridade moral o PT diz: ou me apoia ou é de direita? Cresçam e apareçam. A história já está dada, a minha”. Para ele, “agora é o momento de coação moral…” Subiu o tom: “Ah, vá para o inferno. Não preciso ser coagido moralmente por ninguém. Não estou vendendo a alma ao diabo”. E acenou: “Há uma porta” com Fernando Haddad (PT), mas com o “outro” (Jair Bolsonaro, PSL), não.

O Fernando que não é Henrique, mas Lula e, às vezes, Haddad, ficou muito animado, esquecendo que porta não é muro, mas nem sempre está aberta. Abrir essa tal porta significaria aceitar um governo de pacificação. No artigo Novos tempos, novas táticas, publicado no Globo de ontem, o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira dá um banho de compreensão da chave que tranca essa porta, ao constatar: “Além de não reconhecer seus erros, (o PT) atrelou o destino ao de um homem na cadeia, supondo que estava repetindo a história de (Nelson) Mandela. Ao atrelar o destino a Lula, o PT escolheu o caminho mais difícil. E a esquerda saiu dividida”.

Se somarmos a bronca do ex-presidente com a incisão cirúrgica da crítica do articulista, chegaremos à plena verdade. Tenho insistido em artigos e comentários, e vale a pena repetir, para concluir: quem inventou a divisão entre nós e eles foi, de fato, Lula. E o fez para vencer a eleição contra Alckmin, em 2006. Conseguiu impor ao tucanato uma derrota histórica, na qual o ex-governador paulista teve menos votos no segundo turno do que no primeiro. Para o mesmo Lula, agora na voz do boneco Haddad, derrotar Bolsonaro, evitando que ele agregue quatro pontos porcentuais à votação espetacular de quase 50 milhões de votos do primeiro turno, o PT teria de reconhecer um fato elementar: na família Mandela a corrupta era a mulher, Winnie, e o casal se separou. Na família PT há cúmplices a mancheias na maior roubalheira da História, que resultou na quase bancarrota da Petrobrás e na maior crise econômica e social do País, com milhões de desempregados. Quanto custará reconhecer esse fato?

Vítima quase fatal da violência de verdade, que Lula/Haddad denuncia como se fosse contra o PT, Bolsonaro, a um passo da vitória, como anunciam os institutos de pesquisa, não se queixa dela. Quem reclama dela o faz para dizer que a eleição é violenta e o eleitor, fascista, cuspindo na velha e boa democracia por não ter outro meio de vencer.

16 outubro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

16 outubro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

TERRORISTA URBANO ZISQUERDÓIDE

O fato assucedeu-se na quarta-feira passada, dia 10 de outubro.

O terrorista Guilherme Boulos – que tomou uma pajaraca de grosso calibre no olho do furico por ocasião do primeiro turno -, fez um comício trepado num palanque, arrodeado por uma turba furiosa, composta de descerebrados e idiotas.

Ao lado dele, a presid-Anta do PT, Gleisi Amante Hoffmann, se rindo-se com os dentes arreganhados.

O coro entoado pelos babacas era este

“Ô Bolsonaro, preste atenção, a sua casa vai virar ocupação!”

Aquela malfada, inoportuna e infeliz lei que desarmou o Brasil precisa urgentemente ser revogada.

Todo cidadão de bem tem que ter arma em casa.

Pra botar pra correr a tiros qualquer bandido que tente invadir sua propriedade.

16 outubro 2018 CHARGES

DUKE

16 outubro 2018 AUGUSTO NUNES

A METAMORFOSE VIGARISTA

Na primeira visita a Curitiba depois da surra que levou nas urnas do primeiro turno, Fernando Haddad ouviu a ordem do presidiário mais conhecido do país: ele deveria deixar de ser Lula para transforma-se no avesso do chefão. E então começou outra metamorfose delirante.

Ateu de carteirinha, Haddad lembrou que era neto do que chama de “líder religioso”, converteu a vice comunista em católica praticante, descobriu que Deus existe e foi comungar em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Stalinista desde a juventude, converteu-se em democrata.

Apaixonado desde sempre pela cor vermelha, resolveu que havia mais beleza no verde e no amarelo. Neste fim de semana, o devoto de Lula, sem ficar ruborizado, ajoelhou-se no altar de Fernando Henrique Cardoso.

Depois de 16 anos endossando a ladainha da “herança maldita”, o candidato ao naufrágio passou a incensar o legado bendito de FHC e mendigar o apoio do ex-presidente que sempre foi o Grande Satã da seita da missa negra. Esse tipo de metamorfose sempre acaba mal.

No esforço para mostrar que não é parecido com Lula, Fernando Haddad ficou com cara de vigarista. Como o restante da companheirada, deve achar que o eleitorado brasileiro é um ajuntamento de otários. Os resultados do segundo turno mostrarão quem foi o grande idiota da sucessão presidencial de 2018.

* * *

FILHOTE DOS VAMPIROS DA AMÉRICA LATINA

A nota dissonante na foto acima é o livro que Lula segura, decerto presenteado por alguém que ignorava a confissão feita anos antes: “Leitura é pior do que exercício em esteira”. O desconforto causado pelo objeto que lhe ocupa as mãos é traduzido pelo rosto: Lula é o único que não sorri na primeira fila do bando que posa para a posteridade.

Entre ele e Dilma Rousseff aparece Daniel Ortega, que comanda a Nicarágua desde 2007. Seguem-se, da esquerda para a direita, o cubano Raúl Castro (que pousou no poder em 1959, já no cargo vitalício de irmão de Fidel), Nicolás Maduro (que prolonga desde 2013 a ditadura inaugurada há 18 anos por Hugo Chávez) e Evo Morales (capataz da Bolívia há 12).

Todos acham que oposicionistas merecem cadeia ou tumba, odeiam o convívio dos contrários, amam o partido único, acham que os fins justificam os meios e, por não enxergarem fronteiras entre o público e o privado, roubam compulsivamente o dinheiro do povo. Enquanto prometem aos outros um futuro paradisíaco, desfrutam do céu aqui na terra.

Filhote da subespécie brasileira dessa linhagem, Fernando Haddad abriu a campanha do segundo turno pregando a “união de todos os democratas” em torno de sua candidatura, destroçada nas urnas de 7 de outubro por milhões de eleitores que, segundo o porta-voz de presidiário, andam flertando com a volta da ditadura.

Haja cinismo. Se Haddad gritasse “Viva a Democracia” no meio da turma reunida na foto, o mundo contemplaria uma versão muito pedagógica da cena eternizada nos filmes de terror assim que o herói crava a estaca no peito de um vampiro. Os tiranetes latino-americanos, antes de serem reduzidos a pó, envelheceriam em alta velocidade até que alcançassem a idade do cérebro — mais de 150 anos — e sumissem para sempre.

16 outubro 2018 CHARGES

J. BOSCO

LUIS M. BARROSO – CHAPECÓ-SC

Editor Berto,

Pode acreditar que milagres acontecem.

Bolsonaro não vai tirar ninguém do SPC.

Mas já tirou o PT do vermelho.

Cordiais saudações,

16 outubro 2018 CHARGES

PAIXÃO

VAMOS COMBINAR, ISSO SIM É FANATISMO

Fanático é, por definição, aquele que tem uma adesão obsessiva a uma pessoa ou a uma idéia, que pode levar ao extremo da intolerância.

Creio ser possível intuir que daí vem a palavra fã, que tem um significado mais suave, significando a pessoa que tem grande admiração por outra, que torce por determinado clube esportivo, ou que tem grande afeição por outra.

No entanto, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Explico: admirar alguém e, logo, sendo fã, não inclui no conceito a desavença com outrem, nem a intolerância por outra pessoa não compartilhar do mesmo sentimento.

Já o fanático, ao admirar alguém, ou ao aderir a uma idéia, torna-se intolerante a quem não compartilha dessa admiração ou não adere a uma idéia.

Eis, então, o surgimento do fenômeno Bolsonaro mediante a admiração, por ele, de pessoas que não admitem que eu não seja também seu admirador, consistente, ainda, na adesão dessas pessoas a suas idéias e sendo extremamente intolerantes com quem não esteja com elas de acordo.

Antes do aparecimento desse fenômeno, os fãs de Lula eram chamados de fanáticos, pelo simples fato de continuarmos a crer em sua inocência a despeito de sua condenação como corrupto pelo juiz Sérgio Moro e, em seguida, pela confirmação da sentença, com aumento de pena, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Nós podemos explicar, e o temos feito, nossas razões plenamente racionais para mantermos nossa convicção nessa inocência, baseadas essas razões no acompanhamento do processo respectivo e na verificação da inexistência de provas, no seu sentido jurídico estrito, capazes de sustentar a certeza da culpa do nosso líder.

Quanto a Bolsonaro, essa explicação parece menos provável.

É que trata-se de personagem que não apresenta, para tornar-se um líder, mais do que idéias estapafúrdias a respeito da segurança pública e sobre a aceitação das diferenças, tendo, a esse respeito, manifestado posições que repercutem como propostas retrógradas de comportamento social.

Uma delas consiste em possibilitar o acesso às armas de fogo pelas pessoas em geral, sem maiores dificuldades, como forma de garantir seu direito de autodefesa.

Trata-se de forma de resistência em geral desaconselhada por quem entende do riscado, sendo, mesmo, que o fato de o bandido supor que eu esteja armado pode não só não desestimulá-lo a assaltar-me, como pode aumentar-lhe a cobiça de levar-me também a arma.

As razões que determinaram a instituição do Estatuto do Desarmamento levaram em conta os debates a respeito da segurança pública e individual e consideraram que o estilo “faroeste” não levar à pacificação, mas ao aumento da violência – sendo que não parece haver uma relação entre o aumento da violência e a redução do porte de armas, devendo-se esse aumento a outros fatores sociais.

Mas – e aí o fanatismo entra em cena como um fator consciente em uns, psíquico e inconsciente em outros – a idéia de estar dotado do poder de armas de fogo tem o poder de despertar nos indivíduos sentimentos ancestrais algo instintivos de segurança.

Contudo, a humanidade resolveu delegar, a entidades e pessoas habilitadas, a nossa proteção, tais sejam as polícias e as forças armadas (e até mesmo, de forma indireta, a lei e o poder judiciário), de modo que retroagir a estados anteriores chega a ter aspecto até infantil, da criança que brinca, com armas de brinquedo, de matar inimigos fictícios.

Outro aspecto desse fanatismo nos conduz ao domínio de nossas idéias mais retrógradas e sórdidas, de superioridades raciais e de repúdio a certas minorias.
Deixamo-nos levar – ao aderir de modo irracional e intolerante a quem toca essa flauta – pelo pensamento de que negro é gente inferior, de que índios são preguiçosos e de que quilombolas são aproveitadores.

Também, a despeito de discursos demagógicos em contrário, reforçamos nossa convicção íntima a respeito da meritocracia, acreditando que a assistência social é, além de uma forma de manter e ampliar redutos eleitorais, algo que estimula a inércia, a indolência e a preguiça, esquecidos de que muitos, muitos milhões de indivíduos, passam pela absoluta falta de condições de trabalho capaz de levar o sustento a si e suas famílias.

E repetimos o triste refrão, equivocadamente aplicado aos que recebem auxílios como o Bolsa-Família, que “a esmola ao indivíduo que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Ouvir esse tipo de argumento a esse respeito me mata de vergonha.

Pois, a cortina de fumaça que os fanáticos por Bolsonaro e por sua política atrasada utilizam é a luta contra a corrupção: todos esses defeitos citados são aceitáveis e até desejáveis, desde que o nosso líder ponha todos os bandidos na cadeia, nos dê um revólver para nos defendermos, coloque negros, índios e quilombolas em seus lugares, restaure a moralidade isolando os homossexuais para que parem de nos incomodar com sua presença e pare de dar dinheiro para vagabundo.

E quem não quiser seguir Bolsonaro e não estiver de acordo com suas idéias e ideais é bandido, safado, defensor de corrupto, traidor da Pátria e descrente em Deus.

Para completar, uma pitada de anticomunismo irracional e desprovido de base, fundado nas mais estapafúrdias teorias da conspiração, acompanhado das bandeiras ufanistas e religiosas – e o caldo esá pronto e servido.

Mas quem quer saber de racionalidade e dessas outras bobagens? Estamos falando de fanatismo!

16 outubro 2018 CHARGES

PATER

LARISSA NAGIB – PIRACICABA-SP

Sr. Editor,

Conforme pesquisa do Ibope, Haddad tem 47% de rejeição.

Bolsonaro esta abaixo dele com 35%.

Dia 28 está chegando.

Vamos colocar ordem e progresso na casa.

E botar a quadrilha pra correr.

Brasil acima de tudo e Deus acima de todos!!!!!!!!!!!!

16 outubro 2018 CHARGES

IOTTI


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