29 julho 2014 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

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XICO BIZERRA – JABOATÃO DOS GUARARAPES-PE

SÓCIOS COMPULSÓRIOS

Recorrente na imprensa local o noticiário sobre a farra das emendas parlamentares para shows.

Impressiona-me o silêncio sepulcral da classe artística e dos órgãos e instituições que a representa (ou dizem representá-la). Impressionante, também, o silencio do Tribunal de Contas e do Ministério Público sobre o assunto.

Segundo reportagem do Jornal do Commercio, quase 20 milhões de reais foram distribuídos em emendas ao orçamento 2014 para cerca de 500 shows no interior do estado, verba oriunda de 427 emendas parlamentares disponibilizadas por 39 de nossos 49 legisladores.

Claro que não é missão parlamentar nem função do estado patrocinar shows artísticos (não importa de que artistas, qualquer um), menos ainda quando se trata de bandas que desqualificam a mulher em suas letras, que incentivam a prostituição e o vício (estas representam a maior parte dos recursos distribuídos).

Enquanto isso, as escolas não funcionam, os hospitais caem, as estradas estão esburacadas. E o pobre dinheirinho do contribuinte está sendo ‘desviado’ para patrocínio de shows. Somos sócios compulsórios. É muito circo e pouco pão, pouca escola, pouca saúde e muito silêncio dos que não são beneficiados hoje mas alimentam a esperança de um dia sê-lo (o silêncio dos beneficiados até que se entende, embora não haja justificativa ética para sua aceitação).

Isto é financiar o circo com verba pública sem o consentimento do contribuinte. Só se justificam as emendas para o fim cultural se forem destinadas a estimular projetos que contribuam para a adoção de políticas públicas em prol da cultura: em outras palavras, iniciativas que tenham por fim o fomento, nunca a realização de shows.

Mais grave ainda é que 57 das 104 cidades que receberam o ‘favor’ dos deputados estão na lista dos municípios subdesenvolvidos, com IDH entre 0,500 e 0,599. Quantos desses municípios poderiam ter suas situações amenizadas, caso essas emendas tivessem destinação diferente, para áreas como educação, saúde ou infraestrutura?

Na edição do Jornal do Commercio de 20/Jul, relação nominal dos nobres Deputados que ‘investiram’ suas emendas em ‘circo’ (clique aqui para ler).

Hora de identificá-los e dar-lhes o troco, neles não votando nas eleições que estão chegando.

R. E o pior de tudo, meu nobre Cardeal, é que cerca de 60% destas cidades, além do baixíssimo IDH, estão também padecendo com a estiagem.

O título de uma reportagem do Jornal do Commercio já diz tudo:

Shows em cidades sob efeito da seca

Para ler a matéria, clique aqui.

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

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29 julho 2014 A PALAVRA DO EDITOR

PENSAMENTO VIVO

“O amor é como capim: você planta e ele cresce. Aí vem uma vaca e acaba com tudo.”

(Otacílio, filósofo palmarense)

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU

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MÚSICAS DE PARTIDAS, CHEGADAS, ACALANTOS, TRILHAS DE VIDA – III

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O local: atitude, gênero e dança

A gafieira:

É o local que, por volta do fim do século XIX e início XX, que as classes mais humildes, tradicionalmente, freqüentavam para praticar as danças de casal, ou danças de salão.

As gafieiras não chegavam a ser um clube e sim uma alternativa para essas pessoas e, pelo que conta a história, elas tiveram seu nascedouro no Rio de Janeiro.

Atualmente, há gafieiras espalhadas pelo bairro da Lapa, principalmente na Mem de Sá – entre eles o tradicional Clube dos Democráticos  (fui levado ali pela minha filha, a Marina – nesse dia, com a Orquestra Imperial) e o recente Lapa 40º – e na Rua do Riachuelo – Teatro Odisséia, Carioca da Gema. Um dos primeiros foi o Estudantina. Em São Paulo, era famosa a Vila Sófia (Sofia?) que fora cassino até eles serem proibidos, na Capela do Socorro, Santo Amaro.

Samba de gafieira (dança):

É um estilo de dança de salão, derivado do maxixe, iniciado no princípio do século XX.  É pequena a bibliografia sobre o tema, mas Marco Antonio Pema, em seu livro “Samba de Gafieira”, diz: “um dos principais aspectos observados no estilo samba de gafieira é a atitude do dançarino frente a sua parceira: malandragem, proteção, exposição a situações surpresa, elegância e ritmo. Na hora da dança, o homem conduz a sua dama, e nunca o contrário”.

“Antigamente – informam os pesquisadores – dizia-se que o ‘malandro da Lapa’ fazia uso de um terno branco, sapatos preto e branco, ou marrom e branco e, por debaixo do paletó, camisa preto e branca ou vermelha e branca, listradas, horizontalmente, além de um chapéu Panamá ou Palheta – há uma confusão sobre esses dois chapéus, parecidos de longe, porém, bem diferentes, de perto. Dentro do bolso, carregavam uma navalha”.

“A mão sempre ficava dentro de um bolso da calça, segurando a navalha em prontidão para o ataque; a outra gesticulava normalmente; suas pernas não andavam uma do lado da outra, paralelas, mas sempre uma escondendo o movimento uma da outra, como se estivesse praticamente andando sobre uma linha.

Dançando, o dito “malandro” sempre protege sua dama, dando a ela espaço para que ela possa se exibir para ele e para o baile inteiro ao seu redor e, ao mesmo tempo, impedindo uma aproximação de qualquer outro homem para puxá-la para dançar. Daí também a atitude de se sambar com os braços abertos, como se fosse dar um abraço, além de entrar no ritmo da música, proteger sua dama –  é o que traz o ‘Samba de Gafieira’”.

A Música da Gafieira:

Como gênero musical, o samba de gafieira (isto é, como música composta pensando nos passos dos dançarinos do samba de gafieira), inclui o samba-choro (especialmente, o chamado choro de gafieira), o samba de breque e o samba sincopado.

Passos do Samba de Gafieira:

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Nome de alguns passos:

Tirar a dama; puladinho; pião; Malandro; Meio-Malandro; – assalto; Romário; contra-tempo; meio giro; cruzado pausado; facão; facão invertido; dois tempos; andamento; elástico; perna esquerda; puladinho redondo; gancho redondo; escovinha fixa; pião aberto; dois tempos redondo; trança; e matrix.

Desde cedo, gostei muito da mística da gafieira, é, mais da mística do que dos bailes mesmo. Por conta dessa postura machista, da navalha, a proteção de guarda-costas das parceiras, o clima de quase hostilidade, num ambiente de dança e alegria. É possível que houvesse momentos de maior stress e até violência nesses bailes mais humildes, no entanto nada muito mais escandaloso que nos salões de dança dos bacanas.

Lá no meu bairro de São José, no Recife, juntamente a Santo Antonio e o bairro do Recife, havia muito “gafierity”. Quando mais ousado e com duas lapadas, enfrentava a mística desses bailes, com muito respeito e alguns companheiros, por garantia.

A música que mais gosto de cantarolar e que define como uma crônica a gafieira, como local de dança, a música e a dança, bem como o clima que rondava tudo aquilo, foi ‘Pistão da Gafieira’, do grande paraense Billy Blanco, geralmente na interpretação de Jorge Veiga e Nelson Gonçalves.

Vamos ouvi-la com nosso ‘caboclinho’ Silvio Caldas:

silviocaldas

Na gafieira segue o baile calmamente
Com muita gente dando volta no salão
Tudo vai bem, mais eis porém que de repente
Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão
Não é que o Doca é um crioulo comportado
Ficou tarado quando viu a Dagmar
Toda soltinha dentro de um vestido saco
Tendo ao lado um cara fraco, foi tirá-la pra dançar
O moço era faixa preta simplesmente
E fez o Doca rebolar sem bambolê
A porta fecha enquanto o duro vai não vai
Quem está fora não entra
Quem está dentro não sai
Mas a orquestra sempre toma providência
Tocando alto pra polícia não manjar
E nessa altura como parte da rotina
O piston tira a surdina
E põe as coisas no lugar

Fontes: Bibliografia Perna, Marco Antonio (2001). Samba de Gafieira – a história da dança de salão brasileira. ISBN 85-901965-5-0

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

AROEIRA – BRASIL ECONÔMICO

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29 julho 2014 DEU NO JORNAL

O ESTADO E O CAPITALISMO

Merval Pereira

Concordo com a presidente Dilma, que classificou ontem o que está acontecendo no mercado financeiro de “inadmissível” e “lamentável”, mas tenho a visão oposta à dela: o que é inaceitável é um governo, qualquer governo, interferir em uma empresa privada impedindo que ela expresse sua opinião sobre a situação econômica do país. Sobretudo uma instituição financeira, que tem a obrigação de orientar clientes para que invistam seu dinheiro da maneira mais rentável ou segura possível.

Numa democracia capitalista como a nossa, que ainda não é um “capitalismo de Estado” como o chinês – embora muitos dos que estão no governo sonhem com esse dia -, acusar um banco ou uma financeira de “terrorismo eleitoral”, por fazerem uma ligação óbvia entre a reeleição da presidente Dilma e dificuldades na economia, é, isso sim, exercer uma pressão indevida sobre instituições privadas.

Daqui a pouco vão impedir o Banco Central de divulgar a pesquisa Focus, que reúne os grandes bancos na previsão de crescimento da economia, pois a cada dia a média das análises indica sua redução, agora abaixo de 1% este ano.

Outro dia, escrevi uma coluna sobre a influência da economia nos resultados eleitorais, e o incômodo que a alta cúpula petista sentia ao ver análises sobre a correspondência entre os resultados das pesquisas eleitorais e os movimentos da Bolsa de Valores: quando Dilma cai, a Bolsa sobe.

Essa constatação, fácil de fazer e presente em todo o noticiário político do país nos últimos dias, ganhou ares de conspiração contra a candidatura governista e gerou intervenções de maneiras variadas do setor público no privado.

O Banco Santander foi forçado a pedir desculpas pela análise enviada a investidores sugerindo que prestassem atenção às pesquisas eleitorais, pois, se a presidente Dilma estancasse a queda de sua popularidade ou a recuperasse, os efeitos imediatos seriam a queda da Bolsa e a desvalorização cambial. E vice-versa.

O presidente do PT, Rui Falcão, já havia demonstrado que o partido governista não se contenta com um pedido de desculpas formal, como classificou a presidente Dilma: “A informação que deram é que estão demitindo todo o setor que foi responsável pela produção do texto. Inclusive gente de cima. E estão procurando uma maneira de resgatar o que fizeram”.

Ontem, na sabatina do UOL, a presidente Dilma disse, em tom ameaçador, que terá “uma conversa” com o CEO do Banco Santander.

dilma santander

Mas não foi apenas o Banco Santander que sofreu esse assédio moral por parte do governo. Também a consultoria de investimentos Empiricus Research foi acusada pelo PT de campanha eleitoral em favor do candidato oposicionista Aécio Neves, tendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acatado o pedido para que fossem retirados do Google Ads anúncios bem-humorados do tipo “Como se proteger de Dilma” e “E se Aécio ganhar”.

Justamente é este o ponto. A cada demonstração de autoritarismo e intervencionismo governamental, mais o mercado financeiro rejeita uma reeleição da presidente Dilma, prepara-se para enfrentá-la ou comemora a possibilidade de que não se realize.

Isso acontece simplesmente porque o mercado é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de informações e expressão da opinião pública.

Atitudes como as que vêm se sucedendo, na tentativa de controlar o pensamento e a ação de investidores, só reforçam a ideia de que este é um governo que não tem a cultura da iniciativa privada, e não lida bem com pensamentos divergentes, vendo em qualquer crítica ou mesmo análise uma conspiração de inimigos que devem ser derrotados.

Um dos sócios da consultoria Empiricus Research, Felipe Miranda, afirmou em entrevistas que não se intimidará, e fez uma constatação óbvia. “O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento”.

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA

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DON PABLITO – FORTALEZA-CE

Papa Berto

As vezes eu penso que os “explicantes” do JBF foram doutrinados, assim como o rapaz do vídeo logo abaixo.

Vê ai ó.

R. Caro leitor, num sei mesmo porque…

O fato é que, vendo este vídeo que você nos mandou, me lembrei logo de dois ilustres fubânicos gunvernistas, Senil Precoce e Anta Cega.

Num sei mesmo porque… 

Eu vou até reler os comentários que os dois fizeram neste mês de julho que está terminando, pra tentar descobrir a razão pela qual me lembrei deles ao ver tão interessante filmagem.

Somente Senil Precoce fez dezenas de comentários. Gastou um teclado da porra defendendo o gunverno e o PT.

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

REGI – AMAZONAS EM TEMPO

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PROMESSAS

Faz muito pouco tempo que te disse sim
Ainda é muito cedo para te dizer não
O meu sim, foi até quando eu por um fim
Ao estoque de amor do meu coração
 
Por enquanto vou relevando teus defeitos
Da tua parte pode ir relevando os meus
Não posso imaginar sequer, outro jeito
Separação! Nem pensar. Você prometeu.
 
Prometeste que só a morte, essa sim
Da minha parte, eu achei muito pouco
Em se tratando que a morte não é o fim
 
Tudo bem! Mas lembre-se, não foi o acaso
Quem uniu eu e você, deveras, foi o destino
Cabe ao próprio destino, prorrogar o prazo

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

M. AURÉLIO – ZERO HORA

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Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
FILHOS

Vira e mexe e a estupenda performance empresarial do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta à baila.

Agora é o pastor Silas Malafaia o autor da ofensiva contra o primeiro-filho. Visivelmente indignado, o religioso afirmou que a igreja que dirige – a Associação Vitória em Cristo -, vem sofrendo sórdida perseguição da Receita Federal. Conhecido pela contundência dos seus pronunciamentos, o religioso subiu o tom e cobrou do fisco o mesmo rigor com “o filho de Lula que era pobre e virou milionário”. Posso estar enganado, mas acredito que é menos difícil o pastor se converter à seita lulista do que ter seu pleito atendido. 

Extasiados com a resplandecência emanada dessa ilha de desenvolvimento e de justiça social concebida nos estúdios de alguma agência de publicidade engajada e consolidada somente no conteúdo inverossímil das bilionárias peças publicitárias que abrigam o fantasioso Brasil Maravilha inventado por Lula, os lullopetistas orgulham-se de terem eleito e reeleito um presidente semi-analfabeto e vangloriam-se da escandalosa esperteza dos filhos do ex-mandatário.

Para eles, o processo em andamento de canonização do potentado de Garanhuns deflagrado pelo PT em 2003 e com a santificação vaticinada para 1.º de janeiro de 2019 com sua volta triunfal, justifica a apropriação indevida de programas de outros governos, a descarada vassalagem consentida e a espetacular trajetória empresarial da prole divinal. 

Agradeço aos céus por não ter me convertido à essa nova ordem, pois, como o ex-presidente, também sou um iletrado funcional com diploma apenas do antigo curso primário, mas – sem nenhuma intenção de comparar-me a ele, até mesmo porque a única semelhança da qual compartilhamos é a distância dos bancos escolares -, consciente da minha desídia crônica para os estudos, jamais me permiti orgulhar-me dessa condição de indigência educacional e, buscando apascentar minha consciência e conciliar-me com a redenção, dediquei-me à tarefa de convencer minhas filhas e meu filho de que os princípios fundamentais da realização pessoal e do sucesso profissional estavam visceralmente atrelados ao conhecimento adquirido no imensurável universo da educação.

Nesse mister parece que me saí razoavelmente bem, pois minha filha Débora é formada em RH pela Faculdade Metodista de Itapeva (SP), Bárbara, a do meio, concluiu o curso de Designer de Moda em 2012 pela Universidade Estadual de Londrina (PR) e terminou o Mestrado pela USP(SP) em 2013 e Silas Gustavo, o meu caçula, em maio passado formou-se em Administração pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).

Se meus filhos são espertos, ou não, não sei; só sei que sacia na sua plenitude o meu orgulho sabê-los inteligentes e íntegros.

Débora, Bárbara e Silas Gustavo me redimiram. Preciso mais?

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Da esquerda para a direita: Bárbara, Silas Gustavo e Débora

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

newtonsilva

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http://www.lucianosiqueira.com.br/
PAULO DUARTE, UM CONSTRUTOR DA NAÇÃO

Na sexta-feira, 25, o Departamento de Química da Universidade Federal de Pernambuco homenageou em cerimônia simples, mas rica em conteúdo e emoção, o centenário do professor, pesquisador e engenheiro químico Paulo José Duarte (1916-1995).

Na ocasião, ao lado do reitor Anísio Brasileiro, em breve comentário, assinalei a minha compreensão de que a Universidade Federal de Pernambuco (e suas congêneres) é feita por uma fração do povo brasileiro, dedicada a essa tarefa estratégica – na pesquisa, da docência, na extensão. E como tal, contribui para a construção da Nação.

Na verdade, a edificação de uma nação democrática, progressista e soberana é obra de milhões. Mas esses milhões têm nome, personificados por indivíduos que se destacam em determinadas fases de nossa História e por cumprirem papel singular em determinado instante. É o caso de Paulo Duarte – um construtor da nacionalidade.

Paulo Duarte encarnou em sua larga e profícua atividade profissional, a um só tempo o professor, o pesquisador e o técnico envolvido com a solução prática de desafios da produção industrial. Notabilizou-se pela descoberta das jazidas de fosfato em Pernambuco. Em 1988, recebeu o título de Professor Emérito da UFPE.

Precursor e pioneiro, inclusive por se empenhar pessoalmente na criação do curso de geologia na então Universidade do Recife, hoje UFPE, praticou o que hoje almejamos como a uma necessidade do desenvolvimento brasileiro: a fusão, por assim dizer, da pesquisa acadêmica com a produção industrial e de serviços – condição indispensável para que a produção do conhecimento, em todas as áreas, se conecte às necessidades reais do povo e da Nação.

São incontáveis os registros de sua dedicação ao ensino e à pesquisa, exímio formador de quadros que foi. Igualmente reverenciada é a sua produção como técnico a serviço de empresas consideradas, à época, de ponta.

A Universidade Federal de Pernambuco tem, pois, na figura de Paulo Duarte um dos seus ícones, ao lado de Ricardo Ferreira, Oswaldo Gonçalves de Lima e tantos outros fazedores de conhecimento científico e formadores de novos quadros, que têm criado verdadeiras escolas de pensamento e de compromisso com a sociedade brasileira.

Para mim, modesto ex-aluno da UFPE – onde fiz o curso médico, residência médica e a pós-graduação e em cujo solo sagrado pude dar consistência à minha militância política – participar da homenagem a Paulo Duarte, e encontrar seus familiares, entre eles a arquiteta e designer Clementina Duarte, foi sobretudo um prazer.

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29 julho 2014 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

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ZÉ MANDU

Hoje fui acordado com a triste notícia da passagem de Zé Mandu (da sinuca), ou Mandu Véi, como eu sempre o chamei.

Tal acontecimento me ocupou em instantes de imensa tristeza e reflexão, aliados, no entanto, das melhores lembranças de alguns momentos de minha adolescência e juventude.

E, mesmo em face da tristeza, eu acabei rindo muitas vezes. Meu riso sendo a melhor homenagem feita ao homem que partiu hoje cedinho.

Alto, magro, esbelto, cabelos completos e brancos na cabeça fina, pele morena clara, sempre bem vestido e rosto barbeado, era inseparável do relógio de pulso, do chapéu de massa e do lenço no bolso.zemandu

Motorista de pau-de-arara, gabava-se de conhecer o Brasil inteiro. Sabia e dizia orgulhoso de quantas viagens fizera ao Sul do País. Agora essa minha memória me trai, esquecendo o numeral.

Não importa. O importante é que, cansado, parou em Acari para terminar de criar a prole, toda ela vinda do casamento com a inesquecível Zefinha, esposa zelosa e mãe atenta, principalmente com os filhos especiais.

Vieram de Cruzeta e por aqui fincaram pé. Criaram raízes, fortes e profundas, de amizade e respeito. A casa toda sempre foi um quartel general de muita alegria.

Bem mais novo que Mariuzan e Antônio, os filhos homens, fui me chegando naturalmente à casa deles, ali na Major Hortêncio, quase em frente da residência de Seu Paizinho. Foi lá que aprendi a jogar Suecas em dupla, formada sempre com Dona Zefinha que insistia em me advertir no primeiro traço do baralho “nunca jogue apostando dinheiro”. O jogo durava até as quinze horas, quando Célia – a filha caçula – se levantava para fazer o café da tarde e Dona Zefinha voltava à máquina e suas costuras.

Mandu Véi lá pela sinuca, em minha adolescência, foi me ensinando a tacar. Voltava a jogada, me dizia qual o efeito… sempre ganhava de mim. Quando comecei a vencê-lo (ele não gostava de perder e ficava deveras mal humorado), pôs uma nova regra: caçapa cantada. Assim o foi.

Sua sinuca era o point da juventude sem emprego dos anos oitenta todinhos! A resenha começava às oito da manhã, e só terminava quando Mariuzan fechava o estabelecimento, sem hora pré-determinada.

O lugar era visitado várias vezes ao dia. Uma obrigação dos despreocupados. Sem contar os que passavam apressados pela rua, soltando-lhe piadas e provocações, respondidas prontamente com o melhor do bom humor de Mandu Véi.

- Zé Mandu, já cedo por aqui? – perguntava alguém segurando na braguilha.

E ele, fingindo-se sério, juntava os dedos e, sob os óculos fundos de garrafa, apontava aquela mãozona de sertanejo original para a bunda do sujeito, como se desse a volta no corpo do provocador e respondia com o vozeirão “por ali, por ali”. Depois soltava aquela gargalhada inconfundível, inimitável: “Há-aaai”.

Amigo de Papai, há décadas, tinham uma brincadeira de insultos muito engraçada. Costumava chatear o meu velho perguntando-lhe “por quanto, Miúdo, você vendeu a sua outra metade?”, ridicularizando a pequena estatura do amigo.

Depois soltava aquela risadona gostosa de se ouvir.

Mandu Véi era um patrimônio humano da nossa terrinha. Uma espécie de ícone da alegria, apesar das adversidades presentes e vencidas durante toda a sua vida contada até os oitenta e oito anos.

No caminho que tomava por nossas ruas, seguia preocupado apenas com os obstáculos da vista curta, sendo insultado na brincadeira pelos incontáveis amigos, respondendo sempre de forma inteligente. Era um bonachão!

Um dia Hernani de Zé Ludugero me informou:

- Ê, Jesus, Mandu Véi anda meio pra baixo. Tem caminhado pouco. Não vem quase mais à rua.

Na mesma hora eu tomei o rumo do seu lugar.

Recebeu-me com aquela alegria toda, aquele semblante genuíno de quem se alegra com a visita de um amigo original.
Fiquei indo de vez em quando por lá.

- Mandu Véi, se aguente por aí – eu falei quando lhe visitei depois do falecimento de Dona Zefinha, há cerca de um ano.

- Ô! – respondeu-me sem pestanejar. – Um homem como eu morrendo se perde a semente – concluiu para rir a sua gargalhada singular.

Hoje cedo partiu. Não se perdeu a semente. Fica plantada, germinando essa saudade que já nasce imensa, da sua presença, do seu jeitão, da sua alegria… da sua gargalhada.

Deixa Mariuzan, Antônio, Célia e a encantadora Maria, moça especial e que ele um dia chamou de “Minha Coroa”.

Vai juntar-se a Dona Zefinha e aos filhos que perderam, especialmente José, seu “Meu Véi”.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

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28 julho 2014 A PALAVRA DO EDITOR

SEM CORREIO

outlook

Comunico à distinta freguesia fubânica que estou sem correio eletrônico desde ontem à noite.

O tal do Outlook deu pau e não consigo nem receber, nem enviar mensagens.

Desconfio que seja pela fantástica quantidade de correspondência que chega por aqui, o dia todo e todos os dias. Um número que cresce mais e mais a cada semana.

Felizmente, pois isto é reflexo do sucesso e da grande audiência desta gazeta da bixiga lixa.

Tá tudo entupido!

Se o gunverno não determinar nada em contrário, espero resolver o problema hoje ainda.

Até lá, peço paciência e compreensão a todos. Sobretudo aos colunistas e colaboradores que estão enviando material pra publicação.

Brigadão.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

AUTO_sponholz

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COSTUME IMORAL

O homem tem cada mania esquisita. Tem homem vidrado em tanatomania, vontade expressa por um tipo de desordem mental. Os tanatomaniacos sentem a maior satisfação em acompanhar velórios e enterros. Marcar presença até em mortes de pessoas estranhas somente para acompanhar a movimentação nos cemitérios.

Os famosos também gostam de aprontar. As celebridades são doidas para curtir a curiosidade dos fãs, sobre seus gestos, suas excentricidades, seus gostos extravagantes. A cantora Beyoncé que já vendeu mais de 40 milhões de discos no mundo resolveu adotar uma postura diferente para atender a vontade do marido. Depois de engravidar, passou a cortar o cabelo em casa e usar salto alto, porque assim, o maridão a via de maneira mais natural. Mais atraente. Mais sexy.

Os políticos, então, sempre meio esquisitão, se amarram em manias para satisfazer os seus egos interesseiros. A politicagem. Uns, apesar de possuir imensos patrimônios, calculados em até 1,9 bilhão de dólares, entram na política para usufruir de poder, mordomias, vantagens. Outros, mais atiradores, adoram alfinetar os adversários com graves e comprometedoras denúncias pelo simples desejo de botar fogo na lenha. Denunciar. Derrubar o seu poderio. Calar uma voz contrária. 

Os deputados, inclusive, gostam de financiar shows artísticos e culturais nas cidades do interior para atrair multidão. Usam o dinheiro público com interesses eleitoreiros. Destinam fortunas na contratação de artistas para alegrar o povo em apenas meia hora de cantoria, em vez de endereçar a verba pública para a construção de obras sociais de interesse das comunidades, sempre carentes.

Agora, inventaram de patrocinar enredos nas escolas de samba, que antes se concentravam somente na divulgação de destinos turísticos. Visando popularizar projetos políticos, como a transposição do Rio São Francisco, a Mangueira, recebeu gordo patrocínio financeiro do Ceará para valorizar o trabalho que fazia nascer um rio de esperança com as águas da integração. Obra que ficou pelo caminho, inacabada. Sem apresentar explicações plausíveis para o atraso.

Embora seja um costume normal no Brasil, custear eventos com recursos públicos, a sociedade desaprova este tipo de atitude dos politiqueiros profissionais. Condena o abuso de poder, o uso da máquina pública com fins desonestos. Reprova a gastança de milhões em atos públicos somente para despertar a atenção do eleitor na hora do voto. Sem empregar nenhum víncluo social.

Com o propósito de aparecer, marcar nome na praça, usar a campanha eleitoral como pretexto, os deputados pernambucanos gastaram no primeiro semestre mais de R$ 19 milhões patrocinando shows. Pode? Cadê a ajuda no lado social que fica esquecida no momento, nesta hora.

Boa atitude tem a OAB, quando toma a iniciativa de combater a corrupção reinante no país. Tomara a sociedade também possa se engajar de corpo e alma nesta excelente decisão para queimar determinadas manias. Eliminar certos esquisitos costumes das fronteiras brasileiras.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

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28 julho 2014 DEU NO JORNAL

SANTANDER: VERDADES QUE NÃO CABEM NUM EXTRATO

Geraldo Samor

O episódio que começou com a singela opinião de um analista do banco Santander e terminou num pedido de desculpas, na vitimização do PT e na demissão de funcionários do banco mostra o crescente constrangimento do debate de ideias no Brasil, já tão pobre e imbecilizado.

Dizer que, se Dilma for reeleita, a Bolsa vai cair e o dólar vai subir é como “prever” que o rio corre para o mar, ou que o dia amanhecerá depois da noite.

Ao tentar envenenar a análise clara do Santander, o PT só prova que, além de ser mau gestor da economia, o partido está cada vez mais medroso, mais cheio de mimimi, e mais distante da democracia.

Senhoras e senhores, liberais e conservadores, petistas e tucanos: O dinheiro não aceita desaforo. O dinheiro não é “amigo” de uns, nem tem antipatia com outros. Ele não é um ente político nem partidário. Ele é um freelancer que só busca uma coisa: retorno sobre o investimento. Boa parte do PIB nacional já “votou” no PT em 2006 e até em 2010, uma época em que o partido deixou a economia em paz no seu tripé e foi cuidar dos programas sociais.

Mas, ensinam os livros de economia, os donos do dinheiro são sujeitos excêntricos: eles só acham possível obter retorno quando as regras são claras e estáveis, quando a inflação está baixa, e quando o País cresce. Infelizmente – para a Presidente Dilma, para o mercado e para o País – seu governo falhou nos três quesitos. Nada pessoal, Presidente.

O Santander está certo: se este governo que produz PIBinho atrás de PIBinho e que faz com que empresários represem investimentos for reeleito, as empresas brasileiras valerão menos, o dólar valerá mais, e a economia continuará crescendo pouco ou nada. Isto é uma realidade econômica, mas se você não entende o sentido da frase “não existe almoço grátis”, nem precisa continuar lendo.

PRES-

Dilma Rousseff e Emílio Botín, presidente do Santander

Qualquer brasileiro pode se lixar para o valor das empresas, dar de ombros para o valor do dólar, e não se ligar na taxa de crescimento do Brasil – apesar das três coisas terem impacto na sua vida e na do seu vizinho – e pode votar na Presidente Dilma. É um direito dele, assim como deveria ser direito de um analista de banco…. analisar os incentivos dos agentes econômicos, como fizeram os funcionários do Santander.

É curioso que, na eleição de 2002, o então candidato Lula (então conhecido no mercado como Satã) entendeu a importância de se comunicar com o mercado (ainda conhecido no PT como Satã) em sua famosa “carta ao povo brasileiro” – mais conhecida, na piada que a história consagrou, como “carta ao banqueiro brasileiro”. Para quem não se lembra, era uma carta em que o PT jurava que ia honrar as dívidas e não bagunçar a economia que FHC havia acabado de consertar.

É isto mesmo, companheiros. Saboreiem a ironia: o partido que um dia teve a coragem de escrever uma carta pública, renunciando a 20 anos de nonsense econômico, hoje se faz de vítima histérica de uma opinião nada controversa escrita num reles extrato. Pior: não quer que sua política econômica passe pela análise de profissionais de uma empresa financeira que é paga para orientar seus correntistas.

Rui Falcão, presidente do PT, disse ao Estadão: “O que aconteceu é proibido, porque você não pode fazer manifestações que por qualquer razão interfiram na decisão de voto. E aquele tipo de afirmação pode sim interferir na decisão do voto.”

Levada ao limite, a tese de Falcão impediria o debate político, já que qualquer cidadão que emite uma opinião “interfere” na decisão de voto de alguém. Se fosse assim, só nos restaria sentar e assistir à propaganda eleitoral, aquele espaço onde existe tudo, menos verdade.std

Os esforços do PT de se fazer de vítima do mercado nessa estória revelam a pobreza intelectual do partido, sua incapacidade de lidar com críticas e seu oportunismo em bancar a vítima. Nos EUA, quando os democratas estão na frente numa corrida eleitoral, os bancos frequentemente dizem que isso é má notícia para o mercado (“vendam suas ações”), pois democratas tendem a querer mais impostos e mais gastos. Apesar disso, não há registro do Partido Democrata ameaçar o JP Morgan ou a Goldman Sachs de “interferir no processo”.

Quanto ao Santander, que assumiu o “erro” e pediu desculpas, também aprendemos uma coisa: Nem o banco mais umbilicalmente conectado com o Governo – com exceção dos próprios bancos estatais – conseguiu controlar uma opinião que, de tão óbvia, passou despercebida por qualquer controle interno.

A postura subalterna do Santander – noves fora a covardia inominável de demitir seu time de analistas – não é, entretanto, de se estranhar. O banco é como o capital: só quer saber de seu retorno. É um negócio amoral.

Já da política se espera muito mais – o livre debate de ideias – e é preocupante que os políticos não estejam à altura das expectativas.

No final das contas, o extrato do Santander só mostrou uma democracia com saldo negativo.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

MÁRIO ALBERTO – LANCE

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28 julho 2014 A PALAVRA DO EDITOR

DICIONÁRIO FUBÂNICO

ALGODÃO – Oferecem alguma coisa.

ALOPATIA – Dar um telefonema para a irmã da mãe ou do pai.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

AROEIRA – O DIA

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EDINAEL CHIBATTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Bom dia meu Papa!

No último dia dos namorados eu, de saída para dirigir o ônibus, toquei essa musga para minha rainha.

Ela tava triste, pois, seu pai, meu sogro, havia viajado antes do combinado. Foi um acidente horrível…

Então, pra não dizer que foi eu quem tocou mal essa musga, eu digo que foi por causa da tristeza…

Sabe cuma é né? Sou motorista e de ônibus.

R. Meu caríssimo Padre (Padre por enquanto… em breve será promovido…) você é um dos muitos malassombrados que compõem a comunidade fubânica.

Motorista de ônibus de profissão, enfrentando diariamente essa guerra que é o trânsito do Rio de Janeiro - que é também uma guerra no resto do Brasil -, e ainda sobra tempo e sensibilidade pra tocar e cantar, só mesmo sendo leitor devoto desta gazeta da bixiga lixa.

Parabéns e muito sucesso, seu cabra doido!

E vamos ao vídeo que você nos mandou:

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO

elvis

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28 julho 2014 A PALAVRA DO EDITOR

UM ENCONTRO EM PERNAMBUCO

Ontem, domingo, a crônica de Luis Fernando Veríssimo no jornal O Globo falava de um encontro que ele teve com dois outros escritores aqui em terras pernambucanas.

Dois escritores que já se encantaram, que viajaram antes do combinado.

Dois escritores pelos quais eu tenho uma admiração enorme, que são Millôr Fernandes e Ariano Suassuana.

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Veríssimo, Millôr e Ariano na beira-mar de Pernambuco

Sendo que o primeiro, o genial Millôr, eu tenho na conta de guru, de guia, e cujos escritos sempre me serviram de bússola e de farol.

Na verdade, eu comecei a admirar Millôr desde a adolescência, quando lia a revista O Cruzeiro que minha mãe comprava todas as semanas no Palácio das Revistas, em Palmares.

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Veríssimo se fartando com a culinária pernambucana

Só que este interessantíssimo encontro tem um detalhe curioso e, por conta disto, é que dele estou me ocupando agora.

É que o encontro aconteceu na casa de praia do colunista fubânico, José Paulo Cavalcanti Filho – chamado de Zé Paulino pelos amigos -, que também é Padre da Igreja Sertaneja.

José Paulo e sua esposa Maria Lectícia, ambos imortais, membros da Academia Pernambucana de Letras, formam uma dupla de seres daquelas que fazem a gente ficar feliz por constatar a existência de gente assim entre nós, os animais racionais e humanos. Um casal arretado e que mora na minha estima.  

Assim que acabei de ler a crônica do talentoso gaúcho, dei uma de inxirido e entrei em contato com José Paulo, perguntando se ele teria algum registro fotográfico daquela dia que Veríssimo descreveu no seu texto de ontem.

Gentilmente, o Padre José Paulo me remeteu algumas fotos, estas que estão ilustrando a presente postagem.

Me inxiri mais um pouco ainda: tomei a liberdade de colocar algumas destas fotos que Zé Paulino me mandou entre os parágrafos da crônica de Luis Fernando Veríssimo, esta que está transcrita logo a seguir.

Boa leitura, pra vocês todos!

* * *

O ENCONTRO – Luis Fernando Verissimo

Os peixinhos nadavam por entre as nossas pernas.

Estávamos no mar em frente à casa do José Paulo e da Maria Lecticia Cavalcanti, Praia do Touquinho, Lagoa Azul, Pernambuco, Brasil, América do Sul, Terra, Via Láctea, universo, com água pela cintura.

Quem éramos nós? Millôr e Cora, Gravatá, Lucia, eu e peixinhos anônimos.

Zé Paulinho e Maria Lecticia tinham providenciado tudo para que o prazer dos seus hóspedes fosse completo: sol decididamente pernambucano, céu e mar de um azul irretocável, uma mesa flutuante com guarda-sol em cima coberta de coisinhas para comer e bebidinhas para beber.

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A um sinal do Zé Paulinho, vinham mais camarão, mais marisco, mais caipirinha, mais pássaros, menos pássaros, mais brisa, menos brisa – e de repente, descendo na nossa direção pela praia como uma aparição, um convidado convocado pelos Cavalcanti para que o dia fosse mais que perfeito: o Ariano Suassuna.

De calção de banho!

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O encontro de Ariano Suassuna com Millôr Fernandes na casa do colunista fubânico José Paulo Cavalcanti

Ele entrou no mar, e os peixinhos continuaram nadando entre as nossas pernas, sem nenhuma curiosidade intelectual. Eles só estavam ali para pegar os restos da mesa flutuante, alheios ao grande momento, como se um encontro de Millôr Fernandes e Ariano Suassuna com água pela cintura acontecesse todos os dias.

Nós, ao contrario dos peixinhos, nos encharcávamos do momento. Eu, chupando um picolé de mangaba – eu mencionei que também havia picolés de mangaba? – finalmente descobria o sentido da palavra “embasbacado”.

Depois do encontro no mar, um almoço magnifico – não fosse comandado pela dona Maria Lectícia.

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E o dia mais que perfeito terminou com uma visita a um terreno próximo onde o Zé Paulinho criava bodes. Nosso anfitrião queria nos mostrar um animal que importara da Africa do Sul e que, de tão antipático e posudo, recebera do Suassuna o apelido de “Somebode”.

SHOW

Uma aula do Suassuna era um show, um show do Suassuna era uma aula. Além de produzir ele mesmo boa parte da cultura contemporânea da sua terra, Suassuna conhecia como ninguém a História (e as histórias), as artes e as tradições do Nordeste, esse outro mundo dentro do Brasil, e lutava para mantê-las vivas.

Tinha uma memória fantástica, poemas enormes decorados inteiros para qualquer ocasião, e era notável sua capacidade de, aparentemente, se perder em digressões quando falava sobre determinado assunto, a ponto de criar uma expectativa nervosa na plateia – será que ele volta para o assunto ou não volta? — e retomar o que estava dizendo do ponto exato da digressão, para alivio geral.

O Brasil perdeu um tesouro.

* * *

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Millôr conversando com Ariano; na piscina, José Paulo

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José Paulo e Millôr Fernandes

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José Paulo e Luis Fernando Veríssimo

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

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http://www.forroboxote.com.br/
HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 118

Não encontrei, nem no Michaelis nem no Aurélio (faltou pesquisar no Houaiss), o significado da palavra ‘fazedeira’, que eu pensava existir. Criei, sem querer, um neologismo e só hoje, ao escrever esse preâmbulo, descobri. Mas quis dizer, como pode se inferir da letra, que ‘fazedeira’ é aquela que faz, a ‘fazedora‘ (parece que inventei outro neologismo). Mas não é disso que se trata. A melodia é de Maria Dapaz, minha frequente parceira, graças a Deus e a letra é minha. A canção está inserida no volume 4 de nosso Forroboxote, o Cantadores da Nação de seu Luiz, na voz de Anchieta Dali, também meu parceiro em outras canções. Espero que gostem.

FAZEDEIRA DO AMOR
Xico Bizerra e Maria Dapaz

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se eu morrer de amor, me plante no seu jardim
feito rosa ou jasmim, trate de mim por inteiro
que eu te prometo o meu cheiro por todo tempo que houver

mas se eu viver de amor, me plante no seu coração
regue a minha emoção, me adube com todo carinho
que eu vou fecundar nosso ninho do jeito que você quiser

vou ser o cravo, teu escravo do querer
ser margarida, tua vida eu vou ser
primavera, quimera de toda flor
tu jardineira, fazedeira do amor

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

TIAGO RECCHIA – GAZETA DO POVO

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http://www.neumanne.com/
COMENTÁRIOS PARA A RÁDIO JOVEM PAN

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Carlos Eduardo Ribeiro, assessor especial da presidência da Cohab, sai da sede do PP

Funcionários da Cohab da prefeitura de São Paulo dão expediente na sede do PP: é a definitiva falta de vergonha na administração pública avacalhada pelo cinismo partidário.

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acordo-ortografico-lingua-portuguesa

Senado resolve simplificar a ortografia da língua portuguesa passando por cima da lei por não consultar a Academia Brasileira de Letras, num inaceitável populismo literário.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO

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28 julho 2014 DEU NO JORNAL

“REPILO-A, ABOMINO-A!”

O dia seis de junho de 2014 é uma data muito importante para Cícero Pereira Batista, 33. É data da sua formatura, quando ele fez o “Juramento de Hipócrates” e jurou fidelidade à medicina.

O diploma na tão sonhada carreira foi um investimento de quase oito anos da vida do ex-catador.

Natural de Taguatinga, cidade satélite a 22,8 km de Brasília, Cícero nasceu em família pobre e precisou de muita perseverança para alcançar a formação em uma das carreiras mais concorridas nos vestibulares. Ele só começou a fazer a graduação aos 26 anos.

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Dr. Cícero Pereira

* * *

Eu tenho certeza que esse neguinho é um reacionário da extrema direita que fica alardeando o fato de que deu duro, se esforçou e venceu na vida às custas do sistema da meritocracia.

Tô dizendo isto baseado e fundamentado num comentário que foi feito aqui no JBF, no mês de junho passado, pelo fubânico pró-gunverno Raciocinador Genial, um zisquerdo-petista roxo e revulucionário até o talo.

Por uma destas coincidências do destino, o comentário foi feito exatamente cinco dias depois da formatura desse cabrinha que tá na foto aí em cima.

Vou transcrever do jeitinho que Raciocinador Genial escreveu:

“A meritocracia é uma coisa altamente fascista.

Abomino-a, rejeito-a, escanteio-a, desprezo-a…”

Leia na íntegra a matéria que conta a história deste doutorzinho metido a besta e altamente fascista clicando aqui.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

jb

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www.cantinhodadalinha.blogspot.com
LIMPANDO A VISTA

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Foto da colunista

Fui limpar a minha vista
Fui rever o meu lugar
Vi o dia amanhecendo
Vi a noite despertar
Vi tanta coisa bonita
Que você nem acredita
Mas mesmo assim vou contar.

Vi o boi da cara branca
Lá detrás do cajueiro,
Vi o jumento pastando
Pertinho do meu terreiro
Vi uma vaca parindo
Tudo isso eu acho lindo
É meu mundo verdadeiro.

Foi grande minha surpresa
Maior foi minha emoção
Dei de cara com um trem
De passagem na estação
Era ele o trem cargueiro
Pois o trem de passageiro
Sumiu de circulação.

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28 julho 2014 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE

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28 julho 2014 DEU NO JORNAL

A SAÚDE EM COMA

Mary Zaidan

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 Sede institucional da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

Saúde frequenta o discurso de 110% dos políticos. Durante o período eleitoral, então, falam tanto do tema que põem em risco a sanidade do eleitor. Até candidatos à Presidência da República abusam de coisas genéricas como “mais saúde”.

Mas, efetivamente, governos só se mexem quando muito pressionados.

Na terça-feira, 22, a Santa Casa de São Paulo fechou as portas de seu Pronto Socorro por falta de insumos básicos. Não mais do que de repente, o governo federal pareceu descobrir algo que deveria estar careca de saber: a agonia quase terminal da maior instituição filantrópica da América Latina. Pior: apostou no jogo do empurra, acusando o governo paulista de erro nos repasses de recursos para o hospital. Esse, por sua vez, colocou em dúvida a gestão da Santa Casa e exigiu auditoria nas contas da entidade.

A radicalização de 30 horas processou milagres: um aporte emergencial de R$ 3 milhões do governo do Estado de São Paulo e até a promessa do ministro da Saúde, Arthur Chioro, de auxílio do BNDES para solucionar a dívida de mais de R$ 300 milhões acumulada ao longo de anos.

Sabe-se lá por que o ministro demorou tanto para aviar receita tão fabulosa.

O vírus que contamina as finanças de instituições 100% SUS é disseminado pelo próprio governo, que passou a golpear os princípios do avançado Sistema Universal de Saúde, quer nos recursos, quer nas prioridades.

O Mais Médicos – ainda que fosse bem planejado e não feito à toque de caixa – é prova disso: adia soluções e estende um véu róseo sobre um sistema gravemente enfermo.

Segundo o provedor da Santa Casa, Kalil Rocha Abdalla, o SUS não atualiza os valores da tabela de procedimentos há mais de uma década, inviabilizando todos aqueles que trabalham unicamente com atendimento gratuito.

Com uma tabela que cobre entre 40% a 60% dos custos, quase três centenas de hospitais foram fechados nos últimos cinco anos, reduzindo em 4.770 a oferta de leitos hospitalares.

O site Contas Abertas informa que no ano passado os investimentos do Ministério da Saúde somaram R$ 3,9 bilhões. Apenas R$ 1,5 bilhão a mais do que o Ministério da Reforma Agrária gastou só no primeiro semestre de 2014 na compra de veículos e equipamentos para alavancar a campanha da presidente Dilma Rousseff, com festivas distribuições às prefeituras. Menos da metade dos R$ 8 bilhões consumidos para erguer os 12 estádios da Copa do Mundo.

Pior área nas avaliações dos governos Lula e Dilma, a Saúde está em coma. Um dos temores dos publicitários da campanha de reeleição da presidente deve ser o de que o remédio venha das urnas.

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