20 Novembro 2008A PROPÓSITO - Marcelo Alcoforado

Jim Jones foi o fundador da mal-afamada seita Templo do Povo, patrocinadora de uma tragédia ímpar ao promover, em 18 de novembro de 1978, o suicídio de 909 pessoas.
A funesta história começou quando esse homem reuniu americanos oprimidos, em geral negros, a troco da esperança de dinheiro, terrenos, casas e o que mais almejassem. Foi assim que nasceu um séquito de fanáticos, levando o pastor a fundar a cidade de Jones – Jonestown – na Guiana, em 1977, numa supina demonstração do culto da personalidade.
Em 1978, sob a vigilância das autoridades norte-americanas, Jim Jones abandonou os Estados Unidos e ordenou a ida de todos os fiéis para Jonestown. Ali, isolados de tudo, sem poder estabelecer o mínimo contato com o mundo exterior, sob pena de sofrer pesadas represálias, os crentes eram obrigados a admirar dia e noite os discursos do líder, e qualquer resistência acabava em espancamento.
Certa vez, para testar a lealdade incondicional dos seus seguidores, Jim Jones pediu a todos os membros da seita para beberem veneno em uma simulação de suicídio coletivo. Todos beberam, mas a bebida era, felizmente, inofensiva. No entanto, os desmandos do demagogo se avolumavam, incluindo até orgias sexuais com crianças.
Algo de muito grave estava prestes a acontecer e, percebendo que o fim da seita estava próximo, já que o governo dos Estados Unidos iria confrontar a gravidade da situação, o pastor reuniu o rebanho para o último sermão. Falou dos inimigos, pregou a honra da morte à vergonha da rendição, exigiu que todos ingerissem um refresco venenoso, e assim morreram 909 pessoas, incluindo bebés, crianças, mães, pais e avós.
Para Jim Jones, tudo acabou com um tiro na própria cabeça, deixando, contudo, um rastro de dor, de horror. Para os que naquele dia viram as cenas pavorosas nos meios de comunicação, fica, mesmo passados trinta anos, a certeza, de que seguir líderes cegamente pode encerrar um grande perigo.
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20 Novembro 2008EVENTOS, ESPETÁCULOS E BABADOS
ATENÇÃO: O evento será na Câmara de Vereadores, e não na Assembléia Legislativa
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20 Novembro 2008A PALAVRA DO EDITOR
O Senador Paulo Paim é considerado a “ovelha negra” do PT por ter apresentado projeto de lei que corrige o valor das aposentadorias e pensões.
Não, caro leitor, você não leu errado. Nem eu escrevi errado. É isto mesmo que está escrito aí em riba: o PT, Partido dos Trabalhadores, enquanto partido (gostaram da expresão moderninha?), é contra a correção. Totalmente contra.
Mas o assunto não é o mau-caratismo petralha depois que chegou ao poder. O assunto é a cúpula do PT, inclusive o Sapo Etílico, considerar o senador Paulo Paim “ovelha negra”.
Esse negócio de “ovelha negra”, “consciência negra”, “situação preta”, já sabemos todos nós, são expressões politicamente incorretas e que denigrem a imagem dos negros.
Putz, eu falei “denigrem” e aqui também já fui politicamente incorreto…
A gente tem que ter um cuidado da porra pra falar hoje em dia e no meio de tanta gente politizada, avançada e esclarecida.
Bom, o que interessa é o seguinte:
Hoje, 20 de novembro, é o Dia Nacional de Conscientização do Povo Negro.
Conclamo o Povo Negro, meus irmãos de raça, a nós unirmos para protestarmos energicamente contra a cúpula do PT e o Presidente Lula pelo fato de considerarem Paulo Paim como “ovelha negra”.
Quem estiver interessado em aderir, mande mensagem aqui pro JBF.
Paulo Paim defendendo as aposentadorias e pensões dos velhinhos
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20 Novembro 2008A PALAVRA DO EDITOR
Nossa querida Madre Superiora Neide, que é viúva e sobrevive com uma magra pensão deixada pelo falecido, está atenta para o que acontece em Brasília. Ingenuamente ela acredita que o Sapo Etílico não vai vetar projeto de lei que corrige o valor das aposentadorias e pensões, e que vai fazer, segundo o governo, “um rombo nas contas da previdência”.
Estou mandando pra ela uma pequena reflexão que li hoje pela manhã na internet. Aproveito pra transcrever aqui pros demais leitores do JBF:
“Quem te viu, quem te vê… Antes da primeira eleição de Lula, tanto ele quanto o PT arvoravam-se em defensores máximos dos aposentados. Baixavam o porrete no governo Fernando Henrique por conta das tentativas de destroçar e privatizar a Previdência Social. Clamavam por reajustes honestos aos aposentados.
Pois é. Ontem, José Pimentel, ministro da Previdência Social, foi à Câmara pedir e até exigir das bancadas governistas a rejeição do projeto aprovado no Senado, de autoria de Paulo Paim, concedendo aos aposentados que recebem mais do que o salário mínimo o mesmo reajuste de 16% dado a esses.
O argumento foi de que já tiveram aumento superior à inflação, dito aumento real, e que a Previdência Social irá à falência se tiver que pagar 76 bilhões a mais, todos os anos. O inusitado nessa história de horror é que o PT concorda com o ministro em gênero, número e grau. Nem mesmo o fato de Paulo Paim pertencer ao partido altera o comportamento da bancada. Até porque, o senador gaúcho é tido como a ovelha negra dos companheiros, discriminado pelo próprio presidente Lula.”
Agora há pouco eu publiquei uma nota sugerindo a criação do Dia da Consciência Branca. Ironicamente um leitor deu o troco sugerindo que eu criasse também o Dia da Consciência Reacionária.
De fato, o mundo mudou mesmo. A esquerda revolucionário-comuno-petista barrando aumento de velhinhos e viúvas pensionista. Nós, os reacionários, bradando contra esta injustiça.
O Conselheiro bem que dizia: o sertão vai virar mar, e o mar vai virar sertão.
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20 Novembro 2008HISTÓRIAS DE BEIRADEIRO - Zelito Nunes

Uma mulher da família dos Bernardos morava em Ouro Velho e tinha uma filha empregada em São Paulo.
Isso foi na época daquela guerra em que os americanos invadiram o Iraque com o pretexto de “salvar” o Golfo Pérsico e foi matéria constante de jornais e televisão onde os Ianques aterrorizavam o mundo com o seu poderio bélico.
A gente ligava a televisão e era aquela bola de fogo, eram os salvadores do mundo matando velhos e crianças no Iraque, pra mostrar quem é que mandava.
A moça coitada longe da mãe era toda preocupação com aquela ameaça iminente, chegando pela televisão.
Um dia falando com a mãe pelo telefone, manifestou toda a sua angústia em relação à segurança física da genitora:
— Ô Mãe, essa guerra todinha aí e a senhora não tem medo não?
A mãe respondeu, do alto da sua matuta sabedoria:
— Ah minha filha, eu estando com as minhas portas trancadas e “Tupi” no meu terreiro, não tem guerra que me assombre!
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20 Novembro 2008A PALAVRA DO EDITOR
O Jornal da Besta Fubana vai enviar hoje ao Palácio do Planalto a proposta de uma lei federal criando o Dia da Consciência Branca.
É para fazer justiça à minoria étnica brasileira historicamente explorada pelos negros e que, até hoje, não goza dos direitos de cota, de estrelismo, de divulgação na mídia e de aceitação entre o tabacudismo etílico-intelectual e politicamente correto.
Ao mesmo tempo, também vamos mandar ao governo do estado uma proposta de criação da Delegacia do Homem, a exemplo das já existentes delegacias da Mulher, do Idoso e das Crianças e Adolescentes.
Na próxima semana a sugestão será para a criação da Delegacia do Frango.
Tudo dentro do espírito isonômico da Lei Maior.
Espero que as autoridades competentes estudem com carinho as nossas propostas.
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20 Novembro 2008DEU NO JORNAL
Informado de que o presidente do Senado, Garibaldi Alves, pretendia devolver a medida provisória que trata de entidades filantrópicas, mas beneficia também as “pilantrópicas”, o Paláio do Planalto pediu que ele não o fizesse. “Não obstante todos os nossos apelos, ele devolveu a MP mesmo assim”, lamentou o ministro José Múcio, responsável pela articulação política com o Congresso..
* * *
Todos nós, picaretas e pilântropos, lamentamos profundamente a devolução desta medida.
Nossas ONGs ficaram prejudicadas.
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20 Novembro 2008CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
Santo Papa:
Quando ficamos inadimplentes, os bancos correm atrás de nós para receber -a todo custo e com os juros que eles estabeleceram.
Quando eles ficam inadimplentes, os governos os ajudam com o dinheiro dos nossos impostos, que deveriam ser para nos servir.
E dizem que tudo isso é para o nosso bem.
Ainda bem que zelam por nós.
R. É o que eu digo a todo instante, toda hora: ainda bem que o governo zela por nós.
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20 Novembro 2008UM TEXTO DE JANAINA BERTO

Nunca fui uma gremista muito fanática. Aliás, para falar a verdade eu nem gosto de futebol. Acho muito chato o tal “esporte nacional”, mas minha mãe me falou quando eu era pequenininha que eu torcia para o Grêmio, e eu acreditei nisso.
Já tinha escutado, durante a vida toda, muitas piadinhas acerca do fato de que o meu time, na época de sua fundação, não aceitava negros nos seus quadros, e que era o time dos brancos e ricos de Porto Alegre. A minha resposta era sempre a mesma, que isso tinha mudado, e hoje em dias as coisas não eram mais assim, e o Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, é um negão que fez muito sucesso no Grêmio.
Porém, ao ficar sabendo que as torcidas organizadas (facções criminosas, na verdade) estão voltando às origens, eu tomei uma decisão muito séria: a partir de hoje eu torço para o Juventude.
Não consigo acreditar que em tempos de Obama e Hamilton, ainda exista gente capaz de julgar alguém pela cor da pele. Quando da vitória do primeiro, eu me emocionei assistindo o Jornal Nacional. Não pelo que é, mas sim pelo que representa. Quando da vitória do segundo, ao invés de achar ruim porque o brasileiro não foi o campeão, fiquei orgulhosa de ver um negro levar a taça em um esporte altamente racista.
O mundo sonhado por Martin Luther King ainda está longe de existir, mas já estamos conseguindo rever conceitos. Saber que os idiotas racistas do Texas, que até hoje mantêm na internet um sítio da Ku Klux Klan, terão que chamar o Obama de “Mr. President” me enche de orgulho.
Então, por coerência, não posso mais ser torcedora do Grêmio. Tudo bem que eles não vão sentir a menor falta da minha nobre pessoa, uma vez que eu não sei nem o nome dos jogadores e muito menos do técnico. Mas, pelo menos, vou engrossar o número de torcedores do Juventude, porque ser do Internacional já seria demais para minha cabeça.
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20 Novembro 2008CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
Caros amigos,
envio-lhes íntegra da minha postagem de hoje em Mundo Cordel sobre o Dia do Cordelista.
Há uma informação desatualizada, quando afirmo que a adaptação de “O alienista”, de Rouxinol do Rinaré ainda não foi publicada, pois, quando escrevi o livro editado pela Nova Alexandria ainda não havia saído.
O que mais houver de erro foi conseqüência da minha ignorância mesmo. Mas a intenção foi boa.
Um abraço a todos.
R. Meu Poeta, antes de transcrever a sua belíssima e inspirada crônica, eu gostaria de fazer uma pequena observação sobre o Dia do Cordelista, comemorado ontem, quarta-feira.
Uma grande rede de televisão brasileira botou no ar uma bonita matéria, extensa para um noticiário televisivo, exaltando o Dia do Cordelista e fazendo um breve histórico desta arte. E a matéria foi ilustrada com a participação de Allan Sales, colunista do JBF e baluarte da nossa cultura na capital pernambucana.
Do Oiapoque ao Chui, da Ponta de Seixas ao Pantanal do Mato Grosso, a voz e o depoimento de Allan chegaram aos lares deste país gigantesco e milhões, muitos milhões, de brasileiros conheceram o pensamento e a poesia do nosso amigo. Uma platéia que jamais e em tempo algum qualquer cordelista, vivo ou morto, já teve.
Mas, tudo isso ficou invalidado por um detalhe: esta matéria foi transmitida pelo jornal Hoje, grande audiência da hora do almoço da Rede Globo. E, em sendo da Rede Globo, manda o bom tom, a moda, o politicamente correto, a ideologia do boteco e o pensamento politico moderninho que eu satanize tudo que vem desta emissora, porta-voz do “sistema” (o que quer que isto signifique).
Uma pena mesmo…
Vamos compensar esta frustração com a leitura do seu belíssimo texto, meu Poeta.
* * *
O VELHO CANTADOR E SEUS CORDÉIS
Naquele dia, o velho cantador chegou à feira um pouco mais tarde que de costume. As barracas já estavam quase todas armadas e havia muita gen te transitando entre elas, mas o seu lugar estava vazio, como que esperando sua chegada. Ele montou o tamborete com assento de couro - que já lhe acompanhava há anos - e, antes de abrir a mala dos cordéis e espalhá-los sobre a lona que trouxera dobrada, sentou um pouco para descansar. Depois tirou sua viola do saco e conferiu a afinação. Ensaiou alguns acordes, temperou a garganta e começou a cantar:
Bom dia para a senhora
E para o senhor que passa.
Vou começar mais um dia
Cantando aqui nesta praça.
Pois se eu nasci pra cantar
Eu canto para lhes dar
O que Deus me deu de graça…




























