17 novembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

17 novembro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ANA PAULA VISETTI – SÃO PAULO-SP

Prezado editor Berto,

Estou sentada aqui na sala de espera do consultório e olhando essa árvore de natal dos dentistas.

E fico imaginando como será árvore dos ginecologistas!

Cordiais saudações,

R. Cara leitora, em se tratando de uma árvore ginecológica, ao invés de escrever “fico imaginando” você deveria ter escrito “fico “ivaginando”…

Agora, aqui entre nós:

Uma árvore de natal num consultório dum ginecologista, cheia de lindas priquitas encarnadas e cabeludinhas, deve ser bem mais bonita do que a árvore daqueles doutores que cuidam da bimba de nós outros, os machos.

Vôte!!!

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

CONVERSA DE TAXISTA

Ao tomar um taxi no centro da cidade cumprimentei o motorista e dei-lhe o destino, a orla de Jatiúca. Nesse mesmo momento, em frente, uma jovem atravessava a faixa de pedestre quando de repente o forte o Vento Nordeste levantou a saía da moça mostrando um belo traseiro enfeitado por uma minúscula calcinha vermelhe, as mãos da jovem estavam ocupadas com sacolas, ela não teve como baixar a saia continuando a exposição de seu belo corpo para quem quisesse olhar. Ao retornar a calmaria o taxista engatou a primeira e fomos rumo ao destino. Ele sorrindo, satisfeito da vida, olhou-me de soslaio e comentou com bom humor.

– O senhor viu que coisa linda? E há quem não goste disso. Eu sou casado, sustento minha família com esse taxi, mas tenho esse vício por mulher, gosto de dar uma voltinha por fora quando aparece oportunidade, entende Doutor?

Eu simplesmente afirmei, entendia. O taxista continuou falando entrando na orla no Centro, Maceió é a única capital que tem praia no centro da cidade. Não parou mais de falar.

– Está vendo aquele pardal ali na calçada? Eu fico prevenido, a cidade está enfestada de pardais multando quem ultrapassa a velocidade. Para que o Prefeito colocou isso? Vai perder voto. Eu gosto do Rui Palmeira, mas esse negócio de pardal deixa a gente mais nervoso no trânsito. Dizem que é para educar os motoristas, pode até ser, mas eu não gosto. Mesmo assim eu voto no Rui. Sempre votei no pai, Guilherme Palmeira, um homem de bem, foi um grande governador e senador.

E continuou falando, conhecia a velharia política alagoana, foi citando os conhecidos até chegarmos à praia da Pajuçara, quando o taxi parou numa faixa de pedestre em frente a um luxuoso hotel. Nesse momento atravessaram três turistas andando devagar, vestidas em saída de praia, tecido fino e transparente mostrando os pequenos biquínis que mal cobriam as partes pudentes. Foi o pretexto para o taxista continuar a apologia à mulher.

– Olha aí que coisa mais linda, essas mulheres com o andar rebolativo, macio, sem pressa, ficam desfilando para o mundo, elas sabem que homem gosta de olhar. É um espetáculo e eu quero viver muito tempo para apreciar. A gente não come, mas olha, Doutor. Deu uma risada de sua própria piada.

Sinal verde, ele arrancou o taxi, não parou de falar.

– Vou contar uma história que o senhor não vai acreditar. Na temporada em janeiro eu peguei no hotel duas paulistas bonitas feito a gota serena, levei-as à praia do Francês. Providenciei sombrinha, cadeiras, elas ficaram encantadas com tanta beleza, pediram cerveja ao garçom, tomaram banho de mar, andaram na praia, retornaram à mesa, enchendo a cara com cerveja e caipirinha, eu só espiando e esperando de longe. Já tarde resolveram almoçar na barraca, me convidaram. Comi uma boa moqueca de peixe, sem beber, é claro. Eu percebi que as duas estavam meio bêbadas, cantavam e conversavam. Só retornamos a Maceió perto das seis horas, anoitecendo. As paulistas começaram a conversar sacanagem, perguntavam-me coisas, se eu gostava, eu respondia tudo, todo encabulado. Ao passar por um motel na beira da estrada, ouvi o grito me ordenando: Pare o carro! Eu imediatamente freie o taxis. Uma delas se achegou por trás de mim, convidou-me para uma “ménage a trois” que eu nunca iria esquecer. Eu topei mesmo sem saber o que era “ménage a trois”. Doutor nunca tinha visto tanta coisa em minha vida, as mulheres ficaram loucas, fumaram maconha. Aprendi muito nas duas horas que passamos juntos. No final, elas pagaram a conta do motel, champanhe e outras bebidas finas. Na volta elas continuaram contando e conversando, levei-as ao hotel em que estavam hospedadas na praia da Ponta Verde. Ao despedir-me, ofereci meus préstimos para o dia seguinte, levá-las a qualquer praia que quisessem. Elas me agradeceram, viajariam na madrugada, estavam numa excursão. Quando voltassem a Maceió, me procuravam. Entreguei-lhes meu cartão. Deram beijinhos, e pagaram-me a conta, mais que havíamos acertado.

O taxista só parou de falar quando chegamos ao meu edifício, ele ainda tinha outras história para contar. Agradeci, paguei. Fiquei pensando. Na outra encarnação quem sabe se terei a sorte em ser motorista de taxi em Maceió.

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

CLÁUDIO – AGORA SÃO PAULO

GRANDES MESTRES DO IMPROVISO

geraldo-amancio-e-patativa-do-assare

Geraldo Amâncio, grande cantador contemporâneo, e o saudoso Patativa do Assaré

* * *

Geraldo Amâncio

Patativa tinha o brilho
da luz de um meteorito;
um homem que virou gênio,
um gênio que virou mito;
um cantador de roçado
que foi por Deus convocado
pra cantar no Infinito.

Patativa do Assaré

Sertão, argúem te cantô,
Eu sempre tenho cantado
E ainda cantando tô,
Pruquê, meu torrão amado,
Munto te prezo, te quero
E vejo qui os teus mistéro
Ninguém sabe decifrá.
A tua beleza é tanta,
Qui o poeta canta, canta,
E inda fica o qui cantá.

* * *

Otacílio Batista

No romper da madrugada,
Um vento manso desliza,
Mais tarde ao sopro da brisa,
Sai voando a passarada.
Uma tocha avermelhada
Aparece lentamente,
Na janela do nascente,
Saudando o romper da aurora,
No sertão que a gente mora
Mora o coração da gente.

* * *

João Paraibano

Quando o dia começa a clarear
Um cigano se benze e deixa o rancho
A rolinha se coça num garrancho
Convidando o parceiro pra voar
Um bezerro cansado de mamar
Deita o queixo por cima de uma mão
A toalha do vento enxuga o chão
Vagalume desliga a bateria
Das caricias da noite nasce o dia
Aquecendo os mocambos do sertão.

* * *

Zito Siqueira

Mulher, se lembre das juras
Que fizemos na matriz;
Se esqueça de advogado,
De promotor, do juiz,
Se acostume a levar ponta
Pra gente viver feliz.

* * *

Zé da Prata

Se vejo mulher bonita,
Meu corpo ainda se bole.
Mas sei que já estou velho,
É melhor que me console…
De que serve eu ter desejo,
E a correia assim tão mole?
E a correia desse jeito
O priquito não engole;
Mesmo botando a cabeça
Tirando a mão escapole.
E não posso dessa forma
Fazer mais o bole-bole.

* * *

Dimas Batista Patriota

Existe quem diga que as lindas sereias
São fatos, são lendas que nunca existiram
Mas esses só dizem porque nunca viram
Morenas bonitas nas alvas areias
Maiôs sungadinhos, perninhas bem cheias
Que um frade de pedra não vê sem corar
As pontas agudas roliças de um par
De seios pulando num colo maciço
São pomos formados de puro feitiço
Quem é que resiste na beira do mar.

* * *

Zé Bernardino

Eu nada fiz na jornada
Nada ganhei nem perdi
Nada ignoro do nada
Porque do nada nasci.
Se o nada foi um abrigo
Seja o nada meu jazigo
Pois nada disso me enfada.
Eu de nada fiz estudo,
Mas sei que o nada faz tudo
E tudo se torna em nada.

* * *

José Alves Sobrinho

Jorram as águas do rio,
E elas como uma cobra,
Num andar lento e macio,
Descendo e fazendo dobra,
Derramam sobre o baixio
A quantidade que sobra.

* * *

Lourival Pereira

Eu cheguei um dia na beira do cais
Admirei muito o seu movimento
Navios fazendo descarregamentos
Pacotes maneiros, pesos desiguais
De dez toneladas, de vinte e de mais
E a um marinheiro peguei perguntar
De onde é que vem pra descarregar
Ele disse: da Bélgica, Egito e Hungria
Da Síria, da Pérsia, da Angola e Turquia
Trazendo isso tudo pra beira do mar.

Expedito Sobrinho

Perguntei o nome da mercadoria
Ele disse aqui a gente traz de tudo
Mostarda estrangeira que o grão é miúdo
Petróleo, amianto e tapeçaria
Pedras preciosas que o povo aprecia
Brilhante , ametista pra fazer colar
Ouro português pra quem quer comprar
Pedra opala e amazonita
Berilo, ouro branco, prata e tantalita
Pra fazer negócio na beira do mar

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

17 novembro 2017 FERNANDO GABEIRA

ADEUS AOS SALVADORES DA PÁTRIA

De passagem pelo Brasil, um dirigente espanhol do Podemos, Rafael Mayoral, afirmou que a esquerda não vai salvar as pessoas e o essencial é fortalecer a sociedade para que ela possa controlar qualquer governo no poder. Não vi o restante do seu discurso. Mas até onde li, concordo. De certa forma, tenho usado esse argumento com novos grupos que querem a mudança no Brasil.

Muitos deles estão legitimamente preocupados com a falta de alternativas na eleição presidencial. Mas, ainda assim, afirmo que a descoberta de um nome não é tão importante quanto fortalecer a sociedade para que possa monitorar ativamente o governo.

No fundo, o objetivo maior deve ser a construção de um controle social tão preciso, diria até tão virtuoso que possa tornar mais amena a constatação de que não elegemos anjos, mas pessoas de carne e osso. Isso é válido para qualquer sociedade, mas no Brasil parece que somos mais intensamente de carne e osso.

De certo modo, já exercemos algum controle sobre o governo Temer. Duas medidas foram revertidas por pressão social: a abertura de uma área de mineração na Amazônia e o abrandamento da lei que pune o trabalho em condições análogas ao de escravo. Mas esse esforço de controle só tem surgido em grandes temas. Estamos tratando como normais e cotidianas várias aberrações que nos transformam num país virado de cabeça para baixo.

Um exemplo que me espantou foi o pedido oficial de Geddel Vieira Lima para saber o nome e o telefone de quem o denunciou. No apartamento ligado a Geddel foram encontradas as malas com R$ 51 milhões. Até agora não sabemos, e creio que a polícia também não, de onde veio o dinheiro atribuído a Geddel. Mas ele quer saber quem o denunciou. Se a polícia desse o nome e o telefone de quem denunciou, Geddel iniciaria uma prática internacionalmente nova: quebrar o anonimato dos informantes, para serem devidamente assassinados.

Raquel Dodge negou o pedido de Geddel. Mas o fato de ter existido e circulado como uma notícia normal revela como o País, no cotidiano, foi posto de cabeça pra baixo.

No caótico Estado do Rio de Janeiro, outra dessas barbaridades que quase passam em branco: o governador Pezão indicou um deputado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o mesmo cujos membros foram presos. Questionado na Justiça, Pezão chamou o procurador Leonardo Espíndola para defendê-lo. Impossível, disse o procurador, sua decisão é inconstitucional. Ato contínuo, Pezão demitiu Espíndola. Felizmente, o indicado por Pezão caiu nas garras da Polícia Federal antes de tomar posse no TCE. É acusado de corrupção, ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jorge Picciani.

São só dois fatos cotidianos. Há algo comum em sua origem. Nascem de políticos do PMDB envolvidos em corrupção. Um quer o nome de quem o denunciou, o outro considera defender a Constituição algo incompatível com o serviço público.

E a vida continua. Engolindo alguns sapinhos no cotidiano, nosso estômago é preparado para os grandes sapos de fim de mandato.

Um deles, que está sendo preparado nos bastidores, é a derrubada da prisão em segunda instância. As articulações correm no Congresso e no próprio Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto ministros do Supremo como parlamentares veem nisso uma saída para neutralizar não só a Lava Jato, como todas as operações que envolvam políticos corruptos.

Enunciado apenas como uma tese jurídica, o fim da prisão em segunda instância é palatável. Todos são inocentes até que a sentença seja confirmada pelo STF. Na prática, resultará em impunidade geral. Todos terão direito a uma trajetória semelhante à de Paulo Maluf, que de recurso em recurso vai tocando sua vida, exercendo seus mandatos e até defendendo outros acusados de corrupção, como Michel Temer.

No momento em que as aberrações se acumulam, a tendência é criar um País monstruoso. Algo que já tentei definir num discurso, no alto de um caminhão, em protesto de rua: um País onde os bandidos fazem a lei.

Enquanto essas coisas acontecem, o debate entre os que querem a mudança tende a concentrar-se no perfil do líder que nos vai salvar. Em que rua, em que esquina vamos encontrá-lo? No Acre, em Alcácer Quibir?

Enquanto não aparece, creio ser necessário fortalecer as organizações que trabalham com a transparência. Estão surgindo de vários pontos. Hoje se investiga como os partidos gastam seu dinheiro. Há um grupo que cuida exclusivamente de despesas de parlamentares. A intensa busca da transparência fortalece a sociedade. Da mesma maneira, ela ficará mais forte se todos os grupos que buscam a mudança se unirem num esforço comum.

Nem todos pensam da mesma maneira, estamos cansados de saber. Mas é preciso um mínimo de maturidade, na situação dramática do País, para encontrar pontos de convergência.

Não importa tanto se um grande líder vai emergir dos escombros. Mesmo se aparecer, não será um anjo. Não elegeremos anjos em 2018. Nunca o faremos, creio eu.

A fronteira do pessimismo não nos deve desesperar. Há algumas instituições funcionando, há grupos trabalhando na busca da transparência, há a possibilidade real de que todos os que querem mudança encontrem pontos de contato, um denominador comum.

Como o poeta que fabrica um elefante de seus poucos recursos, a sociedade brasileira terá de construir seu sistema de defesa. Alguns móveis velhos, algodão, cola, a busca de amigos num mundo enfastiado que duvida de tudo – o elefante de Drummond é inspirador.

Quem sabe, como em Portugal, conseguiremos construir nossa própria geringonça? Prefiro essa visão modesta e realista a esperar dom Sebastião. Curado de sua megalomania, talvez o Brasil aceite, finalmente, tornar-se um grande Portugal.

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

17 novembro 2017 DEU NO JORNAL

UM ROMBO AUTENTICAMENTE VERMÊIO-PETROLAL

O Tribunal de Contas da União descobriu que José Sérgio Gabrielli e demais diretores da Petrobras no governo Lula aprovaram a construção do Comperj, mesmo sabendo que o retorno financeiro da refinaria não cobriria nem um terço do custo da obra.

Na análise do investimento prévio, verificou-se que o custo (corrigido em valores atuais) seria de US$ 18 bilhões, enquanto o retorno ficaria em apenas US$ 5,5 bilhões.

O prejuízo de US$ 12,5 bilhões equivale a dez vezes o dano referente à compra da Refinaria de Pasadena.

O Código Penal poderia incluir prisão perpétua para gente que faz isso.

* * *

Eu sou radicalmente contra a prisão perpétua para gente que faz isso, como sugere esta nota aí de cima.

Eu sou a favor da castração.

Cortar fora os culhões destes guabirus, em praça pública, com uma faca cega.

Como se trata de números e de roubalheiras na Petrobras, especificamente durante o governo Lula, aguardemos os números, estatísticas e falatórios do fubânico luleiro Ceguinho Teimoso, campeão de explicações do inexplicável.

Que é pra gente se divertir nesta sexta-feira.

Gabrielli e Lula, uma parelha corrupcional-petrolífera vermêio-istrelada pra ninguém botar defeito 

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

ITALIANAS E FRANCESAS

Gilbert Bécaud (1927-2001)

* * *

01 – Non pensare a me – (A.Testa/E.Sciorilli) – Claudio Villa – 1967 Non Pensare A Me
02 – Elle était si jolie – (Barriére) – Alain Barrière – 1963 Elle Était Si Jolie
03 – Tanto Cara – (Mancinotti/Mirigliano) – Guido Renzi – 1970 Tanto Cara
04 – Aranjuez mon amour – (J.Rodrigo/Bontempelli) – Richard Anthony – 1967 Aranjuez Mon Amour
05 – E la pioggia che va – (B.Lind/Mogol) – The Rokes – 1966 E La Pioggia Che Va
06 – Butterfly – (D.Gèrard/H.Barnes/R.Bernet) – Danyel Gèrard – 1971 Butterfly
07 – Tanta voglia di lei – (R.Facchinetti/V.Negrini) – I Pooh – 1971 Tanta Voglia Di Lei
08 – Emmanuelle – (H.Roy/P.Bachelet) – Pierre Bachelet – 1974 Emmanuelle
09 – Un angelo – (Elioz/Natili/Polizzy/Ramoino) – I Santo California – 1976 Un Angelo
10 – L`important c`est la rose – (Amade/Bécaud) – Gilbert Bécaud – 1967 L’important C’est La Rose
11 – Tornerai, tornerò – (Pareti/Vecchioni-Vermar) – Homo Sapiens – 1975 Tornerai, Tornerò
12 – Et surtout ne m`oublie pas – (Drion/Valdi/Michaele) – Crazy Horse – 1973 Et Surtout Ne M`oublie Pas
13 – Sapore di sale – (G.Paoli) – Gino Paoli – 1963 Sapore Di Sale
14 – Avec – (Aznavour) – Charles Aznavour – 1964 Avec
15 – Che Sarà – (C.Pes/J.Fontana/Greco/Migliacci) – Ricchi e Poveri – 1971 Che Sarà
16 – La maladie d`amour – (M.Sardou/Yves Dessca) – Michel Sardou – 1973 La Maladie D´amour

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

SÓ ELE LUCROU COM A REFINARIA MAIS CARA DO MUNDO

Em maio deste ano, durante o primeiro depoimento de Lula sobre o caso do triplex do Guarujá, o juiz Sergio Moro perguntou ao réu qual tinha sido sua participação na concepção da refinaria Abreu e Lima. A resposta foi recitada com a placidez e a candura de quem perdeu a vergonha ainda no berçário.

Essa refinaria de Pernambuco era assim: Espírito Santo queria a refinaria, Ceará queria a refinaria, Rio de Janeiro queria a refinaria em Campos e Pernambuco queria a refinaria”, disse, antes de prosseguir. “E todos tinham uma empresa chamada Marubeni, que todo mundo falava que iria participar. Acontece que fiz um encontro em Pernambuco com o presidente Hugo Chávez e lá em Pernambuco o Chávez demonstrou interesse em fazer uma associação com o Brasil para fazer uma refinaria”.

Simples assim. E por que a ideia pareceu interessante ao réu?

Era um jeito do Brasil equilibrar a balança comercial com a Venezuela. Nós tínhamos um superávit de US$ 5 bilhões e não é sadio que um país grande como o Brasil tenha um superávit tão grande com um país pequeno como a Venezuela”.

Simples assim.

É de doer. O acordo entre Lula e Chávez previu que o Brasil pagaria 60% das despesas e a Venezuela arcaria com os 40% restantes. Chávez desistiu do negócio sem ter desembolsado um único centavo e sem justificar o calote. A conta foi espetada na Petrobras.

Em 2005, quando o projeto foi oficialmente anunciado por Lula, a refinaria custaria US$ 2,3 bilhões, seria inaugurada em 2014 e produziria 230 mil barris por dia. As obras continuam (sem data para se encerrarem). Já engoliram mais de US$ 20 bilhões. E a refinaria não consegue processar mais de 100 mil barris por dia.

Lula não tem do que se queixar. Por ter autorizado a construção da refinaria mais cara e inútil do mundo, só da OAS ganhou mais de R$ 2,5 milhões. É compreensível que continue berrando contra a privatização da Petrobras. Ainda existem vizinhos bolivarianos sonhando com obras faraônicas. E nunca faltarão empreiteiros prontos para enriquecer presidentes com propinas milionárias.

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

SERESTEIRO

Contemplando-a do céu, sem compreendê-la,
a ofuscar das estrelas o disperso,
tênue clarão, a lua, eterna vela,
singra o céu claro, como um claro verso.

Ah! Pudesse eu vogar como uma estrela
nas paragens divinas do universo,
e toda noite espiá-la, da alta umbela,
todo na sua alva nudez imerso!

Seresteiro de branca primavera
eu seria, a sonhar num céu bendito!
desceriam meus versos da alma esfera

celeste ao seio dela, e eu junto, aflito,
ardendo na volúpia da quimera,
me atirava das grimpas do infinito!

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

IVAN – CHARGE ONLINE

17 novembro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

ESTAMOS HOMIZIADOS EM NOVO REFÚGIO

Como já havíamos comunicado semana passada, esta gazeta escrota está em nova hospedagem.

Saímos da incompetente e irresponsável LocaWeb e estamos acoitados agora na ServHost, uma empresa aqui de Pernambuco.

Tá tudo nos conformes. E vamos torcer pra que continue assim.

Agora, só falta mesmo arranjar uma empresa estatal que bote umas propagandas mentirosas no JBF.

Isto pra gente arranjar uns tostõeszinhos pra pagar o 13º de Chupicleide, a secretária de redação. Fora outras coisas mais como, por exemplo, botar em dias os boletos atrasados do Editor.

Os trabalhos de edição ficaram rápidos e o jornal está mais ágil e bem mais fácil de ser acessado.

A partir de agora, a nossa página frontal contará com 20 postagens, e não mais com 40, como era antes.

Esta medida foi tomada para agilizar o acesso e a leitura, segundo informa a Plano 4, a competente empresa que cuida desta gazeta escrota.

Chegando no final da página, é só clicar nos números que abrem as páginas seguintes, 2, 3, 4 e assim por diante, para continuar lendo.

Uma folha esculhambada feito esta, que incomoda ratos poderosos, merece mesmo a audiência que nós temos.

A ex-presid-Anta Vaca Peidona, por exemplo, detesta o JBF.

Ser odiado por aquela descerebrado é sinal claro e inequívoco de que somos realmente um bom jornal e estamos no caminho certo.

Um excelente final de semana para toda a comunidade fubânica!

17 novembro 2017 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)

17 novembro 2017 JORGE OLIVEIRA

MARQUETEIRO DELATOR É PEÇA CHAVE NA QUADRILHA CARIOCA

O marqueteiro Renato Pereira detonou o PMDB fluminense. Não sobrou um só dos seus clientes que ele tenha poupado para se salvar da cadeia. Entregou também os amigos de quem foi sócio nas campanhas de Cabral, Pezão e Eduardo Paes. Desses políticos, Pereira não só recebeu milhões de reais durante as eleições como prestou serviço ao governo em conluio com as agências de propaganda. Ou seja: Renato Pereira foi um dos artífices de toda bandidagem que se instalou no Rio para roubar o dinheiro da população. Flagrado, fez acordo de delação, mas o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, desfez o acerto entre ele e o Ministério Público. Agora o marqueteiro corre o risco de passar um bocado de tempo no xadrez se for condenado.

Com as últimas noticias que envolvem o presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani (PMDB) e seus filhos em lavagem de dinheiro, conclui-se que durante vinte anos, o Rio foi administrado por uma quadrilha formada pelos conselheiros do Tribunal de Contas, pela Alerj, políticos, governos estaduais e municipais. E mais uma vez o PMDB é o protagonista dessas ações nefastas contra a população. Diante desses escândalos, sabe-se agora porque muitos desses políticos eram eleitos e reeleitos nas eleições. O dinheiro jorrava fácil, pois quase todos trabalhavam contra a população fazendo acordos espúrios com donos de ônibus para não aumentar as tarifas e com todo tipo de meliante que tinha interesse em se aliar aos bandidos chefiados por Cabral e sua gang.

Pereira, durante muito tempo, não foi apenas marqueteiro dessa gente. Ele se juntou à quadrilha para arrombar os cofres públicos. Confessou que mantinha contratos pessoais com o governo e tinha participação nos acordos que fazia com as agências de publicidade. As cifras saltam aos olhos: mais de 300 milhões de reais chegaram aos seus bolsos e dos seus comparsas na roubalheira desenfreada do dinheiro público.

Ao se sentir acuado foi o primeiro a acenar com a delação premiada. Como Ministério Público tinha interesse em emparedar o PMDB decidiu, a exemplo dos irmãos Batista, atenuar a pena de Pereira. Foi sugerido a ele uma pena de quatro anos com total regalia. Por apenas um ano, Pereira teria que ir ao presídio à noite para dormir. Os outros três anos, ele ficaria em casa e na rua com autorização para fazer viagens nacionais e internacionais. Ora, para quem se beneficiou com os milhões de reais roubados, a pena era mais um prêmio do que um castigo.

Lewandowski viu nesse acordo do Ministério Público um crime de lesa pátria, por isso não o homologou. Quer saber mais detalhes, quer mais informações e quer, sobretudo, saber por que tanta brandura com quem foi um dos principais autores da maior organização criminosa do Rio. Pela delação de Pereira, não há mais duvidas quanto à sua participação ativa dentro da quadrilha. Todo dinheiro do marketing de campanha e da publicidade do governo e do município passava por suas mãos e ia para as dos outros comparsas da publicidade que topavam esse tipo de acordo espúrio contra as finanças do estado.

O ministro do STF agiu certo quando devolveu os papéis da delação premiada de Renato Pereira. Atende, com isso, ao clamor dos indignados que não aceitam mais esse tipo de conchavo, onde o delinquente é recompensado pelo crime que cometeu apenas por dizer quem são os larápios com quem estava se acumpliciando com os seus atos. Essa benevolência do Ministério Público com alguns delatores está chamando a atenção do STF desde o acordo feito com os irmãos Batista que tiveram seus crimes imputados por Rodrigo Janot. O tribunal desfez a negociata e eles agora estão presos para responder por todos os crimes financeiros que cometeram contra os órgãos públicos.

Renato Pereira já estava comemorando a pena branda oferecida pelo Ministério Público por sua delação, pois até viajar para o exterior lhe era permitido. No momento vive a incerteza do que pode acontecer com a sua vida ao se submeter a novos interrogatórios que vão revelar, de verdade, o tamanho do seu crime e da sua participação com a quadrilha dos políticos cariocas.


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