VAE VICTIS – Augusto dos Anjos

A Dor meu coração torça e retorça
E me retalhe como se retalha
Para escárnio e alegria da canalha
Um leão vencido que perdeu a força!

Sobre mim caia essa vingança corsa,
Já que perdi a última batalha!
E, enquanto o Tédio a carne me trabalha,
A Dor meu coração torça e retorça!

Cubra-me o corpo a podridão dos trapos!
Os vibriões, os vermes vis, os sapos
Encontrem nele pábulo eviterno…

– Repositório de milhões de miasmas
Onde se fartem todos os fantasmas,
Primavera, verão, outono, inverno!

14 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

UM TERRORISTA A MENOS

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (14) que a Itália pode “contar” com ele no processo de extradição do italiano Cesare Battisti.

Ele respondeu no Twitter à mensagem do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, que comentou a decisão do ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar a prisão de Battisti.

Darei grande valor ao presidente @jairbolsonaro se ele ajudar a Itália a ter justiça, “presenteando” Battisti com um futuro na sua terra natal”, afirmou o ministro no Twitter.

Bolsonaro respondeu ao ministro em português e italiano:

Obrigado pela consideração de sempre, Senhor Ministro do Interior da Itália. Que tudo seja normalizado brevemente no caso deste terrorista assassino defendido pelos companheiros de ideais brasileiros! Conte conosco!

A troca de mensagens ocorreu no dia seguinte à decisão do ministro Luiz Fux, que determinou a prisão de Battisti para que ele possa ser extraditado para a Itália.

* * *

Excelente notícia.

Um terrorista a menos no solo brasileiro.

Um terrorista acoitado pela quadrilha petista.

Agora, só falta extraditar o outro terrorista, o Guilherme Boulos, pra República Fogárica dos Infernos.

Em breve o chefe do estado satânico, o Presidente Belzebu, deverá fazer a solicitação ao governo do Brasil.

14 dezembro 2018 CHARGES

ZOP

14 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

JOÃO DEDEI

Agamenon Mendes Pedreira

Brasileiro acredita em tudo: Preto Velho, Zé Pelintra, Cabocla Jurema, Silas Malafaia, Satanás, macumba, candomblé, médium kardecista… E o que é pior: tudo ao mesmo tempo. Tudo junto e misturado. O brasileiro é tão crédulo, tão ingênuo, que acredita até em político.

O Lula não roubou, ele só “incorporou” o espírito da OAS (Obrigado, Amigo Sindicalista), que, por sua vez, reformou o “triprex” do Guarujá. Ora, se a OAS faz obras, nada mais natural que “incorpore” a construção de um prédio. A reforma de uma chácara, no fundo, é uma forma de kardecismo sindicalista.

Mas agora esse negócio de crendice foi longe demais. Foi até Abadiânia, interior de Goiás, onde o médium espiritualista, João Dedada, produzia “curas milagrosas”. Abadiânia é uma espécie de Disneylândia espiritualista. Todo mundo procurava o médium para resolver seus “pobrema”. Vários ministros do STF se consultaram com o psicoplasma goiano, inclusive Gilmar Mendes, que também é médium, pois vive sendo incorporado pelo “espírito de porco”.

Para o médium João Dedada, todo “pobrema” é de “fundo nervoso” e, por isso mesmo, ele tem que “entrar” no corpo das crentes (mas só das gostosas) para proceder à “cura espiritual” depositando o seu ectoplasma. Pois então, para entrar no corpo de alguém, tem que ser por algum buraco. O ouvido é muito apertado para um espírito poder passar.

Denunciado por assédio espírito-sexual, João Dedeus, explicou ao delegado que não tem nada a ver com o assunto. Como todo médium “da linha branca”, Dedeus é apenas um “cavalo” de uma “entidade”. No caso, um médico nazista, o Dr. Fucks, que, insatisfeito com as maldades que fazia na vida carnal, resolveu continuar praticando do Além.

Aliás, eu não entendo por que esses médiuns só fazem “cirurgia espiritual” usando faca cega, canivete velho, garfo enferrujado, colher torta, tesoura de tosar ovelha… Por que não usam instrumentos cirúrgicos de verdade? Por que não dão anestesia? Por que não aceitam plano de saúde? Não é por falta de dinheiro.

Na verdade, João de Deus, como todo médium, estava incorporando o ectoplasma de um médico, no caso o Doutor Roger Abdelmassih, que ainda não morreu, mas já está “guardado” num centro (espírita) de segurança máxima. Dr. Abdelmassih era especialista na “encarnação” de pacientes por métodos sobrenaturais. É isso: enquanto uns recebem “por fora”, outros recebem “por dentro”.

Agamenon é kardecista da linha branca afrodescendente

14 dezembro 2018 CHARGES

LUCIO

14 dezembro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

SE ALEMBRE-SE DE NÓIS!!!

Ontem, dia 13 (êpa!), o presidente eleito escreveu isto no seu twitter:

Chega se assustei-me todinho quando li o tamanho da verba piramidal:

2,5 bilhões de reais é dinheiro pra corrupto algum conseguir gastar durante o decorrer de toda uma vida.

Gastos com patrocínio e publicidade.

Pois meta a tesoura e corte pra valer, Capitão!!!

Mas, depois do corte, faça o seguinte: arranje uma verbinha aqui pra esta gazeta escrota.

Basta que seja apenas 0,01% destes 2,5 bilhões que a Caixa torrou no ano 2018.

Consiga pra nós este patrocínio que eu vou passar o dia todinho dizendo que o sinhô é um Messias que erradicou a miséria do Complexo Midiático Besta Fubana e eliminou a fome de Chupicleide!

CANTADORES E POETAS POPULARES (11)

Uma histórica e magnífica obra da cultura popular nordestina, da autoria de Francisco das Chagas Batista

Respeitada a ortografia da época

O CASAMENTO DE UM CALANGRO – Germano da Lagôa

Foi um calangro na casa
De seu tio papavento.
Tomou-lhe a benção e disse.
Antes de tomar assento:
Venho lhe pedir a mão
De sua filha em casamento.

Papavento respondeu-lhe :
Tua linhagem descobre
Que inda és meu parente.
Descendes de sangue nobre.
Mas não te dou minha filha
Porque tú és muito pobre.

Bem conheço que sou pobre,
Não é preciso que diga,
Mais não se fala em pobresa
Quando um forte amor se liga,
Vai mais que o senhor me a dê
Do que haver uma intriga.

Papavento respondeu-lhe :
Em vista do teu assumpto
Eu como pae de familia
Uma coiisa te pergunto:
Se fóra do dia de hoje,
Com ella já andaste junto ?

Calangro lhe respondeu :
Meu tio deixe de asneira,
Que fóra do dia de hoje
Temos feito é muita cêra
E temos andado juntos
Uma semana inteira.

Papavento disse: Isto
Que me diz é uma affronta,
Você é um atrevido
E minha filha uma tonta ;
-Póde ir botar os banhos
Que a dispensa eu dou prompta.

Calangro sahiu aos saltos
De tanto contentamento,
Não parava mais em casa
Não trabalhava um momento,
Passava dias e noites
Em casa do papavento.

Papavento, quengo velho,
Mestre na velhacaria,
Disse a mulher: – Que vem ver
Calangro aqui todo dia.
Tome cautella com elle,
Viva com a noiva de espia.

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RENASCENDO

NÍTIDAS DIFERENÇAS

A divulgação dos dados do COAF trouxe à tona movimentações atípicas na conta corrente do motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro. Os relatórios mostram que há coincidência entre a data de pagamento dos assessores de Flávio na Assembleia Legislativa e a movimentação na conta corrente. Tudo indica que se trata da velha prática de empregar um assessor e receber parte do salário de volta. Mecanismo usado largamente por vários políticos. Conheço um caso no qual o, então, deputado alegou que se tratava de uma forma de aumentar a empregabilidade das pessoas porque o salário de um pagaria dois.

Se a gente for olhar o passado, nos idos de 1980, o PT surgiu sob o manto da honradez. José Dirceu, após 18 meses do governo Lula disse “Este governo não rouba, não deixa roubar e combate a corrupção”. Ele disse isso, batendo o indicador verticalmente na mesa. O que se viu depois foi que o governo roubou, deixou roubar e não combateu a corrupção, pelo contrário, está combatendo agora os juízes, promotores e tantos outros responsáveis pela Operação Lava Jato que colocou na cadeia ladrões do dinheiro público.

No escândalo do mensalão, Lula disse que não sabia. Pessoas no seu entorno foram condenadas, presas, muito embora tenham sido indultadas depois numa decisão de Dilma nitidamente destinada a beneficiar pessoas da sua legenda. Posteriormente, em Paris, quando indagado sobre este escândalo ele respondeu dizendo se tratar de um caixa dois. Só isso. Como se caixa dois fosse legal. Em recente reunião do PT a direção tomou a decisão de não fazer mea culpa, de não reconhecer erros. Essa postura do PT está associada a arrogância dos seus dirigentes que acreditam ser a salvação da lavoura, a bala que matou Kennedy ou a última Coca-Cola do deserto.

Se formos comparar a situação atual, há algumas diferenças, não no comportamento equivocado, mas não assunção de responsabilidades. Para o depósito feito na conta de Michele Bolsonaro, o presidente eleito afirmou se tratar de um empréstimo não declarado e que diante do erro ele fará a reparação junto a receita federal. É plausível? Sim! Guido Mantega foi Ministro da Fazenda, tinha contas não declaradas no exterior e era o chefe da receita federal.

Bolsonaro foi feliz numa argumentação: não se faz corrupção com cheque nominal. Quem estuda corrupção sabe que ninguém consegue identifica-la, tanto que todo pesquisador trata de indícios de corrupção. Quem olhar a Transparência Internacional verá que se faz um ranking de países corruptos por indícios, não com cheque nominal. Aécio Neves sabe disso porque recebeu R$ 2 milhões de Joesley Batista, entregues ao primo Fred, e evitou o COAF porque o dinheiro foi entregue em malas. Rodrigo Loures, da mesma fonte, recebeu uma mala com R$ 500 mil com recursos destinados a Michel Temer. O dinheiro foi parar na casa dos seus pais e ele declarou não saber que a mala tinha dinheiro, embora tenha sido observado a falta de R$ 35 mil e sua defesa ter feito um depósito em juízo devolvendo esse valor.

Bolsonaro, publicamente tem agido com o espirito de querer esclarecer e de não se eximir de responsabilidades. Tem admitindo a necessidade de correção, após as investigações, e o que ele tem dito soa melhor do que um “eu não sabia!” Torna-se mais crível admitir o erro e partir para implantar um governo sério, do que ficar buscando pessoas que assumam culpas em troca de recompensas.

Ao contrário dos governos de Lula, Dilma e Temer, as pessoas convidadas para ministérios estão com o propósito de mudar a lei para combater a corrupção. Por exemplo: Moro como Ministro da Justiça é diferente de José Eduardo Cardoso (JECA) cujo maior feito no ministério foi anunciar os “ventos frios” que sopravam de Curitiba e agendar uma conversa em Portugal com Dilma, Lewandowski e Zavascki para dar um freio na Lava Jato. O COAF ficará na Justiça e tudo indica que Moro vai dispor de todos os recursos necessários para investigar corrupção, narcotráfico e lavagem de dinheiro. Agora, com essa divulgação do COAF as pessoas, políticos ou não, sabem que suas movimentações financeiras são acompanhadas e tem que ser burro para acreditar que não vai ser pego. Do meu ponto de vista, isso vai gerar novas formas de entrega de propina.

Quanto a Flávio Bolsonaro, o melhor a fazer é esclarecer logo. Existe uma decisão do presidente eleito de reduzir gastos com propagandas em jornais e televisão. Trata-se de uma fatia razoável de recursos e, tendo em vista, a aproximação de Bolsonaro com Record, SBT, a Globo vai se empenhar em expor tudo que for podre da família. Por isso, o melhor caminho é esclarecer de uma vez por toda para a notícia mudar de foco. Errou? Assuma, devolva recursos, aja diferente. Não se pode cobrar honestidade dos outros quando violamos a lei.

Repito: dizer que errou e que vai restituir soa melhor do que dizer que não sabia. Há tempo pra consertar tudo isso evitando que a população tenha a sensação de dejávu fazendo um paralelo ao início do PT.

14 dezembro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

UMA DÚVIDA ATROZ

Ontem eu fiquei pensativo e encucado com um estranho fenômeno.

É o seguinte:

O G1, gigantesco portal da Globo, estampou esta manchete:

Um índice espantosamente alto.

Mas, ainda no dia de ontem, algumas horas depois, a Folha, que não comete falhas, publicou esta outra notícia:

E eu fiquei numa dúvida atroz.

Afinal, os brasileiros otimistas, confiantes de que a partir do dia 1º de janeiro o país vai estar “no caminho certo” e que a lembrança petralhística estará totalmente sepultada, são 75% ou são 64% ?

Hein?

Apelo para o fubânico lulo-petista Citador de Dados a fim de que venha nos tirar deste terrível dilema.

Aguardemos que ele se manifesta.

Quem está certo: o G1 ou a Folha?

50 ANOS DO AI 5

Dia 13 de Dezembro foi um aniversário ao contrário. Um desaniversário, se essa palavra existir. Porque comemoramos só coisas boas. Desgraças, não. E, agora, temos 50 anos do AI 5. Mais um ato, dentro de vasto conjunto normativo destinado a institucionalizar o Golpe de 1964. Vamos aos números. Atos Institucionais foram 17 (último deles em 14/10/69 – autorizando transferir, para a reserva, militares “que hajam tentado contra a coesão das Formas Armadas”). Alguns mais relevantes. Como o AI 1 (9/04/64) – que, entre outras restrições, suspendeu as garantias do judiciário. E criou o “Comando Supremo da Revolução” (Revolução, assim auto-definiu-se o golpe), que seria a “única instituição autorizada a representar o povo brasileiro”. Foram 9, os Atos desse Comando Supremo. Primeiro deles, em 10/04/64, cassando Celso Furtado, Darci Ribeiro, Francisco Julião, Leonel Brizola, Luiz Carlos Prestes, Jânio Quadros, João Goulart, Josué de Castro, Miguel Arraes, Samuel Wainer e, mais, 90 brasileiros.

Depois, com o AI 2 (27/10/65), foram indicados os “valores revolucionários”. Com o novo Presidente passando, solitariamente, a ter poder para “editar Atos Institucionais, Atos Complementares (à Constituição) e Leis”. Com destaque, sobretudo e infelizmente, para o AI 5, com alentado conjunto de atos em flagrante violação à Constituição. Como a supressão do Habeas Corpus. Foi o mais agudo instrumento de arbítrio, durante o período de exceção. Um golpe dentro do golpe. Ficando excluídos de qualquer apreciação judicial, em todas as normas se repetiria, os atos praticados pelo novo governo.

Não parou por aí, essa normativa de exceção. Houve, mais, 27 Emendas à Constituição. 105 Atos Suplementares. E longa fila de Decretos Secretos (autorizados pelo Decreto 69.334/71). Entre 67 e 78, com base neles, tivemos 10.034 inquéritos penais contra agentes subversivos. Desses, com apenas 4% presos regularmente; 12%, com comunicação ao juízo fora do prazo legal; e 84% sem qualquer comunicação ao juízo. Três ministros do Supremo foram exonerados: Hermes Lima (Presidente), Victor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva. Elevando-se, o número de ministros, para 15 (só mais tarde voltando a ser 11). O golpe precisava de garantias contra surpresas do Judiciário.

Mas o AI5 não veio sozinho. No início de 1969 criou-se, oficiosamente, a Operação Bandeirantes – OBAN. Sob comando do II Exército. O ato informal de sua criação deu-se em 01/07/69. Com presenças do governador de São Paulo, Abreu Sodré; do prefeito da capital, Paulo Maluf; além de figuras proeminentes como Delfim Neto; o banqueiro Gustavo Vidigal; ou os empresários Henning Albert Boilesen, Luiz Macedo Quental e Paulo Sawaya. A OBAN foi responsável por boa parte dos 191 mortos, 210 desaparecidos e mais 33 desaparecidos cujos corpos conseguimos localizar, no curso dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade.

Vênia para dizer que a reiteração da corrupção, que então corria solta, preocupava o poder. Uma primeira Comissão Geral de Inquéritos – CGI foi instaurada em 27/04/64. Para apurar corrupção dos governos anteriores, eleitos pelo povo. Mas logo veio a Segunda CGI, em 31/12/68, especificamente para estabelecer limites à corrupção dentro da Revolução. Entre civis e militares. Os resultados modestos, nas apurações desta segunda CGI, levaram o major Waldyr Coelho, responsável pela OBAN, a propor, em 1970, uma OBAN Contra a Corrupção. O que desmoraliza a tese de que governos autoritários estão imunes à corrupção. Dela não se sabendo, basicamente, por conta da censura. Não é que não existisse corrupção. Havia, sim. Problema é só não se poder saber dela.

Importante lembrar desse passado. Não se trata de apenas criticar um passado que passou. Nem é voltar ao passado, para punir. Eu mesmo votei na Comissão, solitariamente, contra a revisão das Leis de Anistia (de 1979 e de 1985) – “pelas mesmas razões que, em 29/04/2010, levaram o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 153, e com fundamento em cláusulas pétreas da Constituição brasileira, a recusar, por larga margem (7 atos a 2), essa tese”. Razão pela qual me considero com autoridade para falar desse passado sem uma visão persecutória. Mas é preciso reter, na memória, tudo que aconteceu naqueles anos de chumbo. Para que não volte a acontecer. Nunca mais. Em nome, e em louvor, da democracia.

14 dezembro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

14 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

CHACOTA SELETIVA

14 dezembro 2018 PERCIVAL PUGGINA

O INSÓLITO ENCONTRO DE CHICO E FRANCISCO

O compositor Chico Buarque, sua namorada, um advogado argentino e uma ativista italiana estiveram, na última terça-feira, 12 de dezembro, com o Papa Francisco. Interessei-me. O que teria levado Chico a procurar Francisco? Para qual esquina da vida tão distintas biografias convergiriam?

Chico sobraçava um volume de 100 páginas que os portadores exibiram para provar o que denominam judicialização seletiva da política na Argentina, no Equador e no Brasil e o consequente comprometimento de suas democracias. Por “judicialização seletiva da política”, em linguagem menos pedante, se entenderia, no caso brasileiro, que o mártir Lula, aquele santo em vida, está preso injustamente por conta de um suposto cambalacho que derrubou a hegemonia esquerdista no país.

* * *

Eu retornara de Cuba havia quatro meses quando, em 18 de março de 2003, ocorreram as violentas ações policiais e judiciais que ficaram conhecidas, no país, como a Primavera Negra. Foram presos 75 dissidentes, defensores de direitos humanos e jornalistas independentes. Entre eles estavam listadas pessoas com quem me havia encontrado em novembro de 2002, colhendo informações para a primeira edição de meu livro Cuba, a Tragédia da Utopia, que viria a ser publicado em 2004. Foi com lágrimas nos olhos que vi condenada a incríveis 20 anos de prisão, minha brava amiga de cabelos brancos, a economista Marta Beatriz Roque Cabello, com quem ainda hoje me correspondo regularmente. As penas variavam entre 15 e 28 anos de prisão em regime fechado. O rigor das ações e sanções chamou a atenção mundial e um angustiante terror se abateu sobre a população.

Duas semanas mais tarde, a 2 de abril, armados de uma faca e um revólver, um grupo de 11 jovens, sem que ninguém causasse ou sofresse um arranhão, abordou uma lancha de navegação costeira e determinou que rumassem para os Estados Unidos. Trinta milhas adiante, ficaram sem combustível e foram rebocados para o porto de Mariel. Nove dias mais tarde, haviam sido julgados, recorrido das sentenças e, três deles, executados por pelotão de fuzilamento. A estes, posteriormente, Fidel, se iria referir de modo depreciativo como “los três negritos”… Aos demais, prisão perpétua. Não houve tempo, sequer, para os familiares serem comunicados da execução das sentenças, cumpridas na madrugada. A brutalidade das ações e a desproporção das penas chocou a opinião mundial. Antigos apoiadores de Fidel, como o português José Saramago e a chilena Mercedes Sosa proclamaram seu rompimento com o regime. “Até aqui eu fui” escreveu Saramago, que suportara muito bem as 20 mil sentenças de morte até então cumpridas pelo regime. As três últimas, porém, foram as gotas que lhe encheram o tolerante copo.

É claro que a reação internacional exigia resposta rápida. Foi assim que, mundo afora, seguindo a velha rotina, centenas de “intelectuais” partiram em defesa do regime e de suas ações. No clamor dos fatos, no dia 1º de maio, durante as habituais celebrações realizadas na Praça da Revolução, foi lido um manifesto com o título “Chamado à consciência do mundo” redigido em defesa de toda aquela brutalidade, descrita como ato de soberania a exigir respeito. Entre os mais de 300 signatários, contam-se Adolfo Perez Esquivel, Rigoberta Menchú, Gabriel Garcia Marquez, Eduardo Galeano, o padre sandinista Ernesto Cardenal, o cantor Harry Belafonte, e, claro, o inexorável humanista e indefectível democrata e defensor dos direitos humanos, Chico Buarque de Hollanda.

Pois foi esse cidadão brasileiro que recebeu de Sua Santidade o privilégio de uma audiência, havida na condição de paladino do Direito, da Justiça, e porta-voz de nobilíssimos anseios democráticos. A ambos, olhando os restos do regime dos Castro, se pode indagar com versos do próprio visitante: “O que cantam os poetas mais delirantes, o que juram os profetas embriagados, o que está na romaria dos mutilados, o que está na fantasia dos infelizes, o que está na dia a dia das meretrizes, dos bandidos, dos desvalidos” cubanos?

14 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

FELIZ NATAL ATRÁS DAS GRADES

O Instituto Lula lançou cartões de fim de ano “para presentear”.

Um deles diz “Feliz Natal e Lula livre”.

Deve ter sido um erro.

* * *

O Instituto Besta também lançou um cartão de Natal.

E já encaminhou como sugestão para o Instituto Lula.

Ficou lindo!

Estou aguardando a resposta deles.

IDEOLOGIA TOSCA

O general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira, futuro ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Jair Bolsonaro, em entrevista à TV Globo comentou uma declaração recente sua, que “direitos humanos são basicamente para humanos direitos”.

Era de se esperar que o futuro ministro aproveitasse a oportunidade para explicar que não foi bem isso que ele queria dizer.

Seria ótimo para ele, e para o futuro governo, que dissesse que compreende o que são direitos humanos, o que isso quer dizer, para que servem, a quem se orientam; e que, desse modo, retirasse o que disse ou o desse como um mal entendido.

Muito pelo contrário, o ministro de Bolsonaro reafirmou a bobagem, esclarecendo, para não deixar dúvida dela, que tem limitações em “proporcionar direitos humanos” – em suas palavras:

“Se tenho limitação em proporcionar direitos humanos, e temos essas limitações, porque somos um país ainda economicamente enfraquecido, moralmente enfraquecido, socialmente enfraquecido. Se tiver que canalizar o meu esforço de proporcionar direitos humanos para alguém, entre o cidadão que trabalha, sai de casa às 6h da manhã, volta às 10h da noite, encara um transporte público terrível, sofre todos os tipos de limitações na sua vida diária… Ele tem muito mais direito a ser pleno de direitos humanos do que um sujeito que é bandido, que está assaltando esse sujeito no meio da rua”.

E arrematou:

“O que a gente reclama é que muitas organizações de direitos humanos não vão no enterro do policial e vão chorar no enterro do bandido. Isso é uma distorção dos direitos humanos.”

Decorre disso que:

1) O nosso futuro ministro tem limitação em proporcionar direitos humanos!

2) No futuro governo bandidos terão seus direitos humanos limitados!

3) Organizações de direitos humanos têm como um de seus deveres e obrigações ir a enterros de policiais, o que será cobrado a partir de primeiro de janeiro do ano que vem.

4) Organizações de direitos humanos têm o hábito de ir chorar no enterro de bandidos.

5) Defender os direitos humanos de bandidos é uma distorção dos direitos humanos.

6) No próximo governo, bandidos poderão ser legalmente torturados para abrir o bico e para aprenderem a não serem maus.

7) O governo de Jair Bolsonaro não estará nem aí para essas tais de organizações de direito humanos que só servem para defender a bandidagem.

8) A partir de 2019, os direitos humanos só serão assegurados às pessoas de bem, como o cidadão que trabalha e sai de casa às seis horas da manhã e volta às dez horas da noite.

9) Etc.

Compreende-se – a partir de idéias que o futuro presidente e seus auxiliares manifestam – o que Rubens Ricupero quis dizer quando referiu-se à ideologia de Jair Bolsonaro como sendo tosca.

Idéias como essa, expressada pelo General Heleno, passeiam pela cultura primitiva e inculta, decorrente da ignorância de que a garantia de direitos humanos se prende, justamente, à necessidade de impedir que o poder público, notadamente o poder público, pratique contra a pessoa humana, qualquer pessoa humana, violência de qualquer natureza.

Também visa a impedir que autoridades, pessoas e multidões pratiquem impunemente a justiça pelas próprias mãos, como chacinas, execuções, linchamentos e tantos outros.

De qualquer forma, as entidades de direitos humanos têm como objetivo impedir que o ser humano seja vítima de atos de violência que a própria lei prevê como tal! Em outras palavras, os direitos humanos devem preservar o ser humano da prática, contra si, de violências praticadas acima da lei.

Por fim, resta esclarecer – o que deveria ser desnecessário – que o policial submetido à transgressão dos seus direitos humanos será, também, defendido pelas organizações de direitos humanos, as quais comparecerão aos atos respectivos – não para chorar, mas para protestar e exigir que seus direitos humanos sejam respeitados e para que os responsáveis pelas transgressões desses direitos sejam responsabilizados nos termos da Constituição e das leis em geral, civis e criminais.

No conjunto de idéias que cercam a figura de Jair Bolsonaro, essa questão dos direitos humanos é apenas um dos aspectos da ideologia tosca que precisa ser revista pelo novo governo.

14 dezembro 2018 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCOS MAIRTON – BRASÍLIA-DF

Berto,

nesta sexta-feira (14/dez), acontecerá o lançamento do meu primeiro e-book em espanhol:

La Manicura y otros casos de amor y traición (Spanish Edition)
Link: http://a.co/d/c70fpSS

Peço aos fubânicos que divulguem o link com falantes e leitores do idioma castelhano, nos ajudando a romper as fronteiras da língua portuguesa!

Quem puder comprar, também ajuda.

A propósito, o livro já está disponível na Amazon, em português, ao lado de outros e-books de minha autoria:

A Manicure e outros casos de amor e traição
Link: http://a.co/d/9oBWQy3

Crônicas Forenses: realidade e ficção da vida de um juiz federal
Link: http://a.co/d/43pFegc

A Filha da Cartomante: e outros casos misteriosos
Link: http://a.co/d/i9Hwfqa

Um país desenvolvido: e outros cordéis de crítica social
Link: http://a.co/d/e011EpQ

R. Num me canso de repetir e alardear: nesta gazeta escrota só tem cabra talentoso, malassombrado e competente!

Um colunista fubânico brilhando com sua obra de ficção em tradução para o espanhol.

Excelente notícia!

Parabéns, meu caro.

Que você faça o sucesso que merece e brilhe muito.

14 dezembro 2018 CHARGES

J. BOSCO

SABUGO

Toda cidade do interior possui suas figuras folclóricas, cujas lembranças se eternizam na nossa memória. São figuras que nos causavam medo, mas, ao mesmo tempo, nos divertiam.

Em Nova-Cruz (RN), Sabugo era uma dessas figuras. Seu nome era Daniel, porém era mais conhecido por esse apelido, devido à cor da sua pele, meio rajada de sarnas, em cima de um branco desbotado. Nascera com um atraso mental, que o acompanhou por toda a vida.

Sabugo tinha loucura por caminhão. Passava horas sentado, em frente à usina de beneficiamento de algodão, observando o carregamento dos caminhões, que transportavam o produto para outros estados. Ficava fascinado com o barulho dos motores e vivia imitando esse barulho e a buzina, com a sua voz estridente. Já adulto, só andava correndo, girando os braços para frente e para os lados. simulando curvas, como se estivesse segurando a direção de um caminhão. Corria, freava, fazia de conta que ligava a ignição, e assim passava a maior parte do seu tempo, sem fazer mal a ninguém e vivendo num mundo imaginário.

Por brincadeira, certa vez, um mecânico, dono de uma velha sucata, deu-lhe “de presente” uma direção de caminhão, danificada e imprestável, que alguém havia jogado no lixão. Sabugo ficou radiante com o presente e seu gosto por caminhão aumentou mais ainda. Continuou correndo pelas ruas da cidade, agora muito orgulhoso, “dirigindo” seu caminhão imaginário, e imitando, agora com a voz ainda mais forte, a buzina e o barulho do motor.

Na sua debilidade mental, Sabugo se sentia possuidor de um caminhão, como se tivesse alcançado o seu maior ideal. Passou a correr mais ainda pelas ruas da cidade, feliz da vida, segurando a direção velha que ganhara de “presente”. Às vezes, chegava a se enveredar pela estrada afora, até se cansar e adormecer debaixo de alguma árvore frondosa.

Sabugo era conhecido em toda a redondeza e todos o protegiam, exceto os moleques de rua.

Quando ainda nem se falava em “bullyng”, Sabugo já era vítima dessa covardia. O seu apelido o deixava completamente perturbado, quando proferido em tom de deboche, pelos moleques da cidade, que o vaiavam sempre, ao vê-lo correndo pelas ruas, “dirigindo” seu caminhão imaginário.

Certo dia, diante das vaias humilhantes dos moleques, Sabugo teve uma reação inesperada. Cheio de ira, baixou o calção e, com a duas mãos, segurou os órgãos genitais, exibindo-os para o lado dos seus algozes. Essa reação se tornou frequente, sempre que era vaiado. Apesar dessa atitude obscena, que caracteriza crime de atentado ao pudor, Sabugo tinha o atenuante de ser inimputável, perante a lei.

Essa sua reação tornou-se frequente, sempre que os moleques da rua o vaiavam. Por ser portador de debilidade mental, as pessoas da cidade o defendiam e intercediam em seu favor, repreendendo a molecada canalha. Essa situação vinha passando incólume, até ser presenciada por um grupo de religiosas do Colégio de Nova-Cruz, causando um desmaio em uma das freiras, que precisou de atendimento médico. A partir de então, Sabugo foi levado para um hospital psiquiátrico em João Pessoa (PB), onde permaneceu em tratamento, durante vários meses.

14 dezembro 2018 CHARGES

EDER

PIANÍSSIMO

***

Richard Clayderman e James Last & Orquestra executam de Elton John e Bernie Taupin “Sacrifice”. A coluna de hoje é dedicada aos leitores/ouvintes e grandes amigos, Marcos Pontes e Yoshiro Nagase.

14 dezembro 2018 CHARGES

CLÁUDIO

13 dezembro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

COLUNISTA FUBÂNICO LANÇA LIVRO

O fato se assucedeu-se ontem, aqui no Recife.

Foi no Paço Alfândega, um aprazível espaço no centro da cidade, às margens do Rio Capibaribe.

O  colunista fubânico Jessier Quirino, um dos maiores talentos da poesia nordestina, lançou o seu mais recente livro, “O causo da Cobra Branca”.

Uma noite agradável, com a presença de muitos admiradores, leitores e amigos.

Jessier e sua esposa Doró, este inxirido Editor com Aline, e Marcela Quirino, filha de Jessier, com o marido João Guilherme

Estavam presentes no evento os colunistas fubânicos Maurício Assuero e José Paulo Cavalcanti com as suas esposas.

Além da boa conversa e dos autógrafos, Jessier proporcionou ao público presente uma divertida sessão de contagem de histórias e causos matutos.


E, já que falei em Marcela Quirino, vou aproveitar a oportunidade pra presentear os nossos leitores com uma magnífica interpretação que ela faz de um poema da autoria de Jessier, cantando em dupla com seu pai, mostrando que o talento pode ser transmitido de uma geração pra outra.

Trata-se da belíssima poesia Ave-Maria das Mangueiras, contida no livro Papel de Bodega.

13 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

ELES DEVEM VIR A PÚBLICO SE EXPLICAR


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