BISPO HARDY GUEDES – NATAL-RN

Caro Papa,

Fui um dos que mais criticou o Ministro Tarso Genro no episódio dos lutadores cubanos que havia fudido no PAN.

Ontem, no Esporte Espetacular, um deles declarou que a sua volta para Cuba deveu-se ao fato de ter sido abandonado pelos empresário alemães e que sem o apoio deles se viu obrigado a voltar para casa, isentando o Governo Brasileiro de qualquer responsabilidade.

Sendo assim, estou, de público, reconhecendo o meu erro.

Nesse episódio, Tarso Genro tem razão.

Quem quiser conferir, segue o link da entrevista.

Um abraço

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM974527-7824-BOXEADOR+CUBANO+REVELA+COMO+E+PORQUE+ABANDONOU+O+SEU+PAIS,00.html

R. Eu não sei se eles tiveram tempo pra “fuder no PAN”. Acho que você quis dizer “fugido no PAN”.

Mas, vamos ao que interessa.

A propósito deste assunto, os jornais de hoje trazem a seguinte nota:

Auxiliares diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negaram ontem que ele tenha falado com os pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux e oferecido ajuda para que não voltassem a seu país. Eles foram deportados do Brasil após fugir da delegação cubana durante os Jogos Panamericanos do Rio, em 2007. Em entrevista ao programa Esporte Espetacular, exibida ontem pela TV Globo, Lara afirmou ter tido contato direto com Lula quando estava no País, versão qualificada como “fantasiosa” pelo Palácio do Planalto.

Só para alimentar o debate, transcrevo carta que recebi do leitor Júlio Ferreira e, a seguir, um texto que li neste final de semana num jornal de São Paulo.

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Que me desculpem os “crentes inveterados”, mas ainda não acredito nessa nova versão apresentada pela Rede Globo sobre a deportação dos pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, que abandonaram a delegação cubana durante o PAN RIO 2007 e foram posteriormente devolvidos pelo governo brasileiro para Cuba. Agora, depois de quase dois anos do episódio, surge uma entrevista de Erislandy Lara, veiculada pela Rede Globo, na qual ele afirma que voltou para Cuba por vontade própria. Não é tão fácil assim! Algumas dúvidas persistem, e perguntas devem ser respondidas. Por exemplo: 1) Se os pugilistas queriam mesmo voltar para Cuba, tanto que teriam recusado um convite pessoal do presidente Lulla para permanecer no Brasil, porque, em tão pouco tempo, tornaram a fugir e foram parar em Miami?; 2) Porque uma entrevista tão bombástica foi relegada a um programa de menor audiência, ao invés de ser veiculada no Jornal Nacional?; 3) Se o caso era tão fácil de ser resolvido, porque a entrevista não foi feita antes, talvez até enquanto os pugilistas ainda estavam em Cuba?; 4) Será que o teor da entrevista, flagrantemente editada, não poderia ser fruto de uma “negociação comercial” com o pugilista, agora, conforme mostram as imagens que ilustram a matéria, transformado em um “fanático capitalista”? Esse assunto ainda vai dar “panos pra manga”… – Júlio Ferreira

* * *

Episódios vergonhosos

Durante a realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux conseguiram burlar a vigilância dos agentes que acompanham as delegações desportivas e artísticas cubanas nas suas excursões pelo exterior – comissários cuja única missão é assegurar que todos voltem para o paraíso castrista – e foram se esconder em Cabo Frio.

A escapada durou cerca de duas semanas. Acionado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro – a pedido do governo cubano -, o aparelho policial brasileiro se pôs a campo, localizando e detendo os dois cubanos, que não queriam outra coisa que não fossem oportunidades de viver numa sociedade livre, que lhes permitisse desenvolver seus atributos desportivos e profissionais.

Três dias depois de detidos, os dois foram colocados num avião, gentil e especialmente cedido pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez, e despachados de volta para Havana.

Lá, não foram presos, torturados ou mortos – como acontecia antes com os cubanos que tentavam fugir da ilha e não conseguiam. Os tempos já eram mais amenos e eles foram apenas proibidos de treinar e lutar, ou seja, de exercer a sua profissão.

Aqui o episódio provocou justa indignação. Afinal, o governo brasileiro, por intermédio de seu ministro da Justiça, não apenas colocara a polícia no encalço de dois atletas que não haviam cometido crime algum – no Brasil ou em Cuba -, como os deportara em prazo recorde, entregando-os a um regime que não tem o mínimo respeito pelos direitos humanos e do qual estavam fugindo.

À onda de protestos que se seguiu, o ministro Tarso Genro respondeu com uma saraivada de argumentos fantasiosos, cada um mais esfarrapado do que o outro. Primeiro, declarou que tudo não passava de uma armação da imprensa, que estava usando o episódio para fazer propaganda contra Cuba. Depois, afirmou que os dois pugilistas não haviam fugido nem pedido asilo e, por isso, se encontravam em situação irregular no País.

Por fim, veio o mais deslavado deles: os pugilistas haviam pedido para voltar a Cuba. Ele, Tarso Genro, como ex-exilado, sabia que isso iria acontecer: “depois da fuga vem a saudade da família e a nostalgia da pátria”, disse, esquecendo que antes havia negado que os cubanos haviam fugido e solicitado asilo.

Mas a farsa, como se veria, não prevaleceria como verdade histórica.

O pugilista cubano Erislandy Lara, o primeiro a fugir de Cuba, afirma que nunca quis sair do Brasil. Que não queria ficar em Cuba provou cerca de seis meses depois de para lá ter sido devolvido pelo ministro Tarso Genro, quando fugiu da ilha em uma lancha. Está reiniciando, com sucesso, a sua vida de boxeador nos Estados Unidos. Agora, nesta semana, o pugilista Guillermo Rigondeaux, campeão olímpico e mundial dos pesos galo, fugiu para o México e já está em Miami, onde aguarda a regularização de seus papéis para também voltar às atividades profissionais.

Os dois pugilistas deixaram suas famílias em Cuba. Sentem saudades, mas nem em pensamento lhes ocorre voltar para o paraíso castrista onde, segundo Lara, “não há comida e as pessoas sofrem muito”. O que querem, isso sim, é tirar de Cuba suas mulheres e filhos. Outra falha no enredo fabuloso do ministro Tarso Genro.

Menos de dois anos depois do vergonhoso episódio da devolução dos lutadores cubanos ao domínio do ditador Fidel Castro, diante de caso “aparentado”, o ministro Tarso Genro teve comportamento totalmente diferente, mas não menos indecente: atropelou uma decisão do Comitê Nacional para os Refugiados, antecipou-se a um julgamento do Supremo Tribunal Federal e concedeu asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti. Desta vez, o exilado não sentia saudades da família nem nostalgia da pátria. Também não havia sido, como os dois cubanos, declarado “traidor da pátria” pelo chefe do governo do seu país – uma democracia exemplar. Fora, tão somente, condenado pela Justiça italiana pelo assassinato de quatro pessoas, entre outros crimes – todos cometidos em nome do extremismo de esquerda.

Por que o governo brasileiro concede asilo a um assassino condenado pela justiça de um país democrático e nega-o a dois impolutos fugitivos de uma ditadura decrépita?

O presidente Lula poderia explicar o que seu ministro não explicou?

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