Miguezim de Princesa

Por mais que a gente procure,
Seja no ar ou no chão,
Ninguém encontra a receita
De tostão virar milhão.
Abençoado do Céu,
O famoso Agaciel
Adquiriu uma mansão.

Ganhando R$ 18 mil
Na Direção do Senado,
Ele fez economia,
Veja só o resultado:
Nunca gastou o salário
E tornou-se milionário
Por viver sacrificado.

Coitado do Agaciel:
Nunca foi a restaurante,
Seus ternos são da Colombo,
Seu carro é uma Variant
E,no dia que quer gastar,
Come é carne de jabá
Na feira do Bandeirante.

Usa perfume da Avon,
Roupa da Riachuelo,
Sapato da Polyelle,
Descansa o pé no chinelo,
Assiste filme pirata,
Toma caldo de batata
No Boteco de Tranguelo.

Possui ponte fixa-móvel
E meia chapa completa,
Compra shampoo de babosa,
Passeia de bicicleta
Comprada em segunda mão
Lá na feira do Varjão
Da prima de Dona Neta.

Quando a esposa reclama
Que está passando mal,
Nunca mais comeram fora
Etc e coisa e tal,
Ele se irrita com a dona
E bota logo uma mesona
Bem no centro do quintal.

Trinta anos trabalhando,
Juntando níquel pra feira,
Comendo calango assado,
Balaiada de fateira,
O homem virou barão
E comprou uma mansão
Pra aliviar a canseira.

Crucificam Agaciel,
Eu não sei por que razão!
Foi numa máquina Olivetti,
Amolegando o dedão,
Ajeitando senador,
Que Agaciel juntou
Dinheiro com as duas mãos.

Quando comprou a mansão
No Lago Paranoá,
Parecia até um sonho
(Não quis nem acreditar).
Com receio do povão,
Botou no nome do irmão
Pra ninguém desconfiar.

Por ordem de Zé Sarney,
Pediu exoneração.
Deixa o povo esculhambar,
Não lembram do Mensalão?
Cabra fica esculhambado,
Fingido e descachimbado,
Mas não perde o patacão.

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