3 março 2009MOTES E GLOSAS



Zé Viola glosando o mote:

Você é um Golias do repente
Mas eu sou um Davi pra lhe vencer

Para mim você é só um garrote
Pra você eu já sou mais do que touro
És um louco tombando em Bebedouro
E eu sou gênio mostrando o meu dote
Tenho pernas pra dar o meu pinote
E em você falta pernas pra correr
O meu rio agora eu vou encher
E você vai se afogar na minha enchente
Você é um Golias do repente
Mas eu sou um Davi pra lhe vencer

* * *

Laurindo Rabelo glosando o mote:

Alma pura e rosto d’anjo
Nela juntos encontrei.

Disse-me um dia um marmanjo
Que furtou-me uma galinha
Que a sua adorada tinha
ALMA PURA E ROSTO D’ANJO;

Por me não fazer arranjo
O caso desconversei;
A galinha lhe tomei,
E apalpando-a de novo,
Uma galinha e um ovo
NELA JUNTOS ENCONTREI.

* * *

José de Sousa Dantas glosando o mote:

Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Naquela primeira vez,
que lhe conheci na praça,
foi Deus que mandou-me a graça,
seu jeito me satisfez;
o seu rosto, a sua tez,
macia como flanela,
o seu sorriso revela
ser uma criatura amena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Essa chama da paixão,
que nasceu naquele dia,
mantém-se em forte harmonia,
na mais perfeita união;
entreguei meu coração,
pra viver colado nela,
no mundo não tem novela
que supere a nossa cena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Linda, formosa e bonita,
envolvente, insinuante,
o seu corpo é provocante,
me seduz e me excita,
vejo vestida de chita
com as cores da aquarela,
parecendo a Cinderela,
mimosa flor de açucena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Essa doce ansiedade,
pra sentir o seu calor,
me aperta com fervor
na mais alta intensidade;
vivo sempre com vontade,
numa sensação daquela,
que me ataca e me martela
se passar de uma quinzena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Com você eu sou feliz,
vivo bem todo momento,
não me sai do pensamento,
foi a melhor coisa que fiz;
os seus olhos e seu nariz
e a pele cor de canela,
não há criação mais bela
que agrade esse “Mascena”.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Você nasceu para mim,
eu nasci para você,
eu só sei dizer porque,
gosto de você assim.
Das flores do meu jardim
não existe outra mais bela,
cheirosa, pura e singela,
colorindo a minha arena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Só eu sei que estou passando,
cada dia apaixonado,
eu só fico sossegado,
com você junto me amando;
toda noite estou sonhando,
o meu coração apela,
venha cá minha donzela,
deusa da boca pequena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Não me canso de dizer:
meu amor, minha querida,
minha paixão preferida
eu não quero lhe perder
chegue perto pra acender
o fogo da minha vela
e começar o rela-rela
com toda a gota serena
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Para mim não tem igual
você é a mais perfeita,
charmosa, boa e bem feita,
o seu corpo é sensual,
o seu beijo é colossal,
que chega adoça a goela,
meu coração nunca gela,
a satisfação é plena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Vivo numa ansiedade,
pensando nessa mulher,
porque sei que ela me quer,
pra manter essa amizade;
é minha cara-metade,
que me abraça, beija e zela,
não tem outra paralela,
só você me vale a pena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Quanto mais o tempo passa,
mais aumenta o nosso amor
vou sentindo mais sabor,
cada vez que me abraça;
acaba toda desgraça,
esquenta a minha costela,
fico coladinho nela
e toda energia drena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Bebo o mel da sua boca,
você vem beber da minha,
quero você inteirinha,
completando a paixão louca;
a vibração não é pouca,
na hora que se abufela,
esqueço até de tabela,
que a paixão é quem ordena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Morena bela e gostosa,
da pele fina e macia,
o seu cheiro me inebria,
porque é maravilhosa,
sublime e deliciosa,
que enfeita a passarela,
a mais linda da gamela,
que perfuma e oxigena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Seu cabelo e seu semblante,
sua voz e seu olhar,
a maneira de falar,
cada gesto é fascinante,
e no calor esfuziante
me agarro no corpo dela,
encostado na janela,
chega a dobradiça empena.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

Seja a minha eterna amante,
pra matar o meu desejo,
quero lhe cobrir de beijo,
numa paixão incessante;
tem um cheiro inebriante
no seu moreno-canela,
e o tempero da panela
só quem mexe é “Filomena”.
Quero amar essa morena,
que eu não sei viver sem ela.

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