TUIUIÚ – VOLTANDO ÀS ORIGENS!

Quando comecei a escrever para o JBF, a intenção com esta coluna era abordar o máximo de assuntos do nosso dia a dia que envolvessem palavras da língua tupi. Daí, o nome ITAPÉ – O CAMINHO DAS PEDRAS (literalmente, caminho de pedra).

Mas no meio do caminho apareceram, de fato, tantas pedras, que acabei falando de vários outros assuntos, especialmente de política, fugindo, assim, da proposta inicial.

Hoje, no entanto, estive dando uma olhada na nova ortografia (cheia de contradições) e me deparei com uma questão interessante: o acento na palavra TUIUIÚ, que permanece.

Pelas regras, esta palavra não deveria ser acentuada, uma vez que a divisão silábica normal deveria ser TU-IU-IU, terminando em ditongo. Diferente, por exemplo, de MURIÚ, que termina num hiato: MU-RI-Ú.

Fiquei intrigado com o fato e fui ler a respeito.

A justificativa dos gramáticos é que a divisão silábica correta de TUIUIÚ seria TUI-UI-Ú, o que é absurdamente falso e uma forçada de barra sem tamanho. A divisão silábica deve acompanhar a linguagem e ninguém fala TUI-UI-Ú, mas TU-IU-IÚ.

É por essas e outras razões que acho uma falha gritante do nosso ensino não haver no curso universitário de língua portuguesa um mínimo de tupi, que nos deu uma infinidade de palavras, muitas das quais, de tão incorporadas ao nosso vocabulário, sequer percebemos a sua origem indígena.

Os nossos gramáticos, por sua vez, em lugar de arrumar explicações fora de contexto, com o único intuito de ajustar as suas teorias acadêmicas, deveriam pesquisar um pouco mais, antes de cometerem certos erros.

A palavra TUIUIÚ é acentuada porque IÚ, em tupi, é um hiato, pois se trata de um vocábulo formado por aglutinação de I = água + Ú = comer. Ou seja, IÚ significa BEBER ou, literalmente, COMER ÁGUA.

Assim, a divisão silábica correta desta palavra deveria ser TU-I-U-I-Ú e não TUI-UI-Ú, como encontrei por aí.

As palavras de origem tupi são, na prática, auto-explicativas. Os índios observavam, por exemplo, os animais e, de acordo com suas cores, seus hábitos etc. escolhiam os seus nomes.

Daí a importância do estudo dessas palavras, por todos os segredos culturais e informativos que cada uma delas contêm.

Quem conhece o TUIUIÚ sabe que ele se alimenta na beira dos rios e dos lagos de pequenos peixes e moluscos. Normalmente, caminha no raso e vai bicando a água,dando a impressão de que estivesse bebendo.

TU, em língua tupi, significa, via de regra, ATACAR. {O TATU, por exemplo, é a aglutinação de TÁ = formigueiro (pode ser, também, cupinzeiro) e TU = atacar, ou seja, o que ATACA O FORMIGUEIRO, devido aos seus hábitos alimentares}. Já vimos que IÚ significa BEBER ÁGUA. Mas este vocábulo aparece repetido na palavra. Por que será?

Porque na língua tupi, o plural é expresso de dois modos distintos: 1. Acrescentando-se a palavra TIBA (também escrita TIVA, TUBA ou TUVA) ou; 2. Repetindo-se a palavra. Assim, PIRIPIRI e PIRITUBA têm o mesmo significado: muito junco.

TUIUIÚ significa o que ATACA (como se estivesse) BEBENDO ÁGUA CONTINUAMENTE.

Essa regrinha da repetição de movimento, a gente pode ainda observar no caso da PERERECA [que se move aos saltos nas folhas (CAÁ) ou no mato], de PERERÊ (que se move aos saltos), de COCOROCA (que resmunga continuamente) e tantos outros nomes de formação semelhante.

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FALA SÉRIO!

Se um funcionário público não pode declarar um determinado imóvel, de altíssimo valor, e o coloca em nome de um irmão, para burlar o fisco, está cometendo um ilícito fiscal, não é mesmo?

E o irmão que o acoberta, é conivente e, até mesmo, cúmplice, né não?

Será que isso é o que se pode chamar de formação de quadrilha?

Se esse irmão que acoberta é deputado federal, não será isso falta de decoro parlamentar?

Não é motivo de cassação de mandato?

FALA SÉRIO!

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