7 março 2009ORLANDO TEJO



Meu querido amigo Orlando Tejo, o homem que deu Zé Limeira ao mundo, continua internado no Hospital Português do Recife.

Enquanto se recupera, vou publicar uma poesia que ele fez há exatos 30 anos.

Tejo passou um tempo de sua vida trabalhando como redator de uma agência de publicidade do Recife, a Fregapane & Associados. E se espantou com o tanto de termos americanalhados que são usados na propaganda, uma babaquice que se repete na informática e no dia-a-dia da internet.

Tanto quanto Ariano Suassuna, de quem é amigo fraterno, Orlando Tejo é radicalmente contra a macaqueação tupiniquim, sobretudo no uso do vernáculo.

E fez de improviso este poema-cordel no ano de 1979:

NÃO AGUENTO MAIS

Eu saí da Paraiba,
Minha terra tão brejeira,
Pra fazer publicidade
Na Veneza Brasileira
Onde a comunicação
É toda em lingua estrangeira.

É uma ingrizia só
O jeito de se falar,
O que a gente não compreende,
Passa o tempo a perguntar
E assim como é que eu vou
Poder me comunicar ?

É bastante abrir-se a boca
O “inglês” fala no centro,
Nessa Torre de Babel
Eu morro e não me concentro…
Até parece que estamos
De Nova Iorque pra dentro!

Lá naquele fim de mundo
Esse negócio tem vez
Porque quem vive por lá
O jeito é falar inglês,
Mas, se estamos no Brasil
O jeito é falar Português!

Por que complicar a guerra
Em vez de se esclarecer?
E se “folder” é um folheto
Por que assim não dizer?…
Pois quem me pedir um “folder”
Eu vou mandar se folder.

Roteiro é “story board”
Nesse vai e vem estrangeiro,
Parece até palavrão
Que se evita o tempo inteiro….
Porque seus filhos das putas,
A gente não diz roteiro ?

Estão todos precisando
Dos cuidados do Pinel
Será feia a nossa lingua?
É chato nosso papel?
Por que esse tal de “out door”
Substituir painel ?

É desrespeito à memória
De Camões que foi purista
E esse massacre ao vernáculo
Não aguenta o repentista
Pois chamam “lay out-man”
O homen que é desenhista!

Matuto da Paraiba,
Aqui juro que não fico,
Onde até se tem vergonha
De um idioma tão rico…..
Por que se chamar de “free-lancer”
Um sujeito que faz bico?

Publicidade de rádio
Apedlidaram de “spot”
E tem outras besteiradas
Que não cabem num pacote.
Acho que acabou o tempo
De acabar esse fricote!

Por exemplo: “body type”
“Midia”,”top”, “merchandising”,
“Checking list”, “past up”
(Que se diga de passagem)
“Briffing”, “Top de Marketing”,
Tudo isso é viadagem!

Já é hora de parar
com esse festival grosso
Para que o nosso idioma
Saia do fundo do poço.
Para isso eu faço esse “raff”,
Isto é –perdão ! – esboço!

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