UM TEXTO DE CHICO BRUNO

OS DINOSSAUROS AINDA VAGAM E QUEREM O PODER EM 2010

A matéria da revista britânica “The Economist” sobre a eleição do senador José Sarney (PMDB-AP) a presidência do Senado, sob o título acima, apenas apresentou ao mundo um dos dinossauros da atualidade política brasileira, mas outros, ainda, vagam principalmente no Nordeste do país. Agora, com a eleição do senador Fernando Collor (PTB-AL) para presidir a Comissão de Infraestrutura do Senado ressurge mais um dinossauro.

Ao que parece esses dinossauros são raros, pois resistem intacto à ação do tempo, apesar de terem sido abalroados por vários escândalos desde a redemocratização do país.

Os editores da revista britânica acertaram na mão, ao afirmar que “dinossauros vagam” pelo Brasil.

O ano da graça de 2009 será marcado pela demonstração inequívoca da resistência desses seres na política do país. A eleição de Sarney e de Collor é obra de um dinossauro que durante um ano ruminou a volta por cima. Ele atende ao ser chamado de Renan.

Nos últimos dias, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) desfila pelos corredores do Senado triunfante, como um dos dinossauros mais poderosos da República, haja vista, que até agora não encontrou uma barreira que impeça os seus planos.

O ex-parceiro de Renan, depois desafeto e hoje novamente parceiro Fernando Collor assumiu a comissão do Senado, encarregada de debater os assuntos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), impingindo uma vexatória derrota ao PT, do líder Aloizio Mercadante (SP), um dos algozes de Collor, no episódio do impeachment sob o olhar conivente do presidente Lula.

Só nos resta constatar que é a volta dos que não foram.

O que mais entristece é ver o presidente Lula enredado até o último fio de cabelo com as manobras desses dinossauros.

Afinal, ninguém em sã consciência pode imaginar que Lula não sabia que seu ministro, que cuida da política, José Múcio, trabalhava escancaradamente para que Collor derrotasse a petista Ideli Salvatti com o auxílio do DEM.

Aliás, os democratas serviram aos planos de Renan Calheiros nas duas jogadas.

O DEM apoiou a candidatura de Sarney à presidência do Senado e de Collor à presidência da Comissão de Infraestrutura e não foi de graça, por trás desse apoio existem interesses de longo prazo.

Não fosse o DEM, que se desgarrou do PSDB nessa operação, os dinossauros Renan, Sarney e Collor não teriam ressurgido tão fortes.

Infelizmente o apoio decisivo do DEM aos dinossauros passa despercebido da imprensa. Com certeza isso é um projeto de longo alcance.

Fui tachado de louco em 1988 ao vislumbrar a candidatura de Collor a presidência da República, por isso não será surpresa se surgir na hora certa uma aliança com vistas à sucessão presidencial envolvendo o PMDB, o DEM, o PTB e o PP com vistas à sucessão de 2010.

Na semana passada toquei nesse tema, volto a fazê-lo, pois conheço os dinossauros e os dinossaurinhos, como Agripino, Jefferson e Dornelles.

O PT e o PSDB que se cuidem, pois podem assistir a reedição de uma novidade, como aconteceu em 1989.

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