CARDEAL JESSIER QUIRINO – ITABAIANA-PB

Meu cumpade Berto

Valeu sua informação sobre a expressão “cagado e cuspido”.

Agora uma dúvida:

A palavra Cachete, que a gente conhece como rémedio, ouvi dizer que é uma corruptela de Alka-Seltzer.

Será?

R. Num sei se será, meu Poeta.

Não digo que sim, nem digo que não e tenho minhas dúvidas.

Que é que você acha?

Eu me lembro que lá em Palmares tinha um motorista de praça batizado com o nome de Sonival. Sonival da Silva. Mas o povo só o chamava de Sonrisal, um cachete tão popular e famoso quanto o Alka-Seltzer. E que servia pras mesmas coisas: curar azia e indisposições gástricas.

E me lembro também que antigamente a Rádio Clube transmitia um reclame em forma de musiquinha, que era desse jeito:

Alka-Seltzer
Existe apenas um
E como Alka-Seltzer
Não pode haver nenhum

Mas, segundo histórias de família, a falecida velha Menininha, minha santa avó por parte de mãe, já usava a palavra “cachete” quando era menina, na Palmares do começo do século XX. E eu desconfio que naquele tempo ainda não existia Alka-Selter.

Não faço a menor idéia de como o povo curava azia naquele tempo. Eu só sei é que Seu Davi, um vizinho mentiroso dos meus tempos de criança, contou que uma vez teve uma azia tão violenta que, por falta de um cachete de Alka-Seltzer, chegou a queimar o colarinho de sua camisa.

Biu Moscouzinho, militante comunista palmarense, afirmava que podia morrer de azia mas não tomaria nunca um cachete de Alka-Seltzer pois, segundo ele, era coisa de americano.

E é coisa de americano mesmo. Veja só este reclame:

Eu vou aguardar a manifestação dos nossos leitores sobre esta palpitante questão proposta pelo Cardeal Jessier.

Enquanto isto, vou tomar meu cachete de magnésio que minha gerontologista receitou.

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