OS TRÊS PORQUINHOS E O LOBO MAU

Como sou autor de literatura infantil, volta e meia percebo o quanto essas histórias são importantes, mesmo para adultos, à medida em que podemos nos utilizar de seus enredos para traçar paralelos com a nossa vida atual.

É o que vem ocorrendo com a nossa economia, há muito tempo. Começou com FHC e Lula deu continuidade.

Isso porque a política econômica desses dois vem favorecendo ao Lobo Mau (os banqueiros), bem como ao porquinho Prático, aquele que tem uma casa grande, espaçosa e sólida e, não raro, contribui com o caixinha das eleições.

Aí que reside a raiz de todos os nossos problemas, especialmente porque a demissão no ATACADO de 4.000 funcionários da EMBRAER, reflete mais na mídia do que as 650.000 demissões ocorridas no VAREJO, nas mais diversas empresas brasileiras.

O governo está preocupado com a mídia, com a imagem, com as eleições de 2.010 e não em solidificar a nossa economia na base. Por isso, as demissões na EMBRAER parecem representar um número maior do que as demais.

Já falei aqui que, depois de vir morar em Natal, procurei o Banco do Nordeste (BNB) na tentativa de obter um financiamento para trazer uma editorinha, que ainda tenho no Paraná, dedicada à literatura infantil, para o Rio Grande do Norte.

Na ocasião, havia um programa chamado CRESCE NORDESTE que financiava empresas com juros subsidiados (9% a.a.), sem correção monetária, com 2 ou 3 anos de carência e alguns anos para pagamento.

Acontece que para se obter o tal financiamento era necessário dar um imóvel comercial em garantia ou um imóvel residencial. Mas esse imóvel residencial, por questões legais, não poderia ser o único do pretendente ao financiamento. Ou seja, o financiamento, em condições especiais e juros subsidiados, era somente para ricos, possuidores de, pelo menos, dois imóveis.

Numa ocasião em que os bancos pagavam em torno de 1,5% ao mês na captação do CDB, não duvido que muita gente tenha pego esse dinheiro e aplicado no mercado de capitais, recebendo mais do que o dobro dos juros cobrados pelo BNB. E quem queria trabalhar, produzir, gerar empregos e trabalhos avulsos (ilustração, assessoria pedagógica, correção etc…), com eu, SIFU!!!

Na ocasião, escrevi para o Presidente do BNB no Recife e até para o Ministro da Integração de então, o Sr. Ciro Gomes, na tentativa de encontrar uma alternativa. Até hoje, estou aguardando uma resposta. (Recado: se pretende candidatar-se a Presidente da República, fica sabendo, desde já, que não contará com o meu voto, nem da minha família, nem dos meus amigos… E ainda faço propaganda contra junto aos meus leitores!).

Há alguns dias, enviei para o JBF uma matéria que dava conta do aumento expressivo do número de concordatas (hoje, apelidadas de Recuperação Judicial) no País e, ontem, recebi matéria da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios dizendo da vulnerabilidade dessas empresas.

Segundo as estatísticas, os índices de “mortalidade” das pequenas e microempresas é de 27% no primeiro ano de existência e 64% até o sexto ano. Ou seja, De cada 100, mais da metade fecha as portas em seis anos.

Tenho certeza de que a falta de acesso fácil ao crédito barato e o excesso de burocracia são os principais responsáveis por esses índices. Não há um plano de apoio e financiamento a quem deseja e precisa trabalhar. Mas sobra para quem quer especular.

Desse jeito, o micro e pequeno empresários acabam reféns das taxas de juros elevadíssimas praticadas pelo mercado como um todo e são obrigados, mais dia, menos dia, a fechar as portas, por não suportarem esse ônus que a inoperância do governo os faz suportar.

Por isso, comparo o que acontece no mercado brasileiro à História dos Três Porquinhos, onde o LOBO MAU (os juros elevados) sopram e derrubam a casa de palha (a dos micro e pequenos empresários), vez que esses ainda não puderam construir uma casa de concreto (sólida). Como as pequenas e microempresas são, estatisticamente, as que mais geram EMPREGOS, o seu desaparecimento acaba por conduzir o LOBO MAU, voraz como sempre, à casa de madeira, a dos médios empresários que, atingidos pela falta de vendas em função do desemprego nas pequenas e microempresas, são obrigados a desacelerar, a demitir… A casa deles, apesar de mais resistente que às dos micro e pequenos, não é tâo sólida assim. Por fim, o LOBO MAU, já transformado em CRISE, irá bater na casa sólida (ou aparentemente sólida) dos grandes empresários e mesmo na porta do governo, que sentirá os efeitos pela queda na arrecadação.

Assim, é mister que se procure impedir que o LOBO MAU derrube as casas dos micro e pequenos empresários, proporcionando aos mesmos condições de construir, mesmo pequenas, casas mais sólidas e mais resistentes às intempéries.

Caso contrário, a casa do porquinho Prático, que parece sólida, pode se desmanchar num terremoto ou mesmo por conta de uma TSUNAMI que, aparentemente, parecia uma simples MAROLINHA.

* * *

FALA SÉRIO!

O Senado Federal pagou R$ 6,2 milhões aos seus funcionários, a título de horas extras, durante o recesso?

E vai ser ressarcido em 10 meses sem juros?

Enquanto isso, o governo está incentivando o endividamento dos aposentados e pensionistas, através do crédito consignado?

FALA SÉRIO!

Deixe uma resposta

Seu e-mail não será publicado.