LUCIVALDO FERREIRA – TRIUNFO-PE

Beatíssimo padre,

Fuçando uma caixa velha com antigos manuscritos encontrei estes versos que escrevi em 09/05/2000.

Veja que ele tem alguma coisa a ver com quebradeira que vem comendo as ribanceiras do mundo.

Então estou enviando a Sua Santidade, supremo Juiz do Tribunal Eclesiástico Sertanejo e para todos os prelados do “Vai-te, cano!”, para que em vossas arupembas penerem e julguem se estes versos eram ou não profecias.

R. Era só mesmo o que tava faltando na ICAS: um cabra cheio de profecias!

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CAPETALISMO (Projeto 666)

O capeta soltou-se da cadeia.
Se alimenta do pão da criancinha,
em teu bolso, em teu cofre ele se aninha,
nos poderes dos homens sapateia.
Cega os olhos em busca da mão cheia.
Quem tem grana será sempre o primeiro,
quem for fraco será o derradeiro…
É o começo do fim da nossa raça.
Eis a última noticia da praça:
O CIFRÃO DOMINOU O MUNDO INTEIRO!

Zé Ferino perdeu a namorada
para o dono de um carro importado,
um doutorzinho besta, aviadado,
mas que era filho de deputada.
Zé Ferino, hoje, mora na estrada,
mata gente em troca de feijão.
O jornal fala em corrupção,
mas o Zé nunca aprendeu a ler.
O revólver lhe garante o poder.
(Culpado ou vitima da situação?)

Quem tinha vocação pra violeiro,
professor, lavrador ou artesão,
acabou-se em outra profissão,
pois tais dons não lhes rendia dinheiro.
Zezinho, o filho do carpinteiro,
trabalhou noite e dia no roçado,
ficou rico, político afamado,
apostou pra ver se ganhava mais.
Coisas que só o capetalismo faz…
Morreu pobre, sozinho e endividado.

Benedita, filha de Dona Emilia,
teve sorte. estudou, foi pro estrangeiro.
lá chegando, ajuntou-se com um usineiro,
fez fortuna, esqueceu-se da família.
Mas nem tudo que é valioso brilha.
Há o amor, os amigos, os parentes
(não reluzem, mas são caros presentes.
não são jóias mas têm maior valor).
Benedita isto tudo renegou
e entregou-se à alegria descontente.

Já pensou se a mola do mundo quebra,
onde é que o planeta vai parar?
E os homens? Descartáveis brinquedos
programados pra capitalizar.

Eu não quero com a minha poesia
impor meus pensamentos a vocês.
tanto faz: pobre, budista ou burguês,
o sistema engloba todo dia.
Capetalismo é a nova mania
que a todos nós tem escravizado.
Não tem reza, não tem corpo fechado
que nos livre da tentação dinheiro,
ele já engoliu o mundo inteiro…
Quem tentar pular fora tá ferrado!

LUCIVALDO FERREIRA, TRIUNFO / PE

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