LUISELZA PINTO – TERESINA-PI

(IR)REVERSÍVEL

Honra, milimetricamente, teu filho e filha para que, ao menos
Eles, passadas as retas e esquinas de todos os tempos da vida
Tenham a máxima possibilidade e probabilidade de te honrar
E para que eles não precisem, um dia, colocar piedade
Onde deve trafegar, em primeiro e sempre, o respeito.

Conversamos e ele me falou de asilos; contestei
Argumentando ser melhor pensar em construir
Mas ele não sabe, desde cedo, o que é construir.
Dizem mesmo que é milagre que ainda fale comigo
E eu não quis pensar e nem desejo crer que seja tarde.

Não há liberdade humana total se houver, ainda que seja
Um único escravo mental ou físico pelos campos da vida
E não há a real tentativa de buscar mudanças
Quando o ser se encastela, dando-se à falsa impressão do longe
Sem ouvir, sem falar, sem sentir…

Minha filha canta, enquanto estuda; ela o excluiu do MSN, do Orkut.
Passada de vergonha, não posso lhe pedir piedade; ela o respeita.
Às vezes o possível é tão mais inferior do que o necessário
E, saltar incólume uma imensa fogueira não é igual a se livrar
Da sensação de saber da destruição promovida pelo fogo.

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