UM TEXTO DE GIULIO SANMARTINI

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PENSE EM UM ABSURDO

O político e imortal acadêmico Otávio Mangabeira (1886/1960) dizia sobre seu estado: “Pense em algum absurdo e ele já aconteceu na Bahia”.

O absurdo migrou da Bahia para o Ceará. No país compram-se e vendem-se votos como se tudo fosse uma barraca de feira, mas muitos dos que se elegeram com votos comprados tiveram seus mandatos casados, portanto esse comércio é uma atividade perigosa.

A pequena cidade de São Bernardo, a 360 km de Fortaleza, elegeu para prefeito Tomas Brandão Junior (PMDB – foto) que logo mostrou de forma incontestável ser um peemedebista autêntico, e entrou direto no mais deslavado nepotismo. Nomeou a mãe, dona Simone Brandão, como chefe de gabinete, a esposa Daniela Brandão, na secretária das Finanças e o primo, Hudson Brandão, como procurador-geral do município.

Até aí nada de esdrúxulo, mas depois que o PT cearense lançou nacionalmente os dólares verdadeiros na cueca, o PMDB do Ceará nos ensina como um real falso pode gerar um voto legítimo. Um primor de invenção, digno de encher de orgulho e inveja, mesmo aos mais processados do partido.

É isso aí mesmo, o preito atual comprou votos com notas de R$ 10 e 100 falsas, todavia, por incrível que pareça, tecnicamente ele não poderia ser acusado por abuso do poder econômico, pois o eleitor não ganhou nada, só passou um mico, coisa que eleitor brasileiro já está, por demais, acostumado.

A Polícia Federal do Ceará abriu inquérito e diz que vai pedir ao Banco Central para realizar perícia nas cédulas anexadas ao processo pelo Ministério Público Eleitoral e ouvir os eleitores que aparecem em um vídeo.

Mas os feirantes e bodegueiros de São Benedito viraram especialistas em reconhecer dinheiro da campanha de Junior Brandão e não aceitavam as cédulas, de cores berrantes, muito mais bonitas que o dinheiro verdadeiro, nem pela metade do valor.

A PF diz estar investigando o “uso de moeda falsa, para a prática de captação ilegal de sufrágio,” um crime pomposo e assustador mas apostamos que ninguém será punido.

Vai ser muito difícil ligar o atual mandatário municipal ao dinheiro falso, os eleitores acabarão sendo incentivados a negar o dito, com uso de moeda legítima, as cédulas falsas foram apresentadas pela oposição, que teria que provar quem foi o distribuidor e o fabricante do dinheiro peemedebista.

Por enquanto os únicos criminosos são os eleitores que tentaram comprar ou compraram com as moedas falsas.

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