Bem-te-vi

Rancho de cavalo é milho,
De cantador é dinheiro!
Quem canta de graça é galo
Pra divertir o terreiro…
De homem que faz gosto a macho
Eu só conheço barbeiro,
Que alisa o freguês na cara,
Passa o pente e bota cheiro.

* * *

Cego Aderaldo

Os que gostam de aguardente
Não devem beber demais,
Que um velho de oitenta anos
Bebendo quer ser rapaz,
E no banho veste a calça
Com a barguilha pra trás.

* * *

Chico Nunes

Tô vendo aqui um mistério
Da divina natureza.
Revelando uma surpresa:
Que a morte é um caso sério!
Vejo aqui no cemitério
Cruz troncha, cruz aleijada,
Cruz velha, cruz empenada,
Catacumba velha e nova
Dando aos cristãos uma prova
Que a vida não vale nada.

* * *

Louro Branco

Tancredo ia ser um show
Mas houve aquela mazela
Quando cortava as virilhas
Dava inflamação na güela
Eu inda estou pra saber
Que putaria era aquela.

* * *

Ivanildo Vila Nova

Radical se transforma em moderado
Se quiser jogar bem no outro time
Ou acopla-se aos moldes do regime
Ou por outra depois tu é cassado
Quando não ele fica deslumbrado
Com mulheres, passeios e prazer
Mordomia, jetom, luxo e lazer
Tudo isso é efêmero, mas ilude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

* * *

Silva Filho

Todo homem se amarra em Mulher
Pois assim nos moldou a natureza
Quando pode se procura por beleza
Mas gostosa, essa todo mundo quer.
Nesse caso a gente age qual chofer
Que abusa da potência do motor
Pé embaixo, sem ligar pra o sensor
Sem brecar naquela curva sinuosa
MULHER NOVA, BONITA E VENENOSA
FAZ O HOMEM SOFRER E SENTIR DOR.

* * *

Zé Galdino

Já vivi meio século de existência,
vejo os anos passando em minha frente,
a matéria está muito diferente,
já cansou e tem pouca resistência,
minha esposa tem muita paciência,
quando deita na cama, nem namora,
quando eu tomo um remédio não vigora,
ao invés de prazer, só sai gemido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

* * *

Rubenio Marcelo

A Cantoria é um hino,
Da mais sublime beleza;
O cantador é a obra
Mais pura da natureza;
Na senda dessa jornada,
A sua pira sagrada
Pra sempre estará acesa.

* * *

Egito Siqueira

Imortal é o poeta violeiro
Que cantou nesse nosso Pajeú
Lourival, Dimas, Jó, Zezé Lulu
Com Xudú mais o Pinto do Monteiro
É Marinho o poeta pioneiro
Que é lembrado em toda cantoria
São José o teu canto é melodia
Com teus versos sozinho subo a serra
Como é bom ser poeta dessa terra
Pra dizer sou do Berço da Poesia.

* * *

Um cordel de Luiz da Costa Pinheiro

ABC da saudade

Ausente de ti querida
Que alegria posso ter
Quanto mais tempo se passa
Suspiro por não ti ver
Tanto tem a tua ausência
Como tem meu padecer

Basta dizer-te que vivo
Nesta cruel solidão
Me lembrando do momento
De nossa separação
Sentindo uma atroz saudade
Dentro do meu coração

Constante sempre serei
Nesta vida até a morte
Pedindo a Deus paciência
Para cumprir esta sorte
Fora de ti mais ninguém
Eu não quero por consorte.

Dentro do meu peito tem
Um cravo com um botão
Murchando por não tiver
Prenda do meu coração
Tua ausência me perturba
Meu peito sente aflição

Eu triste sempre serei
Sem a tua companhia
Sem tu querida não posso
Viver contente um só dia
Em vivermos separados
Meu peito sente agonia

Falando sempre a verdade
Porque não posso negar
Amo-te sempre deveras
Não deixo de te amar
Quando Deus mandar a morte
Deixarei de te amar

Grande coisa é amar
Quando é grande o bem querer
O amor é como o tempo
Não há quem faça-o morrer
Do amor parte a saudade
Para aumentar o sofrer.

Horroroso é se amar
Nem o outro querer bem
O amor é um mistério
Que de muito longe vem
É ele absoluto
Não presta conta a ninguém

Irei sempre te amando
Com mais pura lealdade
Não posso viver ausente
De ti, pois tenho saudade
Serei firme ao teu amor
Até na eternidade

Juro por Deus a verdade
Que hei de ser-te leal
Tuas faces para mim
São um grande cabedal
Serei constante contigo
Até na hora final

Kibutz cheio de flores
Pertinho da beira-mar
Borboletas que doidejam
Venham alívio me dar
Que meu bem está distante
Não pode me consolar

Limeira bela e frondosa
Cheia de lima madura
Fonte d’água cristalina
Onde o poder da natura
Conserva a minha querida
Tão dócil tão linda e pura

Morada que tanto andei
Terreiro que me sentava
Ao lado do meu amor
Quando a lua prateava
Muitas vezes uma canção
No violão entoava

Neste lugar em que vive
Minha alma penalizada
Dando mais de mil suspiros
Por tua face adorada
Pelo teu porte mimoso
Pelo teu olhar de fada

Orando sempre a Jesus
Toda noite e todo dia
Para que tu venhas logo
Me dar repleta alegria
Não tenho amor ao viver
Sem a tua companhia

Pensativo sempre ando
Sem tuas faces querida
Pedindo a Deus que não seja
Minha esperança perdida
Tua ausência me tortura
Não tenho gosto na vida

Quando olho para o lado
Que o meu benzinho mora
Meu peito geme e suspira
Minha alma soluça e chora
Não tenho descanso nunca
Sem tu querida, uma hora

Risonhamente eu te via
No teu lindo casarão
Quando o luar prateava
Numa noite de verão
Tudo isso são saudades
Dentro do meu coração

Saudades muitas saudades
Vivendo de ti distante
Sem tu não vivo no mundo
Satisfeito um só instante
Fora de ti mais ninguém
Eu não quero por amante

Tempo ditoso eu passei
Quando vivia ao teu lado
Estava num paraíso
O meu coração guardado
Hoje distante de ti
Sinto ele amargurado

Unir-me contigo eu quero
Para sempre meu amor
Até na hora da morte
Por ordem do Criador
O amor quando é leal
Não acha competidor

Vai este como lembrança
De nossa eterna amizade
Pedindo a Deus que te dê
Saúde e felicidade
Vivo distante de ti
Dentro de um mar de saudade

Xexeuzinho de coqueiro
Que vive sempre cantando
Vai dar notícia ao meu bem
Que aqui estou penando
A falta de seus carinhos
Vivo sempre suspirando

Ypiranga hino sagrado
Do nosso belo Brasil
Muitas vezes tu cantavas
Com o teu gesto gentil
A voz subia ao espaço
Do horizonte cor de anil

Zombar não zombo de ti
Porque te tenho paixão
Nas letras deste A B C
Te dei minha explicação
Te ofereço meu amor
Guarda no teu coração.

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