MEU NORDESTE

Sair daqui, para que?
Se é aqui que sei sonhar
se foi aqui que cresci
se é aqui que sei morar
se daqui sou oriundo
não tem um canto no mundo
melhor do que meu lugar.

Eu sou um nordestinado
e vim pra ser um lampejo
fui criado com louvor
esperado com desejo
e com paz e louvação
sou rebento do sertão
e luz de meu vilarejo.

O mundo pra mim é vago
quem quiser que perca o tino
se mude, se arrependa
assuma seu desatino
eu mesmo não deixo o canto
de meu chão eu não desmonto
pois é dele o meu destino.

Sou cria de sentimento
faísca de invernada
sou lavoura verdejante
sou o fio de uma enxada
sou grito de seriema
gritando neste poema
pro resto da passarada.

Nordeste meu chão querido
me fizeste filho teu
provaste as minhas forças
e o que foi que sucedeu
sou mais um filho do norte
altaneiro, firme e forte
pois o fraco em mim morreu.

Me botaram um peitoral
de gibão eu fui vestido
um par de luvas nas mãos
cinturão largo e comprido
com rabiscado de mouro
me deram um chapéu de couro
e com ele fui ungido.

Pergunto: sair pra que?
Se aqui é o meu lugar
se aqui eu sei sorrir
se aqui eu sei brincar
e é como cabra da peste
qu’eu amo esse meu Nordeste
que bem faz me arrepiar.

Seu moço! Vou lhe dizer:
aqui não tem quem proteste
no inverno a flor se abre
no verão tudo é agreste
arribaçã vai-se embora
e é nessa bendita hora
que eu pastoro meu Nordeste.

* * *

Este pequeno texto concorreu ao Concurso na festa do Maior Cordel do Mundo lá de Caruaru.

Pelo que Hérlon Cavalcanti me reportou, dos 52 textos fiquei com o oitavo lugar.

O mais importante foi participar de uma festa dessas. É de nossa natureza!

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