OLHA A RIMA!

vsc

Ano passado, quando o Vasco da Gama enfrentou tremendo revertério, tanto na iminência de cair para a Segundona, e depois desse doloroso fato consumado, enfrentei mais de um mês de gozações diárias neste JBF, onde os chargistas foram impiedosos, cruéis, implacáveis com o nosso sofrimento.

É assim mesmo. Tivemos que agüentar. Tivemos que arrostar! Para isso é que existem a vitória e a derrota, nem todos podem ganhar sempre, há os dias da queda, o que dá pra rir, dá pra chorar, dependendo do ponto de vista, do lado em que nos encontramos. Cadê o espírito esportivo?

Mas eu esperava um procedimento igual dos chargistas e gozadores quando o Vascão começasse a alevantar a cabeça, a emergir da escuridão, a aflorar do fundo do poço no qual despencou.

Não foi o que vi quando detonamos o Botafogo, Campeão da Taça Guanabara, pelo fragoroso placar de 4 x 0. Nem um tchum!

E sobre a histórica vitória no domingo passado? Nadica de nada!

E foi mesmo uma chocolatada histórica!

Com o Maracanã lotado, 73.371 pessoas, para ser exato, a cor rubro-negra dominando o ambiente, centenas de faixas alusivas às Vice-lideranças antigas e à Segunda Divisão em que os cruzmaltinos ora se encontram e, o que mais assustou: dezenas de milhares de placas de mais de metro de altura, com o número dois. Essas placas dominaram toda a arquibancada. Como se os rubro-negros estivessem o tempo todo a relembrar-nos dos nossos fracassos, mas, paradoxalmente – assim interpretei – a pedir: Vasquinho, mete de dois!

E foi o que o Vascão fez: 2 x 0 incontestáveis! Quebramos um jejum de mais de dois anos!

Até agora, repito, nenhum dos artistas deste JBF registrou a façanha! Cadê o tão propalado espírito esportivo?

Quando eu ainda vivia no Nordeste, matriculei-me num Curso de Carioca, por correspondência, para aprender aquela malandragem, aquela ginga, aquela presença de espírito, aquela malemolência que só os nascidos no Rio de Janeiro sabem ter.

É de nascença. Tão de nascença que eu, embora aprovado e diplomado, jamais bolaria uma gozação igual a esta que os vascaínos saíram cantando pelas ruas e nos ônibus depois do jogo, parodiando um maxixe do compositor/cantor Dicró:

Olha a rima
O negócio é rimar
Olha a rima que dá, olha a rima
O negócio é rimar
Perigosa é a rima que dá

Hoje no Maracanã
Quebrou-se um grande tabu
Bacalhau serrou de cima
Urubu tomou no (olha a rima!)

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