10 MOTES BEM GLOSADOS

Zé Viola glosando o mote:

Desperta o vaqueiro ouvindo
O canto da passarada

Acorda de manhã cedo
Arruma peia e cachilhos
Ordenando os seus filhos
Revelando algum segredo
Pisa salsa e pé de bredo
Dá passeio na aguada
E a mãe pra filharada
Vai um cuzcuz repartindo
Desperta o vaqueiro ouvindo
O canto da passarada.

* * *

Glauco Mattoso glosando o mote:

AONDE EU BOTAR OS PÉS
CEGO NÃO BOTA O FOCINHO!

Mais reles dentre as ralés,
Do cego a raça descamba!
Quem enxerga lhe diz: “Lamba
Aonde eu botar os pés!”
Assim sofro, desde os dez,
Quando, na marra, engatinho,
Chupo paus, provo sebinho…
Não há, pra quem vê normal,
Sola suja sob a qual
Cego não bota o focinho!

* * *

Antonio Lisboa e Edmilson Ferreira glosando o mote:

Você tem tanta frescura
Que qualquer pessoa nota

Antonio Lisboa

Você diz que muriçoca
Não pousa na sua sombra
Formiga preta lhe assombra
Cavalo-do-cão lhe choca
Pra pegar numa minhoca
A mão direita não bota
Só pega com a canhota
E se a minhoca for dura
Você tem tanta frescura
Que qualquer pessoa nota

Edmilson Ferreira

Respeito você exige
Mas pinta os pêlos de louro
Fala que derruba um touro
Mas com barata se aflige
Na rua ônibus dirige
Em casa fogão pilota
De dia é Tonhão da Frota
De noite é Zé Tanajura
Você tem tanta frescura
Que qualquer pessoa nota

* * *

Louro Branco e Zé Cardoso glosando o mote:

Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia

Louro Branco

Rapaz que tem companheira
Não leva Salve Rainha
Mas leva uma camisinha
Escondida na carteira
Tira a roupa da parceira
Mama chega o peito esfria
Chupa na língua macia
Como quem chupa confeito
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia

Zé Cardoso

Vi um casal na calçada
Ela com ele abraçado
Ele na boca colado
Ela na língua enganchada
Uma velha admirada
Dizia: “Vixe Maria!”
E com tristeza dizia:
“Eu nunca fiz desse jeito”
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia

* * *

Severino Feitosa glosando o mote:

Quem não pediu pra nascer
Não deve ser castigado

Aquele que pinta o sete
E desfila na avenida
Cheirando a cola perdida
Porque é o seu escrete
Quem encontrar um pivete
Na esquina do mercado
Não entregue a um soldado
Lhe dê um pão pra comer
Quem não pediu pra nascer
Não deve ser castigado.

* * *

Valdir Teles glosando o mote:

Tudo eu sei ninguém me ensina

Faço disco pra trator
Fabrico foice e machado
Sei fazer lâmina de arado
E roda pra cultivador
Forrageira pra motor
Coronha pra lazarina
Cerca de escora e faxina
Carro de boi e carroça
Sobre os trabalhos da roça
Tudo eu sei ninguém me ensina.

* * *

Raimundo Caetano glosando o mote:

Deus fez tudo tão bem feito
E o homem quer desmanchar

Deus fez a relva sombria
Fez do tatu à burguesa
No campo da natureza
A mais bela ecologia
Mas o homem de hoje em dia
Não lhe procura zelar
Está poluindo o ar
E pondo resíduo no leito
Deus fez tudo tão bem feito
E o homem quer desmanchar.

* * *

Gilmar Leite glosando o mote:

Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor

Quando a mão que derrama sutileza
Solta pingos de água num jardim
Cada pétala se abre dum jasmim
Num sorriso de dúlcida pureza.
Uma essência se exala com leveza
Dando beijos na mão com seu olor
Perfumando com plácido fulgor
Numa oferta divina do seu lume
“Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor”.

* * *

Geraldo Amâncio glosando o mote:

Não há quem substitua
A mulher que a gente ama.

Ela partiu desde logo,
A outro amor não me entrego
Em ondas de dor navego
Em mar de pranto me afogo
Pra matar o tempo eu jogo
Dominó, baralho e dama;
Porém junto ao meu pijama
Outra não dorme e nem sua,
Não há quem substitua
A mulher que a gente ama.

* * *

Joaquim Crispiniano Neto glosando o mote:

NO ANO QUE FALTA INVERNO
O POBRE SOFRE DEMAIS

É de cortar coração,
os pobres na indigência
e o serviço de emergência
em atraso e confusão
senhor ministro, o sertão
não tá suportando mais
nesses dias nossa paz,
pode tornar-se um inferno
No ano que falta inverno
o pobre sofre demais

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