CANTORIA DE PAPEL

Tivesse eu a vontade
De rimar numa sextilha
Pegaria uma caneta
Faria dela uma milha
Sem saber de qual começo
Seria o fim desta trilha

Digo com a caneta
A extensão do meu braço
Tropeço da minha língua
Que se revela no traço
Sem das palavras fazer
Das cobras o meu abraço

Se faladas de improviso
Três rimas entre seis pés
As narrativas se animam
Idéias viram anéis
Os dedos viram viola
Nos tempos dos menestréis

Escritas em poucas estâncias
Tem mais valor o critério
A eficácia do encanto
É o que faz o mistério
Não adianta ao sisudo
Parecer-se com o sério

Assim, evito a peleja
Deixo a quem é cantador
Que sem qualquer embaraço
Rima com a rima que for
Fazendo dos versos brancos
Versos que mudam de cor

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