Meu caro Luiz Berto,

No livro “Antologia de Cordel” de Ariano Suassuna encontrei esse poema de Leandro Gomes de Barros, o Beco Estreito.

Dar para notar, sou matuto de Amaraji e gosto dessas poesias do dia a dia, da vivência popular.

Segue abaixo, acredito que já a conhece.

R. Meu amigo, isto é o tipo da boa esculhambação poética pra gente ler e se divertir num final de semana.

Mande mais!

O Beco Estreito

Leandro Gomes de Barros

“Qual será o beco estreito
Que três não podem cruzar?
Só entra um fica dois
Ajudando a trabalhar”

Frei Bedegueba dizia
A frei Manssupo em disputa:
Existe uma certa gruta
Onde hei de ter moradia.
Hei de penetrá-la um dia,
Embora quebre o preceito.
Vou penetrá-la direito,
Para a verdade saber,
Pois preciso conhecer
Qual será o beco estreito

Dizem que tem pouca altura
E fica no pé dum monte.
A entrada é uma fonte:
Vou medir sua largura,
Para saber-lhe a fundura
Vou lá dentro mergulhar.
Para me certificar,
Não podendo entrar os três,
Só entra o cabo Pedrês,
Que três não podem cruzar.

Um padre já me contou
Que foi dar uma caçada
E nessa mata fechada,
Viu um bicho e não matou.
De dentro uma voz gritou:
– Padre, dizei-me quem sois?
Podereis entrar depois,
Respondendo ao que pergunto:
Mas dos três que vejo juntos,
Só entra um fica dois.

Um monge de lisa fronte,
Também já contou a mim:
– Já brinquei nesse capim,
Já ressonei nesse monte.
Quase sempre a essa fonte,
Venho eu e mais um par,
Os dois não podendo entrar,
Por serem moles e bambos,
Eu entro só, ficam ambos
Ajudando a trabalhar.

* * *

Parecido com os versos de Leandro, há esses anônimos. Esses são dos meus tempos de cortador de cana lá em Pernambuco antes dos meus dezoito anos.

QUE BICHO É ESSE?

Autor: Anônimo

Reside em uma forquilha
Um bicho preto e papudo
Meu amigo eu só cuido
Que esse bicho tenha magia

É feito sem serventia
Tem uma boca vertical
No meio tem um sinal
Que é um pouco saliente

Tem catinga permanente
E um tamanho natural
Tatu sei que não é
Pois o bicho é cabeludo

Se come com pelo e tudo
Pode raspar se quiser
Também pode comer em pé
Querendo pode chupar

É salgado sem ter sal
Nem é peixe nem verdura
Conserva-se a uma altura
De qualquer um alcançar

Ele é um tanto lesmento
Tem visgo de bacalhau
Se alimenta de mingau
Engorda e fica sebento

Vive abrigado ao relento
Mesmo assim é resfriado
Ele sendo bem lavado
Fede menos mas não cheira

Faz a barba e tem coceira
Dar prejuizo a barbado
Dormida só pra casal
Quem vir atrás que se amole

Comida dura ele engole
E mole não quer aceitar
É aconselhável ir de frente
Mas por trás da pra acertar

10 Comentários

Deixe o seu comentário!


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa