31 janeiro 2012 DEU NO JORNAL

GINASTA MEDALHA DE OURO

Em Cuba, Dilma diz que violações de direitos humanos ocorrem em “todos os países” e que quem ”atira a primeira pedra tem telhado de vidro”.

* * *

Se alguém tinha ainda alguma dúvida sobre se Dilma lia ou não o JBF, agora não terá mais dúvida alguma.

Ela lê todos os dias e segue religiosamente os exercícios de Contorcionismo Explicatório do Inexplicável e de Ginástica Defensória do Indefensável que são ministrados por aqui.

Esta declaração sobre os direitos humanos na visita a Cuba é uma prova irrefutável de que ela absorve muito bem o ensinamentos dos comentaristas vermêios fubânicos.

Uma gracinha, uma fofura!!!

Presidenta Dilma acessando o JBF bem cedinho, logo após mijar e escovar os dentes, e antes de ir para o Palácio do Planalto; ela lê e decora todos os contorcionismos dos fubânicos guvernistas que postam comentários nesta gazeta da bixiga lixa; a Dama da Tabaca de Aço está entre os 3.349 leitores fubânicos residentes em Brasília

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

IOTTI – ZERO HORA

31 janeiro 2012 DEU NO JORNAL

SAUDADES DE JIMMY CARTER

Ricardo Noblat

O que a militante política de esquerda Dilma Rousseff deve ter pensado quando Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos entre 1977 e 1981, começou a criar dificuldades para a ditadura militar brasileira cobrando mais respeito aos direitos humanos?

Ela exultou com a postura de Carter? Ou por acaso o censurou pensando assim: “Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro”, convencida de que “não é possível fazer da política de direitos humanos apenas uma arma de combate político ideológico contra alguns países”?

Ou foi ainda mais longe e tascou: “O desrespeito aos direitos humanos ocorre em todas as nações”, inclusive nos Estados Unidos. Logo… Logo Carter deveria levar em conta que o respeito aos direitos humanos “é algo que temos de melhorar no mundo de uma maneira geral”?

Na época, Carter chegou a despachar sua mulher para uma viagem ao Brasil. Aqui, ela se reuniu com o  presidente Ernesto Geisel e interrogou-o sobre denúncias de torturas e de desaparecimento de presos da ditadura. Foi um momento de humilhação para o general. E de conforto para quem a ele se opunha.

Tudo o que imaginei que a militante Dilma (vulgo Estela ou Vanda) poderia absurdamente ter pensado a respeito da intervenção de Carter em assuntos internos do Brasil foi dito ontem pela presidente Dilma Rousseff em visita à Cuba, onde vigora a ditadura dos irmãos Castro desde janeiro de 1959.

Os dissidentes cubanos torceram por uma atuação de Dilma que lembrasse a de Carter no passado, quando ele decidiu puxar o tapete de algumas das ditaduras apoiadas por seu país. Na verdade, Dilma nada tem a ver com Carter. Mas pelo menos poderia ter sido menos amigável com uma ditadura do que foi.

Essa história de não se meter em assunto de outro país é um falso dogma. Se países põem em risco a segurança do mundo ou violam princípios e valores universalmente aceitos, é compreensível que sejam criticados pelos demais. E até boicotados em casos extremos.

Lula achou que o Brasil deveria romper relações diplomáticas com Honduras quando o presidente Manuel Zelaya foi derrubado pelo Congresso, detido pelo Exército e em seguida deportado. Zelaya voltou escondido ao seu país e se abancou na embaixada brasileira. Fez dela seu bunker com a concordância de Lula.

O eclipse da democracia em Honduras durou pouco tempo. Em Cuba se arrasta há 53 anos.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

MÁRIO – A TRIBUNA DE MINAS

31 janeiro 2012 DEU NO JORNAL

AMIGA DA ONÇA

No Haiti, onde chega na quarta, Dilma vai oferecer os serviços do Ministério da Saúde para tentar construir no país mais pobre do continente um sistema de atendimento tipo o nosso SUS.

* * *

Se o Haiti já era um país fudido, agora, adotando o atendimento do SUS brasileiro, vai se tornar um país fudido e meio.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

HUMBERTO – JORNAL DO COMMERCIO

31 janeiro 2012 INDEZ - Ésio Rafael


SERTÃO, SEM FANTASIA

Meu caro Luiz Berto:

Agora me dirijo ao escritor. Rapaz, eu sou de Sertânia, com todo sentimento de um sertanejo do Moxotó, da vegetação rasteira, da poesia popular, do poder da palavra improvisada, e mais outras coisas históricas responsáveis pela nossa composição física e intelectual.

Pois bem, nesse vai-e-vem constante entre Sertânia e Recife, lá se vão mais de quarenta anos. Meu motor é 6.3. Caro escritor, eu estou muito à vontade para falar da minha região, da minha própria casa, e tenho todo o direito. Então, isso significa dizer que conheço praticamente todo o rango e bebidas alcoólicas do caminho, durante esse tempo todo.

Não há mais um queijo de coalho que preste, principalmente depois que aboliram o uso do abomaso do bode ou do mocó, no processo de fabricação. Agora é um pozinho químico. Mas, tudo bem. Tem outras coisas mais limpas, pelo menos. O queijo de coalho está cada vez mais difícil. É uma “borracha” fedorenta que você coloca na frigideira, ele fofa, incha, e se acaba ali mesmo. Não tem gosto de nada! Lembro-me da minha infância, na casa de Madrinha Dudu, em Pesqueira, que quando dona Alzira me levava pra lá, três horas da tarde, saía uma “farofa de queijo de manteiga”, direta da Fábrica, aquela raspa quentinha saborosa, derretia-se na boca.

Hoje, transitando por Sanharó, você passa obrigatoriamente, por vários pontos de revendas desses produtos, de várias origens da redondeza. Não tem um que preste. Você compra porque faz parte do ritual, para dizer aos amigos que aqui ficaram: – Eu trouxe queijo do Sertão (com a boca cheia), eu mesmo já fiz isso. A “farofa de queijo”, de péssima qualidade, parece mais um punhado de massa de cuscuz crua, melada com margarina (pelo menos em relação à farofa que falamos supra).

O “queijo de manteiga”. Ave Maria! Só tem batata. Quer dizer, na medida em que o cabra vai enricando, vai enfraquecendo o produto, aumentando o negócio e ficando com “o olho grande”.  Sabemos que isso acontece em todas as instâncias, mas estou falando da minha. 

Antes de chegar em Sanharó, nos locais de revenda desses produtos, do lado direito no sentido de quem vai daqui do Recife. Tem uma “Santa”, gorda, feia, mal feita que, pela qualidade do trabalho do artista que a confeccionou, ela deve ser a protetora dos queijos de coalho, e de manteiga da região. Sugerimos até que haja um contato para um possível caso amoroso, entre ela e outra Estátua, a do Bandeirante: Borba Gato, localizada no bairro de Santo Amaro, São Paulo, capital.

Verdade também que, por exemplo, carne não pode ser falsificada, mas o cidadão ainda vende carneiro por bode, pra não “perder a viagem”.  Embora que por aqui, na metrópole, há quem venda cachorro por bode. Fica peixe!

Pois é meu caro Luíz Berto, essa visão exótica do sertão não cabe mais. Aliás, algum sertanejo como eu poderá dizer:  êpa caboco! Eu sei onde tem queijo de coalho bom no sertão. Claro, “toda regra tem exceção”. Né pra rimar? Luíz Gonzaga já previa mudanças nos quadros sertanejos quando cantava: – Você precisa conhecer a terra boa, você precisa conhecer o Moxotó. Pra ver um cabra entrar no mato encourado, derrubar touro amontado… Pegar “cobra” e dar um nó. Hummmm.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

PELICANO – BOM DIA SP

REFLEXÃO CAIPIRA (VIII)

“Qui bunita fulô do mato “quié ocê”

“infeita”  pasto    “prefuma”  os “campo”

“fromosa  visage” pra num  “isquecê”

“divera pudê iscuiê”   esse  canto

“acá ficá, inté  dispôis qui  morrê”!

(dedicado a irmã Glória)

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

SANTO – CHARGE ONLINE

A MALDIÇÃO DA VIDA

Basta pensar nas drogas para se ligar na criminalidade. Como um assunto puxa o outro, realmente existe relativa associação entre a explosão do consumo de entorpecentes, a popularização das drogas, a desmoralização da sociedade e a autodestruição das pessoas.

As alterações que as substâncias químicas, naturais ou sintéticas, de efeitos puramente alucinógenos, causam no cérebro dos viciados, modificando as funções orgânicas, é uma questão lógica.

Como é nociva ao homem em virtude de causar dependência, a droga é proibida por lei em alguns países. Mas, como movimenta cerca de 500 bilhões de dólares, entre a produção e o consumo, a droga é uma mercadoria altamente valorizada no mercado negro. O universo de simpatizantes é calculado em torno de 2,3 milhões de pessoas no mundo.

Foram as prostitutas europeias que tomaram a iniciativa de implantar o tráfico internacional de drogas na década de 1970. Parece que estavam adivinhando os sintomas da crise econômica mundial que explodiria tempos depois.

Cansados de enfrentar cruéis combates na impopular Guerra do Vietnã, sem resultado, os soldados norte-americanos massificaram o uso. Tornando os Estados Unidos, seguido da Europa, como os maiores mercados consumidores.

Diante do complexo problema, as opiniões se dividem. Em Portugal, somente os produtores e traficantes são condenados à prisão. Na Suécia, o consumo de droga é considerado crime. A cadeia é a punição. Na Holanda, a maconha pode ser consumida em espaço reservados. Porém, o tráfico na rua é proibido e punido.

No Brasil, a legislação não define quem é usuário ou traficante. O que prevalece na maioria das vezes é apenas o testemunho da polícia no flagrante. Considerando o local da apreensão, a natureza e a quantidade da droga encontrada.

Talvez aí esteja a razão do inchaço da população carcerária no Brasil. A causa do número de traficantes presos ter crescido em mais de 160% no espaço de 5 anos.

Não definir as causas e as soluções para a terrível epidemia de consumo. Não encontrar resposta para identificar quem é o mais influente na história. Se o traficante ou o viciado. Se a oferta excessiva de droga é fruto da intensa procura. Também não é uma medida justa em função de vários fatores.

A pobreza, a pouca instrução, o desemprego para os favelados, o desejo de fuga para quem tem a mente perturbada, a busca de sensações fortes e alucinógenas e a impotência para coibir o uso, são os verdadeiros motivos para induzir também o jovem rico e os famosos na manutenção do vicio. Conservá-los neste tipo de comércio ilegal.

As autoridades estão confusas na definição da política de repressão ao narcotráfico. Enquanto o Supremo Tribunal Federal quer descriminalizar o consumo do crack por não julgar crime.  Mas tão somente um direito de escolha. O Congresso, por falta de definição, vive embaralhado na discussão de quatro projetos com finalidades para punir também com prisão o usuário de maconha.

Mas, até os indecisos parlamentares aprovar a decisão, muitas pedras de crack vão continuar rolando no país, fazendo a riqueza ilegal circular. Para satisfação dos traficantes.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO

ROGÉRIO ANDRADE – RECIFE-PE

Parabéns ao JBF por contar com a valiosa colaboração do grande jornalista, escritor e historiador Leonardo Dantas Silva.

Autêntico pernambucano,que além do sólido conhecimento que acumulou ao longo do tempo, ainda continua na batalha em defesa dos nossos verdadeiros valores culturais.

R. O Professor Leonardo Dantas fatalmente teria que vir parar aqui no JBF, reduto de malassombrados. Quem quiser saber um pouco mais sobre este pernambucano, basta dar uma passadinha nas páginas Nordeste.com ou Pernambuco A a Z.

Vou aproveitar sua carta pra dizer o seguinte: fico ancho que só a porra com o time de colaboradores desta página escrota, cada um mais talentoso que o outro. No caso do Bispo Leonardo, sempre que a seção “Esquina” vai ao ar, ele remete pra toda sua lista de amigos, composta em sua maioria por pessoas influentes, grandes intelectuais, artistas, jornalistas e gente de alto nível, uma pequena mensagem informando sobre a publicação de sua coluna. Ontem, segunda-feira, por exemplo, ele distribuiu este aviso com sua lista:

Estou dizendo isto pela seguinte razão: embora eu tenha muito orgulho dos meus colunistas, parece que nem sempre a recíproca é verdadeira. Enquanto o Bispo Leonardo alardeia que sua coluna é publicada no Jornal da Besta Fubana, existem pelo menos dois casos onde os colaboradores aparentam ter vergonha do JBF e simplesmente “apagam” o fato de que escrevem pra esta gazeta da bixiga lixa, quando se comunicam com o mundo lá fora. Num me pergunte o motivo que eu não sei. Quer dizer, tenho algumas desconfianças. A Papisa é que fica arretada e vive repetindo, completamente emputiferada, que a condição de existência das colunas e a existência, antes, do JBF. Claro. Quem usa a razão sabe disso. Mas eu não esquento a cabeça e levo numa boa. Aprendo mais um pouco sobre a natureza humana.

Mas isto é a conversa pra depois. Prometo a você que contarei tudo em breve futuro. Tem detalhes incríveis, garanto.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

AROEIRA – O DIA


http://geleiageneral.blogspot.com
CONSIDERAÇÕES SOBRE A HOMEOPATIA

Um dos principais equívocos alimentados em relação à homeopatia, é confundi-la com a medicina de ervas (fitoterapia).

Essa confusão, no entanto, é facilmente explicável: enquanto a fitoterapia utiliza-se apenas do reino vegetal, a homeopatia é muito mais ampla, utilizando-se dos reinos animal, vegetal e mineral.

Além do mais, a homeopatia também faz uso dos nosódios, que são remédios elaborados a partir de partes e secreções dos próprios organismos doentes (humanos ou animais).

Assim, por exemplo, temos a tuberculina, um medicamento que é feito a partir do próprio escarro do doente e que tem uma atuação muito eficaz no combate da tuberculose e de algumas espécies de alergias.

Um outro exemplo: a homeopatia pode valer-se dos próprios remédios alopáticos para elaborar as suas substâncias, como, por exemplo, o gardenal. Nem sempre, porém, a atuação do novo medicamento obtido será na mesma esfera do remédio alopático original (segundo o Dr. José Laércio do Egito, o medicamento obtido a partir do gardenal, por exemplo, presta-se muito bem a combater alguns tipos de alergias).

Uma outra questão que povoa o imaginário das pessoas que questionam a homeopatia, diz respeito a ação lenta do remédio homeopático sobre os organismos doentes. Nada mais falso. O remédio homeopático age com rapidez desde que tenha sido escolhido acertadamente.

A grande diferença é que, na homeopatia, não existem procedimentos padrões. O remédio é individualizado e busca-se atuar de forma ampla sobre o desequilíbrio orgânico da pessoa. Ou seja, a homeopatia visa curar o doente e não apenas a doença.

Assim sendo, cabe à sensibilidade do médico homeopata a percepção do remédio correto, que corresponderá à soma dos sintomas experimentados pelo doente e que atuará, de forma adequada, sobre o organismo desequilibrado.

Uma outra questão interessante, ainda, diz respeito às dinamizações dos medicamentos. Assim, o mesmo remédio homeopático pode ser utilizado em diversas diluições, cada uma com uma forma de atuar diferenciada. Nas dinamizações mais alta, desaparecem as características químicas das substâncias restando apenas a influência energética (que Hanneman, o pai da Homeopatia, chamou de força vital). É essa força energética que atua no processo de cura.

Dentro da medicina homeopática, existem diversas correntes e concepções, cada qual com a sua maneira característica de atuar.

Os unicistas, por exemplo, acreditam que deva ser ministrado um único remédio, o qual deverá atuar de forma decisiva sobre toda a sintomatologia do doente e sobre todas as formas de manifestação da doença.

O Dr. Roberto Costa, médico homeopata carioca já falecido, no entanto, mencionava nos seus livros a prática do que ele chamava de homeopatia tridimensional, com um remédio de baixa dinamização atuando sobre os sintomas agudos; um remédio de média dinamização atuando sobre os sintomas que já se encaminham para a cronicidade, e um remédio de alta dinamização, o qual corresponderia aos sintomas crônicos e seria, também, o remédio que atuaria sobre a constitucionalidade do doente. Essa também era a forma de atuar de Ambrozino Cruz, que durante muitos anos foi o decano da homeopatia em Pernambuco. Mesmo sem ser médico, era um profundo conhecedor da matéria e atendia a todos que o procuravam, sem distinção, na sua residência no bairro de San Martin. Autodidata, interessou-se pela homeopatia ao contrair impaludismo, na juventude. Falando fluentemente inglês, francês, alemão e indiano, mantinha-se constantemente atualizado. Falecido em 1997, deixou uma grande lacuna na homeopatia pernambucana.

Para finalizar, seria interessante frisar que a homeopatia combina com uma forma de vida despojada. Nesse mundo complexo, em que vivemos, onde os aditivos alimentares, as ondas eletromagnéticas, as radiações nem sempre benéficas dos equipamentos domésticos exercem uma influência deletéria sobre os nossos organismos, exercitar a simplicidade pode ser muito mais saudável do que imaginamos.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO

JOGO DURO

O treino de Capoeira corria normal, jogavam Benguela, rasteiro, estudado, cuidadoso. Parecia uma dança – como era para parecer. Às vezes lembrava movimento de siris na praia, indo e vindo. Ou como as ondas do mar correndo pela areia e deslizando rápido de volta, sinuosamente. Um jogo de gato e rato. Difícil descrever.

A roda, formada como no tempo dos escravos, atrapalhava a visão dos que estavam de fora, enquanto os que a formavam, vestidos de calça branca, amarrada na cintura por cordas de cores diferentes conforme o adiantamento dos jogadores, batiam palmas e cantavam.

Em curtos intervalos os capoeiristas se revezavam, todos queriam participar. Iniciavam fazendo cumprimentos e orações aos pés do berimbau principal e entravam na roda dando cambalhotas.

Em dado momento, o berimbau mudou seu som, tornou-se mais rápido, atabaque e pandeiro ficaram mais frenéticos, os outros berimbaus acompanharam a agitação e as vozes entoaram uma canção que mencionava São Bento Grande.

Os ânimos explodiram, os movimentos tornaram-se vertiginosos,  os lutadores competiam mais eretos, girando as pernas como se tentassem atingir um ao outro em alta velocidade.

A roda parecia estimular os lutadores a aumentarem sua agressividade. E assim foi que alguns golpes, antes apenas ensaiados, passaram a atingir o alvo.

Em um confronto em que os corpos se aproximaram, tanto que se tocaram, um deles com uma rasteira derrubou o seu oponente no chão e anulou-o.

O derrotado sentiu-se humilhado, seu semblante denotava isso claramente, enquanto davam a volta ao mundo – um intervalo em que os lutadores andam em círculos por dentro da roda, aguardando o chamamento para o reinício dos combates.

Esse reinício foi regido pelo sangue quente: o que se sentiu humilhado partiu para cima do seu adversário, procurando combate verdadeiro, luta real.

Era uma briga de verdade que se iniciava.

Foram imediatamente separados. O  que comandava a roda e que era quem tocava o berimbau principal chamou a atenção dos dois: que jogassem Capoeira, que soubessem ganhar e perder, e que tivessem em mente que o lutador uma hora ganha e outra perde, um dia bate e no outro apanha,  ora vence algum adversário e outra vez é derrotado pelo mesmo ou por outro.  Era preciso aceitar de cabeça fria a vitória e o fracasso. Essa era uma lição da Capoeira para a vida.

Os dois combatentes se entreolharam de cabeça baixa, muito sérios.

Se abraçaram, algo constrangidos

Pareciam ter compreendido os ensinamentos que acabavam de ouvir.

Mas naquele dia não foi mais possível continuar a roda da Capoeira.

Porque era São Salvador

E era Bahia.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CORREIO DO POVO

31 janeiro 2012 A HORA DA POESIA

MINHA VIOLA MORENA – Judas Isgorogota

Morena, vá lá no quarto,
me traga a viola aqui;
quero-a com todas as fitas
que esvoaçando parecem
as asas de um bem-te-vi;
quero-a deitada em meu peito,
as suas cordas cantando
as mágoas que já senti…

Minha viola morena
tem corpo de mulher-dama,
tem gosto de sapoti,
tem cheiro de madrugada,
gemidos de juriti…
Morena, a minha viola
é o coração amoroso
que tenho plantado aqui…

Morena, a minha viola
é caipirinha dengosa;
se tu tens ciúme dela,
minha viola, morena,
não tem ciúmes de ti…

Ela se deita comigo,
comigo sonha e padece,
comigo pita e se afina
com um trago de parati…
Morena, a minha viola
é a mais mulher que já vi…

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA

CHICO PEDROSA E A MOÇA DO CACHORRO DOIDO

Chico Pedrosa, um vendedor de sonhos

Viajar ao lado de Chico Pedrosa é viajar pelo Brasil através da sua ambulante alma.

As suas muitas e engraçadas histórias, fazem com que os quilômetros passem impercepeptíveis e as distâncias diminuam.

Não é por acaso que divido com ele, sempre que posso, viagens que faço  pelas “terras do sem fim” da Paraíba do Norte, berço meu e dele também.

Chico é um cidadão do mundo, (pelo menos do mundo do Nordeste do Brasil, do nosso mundo) .

A  profissão de vendedor, e hoje de poeta popular, lhe levaram para os quatro cantos desse país que ele conhece como poucos.

Outro dia, íamos eu e ele pra Limoeiro, quando eu puxei o assunto de trem, um tema que me fascina até por que nunca entrei num deles.

- Chico, tu já deves ter andado muito de trem. Alguma história?

- Tem sim. Uma vez eu peguei o trem em Sertânia, com destino a Serra Talhada, eu moço e bem parecido, notei que uma moça até jeitosa olhava pra mim no banco do lado. Me levantei, encostei e puxei conversa. “- Tá vindo de onde?”

- Do Recife, vou pra Mirandiba. Tô vindo do hospital.

- Algum parente  doente?

- Não, era eu “merma”.

- Doente de quê?

- Mordida de cachorro doido, tô tomando injeção no bucho.

- Mas, ficou sentindo alguma coisa ?

- Não, só uns arrepios na lua nova.

- Vige Maria!!!

- Bora pra Mirandiba?

- Posso não nêga, vou descer aqui em Custódia.

(Te dana, vai morder outro!!!)

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU

31 janeiro 2012 DEU NO JORNAL

FABRICAVA E COMIA MOEDAS

O presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, foi demitido no sábado por receber propina de fornecedores do órgão via duas empresas no exterior em nome dele e da filha.

A exoneração do servidor, indicado para o cargo pelo PTB em 2008, foi publicada ontem no “Diário Oficial da União“. Ela ocorre após ter chegado à Fazenda informação de que a Folha preparava reportagem sobre o caso.

Denucci confirma a existência das empresas.

* * *

O guabiru que dirige a Casa da Moeda recebendo moedas… Faz sentido… Tudo faz sentido neste gunverno. E a coerência é a nota dominante do Socialismo Muderno.

Quer dizer que bastou “informação de que a Folha” havia descoberto a maracutaia pro gunverno demitir o cabra???!!!

Podem juntar TCU, CGU, Polícia Federal, ABIN, FBI, CIA, KGB e Mossad que não dá nem a metade da eficiência investigatória da imprensa denuncista e sem controle social.

Não há como negar: ao contrário de tempos recentes, Dilma dá ouvidos e valor ao que sai na mídia golpista e enfia a pica no furico dos que fazem “malfeitos”. Esta é a vantagem de termos uma presidente alfabetizada e que não sente azia ao ler o noticiário do dia.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA

JOE BASS – BRUXELAS – BÉLGICA

A Sua Santidade, Papa Berto,

Tashi Delek!

Em recente visita ao Tibet, resolvi escrever esse testículo para o JBF contanto um pouco de minhas impressões recolhidas durante os dias nas quais tive o privilégio de compartilhar a vida do sofrido povo tibetano que vive sob a “maravilhosa liberdade” ofertada pelo maravilhoso partido comunista chinês. Vossa Santidade, caso se interesse por publica-lo, pode editar, cortar, aumentar, diminuir ou simplesmente ignora-lo por ser muito extenso aos padrões de outras publicações aqui presentes ou para não atiçar ainda mais os furiosos “vermêios” e dificultar os merecidos subsidios publicitários de estatais governosas.

Certamente, esse breve texto não trará luz para a militância rubro-sangue que tanto ama o bem-estar dos oprimidos úteis à causa (palestinos, cubanos, sem teto, sem terra, sem buça, etc) mas trará um pouco de discernimento àqueles que amam a liberdade individual, a livre expressão de idéias e o direito à manifestação cultural e religiosa.

R. Fique tranquilo, meu caro fubânico: o texto será publicado na íntegra, do jeito que você mandou, com as fotos e os vídeos que você mesmo editou e legendou.

Não foram feitos retoques, correções ou revisões, como é de costuma no JBF. Tá do jeitinho que chegou aqui.

E é assim que repasso pros nossos leitores. Espero que eles gostem e se deliciem tanto quanto eu.

Vejam:

Começa assim:

Todos os anos, eu e minha patroa, Isabelle,  abdicamos do conforto e do calor de nosso lar e rumamos em direção às cordilheiras do Himalaia para praticar nosso passatempo predileto: o Trek e a escalada em grandes altitudes.

Normalmente fixamos nossa base na apaixonante e atribulada Kathmandu, capital do Nepal,  de onde partimos rumo à cadeia de montanhas dos Annapurnas, do Everest ou passamos dias em expedições de trek pelo reino proibido do Mustang, Teraï ou Butão.

No final do ano passado, resolvemos que após quinze dias embrenhados nas longínquas trilhas que nos levaram ao campo de base dos Annapurnas, emendamos um Trek ao campo base do Everest pela face norte da mística montanha, situada em território tibetano.

Partimos de jipe de Kathmandu em direção ao Tibet e durante os dez dias de viagem até sua capital, Lhasa, pudemos testemunhar a difícil condição de vida deste povo que povoa uma região inóspita do planeta, oprimido pela ocupação chinesa e ignorado por boa parte das organizações dos direitos dos manos.

Durante as longas horas de estrada que nos separavam de Kathmandu e da fronteira tibetana, tivemos um longo “debrifing” com nosso guia nepalês que nos acompanhou até a “Ponte da Amizade”, pequena ponte que separa o Nepal do Territorio Autônomo do Tibet (leia-se: China). Em suma, não podíamos portar absolutamente nada que fizesse alusão ao Tibet livre, ou seja, nada de camisetas “Free Tibet”, nada de livros ou prospectos que estampassem a foto de Tenzin Gyatso, o 14° Dalai Lama e inimigo mortal dos vermêios chinosos. Verificamos se nosso guia impresso de viagem, “The Lonely Planet”, exibia fotos do lider espiritual e, apos folhear o livro,  nos tranquilizamos ao constatar que o a foto do “perigoso” Lama não aparecia estampada em nenhuma das paginas do guia. Ledo engano. Logo na alfândega chinosa confiscaram nosso livro pois, estupidamente (diga-se de passagem), “The Lonely Planet” convidou o Dalai Lama para escrever o prefacio do guia. Não nos demos conta disso pois não nos preocupamos em ler o prefacio.

Me propus à arrancar a pagina do livro mas os vermelhinhos não quiseram nem saber. Tivemos que assinar um documento em chinês que lavrava o auto de apreensão, fomos fichados (!) e nossos pertences foram revistados meticulosamente. Tecnicamente é mais fácil entrar na China com um carregamento de opium do que com qualquer coisa que faça alusão ou tenha as impressões digitais do Dalai Lama. Reviraram tudo em busca de livros!

Nesse momento, tivemos a oportuna intervenção de nosso guia tibetano que viríamos a conhecer, Dawa (conhecendo os tentáculos da policia chinosa, prefiro chama-lo por nome fictício). Dawa conversou com os oficiais da alfândega longamente e conseguiu nossa liberação. Após três ou quatro revistas em nossas bagagens (manual e por raio-x) finalmente entramos em território tibetano. Obvio, sem nosso “Lonely Planet”.

Dawa, um guía aferido pelo estado chinoso, era extremamente atencioso. Como guía oficial, apesar de ser tibetano, ele não podia expressar absolutamente qualquer opinião sobre a ocupação chinesa. Resignado, nos proporcionava excelentes explicações sobre o “modus vivendi” tibetano mas se esquivava de todas as questões, digamos, impertinentes para a sua condição de guia oficial, sobre a ocupação chinosa. Durante o período em que convivemos, Dawa foi aos poucos foi se sentindo seguro em nossa presença e deixava escapar discretamente algumas de suas opiniões. Falava francês quase que fluentemente, num auto-didatismo de dar inveja a qualquer apaixonado por outros idiomas.

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31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

MÁRIO ALBERTO – LANCE

FREVO Nº 1 DO RECIFE

Já é Carnaval em Pernambuco.

Frevo-Canção de Antonio Maria, gravado pelo Trio de Ouro em 1951.

Carnaval de rua no Recife em 1947 – Foto Pierre Verger

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


Arievaldo Vianna visto por Jô Oliveira
http://www.acordacordel.blogspot.com/
JOSÉ DE ALENCAR EM CORDEL

 

José Martiniano de Alencar (Messejana, maio/1829 — Rio de Janeiro, dezembro/1877)

A escritora, artista gráfica e editora cearense Arlene Holanda, premiadíssima em diversos certames literários, realiza mais um projeto coletivo envolvendo ilustradores e poetas de cordel. Trata-se da adaptação de oito romances do escritor cearense José de Alencar para a arte de Leandro Gomes de Barros. Oito poetas populares, inclusive a própria Arlene, trabalham nessas adaptações que serão publicadas pela editora cearense Armazém da Cultura. Convidado a fazer parte do projeto, eu escolhi “O Tronco do Ipê”, obra que conheço desde a infância, de enredo muito apropriado para um bom romance de cordel, com suspense, traição, amor, sofrimento e perdão.

O Tronco do Ipê foi publicado em 1871 e logo ganhou novas reedições, graças à sua aceitação. A história acontece em uma fazenda cujo o nome é Nossa Senhora do Boqueirão. O projeto inicial da editora previa que cada cordel deveria ter, no máximo, 100 estrofes em sextilhas ou setilhas. Tendo eu optado pelas setilhas e, para não prejudicar o encadeamento da história, tive que extrapolar o número de estrofes, chegando a 130. Vejam a seguir, alguns trechos da adaptação:

Quando as musas do Parnaso
Resolvem me visitar
Eu escolho um bom romance
E me ponho a folhear…
Como este que se lê
O livro “O TRONCO DO IPÊ”
De José de Alencar.

Mergulhando na leitura
Nas profundezas do sonho
As musas vão me guiando
E a nada disso me oponho
Tudo que vou lendo em prosa
Eu transformo em rima e glosa
E para o “CORDEL” transponho.

Foi no século dezenove
No tempo da escravidão
Na região fluminense
Ali viveu um barão…
De belas terras se apossa
Sua fazenda era Nossa
Senhora do Boqueirão.

Tinha uma filha somente
Um anjo louro e mimoso
Alice era o seu nome
Tinha o sorriso bondoso
No verdor de sua infância
Dava maior relevância
Ao cenário majestoso.

Ali vivia um garoto
Pelo barão adotado
Seu pai fora muito rico
Porém morrera arruinado
A sua mãe adorada
Era como uma agregada
Isso o tornou revoltado.

Mário, o menino falado,
Brincava em companhia
De Alice e uma amiga
Mil travessuras fazia,
Porém, quando se zangava
A menina destratava
Com desprezo e ironia.

Apesar de tudo isso
Alice não se importava
Porque desde pequenina
Ao Mário ela estimava
Com carinho e paciência
Na flor de sua inocência
Não sabia que o amava.

Mário tinha treze anos
Já era um adolescente
Alice era mais jovem
E tinha onze, somente,
Era feliz e risonha
Na quadra que a gente sonha
Do jeito mais inocente.

Numa belíssima manhã
Saíram os três animados
Por um pajem e mucamas
Muito bem acompanhados
Visitar “Pai Benedito”
Num sítio um tanto esquisito
De mistérios insondados.

(…)

O projeto ALENCAR NAS RIMAS DO CORDEL visa editar oito livros com adaptações em cordel de romances do escritor cearense José de Alencar (1829-1877), selecionados entre os títulos mais relevantes de sua produção literária. Levando em conta a diversidade de temáticas, foram escolhidos três romances indianistas, três urbanos/de costumes e dois regionalistas.

O projeto foi vencedor do EDITAL MECENAS II da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará;

Títulos da coleção/adaptado por:

LIVRO 1 – Iracema – Stélio Torquato
LIVRO 2 – O Guarani – Klevisson Viana
LIVRO 3 – Ubirajara – Godofredo
LIVRO 4 – Lucíola – Marco Haurélio
LIVRO 5 – A viuvinha – Rouxinol do Rinaré
LIVRO 6 – Senhora – Josenir Lacerda
LIVRO 7 – O sertanejo – Evaristo Geraldo
LIVRO 8 – O tronco do ipê – Arievaldo Viana

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA

CARDEAL PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Santidade

Vítima de uma parada cardíaca, o cineasta paraibano Linduarte Noronha morreu na madrugada de segunda-feira, 30 de janeiro, aos 81 anos.

Sua principal obra é o documentário em curta-metragem “Aruanda“, de 1960, retratando em pouco mais de 21 minutos a vida de descendentes de escravos que fundaram um quilombo, tendo como economia complementar o fabrico de utensílios de barro, “artesanalmente”.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

IOTTI – ZERO HORA


http://www.batidasalvetodos.com.br
VAI ENCOMENDAR?

Presos têm direito a banho de sol e três refeições por dia.

Na teoria.

Na prática eles têm celular, revistas, quitandas de frutas, visitas íntimas.

Se quiserem um ítem especial, como um livro, pedem às suas companheiras que tragam no próximo dia de visita.

Sim, nada impede de existir algum preso intelectual que no lugar de um maço de cigarros peça um João Cabral de Melo Neto. Minha crença na humanidade letrada segue firme sem preconceito de raça, cor ou CEP.

Sei lá, vai que o cara foi preso enquanto dirigia o veículo da fuga de um assalto a banco. Enquanto os outros caras, os que pedem maços de cigarro no lugar de livros, estavam dentro do banco com suas armas semi-automáticas, ele estava tranquilamente lendo poemas de Fernando Pessoa no banco da frente do carro da fuga.

Por isso mesmo, não viu a viatura policial chegar e ops, foi preso.

Quando o assunto é literatura, minha vida não está muito diferente do motorista do carro da fuga.

Isso porque das três últimas vezes que fui para livrarias do Recife, recebi como resposta dos funcionários:

- Esse livro tem, mas não na loja.

É bem pior do que ouvir, “tem, mas acabou” porque, neste caso, o título do autor já esteve no Recife. O “tem, mas não na loja” significa que nem chegou aqui. Significa ter que encomendar e esperar, assim como nosso amigo imaginário motorista-ladrão, os sete dias da entrega.

Não, não fui atrás de um exemplar raro escrito por um monge budista radicado na Rússia! Fui procurar um livro de Lula Falcão – jornalista P-e-r-n-a-m-b-u-c-a-n-o, um de Antônio Prata – cronista (SP), e um de Tati Bernardi (SP). Coisa fácil, juro.

- Só para encomenda, senhora!

Já perceberam como os vendedores de livrarias são diferentes?

Em qualquer loja funcionários soltam o “posso ajudar?” e se você escolhe uma saia, eles já vêm com uma blusa que combina e um cinto que é a “sua cara”.

Na livraria não. O funcionário te ignora, depois diz que “tem, mas não na loja” e, se você não desistir, ele pergunta:

- Vai encomendar?

- Claro. E me vê logo um de poesias que combine com essas crônicas e um de ficção que seja a minha cara!

Quando meu filho ler esse texto vai dizer:

- Tu é muito da exagerada. Fui comprar Grande Sertões: Veredas no teu aniversário e tinha na primeira livraria.

No que eu vou responder:

- Também, né? No dia que não tiver nem Grande Sertões: Veredas nas livrarias do Recife, é hora de juntar os panos de bunda e se mudar para a cidade grande!

Enquanto aguardo minhas encomendas, me contento com o banho de sol!

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO

FADO

Todo poeta carrega
Um fardo de sentimento.

(Mote de José Zilmar/PB) 

Dentre os seres naturais
Foi ele o requisitado
Para viver num reinado
De cores passionais
Gosta daquilo que faz
Sem pensar em pagamento
Todo relacionamento
Para ele é uma entrega
Todo poeta carrega
Um fardo de sentimento.

Seus amores do passado
Nunca deixam sua mente
Mesmo que sirvam somente
Para deixá-lo inspirado
Sofrer parece seu fado
O verso é seu alimento
A pena seu instrumento
A musa sua colega
Todo poeta carrega
Um fardo de sentimento.

Quando o poeta se inspira
Os anjos na amplidão
Capricham na afinação
Cada um na sua lira
A terra que tanto gira
Diminui o movimento
Até o mar violento
Fica bom pra quem navega
Todo poeta carrega
Um fardo de sentimento.

Glosas: Wellington Vicente
Altinho-PE, 07 de fevereiro de 2011.

31 janeiro 2012 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

DEZ MESTRES DO IMPROVISO E UM FOLHETO DE GRACEJOS DE JOSÉ HONÓRIO

 

José Honório, da União Cordelista de Pernambuco

Pinto do Monteiro
 
Acho graça a mocidade
Não querer envelhecer.
Velho ninguém quer ficar,
Moço ninguém quer morrer,
Sem ser velho não se vive,
Bom é ser velho e viver.

* * *

João Paraibano

Faço da minha esperança
Arma pra sobreviver,
Até desengano eu planto
Pensando que vai nascer
E rego com as próprias lágrimas
Pra ilusão não morrer.

Há três coisas nesta vida
Que Deus me deu e eu aceito:
A terra para os meus pés,
A viola junto ao peito
E um castelo de sonhos
Pra ruir depois de feito.

* * *

Geraldo Amâncio
 
Um sertanejo não quer
Secar as tripas e os ossos
Pra viajar vende os troços
Cadeira, prato e colher
Chorando abraça a mulher
Dizendo não chore não
Quando acabar sequidão
Volto correndo eu prometo
A seca pintou de preto
As cores do meu sertão

* * *

Louro Branco
 
Quando eu vi perecendo a minha horta
E o açude sem água na parede
Um garrote com fome e outro com sede
Uma vaca doente e outra morta
Eu falei vou partir por essa porta
E se o inverno voltar retornarei
Mas se a seca render não voltarei
Que no chão sem ter água ninguem mora
Quando a seca chegou eu fui embora
Do sertão que nasci e me criei

* * *

Ivanildo Vilanova
 
No sertão a tarefa é muito dura
Mas se tem a colheita, a criação
Ferramenta da roça produção
Uma rede, um grajau de rapadura
Uma dez polegada na cintura
A viola, um baú, uma cabaça
A tarrafa e um litro de cachaça
Mescla azul, botinão, chapéu baêta
Fumo grosso, espingarda de espoleta
E um cachorro mestiço bom de caça.

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30 janeiro 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CORREIO DO POVO

30 janeiro 2012 DEU NO JORNAL

PESQUISA

A operação da Polícia Militar para combater o tráfico e o consumo de drogas na Cracolândia, no centro de São Paulo, tem o apoio de 82%dos moradores da cidade, mostra a pesquisa Datafolha deste domingo.

* * *

A minoria de 18% que desaprova é constituída de traficantes, de muderninhos puliticamente corretos e de participantes das marchas de liberação das drogas.

30 janeiro 2012 FULEIRAGEM

SANTO – CHARGE ONLINE


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