CHAVES E ZÉ TENÓRIO

“A minha arte com Chaves
Devagar envelheceu
A concorrência foi tanta
A clientela cresceu
As fichas novas aumentaram
As da gente prescreveu”.

É assim que José Bonifácio Tenório de Freitas ( Zé Tenório-75 anos), define poeticamente a sua parceria com Pedro Gomes Filho (Chaves- 72).

Zé Tenório, é um homão grande e vermelho de nariz pontudo, com um chapéu preto de abas enormes, uma mistura de Durango Kid e Waldick Soriano. Já Chaves, é magro e de estatura mediana.

Zé é falante, enquanto Chaves é desconfiado e ladino como uma raposa. Compravam, trocavam e vendiam tudo que se lhes aparecesse na frente, tudo o que se movesse, voasse ou não, sobre a face da terra.

Eram capazes de vender vermelho em velório e geladeiras no Polo Norte. Juntos, deram “pernadas” em muito cabra metido a sabido por ali. Zé Tenório chegou na ribeira do Pajeú, mais precisamente em São José do Egito, na década de cincoenta, vindo de uma grande aldeia no Agreste pernambucano e não foi por acaso que se encontrou com Chaves, que era nascido e criado ali mesmo. O destino dos dois, há muito já estava traçado a amizade dos dois , foi quase uma fatalidade. Juntos começaram a fazer sucesso, nas mais diversas empreitadas .

Companheiros há mais de cincoenta anos, ainda hoje descem juntos pra botarem a prosa em dia, nos tamboretes ensebados na calçada do Elite Bar. Na Rua da Baixa, em São José.

Chaves tem uma aposentadoriazinha rural e mora num sítio perto da cidade. Zé Tenório, mora numa rua no oitão da igreja matriz de São José. Chaves ainda “peleja” com as coisas do mato, cria um gadinho. Zé, já se achando velho e cansado, administra uma olaria pertinho da rua onde mora e costuma levar reprimendas do vigário local que reclama do preço dos seus tijolos .

Chaves, tava uma vez na feira de gado de São José vendendo uma vaca que havia recebido numa troca. A vaca tinha parido um bezerrinho aleijado das pernas, que ele deixou ali num canto deitado e bem quietinho para que ninguém desse fé do seu defeito. Mas como dizem que todo dia sai um besta na rua, logo chegou um que se engraçou mais do bezerro do que da vaca e propôs:

– Chaves, eu tenho um bezerro “bordado” em casa igualzinho a este teu, se referindo à cor do animal, como eu quero fazer uma parelha, (uma junta para puxarem carro de bois), quero saber qual é o preço da vaca com a cria.

Chaves fez um preço razoável e ainda teve o cuidado de colocar o bichinho nos braços e acomodá-lo na caçamba da caminhonete do comprador. Recebeu o pagamento, o cabra foi-se embora e ele foi pra outro canto.

Na outra semana chegou o comprador furioso, pronto pra desfazer o negócio:

– Chaves, rapaz, por que você não disse que o bezerro era aleijado?

– E você não disse que era pra fazer parelha com um que você tinha em casa?

– Disse, mas o meu é bom, o meu anda!

– Pois eu entendi que o seu era também aleijado, aí dava uma parelha certinha

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