OS DOMINGOS – Maria Braga Horta

Há, no campo, os domingos. Refrigério
de pleno azul-e-verde. As mãos vazias,
as cabeças erguidas. Cemitério
dos suores salgados de seis dias

e assunção onírica no etéreo.
Em repousado aumento de energias
aos domingos repete-se o mistério
de outro plantar não vegetal. Não frias

nem quentes, no contado em tempo escampo,
são as horas de simples repetência
da alegoria edênica no campo,

que, do ontem sofrido, sem respingos
vem beber do amanhã, por não vivência
na incerteza de haver outros domingos.

Rio, 17-2-1962


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