31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA TERÇA-FEIRA – TERTÚLIA FLÁCIDA PARA ADORMECER VACUNS

* * *

O sujo falando da mal lavada.

Os dois são tolôtes do mesmo pinico.

Dou um pelo outro e não quero torna.

Aquela turminha que tem seus safados prediletos se esquece que estes dois foram eleitos juntos,  na mesma chapa.

O fato é que rombo, rombo mesmo, existe é no furico de nós outros, os contribuintes.

“Fumos eleitos juntos, cumpanhero Temer. E juntos vamos butar pra fudê nesse povão que tá lá em baixo batendo palmas pra nóis dois”

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

31 janeiro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

BATENDO PERNAS PELOS CANTOS

Domingo pela manhã fui na aprazível localidade do Espinhaço da Gata, aqui no Recife, visitar minha querida amiga Enedina.

Enedina é rapariga aposentada, tendo exercido a profissão de puta em Palmarens, nos tempos da minha juventude.

Mudou-se pro Recife há alguns anos pra tomar conta dos netos.

Foi com Enedina que aprendi a dançar o Redolério, uma dança que consistia em abraçar a parceira pelas costas, segurando os peitos dela com as duas mãos e esfregando a braguilha na bunda enquanto ela rebolava.

Discretamente botei no bolso de sua camisa um agradinho em dinheiro e deixei as 4 cestas básicas que levo sempre que vou visitá-la. Deixei também os livros e cadernos que ela me pediu pra comprar pros netos que estão estudando.

Conversamos por algum tempo, sobre as boas lembranças do passado e sobre as aflições do tempo presente, um tempo de carestia, violência e insegurança.

Saí da casa de Enedina e fui direto pro xopis centis.

No xopis Riomar, o maior aqui do Recife, tem um canto estratégico onde me sento sempre pra tomar um café com torradas, e fico apreciando o incessante desfile de pés-de-rabos.

Coisa linda, coisa magnífica, coisa boa de ser ver!

No lugar onde costumo ficar aboletado, passam, em média, 78 bichos fêmeos a cada 14 minutos.

Por lá passa fêmea de todos os tipos e pra todos os gostos: branca, preta, sarará, galêga, pixaim, gorda, média, magra, alta, mirrada, bonita, feia, nova, velha, da bunda xôxa, da bunda imponente, dos quartos largos, dos peitos miúdos, dos peitos fartos, do mocotó grosso, da canela fina ou das bochechas rosadas.

Tem sujeitas que usam umas calças tão justas e transparentes que aparece até a testa do rego do priquito!

Vôte!

Tem fêmea de todo jeito, de todo tipo, de todas as idades e pra todos os gostos.

E eu fico ali espiando, cubando, medindo, pesando, comendo com os olhos e lambando com a testa…

Fui no último final de semana e voltarei lá no domingo que vem.

Ô passeio que faz um bem danado!

Este Editor apreciando o incessante desfile de bacurinhas no xopis centis

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

BRUM – CHARGE ONLINE


Mundo Cordel
TROVAS DELATÓRIAS

Tem alguns dias que o assunto DELAÇÃO voltou a atrair o interesse da chamada opinião pública brasileira. Principalmente depois do inesperado falecimento do Ministro Teori Zavaski, do STF, toda hora se vê na TV alguém falando de uma tal superdelação, delação do fim do mundo, etc.

E não adianta nada constar na lei a expressão COLABORAÇÃO PREMIADA. Na boca do povo o instituto é mesmo o da DELAÇÃO. Já não se usa sequer o adjetivo PREMIADA. Não interessa. O que importa é saber quem delatou quem.

O certo é que, com a homologação das delações do pessoal da Odebrecht, feita pela Ministra Carmen Lúcia, cresceu a expectativa em relação a quem seriam, desta feita, os delatados. É que a Ministra homologou as delações, mas manteve o seu sigilo, frustrando a curiosidade de muitos.

Em relação a essa questão, do sigilo, é bom lembrar que a lei que (dentre outras coisas) regula as colaborações premiadas não obriga à retirada imediata do sigilo após a sua homologação. Ao invés disso, prevê que “o acordo de colaboração premiada deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia” (art. 7, § 3º, Lei 12.850/2013).

Ou seja, se o juiz que homologa o acordo de colaboração entender que a retirada do sigilo pode prejudicar as investigações, o seu dever é manter o sigilo. Pelo menos até que os atos de investigação dependentes do sigilo sejam executados. Por outro lado, se não há risco de prejuízo para as investigações, o princípio da publicidade dos atos processuais recomenda que o sigilo seja encerrado.

Diante disso, a Ministra poderia levantar ou manter o sigilo das colaborações odebrechtianas, conforme o seu juízo a respeito dessas questões. Decidiu manter.

Por razões éticas e legais, evito criticar ou elogiar decisões judiciais. Mesmo, porém, que não fosse contido por tais freios, nada teria eu a dizer quanto ao mérito da decisão, pois não haveria como avaliar o caso prático à luz dos critérios que acabei de expor.

Assim, para finalizar, afasto-me dessas nuances jurídicas e deixo duas trovas dedicadas àqueles que estão ansiosos por ver o conteúdo de tais delações. Especialmente aos que acreditam mais em umas delações e menos em outras, dependendo de quem sejam o delatados:

Se você não acredita em delação,
Deve ter seu pensamento respeitado.
Peço apenas que não mude a opinião
Quando muda a facção do delatado.

E também, quem acredita em delação,
Não merece ser por isso criticado.
Só não deve perder a convicção,
Se surgir na lista um nome inesperado.

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

LUTE – HOJE EM DIA (MG)

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA TERÇA-FEIRA – O CULPADO

* * *

Segundo o fubânico petista Num-Quero-Enxergar-Nada – que adora gráficos, números e estatísticas -, esta fantástica taxa de desemprego é culpa dos tucanos.

É a herança maldita da desastrosa administração de FHC.

Os 13 (êpa!) anos de gunverno do PT nada tem a ver com isto.

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA (SC)

CAMILO – TAUBATÉ-SP

Berto,

Esta é para aqueles não tem bandidos preferidos!

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

PACIENTE DE PIRIPAQUE

No Hospital Esperança, de Olinda, este colunista, sem foto shop, ‘meio Lá meio Cá’ 

Inerte, deitado e imóvel no “leito indesejado” de um hospital olindense que agora tem nome de Esperança, tremendo mais do que motorista de Toyota, fui fotografado em 29 de janeiro de 2017, logo após ser conduzido por Carlito, Socorrista e Bombeiro Civil.

Escapei pela “lateral da vida”, por sorte. Após vários exames negativos. Tipo Ficha de Serasa sem restrições. Deixei o nosocômio, mais furado do que uma “Tábua de Pirulitos”.

Diagnóstico: possuidor de uma das piores enfermidades. Aquela que não tem nome. Quando médicos e exames constatam que o “impaciente” não apresenta nenhum sintoma de alteração na “carcaça”.

Aí médicos denunciam, chutando, que é estresse, e recomendam usar chá de flor de laranja com uísque à moda caubói.

Por comentários à “boca pequena” nos bastidores da Enfermaria, ouvimos dizer que poderia se tratar de doença que tem atacado os pilotos da “Fórmula 1”. No meu caso, “Fórmula Zero”.

De fato, eu vinha “chutado”, de “pé dentro” mesmo. Quem não enfia o pé no acelerador ao ver aquela beleza de pavimento atapetado da Avenida Olinda, às 9h00 de um domingo tranquilão, sujeito à multa por velocidade além dos 60 km/h? O cenário estimulava.

O movimento da via estava igual a Autódromo de Interlagos. E assim, tomé “pé na tábua”. Quando, de repente, vi e senti “o mundo rodar” sem o carro sair da faixa.

Senti-me ligeiramente “defuntável”. Já pensou?! Pronto para retornar à zona santificada. Assustei-me bastante. Diminui a velocidade acionando apenas o freio-motor, com toda a calma.

Conscientizei-me que estava enfartando ou tendo um troço parecido. Apertei o botão de “Sinalização de Vagalume”, aproximei-me do meio-fio e rodei devagarinho procurando estacionamento. Vi a placa abençoada “Achaqui”. Era o Armazem Coral. Foi ali que parei.

Fiz a curva da ponte do “Varadouro das Galeotas”. Nome pomposo que os portugueses deram e que o povão ignorante de Olinda deixou de divulgar para os turistas acharem interessante.

Suando até pelas “tripas gaiteiras”, senti que era preciso estacionar para não me “debrear”, e acabar como Dr. Ariano Suassuna costumava dizer: “descomendo” o Café da Manhã, pois o esqueleto tremia mais do que vara verde em meses de seca.

Tomei meia garrafada da “agua benta” de Garanhuns e fiz alguns telefonemas anunciando à pré-viúva o acontecido.

Na Praça de Táxi do Mercado Eufrásio Barbosa me ajeitei com Cerezo, que conduziu meu “possante” até o lar, de onde fui levado pelo filho, que é Bombeiro-socorrista, até o multinacional Hospital Esperança.

Recomendei ao Serviço de Imprensa do “Esperança” que evitasse a divulgação, à pedido da pré-candidata à viuvez. Mas, prevenido, antes que o óbito pudesse ocorrer, ditei para o filho uma nota a fim de ser transmitida ao meu comparsa Geraldo Freire, caso a “perda-total do paciente” realmente ocorresse:

Por doença conhecida como “Praga de Mulher Prenha” deixou nosso convívio nesta manhã ensolarada de domingo o jornalista e escritor Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, membro da Academia de Artes e Letras, do TAP – Teatro de Amadores e da AIP – Associação da Imprensa de Pernambuco.

Estava aposentado pelo Banco do Brasil, mas não era “Inativo”, nem se considerava velho; apenas “antigo” e em bom estado de putrefação, pois desenvolvia plenamente suas atividades profissionais.

Nascido no século passado, contava 80 anos, 7 meses, 12 dias e 86.416 segundos, de acordo com a “pulseira” do hospital. Deixa, 26 livros publicados e uma porrada de jornais velhos bem conservados.

Além de poucos amigos – porque a maioria já se foi do Aquém para o Além – deixa também uma viúva em bom estado de conservação, 4 filhos de dois consórcios, 12 netos e 8 bisnetos.

Diante da “tragédia”, lembrei-me de um fato real envolvendo meu amigo Edson de Almeida, locutor do “Repórter Esso” do Rádio Jornal do Commercio, que num leito de hospital chamou o filho e gravou a notícia de sua própria morte, com sua voz inconfundível, como se uma edição do famoso noticioso dos anos 50.

E movido por aquela “sugestão”, talvez já enviada do Alto”, antes de receber o Bilhete de Ingresso para me colocarem, com honras e títulos numa das “gavetas de concreto” de “Amaro Bocão”, tive outra ideia acalentada ao longo dos anos para a nota fúnebre de meu esqueleto:

Obituário – A viúva, etc. etc. comunica e convida para o chororô de praxe, do seu ente, às 16 horas de hoje no Cemitério do Senhor Bom Jesus da Redenção, e não simplesmente “Cemitério de Santo Amaro”. E pedi para fazer constar em minha lápide, a seguinte mensagem:

“Fiz o que pude. Tentei tudo que quis. O que não se concretizou foi sonho e se evaporou. Perdi apenas o que nunca foi meu. Na vida fui um acelerado, por isso morri de Piripaque. Fui sem remorso. Espero rever os meus do Outro Lado da Vida. Mandarei recados, se possível.”

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

JANELA DE TREM – Pádua

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA (SC)

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM CORRUPTOR ESPERTO

Os governos do PT abriram os cofres para financiar projetos do ex-bilionário Eike Batista, preso nesta segunda-feira (30) no Rio.

Até 2013, ainda no primeiro governo Dilma, o BNDES beneficiou ao menos onze empresas do “Grupo EBX”, de Eike, num total de R$10,4 bilhões em financiamentos diretos.

Outros negócios possibilitados pelos governos Lula e Dilma podem ter rendido ao menos R$20 bilhões ao empresário.

Eike ainda contava com as lorotas da cúpula do BNDES para explicar o dinheiro fácil, definindo os ativos da EBX como “sólidos e valiosos”.

O BNDES também utilizou recursos do FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador, para bancar as aventuras de Eike Batista.

Lula se utilizou do jatinho de Eike em viagens, e Dilma visitou a EBX, quando em discurso disse que o empresário é “orgulho do Brasil”.

A ordem para financiar as aventuras de Eike com dinheiro público saía do Planalto, nos governos do PT, apesar dos sinais da derrocada.

* * *

Eike, Lula e Dilma, tudo farinha do mesmo bisaco.

Tudo tolôte do mesmo pinico.

O Corruptor Ativo sabia muito bem a ciência de arrancar o que quisesse da dupla de “estadistas” petralhas.

“Dilminha querida, quanto tu peidas o ar fica perfumado. Estou sentindo daqui. Hum… Que cheirinho gostoso! Agora, vê se arranja aí uma obra bem cara do governo pra eu fazer”

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

JESSIER QUIRINO – ITABAIANA-PB

Amigo Cícero Tavares

De emoção em punho e responsabilidade redobrada, tomo conhecimento dessa história de luta da sua sobrinha Luana Tavares, que buscou alento e força de viver, na família, amigos, e muito também na poesia e musicalidade do Bolero de Isabel (música de minha lavra), num momento tão difícil do seu viver. (Clicar aqui para ler postagem)

Conforta-me saber que, dentro do possível, a canção minimizou momentos dolorosos e devolveu ânimo para algum respiro de emoção, um sorriso, um “olá!”, marcas de sua personalidade.

Mando aqui a Dona Mariinha sua mãe, a Luandes e Mateus seus filhos, e todos mais, o meu melhor abraço de carinho, com esperança renovada em um mundo mais sensível como assim era o desejo da jovem Luana.

Diante do seu adeusinho-sem-regresso, clamo que o luar perolado do Agreste ilumine seu descanso como só os Astros sabem fazer.

Tratarei de entrar em contato com meus cumpades, e interpretes: Xangai e Maciel Melo para dividir o tanto de relevo e comoção pelo fato relatado.

Na floração dos Flamboaiãs, me assino:

JESSIER QUIRINO

PS. No final de Dezembro último, passei por Lagoa do Carro PE, vindo de Caruaru e fiz esse registro fotográfico do meu celular.

31 janeiro 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

DE VOLTA EIKE, RIVOTRIL, MALLARMÉ E O ACASO…

Cármen homologou as delações da Odebrecht. Eike voltou. E a sorte está lançada!

O tropicalista de primeira hora Antônio José Santana Nascimento, de codinome artístico Tom Zé, baiano da cidade sertaneja de Irará, 80 anos, acordou em plena madrugada da sexta-feira 27 de janeiro de 2017, às 3h30m, e falou lá pros seus botões: “Nossa Senhora, esse negócio das delações tá tão no coração de todo mundo. Era ótimo fazer uma música”. Pelo menos foi isso que ele contou à coleguinha Anna Virgínia Balloussier, da Folha de S.Paulo, que publicou a decisão. Propôs a parceria a Paulo Lapetit e os versos e melodia dos dois ganharam o País inteiro pelas redes sociais. “Estamos pagando por elas vintém a vintém, Sofremos com elas do Rio de Janeiro a Belém”, canta. O gran finale chega no refrão impagável: “Logo logo esse baralho, / homologa esse cascalho”.

Não se sabe se a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, que na canção a dupla chama de “Senhora Lucidade”, ouviu o apelo. O que se sabe e já está circulando é que, tendo ou não ouvido, ela atendeu ao pedido e homologou os mais de 900 depoimentos contendo as delações de 77 executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato. Dona Cármen, no entanto, decidiu manter o sigilo do processo e o conteúdo dos depoimentos ainda não pode ser tornado público. Com isso atendeu a pedido feito pelo mineiro Rodrigo Janot, procurador-geral da República, permitindo-lhe que tomasse a atitude que tomou. Mesmo decidindo ao contrário do que se dizia que faria Teori Zavaski, o ex-relator morto, que seria permitir sua divulgação, ela não tornou esses depoimentos públicos, mas fez o mais importante: liberou o reinício das investigações com dados cuja revelação apavora “Deus e o mundo” na politica brasileira. Ou seja, a “delação do fim do mundo” vem aí. E a turma que comemorou a queda do avião do ministro do STF já pode voltar a tomar Rivotril para conciliar o sono. Haja insônia…

Quando o avião caiu no mar de Paraty, a Nação temeu pelo destino das delações da Odebrecht à força-tarefa e aos policiais federais da Lava Jato. Imediatamente as Cassandras de plantão apregoaram suas piores profecias. Zavascki poderia ser substituído pelo novo ministro, a ser indicado por Temer, citado 45 vezes só num dos quase mil depoimentos. Logo, o presidente poderia usar seu poder para pôr alguém de sua confiança na cadeira vaga no plenário do STF. Ainda no velório do pranteado relator, contudo, Michel Miguel mostrou que pode até não ser santo, mas tonto ele também não é. Avisou que só indicaria o undécimo membro do colegiado depois que este resolvesse, interna corporis, qual dos nove remanescentes seria o novo relator.

Com isso Temer também evitou dúvidas sobre alguma interferência malfazeja do Senado, composto por muitas cabeças a prêmio no “cascalho” da relação, que têm mostrado natural desapreço pelas investigações daquilo que se convencionou batizar de “república de Curitiba”. É o caso de dizer que o chefe do governo matou nove coelhos com uma só cajadada.

A carcaça sobrou, então, para a presidente do STF descarnar. A mineira Cármen Lúcia agiu com sabedoria salomônica. Assim como o filho de Davi resolveu uma questão de maternidade polêmica propondo dividir o disputado rebento com a espada e decidiu a favor da litigante que preferiu manter o filho vivo, e encerrar a querela, a chefe do Poder Judiciário dividiu em três tempos a decisão. Primeiro, homologar e só depois escolher o relator. Resolvida a questão da premência, alegada por Janot, ela pode deixar o acaso decidir em sorteio de praxe qual dos seus pares herdará os abacaxis judiciais, azedos e espinhentos, que sobraram à mesa de Zavascki. E, depois, dar tempo ao chefe do Executivo para tratar do substituto deste.

A homologação destravou várias outras propostas. Léo Pinheiro, o empreiteiro da OAS, pode voltar a depor. O casal João Santana e Mônica Moura está com a negociação parada. Na segunda-feira de manhã, Eike Batista pousou no Galeão e sua presença é uma promessa de outra delação premiada assustadora para muita gente. Não se sabe se ele foi a Nova York para tomar providências bancárias e salvar parte do patrimônio depositado em bancos no exterior, ou se foi exatamente condicionar o retorno a uma delação premiada que o livre de conviver com a bandidagem comum no inferno prisional nacional. Seja o que for, pode provocar dor de cabeça.

Quem quer que seja o sorteado, este terá de conviver com a mesma pressão da opinião pública a que foi submetido o ministro acidentado. E o será qualquer outro que for indicado para seu lugar. Ainda está a ser decidido se Luiz Edson Fachin, da primeira turma, o único entre cinco pares a solicitar esse movimento (que já comparei aqui a um roque numa partida de xadrez), participará, ou não. Caso seja autorizado a trocar da primeira para a segunda turma, com o benefício de o novo indicado não ser destinado para a segunda, mas para a primeira turma, isso seria conveniente porque o indicado pelo chefe do governo não estaria tão familiarizado com o caso quanto os colegas de plenário e Fachin teria a vantagem de ter o perfil próximo ao de Zavascki.

Os quatro membros atuais são o decano Celso de Mello, o ex-presidente Ricardo Lewandowski, o vice-presidente, Dias Toffoli, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes. Este já disse que não disputa o lugar, mas ainda não anunciou se ficará fora da escolha aleatória. Poderia dar-se por impedido, tanto por ser inimigo declarado da Lava Jato quanto por ser amigo notório de Michel Temer, sobre cuja sorte decidirá no julgamento da ação do PSDB contra a chapa vencedora de 2014, na qual o presidente foi parceiro da ex.

Dias Toffoli também ficaria numa situação desconfortável, próxima a exigir dele decisão similar de se julgar suspeito por ter sido advogado do Partido dos Trabalhadores (PT), à época em que foi chefiado pela maioria dos denunciados na operação. E, sobretudo, pelo alvo mais evidente de todos, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o ministro não tomou tal atitude quando teve de julgá-los no julgamento do mensalão. Lewandowski também dificilmente se julgaria suspeito, mesmo sendo o único ministro do Supremo que continua manifestando sua lealdade ao casal Lula da Silva, desde os tempos de revisor da citada Ação Penal 470 até o julgamento final do impeachment de Dilma. Neste caso, foi cúmplice do abominável fatiamento da Constituição, ao decepar parte da pena que tinha de ser atribuída à condenada, deposta, mas em gozo do direito de assumir cargos públicos, o que não aconteceu com Collor, apenado em julgamento igual.

De mais a mais, seja qual for a decisão do colegiado a respeito do método de escolha do relator substituto e a quem caberá a missão, ficará sempre valendo o verso mais importante da poesia contemporânea: “un coup des dés jamais abolira l’hasard” – “um lance (ou golpe, vixe!) de dados jamais abolirá o acaso”. Ou como diria outro gênio da literatura, o general romano Caio Júlio César, “alea jacta est” (“a sorte está lançada”).


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