2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

2 janeiro 2017 HORA DA POESIA

SONETO DE TODOS OS CORNOS – Bocage

Não lamentes, Alcino, o teu estado,
Corno tem sido muita gente boa;
Cornissimos fidalgos tem Lisboa,
Milhões de vezes córnos tem reinado.

Sicheu foi corno, e corno de um soldado:
Marco Antonio por corno perdeu a c′roa;
Amphitrião com toda a sua proa
Na Fabula não passa por honrado;

Um rei Fernando foi cabrão famoso
(Segundo a antiga letra da gazeta)
E entre mil cornos expirou vaidoso;

Tudo no mundo é sujeito à greta:
Não fiques mais, Alcino, duvidoso
Que isto de ser corno é tudo peta.

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SIMANCA – A TARDE (BA)

CREPÚSCULO AMAZÔNICO

Jaci surge exuberante
Sobre o céu da Amazônia
Traz consigo a Airumã
Como parceira de insônia.
As colegas do plantão
Expulsam a escuridão
Que paira sobre Rondônia.

Estrada da Areia Branca, Porto Velho, Rondônia – Foto: Kátia Cilene

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

NAQUELA MESA

Uma composição de Sérgio Bittencourt em homenagem ao seu pai, Jacob do Bandolim. A interpretação é de Nelson Gonçalves.

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SENNA – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)


http://www.fernandogoncalves.pro.br
PARA OS DIAS PRIMEIROS DE 2017

Neste início de 2017, num momento em que a expansão da mente humana se torna cada vez mais estudada nos centros científicos mais adiantados, um recente debate sobre o “Futuro de Deus” na TV norte-americana envolveu dois talentos mundiais. De um lado, Deepak Chopra, médico indiano radicado nos Estados Unidos, cujos livros dedicam-se à difusão da filosofia oriental. Do lado oposto, Leonardo Mlodinow, professor de física no Instituto de Tecnologia da Califórnia, autor de O Andar do Bêbado, best-seller mundialmente aplaudido.

Visões de mundo distintas. “Para o primeiro, a realidade existe numa consciência que antecede a vida no Universo; o segundo acredita que só a física pode explicar a criação do cosmo. Um defende a espiritualidade, o outro, a ciência”. Quatro questões fundamentais – o Universo físico, a vida, o cérebro humano e Deus -, foram explicitadas num diálogo cordial e respeitoso, onde suas interpretações promoveram divergentes pontos de vista numa perspectiva dos amanhãs da humanidade.

Nas livrarias brasileiras, os diálogos acima foram editados pela Sextante – Ciência x Espiritualidade, Deepak Chopra & Leonard Mlodinow -, reproduzindo o que aconteceu no auditório do Instituto de Tecnologia da Califórnia perante uma plateia de admiradores, cientistas e leigos, cada qual com suas convicções e dúvidas.

No prefácio, um esclarecimento dos autores: “este livro abrange dezoito tópicos, com ensaios dos dois autores. Cada pensador contou seu lado da história, um tema de cada vez. Porém, em cada tópico, quem escreveu depois fez isso com o texto do outro à mão, sentindo-se à vontade para apresentar uma réplica. Como as réplicas tendem a convencer as plateias, buscou-se ser justo sobre quem teria essa vantagem”.

Quatro tendências culturais são observadas atualmente. A mais visível é a confiança cada vez menor nos líderes religiosos. Em pesquisa de 1988, os líderes religiosos eram os mais confiáveis na sociedade americana, decaindo para o quarto lugar, em 1993, depois de farmacêuticos, professores universitários e engenheiros. A segunda tendência se relaciona com o desencanto com a religião organizada, face os escândalos acontecidos, principalmente com a prática da pedofilia. Uma terceira tendência se relaciona com uma disposição mental pluralista, onde muitos tendem a encarar a religião como ficção útil. E a quarta prende-se à autonomia intelectual, onde cada um pode ter sua convicção religiosa sem a intermediação de organização religiosa.

Num dos tópicos – Qual o futuro da fé? -, Mlodinow afirmou: “acreditar é humano, e acreditar no Deus tradicional parece uma tendência viva que continua muito bem, com a perspectiva de um futuro longo e estável”. E Chopra declarou: “a crença se torna um conhecimento em que se pode confiar, e, sobre essa base, Deus pode ser reverenciado outra vez”. Textos conscientes que engrandecem a convivialidade entre os de pensares diferentes.

Para todos os brasileiros, particularmente os pernambucanos e pernambucanizados que nem eu, que seja melhorado o bom em 2017, descobrindo-se a essência das coisas. Que nossas mentes nos impulsionem para um caminhar de cabeça serenamente mais erguida, mais solidário e menos solitário. E que tenhamos suficiente coragem de correr o risco de efetivar até as boas ideias passadas, muitas delas ridicularizadas porque não devidamente entendidas pelos que se estacionaram nos pretéritos.

No raiar de 2017, saibamos abordar com serenidade as razões mais recônditas dos méritos fingidos. Reconhecendo as urgências e as ressurgências, para erradicar as previsões megalômanas, redimensionando acabrunhadas esperanças, as hipocrisias estrepitosamente vencidas pelas consistentes intercomplementariedades entre o ter e o sonhar.

Empenhemos múltiplos esforços na busca de uma “viabilização do impossível”, ousando muito além da mera “implementação do viável”. Jamais olvidando que a miséria é muito má conselheira, além de conservadora, saudosista e autoritária. Lastimando menos, cidadanizando-se mais, para adquirir novas posturas, pessoais e comunitárias, percebendo, sempre sem medos, que pão-trabalho-liberdade-civilidade é a melhor das receitas para se obter uma paz social nunca cemiterial.

Encontremos novas lideranças políticas, multipliquemos os Héldercâmara e os Chico Xavier, sem jamais menosprezar os severinosdemaria do poeta João Cabral de Mello Neto, para quem “o dinheiro é muito parecido com estrume; se não ficar espalhado, fede muito”. Posto que ainda vale a pena pugnar por um Brasil para todos os brasileiros, com os Direitos Humanos jamais sendo confundidos com favorecimentos a banditismos de qualquer idade ou classe social.

Que os mais lúcidos se envolvam, evitando a proliferação dos pústulas. Que as atenções para o Ensino Fundamental se multipliquem, desbobocadamente. Que as Universidades não se transformem em estrebarias, os mais talentosos sendo amplamente aplaudidos. Que a estabilidade no emprego não favoreça a malandragem, nem a vitaliciedade acoberte cavilosas divinizações.

Orgulhemo-nos das nossas tradições culturais, jamais humilhando as das demais regiões da Terra. Porque o frevo, que é pernambucano, necessita ser também admirado pelo mundo afora. E aprofundemos nossos conhecimentos culturais, evitando as firulas dos que apenas desejam levar vantagens, fingindo-se de popular.

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

CASINHA – Silvio Brito

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

FRASES E REFLEXÕES DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

“Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.”

“A família não nasce pronta; constrói-se aos poucos e é o melhor laboratório do amor. Em casa, entre pais e filhos, pode-se aprender a amar, ter respeito, fé, solidariedade, companheirismo e outros sentimentos. “

“Tem muita gente honesta neste país. Só não se identificam para não ficar de fora se aparecer um bom negócio.”

“Descobri vivendo que sofrer não deixa nada mais dramático, que chorar não alivia a raiva e que implorar não traz ninguém de volta… a palavra é valor!”

“Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.”

“Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?”

“Ninguém é o que parece ou o que aparece. O essencial não há quem enxergue. Todo mundo é só a ponta do seu iceberg.”

“O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda a diferença. A vida muda quando você muda.”

“Quem tem autoestima tem muita coragem, se mete em tudo, não tem medo de errar.”

“O que nos leva a escolher uma vida morna? A resposta está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos bom dia, quase que sussurrados.”

“Não duvido que São Francisco de Assis conversasse com os pássaros, eu só me admiro de eles terem tido assunto. Se a comunicação entre animais da mesma categoria já é difícil, imagine entre espécies diferentes.”

“… Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.”

“A principal matéria-prima para a crônica são as relações humanas. O modo como as pessoas se amam, se enganam, se aproximam ou se afastam num ambiente social definido. Ou qualquer outra coisa.”

“Dedico-me aos clássicos: Sófocles, Virgílio, Shakespeare e ao picolé de coco.”

“A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer escrever claro não é certo mas é claro, certo?”

“Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar… é nossa razão de existir. “

“Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.”

“A vida é a arte de tirar conclusões suficientes de dados insuficientes.”

“Para os erros, há perdão… Para os fracassos, chance. Para os amores impossíveis, tempo. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, e que o medo impeça de tentar!”

“O fato de viver numa casa em que havia livros e o livro era uma coisa importante. Determinou o meu gosto pela leitura e, eventualmente, meu trabalho. A escola teve pouco a haver com isso. Eu era um péssimo aluno e aproveitei muito pouco da escola. Era ótimo em geometria e nunca mais precisei da geometria na vida.”

Luís Fernando Veríssimo nasceu em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É o escritor que mais vende livros no Brasil. Famoso por suas crônicas e contos de humor. É também jornalista, tradutor, roteirista de programas para televisão e músico. Ele adaptou para minissérie o seu livro Comédias da Vida Privada. O programa recebeu prêmio de crítica como o melhor da TV brasileira. É filho do escritor Érico Veríssimo.

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

2 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DÚVIDA CRUEL

A Operação Lava Jato, da Polícia Federal, investigou até agora cerca de 400 políticos, prendendo vários deles, além de produzir cerca de 120 condenações da Justiça e recuperar bilhões de reais.

* * *

Merece destaque esta informação de que a operação recuperou “bilhões de reais“.

Lendo esta notícia aí de cima, uma dúvida cruel tomou conta de minh’alma:

Como é que a gente pode chamar um canalha que é contra a Operação Lava Jato?

Hein???

Débil mental fica aquém do que ele é.

E fela-da-puta é muito pouco.

Vamos botar Polodoro pra rinchar em homenagem aos tabacudos e idiotas que são contra a Operação Lava Jato.

Rincha, Polodoro!

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

TRÍPTICO DE SINOS – Anderson Braga Horta

I – MEIA-NOITE

Noite. Noite trevosa. Escuro o firmamento.
Ulula o vento, e ruge, e espanta-se nas brenhas
com o silêncio mortal. Ruge noturnas senhas
e nas ramas se estira, estertorando, lento.

Diz a treva ao luar: “Anseio por que venhas!”
Diz o luar ao sol cansado e sonolento:
“Desperta, meu Senhor! É negro o firmamento!”
E outra vez o silêncio esconde-se nas brenhas…

Que nuvioso rumor, como de almas penadas…
Sinos de catedrais… Marcha funérea e nobre…
Soturnos carrilhões sob um céu de miasmas…

Brônzeas línguas urdindo as doze badaladas…
E, no crebro planger do misterioso dobre,
arrastam-se na treva os lívidos fantasmas!

* * *

II – VISÕES

Meia-noite. Um silêncio de agonia
a tudo invade, amortalhando tudo.
Emudece-me o peito. Quedo e mudo,
doura o luar a solidão sombria.

Penso, e estremeço. E ante a visão exsudo
de negrejantes sombras. Numa fria
escultura transmuda-se a alegria,
e eu em pálido espectro me transmudo.

Dobram sinos ocultos no meu peito.
A tristeza, o pavor, volantes, trazem
a um espírito morto… E vêm, tristonhos,

vêm, morrendo, extinguir-se no meu leito.
E no eco derradeiro se desfazem
os últimos fantasmas dos meus sonhos.

* * *

III – RESSURREIÇÃO

Acordo ao som festivo, à dança delirante
dum claro bimbalhar de sinos harmoniosos.
Uma voz dentro na alma ouço nascer, distante
como a voz da ilusão no seio dos leprosos.

Da torre da igrejinha os hinos gloriosos
vão procurar o sol para além do levante.
E é como se do amor os vasos misteriosos
derramassem na terra o seu éter vibrante.

Despertando na mata, o coro de aves canta
a manhã que lá vem como um anjo trazendo
altos feixes de luz sobre abismos medonhos.

E a voz que no meu seio, ardente, se levante
é a voz da madrugada, os carrilhões tangendo
pela ressurreição de todos os meus sonhos!

.

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU

ATRÁS DE FEICIBUQUI DO OUTRO VICIADO

Comentário sobre a postagem IVAN VIOLIN – LEME-SP

Rosemeri:

“Alguém mais em Matinhos-PR além de mim?

Se houver me manda o “feice” do vivente…..

kkkkkkk

Feliz Ano Novo !”

* * *

Segundo dados do Google Analytics, dos 2.711 leitores do estado do Paraná, 1.506 residem em Curitibaa; e 2 viciados fubânicos são de Matinhos:

* * *

Matinhos, conhecida como “A Namorada do Paraná”, localizada na região metropolitana de Curitiba e com 29.831 habitantes

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)


http://www.forroboxote.com.br/
CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITADOS POPULARES – 5

DEPOIS DA TEMPESTADE VEM A BONANÇA.

Normalmente, acompanhada de uma gripe da ‘mulesta’ dos cachorros. E nesses tempos de Zica, longe de mim, tempestade.

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

DON PABLITO – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Caro Berto

Gostaria que você fosse o nosso Moro e encabeçasse uma nova Operação

Seria a Operação Lava Gina.

Esta operação não obstruiria a Lava Jato e sim daria um grande incentivo.

Bom dia.

Riacho do Lava-Priquito, na zona rural de São Bernardo

* * *

R. Excelente sugestão, meu caro.

Assumirei a Operação Lava Gina com muito orgulho e destemor.

E, sobretudo, com muito prazer!

Você me fez lembrar um casal que havia em Palmares, na minha infância, nos anos 50.

Marido e mulher eram fãs de duas grandes artistas da época: Gina Lollobrigida e Ava Gardner.

Quando nasceu a primeira filha, eles misturaram os nomes das suas ídolas e batizaram a menina assim: Avagina de Souza.

E eu nunca vi um nome dar tão certo numa pessoa: a menina tinha uma cara de buceta da porra!

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

2 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TRIBUTO AOS CAMPEÕES

A repercussão do anúncio dos EUA sobre a ação global da Odebrecht provocou um temporal político na América Latina. Bem maior do que tivemos notícia pelos jornais e TV. Foi um intenso movimento no Twitter, que começou com gente perguntando quem eram os corruptos do governo de cada país, passou por desmentidos de presidentes e ex-presidentes, nomes suspeitos, acusações. Alguns importantes projetos, como assegurar a navegabilidade do Rio Magdalena, na Colômbia, estão ameaçados. Começaram a duvidar até do estudo de impacto ambiental da Odebrecht.

Ao ver aquele furacão durante a semana, não podia perder de vista que tudo aquilo havia sido causado por uma empresa brasileira. Ironicamente, o programa do BNDES para estimular as empresas campeãs nos deu apenas um título mundial: o do maior escândalo de corrupção.

Em termos de política externa, penso eu, seria ideal que o Brasil fizesse o comunicado, informando, como fizeram os americanos, quanto se usou em corrupção e o lucro obtido em cada lugar. Em termos ideais, porque, dados as circunstâncias brasileiras, o ritmo do STF, a delicada posição do governo na Lava Jato, não temos as mesmas condições dos norte-americanos. Verdade é que o próprio relatório divulgado lá destacou as investigações feitas no Brasil, pois trabalhou com dados, essencialmente, obtidos aqui.

Todos estão conscientes da abertura brasileira para compartilhar as informações. Em termos ainda ideais, seria preciso um outro passo: uma legislação disciplinando o comportamento das empresas no exterior.

Quando todo esse movimento rumo ao exterior começou, confesso que tentei formular uma lei que punisse o suborno de autoridades. Alguns assessores da Câmara ajudaram. Mas as possibilidades de êxito eram muito remotas. Não só pela força das empreiteiras. Havia um argumento muito forte: era uma iniciativa ingênua que acabaria reduzindo a competitividade de nossas empresas.

Com as voltas que o mundo deu, uma legislação que discipline as empresas brasileiras pode ser precisamente um instrumento para que não percam a competitividade depois do furacão Odebrecht.

O relatório americano não menciona o papel que o BNDES teve em cada um dos projetos da Odebrecht. Quando tudo isso vier à luz, talvez se desvende que o dinheiro da propina eram recursos públicos.

Uma legislação mais precisa pode evitar que instituições sejam levadas para uma engrenagem criminosa internacional. Mas talvez não seja a falta dela o ponto essencial.

Havia toda uma política, da qual o BNDES era um instrumento, destinada simultaneamente a abrir caminhos para a Odebrecht e fortalecer a imagem de Lula. Os métodos escolhidos para isso resultaram num desastre, pois fecharam os caminhos da Odebrecht e atingiram profundamente a imagem de Lula na América Latina.

A escolha equivocada jogou-os num enredo e crime e castigo. Mas a Odebrecht era considerada a maior empreiteira brasileira atuando no exterior, Lula é o ex-presidente do Brasil. Por mais que tenha nascido e se desenvolvido aqui a investigação que revelou o gigantesco esquema, o Brasil tem um delicado problema externo a superar.

O passo que sugiro é criar legislação que possa atenuar a desconfiança em torno de empresas brasileiras no exterior.

Enquanto o esquema era revelado somente dentro do Brasil, alguns lugares do mundo não se interessaram por ele. Mas agora que pelo menos nove países se deram conta da interface Odebrecht-Lula com os seus próprios políticos e administradores, a América Latina tornou-se uma única aldeia escandalizada.

Outra resposta brasileira que poderia inspirar outros países envolvidos no escândalo seria romper o vínculo entre empreiteiras e governo. Para isso é preciso aprovar um projeto, que já está no Congresso, obrigando a mediação de empresas seguradoras, responsáveis por fiscalizar as obras.

Governo e Congresso estão pisando em ovos com a Operação Lava Jato. Em vez de definirem as alternativas que se abrem com seu desdobramento, preferem discutir como contê-la. No entanto, não acho insensato pressioná-los a se dar conta do que está acontecendo em torno de nós, depois que o relatório americano foi divulgado. Muitos são investigados na Lava Jato. Investigadas ou não, as pessoas podem fazer as coisas certas quando se colocam problemas nacionais. Isso, todavia, não vai absolvê-las nem condená-las.

A dimensão da Lava Jato nos obriga a ir um pouco além do quem recebeu quanto para quê, quando eles serão julgados. O escândalo anexou uma dimensão internacional ao drama e atingiu a imagem do Brasil, por causa do comportamento de seu Lula e das empresas que gravitavam em torno do BNDES.

Pode-se escolher a tática de fingir que não foi conosco, submergir à espera de um melhor momento. Isso costuma falhar. Um título mundial de corrupção não se esquece rapidamente. É preciso correr atrás da credibilidade perdida. O julgamento dos artífices do gigantesco esquema de corrupção será, certamente, uma grande resposta.

E, antes dela, também ajudaria a transparência sobre a delação da Odebrecht. Não é confortável ler algo que aconteceu no Brasil, foi apurado aqui, narrado em inglês com os políticos sendo chamados de brazilian officials e numerados.

O brazilian official número 1, por exemplo, deveria dar uma parada para pensar no rastro de raiva que deixou essa aliança entre corruptos latino-americanos. A prática de roubar o próprio povo transcendeu as fronteiras nacionais. Um fato histórico.

Os líderes comunistas do passado criaram internacionais para marcar posições políticas diferentes. A decadência chegou ao ponto de se criar a partir do Brasil uma internacional da corrupção. Nela, América Latina e África foram unidas pelos seus defeitos, e não pelas qualidades.

Há todo um caminho a reconstruir.

2 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MOISÉS – BLOG DO MOISÉS

O PODER JUDICIÁRIO E A SOCIEDADE UNIDOS CONTRA A CORRUPÇÃO!

Vejam por que esse país de corno cururu avacalha e desmoraliza suas instituições permanentes e quase tudo vira uma zona de gases poluentes!

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina removeu compulsoriamente um juiz chamado de louco pela corte de justiça por querer fazer o Judiciário trabalhar.

O juiz Fernando Cordioli Garcia foi afastado da Comarca de Otacílio Costa, Santa Catarina, onde era magistrado, não sob a acusação de participação político-partidária e instabilidade, mas por ser crítico ferrenho do judiciário daquele Estado da Federação.

A acusação de participação político-partidária e instabilidade judicante contra o magistrado era apenas um pretexto corporativista do tribunal para afastá-lo da função de magistrado porque incomodava interesses escusos!

Vitima de perseguição devido ao trabalho de combate à corrupção, o juiz Fernando Cardioli foi submetido até a uma Junta Medica do TJ-SC que emitiu um laudo informando que o magistrado não apresenta qualquer sintoma psiquiátrico.

Que crimes cometeu esse magistrado para ser compulsoriamente afastado do cargo pelo voto de 49 dos 62 desembargadores que compõem o TJ-SC, e agora ter de se defender perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)?

Vejam os exemplos abaixo e tirem suas conclusões:

– Poucos dias depois de ser afastado da jurisdição pelo TJ-SC, o magistrado concedeu uma entrevista ao site Uol. Questionando: “Dizem que sou louco, mas pelo menos não me chamam de corrupto. Sou louco por querer fazer a máquina do Judiciário funcionar”.

– Em 2012, Cordioli leiloou dois carros do prefeito do Município de Palmeira (SC) em praça pública. O dinheiro era para pagar condenação por desvio de dinheiro público. Um terceiro carro, no qual o prefeito tentava viajar para Florianópolis, foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal depois que o juiz mandou uma ordem por fax para o posto de patrulha. O prefeito ficou a pé no acostamento. Aproveitou o ensejo para dar uma cagada no mato e a urtiga branca fudeu o cu dele de calombo! Bem feito!

– Quando a polícia pedia a prisão de alguém, o juiz despachava a mão no próprio requerimento, poupando toda burocracia: “É um recurso que está no Código de Processo Penal desde 1940″, afirmava.

– Depois que o MP se recusou a pagar peritos num processo contra outro ex-prefeito, o juiz pediu auxílio do 10º Batalhão de Engenharia do Exército para avaliar a casa do réu. Um destacamento cercou a casa, fotografou tudo e a avaliou em R$ 500 mil. Em seguida, quando estava prestes a transformar a residência num abrigo municipal para órfãos, o juiz Fernando Cordioli foi afastado.

– Numa ação ambiental, o juiz determinou à Fundação de Amparo ao Meio Ambiente que derrubasse a casa de um vereador erguida em área de preservação. Como a ordem judicial não foi cumprida, o juiz Cordioli fez o serviço ele mesmo, com a ajuda de um operário. Meteu a marreta na casa!

– Descontente em ver condenados a penas alternativas não cumprirem suas sentenças, o juiz exigiu que todos fossem ao quartel da PM às 9h, todos os sábados. Recebia o pessoal de pá na mão e comandava operações tapa-buracos nas ruas de Otacílio Costa.

– O juiz andava de bicicleta na cidade. Certa vez, visitou um desembargador vestindo jaqueta de couro e com barba por fazer.

– Em algumas audiências criminais preliminares, ele soltava pessoas que sabia que enfrentariam longas batalhas judiciais por coisas insignificantes.

– Em uma ação penal, um homem rico era acusado de crime ambiental, porque podara uns pinheiros. O juiz concluiu que a denúncia fora perseguição política e o inocentou sob o argumento de que “podar árvores não é crime”.

– No ano passado, Cordioli queixou-se de corrupção em Otacílio Costa ao governador Raimundo Colombo (PSD) e pediu intervenção no município. O governador agiu politicamente na punheta!

– Para vereadores queixosos de postos de saúde sem médico e sem remédios, sugeriu que responsabilizassem o prefeito e os ensinou a como fazer um processo de impeachment.

– Isso é o que se pode chamar de semente da Justiça. Quando o Brasil chegar ao nível penal dos EUA onde não há boquinha entre preto, pobre, puta e puto, remediado e rico, está porra vai pra frente porque quem tem cu tem medo!

O juiz Sérgio Moro, o MPF, o MPE e a Polícia Federal, juntos, estão impondo respeito e moralização a está zona de gazes poluentes, antes comandada pelo patrimonialismo meretrício da alta sociedade política criminosa!

Isso chama-se ESPERANÇA num futuro melhor a um país dominado pela corrupção endêmica que arruína a crença na honestidade e destrói a sociedade!

Que o exemplo do juiz Fernando Cordioli inspire todos os juízes que já entraram na magistratura em 2016 e a todos que vão entrar em 2017, para que atuem com zelo, independência, imparcialidade e justiça, para que o túmulo de Rui Barbosa não provoque um abalo sísmico de vergonha e descrença no Poder Judiciário!


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