5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (GO)

5 janeiro 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


NOITE DE CHUVA

Chove incessantemente. É noite escura.
A chuva escore, a cantar, no telhado.
Entre as ramagens do bosque molhado,
beijando as flores o vento murmura.

Dentro da noite eu sofro um mal sem cura:
estou preso ante a chuva e, desolado,
penso em ti, se estivesses ao meu lado
para aquecer-me com tua ternura!…

E desejo apertar-te nos meus braços,
receber os teus beijos, teus abraços
e juntinho a teu corpo adormecer…

Mas estou só, o meu leito vazio.
Não tenho sono, faz bastante frio.
E a noite toda a chover, a chover.

Bom Jardim, junho/62

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

A UNIVERSIDADE PÚBLICA É O LIXO DA POLÍTICA – PARTE I

Cada vez que penso no futuro da política no Brasil acomete-me uma grande desesperança, quer no presente quer no futuro. Também com nossos políticos só poderias perder toda a esperança, dirão alguns.

Não, não é por isso. Se fossem só os políticos e o sistema partidário, o choque de ações como a Lava-jato somado as manifestações de rua acabariam por surtir efeito, resultando em uma grande profilaxia que expurgaria as hordas de políticos corruptos, corruptores e seus asseclas do poder secular quer seja em Brasília quer seja nos mais distantes rincões da Nação.

Minha desesperança vem de algo mais profundo, de minha alma e da constatação crítica de que a situação política brasileira é algo mais grave e duradouro.

Primeiro se olharmos, despidos de lentes ideológicas ou da máscara do personalismo, veremos que desde nosso Congresso Nacional a mais singela Câmara Municipal, os políticos que ali habitam representam de forma precisa a sociedade brasileira, com suas virtudes e mazelas.

Estão ali os radicais, os representantes das diversas fés (e aqueles que delas se aproveitam), os espertalhões, os sinceros, os mentirosos, os semi-analfabetos e os pseudo-intelectuais. Nossos políticos são um retrato nu e cru de nossa sociedade. Os corruptos que ali estão representam, sim, o cidadão que vocifera contra estes mesmos corruptos, mas não se envergonha de furar a fila, de jogar lixo no chão ou de dar uma ‘cervejinha’ ao guarda. Admitamos ou não a política brasileira espelha a alma de nossa sociedade.

Até ai podemos antever algumas saídas. Se colocarmos o dedo na ferida, fizermos o mea culpa, reconhecermos a verdadeira face de nossa sociedade talvez tenhamos um caminho para salvar nossa política e consequentemente nossa Pátria que ainda não é Nação.

Vejam não estou (e estou também) criticando o indivíduo, o brasileiro e, sim o reflexo de suas atitudes na sociedade que o espelha. Política desde a Grécia antiga é a arte de viver na pólis (cidade), ou seja, é a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. É por óbvio essencial a vida em sociedade e se espelha exatamente na sociedade que a acolhe. Os políticos são os atores, os entes humanos (ou animais, dirão outros) que gerenciam a pólis, portanto são reflexos dela (sociedade), até porque são escolhidos (eleitos) por esta sociedade.

Esta é uma das razões de minhas inquietações, pois se a política reflete a sociedade como um espelho, para mudarmos a política temos de mudar a sociedade. Isto vem ocorrendo no Brasil e de forma não tão lenta, mas ainda é longo o caminho a ser percorrido e um dos fatores que podem acelerar esta transformação é a educação e aqui mora a principal razão de minha desesperança: a Universidade brasileira, especialmente a Universidade pública brasileira.

Por que? Porque devemos considerar que a política em sociedades mais ou menos democráticas, como a nossa, é feita pela eleição de prioridades e vontades de uma maioria. A vontade da maioria é o reflexo da média das vontades dos indivíduos que nela vivem, portanto pode ser considerada como medíocre. A mediocridade não é um defeito ou xingamento apenas a constatação de que está dentro da média, que não é algo que seja um disparate aos olhos da grande maioria.

Esta é uma característica da democracia, que pode ser vista como virtude mas que também é seu grande defeito, ou seja, a democracia como regime é medíocre. Mas como disse Winston Churchill (em 1947) “a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história”, talvez no futuro possamos ter outro regime melhor, mas por hoje é o que nos resta e, isto não me impede de considerá-la, neste ínterim, medíocre.

Bom então para alterarmos o status quo de nossa política é preciso melhorar nossa democracia, qualificando-a, elevando-a acima da média, suplantando a mediocridade. E como se consegue isto? Com educação, com formação crítica e qualificada, com a maturação de uma massa pensante que fomentará a mudança.

E este é o busílis da cizânia. Onde estão os loci desta formação/transformação? Estão nas Universidades brasileiras, especialmente nas Universidade públicas. Mas nossas Universidades públicas estão tomadas de profissionais medíocres (agora no mau sentido), politiqueiros, acomodados, na sua maioria sonhadores utopistas da esquerda falida. Nossas Universidades foram totalmente aparelhadas, tornaram-se reféns de sindicatos de servidores, são corporativas e em quase nada servem para atender os anseios da sociedade.

Como esperar que a fagulha da transformação saia de um ambiente contaminado por ideias e ideais ultrapassados e rançosos, como esperar que aparelhos corporativistas, do que há de mais torpe na política brasileira, possam fomentar a transformação do país, acabando exatamente com aquilo de que se alimenta.

Difícil, muito difícil. Na Universidade pública brasileira se faz pouca análise de conjuntura, pouco se propõe, menos ainda se executa, mas se faz muito barulho, muita crítica e principalmente muita política ou melhor muita politicagem. O ambiente da Universidade publica virou um cadinho onde funde-se e prolifera o que há de mais torpe na nossa política.

Não há que se estranhar pois foi este o local da gênese de boa parte dos partidos de esquerda e centro-esquerda no Brasil. O PT e o PSDB (sim, meus caros, embora os petistas afirmem o contrário, social democracia é um pensamento de centro esquerda, comentarei isto em outra postagem) se originaram na USP. PSOL, Rede e PSTU nasceram a partir de ações em Universidades e Institutos Federais e nos sindicatos a eles ligados. O PC do B sobrevive nas Faculdades de Ciências Humanas e nas Uniões Estudantis Brasil afora.

Por isso afirmo que a podre política brasileira mais do que refletir parte de nossa sociedade foi idealizada e gestada nos espaço onde deveria ser modificada, pensada, criticada e melhorada, a Universidade pública.

O jogo político neste espaço é ainda mais duro e mais sujo do que nos legislativos e executivos do Brasil. Na política Universitária se joga duro e sujo pois os valores envolvidos são astronômicos, a possibilidade de cargos e ganhos é enorme. Dali saem parte de nossas lideranças já batizadas a ferro e fogo nas práticas que levarão a seus Gabinetes.

Hoje se observarmos além do aparelhamento quase total e de uma política de eliminação do pensamento contrário, as gestões das Universidades públicas foram tomadas de assalto pelos partidos políticos de esquerda. O PC do B controla a UNE e o movimento estudantil, O PT (que vem perdendo espaço), PSB, PSOL (que vem crescendo neste espaço), PSTU e Rede dominam as reitorias e gestões.

Vemos ai que as esperanças de uma Universidade transformadora desaparecem na fumaça fétida que advém dos gabinetes universitários aparelhados, medíocres e reacionários (sim a esquerda pode e é reacionária, assunto para outra postagem).

Por isso minha desesperança cresce exponencialmente, pois não vejo saída próxima para a situação atual. Pelo que me concerne o ambiente Universitário não é reflexo das políticas públicas e dos políticos brasileiros, é ele (o ambiente universitário) que é refletido naqueles. Foi na Universidade pública que originou-se e que alimenta-se o pensamento político brasileiro. E, é nessa sujeira que se faz a política, ou melhor politicagem, da Universidade pública brasileira. Comentar tudo o que penso e as possíveis soluções para a política universitária no Brasil é muito para um texto apenas, por isso continuarei minhas elucubrações na próxima postagem.

Creio que só uma reflexão dura e sincera, doa a quem doer, com a admissão daquelas verdades que ninguém quer admitir poderá dar-nos alguma esperança de futuro. Para alguém que como eu foi professor de Instituição Federal toda a vida é frustrante admitir certas verdades e, mais ainda, é doloroso aceitar nossa impotência em tentar transformar as coisas.

Portanto encerro estes pensamentos com uma afirmação que corroí minh’alma e amargura meu coração só pelo fato de ter de proferi-la, mas que é fundamental à minhas esperanças no futuro. Como diziam os romanos veritatis simplex oratio (a verdade dispensa enfeites), desta feita concluo que:

A Universidade Pública é o Lixo da Política brasileira.

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MOISÉS – BLOG DO MOISÉS

NOS BECOS DA VIDA – Silvio Brito

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

MOVIMENTO DOS SEM-PÉ-NEM-CABEÇA

Eu sou do time dos sem mala e sem malemolência
Sem aparência aprisionada filha do botox
Sem prato inox, sem finesse e sem BMW
Sem um alfarrábio num caderno pra tirar xerox.

Sou Movimento dos Sem-Pé do pé 47
Sou canivete sem a lâmina que perdeu o cabo
Quase me acabo pra matar o mosquetão dum cano
E entrei no cano justamente pra fugir de um cabo.

De cabo a rabo estou no muro dessa honoris causa
Com a menopausa menstruada da rapaziada
Cravei zoada na memória de um pensamento
E o Movimento Sem Cabeça deu com o Pé na estrada.

Puxei a trança avermelhada de um sansão careca
Com a terereca da firmeza dessa nossa luta
Filhos da puta! Supliquei de voz aveludada
Pois sem veludo na cabeça um pé não se disputa.

E a caravana dos Sem-Pés seguiu de espora avante
Causa gigante dos anões dos fundos everestes
Marrom-celeste é o dolorido de nossa bandeira
A verdadeira bananeira que esse Adão me veste.

Se eu for eleito inelegível, serei coroado
Com os pés rachados pelas plumas dessa nossa sina
E a purpurina gente fina feito um baobá
Tibungará na vermelhura desse azul-piscina.

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

5 janeiro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UMA AMIGA MUITO QUERIDA QUE É OTORIDADE MUNICIPAL

A notícia abaixo foi publicada no Portal Vermelho, a página do PCdoB aqui em Pernambuco:

A camarada Cida Pedrosa toma posse na tarde desta segunda-feira (2) como secretária da Mulher do Recife.

Cida é advogada, poetisa, feminista e ativista de Direitos Humanos.

De 2013 a abril de 2016 esteve à frente da secretaria municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, comandando iniciativas pioneiras na área.

“Tomo posse com um desejo enorme de contribuir com a luta”, afirmou a nova secretária.

Eu achei arretadas estas palavras: camarada, feminista, ativista, luta, direitos humanos, sustentabilidade.

Um zecabulário típico dos vermêios das zisquerdas, principalmente dos armados com foice e martelo.

Cida é cumpanhera e camarada do vice-prefeito eleito do Recife, Luciano Siqueira, também do PCdoB, que já foi colunista do JBF (saiu porque quis, apesar dos meus apelos…)

Cida Pedrosa é uma amiga muita querida e na qual eu voto sempre quando ela se candidata a vereadora aqui no Recife.

Agora, como Secretária da Mulher na prefeitura municipal, vou ver se consigo arrancar uma verbinha pública pra pagar o décimo terceiro de Chupicleide, a secretária de redação do JBF.

A situação financeira do Complexo Midiático Besta Fubana está tão ruim que eu não consigo nem exagerar…

Ajuda nóis, Cida!

Prometo a você abrir as pernas (êpa!) pra aumentar a escassa participação das fêmeas nesta gazeta escrota.

Fecho esta postagem recomendando aos viciados fubânicos que leiam um texto que publiquei no dia 1º de outubro de 2016 no JBF.

Basta clicar aqui.

* * *

Chupicleide: “Dona Cida, por caridade, arranje uns trocadinhos pro JBF que eu tô fudida. Cortaram a minha luz e eu tô maguinha de tanto passar fome”

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU

FREVO MULHER

Música de Zé Ramalho, interpretada por Amelinha.

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE


http://www.apoesc.blogspot.com.br
A LINGUAGEM DO AMOR

É triste e me causa dor,
Me desatina e me prende,
Que a linguagem do amor
O homem já não entende.
Com medo do abandono,
Um cavalo perde o dono,
Chora e sente desenganos…
(…) São verdadeiros sinais,
Que os pobres dos animais,
Sentem mais que os humanos.

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

REGIOPIDIO GONÇALVES DE LACERDA – JUAZEIRO DO NORTE-CE

Que o ano que agora se inicia
Traga a paz, a alegria e o amor
Que afaste de ti invenja e dor
E que seja regado de alegria.
Que a família se encontre em harmonia
E que a glória do pai sempre presente
Ilumine o seu corpo e a sua mente
E que pulse mais forte o coração
Traduzindo em cada pulsação
O carinho e amor que você sente.

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5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
BOTERO ME LIGOU

Não sei com vocês, amigos, mas comigo é sempre assim. Anoto tudo no papel – da quantidade diária de calorias a ser consumida aos minutos que não andarei. Preparo potes e potes de gelatina e pudins – diets, evidentemente -, cozinho legumes e carnes magras, reservo e congelo. Encho e ponho para gelar pelo menos cinco litros de água com e sem gengibre, deixo meus “fitos” às mãos, faço orações, rego a comigo-ninguém-pode. Tudo prontinho, hora de começar a dieta. Amanhã, claro.

Quando o amanhã finalmente chega, me pega animado que só. Em geral, nos dois primeiros dias, supero de longe todas as expectativas. Consumo muito menos que o planejado. Agora vai? Não vai. No terceiro dia, quando muito no quarto, uma ira insana se apossa desse corpanzil trêmulo. Viver? Que sentido faz uma coisa dessas, nessas condições de privação quase absoluta? O ser humano é um desgraçado que se empanzina a valer de tudo o que engorda – na minha frente, ao vivo ou pela tevê. Faz de propósito. Mas tudo passa. No sétimo dia – em geral, após espiadela no espelho do quarto -, uma baita prostração me toma de assalto. Já não consigo sequer ficar irado. Choramingo. Tanto sacrifício em vão, todas as ilusões perdi das. Se é para ser infeliz, melhor ser gordo. Ponto final. Que mal há em comprar um número mais confortável? Ora, a vida foi feita para ser comida e bebida. Estou longe de ser um menino. Lutar contra a natureza pra quê?

A madrugada retrasada me trouxe um sonho. Botero – o grande Botero – me ligou e disse que queria me contratar. Como modelo. Acordei pimpão, aliviado, encarei o maldito espelho, fiz poses, tomei uma resolução: vou escrever para o mestre, me colocando à sua inteira disposição. Sempre fui vaidoso. Manequim. Por que não? Vai ser duro manter a boca fechada, não dizer palavra, sina de todos os retratados pelo mestre colombiano? Claro que sim. Mas qual ofício não tem seus ossos? E com a barriga cheia – cá entre nós – tudo segue melhor. O café da manhã foi pra lá de supimpa. De rei. Almoço e jantar também prometem. Afinal, não posso perder a forma. Botero me espera.

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

5 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

A FRASE DO DIA

“Não tinha nenhum santo. Eram estupradores, matadores e pessoas ligadas a outra facção, que é minoria aqui no Estado.”

José Melo, governador do Amazonas, sobre os 56 presos mortos durante rebelião em Manaus.

* * *

Isto que o governador José Melo falou é o que Nelson Rodrigues chamava de “óbvio ululante“.

Agora, só falta a gente ouvir o que Maria do Rosário – a incansável defensora dos Direitos dos Manos -, tem a dizer sobre isto, levando-se em conta que não foram policiais que mataram os bandidos amazonenses.

“Snif, snif, xiuf, xiuf… 65 coitadinhos inocentes subiram pro céu…”

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

RONALDO – CHARGE ONLINE

MARCONI MACHADO – ARAGUARI-MG

Bom dia.

Uma contribuição para o JBF.

Publique por favor este vídeo no melhor blog do Brasil.

Um cachorro reacionário da extrema direita.

Abraços e feliz 2017.

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

SAFRA CAJUS COMEÇANDO

O melhor, nessa delação da Odebrecht, são os apelidos. Ou codinomes, se preferirem. Cada político tinha o seu, na hora de receber grana suja. Mesada, se preferirem. Alguns são curiosos: Angorá, Bobão, Boca Mole, Casa de Doido, Duvidoso, Encostado, Feia, Kibe, Muito Feia, Nervosinho, Ovo, Passivo, Todo Feio, Viagra. O Chefão, em outras delações, já foi Brahma, Brazilian Official 1, LL Barbudo e Comandante da ORCRIM. Agora é só Amigo (Friend). Virou íntimo. Só mesmo rindo.

Curioso é que, ao ouvi-los, a memória lembra histórias do passado. Não é grande coisa, bem sei. Quando era criança/ Vivi, sem saber,/ Só para hoje ter/ Aquela lembrança, disse Pessoa (em poema, sem título, de 2/10/1933). São só lembranças. Por exemplo, tome-se o apelido do senador Romero Jucá. Que é caju. Meio óbvio. Mas um bom trocadilho – Ju-cá, Ca-ju. Volto no tempo.

Sílvio Caldas era, então, o maior sucesso do rádio brasileiro. Acabara de assinar um contrato monumental (para os padrões da época) com a Rádio Nacional. E veio visitar amigos no Recife. Problema é que a cachaça, por aqui, era quente. Os tira-gostos, de outro mundo. Entre eles caju, claro. E a conversa, boa demais. Resumo da ópera, foi ficando. Na véspera da estreia de seu programa, nada de Sílvio Caldas no Rio. Os diretores da rádio, desesperados, ligaram para Esmaragdo Marroquin. Editor do Jornal do Commercio. Pedindo ajuda. Para localizar o cantor.

Esmaragdo determinou, a todos os jornalistas disponíveis na redação, que procurassem nos bares. Onde, imaginava, estaria o seresteiro. Cria fama e deita-te na cama. Um deles foi Amélio (com esse nome foi batizado) Cabral. O homem de verdade, sempre assim o chamava – lembrando a Amélia de Mário Lago e Ataulfo Alves, que era a mulher de verdade. Para fins artísticos, acabou Rui Cabral. Acontece.

Rui foi designado para ir ao Maxime. No Pina. E, naquele bar, afinal encontrou Sílvio Caldas. Mais pra-lá do que pra-cá. Deu seu recado, a Rádio Nacional o estava convocando. Ele precisaria viajar. Sílvio Caldas pegou um guardanapo de papel, escreveu algo nele, deu dinheiro a Rui (muito mais do que seria razoável) e pediu que passasse um telegrama.

No papel, endereçado aos diretores da rádio, Rui leu: Impossível partir. Safra cajus começando. Cajus, como os de Romero Jucá. Mas diferentes deles, pela inocência. Voltou para a redação e entregou dito guardanapo a Esmaragdo. Uma equipe foi mobilizada para conduzir, gentilmente (nem tanto), o cantor até o aeroporto. O puseram num avião Constelation da Panair (ai de mim, que a meninada de hoje nem sabe o que é isso). Chegou ao Rio dormindo, embalado por quilos de álcool. E foi facilmente conduzido, por funcionários da rádio, para sua casa. Dia seguinte estreou. Sucesso retumbante. Com saudades dos cajus daqui, claro.

O ano de 2016 foi duro. Para todos nós, brasileiros. O que dá pra rir/ Dá pra chorar, palavras de Billy Blanco (“Canto Chorado”). Problema é que, nesse ano que passou, quase não deu para rir. Esperamos, então, que tudo melhore a partir de agora. Que haja cajus para todos. E alegria também, pelo menos um pouco. Assim, preferi começar o novo ano com uma historinha leve. Para contribuir no otimismo geral. E já dou, ao leitor amigo, boa informação. A de que vai ter férias desse pobre escrevinhador. Até depois do Carnaval. Se Deus quiser, claro. Bons anos para todos.

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

5 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – REBELIÕES ATRÁS DAS GRADES

* * *

Eu fico ancho que só a porra de ver o meu querido Pernambuco nesta lista maravilhosa.

Mas vou ficar mais ancho e feliz ainda no dia em que aparecer o estado do Paraná, especificamente a cidade de Curitiba, com os seus números.

Os ilustres nomes que estão lá engaiolados bem que poderiam liderar uma rebelião daqui pro final deste mês de janeiro. Seria um magnífico início de ano.

Vou ficar torcendo pra que isto aconteça.

Dois excelentes nomes vermêios-istrelados para liderar rebelião em Curitiba

5 janeiro 2017 FULEIRAGEM

CLÁUDIO – AGORA SÃO PAULO


http://www.musicariabrasil.blogspot.com
RITA LEE TUTTI FRUTTI ATRÁS DO PORTO TEM UMA CIDADE

Este é o primeiro álbum da cantora e compositora Rita Lee com a banda Tutti Frutti, lançado em 1974.

Dando uma pausa na abordagem dos grandes nomes de nossa música, hoje quero falar um pouquinho sobre o álbum “Atrás do porto tem uma cidade”, lançado originalmente por Rita Lee e sua banda de apoio tutti-frutti em 1974. Composto por dez faixas, o disco é o primeiro disco verdadeiramente solo de Rita Lee e vale o registro que também foi a primeira parceria da roqueira paulista com esta banda de apoio que a acompanharia ainda por mais quatro álbuns (“Fruto Proibido” (1975), “Entradas e Bandeiras” (1976), “Refestança” (1977) e “Babilônia” (1978)). “Atrás do porto tem uma cidade” foi lançado no ano seguinte à saída de Rita dos Mutantes, grupo que vinha projetando o seu nome em todo país desde a década anterior, por isso o álbum é considerado o primeiro projeto fonográfico da cantora verdadeiramente solo (pois os lançamentos anteriores “Rilta Lee – Build Up” lançado em 1970, e “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” , de 1972, aquela que viria a se tornar a Rainha do rock nacional ainda estava vinculada ao grupo que a projetou).

Quanto ao disco vale o registro de que a sua a ficha técnica do disco foi toda escrita à mão por Rita, em forma de diário. Entre um crédito e outro, há mensagens como o agradecimento aos “baurets” (apelidos dados aos entorpecentes consumidos pela cantora, dentre os quais os cigarros de maconha), recados pessoais e verdadeiras crônicas do momento pelo qual passava. Em relação as faixas presentes, há boatos de que algumas letras teriam sido censuradas, mas nada que posteriormente tenha sido comprovado. Com sete faixas compostas exclusivamente por Rita Lee, o disco traz canções que mais tarde ganharia o gosto popular e entraria para o rol de músicas prediletas do público da roqueira como é o caso das faixas “Ando jururu” e “Mamãe natureza”, que viriam ganhar também registro ao vivo quatro décadas depois, no álbum “Rita Lee MTV Ao Vivo”, álbum gravado no Hotel Unique em São Paulo, nos dias 26 e 27 de Agosto de 2004 e lançado em CD e DVD. Esse projeto foi baseado nos concertos da turnê de Balacobaco que Rita vinha fazendo na época.

Voltando ao “Atrás do porto tem uma cidade”, há comentários nos bastidores da MPB que na mesma época da gravação do disco, Rita começou a perceber que os interesses do presidente da Philips, André Midani, ía muito além do campo profissional (fato que não a impediu de corresponder e assim dar início a um affair que, segundo as más línguas, Rita levou adiante um pouco por querer se vingar de Arnaldo (que não gostava de André), um pouco por querer ver seu disco bem trabalhado. Vale o registro que na época em que gravou o álbum “Atrás do porto tem uma cidade”, Lee chegou a iniciar as gravações de um segundo disco que seria a primeira produção assinada por Liminha, não foi lançado por causa da rescisão de contrato com a gravadora.

Um disco que permanece sem um lançamento oficial por conta de entraves burocráticos como o que ocorreu nos anos de 1990 com o produtor musical Marcelo Fróes, que ao tentar lançá-lo em CD esbarrou em problemas com um dos músicos do Tutti Frutti, que registrou o nome da banda e exigiu receber royalties. Sim! Quase passava desapercebida a apresentação dos músicos que fizeram parte deste disco sob direção artística de Marco Mazolla: Lúcia Turnbull (voz, guitarra, violão de 12 cordas e palmas), Luis Cláudio (jazz guitar), Mamão (bateria), Juarez (saxofone tenor), Paulinho (bateria), Luis Sérgio Carlini (guitarra, guitarra havaiana) e Lee Marcucci (baixo).

O disco pode ser ouvido clicando aqui.


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