6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SENNA – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

QUEM SABE?

Uma modinha de 1859, de autoria da dupla Carlos Gomes e Bittencourt Sampaio, interpretada por Francisco Petrônio. No violão, Dilermano Reis.

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

ALDO – FLORIANÓPOLIS-SC

Prezado Berto

Leitor fubânico inveterado, fã de seu estilo corajoso, me pergunto porque nenhum colunista aborda o tema “porque entram armas, etc, nos presídios?”.

Tenho certeza de que você dará a devida atenção.

A causa é simples: os presos, através de ameaças (sei onde mora sua família e se não fechar os olhos mato todos eles) imobilizam carcereiros, agentes, diretores.

Dai as portas são escancaradas.

Porque, em vez de sair gastando dinheiro atoa, os governos estadual e federal, não procuram ver como é feito nos países em que não há rebeliões, como os EUA?

Basicamente são dois fatos: superpopulação e anonimato.

A superpopulação é cruel. Não se deve dar muitas regalias a presos, mas deve-se dar um mínimo de dignidade.

E o anonimato de todos os que tratam com os presos é outro requisito. Devemos blindar os agentes a ameaças.

Mas como?

Não sei a resposta, mas o caminho é usar verbas com sabedoria e não falar bobagens.

R. Caro leitor, a vossa pergunta “por que entram armas nos presídios brasileiros?” deve ser confrontada com outra pergunta:

Por que não entram armas nos presídios dos Zistados Zunidos, aquele país cruel e capitalista?

Hein?

Leitores e colunistas fubânicos estão convidados pra debater o tema.

Enquanto quebramos a cabeça buscando uma resposta, quero aproveitar a oportunidade para enviar um grande abraço aos 1.810 viciados fubânicos que moram em Santa Catarina.

Deste total, segundo dados do Google Analytics, 625 residem nesta bela Florianópolis.

* * * 

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

RETROSPECTIVA

Nem todo mundo gosta de recordar fatos passados. Ainda mais quando toca na ferida. Mas, é bom destacar as extravagancias que rolaram no país em 2016. Despreparado, o país se arrebentou em crises. Crises política, econômica, fiscal, policial e moral que produziram centenas de fatos negativos, semvergonhas que arrasaram a economia, esfacelaram a vida da população.

Pilhérias políticas repercutiram em demasia. Produziram escândalos, corrupção, traição, festival de propinas, Caixa 2, desvios de dinheiro, evasão de divisas, cabeludos peculatos. Tanto implantaram mamatas, como trouxeram enxurradas de denúncias.

O vazamento de conversas secretas por meio de grampos desvendou teimosias. Revelou abuso de autoridades, aflorou hipocrisias, apagou o bom senso no país. Descortinou safadezas. Levando muitos “espertinhos” pro xadrez. Lugar merecido.

Prisão de ex-governador levanta suspeita de violentos desvios de recursos públicos, cujo rombo supera R$ 220 milhões. A descoberta de fuga de volumosos valores para depósitos no estrangeiro estragou prazeres. Arrombou os cofres do país. A nomeação de magistrados em órgãos do Judiciário teve finalidade específica. Evitar punições de apadrinhados.

Os arrumadinhos na fase do impeachment duraram onze meses de enfadonhos debates. A intenção de anular a sessão de votação do impeachment podia dar zebra. A sorte foi a pressão das ruas que segurou a barra. No entanto, a atitude suspeita sujou a imagem da Câmara Federal. Queimou a credibilidade do Congresso.

Sempre falta dinheiro para evitar alagamentos nas cidades. Mas, sobra o suficiente para pagar propinas, sustentar desvios e lavagem de dinheiro. Hospitais erram e mandam corpo de ex-paciente para família diferente que desconhece a morte de parente. A proibição da vaquejada, tradição regional, deixou o nordestino arrasado. O racismo está ativo no país. Sempre explode em algum canto.

No quadro policial ocorreram muitos registros negativos. Detentos em fuga deixam bilhete debochando da polícia. Bandidos matam professores, médicos, pais de famílias, de graça, protegidos pela insegurança em toda parte. Mulheres são flagradas conduzindo três mil quilos de explosivos. Quadrilha é presa por transportar toneladas de drogas em caixas de repolho. Sinal de fraca fiscalização nas rodovias. Os assaltos a bancos atormentam. Impacientam. E não tem fim.

Desastrosos esquemas desnudaram a economia. Causaram instabilidade, plantaram incertezas. O protecionismo e o estímulo ao consumo pintaram miséria na sociedade. Marcou pra valer o indefeso cidadão.

O país persegue a fórmula para sair da inflação em alta. Sonha baixar os juros altíssimos, impedir a queda do poder de compra, evitar o avassalador desemprego, barrar o endividamento das famílias, conter a produção em queda, evitar o desmonte do parque industrial, resultante da longa recessão, da insuportável contração econômica que fez o PIB recuar. No entanto, cego, se perde no meio do caminho. Fica sem ação. Nem sabe como evitar a disparada da dívida pública que obriga o governo gastar mais do que arrecada.

O povo não se conforma com o peso da carga tributária que enverga a arrecadação. Comprime a previdência pública, desajusta as contas públicas.

O governo tem de abandonar a comodidade. Cortar os excessos nos gastos públicos é obrigação. Enxugar a máquina um dever inadiável. Afinal, saídas para burlar as crises não faltam. O problema é encontrar o roteiro que pode está bem na cara. Pode está nos investimentos na educação, saúde e na tecnologia.

Especialistas recomendam. A dessalinização da água do mar sai mais barato do que a transposição do rio São Francisco. A divisão na exploração dos campos de petróleo barateia custos. Reduz taxas de juros, dá fôlego à saúde financeira das empresas. Nomear técnicos na direção de estatais acaba com as jogadas políticas. Dribla prejuízos. Reduzir a excessiva quantidade de impostos é o roteiro mais indicado.

Ora, se o mundo entra na rota de recuperação, o Brasil devia pedir carona na empreitada, pensando dar a volta por cima. Não tem outra jogada para perseguir o desenvolvimento. Ela pode começar pelo esquema de reajuste econômico. Pelo estímulo à produção, via investimento em infraestrutura, na caprichada a política de desburocratização.

A ruindade do ano que passou acirrou o desentendimento entre os Poderes. Coisa rara no Brasil. Os vereadores sacanearam. Esperaram o apagar das luzes da legislatura para aprovar aumento do próprio salário. A Justiça diz que não pode, a decisão é inconstitucional, mas os parlamentares, cheios de direito, retrucaram na hora. Gritando que pode, e aí. Quem tem razão.

O governador de Minas Gerais, estado em crise financeira, utiliza o helicóptero oficial para ir buscar o filhão que foi se divertir numa uma festa promovida por um balneário distante quase trezentos quilômetros de distancia de Belo Horizonte. Tudo pago pelos mineiros. É justo?

O governo quase consegue a licitação para contratar serviços de sofisticada alimentação nos aviões da Presidência da República ao preço de R$ 1,75 milhão. Em boa hora, a pressão falou mais alto. Forçou a revogação da medida.

Passam governos, todavia ninguém se toca de que a tabela do Imposto de Renda está defasada desde 1996. Requer atualização. A defasagem, atingindo a taxa de 83,12%, obriga o contribuinte a pagar mais imposto de renda ao leão. Todo ano. Bem acima do que deve pagar, realmente. Essa, não.

A esperança é que 2017 transcorra mais suavemente. Seja mais generoso com os indefesos. Sem subterfúgio, manobras ou hipocrisias.

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS

João Paraibano – (1953-2014)

* * *

João Paraibano

Mote:

Obrigado meu Deus por ter me feito
Nordestino, poeta e cantador.

Já nasci inspirado no ponteio
Dos bordões da viola nordestina
Vendo as serras banhadas de neblina
Com uma lua imprensada pelo meio
Mãe fazendo oração de mão no seio
E uma rede ferindo o armador
Minha boca pagã cheirando a flor
Deslizando no bico do seu peito
Obrigado meu Deus por ter me feito
Nordestino, poeta e cantador.

Me criei com cuscuz e leite quente
Jerimum de fazenda e melancia
Com seis anos de idade eu já sabia
Quantas rimas se usava num repente
Fui nascido nas mãos da assistente
Na ausência dos olhos do doutor
Mamãe nunca fez sexo sem amor
Papai nunca abriu mão do seu direito
Obrigado meu Deus por ter me feito
Nordestino, poeta e cantador.

* * *

João Paraibano

Mote:

Vou no trem da saudade todo dia
Visitar o lugar que eu fui criado.

No vagão da saudade eu tenho ido
Ver a casa que antes nasci nela
Uma lata de flores na janela
A parede de taipa e o chão varrido
Milho mole esperando ser moído
Numa máquina com ferro enferrujado
Que apesar da preguiça e do enfado
Mãe botava de pouco e eu moía
Vou no trem da saudade todo dia
Visitar o lugar que eu fui criado.

* * *

Moyses Lopes Sesyom

Mote:

Eu fiz um saco de meia
pra suspender os colhões.

Senti grossa a cordoveia,
quando vi, fiquei doente,
apressado, incontinente
eu fiz um saco de meia.
Depois da bruaca cheia
suspendi por dois cordões,
senti doer os tendões
onde a mulher tem tabaco,
eu não tenho, uso o meu saco
pra suspender os colhões.

* * *

Moyses Lopes Sesyom

Mote:

O saco que eu sempre usava
Não cabe mais os colhões.

Por esta não esperava,
De tristezas estou carpido,
Hoje vi, está perdido
O saco que eu sempre usava.
Foi uma sentença brava
Pra tirá-la em grilhões,
Porém alego as razões
Para as quais tenho de sobra,
O saco deu uma dobra
Não cabe mais os colhões.

* * *

Salomão Rovedo

Mote:

Pobre cu que não tem sorte
Solta um peido a merda vem.

Um ataque agudo e forte
Bem pior que a dor de parto
Rasga violento e farto
Pobre cu que não tem sorte.
Mais forte que a dor da morte
E dor de viado também
Castiga sempre alguém
Como fosse dor de corno
A tripa faz um contorno
Solta um pedido a merda vem.

* * *

Nelson Nunes Farias

Mote:

Lá vem o sol colorindo
O resto da madrugada.

A noite que passa lenta
Me traz rios de saudade
De mim não tem piedade
No céu a lua se ostenta
Parecendo desatenta
É tela sendo pintada
Para ser admirada
Mais um dia que vem vindo
Lá vem o sol colorindo
O resto da madrugada.

Renova-se a esperança
Chegada de um novo dia
Como um passe de magia
As nuvens todas em dança
Brincando feito criança
No ventre sendo gerada
De cores sendo pintada
Parecem dizer sorrindo
Lá vem o sol colorindo
O resto da madrugada.

* * *

Dimas Bibiu

Mote:

Cabaré cortiço cheio
De abelhas da perdição

Na porta de um cabaré
Bem na esquina da rua
Tem mulher sentada nua
Outras duas “beba” em pé
Velha que pede um café
Porque não tem refeição
Mulher com chave na mão
Com raiva de quem não veio
Cabaré cortiço cheio
De abelhas da perdição

A noite passa acordada
Bebe, fuma e adultera
Chora pensando em quem era
Semilouca embriagada
Ver briga, tiro e facada
Tapa, soco e empurrão
Colegas mortas no chão
Quando finda o tiroteio
Cabaré cortiço cheio
De abelhas da perdição

Mulher dum corpo fogoso
Mas seu olhar não tem brilho
Porque despreza seu filho
E abandona o esposo
E vai procurar repouso
Na casa da corrução
Lá recebe ingratidão
Desgosto, mágoa, aperreio
Cabaré cortiço cheio
De abelhas da perdição

No cassino a meretriz
Adora o álcool e o fumo
Baliza que aponta o rumo
Do seu fadário infeliz
E seu mal mostra a raiz
Quando chega à conclusão
De levar um empurrão
Dum preto, andrajoso e feio
Cabaré cortiço cheio
De abelhas da perdição

Mulheres prostituídas
Que seu pudor não quiseram
E no cabaré vieram
Pecar com milhões de vidas
Suas veias poluídas
O vento em deformação
Recebe fecundação
Morre o feto, seca o seio
Cabaré cortiço cheio
De abelhas da perdição.

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

VANDERLEI ZANETTI – SÃO PAULO–SP

Caro Luiz Berto,

Cara arretado esse pernambucano “Alceu Valença”.

Não é que ele encontrou com um grupo de músicos, cantando e tocando em troca de algum dinheiro, numa esquina do Rio de Janeiro, e ele então, despojadamente e generosamente passou a cantar um dos seus clássicos “Morena Tropicana”, com os jovens e no final ainda enfiou a mão no bolso e deixou uma grana pra turma.

Não deu outra. Na esquina se formou uma platéia entusiasmada e emocionada com o gesto dele.

Um abraço,

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

FRANK – CHARGE ONLINE

A UNIVERSIDADE PÚBLICA É O LIXO DA POLÍTICA – PARTE II

[…] Por que estou desesperadamente desesperançoso com a capacidade crítica de nossa Universidade Pública? Porque compreendo que ela é o loci da transformação social e esta transformação pressupõe debate, embate, discordância, fluxo e contra-fluxo de ideias. Só que na Universidade pública brasileira, faz muito tempo, desapareceu a diversidade de pensamento. Há apenas uma unicidade do pensamento ideologizado de esquerda, repetido como um mantra em todos os recantos da Universidade e qualquer divergência mínima deste pensamento é combatida até a destruição. A patrulha ideológica é real e cruel no ambiente universitário, arrasa carreiras, amedronta e agride.

Mas o buraco é mais embaixo ainda. Por que se faz política nas Universidades públicas? Simples, dinheiro e poder. Uma Universidade ou Instituto Federal têm um orçamento anual (incluídas as folhas de pagamento) que suplanta a grande maioria dos municípios de médio porte brasileiros. Um Reitor em uma Universidade pública tem centenas de cargos de confiança para nomear, muito mais que os prefeitos dos municípios que as abrigam.

São cargos que podem ser usados para nomear correligionários de fora da Universidade ou pessoal da própria Universidade (na maioria dos casos) e os valores das CC’s somam-se aos salários dos servidores variando entre R$ 600,00 a mais de R$ 7000,00 (há funções de menor valor mas a maioria se situa nesta faixa, no caso das Universidades e Institutos Federais).

Há também o poder de indicar pessoas para Comitês e Conselhos, a destinação de bolsas, de verbas de pesquisa e extensão, diárias, viagens nacionais e internacionais e uma série benesses para os mais próximos e apaniguados do poder ‘reitoral’. Por exemplo qualquer Universidade e/ou Instituto Federal tem em suas contas pelo menos uma centena de telefones celulares ditos institucionais, com as contas liberadas e pagas pelo povo, que são distribuídos para aqueles que comungam das benesses e da proximidade do gestor.

É muito poder e dinheiro e isto cresceu mais ainda durante os Governos do PT com a expansão Universitária. Esta expansão foi feita de forma politiqueira e não técnica e, ao invés de qualificar os cursos (muitas vezes precários) já existentes, passaram a abrir campi nos mais diversos rincões do país.

Na maioria das vezes a expansão se deu através de escolhas políticas, ou seja, o prefeito ou um deputado da região fazia parte de partidos da base ou tinha influência suficiente e pronto a cidade ganhava um campus de Universidade ou Instituto Federal, as vezes dos dois.

Há municípios em são ofertadas mais vagas de ingresso no ensino superior do que egressos do ensino médio, anualmente. Dinheiro jogado fora e, em municípios que faltam estruturas mínimas para o ensino básico. Pura politicagem.

Mas os partidos políticos de esquerda, que já dominavam o ambiente universitário, aproveitaram para aparelharem ainda mais as Universidades promovendo mais um expurgo das ideias contrárias.

O grande poder econômico e estratégico dos reitores e da gestão nas Universidades e Institutos públicos (especialmente federais) fez com que partidos como PSOL, PSTU, PSB, PC do B, PT e Rede passassem a disputar quase a tapa estes cargos. Fazendo qualquer coisa pelo poder gestor nas Universidades, tornaram ainda mais suja a prática política em nossa academia.

A eleição para Reitor, além de encerrar um poder bastante considerável no cargo, é realizada em um ambiente em que há grande hegemonia ideológica (apesar da grande disparidade de interesses individuais e de grupo) mas um ambiente restrito.

Praticamente, além da disputa entre os candidatos a única divergência é sobre o tipo de voto Universal (o voto tem peso individual) ou Paritário (cada grupo professores, técnicos e alunos tem 1/3 do peso final nas eleições). O que é um absurdo pois quem paga a conta, os salários e a ineficiência destas instituições é a sociedade e ela, a sociedade, é solenemente ignorada e desprezada no processo de escolha dos gestores desta montanha de dinheiro público.

Lançada a eleição é a política do vale-tudo. Promessas, mesmo ilegais, viagens, cargos, bolsas, benesses. Pode-se tudo nesta disputa por poder, em um ambiente restrito, com pequeno número de eleitores e totalmente alijado dos sentimentos e necessidades da sociedade que paga a conta, mas que vai glorificar o vencedor com um poder econômico e político imenso.

Campo fértil dos partidos de esquerda, estes transformaram a política universitária em um fac-simile de suas ideologias torpes e conseguiram criar um laboratório de testes para uma política ainda mais suja do que aquela que é praticada pelos executivos e legislativos Brasil afora.

Como esperar que desse ambiente saiam ou sejam formados aqueles livre pensadores que vão romper com o ciclo vicioso da política brasileira, nivelando por cima nossa medíocre democracia? É extremamente complicado esperar que aqueles que comungam e vivenciam este ambiente possam ser capazes de fomentar a mudança.

É preciso ‘desesquerdizar’ a Universidade brasileira. É preciso mudar o acesso a Carreira docente (com concursos e lotações centralizados no MEC, evitando que o ingresso de novos docentes seja direcionado e atenda critérios ideológicos tão danosos ao ambiente acadêmico, mas extremamente comuns nas Universidades públicas), fazendo valer o esquecido principio constitucional da impessoalidade.

Precisamos democratizar os Conselhos Universitários, órgãos máximos da Gestão Universitária e ao qual a sociedade não tem o mínimo acesso. São formados endogamicamente pela comunidade universitária, com viés político e não técnico. Chegam ao extremo de poderem decidir os próprios salários (dos servidores da Universidade) nas Universidade Estaduais de São Paulo. É um sonho um emprego onde um grupo de funcionários decide o salário, deles e dos colegas.

E, principalmente, precisamos mudar a forma de escolha dos gestores passando de eleições para seleções públicas, em todos os principais cargos de gestão. Que escolham-se os mais capazes, independente de grupos políticos e/ou ideológicos. Que aprendam a trabalhar de forma colegiada superando suas diferenças.

Parece um sonho distante, mas vejo, com grande entusiasmo, surgirem aqui e acolá grupos de resistência que contestam e desafiam o status quo do ‘aparelho esquerdista’ universitário. Em geral são alunos, ainda tímidos, mas que aos poucos vêm recebendo o apoio de professores e demais servidores.

Precisamos reagir, precisamos urgentemente desaparelhar e ‘desequerdizar’ as Universidades e Institutos de educação superior públicos do Brasil. Precisamos limpar o fétido ambiente político que instalou-se e gerencia o lixo em que se transformou a política universitária no país. Só assim daremos o primeiro passo na moralização de toda a política brasileira.

Mas para romper o ciclo vicioso temos que começar rompendo o aparelho de gênese política podre que instalou-se nas nossas Universidades públicas.

Comecemos e rápido. Há muito que fazer.

Lembremo-nos:

A Universidade Pública é o Lixo da Política brasileira.

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

6 janeiro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM BOM SINAL PRA FATURAR A MEGA SENA

Ontem, quinta-feira, saímos eu e Aline pra tomar café numa padaria que fica na Praça da Casa Forte, aqui no Recife. Esta praça é um sítio encantado, tranquilo, arborizado, bonito, cheio de paz e de luz.

O aparelho do carro estava ligado num programa da Rádio Universitária, transmitindo gostosos forrós. Aline dirigindo e eu olhando a paisagem e ouvindo as músicas.

Lá pelas tantas, vai ao ar a voz do Poeta Jessier Quirino, colunista desta gazeta escrota, contando um dos seus causos mais conhecidos e solicitados pelo público, a história de Mané Cabelim. (O vídeo com esta presepada está no final da postagem…)

Ficamos escutando e se rindo-se do causo.

Assim que acabou a história, tocou o celular.

Era o Jessier!

Ligou pra me dar notícias de um artista seu amigo, um paraibano especializado em cachorradas.

Quer dizer, especializado em fabricar cachorros artesanalmente, conforme esta foto que está abaixo:

Eu chega fiquei abestalhado com aquela incrível coincidência de Jessier me ligar imediatamente após eu ter ouvido a voz dele no rádio.

E achei que aquilo era um bom sinal. Um excelente sinal. Um magnífico presságio.

Um sinal pra eu jogar na loteria e faturar a Mega Sena de amanhã, sábado!

E falei pro Poeta desta minha intenção.

Vou sair daqui a pouco pra fazer a aposta numa lotérica que tem aqui perto de casa. Mas não vou dizer os números pra vocês, bando de cabras do olho grande.

Eu quero ganhar o prêmio sozinho!

Só assim eu vou conseguir pagar os salários atrasados e o décimo terceiro de Chupicleide, a secretária de redação do JBF.

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

A MANICURE

– Depois de velho, você ficou relaxado, coisa feia! Não corta o cabelo, unhas grandes, vou contratar manicure. Se eu morrer você vai virar lobisomem. Vivia reclamando Dona Sílvia aos ouvidos de Fonseca.

Certo sábado, pela manhã, a campanhia do apartamento tocou, uma morena sorridente se apresentou, Aparecida, manicure. Dona Sílvia tirou o marido da leitura dos jornais na varanda, hora de fazer as unhas, ele levantou-se, mais para livrar-se da insistente mulher. Sentou-se na poltrona, cumprimentou a manicure, acionou o controle remoto da televisão. Colocou os pés numa bacia de água quente para amolecer as unhas. Dona Sílvia deixou o marido entregue à manicure, foi às compras, sábado é dia de Shopping, encontro de amigas, só retornaria na hora do almoço.

Durante o cortar das unhas de mão, Aparecida alisava a de Fonseca com suavidade, ele sentiu uma sensação gostosa, carícia no toque de mãos, olhou para manicure com curiosidade, ficou inquieto ao perceber o generoso decote da manicure, seios duros, empinados, há tempo não excitava-se com uma mulher. Puxou conversa.

– Menina você é a boa manicure, sabe cortar com suavidade, onde aprendeu essa delicadeza?

– Eu precisava de uma profissão, ganhar dinheiro, sustentar minha filha, uma vizinha me ensinou, hoje tenho bons fregueses, não paro de cortar unhas, os clientes gostam. Ser manicure foi muito bom para mim. Ganho meu sustento.

– E seu marido, pai de sua filha, não lhe ajuda?

– Marido não, meu vizinho, namorei com ele, me emprenhou ainda menina, eu tinha 15 anos. Danou-se para o Rio de Janeiro, sonhava ser cantor de rádio e televisão, canta bem. Há mais de cinco anos não tenho notícias dele, soube que é traficante no morro. Por isso vivo com minha mãe.

Conversaram muito, Aparecida contou sua vida severina, comum na periferia do Nordeste. Ao terminar, ele olhou os pés, as mãos, admirou as unhas simetricamente cortadas, perfeitas. Perguntou o preço do serviço, pagou R$ 35,00, cinco a mais do valor pedido. A morena agradeceu, guardou o material. Fonseca ficou encantado ao perceber o corpo da morena dentro do vestido azul claro, quase transparente. Aparecida despediu-se perguntando quando retornava. Venha no próximo sábado, disse com entusiasmo admirando o rebolado da manicure em direção à porta.

Na hora do almoço Dona Sílvia inspecionou as mãos, os pés, do marido, aprovou, perguntou se havia gostado da manicure, Fonseca resmungou, fez-se indiferente, entretanto, a jovem não saía da cabeça.

Dois meses Fonseca alimentou-se de fantasia, sonhava com a morena acariciando seus pés. Ficava feliz desde sexta-feira. Em conversas enquanto cortava unhas, tornaram-se amigos, íntimos, certa vez ela confessou ter sido garota de programa, não gostou. Num sábado cheio de sol, ao pagar a manicure, Fonseca encorajou-se, alisou-lhe o pescoço, o colo, deu-lhe um beijo na testa. Ela reclamou baixinho, “não Seu Fonseca, não…” Ele a trouxe num abraço apertado, beijou-lhe a boca. No apartamento da Ponta Verde, embalado pela carícia do vento Nordeste, em cima do tapete comprado na Capadócia fizeram amor pela primeira vez.

Dona Sílvia ao chegar notou a cara de felicidade do marido tomando uma cervejinha, cantando na varanda, achando o mar e a vida bonita. Convidou a mulher para almoçar, variar de comida, de tempero, foram à Barraca Pedra Virada na orla da Ponta Verde, encontraram amigos, passaram uma tarde maravilhosa conversando, uísque de combustível. Ao chegar em casa amaram-se como nunca mais tinham amado. Dona Sílvia, antes de adormecer, conseguiu perguntar, o que deu em você hoje?

Fonseca, homem decente, conversou sério com a manicure, não ficava bem fazer amor dentro de sua casa, era falta de respeito. Marcou, estabeleceu com Aparecida, encontram-se uma vez por semana para deliciosa tarde de amor, com ajutório. Fonseca está sentindo-se mais jovem, cabelo cortado, camisa da moda. Nunca mais Dona Sílvia reclamou o relaxamento do marido.

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

UNIVERSIDADES DECRÉPITAS

Comentário sobre a postagem A UNIVERSIDADE PÚBLICA É O LIXO DA POLÍTICA – PARTE I

Delcimar:

“Que texto lúcido.

Concordo com tudo o que foi escrito, pois sou funcionário de uma instituição federal de ensino e vejo isso todo dia.

Nossas universidades são decrépitas e vergonhosamente aparelhadas.

Parabéns pelo texto.”

* * *

6 janeiro 2017 FULEIRAGEM

RONALDO – JORNAL DO COMMERCIO (PE)


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa