8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

8 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO DOMINGO – CONSUMIDOR POTIGUAR É LESADO

* * *

A guabirutagem nos presídios potiguares está uma merda.

Três mil reais é uma mixaria de fazer vergonha até ao sistema carcerário do Haiti.

E, ainda por cima, o cabra que pagou foi recapturado.

Tem que reclamar pro PROCOM.

Já no presídio de Curitiba, a cifra que os condenados oferecem pra fugir da cadeia chega à casa da centena de milhão.

Mas, até agora, as tentativas de fugas compradas foram todas sem resultado na capital paranaense.

Nem tesoureiro do PT conseguiria bater asas das celas.

A caneta-fechadura do Dr. Moro é impossível de ser arrombada.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

MASSACRES

Quem diria. Cansado de atacar, assaltar, sequestrar e matar pessoas inocentes na rua, espalhar o clima de terror nas cidades, todavia, favorecido pelas leis fracas e a fragilidade policial, o crime organizado alterou o esquema. Mudou a estratégia de ação. Passou a agir, também dentro das penitenciárias. A favor do domínio no tráfico de drogas. Em ascensão.

Faz um tempinho, as facções criminosas lotearam os presídios. Sentindo o descontrole e a debilidade dos governos na administração de cadeias, as quadrilhas, devidamente organizadas, assumiram os sonhados postos de comando nas penitenciárias. Passaram a agir com violência, porém com determinação, o que acabou acirrando os ânimos. Esta atitude instalou a crise no sistema carcerário. Implantou o caos. Revigorou o colapso.

Diversos motivos fizeram o país atravessar esta terrível, funesta e dramática situação. No entanto, com certeza, não foi por falta de avisos e muito menos por acaso. Nada foi improvisado. Como os governos costumam agir.

O descaso, a displicência, a omissão, os erros, as falhas causam superlotação. Provocam o encarceramento desumano, o ódio, maquiam investimentos, nas casas de detenção, as celas degradantes, o amontoado de pessoas, as torturas, as agressões físicas, os abusos, a má alimentação, as drogas, a precariedade do ambiente, a insalubridade, a homossexualidade, as doenças, a desqualificação dos agentes, as extorsões e a inexistência de prevenção à criminalidade facilitam o assentamento do país em cima de explosivos. Só esperando o momento decisivo para estourar na forma de rebeliões, motins e massacres. Imitando o que já aconteceu anteriormente em Rondônia, Roraima, duas vezes, Acre e em Pedrinhas, no Maranhão.

A prisão em massa gera ódio. A raiva deixa os nevos dos reclusos à flor da pele. Abala a consciência. Como não tomaram as devidas providências na época certa, o campo ficou livre para novas ações. Por isso a sexecuções e novo massacre. Desta feita em Manaus, no Complexo Anísio Jobim, onde morreram 60 prisioneiros. Dentre os decapitados e esquartejados.

A ignorância sobre o aumento da criminalidade, o aprisionamento em massa, daí a superlotação, a demora no julgamento de processos, fator primordial, o amontoado de presos provisórios, o fortalecimento de gangues e as inimizades são o estopim para incentivar motins, rebeliões, massacres e tragédias.

Afinal, a missão do Estado não é somente prender, trancafiar, encarcerar, mas, sobretudo, recuperar, reabilitar, ressocializar e reintegrar o apenado à sociedade. É a violação dos direitos da pessoa, a transgressão à Constituição e o ferimento à Lei de Execução Penal que transformam os presídios em caldeirões. Em praça de guerra. A morosidade para julgar processos-crimes leva os presos injustiçados aos motins. Num piscar de olhos.

Como mais da metade das prisões brasileiras não tem detectores de metal para bloquear sinal de celulares, as facções criminosas agem sem mistérios ou com a colaboração de coniventes. Impotentes, os governos facilitam a entrada de armas, barrotes de madeira, celulares, drogas e bebidas.

Por isso o Estado perdeu o controle para conter violências internas. As vistorias pré-avisadas permite o assentamento do sistema penitenciário brasileiro em cima de explosivos. Pronto para explodir a qualquer momento. Basta ser acionado.

A tragédia de Pedrinhas, no Maranhão, contaminou os presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, de Manaus. Foi o fato estimulante para a rebelião e o massacre que resultou na morte de 60 presos. Além da fuga de 184 reclusos.

A necessidade de criar oficinas técnicas e cursos profissionalizantes nas penitenciarias permanece no esquecimento. Foi por água a baixo. Por falta de iniciativas. O descumprimento da Lei de execuções penais também é uma forma de delito. Um incentivo à violência. Uma cruel brutalidade psicológica.

Mostra que o Brasil precisa de novo modelo de segurança pública para substituir o atual, completamente falido. No entanto, a corrupção, o envolvimento da classe política nos escândalos, a prisão de parlamentares e de autoridades, graças à justa Lava Jato para combater os arrumadinhos, sinaliza de que o país tem de sair dess. Escapar o mais rápido possível da forca que estrangula o cárcere.

Como o Brasil é um dos líderes na taxa de criminalização no mundo, está insuportável assistir repetidas rebeliões, corrupção, fugas e falta de segurança até nos presídios. Esquema vitimado pela desembestada política prisional. As estatísticas apontam que a quase totalidade dos detentos soltos, retorna para a prisão, por falta de oportunidade fora do espaço prisional. Pela incapacidade do ex-preso em assumir responsabilidade.

O problema é seríssimo. Não adianta ficar empurrando com a barriga para os gestores que chegar depois. Os sucessores. Senão o problema jamais será solucionado. É dever de o Estado deixar de frouxidão, mostrar prudência e força capaz de manter o domínio nos presídios.

Da mesma forma cabe às autoridades reabilitar o preso, respeitar os seus direitos básicos e reassumir totalmente o controle das penitenciárias. Anulando o poder das facções criminosas que são apenas hóspedes nos presídios. Jamais administradores. Mandões.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)

8 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BANDIDAGEM PROTEGIDA

Michel Temer, ontem, reuniu-se com Cármen Lúcia para tratar da crise carcerária.

O STF, em agosto de 2016, “considerou inconstitucionais leis de quatro Estados que obrigavam operadoras de celular a instalar bloqueadores telefônicos nos arredores dos presídios”.

Um dos votos contra os Estados foi o de Cármen Lúcia.

* * *

Bandido nesta República Federativa de Banânia é favorecido em tudo.

Pela lei, pelas otoridades e pelos teóricos que escrevem pros jornais.

Os contribuintes – que sustentam com seus impostos as despesas dos residentes em presídios -, é que devem lutar para ter as mesmas regalias da bandidagem atrás das grades.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

OS QUE VÃO MORRER TE SAÚDAM

Falou-se bobagem, jogou-se conversa fora. O governador do Amazonas, José Melo, do PROS, garantiu que entre os mortos no massacre da Penitenciária não havia nenhum santo. Deve ter razão; mas haverá santos em seu partido, em seu Governo? Qual de seus aliados colocará a auréola?

Falou-se o óbvio: que, entre mortos e matadores, havia estupradores, assassinos, gente malvada. E, isto é importante, gente do crime organizado.

Quem se rebelou e matou foi a FDN, Família do Norte, aliada ao Comando Vermelho, do Rio. Suas vítimas favoritas foram do PCC, do crime organizado com base em São Paulo. Como conter a futura vingança? E, a menos que a vingança seja contida, novos massacres ocorrerão: do PCC contra CV/FDN, do CV/FDN contra o PCC. Pelo noticiário sobre o crescimento de assassínios nas ruas, as vinganças já começaram, enquanto novos massacres se organizam em penitenciárias de todo o país.

De certa forma, Suas Excelências até entendem a sangueira. Os mortos, disse o governador José Melo, eram “(…) pessoas ligadas a outra facção, que é minoria no Estado do Amazonas”. São de fora, não são santos, são estupradores, matadores. É claro que, como presos, cabe ao Estado garantir sua segurança. É o que diz a lei. É o que diz a lei, também, sobre quem será morto como vingança. E a Segurança Pública? Todos já ouvimos falar nela.

Surpresa total

A rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim pode não ter surpreendido as autoridades, que sabiam que o controle do presídio era dos detentos, que sabiam (e as gravaram em áudio e vídeo) das grandes festas cheias de poeira, que jamais ignoraram que os celulares da cadeia eram de alta qualidade. Mas houve pelo menos uma surpresa: o secretário da Segurança do Amazonas, Sérgio Fontes, garantiu que as autoridades não perderam o controle do sistema prisional. “O sistema prisional continua sob controle”, disse o secretário. “O que aconteceu, aconteceu nos primeiros minutos da rebelião, e por isso nada poderia ser feito”.

A surpresa é que Fortes continua no cargo e não foi demitido na hora.

Promessas, promessas

Temer prometeu R$ 800 milhões para construir um presídio por Estado. É difícil que o dinheiro seja suficiente. Aliás, o dinheiro nem novo é: faz parte daquele pacote de R$ 1,2 bilhão do fim do ano passado, para presídios e instalação de bloqueadores de celulares em 30% dos presídios de cada Estado. Depois, um dia desses virão mais R$ 200 milhões e outros nacos de verba para completar R$ 1,8 bilhão no primeiro semestre.

A vida como ela é

O colunista James Akel comenta o custo dos presos: “Custa 5.800,00 por mês cada preso do Amazonas. Em São Paulo um flat de luxo em Moema custa R$ 2.500,00.

Ao lado pode-se comer bem com 1.000,00 ao mês. Sobra grana”.

O que importa

E a vida continua. Os políticos costumam fazer aquilo de que gostam: política. Amazonas já era: os erros, sejam quais forem, serão encobertos por uma pedra em cima e esquecidos pelo passar dos anos. O que se discute hoje é a presidência da Câmara e do Senado. Na Câmara, a discussão é entre dois grupos, ambos aliados ao presidente Michel Temer. No Senado, o PT busca retomar sua tradicional ligação com o atual presidente da Casa, Renan Calheiros, para evitar a vitória do candidato de Temer, Eunício Oliveira, do PMDB do Ceará. A ideia é que Renan escolha o nome para que o PT o lance e solidifique, e que ele só o apoie na hora em que tiver certeza da vitória. Se não der para ganhar, Renan fecha com Temer e sai como um dos vitoriosos, como sempre cacique do PMDB.

Tudo bem

Há pontos que vão bem na economia brasileira – por exemplo, com a crise, o setor da recuperação judicial. Hoje se desenrola o maior pedido de recuperação judicial da nossa História, os R$ 64 bilhões da Oi. Ainda não havia experiência no país de recuperação judicial deste porte. “mas já está claro que a providência pode levar a sucesso na manutenção das funções sociais das empresas”, diz o advogado Fernando de Luizi, de São Paulo, especialista no tema. “A Lava Jato criou uma modalidade de recuperação judicial atípica”, explica de Luizi. “Empresas saudáveis e superavitárias se tornaram insolventes pelas circunstâncias originadas pela Lava Jato, ou seja, em face do congelamento de seus recebíveis, pela perda de contratos, e acabaram tendo de buscar a recuperação para equacionar suas contas”.

Voa, governador, voa

O governador mineiro Fernando Pimentel, PT, viajou no helicóptero do Governo para buscar o filho no réveillon. Ele não entendeu as manifestações de rua: é para voar do cargo e nem pensar em voltar mais.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

RONALD TITO VIEIRA DO CANTO – CAPIVARI-SP

Prezado Berto,

envio um vídeo do excelente Felipe Moura Brasil colocando o dedo na ferida sobre as prisões no Brasil.

Grande abraço,

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SENNA – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)


NO MAR E NA TERRA

Saber quantos somos hoje não é o mais importante, para alguns – os que produzem alimento e os que recebem impostos.

O que comeremos e onde viveremos num futuro não tão distante?

Moraremos na lua?

Comeremos o que?

Moraremos num celular, no “zap-zap” ou viveremos em algum e-mail?

Comeremos algum aplicativo?

Seremos alimentados via conexão USB?

Sei lá. Ninguém sabe.

Será que saberemos, um dia?

Mas, enquanto essas informações não nos chegam, tratemos de dois assuntos, hoje importantes para nós:

* * *

1 – Ensopado de Tarioba

Tarioba pronta para preparar a moqueca ou o ensopado

Brigar em defesa da biodiversidade não é coisa nova. Não é apenas mais uma “mania passageira” como a tatuagem, o piercing ou tantas outras bobagens praticadas por pessoas que não têm muito o que fazer.

Defender o meio-ambiente é algo antigo. A diferença está apenas na gigantesca massificação da mídia e na velocidade em que tomamos consciência dos fatos. Mas, há coisas novas, sim. As ONGs e até algumas bastante radicais, como o Greenpeace, por exemplo.

Da mesma forma, sempre foi impossível conhecer e catalogar o que tem vida na Terra. Não é menos impossível fazer diferença entre o que é comestível para uns e/ou para outros. Países do Oriente comem (com acentuado deleite) cães e gatos. Outros países comem besouros, abelhas, tapurus – e nós, brasileiros, jamais faríamos isso.

Em compensação, comemos jacaré, camaleão (iguana), cassaco (mucura), teiú, muçum, porco do mato, raposa e até cobra. Da mesma forma, há países que não comem carne bovina e outros que preferem a carne suína.

O Brasil é um país de uma imensa costa marítima, que vai do extremo Norte no Estado do Amapá, fronteira com as Guianas, ao extremo Sul, com o Rio Grande do Sul, até fronteira com o Uruguai. Na parte oceânica, é brasileira a costa no Atlântico, por milhas e milhas. É imensa a quantidade de pescados e moluscos comestíveis (polvo, lula).

Quando estudamos Geografia do Brasil, estudamos de forma rápida os principais rios e, raramente, os seus afluentes. Esses são milhares. E esses são piscosos e servem para enriquecer a cadeia alimentar da população brasileira. Infelizmente, tanto no oceano quanto nos rios, a pesca ainda tem acentuado percentual de empirismo, embora os estados de Santa Catarina e Paraná estejam começando a “navegar” de forma mais desenvolvida e moderna, utilizando novas tecnologias.

Além disso, o Brasil é imensamente rico na qualidade e na diversidade de mariscos, todos de grande aceitação e uso na culinária, com alto valor nutritivo e qualidade aceitável para o comércio exportador.

No Maranhão, vamos além do caranguejo, camarão, mexilhões, siri e sururu. Ostras, sarnambis e tariobas têm larga aceitação, e já são oferecidos em grande escala nos restaurantes da capital e de outros municípios.

Foi no ainda acanhado e rústico Restaurante do Xico Noca, no ainda povoado da Raposa, que conhecemos e consumimos pela primeira vez o excelente “Ensopado de Tarioba”, preparado sem muitos condimentos ou temperos verdes, mas com imperdível molho grosso. Serve-se também como moqueca acompanhada de arroz branco, salada de batatas e/ou pirão.

É algo nosso, da cultura e da culinária maranhense, que precisa ser mais valorizado.

* * *
2 – União ao entardecer

Baobá e suas raízes destruidoras

Se estivermos com sede, que diferença fará, para nos saciar, se a água é do rio ou do poço do pomar?

Qualquer água, não vai a nossa sede matar?

Li, faz tempo, e não quero lembrar aonde, que só devemos criar raízes se tivermos a possibilidades de produzir bons frutos.

A sombra, aos cansados, é um bom fruto – ainda que não a comamos. Pois, o fruto (ou a sombra) não é apenas aquilo que se come. O bom fruto é sempre o que se faz de bom. O bom resultado vindo da boa colheita.

No planeta do Pequeno Príncipe, de tão pequeno, não podia nascer nem frutificar o baobá, pois, a possibilidade da boa sombra era, ao mesmo tempo, a destruição do planeta pelas raízes. E, destruído o planeta, o que seria do pôr do sol?

O sol é bom, até na despedida de cada dia – pela certeza da volta no dia seguinte. É o sol que, um dia amadurecerá as uvas e estreitará a relação de amizade entre nós – eu, você, a terra e a raposa. Aí, juntos, na sombra, seremos um só.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

CICERO TAVARES DE MELO – RECIFE-PE

Caro editor Luiz Berto:

Essa é a maior e mais sofisticada organização e facção criminosa que assaltou os cofres públicos do Brasil de todos os tempos, tendo à frente o seu chefe-mor, LUIZ INÁCIO LULA LARÁRIO DA SILVA, mentor de toda essa trama maquiavélica que provocou no povo e no país a maior e mais cruel catástrofe de desemprego, miséria, recessão e descrença no futuro.

Nem na época Imperial e da Dita-Dura o Brasil viveu tamanha carnificina criminosa roubalheira provocada por um sindicalista, com o povo vivendo seu maior pesadelo, que é o desemprego e a falta de esperança no seu porvir!

O mais incrível em toda essa história macabra é que os responsáveis por toda essa hecatombe criminosa, à frente Lapa de Ladrão, depois de todas as desgraças e misérias feitas ao povo brasileiro, querem voltar reorganizados criminalmente como os salvadores da Pátria, o Exercito de Brancaleone, os únicos capazes de terminarem o que deixaram pela metade: acabar com a esperança do povo e do país definitivamente!

Vamos deixar?

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

O FINAL DA NOVELA

O Brasil é uma panela de pressão prestes a explodir! O sinal de que caminhamos celeremente para o limite da paciência da população é o firme e gradual aumento no emputecimento da classe média. Esta classe, também conhecida pejorativamente pelos esquerdopatas como “Burguesia”, é quem normalmente atua como fiel da balança nestes casos. Primeiro, a grande maioria silenciosa deixa de lado o seu silêncio habitual e começou a bradar o seu descontentamento em manifestações gigantes e em listas de petições com milhões de adesões. Depois, segundo nos ensina a história, parte para ações mais desesperadas.

O final desta evolução lenta e gradual em direção ao Armagedon tem sido diferente em cada um dos países que passaram por processo semelhante de revolta contra a roubalheira desbragada: Na Romênia e no Iraque, a opção foi enforcar Ceaucescu e Sadan Hussein. Na França, a opção predileta era a guilhotina; na Inglaterra, que não possuía instrumento semelhante, a decapitação dos indesejáveis se dava a machadadas mesmo; na Rússia, optou-se por fuzilar todos os remanescentes da família Romanov; Já quanto a Muamar Khadafi, partiu-se para a ignorância. Foram aplicadas pauladas, tiros, chutes, cacetadas, e todo tipo de porrada que ajudasse a dar vazão à raiva acumulada pela galera. Os Italianos adotaram a mesma metodologia com relação a Benito Mussolini e sua amante, Clara Petacci: Mataram os dois também a cacetadas, só que pendurados de cabeça para baixo. No Chile, optou-se por bombardear o palácio com Allende dentro. Já Júlio Cesar e Calígula, nos bons e velhos tempos do Império Romano, foram devidamente esfaqueados por complôs palacianos.

Grand finale de orgias espoliadoras de uma população até então inerme

O método a ser adotado para nos livrar dos bandidos é o que menos importa. O que importa é o resultado!

O Brasil nunca passou por situação semelhante. Todas as transições de poder por aqui foram sempre pífias, quando comparadas com as grandes mudanças revolucionárias que testemunhamos no mundo. A independência do Brasil foi uma transação entre pai e filho. Os imperadores D. Pedro I e II, ao serem apeados do poder, cada um por sua vez, puderam viajar para Portugal com toda tranquilidade e mantendo sempre uma longa série de privilégios. Getúlio, ao ser deposto, pode viajar para sua estância numa boa. Fernando Collor continua aí, lépido e fagueiro, praticando as mesmíssimas maracutaias nas quais é mestre inconteste. Da. Dilma, a “presidenta”, continua evacuando pela boca aos borbotões, sempre devidamente bancada pelas prebendas do erário. Nessas revoluções de opereta nunca morreu ninguém do governo. Os poderosos sempre puderam sair de cena com toda tranquilidade. O exemplo da morte de Getúlio não conta porque foi ele mesmo quem decidiu se matar.

Já a repressão às insurreições fracassadas, por outro lado, sempre foram de uma brutalidade digna de republiquetas do 3º mundo, coisa que na realidade nunca deixamos de ser. Para que se possa aquilatar a violência praticada pelos donos do regime contra os descontentes, basta lembrar o enforcamento seguido de esquartejamento do Tiradentes, o fuzilamento de Frei Caneca, a degola do Vigário Tenório, as incontáveis prisões e desterros de líderes revolucionários de Pernambuco, e por aí vai. Na guerrilha do Araguaia, morreram bem uns trezentos. Só escapou com vida José Genoíno, e isto por razões bem conhecidas de todos. O império sempre atuou de forma implacável contra seus dissidentes.

Fui testemunha ocular da revolta de Kiev contra seu governante ladrão e entreguista. O padrão de brutalidade das forças governistas foi exatamente o mesmo. Que coisa linda de ver! Foram meses e meses, sob um frio de uns 15 graus abaixo de zero, e a população toda, das mais diversas etnias e origens, todas acampadas em barracas na praça central da cidade, a famosa Praça Maidan, sempre exigindo a renúncia do facínora. A coisa toda culminou com “Snipers” das forças de segurança, estrategicamente posicionados nos telhados dos prédios, matando mais de 100 pessoas em uma única noite. Praticamente não houve feridos. Os tiros foram quase sempre entre os olhos. Não recuou ninguém. Quando o dia raiou e a matança parou, a revolta explodiu com uma intensidade inimaginável. O crápula pegou um helicóptero e fugiu para a Rússia. Foi se acoitar sob as asas de Putin. Logo depois, o exército russo invadiu e anexou a Crimeia. E eu fugi de volta para o Brasil, que não sou de ferro. Deu uma inveja da porra daquele povo lindo!

Este colunista nas barricadas de Kiev, com o comandante das milícias populares e o memorial aos mortos

Fico me perguntando sempre se no Brasil, cuja população sempre se pautou por uma passividade absolutamente bovina diante dos mais absurdos despautérios praticados pelas suas castas dominantes, se há a possibilidade de virmos a assistir algo minimamente similar ao que foi praticado nos inúmeros exemplos acima apresentados: Um governante vir a pagar com a vida pelos crimes que praticou.

A impressão que tenho é que a troca de governantes nestas plagas lusitanas sempre tem se dado através de conchavos entre as mesmíssimas pessoas. SEMPRE! E aos abestalhados cidadãos, cabe apenas ficar assistindo ao desenrolar dessa ópera bufa que não acaba nunca e se repete sempre.

É! Por aqui, as coisas são bem mais devagar! Como somos, por natureza, avessos a meios sanguinolentos para a resolução de disputas dinásticas, poderíamos ao menos utilizar o método desenvolvido e adotado pelos nossos ancestrais portugueses. É um método simples, rápido e de eficácia comprovada. O pioneiro foi um dos primeiros Duques de Bragança. Este, por ser filho bastardo do rei, foi preterido na sucessão em favor de seu meio irmão legítimo. O herdeiro, ao assumir, foi altamente pusilânime e ineficaz. O novo rei teve sua autoridade rapidamente corroída através da concessão de inúmeros privilégios aos nobres e ao clero. A administração de Portugal rapidamente foi ao caos. Mais ou menos o que vem acontecendo no Brasil há décadas. Assim, em nome da urgência nacional, o Duque retornou de sua herdade, lá nos confins de Portugal, local para onde havia sido desterrado pelo seu velho pai, e solicitou uma audiência a sós com seu irmão, o rei. Ninguém sabe bem o que foi que discutiram. O que se sabe é que o rei saiu voando por uma das janelas desta sala que se encontrava em local bastante alto. Ao se estatelar no chão, alguns andares abaixo, o Duque de Bragança imediatamente tomou para si a coroa. Claro que ninguém ousou contestar a sucessão, pois corria o risco de sair voando pela janela também. A primeira providência do novo rei foi retomar todos os privilégios que haviam sido concedidos pela tibieza de seu meio irmão, concentrando assim de novo o poder na figura reinante. Segundo os cronistas da época:

PORTUGAL ASSISTIU ENTÃO A UMA ERA DE PROGRESSO INIGUALÁVEL.

Precisamos urgentemente que nos apareça um Duque de Bragança e faça com esta corja de vermes morais que se apossou dos comandos desta nação exatamente o que este fez com o seu meio irmão: atirá-los todos pela janela de um andar alto. Como este Salvador da Pátria não deverá aparecer, temos nós mesmos de tomar em nossas mãos a tarefa de atirá-los todos pela janela.

Para isso, BASTA NÃO VOTAR EM NENHUM POLÍTICO PROFISSIONAL!

P.S. Perdoem-me Jarbas Vasconcelos, Raul Jungmann, Roberto Freire, Mendonçinha, e outros políticos de vida ilibada (pelo menos até prova em contrário), pela generalização grosseira.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

CORRUPIO

Genival Lacerda interpreta um balançado gostoso de sua autoria pra alegrar o nosso domingo.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SENNA – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

PAULO BERNARDO DE MENEZES (PAULO MOUCO)

Paulo é o irmão mais novo de Chico de Dedês de Ouro Velho, na Paraíba. Não ouve lá essas coisas toda, daí o apelido.

Uma noite tava lá em Ouro Velho, num carteado, quando sua mãe chegou à porta do cassino pedindo a ele dez contos pra comprar açúcar. Pediu uma vez, duas e Paulo nem aí, fazendo que não estava ouvindo. Nisso, um dos companheiros o cutucou, pois ele permanecia de cabeça baixa, ignorando a presença da mãe.

– Paulo, tua mãe, tá aí, querendo falar contigo!

– O que é que a senhora quer mãe?

– Quero vinte. Vinte contos pra comprar açúcar!

E ele:

– Inda agora era dez!

Outro dia estava jogando sinuca em Ouro Velho quando chegou uma pessoa apressada chamando por ele.

Perguntou ao portador:

– O que é que tu queres?

– Mandaram te chamar, lá na tua casa, que uma cobra mordeu a tua sogra!

– Que cobra foi?

– Não sei não, parece que foi uma cascavel!

E ele, passando giz no taco:

– Pense numa cobrinha pra eu ter fé nela!

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

LENO SAMPAIO – CHARGE ONLINE

MARCOS MAIRTON – BRASÍLIA-DF

Berto,

Ontem, em minha coluna, trocando comentários com o leitor Tito, mencionei o fato de ter visto um grupo de crianças, em frente à casa de meus pais, todas com a característica comum de terem os cabelos pintados da mesma maneira.

Na verdade, elas me chamaram tanto a atenção que as filmei com o celular. É que, em plena luz do dia, faziam um arremedo de reisado, tradição muito forte de Fortaleza.

Não tinham instrumentos musicais, e sequer sabiam cantar as canções. Mas queriam levantar algum dinheiro na vizinhança, então, partiram para a improvisação.
Enquanto as filmava, percebi que todas tinham os cabelos pintados de uma maneira muito peculiar.

Se esses meninos já têm alguma ligação com o crime, não sei. Mas o fato de pintarem o cabelo dessa maneira indica que talvez imitem alguns rapazes, que frequentemente aparecem nos noticiários policiais do meio-dia.

Mas, será que o destino desses meninos já está selado? E, se não está, será que depende apenas da índole de cada um? Ou é possível fazer alguma coisa para melhorar suas chances de se manter longe das drogas e do crime?

Não precisa responder. Queria apenas compartilhar essas reflexões com os leitores fubânicos.

Em tempo: apesar de na foto aparecerem apenas quatro, eram seis crianças.

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

O JEITO ALAGOANO…

Quando me casei pela segunda vez, há 32 anos, assim que possível, passamos cerca de dez dias no Nordeste, a título de “lua de mel”.

Desses dez dias, ficamos dois na Bahia e, de lá, rumamos para Maceió.

No caminho do aeroporto para o hotel, perguntamos ao taxista se o aumento do turismo havia trazido, como consequência, um aumento da violência na região.

A resposta dele foi que, por lá, bandido não se criava, porque a polícia matava.

Chegou a nos contar o caso de um sujeito que havia feito um crime em Alagoas mas foi preso em Pernambuco.

Quando entrou no camburão em Recife para ser transferido para Alagoas, segundo o taxista, ele pediu para ser morto ali mesmo, uma vez que após cruzar a fronteira a sua vida de nada valeria.

A se considerar o discurso do deputado estadual alagoano, João Beltrão, pai do ministro do Turismo, essa prática de eliminar criminosos, nas bandas de lá, continua.

Foram as seguintes as suas palavras, conforme divulgado na imprensa:

“Eu queria agradecer ao comandante pela limpeza na bandidagem que a polícia tem feito. E é limpeza mesmo. Não gosto de demagogo. Porque nós que trabalhamos, temos a família a zelar, que trabalhamos para comprar nossa televisão, nosso carro, não admitimos que roubem. Porque nós trabalhamos, enquanto else não. Então else têm é que ser tratados na espingarda mesmo. Isso é que se faz”.

Eu também não gosto de demagogia e a minha posição sobre o assunto é muito clara.
Sou a favor da pena de morte, mas contra a justiça pelas próprias mãos dos policiais, a não ser em legítima defesa.

Creio que o assunto deveria ser discutido pela sociedade, especialmente diante dos recentes acontecimentos envolvendo rebelião de presos, com mortes de uma crueldade inaceitável.

Todos sabemos que o nosso sistema prisional não recupera ninguém. As condições são sub-humanas, com excesso de prisioneiros.

O custo de manutenção de um preso supera o “investimento” nas crianças, através de uma boa educação.

Aliado a isso, a nossa Justiça é lenta e nem sempre rigorosa o suficiente para coibir com punições severas o aumento da criminalidade.

Sem contar que, não raro, é conivente, especialmente quando se trata de punir com rigor políticos que, pela posição que ocupam na sociedade, deveriam ser os primeiros a dar bons exemplos, mas não são.

A impunidade é notória e há que se considerar, ainda, que o armamento em poder dos bandidos é superior ao da polícia, transformando o tráfico de drogas num poder paralelo, insuportável numa sociedade democrática.

Não sou especialista no assunto e sei que defensores dos direitos humanos irão se posicionar contra a pena de morte sob os mais diversos argumentos.

Que se abra uma discussão séria sobre o assunto.

Não tenho soluções prontas, mas sei que, do jeito que está, a vida no Brasil está ficando insuportável e algo urgente precisa ser feito, já que não se investe em educação como se deveria e já que a situação econômica do país não permite vislumbrar melhores horizontes.

* * *

FALA SÉRIO!

O Ministro da Justiça, Alexandre de Morais, com suas últimas declarações mentirosas sobre a solicitação de ajuda do Governo de Roraima, não tem mais condições de continuar no cargo.

Em países sérios, autoridades e políticos mentirosos não têm vez.

Se o governo Temer quiser um mínimo de credibilidade há que trocar o titular daquela pasta por alguém mais competente e verdadeiro.

FALA SÉRIO!

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

SILVANO LYRA – RECIFE-PE

Luiz Berto,

Paz,

Segue algumas glosas de minha autoria

* * *

Mote:

“Mostre agora no seu conhecimento
que você é sabido até demais!

Na metáfora temos comparação
Metonímia uma coisa a outra liga
Já prosódia pronuncie e assim diga
Pleonasmo o sentido mesmo são
Fechamento se diz peroração
Numa síntese há resumo aliás
O exagero em hipérbole se faz
E dilema, se embaraça no argumento!
Mostre agora no seu conhecimento
Que você é sabido até demais!

Mote:

“Tenho a bênção de Deus presente em mim
amanhã ontem hoje e eternamente”

Quando a vida se torna admirável
É porque Deus está em toda ação
A leitura por fé, põe gratidão!
Dando ao servo um vigor inigualável
Que a Palavra de Deus é imutável
Pois, mantém-se fiel sempre entre a gente!
Mude a forma de vê-lo em sua mente
Para ser, como sou tão grato assim!
Tenho a bênção de Deus presente em mim
Amanhã, ontem hoje e eternamente!

Mote:

“Um abraço um sorriso um obrigado
dão valor alma e vida a gratidão”

Trava o ser que se opõe aos bons costumes
Preferindo ofuscar os seus anseios
Pondo amor a mercê sempre dos freios
Assim finda apagando certos lumes
Separando o que é bom nesses tapumes!
Sobressai vez e voz da ingratidão
Se os valores de Deus entra em ação
Paz e amor graça e fé muda esse estado
Um abraço um sorriso um obrigado
Dão valor alma e vida a gratidão!

Mote:

“As palavras os gestos e a postura
põe no topo a boa apresentação”

Organize o falar dando às ideias
Mais clareza na fala e pensamento
Priorize o que dá vida e talento
E mantém feedback com as plateias
Conteúdo que excede as epopeias
Tem luz própria em qualquer ocasião
Postura e gestual na interação
Liga a fala e também assinatura
As palavras os gestos e a postura
Põe no topo a boa apresentação!

Mote:

“Quem pegou um atalho ou outra estrada
volte a Cristo o caminho verdadeiro!”

Todo aquele que anda desgarrado
Abra os olhos, que as cenas não são belas!
Deixe os becos, atalhos e vielas!
Que Jesus sempre esteve do seu lado
Confessando hoje mesmo o teu pecado
Vê mudando a paisagem no roteiro
Se amar Deus e seu reino por inteiro
Tem janela do mal quase fechada
Quem pegou um atalho ou outra estrada
Volte a Cristo o caminho verdadeiro!

8 janeiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

8 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

QUANTA BARBARIDADE

Símbolos da falência do Estado, os massacres nos presídios de Manaus e Boa Vista, com quase nove dezenas de mortos, expõem outra barbaridade: apoios explícitos à matança.

E não só de irresponsáveis ou anônimos nas redes sociais. Nesse estágio de brutal incivilidade se enquadram o ex-secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, para quem o melhor seria “uma chacina por semana”, e seus apoiadores de primeira hora, os deputados Fernando Francischini (SD-PR) e Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG).

Bruno Moreira Santos, transformado em Bruno Júlio por ser filho do deputado estadual mineiro Cabo Júlio, sempre foi um garoto problema. Seus antecedentes – duas investigações por agressão a ex-mulheres e uma por assédio sexual a uma funcionária – deveriam ter impedido o presidente Michel Temer de nomeá-lo. Teria evitado um fecho tão nojento e deletério para uma semana em que seu governo só perdeu.

Temer, que demorou a reagir, e quando o fez foi impróprio e infeliz ao classificar a carnificina como “acidente pavoroso”, permitiu que seu governo colecionasse equívocos. A começar pelos graves tropeços do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, useiro e vezeiro em meter os pés pelas mãos. Desta vez, primeiro disse que a governadora de Roraima, Suely Campos, não pedira ajuda federal, tendo de voltar atrás ao ser confrontado com os ofícios em contrário emitidos por ela.

Tudo que Temer não precisava era de Bruno Júlio e suas declarações pró-morticínio.

E vieram do PMDB, partido do presidente, as defesas mais ardentes dos pontos de vista do ex-secretário de Juventude.

Por mineiridade e proximidade, Newton Cardoso Júnior, filho do ex-governador mineiro Newtão, envolvido em várias denúncias de corrupção, disse que Bruno Júlio teve a “coragem de expressar a opinião e a indignação da maioria dos brasileiros”. Ex-secretário de Segurança do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), Francischini foi categórico: a sociedade aplaude quando bandido mata bandido.

O mais grave é que a maior parte da população crê mesmo que “bandido bom é bandido morto”. Pesquisa Datafolha para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em novembro de 2016 dentro do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, aponta que 57% dos brasileiros concordam com a afirmativa, percentual que sobe para 62% nas cidades com menos de 50 mil habitantes.

Fruto provável da associação da exploração e da ausência do Estado, que cobra muito em impostos e nada ou quase nada devolve, e das curvas crescentes de criminalidade, o resultado da pesquisa traduz a descrença do cidadão no governo – em qualquer um, e em todas as esferas.

Mas, ao concordar com a premissa populista de morte ao bandido, esses parlamentares e outros da bancada da bala até podem agradar à plateia, mas prestam um gigantesco desserviço aos que dizem representar. Acirram o descrédito na cidadania, aguçam a violência, propagandeiam a medieval justiça com as próprias mãos, jogam a sociedade no colo das organizações criminosas.

A precariedade do sistema prisional brasileiro, seja nas instalações físicas, equipamentos e pessoal, seja nas estruturas de polícia e de Justiça, que não conseguem investigar, concluir inquéritos e processar em tempo razoável, não é culpa deste governo (de apenas cinco meses) ou exclusiva de um ou de outro. É de todos. Do Estado e da sociedade que só se atentam para o problema quando ele explode.

E ambos parecem só enxergar alternativas imediatistas – construir mais presídios, aumentar a segurança dos cárceres, discutir pena de morte.

Parecem não entender o que já foi testado e aprovado mundo afora. Nem prender mais nem matar mais pode solucionar o que só se resolve com o educar mais, principal matriz das nações desenvolvidas (e civilizadas).

Bandido bom é só o da literatura.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa