10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

SONIA REGINA – SANTOS-SP

O “Bumbum” dos Brasileiros

Já faz alguns dias que gostaria de falar sobre os ônibus da cidade de Santos.

Os bancos dos coletivos para dois passageiros são cada vez mais estreitos.

Ao comentar sobre esse estratagema utilizado para que os corredores fiquem maiores e mais passageiros fiquem em pé, a senhorinha que estava ao meu lado deu sua explicação para o assunto:

– Essas maravilhas são idealizadas por engenheiros que em sua maioria só utilizam automóvel.

Ora, podemos até entender que empresas de ônibus e também as referidas prefeituras tiveram o cuidado de consultar usuários quando fizeram as modificações, colocaram pessoas nos bancos para testar o conforto e não escolheram modelos fotográficos. Esse caso acionou minha memória num assunto ainda do século passado.

Tínhamos um problema na empresa em que trabalhava e todos os encarregados de setor foram convocados para uma reunião urgente.

O diretor-presidente falou pouco e ouviu todos que quiseram manifestar-se. Nada foi resolvido e o caso ficou para a semana seguinte.

Desci para minha sala, falei com alguns funcionários que estavam diretamente ligados ao tal problema e após ouvir algumas sugestões preparei no final de semana um mapa para apresentar ao diretor.

Logo no inicio da semana, entreguei o tal mapa explicando que os próprios funcionários ajudaram na elaboração. Após uma rápida análise, dobrou o papel, colocou no canto da mesa encerrando o assunto.

Passado alguns dias, foi convocada nova reunião para tratar do mesmo assunto e o próprio diretor alegou que já tinha um esquema pronto para resolver tudo. Apresentou um mapa, idêntico ao que eu tinha feito com ajuda do meu pessoal. Foi trocado somente o papel.

Não importa quem ou quantos participaram para resolver o problema. Ele foi resolvido.

Porque os casos são parecidos? A resposta é simples. Nos dois casos havia necessidade de consultar pessoas e tomar a melhor decisão.

A diferença é que, na empresa privada o dirigente precisa trabalhar em conjunto com aqueles que estão diretamente ligados ao problema e ao melhorar as condições do trabalhado, consequentemente aprimora também a produção. É o trabalhador quem produz e gera lucros. Na empresa pública, não sabemos qual o motivo e o critério adotado para tomar atitudes que afetam o nosso dia-a-dia e pior, quem vai ter mais lucro.

Encerro meu escrito sem colocar musica, teria que pesquisar toda a era da ditadura implantada no Brasil e hoje estou sem tempo disponível. Talvez colocar uma musica do Chico Buarque seria o ideal para não haver melindres, mas, escolher um cantor que sempre considerei um ótimo compositor e depois que atingiu a idade do lobo tornou-se um bobalhão, é jogar pra plateia. Essa não é minha praia.

Nunca imaginei que o tamanho do “Bumbum” do brasileiro, seria determinante no conforto ou falta dele, dentro de um ônibus municipal.

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

UM CAVALO SEM VAQUEIRO

Cavalo se despede do dono morto em acidente e comove velório na Paraiba

O vaqueiro e seu cavalo
Parceiros do mesmo trono
Um partiu pro sono eterno
O outro perdeu o sono
Pois ficou a relinchar
Tentando acordar o dono.

.

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

10 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EFEITO TEQUILA À VISTA

Jose Roberto de Toledo

Falências disparando, vendas caindo e empregos sumindo – mas não para todos. Três instituições prosperam e se multiplicam na crise: partidos políticos, igrejas e, agora, facções criminosas. Cada uma no seu nicho de mercado e com estratégias distintas, mas usufruindo do sucesso que escapa a governos e empresas. Em comum, mantêm uma relação especial com o estado. Embora mantenham contabilidade detalhada, nenhuma recolhe impostos.

Há 35 partidos registrados oficialmente, e outros 50 na fila para ganharem acesso a lugar na urna eletrônica, ao horário de propaganda no rádio e TV e, mais importante, ao Fundo Partidário. O Congresso está tentando diminuir a concorrência – afinal, há que repartir tempo e dinheiro com os novatos -, mas, como mostraram os repórteres Mariana Diegas e Valmar Hupsel Filho, isso não intimidou os candidatos a cacique partidário.

Todos disseram não estar nem aí para a cláusula de barreira que os grandes partidos lhes querem impor. Seguem tentando lograr seu registro e, assim, usufruir da isenção fiscal e – entre outros benefícios – acesso à listagem com nome e dados pessoais de todos os eleitores brasileiros. Sim, inclusive os seus.

Partidos vendem esperança de uma vida melhor – quando não para todos, ao menos para seus filiados. Se não der para transformar a sociedade, que transforme a vida dos caciques e viabilize algum benefício para os seus chegados – um cargo público, talvez. Acenar com a prosperidade e uma virada na vida também é o atrativo de outra instituição em alta, com ou sem crise.

Pesquisa recente do Datafolha reconfirmou que igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais são as mais bem sucedidas na conquista de novos fiéis. Em duas décadas, duplicaram sua participação no mercado religioso. De 10% dos brasileiros em 1994 arrebanharam 22% em 2014 – e mantêm essa fatia desde então. Assim como os partidos, uma característica fundamental das igrejas emergentes é a sua pulverização.

Embora as denominações mais populares reúnam milhões de fiéis, outras dezenas de milhões de pessoas se definem genericamente como “evangélicos” ou pertencentes a um de centenas de grupos neopentecostais que, isoladamente, são pequenos demais para aparecerem nas tabelas do IBGE – mas, em conjunto, estão cada vez mais presentes no dia-a-dia da população.

Seu crescimento denota a incapacidade do estado e do mercado de oferecerem a um segmento populacional tão expressivo oportunidades suficientes de ascensão social e econômica. O dízimo promete suprir aquilo que os impostos não cobrem.

Nos últimos anos, explorando o crescimento das franjas mais marginalizadas do sistema, o crime se organizou a partir dos presídios. Segundo o repórter Alexandre Hisayasu, são pelo menos 27 facções que orbitam e guerreiam em torno das duas principais: o PCC e o Comando Vermelho. Também cobram mensalidade dos associados (em troca de “proteção”), movimentam centenas de milhões de reais por ano e buscam monopólio, do narcotráfico.

A resposta dos governos estaduais e federal foi complacente. Crime organizado derruba taxas de homicídio – porque inibe disputas paroquiais entre bandidos -, até irromper em massacres, como os de policiais em 2006 e os de detentos em 2016. Nessas crises, a complacência vira incapacidade. Mesmo sabendo que matanças viriam, as autoridades não conseguiram evitá-las.

É esperado que, em suas trajetórias emergentes, as facções criminosas e a política partidária se cruzem – como já se cruzaram denominações religiosas e partidos. Para antever no que isso vai dar, basta olhar para outros países latino-americanos.

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

AVE MARIA – Sérgio Santos

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

VOVÔ BABÃO

Comentários sobre a postagem MEU PRESENTE DE NATAL

Pedro Henrique Berto:

“Vozinho, o texto ficou lindo.

Confirmo tudo que foi dito, reiterando minha gratidão e carinho pelo senhor.

O apoio incondicional do senhor durante toda preparação foi essencial para conquista desta empreitada, que culminou com meu ingresso na PMDF.

Serei sempre agradecido por tudo que fez por mim, por meus irmão e por minha mãe.

Que Deus lhe conceda muita saúde para desfrutar tudo de melhor que esta vida tem a nos oferecer.

Te amamos!

Grande Beijo Vozinho”

* * *

Pedro Henrique e seus dois filhos: neto e bisnetos deste Editor coruja

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

10 janeiro 2017 ALAMIR LONGO - VENTO SUL

O MASSACRE QUE NINGUÉM VÊ

Eu havia prometido que não escreveria nada sobre os tais “massacres” ocorridos recentemente em cadeias brasileiras. Por uma razão muito simples: não tenho, nunca tive, nem nunca terei o menor sentimento de piedade quando um criminoso irrecuperável sai para uma viagem sem volta para as profundezas do inferno. Ainda mais quando a passagem é paga por um de seus pares. Até que me provem o contrário, continuo fiel à tese de que “bandido bom, é bandido morto,” opinião essa que, segundo pesquisa do Datafolha, é também compartilhada por cerca de 62% da população brasileira em municípios com menos de 50 mil habitantes.

Estive pensando: Já que não se constrói novas penitenciárias nesse país, minha sugestão para desafogar as prisões desta terra descoberta por Cabral, é que se realizem, mensalmente, campeonatos entre os diversos “times” que dominam as cadeias. Bastaria reunir todas as “agremiações” nos pátios das penitenciárias, distribuir um punhal para cada um dos criminosos e, democraticamente, deixar que eles mesmo resolvam suas diferenças. Simples.

A outra sugestão que tenho para diminuir a superlotação carcerária, é que os presos, principalmente os de maior periculosidade, passem a cumprir prisão domiciliar nas residências dos integrantes da turminha dos direitos humanos. Preferencialmente, os chefes de facções criminosas. Não há ninguém mais indicado para tomar conta desses doces anjinhos do que essa gente. Tenho certeza que 99% dos reeducando por eles acolhidos, retornarão ao convívio social plenamente recuperados.

Assim que rolaram as primeiras cabeças numa Penitenciária de Manaus, viu-se um frenético corre-corre de autoridades para todos os lados, completamente surpresos e tresloucados como que se perguntando:

“-Nossa, o que é isso? Como é que pode? Rebeliões e matanças em presídios da Pindorama? Isso jamais aconteceu antes nesse país!”

Pareciam até visitantes de outro planeta. Não sabiam de nada.

O ministro da Justiça era o mais assustado. Saiu convocando reuniões extraordinárias com secretários de segurança, anunciando planos desconexos e buscando culpados. O presidente Temer reuniu-se com a Sra. ministra Presidente do STF para tratar sobre o assunto e achar uma saída. O pessoal da Pastoral Carcerária reunido junto ao Muro das Lamentações, inconsolável, rezava pela alma dos finados.

Enfim, era um desespero só…

Excelentíssimas autoridades: a solução do problema do caos carcerário no Brasil não carece de nenhum estudo especializado e, tampouco, da elaboração de “Planos de Segurança” mirabolantes. A solução é simples, senhores: construir presídios! Não há outra saída. O deficit carcerário brasileiro é assombroso, mais de 300 penitenciárias.

“Para tomar conta de todos os criminosos condenados à prisão, o Brasil teria que ter pelo menos mais 600 mil vagas em suas penitenciárias. Hoje, o país tem a quarta maior população carcerária do mundo, com cerca de 563 mil presos. Deles, 206 mil superlotam cadeias. Ao deficit, ainda se soma o fato de que 430 mil mandados de prisão ainda não foram cumpridos no país. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Se todos os foragidos fossem capturados, não haveria vaga em penitenciárias. O deficit prisional brasileiro é de 396 presídios, mesmo assim, de acordo com levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligado ao Ministério da Justiça, aponta que nos últimos dez anos 15 estados e o Distrito Federal – PASMEM-, deixaram de usar R$ 187 milhões liberados pelo governo federal para construir e reformar presídios. Não foram adiante dezenas de projetos aprovados entre 2004 e 2013, para Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Sergipe e Tocantins. O estado que mais deixou de usar recursos federais foi Pernambuco, em um total de R$ 33,5 milhões (G1).”

E, para concluir, cismado, deixo uma perguntinha bem singela:

Por que diante do assassinato de algumas dezenas de bandidos tanta gente corre, mas ninguém lembra dos 180 brasileiros executados diariamente pela delinquência desse país, perfazendo um total de 65.000 homicídios/ano?

Infelizmente, esse é o massacre quase ninguém vê.

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – BLOG DO ALPINO


STAND-UP COM POESIA

TE QUERO MAIS

Se você soubesse
Que quando escrevo
Eu nem sei se devo
Te afago te beijo
Te abraço, te amasso…
Ao som dos teus ais
Dos teus quero mais
Dos meus outra vez
Pra encontrar o tema
Aí eu perco a rima
Você sai do clima
E eu encerro o poema

Mas te quero sempre mais.

* * *

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Toda vez
Que tento mudar
Me aparece o passado
Pra me atrapalhar.

Aponta meus erros
Com ele guardado
Rir na minha cara
E vai-se embora

Apaga minhas pegadas
Pra que eu não possa voltar.

Me deixa sozinho
Sem norte, sem rumo
Me sinto inseguro
Sigo para o futuro
A partir daqui
Desisto de mudar o mundo
A partir de mim.

* * *

PERDIDOS E ACHADOS

Perdi o meu amor
Só sabe a dor
Quem já perdeu
Quem achar
Por favor
Devolva-me
O amor é meu.

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

NORMALISTA

Uma composição da dupla Benedito Lacerda e David Nasser, interpretada por Nelson Gonçalves.

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
MULHER GLOSANDO

Eu não gostei da medida
Brochei com seu pé quebrado

Mote da colunista

* * *

Chamou-me para glosar
Eu gostei muito do assunto
Fui logo chegando junto
Sem medo de me estrepar
Eu disse pode mandar
Que já estou do seu lado
Mas ele mal preparado
Escorregou na saída
Eu não gostei da medida
Brochei com seu pé quebrado

Dalinha Catunda

* * *

Quando o poeta não preza
Por um trabalho bem feito
Faz rima de qualquer jeito
Seu verso não embeleza
Bom cordelista enfeza
E lhe diz muito zangado
Poeta, tome cuidado
A regra não foi seguida
Eu não gostei da medida
Brochei com seu pé quebrado

Creusa Meira

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

JUDEUS NO RECIFE E MANHATTAN: O FILME

Vasculhando os compêndios da história de Pernambuco deparo com a chegada da colônia judaica no Recife com a vinda de Mauricio de Nassau. Foi uma segunda diáspora empreendida pelos judeus de origem portuguesa que viviam em Amsterdam. Acharam que aqui poderiam viver em paz com sua religião sob a proteção de um governo tolerante. Era também uma oportunidade para voltar às suas origens ibéricas. Eram aproximadamente 600 judeus dispostos em 150 famílias, o que representa quase metade da população civil branca do Recife na época. Dizem que havia mais judeus no Recife do que em Amsterdam. Trata-se de uma elite judaica que ajudou Nassau no estabelecimento de uma nova civilização nos trópicos. Quando Nassau estava para ser demitido pela Companhia das Índias Ocidentais, em 1644, eles foram procurá-lo perguntando quanto ele recebia de salário pelo seu emprego de administrador daquela região. Estavam dispostos a cobrir a quantia, caso ele permanecesse na cidade.

Nassau regressou para a Holanda e os judeus amargaram mais 10 anos de convivência forçada com os portugueses até 1654, quando foram expulsos após a derrota dos holandeses na Batalha de Guararapes. Como se tratava de uma elite composta por homens de “bens”, a coroa portuguesa dispensou-lhes um tratamento diferenciado: deram-lhes 90 dias para deixar o Brasil. Os judeus, então, fretaram 17 navios e partiram de volta à Holanda. O retorno foi uma verdadeira epopéia. Um dos navios, a fragata “Valk” se desgarrou da frota e foi assaltada por piratas. Resgatados por um navio francês, foram levados para um entreposto da Companhia das Índias Ocidentais, em Nova Amsterdam (atual Nova Iorque).

Se estabeleceram numa ilha na foz do Rio Hudson, mais tarde chamada de Manhattan, e ajudaram a fundar os Estados Unidos da América. Aqui começa a história dos judeus na América, cuja participação foi relevante para fazer dos EUA o país que é hoje. Pois os descendentes destes judeus que foram expulsos do Recife ajudaram George Washington na independência do país e, mais tarde, na criação da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Até hoje eles mantém um cemitério próximo ao Central Park e reverenciam aqueles pioneiros fundadores da cidade. Esta história é contada nos livros ao mesmo tempo em que é esquecida na história do Brasil. Tem sido mais lembrada na história dos EUA, onde todo ano os judeus norte-americanos comemoram a data e reverenciam os patrícios sepultados naquele cemitério.

Aguçado pela curiosidade, fui na Internet procurar mais informações sobre a colônia judaica em Pernambuco. O volume de dados e informações é enorme. Aí encontrei um filme contando essa história de modo pormenorizado: O Rochedo e a Estrela, realizado pela cineasta pernambucana Katia Mesel com os recursos da Lei Rouanet. O filme de 85 minutos foi rodado nos EUA, Holanda, Curaçao e Brasil. Em 2004 fizeram uma versão de 30 minutos apresentada em Nova Iorque, por ocasião dos 450 anos da chegada dos judeus de Pernambuco. Mais tarde foi exibido no 15º Cine PE Festival de Audiovisual, em maio de 2011. O trailer do filme pode ser visto na Internet.

Mas como ver o filme inteiro? Empreendi uma longa caçada na Internet, mas encontro apenas o trailer. Não encontro nem lugar onde pudesse comprá-lo. Assim, passei a procurar a diretora do filme na intenção de adquiri-lo. Encontrei-a no Facebook, peço um contato e longo tempo depois recebo resposta. Assim conheci Katia Mesel, que me falou das dificuldades enfrentadas na distribuição do filme. Perguntei-lhe o que vem impedindo sua distribuição no circuito dos grandes cinemas, e conversamos sobre as dificuldades da exibição de filmes não comerciais. Avancei um pouco mais e perguntei se existem forças conspiratórias impedindo a distribuição do filme. Pois trata-se de um documento relevante para a história de dois países: Brasil e EUA. Sua resposta foi imediata:
– “É isso, Brito: existe uma má vontade em exibir o filme.

Manifestei o interesse em adquirir o filme para vê-lo e distribuir entre os amigos. Ela providenciou cinco cópias, das quais ainda tenho uma em DVD, que posso disponibilizá-la aos leitores fubânicos. Toda essa história está melhor contada no site Tiro de Letra.

Cartaz do filme:

Obs.: “Rochedo de Israel” é o nome da Sinagoga Kahal Zur Israel, no Recife

10 janeiro 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

10 janeiro 2017 MEGAPHONE DO QUINCAS


SÉRIE DOSE DUPLA – CRÔNICAS SÁTIRAS E LETRAS JOCOSAS – “17.700”

Dezessete e Setecentos: que conta difícil prá daná!

Essa é uma das melhores da série. O acontecido é rotina do cotidiano. Questão de troco, aritmética rápida, somar e diminuir em dois tons.

A gente, nossa, lá de cima, adora um presepada, um embaraço, um pergunta charada, para, ‘quebrar o gelo’. Por isso, o dialeto lá do meu Nordeste é recheado de cifras e segredos.

Dia desses, me vi numa enrascada: há quase 40 anos aqui em São Paulo, vez por outra vem um vocábulo que está na memória mais ancestral. Eu disse: “Oh, Eva, tu tens um birilo para eu tentar futucar um buraco aqui e encontrar um pitoco” – Minha mulher, Eva, virou-se e aparvalhada, pediu: “Dá para repetir a frase inteira?. Eu só entendi a palavra buraco”.

É verdade que Evinha tem pequena deficiência auditiva, mas já nos entendemos pelo olhar. Pois bem, parece que o problema não foi nem futucar e nem mesmo pitoco. A questão foi a palavra que biliro, que confesso, não me lembro de pronunciar desde a infância. Minha avó, Maria, usava muito para fazer o cocó no cabelo.

Rápida no gatilho, minha mulher, agora com mania de google para cá, google para acolá, ameaçadora, disse: “Vamos ver se existe essa palavra!”, resmungou.

Ainda fiz um embargo declaratório: “Vá direto ao dicionário, que é o lugar correto de ser aprender o significado das palavras, mesmo os regionalismos”. Ela insistiu no ‘gugo’ e veio o metal berilo, por aproximação.
Insisti no dicionário – Aurélio, Houaiss, até Jânio servia -. O Michaelis resolveu: “birilo – (reg PB-PE) espécie de grampo para amarrar cabelo”.

Se estivesse jogando “forca”, estaria a um pé do cadafalso. Minha amada, então, só se ria. Salvei-mei pela convicção. Questão de memória afetiva, vocês entendem não é! Morrendo de medo…..

Afinal, ela não tinha birilo, nem grampo, não pude futucar, nem achar o pitoco (vernáculo eternizado nacionalmente pelo genial Antônio Nóbrega, que tem entre seus músicos um rapaz com esse singelo apelido).

Hoje, estou aqui para reproduzir aos senhores uma das canções que mais me encantam na série “Dose Dupla” – Crônicas, o humor, o jocoso etc.

Esse introito foi conversa de beira de calçada, ou de mesa de bar, que o encadeamento de ideias me impeliu registrar no papel.

Perdão, pois, se me alonguei. Mas, como diria Chicó, “tudo que disse acima é a pura expressão da verdade, embora não saiba nem dizer o porquê” (Ariano Suassuna).

A história da música “Dezessete e Setecentos” é longa e ensejará a feitura de mais um “Megaphone” que explicará, amiúde, os caminhos, inusitados por onde está canção de Luiz Gonzaga e Miguel Lima fizeram nos anos 1940. Trata-se, como citei acima de uma conta trivial de somar e diminuir, atrapalhada pela semelhança fonética das possibilidades de troco, para quem deu 20 mil réis para pagar 3 mil e 300…O jogo de palavras, a ligeireza, o contraponto de melodia e aliteração chegam as nos “embananar”. Eu já me embanenei….Ouçam com Gonzaga:

Dezessete e Setecentos, de Luiz Gonzaga e Miguel Lima,com Luiz Gonzaga –
Álbum “Chamego”, de 1958

Eu lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Dezessete e setecentos!
Dezesseis e setecentos!…

Mas se eu lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Mas dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!
Porque dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Sou diplomado
Frequentei academia
Conheço geografia
Sei até multiplicar
Dei vinte mango
Prá pagar três e trezentos
Dezessete e setecentos
Você tem que me voltar…
É dezessete e setecentos!
É dezesseis e setecentos!
É dezessete e setecentos!
É dezesseis e setecentos!

Mas se eu lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Mas dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Eu acho bom
Você tirar os nove fora
Evitar que eu vá embora
E deixe a conta sem pagar
Eu já lhe disse
Que essa droga está errada
Vou buscar a tabuada
E volto aqui prá lhe provar…

Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
É dezessete e setecentos!
É dezesseis e setecentos!…

Mas se lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Porque dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Não, pera aí
Mas se lhe dei vinte mil réis
Prá pagar três e trezentos
Você tem que me voltar
Dezesseis e setecentos!
Mas porque
Dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Mas olha aqui rapá
Dezesseis e setecentos!
Dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!
Mas não é dezessete e setecentos?
Dezesseis e setecentos!
Dezesseis e setecentos?
Dezesseis e setecentos!…

Então deixa
É por isso que não gosto
De discutir com gente ignorante
Por isso é que o Brasil
Não “progrede” nisso…

Aqui uma versão do grande Jackson do Pandeiro, mestre do coco, das emboladas, sambas, dono de grandes sucessos nacionais:

Sobre Miguel Lima, sabe-se que foi o primeiro grande parceiro de Gonzagão, antes mesmo de Humberto Teixeira. Os dois fizeram dezenas de parcerias, entre elas “Chamego”, gravado em 1944, por Carmem Costa.

As informações sobre sua origem e biografia são limitadas. Nem mesmo o “Dicionário de Ricardo Cravo Albin” consegue iluminar seus dados artísticos e biográficos…

Poderia ter recorrido a Abílio Neto, Bruno Negromonte, Xico Bizerra, Pelão e alguns mestres-pesquisadores amigos. Mas não deu tempo….

Semana que vem, tem mais….


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