1 fevereiro 2017 HORA DA POESIA

RETRATAR A TRISTEZA – Marquesa de Alorna

Retratar a tristeza em vão procura
quem na vida um só pesar não sente,
porque sempre vestígios de contente
hão de surgir por baixo da pintura;

porém eu, infeliz, que a desventura
o mínimo prazer me não consente,
em dizendo o que sinto, a mim somente
parece que compete esta figura.

Sinto o bárbaro efeito das mudanças,
dos pesares o mais cruel pesar,
sinto do que perdi tristes lembranças;

condenam-se a chorar, e a não chorar,
sinto a perda total das esperanças,
e sinto-me morrer sem acabar.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS

1 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

AJUDANDO UM BANDIDO

Ao pedir vistas da ação que discute se réu pode permanecer na linha sucessória da Presidência da República, Gilmar Mendes ajudou Renan Calheiros.

Apesar dos votos de Celso de Mello, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, outros cinco ministros já se manifestaram contra a presença de réus no comando da Câmara e do Senado.

Seguindo essa tendência e uma vez concluído o julgamento, Renan seria impedido de presidir a sessão de votação da nova mesa diretora do Senado.

* * *

Esse Gilmar Bocudo Mendes é cheio de presepadas mesmo.

Putz!

Um ministro do Supremo dar uma mãozinha pra um bandido do porte de Renan é sujar a biografia.

Mas, como estamos em Banânia, tudo é possível.

É phoda!!!

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

GABRIEL RENNER – DIÁRIO GAÚCHO

EIKE CONTINUA QUERENDO ENGANAR TODO MUNDO

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – SUPER NOTÍCIA (MG)

O STF DEVE CUMPRIR SUA ATRIBUIÇÃO CONSTITUCIONAL

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

MICHELÂNGELO – CHARGE ONLINE

1 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CICERO TAVARES DE MELO – RECIFE-PE

Berto:

Encontrei esse vídeo interessantíssimo no YOUTUBE publicado pelo PASTOR ADÉLIO para a abertura do período legislativo no CONGRESSO NACIONAL, sede da maior organização criminosa dessa REPÚBLICA PEDERATRISTA DE BANÂNIA.

O título do vídeo é otimamente sugestivo e serve para homenagear os canalhas senadores e deputados fuderais.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

ZOP -CHARGE ONLINE

MOON RIVER

Música de Henry Mancini, letra de Johnny Mercer, lançada em 1961. Foi interpretada no filme Breakfast at Tiffany’s por Audrey Hepburn. Mas foi na voz do cantor Andy Williams que alcançou grande sucesso.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

1 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

COMPANHEIRO EIKE

Hubert Alquéres

O salão de festas do legendário hotel Waldorf Astória, em Nova York, estava lotado pela nata do empresariado americano na noite de 21 de setembro de 2009. Lula era o pop star do jantar onde estava recebendo o prêmio Woodrow Wilson for Public Service, concedido a políticos e empresários.

Em seu discurso, o então presidente da República, falou do “momento mágico” que o Brasil vivia e cumprimentou nominalmente apenas três pessoas: Luiz Dulci, secretário Geral da Presidência; Rex Tillerson, presidente mundial da ExxonMobil e hoje Secretário de Estado de Donald Trump, o principal cargo do governo dos EUA depois do presidente; e “o nosso companheiro Eike Batista”.

Eike Batista era a principal grife da política de “campeões nacionais”.

De fato, turbinado por um empréstimo do BNDES de R$ 10 bilhões, Eike já era o sétimo homem mais rico do planeta, dono de uma fortuna de R$ 30 bilhões e “orgulho do Brasil”, como a ex Dilma Rousseff o chamava.
O empresário-padrão parecia um novo Midas. Tudo em que tocava virava ouro, sem nenhuma ironia com seu parceiro Sérgio Cabral.

O império de Eike ruiu abruptamente em 2013 quando a joia da coroa, a petroleira OGX, foi à bancarrota porque os poços perfurados não tinham petróleo. O prejuízo ficou para os credores e investidores, entre eles o BNDES e fundos de pensão, que caíram no conto do “petróleo dos tolos”.

Em suas mãos ficaram ações micadas, algumas das quais com valor de centavos.

Para se ter ideia do tamanho do golpe: ao surfar no otimismo da era Lula, Eike Batista captou R$ 27 bilhões no mercado de capitais.

Diante do rotundo fracasso do maior símbolo do “momento mágico” lulista, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, procurou amenizar o colapso como “acidente”, ao qual o mercado estaria “acostumado”.

Explicação mais estapafúrdia só mesmo a do místico Eike Batista. A culpa, dizia ele, foi de uma conspiração dos astros.

Acidente de percurso coisíssima nenhuma. A derrocada do grupo Eike foi o corolário de uma sucessão de vexames da estratégia lulopetista de eleger um “núcleo de empresas vencedoras”.

Nesta aventura o BNDES jogou cerca de R$ 40 bilhões em transações no mínimo duvidosas, como a OI/Telemar (a supertele criada para concorrer com as multinacionais), a campeã de laticínios LBR (que simplesmente quebrou), o grupo Bertin (que deu um vexame bilionário nos segmentos de carnes e energia) ou, dentre tantos outros, o frigorífico Marfrig (que recebeu R$ 3,6 bilhões de dinheiro público em aportes em troca de ceder 19,6% de seu capital ao BNDESPar).

No auge dessa loucura, Coutinho tecia loas a Lula, chamando-o de “nosso grande timoneiro” e dava fundamentos teóricos à política de “campeões nacionais”. De pés juntos, jurava que não havia um “processo artificial de fabricação de empresas”.

Diante do rosário de fracassos, o BNDES jogou a toalha em 2013. Desistiu dessa política, sem que ela tivesse se traduzido em ganhos para o Brasil.

Na Coréia do Sul, o programa público de estímulo – que gerou gigantes como a Samsung – estabelecia que as empresas contempladas apresentassem ganhos de produtividade e de exportação. Quem não alcançasse a meta, perdia imediatamente os benefícios.

No Brasil, nada se exigiu em contrapartida. Bastava ser amigo do rei.

Irmã gêmea dos campeões nacionais, a estratégia de se fomentar a substituição das importações no setor de óleo e gás, gerou a enroladíssima Sete Brasil.

Como suporte de tantos desatinos, o Tesouro Nacional injetou 350 bilhões de reais no BNDES, em apenas quatro anos.

Um espanto: o Tesouro captava recursos a juros da taxa Selic (12,75% em 2009) ao ano e repassava ao BNDES a juros de longo prazo, 6% ao ano. Por sua vez o banco fazia empréstimos de pai para filho a grupos privados escolhidos seletivamente.

Assim foi criado o capitalismo de laços descrito no livro de Sérgio Lazzarini, professor do Insper. Nessa modalidade, a acumulação de capital não se dá pela via da concorrência, de ganhos de competitividade e produtividade, mas pelas conexões de seletos grupos com o Estado.

Eike Batista é filho legítimo deste capitalismo de compadrio. Não seria o que foi sem o “momento mágico“ de Lula, sem a “nova matriz econômica” de Dilma.

O empresário queridinho dos governos petistas se apresenta à Justiça disposto a abrir o bico. Tem muito a contar sobre a política de campeões nacionais.

E é possível que Lula e “o companheiro Eike”, que hoje já vive no complexo penitenciário de Bangu no Rio de Janeiro, voltem a se encontrar. Não mais no luxuoso Waldorf Astória.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

O PAÍS QUE DECIDE SEU FUTURO POR SORTEIO

Até um capinha aposentado sabe que, dos quatro integrantes da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, só Celso de Mello poderá assumir as funções de relator dos casos da Lava Jato sem que o Brasil perca o sono. Como aqui já se escreveu, ministro nenhum conseguirá deter o avanço da dedetização do país. Se tentar, será varrido pelo povo. Mas as três togas que estarão no sorteio com Celso de Mello dificilmente resistirão a truques, trapaças e trapalhadas que acabem retardando a conclusão da faxina colossal.

Um país que decide seu futuro por sorteio, aliás, também deveria eleger o presidente do Senado num jogo de palitinho e o presidente da Câmara no par ou ímpar. Os vencedores não seriam piores que Eunício de Oliveira e Rodrigo Maia.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

1 fevereiro 2017 HORA DA POESIA

HORAS RUBRAS – Florbela Espanca

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas …

Oiço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…

Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…

Sou chama e neve branca e misteriosa…
e sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

O “X” DA QUESTÃO

A prisão de Eike Batista já não me surpreende como as prisões semelhantes surpreenderam no início da Operação Lava-jato e congêneres.

Não surpreende porque já está demonstrado que a justiça brasileira possui maturidade para prender empresários bilionários e mantê-los presos. Já está demonstrada a eficiência das ações coordenadas entre o MPF e a Polícia Federal. E, principalmente a coragem e competência de juízes de primeira instância como Moro e Bretas, que tem prendido e julgado de forma competente.

Tanto que poucos de seus atos são reformados em instâncias superiores. A sua coragem inspira mas ainda não se reproduz nos tribunais superiores onde já deveria ter sido julgada e condenada toda a sucia que habita nossa política. Mas onde as poucas ações já abertas avançam e retrocedem em um movimento lento e desuniforme. Senhores Ministros espelhem-se nos juízes da primeira instância!

O que me chamou a atenção no caso de Eike é a peculiaridade dos fatos, de como ele se entregou e de como tem se referido ao caso.

Eike não nega os seus feitos e afirma que está ali para colaborar com a justiça e que deve pagar por seus erros. Quem passou a vida no Brasil acaba por ser no mínimo desconfiado. Portanto acho que ai tem.

Eike, a exemplo de outros enrolados nas diversas operações contra a corrupção, vem de berço nobre. Nunca foi pobre e sempre foi ousado no mercado amealhando mais e mais dinheiro durante sua vida. Mas seu ponto de inflexão positiva ou o ponto bilionário deu-se com a chegada do PT ao poder, coincidência?

Pode ser. Mas sua proximidade com Lula, Dilma, Cabral e outros poderosos poderia ser no mínimo motivo de desconfiança. No caso de sua relação com Sérgio Cabral já está provada a virulência do ataque aos cofres públicos.

Eike era o bilionário brasileiro, um dos campeões do PT, símbolo do novo empresariado brasileiro sob a égide vermelho-estrelada. Ostentou sua proximidade com o poder e foi ostentado pelos Governos do PT e outros.

Lula, Dilma et caterva estavam sempre ali junto a Eike. Fotos, elogios discursos, festas, viagens juntos, empréstimos de jatinhos, de carros, doações entre outras coisas colocam todos no mesmo saco. O imbróglio é tão grande que ninguém teve coragem de negar. E a prisão de Eike deve estar prejudicando o sono de muitos poderosos de hoje e de outrora.

Vou arriscar-me um pouco nas teorias da conspiração. Já ouvi algumas vezes que Eike seria o ‘grande laranja’ dos Governos e Governantes, especialmente os vermelho-estrelados. Há provas? Sim algumas que podem no mínimo incitar suspeitas e uma série de coincidências estranhas.

Vejam tudo ia bem nos negócios de Eike, mas quando a Lava-jato começou a fechar as torneiras do dinheiro fácil, em plenas eleições presidenciais e com uma necessidade estúpida de dinheiro para ‘calar bocas’ e ‘molhar mãos’, eis que o Império X quebra. Será que não foi necessária uma capitalização rápida dos parceiros de laranjal? Há que investigar.

Passa o tempo e o Império X não se reergue e o que faz Eike procura o MPF com denúncias. Depois tem a chance de fugir para a Alemanha, alertado por seus ‘camaradas’ da Operação (in)eficiência da PF e se entrega, o que houve?

Eike deve uma ‘vela e um cachimbo’, como dizia meu avô, ao Fundo Soberano de Abu Dhabi e outro tanto a investidores americanos e ao BNDES. Na Alemanha poderia escapar da justiça brasileira mas não escaparia das longas mãos destes credores. Mas a pergunta de alguns bilhões de dólares é, quanto Eike ainda ‘deve’ a seus parceiros de maracutaia? Quanto deve aos verdadeiros donos do Laranjal X?

Esta resposta começa a ser dada com sua prisão e aparecerá em uma provável delação premiada. Jogada arriscada? Sim, mas de grande inteligência. Ao assumir sua culpa e delatar os ‘companheiros’ de jogo Eike provavelmente escapará de ter de pagar sua grande dívida, a parte dos sócios. E se demonstrar como os ‘sócios’ dilapidaram o dinheiro do BNDES poderá até equalizar estas dívidas.

Feito isto fica mais fácil negociar com os estrangeiros (Abu Dhabi e americanos). Com sorte poderá permanecer com um bom patrimônio escondido ou no nome de parentes e cumprir uma pena pequena. Uma jogada de mestre. Mas para isto terá de entregar ao Brasil ‘o nome do sócio’.

Deve ter gente realmente insone. Lembremo-nos que Eike era o papagaio de pirata e garoto propaganda do Governo Lula. Eike era muito mais próximo de Lula, Dilma, Cabral e do PT que por exemplo Marcelo Odebrecht. Portanto seu potencial de estrago é enorme.

Raspar o cabelo, pagar ‘cana’, voltar ao país espetacularmente faz parte do jogo de ostentação típico de Eike. Acho que o Senhor X está jogando e esta, finalmente, poderá ser uma jogada boa para o Brasil. Tomara!

O X da questão é quanto e quem Eike está disposto a entregar. Se vier com peixes pequenos ou blefes vai acabar mofando na cadeia. No atual momento sua jogada só terá sucesso se ele entregar os tubarões.

E o Senhor X poderia começar dando um sinal de boa vontade. Contando à Polícia quem vazou a operação que iria prendê-lo.

E aí Eike está na hora de marcar o seus X na Lava jato!

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

OLINDA, NO TEMPO DOS FLAMENGOS

A vida religiosa da capitania tinha como centro a matriz do Salvador do Mundo, sendo ela, em todo século XVI e início do século XVII, a segunda igreja em importância da América Portuguesa, depois da Sé da Bahia. O grande templo foi parcialmente concluído em 1540, apresentava-se com três naves, tendo na portada duas colunas geminadas. O padre Fernão Cardim assim o descreve em 1584: “uma formosa igreja matriz, de três naves, com muitas capelas ao redor, e que acabada ficaria uma boa obra”.

Preocupou-se o primeiro donatário não somente com a implantação da agroindústria açucareira, mas também com a educação da juventude e, muito particularmente, com a catequese dos indígenas, tendo para isso entregue aos padres da Companhia de Jesus, em 1551, a ermida de Nossa Senhora da Graça, por ele construída na mais alta elevação da vila. Coube aos padres Manoel da Nóbrega e Antônio Pires coordenarem o nivelamento do terreno e nele iniciar a construção, junto à primitiva igreja, do edifício do Colégio de Olinda. As obras se prolongaram por toda a segunda metade do século XVI, juntamente com a instalação de um Horto Botânico destinado à aclimatação das plantas exóticas, trazidas da Europa e do Oriente para Pernambuco.

Também as ordens religiosas procuraram estabelecer os seus conventos em terras da nova capitania. Inicialmente, como já vimos, foram os Jesuítas (1551), seguindo-se dos Franciscanos (1585), Carmelitas (1588) e Beneditinos (1592).

09. Ruínas da Sé de Olinda, segundo quadro de Frans Post (detalhe)

Ruínas da Sé em Olinda – Frans Post

Uma visão de Olinda, no início do século XVII, nos é dada por Ambrósio Fernandes Brandão, em Diálogos das grandezas do Brasil (16l8):

Dentro na Vila de Olinda habitam inumeráveis mercadores com suas lojas abertas, colmadas de mercadorias de muito preço, de toda a sorte em tanta quantidade que semelha uma Lisboa pequena. A barra do seu porto é excelentíssima, guardada de duas fortalezas bem providas de artilharia e soldados, que as defendem; os navios estão surtos da banda de dentro, seguríssimos de qualquer tempo que se levante, posto que muito furioso, porque têm para sua defensão grandíssimos arrecifes, a onde o mar quebra. Sempre se acham nele ancorados, em qualquer tempo do ano, mais de trinta navios, porque lança de si, em cada um ano, passante de 120 carregados de açúcares, pau-brasil e algodão. A vila é assaz grande, povoada de muitos e bons edifícios e famosos templos, porque nela há o dos Padres da Companhia de Jesus [1551], o dos Padres de São Francisco da Ordem Capucha de Santo Antônio [1585], o Mosteiro dos Carmelitas [1588], e o Mosteiro de São Bento [1592], com religiosos da mesma ordem.

A riqueza de Olinda, por sua vez, era sustentada pelas mercadorias exportadas através porto de Pernambuco, notadamente o açúcar. Sua importância nas relações comerciais com o norte da Europa, é ressaltada em grande parte dos documentos do século XVI e início do século XVII, graças à produção do açúcar, que passara de gênero de alto luxo a produto acessível às classes de menor poder aquisitivo. Tal riqueza veio despertar a cobiça dos piratas e corsários, tornando as caravelas (navios pequenos e mal-armados), em presas fáceis. Informa K. R. Andrews que, entre 1589 e 1591, Portugal perdeu para corsários ingleses nada menos que 34 navios, em sua maioria procedentes dos portos de Pernambuco e da Bahia.

Em 1589, segundo fonte jesuítica, num período de nove meses, foram apreendidos por ingleses e franceses 73 navios carregados.

Na primeira metade do século XVII a riqueza da capitania de Pernambuco, bem conhecida em todos os portos da Europa, veio despertar a cobiça dos Países Baixos. Em guerra com a Espanha, sob cuja coroa se encontrava Portugal e suas colônias, necessitava a Holanda e demais repúblicas de todo açúcar produzido no Brasil para suas refinarias (26 só em Amsterdã). Com o insucesso da invasão da Bahia (1624), onde permaneceram por um ano, mas com o valioso apoio de Isabel da Inglaterra e Henrique IV da França, rancorosos inimigos da Espanha, a Holanda, através da Companhia das Índias Ocidentais, formada pela fusão de pequenas associações, em 1621, cujo capital elevara-se, em pouco tempo, a 7 milhões de florins, voltou o seu interesse para Pernambuco.

A produção de 121 engenhos de açúcar, “correntes e moentes” no dizer de van der Dussen, (¹) viria a despertar a sede de riqueza dos diretores da Companhia, que armou uma formidável esquadra sob o comando do almirante Hendrick Corneliszoon Lonck. Uma grande armada, com 65 embarcações e 7.280 homens, apresentou-se nas costas de Pernambuco em 14 de fevereiro de 1630, iniciando assim a história do Brasil Holandês.

A Vila de Olinda, uma das mais abastadas da América Portuguesa, cujo fausto era comparado com Lisboa e Coimbra, não se perturbara com os boatos da chegada dês uma grande armada .

Nas ruas os seus habitantes, aproveitando as festas pelo nascimento do príncipe Baltasar, herdeiro do trono de Espanha, vestiam seda e damasco, montavam em garbosos cavalos ajaezados em prata, com o som de suas cascavéis a chamar a atenção de sua passagem.

Senhores da terra, os holandeses escolheram o Recife como sede dos seus domínios no Brasil, por ter nesta praça a segurança que não dispunham em Olinda, “por ser aberta por muitas partes e incapaz de defesa”, na observação de Diogo Lopes Santiago (História da Guerra de Pernambuco).

Na noite de 25 de novembro de 1631, resolveram os chefes holandeses pôr fogo na sede da capitania de Pernambuco, “a infeliz vila de Olinda tão afamada por suas riquezas e nobres edifícios, arderam seus templos tão famosos, e casas que custaram tantos mil cruzados em se fazerem” (Santiago).

O soldado da Companhia das Índias Ocidentais, Ambrósio Richshoffer, em anotações ao seu Diário, relata que a demolição dos edifícios de Olinda teve início no dia 17, “transportando-se mais tarde para o Recife todo o material aproveitável”.

A 24 nossa gente que ali se achava retirou-se para a aldeia Povo ou Recife, destruindo antes tudo o que foi possível e pondo fogo à cidade em diversos pontos. Esta resolução foi motivada pelo fato de ser a cidade toda montanhosa e desigualmente edificada, sendo difícil de fortificar e exigir uma forte guarnição, que podíamos empregar melhor aqui e em outros pontos. (²)

Olinda - Frans Post - Rijksmuseum 107,5 x 172,5 (2)

Olinda – Frans Post

Segundo depoimento de Duarte de Albuquerque Coelho, em Olinda “residiam 2.500 vizinhos, possuindo quatro conventos religiosos, sendo um de São Bento, outro dos recoletos de São Francisco, o terceiro do Carmo, e um colégio dos Jesuítas; havia mais duas paróquias, uma casa de Misericórdia e a da Conceição de recolhidas, além das Ermidas. O que não pode referir-se, sem grande e devido sentimento, é que também deixaram nas chamas todas estas igrejas e conventos, e as Santas Imagens”. (³)

Em Olinda a paisagem e costumes foram assim descritos pelo Frei Manuel Calado, “tudo eram delícias e não parecia esta terra senão um retrato do terreal paraíso” (O Valeroso Lucideno).

Mas a segurança para Waerdenburch e demais chefes holandeses falava mais alto, daí fixar-se no Recife e na ilha de Antônio Vaz que “são lugares próprios para, com oportunidade, fundar-se uma cidade” e “penso que ninguém que da Holanda vier para aqui quererá ir morar em Olinda” (Adolph van Els), sendo proibidas quaisquer construções no perímetro urbano da antiga capital.

Observa José Antônio Gonsalves de Mello que “uma população enorme, calculada em mais 7.000 pessoas, teve de se comprimir no Recife e em Antônio Vaz [área hoje ocupada pelos bairros do Recife e de Santo Antônio]. Aí as casas eram em número insuficiente e muitos dos armazéns tinham sido incendiados”.

Ao contrário do que muitos podem pensar, foi o açúcar, e não a esperança de descobrimento de minas, o motivo principal da invasão, conforme bem demonstrou José Antônio Gonsalves de Mello. (4)

Açúcar, no dizer do padre Antônio Vieira, passou a ser sinônimo de Brasil.

______________

1) DUSSEN, Adriaen van der. Relatório sobre as capitanias conquistadas no Brasil pelos holandeses (1639): suas condições econômicas e sociais. Rio de Janeiro: Instituto do Açúcar e do Álcool, 1947. 168 p. Tradução, introdução e notas de J. A. Gonsalves de Mello.

2) RICHSHOFFER, Ambrósio. Diário de um soldado da Companhia das Índias Ocidentais 1629-1632. Tradução de Alfredo de Carvalho. Apresentação de Leonardo Dantas Silva. Prefácio de Ricardo José Costa Pinto. Recife: SEC, Departamento de Cultura, 1981. 210 p. il. (Coleção pernambucana; 1ª fase, v. 11 a). Fac-símile da. ed. Recife: Typographia a vapor de Laemmert & Comp., 1897.

3) COELHO, Duarte de Albuquerque. Memórias diárias da guerra do Brasil 1630-1638. Apresentação de Leonardo Dantas Silva; Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1981. 398 p. il. (Coleção Recife; v. 12). Inclui mapas de Manoel Bandeira e índice onomástico.

4) MELLO, José Antônio Gonsalves de. Tempo dos Flamengos. 2.ed. p. 130.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

1 fevereiro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

SEM AS MÃOS NOS PEITOS

Comentário sobre a postagem BATENDO PERNAS PELOS CANTOS

Augusto Berto:

“Meu avô, que texto de tamanha utilidade. Eu faço parte de uma juventude que julga se preparar para a vida, mercado de trabalho e demais inquietações. Mas de que adianta tudo isso se ainda não conhecemos o Redolério?

Já enviei o manual de instruções dessa dança para algumas moças de Brasília e espero praticar os passos em breve.

E no próximo passeio ao shopping leve seu neto junto.”

* * *

Nota do Editor:

Meu querido neto Augusto, filho da minha querida filha Patrícia: existe aí na praça um negócio chamado “funk” que dizem os muderninhos tratar-se de uma “dança”. Os machos ficam por trás, relando a braguilha na bunda da fêmea. Mas, ao contrário do Redolério, no funk o cavalheiro não pega nos peitos da dama. E isto é uma grande desvantagem.

Enquanto se preocupa em aprender a dançar o Redolério, vá pensando em assinar uma coluna aqui no JBF. Jornalista por formação acadêmica, cronista por vocação e esculhambista por herança, você estaria no antro certo. Pense mesmo.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA


LARGA D´EU, MISÉRA!

Hoje relembrei do personagem JOSELINO BARBACENA, vivido pelo ator carioca ANTÔNIO CARLOS PIRES no programa humorístico Escolinha do Professor Raimundo apresentado pela TV Globo e comandado pelo genial humorista cearense Chico Anysio.

Quem se identifica com as coisas e a vida do sertão, com certeza gostava da participação do Joselino Barbacena (Antônio Carlos Pires), logo na primeira fala, ao atender o chamado do Professor Raimundo:

– Ô meu Jesus Cristim! Já me descobriu aqui! Larga d´eu, miséra!

Joselino Barbacena na Escolinha do Professor Raimundo

Antônio Carlos Pires nasceu no Rio de Janeiro, a 1 de janeiro de 1927, e faleceu no mesmo Rio de Janeiro, a 28 de fevereiro de 2005. A partir dos anos 70, passou a atuar definitivamente na Globo. Foi nessa época que retornou às suas raízes humorísticas ao atuar em programas como Satiricom, Planeta dos Homens, Chico Anysio Show e Escolinha do Professor Raimundo. Neste último, onde atuou ao lado de antigos colegas como Chico Anysio, Grande Otelo, Zezé Macedo e Nádia Maria, interpretou seu personagem mais famoso, Joselino Barbacena, um aluno oriundo da cidade mineira de Barbacena que sempre tentava inutilmente se esconder do professor Raimundo. Atuou nesta de 1990 a 1994.

Em 1995, após dez anos longe dos cinemas, atuou em seu último filme: O Quatrilho, ao lado de sua filha Glória Pires.

Sofrendo do Mal de Parkinson, parou de atuar pela dificuldade em decorar textos. Em 2002, perdeu a capacidade de falar. Em 23 de dezembro de 2004 foi internado na Clínica São José, na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 28 de fevereiro de 2005, vitimado por uma infecção generalizada, aos 78 anos.

Antônio Carlos foi casado com a empresária Elza Pires, falecida no início da década de 1990, com quem teve duas filhas: a terapeuta Linda Pires e a atriz Glória Pires. Eles também fundaram o Instituto Casazul para pessoas idosas.” (Transcrito do Wikipédia)

A mania de assar castanha de caju

Pois é. Eu saí do sertão, mais propriamente do povoado onde nasci – Pacajus/CE – nos anos 50. Voltei por lá poucas vezes pois, quando saí, saí com a família toda e não tinha mais ninguém para visitar. Nem para nos suportar durante as férias escolares.

Até Vovó, que tinha o hábito de dar nomes próprios a alguns pássaros que afirmava lhe pertencerem, resolveu deixar a roça no passado e respirar novos ares. Hoje, com toda certeza, ares contaminados – contaminados de violência, contaminados de insensatez, contaminados de desemprego, contaminados de hipocrisia e, a grande maioria, matando as pessoas por asfixia.

Mas, hoje constato que, mais de meio séculos depois, o “sertão num saiu d´eu” – ô miséra, me deixa in paiz!

Quer me matar de saudade por causo de que?

E, uma das coisas boas do sertão, era sentar numa roda, pegar um pau e uma pedra ou coisa parecida e quebrar castanha de caju assada – aproveitando para comer mais que as que juntava numa cuia. E era naquele “trabaio” que a conversa fluía!…

Mais um “caminho” d´água para afazeres domésticos

De manhã, ainda cugalo cantano, era meu seuviço ir no açude grande e pegar quatro caminhos d´água. Dois tonéis adaptados para serem carregados num jumento, se não garantiam a qualidade da água potável, pelo menos serviam para “dar de beber” aos animais domésticos que “não carecia” deixar sair de casa: patos, perus, galinhas, porcos.

Adispois dessa labuta, a próxima “brincadeira” era botar a enxada nos ombro e ajudar Vovô a apreparar as mandioca para a farinhada que aconteceria dali a dois meses.

Galinha à cabidela – prato top do sertão

Mas, o que num larga d´eu mermo, é a santa comidinha da roça, apreparada com carinho numa panela de barro e num fogão a lenha. Uma “galinha à cabidela”, cusangue da bicha aparado num alguidá de barro e, quando cozinhado, seuvido na mesa posta no chão (um surrão de palha, onde todos se assentavam ao redor).

Era, se não a comida dos deuses, o prato que garantia “posses e luxos” dos dias de domingos – mas só comia quem tivesse ido rezar na Santa Missa celebrada pelo Padre Gregório na Igreja Nossa Senhora da Piedade.

– Ô saudade disgramada. Larga d´eu, miséra!

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

1 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

EM BANÂNIA TUDO É POSSÍVEL

Por decisão do seu próprio partido, PMDB, e sob pressão dos demais, o senador Renan Calheiros foi vetado para presidir a poderosa Comissão de Constituição e Justiça do Senado, como ele pretendia.

Os líderes concluíram que seria um desgaste desnecessário entregar a presidência da CCJ a um senador que é réu e investigado 13 vezes.

A CCJ é a comissão mais importante do Senado porque define os projetos que vão tramitar até serem votados no plenário.

Também cabe à CCJ sabatinar indicados para ministro do Supremo Tribunal Federal e diretores de agências reguladoras, por exemplo.

* * *

Renan presidindo a Comissão de Constituição e Justiça do Senado – que é o órgão que sabatina os indicados para o STF -, seria assim como o réu interrogando os juízes.

Mas, como estamos em Banânia, nada é impossível.

Nada mesmo.

É bom não esquecermos nunca que somos um país que já teve na sua prisidência as figuras de Lula e de Dilma. Eleitos e (é phoda!!!) reeleitos!

Não esqueçam nunca disto.

Quanto a Renan, ele merece o mesmo destino de Lula e de Dilma: a lata de lixo.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

COMENTÁRIOS

Suprema Tolerância Federal

O relator da Lava Jato será escolhido por sorteio na segunda turma do STF, composta por Lewandowski, que fatiou a pena de Dilma no impeachment, Toffoli, ex-advogado do PT, Gilmar Mendes, contra a Lava Lato, e o decano Celso de Mello, doente. A ida de Fachin da primeira turma para lá manterá a tendência: serão 3 contra e 2 na coluna do meio. Não precisa de bola congelada: o que vai acontecer é pau na Lava Jato ou a leniência de sempre. Com Teori já era assim: ele ficou 3 anos na relatoria, o STF não condenou ninguém e Moro na primeira instância apenou 120. A tolerância e a promiscuidade de Brasília continuam tornando o Supremo a casa do perdão dos amiguinhos dos convescotes na capital. (Clique aqui para ouvir o comentário)

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Moro 120 a STF 0

A primeira instância na Lava Jato é célere e fiel à lei e ao espírito da lei. A última é lerda a pretexto de não pisar na lei. O atual placar de condenações é de 120 pela Lava Jato a 0 pelo STF. Em três anos, Teori Zavascki morreu sem condenar um só político no maior escândalo da história da humanidade. E qualquer brasileiro de posse de suas faculdades mentais e do mínimo de informação sabe que, qualquer que seja seu substituto, a ser escolhido por sorteio, a favor ou contra, vai ser difícil mexer nesse placar no lado dos que têm foro privilegiado. A manutenção do sigilo das homologações por Cármen Lúcia favorece os delatados e prejudica os cidadãos, que ficarão à mercê dos vazamentos seletivos. (Clique aqui para ouvir o comentário)

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

IOTTI – ZERO HORA (RS)

1 fevereiro 2017 JOSIAS DE SOUZA

ESCOLHIDO DE TEMER FICARÁ DISTANTE DA LAVA JATO

Em articulação meticulosa, a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, afastou o ministro a ser indicado por Michel Temer dos processos relacionados à Lava Jato. Ela cuidou de fechar as portas da Segunda Turma, o colegiado que cuida do petrolão, empurrando o futuro ministro para a Primeira Turma, que nada tem a ver com o escândalo da Petrobras.

Há no Supremo 11 ministros. Além dos julgamentos em que atuam juntos, no plenário, os magistrados se dividem em duas turmas: a primeira e a segunda. Cada turma tem cinco membros. Cármen Lúcia, como presidente da Corte, não participa de nenhuma delas. Com a morte de Teori Zavascki, há duas semanas, abriu-se uma vaga na Segunda Turma, aquela que é responsável pela Lava Jato.

Pelo regimento interno do Supremo, a poltrona de Teori deveria ser ocupada pelo futuro indicado de Temer, que herdaria todos os processos do ministro morto. Em sábia decisão, Temer avisara que só anunciaria o nome do seu escolhido depois que o Supremo apontasse um substituto para Teori na relatoria Lava Jato. Com isso, o presidente da República evitou que o acusassem de tentar interferir num processo em que ele, seus auxiliares e aliados são protagonistas de delações.

Sem alarde, Cármen Lúcia estimulou o colega Edson Fachin a migrar da Primeira para a Segunda Turma do Supremo. Nesta terça-feira, véspera o fim das férias do Judiciário, Fachin formalizou o desejo de consumar a transferência. Ele será acomodado na poltrona que era de Teori Zavascki. E participará do sorteio que definirá o novo relator da Lava Jato junto com os outros quatro membros do colegiado: Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Tofoli.

Consumada a articulação, não restará ao futuro indicado de Temer senão contentar-se com uma vaga na Primeira Turma, longe da Lava Jato. A exclusão só não foi integral porque os processos do petrolão que envolvam chefes de Poderes terão de ser obrigatoriamente submetidos ao plenário do Supremo, não à Segunda Turma. Assim foi feito, por exemplo, nos processos que demandavam providências contra Eduardo Cunha na época em que ele era presidente da Câmara.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS

NÃO TEMOS MAIS COM QUE NOS PREOCUPAR?

As atitudes e decretos do novo presidente dos EUA, Donald Trump, têm ocupado um enorme espaço nas manchetes de jornais do mundo inteiro, incluindo-se, obviamente, os nossos.

Obviamente, o poderio econômico e militar dos EUA e sua influência no mundo inteiro faz jus a tanta preocupação.

Mas se o mundo ficar reclamando e não fizer nada contra, vai dar mais força e poderio ao mais novo ditador do pedaço.

Fazer alguma coisa é, por exemplo, quem usualmente consome produtos americanos deve, imediatamente, parar de fazê-lo.

Quem tiver programado férias na Disney ou qualquer outro lugar dos EUA, mude para outro destino. Há muita coisa interessante no mundo.

Quem fornece petróleo ou matéria-prima para o Tio Sam, pode muito bem começar a buscar outros clientes e, principalmente, sobretaxar as exportações para lá.

Não é simples, nem fácil? Sei que não, mas há um ditado que diz que a União faz a força.

Os ingleses, ao que tudo indica, começam a sentir na pele a sua atitude isolacionista, quando decidiram se separar da União Europeia.

Com o isolacionismo adotado por Trump, as coisas para os ingleses devem piorar um pouco mais, já que as duas economias sozinhas não vão se sustentar por muito tempo.

E olha que ele ainda não mexeu com seus maiores fornecedores de petróleo, que são muçulmanos, caso da Arábia Saudita.

Por sinal, quem mais matou pessoas em ataque terrorista nos EUA foram os comandados por Bin Laden, que era saudita.

Os próprios americanos estão se manifestando e se começarem a sentir no bolso que o prejuízo será ainda maior, aí é que sairão às ruas pedindo a cabeça do “Pato” Donald.

Por falar em cabeça do “Pato” Donald, do jeito que os americanos compram armas, com o apoio dos republicanos que endeusaram Trump, não duvido que alguém se arrisque a cometer um desatino.

Afinal de contas, 3 presidentes americanos, sendo 2 deles republicanos, foram assassinados ao longo da História e 9 sofreram atentados, mas sobreviveram.

Há um ditado que diz: “quem com ferro fere, com ferro será ferido!”, sem nos esquecermos da Lei da Física: “A toda ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário”.

Quanto a nós, brasileiros, já temos muito com que nos preocupar: além de toda a Lava Jato, agora na dependência de quem irá substituir o Ministro Teori na relatoria, teremos eleição na Câmara de Deputados, onde o favorito corre o risco (tomara) de não poder concorrer, uma vez que sua re-eleição fere o regimento daquela Casa Legislativa; eleições no Senado, cujo concorrente do PMDB tem tudo para levar de barbada, apesar de, conforme as más línguas, estar enrolado nas delações da Odebrecht, como dizem estar o próprio presidente Michel Temer e outros tantos ministros do seu governo.

Se juntarmos a isso o desemprego, a falta de perspectiva imediata…

Preocupar-nos, excessivamente com Trump e os americanos, é o mesmo que ser fã de tele-novelas que vai dormir e acorda preocupado com o destino desse ou daquele herói ou heroína da trama e esquece de viver sua própria vida.

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FALA SÉRIO!

Você votará, em 2018, em candidatos de um partido cujo líder no Senado se chama Renan Calheiros?

FALA SÉRIO!

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

É ASSIM UMA FARINHADA

Chamei Zé e Damião
Rosa, Maria e Joaquina
Pedro, Zéfa, e Severina
Antonio e Sebastião
Fomos todos pra o grotão
Com saco, balaio, enxada,
A jumenta encangalhada
Pra que se dê o confronto
Acho que está tudo pronto
Pra fazer a farinhada.

Uns vão quebrando a maniva
Outros puxando a touceira,
Não arranque a macaxeira
Nem a mandioca nativa,
Que essa a gente cultiva
Pra depois da invernada
Agora, não rende nada,
Então não vamos mexer
Pois tem que amadurecer
Pra fazer a farinhada.

Rosa repara o rodeite
O caititu, fuso e fio,
Pra ficar tudo macio
Coloca sebo e azeite,
Ou Pedro você ajeite
A lenha que está molhada
Nela dê uma esquentada
Deixe o forno que eu atiço
Faz parte do meu serviço
Na hora da farinhada.

Joaquina lava a gamela
Severina arruma a prensa
Zé Damião vê se imprensa
Que a massa está amarela
Deixa no pote e panela
A manipueira guardada
Estando a goma assentada
Escorre, enxuga e entoca,
Para se fazer tapioca
Durante essa farinhada.

Rosa vem para engenhoca
Mas, tenha muito cuidado,
O rebolo é amolado
Veja se nele não toca
Na ceva da mandioca
Tem que está bem concentrada
Pois se estiver descuidada
Logo irá se machucar
E não pode continuar
Na luta da farinhada.

Com a tora junto ao fuso
Aperte mais o brinquete
Até que saia um filete,
Porém não cometa abuso,
Pra que não fique confuso
Depois vá lá na latada
Traga uma faca afiada
E as embiras no bisaco
Que é para amarrar o saco
No final da farinhada.

Junta toda a “cabroeira”
Para raspar mandioca,
Sebastião tu mesmo toca
A roda que está maneira,
Zefa fica na peneira
Quero a massa bem quebrada
Ficando bem peneirada
Como a regra determina
Teremos farinha fina
Ao longo da farinhada.

Zefa limpe o caititu
Que já findou a moenda,
E depois para a merenda
Venha aprontar um beiju
Lá na moita de bambu
Tem uma sexta amarrada
Dentro tem carne salgada
Asse e traga bem quentinha
Pra cabroeira todinha
Se fartar na farinhada.

O forno já está quente
Joga a massa e pega o rodo
Que eu quero aproveitar todo
O calor do ambiente
Dou um pouco de aguardente
Para essa turma animada
A quantia é limitada
Pra ninguém se embebedar
E venha a prejudicar
O fluir da farinhada.

Quando a farinha está pronta
Logo entrego a encomenda
Lá para o dono da venda
Para pagar minha conta.
Depois que tudo desconta
Não me sobra quase nada
E assim que a conta é somada
Com o que sobra pago ao povo
E conto com eles de novo
Para a próxima farinhada.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

PARAQUEDISTA

Orquestra Tabajara executando um chorinho de 1946, do compositor José Leocádio.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

ADNAEL – CHARGE ONLINE

MAMA COM FÉ E ORGULHO

E, de repente, houve no Brasil aquele vislumbre de que tínhamos chegado ao Primeiro Mundo: a Odebrecht, organizadíssima, dispondo de departamento especializado em propinas, com registro computadorizado, nome, RG e foto do beneficiário, impecável no pecado. E ainda multinacionalizada, multicolorida, o dinheiro da propina verde-amarela lubrificando candidatos vermelhos no Exterior, em parte pagando lá fora serviços aqui de dentro, girando internacionalmente obras de porte, monumentais, que cá e lá, devidamente azeitadas e negociadas por autoridades, mais propinas renderiam.

Só que não era bem assim: Eike Batista, apesar do nome alemão (e dos nomes escandinavos que deu aos filhos), é um carioca daqueles de anedota, solto, feliz. Deu-se muito bem com outro carioca de almanaque, alegre, divertido, boa praça, o então governador fluminense Sérgio Cabral. Deram-se tão bem que, descobriu-se agora, Cabral se transformou, só com os mimos de Eike, no maior pixulequeiro da era Lava Jato. E nada daquela organização primeiro-mundista com advogados, transferências múltiplas, trusts e trustees, seja lá isso o que for: a grana é ainda mais farta, mas em joias, pedras preciosas, minas de ouro (na África, talvez), presentes. Como nos tempos das miçangas e espelhinhos, havia gentilezas como tecidos finos para ternos, gravatas daquelas caríssimas, dinheiro vivo para despesas imediatas e dois doleiros exclusivos. Brasil!!!! Século 21, século 16, sempre bons no pixuleco.

Avança, onça!

Dizem que, em certa ocasião, dois amigos passeavam na floresta quando ouviram, bem pertinho, o inconfundível rugido da onça. Um saiu correndo, o outro se agachou para trocar os tênis. O que corria gritou: “Você acha que vai conseguir correr mais do que a onça?” O amigo respondeu, já em velocidade: “Eu não preciso correr mais do que a onça. Preciso correr mais do que você”.

Esta é a disputa de agora entre Cabral e Eike: quem delatar primeiro dá a ficha do outro, e lhe tira a chance de ganhar os benefícios da delação premiada. No final, é um amigo jogando o outro às onças para ver se sozinho dá para sobreviver. Parece que havia até joalheiro quase exclusivo a serviço dos dois amigos. Cadê as joias?

A resposta milionária

Eike pode ser tudo, mas burro definitivamente não é. Qual o motivo que o fez comprar uma passagem só de ida (bem mais cara) para os Estados Unidos, correndo o risco de ser preso, decidindo enfrentar as acusações de estar foragido? Se pretendia ir para a Alemanha, usando seu passaporte alemão, por que não foi direto para lá? Que é que foi fazer nos Estados Unidos um ou dois dias antes de se entregar? Com quem conversou? Quem o ajudou a se decidir?

Pingando

Outra informação preciosa que Eike carrega: alguém lhe vazou a notícia de que seria preso? A Justiça determinou sua prisão no dia 13, a ordem foi cumprida no dia 26, quase duas semanas depois. Eike tinha viajado. Quando? Dois dias antes da mobilização da Polícia para prendê-lo. Com passagem só de ida comprada no dia da viagem. Viajando sozinho, um dia antes da família.

Esse é o segredo que Eike não pode contar. Pois, se contar, sabe-se lá que tipo de divergências entre instituições e autoridades ficará esclarecido de vez.

Números

Lembra do Pedro Barusco, gerente da Petrobras que tinha mergulhado a mão em pouco menos de US$ 100 milhões? Como diria o ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o Mensalão, é um petequeiro. Sérgio Cabral, só de Eike, levou mais do que isso, segundo as investigações da Federal. Por enquanto, entre pixulecos e acarajés, Cabral está no pódio.

Escutar é bom

Do senador paranaense Roberto Requião, PMDB, comentando a sanidade mental de seus colegas: “Sou a sanidade em pessoa”. Requião, para agradar o então presidente Lula, na fase anterior ao pré-sal, quando ia inundar o mundo de biocombustíveis, mastigou uma mamona e fez cara de quem gostou, embora a mamona seja amarga e venenosa. O mais sensato dos dois, Lula, evitou que a Sanidade em Pessoa engolisse a mamona assassina.

A grande dúvida

O colunista James Akel estranha a manutenção do sigilo das delações da Odebrecht, mesmo já tendo sido acolhidas pelo Supremo. Uma frase: “Denúncia premiada sem premiar Judiciário é esquisita (…)” Outra: “Acreditar que na denúncia da Odebrecht não apareça nenhum denunciado togado é o mesmo que acreditar em doce de leite sem leite e sem açúcar.” Uma nota sobre Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral: “(…) A jornalista Mônica Bérgamo conta que Adriana Ancelmo (…) tem carta na manga pra denunciar. Ela vai falar nomes de juízes de vários tipos de togas, desde as mais simples até as sofisticadas. Até que enfim alguém vai fazer denúncia de verdade (…)”.

1 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)


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