5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

5 fevereiro 2017 FERNANDO GABEIRA

DURA LEX

Em toda essa história da prisão de Eike Batista, um aspecto pareceu bastante curioso. A naturalidade com que as pessoas encaram as prisões especiais para quem tem diploma de curso superior. Se a pessoa tem diploma, é destinado a algo mais civilizado. Caso contrário, vai para a prisão comum, com todas as suas misérias e a sua severidade. Já passei por várias cadeias do Rio, inclusive Água Santa, num outro contexto, o do governo militar, e essas distinções não tinham, pelo menos no nosso caso, a mínima importância.

Se tivessem, estaria perdido de todo jeito, pois não tenho diploma de curso superior, assim como milhões de brasileiros. Nesse caso, não somos também cidadãos de segunda classe? A maioria das pessoas de bem não pensa nisso porque não considera, com razão, a hipótese de ir para a cadeia. Por que então levantar essa tema? A cadeia especial para quem tem diploma é prima pobre de um dispositivo muito mais nefasto: o foro especial no Supremo para as pessoas que têm mandato político.

Mais uma vez, quem não tem mandato parlamentar ou cargo no governo pode se sentir um cidadão de segunda classe. Além de ser julgado pela Justiça de primeira instância, ele é destinado às cadeias com um nível inferior de conforto e higiene. Não tenho ânimo de levantar questões morais num domingo, sobretudo neste mundo onde tantas barbaridades são vistas como naturais. O problema é que o foro privilegiado, independentemente de o aceitarmos ou não, pode ser um insuperável obstáculo para os rumos da operação Lava-Jato.

Com a delação da Odebrecht, pelo menos 200 políticos serão implicados. Será preciso montar um esquema ampliado de investigação. Mas o que fazer com tantos projetos que chegam ao Supremo com ministros asfixiados pelo grande número de processos que já existem por lá?

Será simplesmente impossível um desfecho razoável para todos esses casos antes das eleições de 2018. A Lava-Jato corre o risco de prender empresários, recuperar o dinheiro, mas não conseguir atingir com força o braço político do esquema. Não há saída. O foro privilegiado, que expressa a tolerância dos brasileiros com um tratamento diferenciado e antidemocrático, passaria a ser o grande entrave objetivo para a renovação política.

Em síntese, não se trata mais de discutir se o tratamento diferenciado às pessoas deve ou não prosseguir num país que considera natural essas distinções aristocráticas. O foro privilegiado não se tornou apenas iníquo: é burro porque pode inviabilizar uma operação como a Lava-Jato, que é tão importante para o Brasil e ganhou um respeito internacional. O que fizemos de melhor, na presunção de que a lei vale para todos, será combatido por nossas crenças que consideram natural que ela seja aplicada de forma diferente, entre diplomados e não diplomados, titulares de mandatos ou pessoas comuns. No caso das cadeias brasileiras, a transição para a democracia penal ainda será lenta. Independentemente de terem ou não diplomas, milionários não podem ser misturados a bandidos pobres pois correm o risco de sofrer 50 sequestros por dia.

Lembro-me que na Papuda, em Brasília, havia essa preocupação específica, separando presos famosos ou ricos para que conseguissem sobreviver. Outro aspecto que parece natural aqui no Rio é raspar a cabeça dos presos, ainda que detidos em prisão preventiva. Prefiro o método da Lava-Jato em Curitiba que prende, mas permite que a pessoa mantenha sua identidade, na qual o cabelo tem um importante papel. Compreendo as reações iradas que uma posição dessas desperta. Por que se preocupar com presos que jogaram o Rio nesse buraco? Não se trata apenas deles, mas de uma filosofia, de um norte na relação entre o estado e o prisioneiro. Para mim, o problema central sempre foi o de desmontar essa gigantesco processo de corrupção, julgar e prender todos os envolvidos.

A supressão da liberdade é uma punição exemplar, desde que consigamos que as pessoas respeitem as leis dentro das cadeias. Sérgio Cabral, sua mulher, Eike Batista são presos singulares, que nadaram em dinheiro, enquanto o estado quebrava, que sentavam seus bumbuns em privadas polonesas aquecidas, enquanto a população viaja de pé e espremida nos ônibus. Eles têm um pouco de Maria Antonieta pelo desprezo aos pobres e seus martírios. Pedir à multidão que os poupe é totalmente fora de propósito, no momento. Sérgio Cabral foi o adversário mais arrogante que enfrentei em minha vida política, era um predador irresponsável, sabendo que nadava em dinheiro e que o Rio apoiava sua megalomania.

Não desejo para ele nem para os presos da Lava-Jato nenhum tipo de humilhação. Basta o cumprimento da lei. Em vez de nos alegrarmos com sua desgraça, o melhor seria canalizar a energia para as vantagens de um Brasil que conseguiu prender todos os ricos ladrões e precisa completar as aspirações da máxima que dominou o período: a lei vale, igualmente, para todos.

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

CARNAVAL DE RUA – Os Marchistas

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

RECEITA PARA MAU PAGADOR

Zuenir Ventura

Se você está inadimplente com a prefeitura do Rio, a solução é simples, desde que você atenda aos seguintes requisitos: ter uma casa num condomínio de luxo na Barra valendo mais de R$ 500 mil, um apartamento no mesmo bairro, dois terrenos em Angra, um em Cabo Frio, outro em Búzios e três carros – um patrimônio avaliado em cerca de R$ 1 milhão.

A fórmula funcionou pelo menos para o vice-prefeito Fernando Mac Dowell, dono das propriedades citadas, conforme constam na Justiça Eleitoral, e que há 15 anos não paga IPTU, acumulando uma dívida de R$ 215 mil, sem contar os R$ 235 mil de ISS e os R$ 137 mil de Imposto de Renda.

Ao defendê-lo esta semana, o prefeito Marcelo Crivella deu uma curiosa resposta quando lhe perguntaram se aquele não era um mau exemplo: “Se a pessoa é rica e não paga, é um mau exemplo. Agora, se não tem condições de pagar e não pagou, então, ela precisa negociar”. Para ele, esse seria o caso do seu vice, que estaria “passando por momentos difíceis. Tenho certeza que Deus vai abençoá-lo”.

Quando assumiu, Crivella mostrou-se preocupado com as distorções que encontrou nos pagamentos do IPTU e prometeu, sem aumentá-lo, rever e corrigir isenções e dívidas indevidas.

Para dar uma ideia: o município conta com dois milhões de imóveis cadastrados, mas seis em cada dez não pagam o Imposto Predial e Territorial Urbano.

Na condição de um desses inadimplentes, o vice não quis se explicar para a imprensa, alegando que era uma “questão de cunho pessoal”, esquecendo-se de que a dívida pública de um homem público é uma questão pública, não pessoal. Tanto é assim que os candidatos são obrigados a apresentar declaração de todos os bens particulares, como ele e o prefeito fizeram.

De um governante e de sua conduta, os eleitores têm o direito de saber tudo, principalmente se é capaz de cumprir seus deveres básicos de contribuinte.

A revelação meticulosa dessa história exemplar pelo repórter Luiz Ernesto Magalhães surtiu efeito imediato sobre o vice-devedor. Seu advogado anunciou que conseguiu parcelar a dívida do cliente em sete anos, os quais, somado aos 15 do atraso, resultam num acordo mais que vantajoso para quem ficou tanto tempo sem quitar a conta.

O que não se sabe é se todos os que realmente estão passando por “momentos difíceis” terão a mesma sorte.

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

HOMEM DE PALAVRA FIRME E VERDADEIRA

Quando registrou sua candidatura a senador em 2002, Sérgio Cabral Filho (PMDB) declarou ter pouco menos de R$ 380 mil em ativos. Era uma redução em relação a 1998, quando dissera à Justiça Eleitoral ter patrimônio de R$ 827.872,03.

A realidade, porém, era outra. Deputado desde 1991 e presidente da Assembleia Legislativa do Rio a partir de 1995, Cabral aumentara suas posses – e muito.

Acumulara ilegalmente US$ 2 milhões, equivalentes a R$ 5 milhões, na conta Eficiência, no Israel Discount Bank of New York, segundo as investigações da força-tarefa responsável pelas operações Calicute e Eficiência.

Em 2006, na disputa pelo governo, Cabral reconheceu ter no Brasil posses de R$ 647.875,61. Em outros países, de acordo com os investigadores, guardava secretamente US$ 6 milhões (R$ 13,7 milhões).

O contraste entre os patrimônios declarado e real do ex-governador, preso em Bangu 8 na Operação Calicute, chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF).

Eles souberam da existência da fortuna em outros países – em dólares, euros, barras de ouro, ações e até diamantes – pela delação de Marcelo e Renato Chebar.

* * *

“Não é nada meu”, foi o que Cabral declarou quando procurado pela reportagem do JBF.

Cabral acrescentou que não tem apartamentos triplex em Ipanema, não tem sítios em Araruama e não tem jatinhos em hangares do Galeão.

Ele disse que nem mesmo a mulher que esta presa, Adriana Ancelmo, é dele!

E eu, este Editor que vos fala, que fiz a entrevista com Cabral, acredito em tudo que ele falou.

Recomendo a todos vocês: acreditem nele também.

É um homi que só fala a verdade. A mais pura e cristalina verdade.

É tão honesto quanto Jesus Cristo.

E tão injustiçado quanto outro grande inocente vítima de perseguição, o ex-prisidente Lula.

Sérgio Cabral, tanto quanto Lula, merece toda nossa confiança e respeito.

Sérgio Cabral vivendo uma cena típica de uma ditadura: preso injustamente num país sem lei, sem constituição, sem justiça e com juízes golpistas que assinam sentenças de prisão contra almas puras e inocentes

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

ENTRE O PÉSSIMO E O RUIM

Ruy Fabiano

Redução de danos tem sido palavra-chave para entender (e explicar) a política brasileira contemporânea. Trocar Dilma Roussef (PT) por Michel Temer (PMDB) foi, por exemplo, um desses momentos em que o princípio se impôs, goela abaixo.

Temer estava (está) longe de ser um modelo alternativo: presidiu o PMDB nos quatro governos petistas, foi adepto da “relação carnal” (expressão de José Dirceu) entre os dois partidos, compartilhando votos, cargos e delitos. Era (é) a personificação de seu partido. Mas Dilma superou as piores expectativas.

Com a economia em ruínas, desemprego galopante e o país em desordem, e a presidente convicta de que nada disso ocorria, a opção que se estabeleceu foi entre o abismo (Dilma) e a pinguela (Temer). Pinguela, pois – e nela estamos.

Exemplos equivalentes não faltam.

Na recente eleição para a prefeitura do Rio, o eleitor se viu, mais uma vez, entre o fogo e a frigideira, obrigado a escolher entre dois Marcelos: o Freixo (PSOL), patrono dos black blocs, adepto do estatismo alucinado, ou o Crivella (PRB), sobrinho do proprietário da Igreja Universal, bispo Macedo. Optou por Crivella, a frigideira.

Fiquemos com o caso mais atual: a escolha, na quinta-feira, de Edson Fachin para relator da Lava Jato no STF, em substituição a Teori Zavascki, morto mês passado em acidente de avião.

Temeu-se pelo fim da Lava Jato, já que as alternativas sucessoras – Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, integrantes da 2ª turma do STF – não parecem entusiastas da operação judicial em curso. Celso de Mello, tido como a escolha ideal, alegou questões de saúde, provavelmente para não a perder de vez.

Os integrantes da Lava Jato, incluindo o juiz Sérgio Moro, chegaram a celebrar a escolha. Mas não por sabê-la grande coisa, senão por ser a menos problemática – e menos explícita.

Fachin – e isso é constatável em vídeos na internet – foi um petista fervoroso, defensor do politicamente correto e dos movimentos sociais revolucionários (MST, CUT, MTST, UNE etc.).

Chegou a subir num palanque, em 2010, para pedir votos para a candidata Dilma Roussef, que, agradecida, viria a nomeá-lo ao STF em 2015, no início da crise do Petrolão. Cumpriu, quase sempre, o papel a que seus patronos o destinaram.

Aderiu, por exemplo, à tese do fatiamento do processo, levantada por Toffoli, reduzindo o papel do juiz Sérgio Moro. Com tal perfil, a que se somam diversos outros momentos, não haveria por que vislumbrar, com sua relatoria, maiores novidades.

Mas, a exemplo de Teori, de quem era amigo, não parece disposto a remar contra a maré e desafiar os fatos, como, por exemplo, já o fizeram Toffoli e Lewandowski, este chegando, inclusive, a fatiar um mesmo dispositivo da Constituição para preservar os direitos políticos de uma presidente cassada. Fachin sabe que relatará sob intensa pressão pública, interna e externa.

A Lava Jato, hoje, estende seus tentáculos para fora do país. A Odebrecht, cujas delações relatará, está sendo investigada e processada em diversos países da América Latina – Panamá, Colômbia, Equador e até Venezuela. Seus delitos (e estamos falando de uma só empreiteira; há diversas outras) começam a chamar a atenção de autoridades dos EUA. É só o começo.

As investigações, por meio de convênios, mobilizam outros países, dispostos a dar nome aos bois – e sobretudo a confiná-los.

Não por outro motivo, Teori decidira quebrar sigilos e dar sequência, sem concessões políticas, ao processo. Fachin, diz-se, não terá outra alternativa. A Lava Jato é maior que seus eventuais adversários – e não pertence a ninguém, senão ao país. Tornou-se o símbolo de uma ansiada nova era para a vida pública brasileira.

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

5 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SONIA REGINA – SANTOS-SP

Pensar Livremente

Fico imaginando o nosso dia-a-dia ao contrario.

Na rodinha de amigos, o comentário seria mais ou menos assim:

– A vizinha do 23 tem a mania de falar Bom Dia. Que mulher desagradável.

– No supermercado, tem consumidores metidos, que não trocam os ovos dentro das caixas e também não ficam retirando as cascas do alho que é vendido a granel. Inocentes!

– No meu local de trabalho, a maioria chega sempre na hora certa. Que mau exemplo!

– Começou agora a nova moda de fazer visitas aos parentes e amigos, deixando de lado a facilidade do Zap-Zap e, pior, não comunicam no feissibuque. Se a moda pega, estamos condenados a não ter mais assunto. Que horror!

– Vão parar com a série do BBB, pode? Decidiram colocar cultura na programação. Vejam onde chegamos. Onde vai trabalhar aquela gente sem qualquer dom artístico e, pior, perdemos alguns candidatos a qualquer cargo legislativo.

– Os fabricantes de roupas e calçados decidiram incrementar novamente a produção. Isso já é demais! Vamos ter que usar novamente roupas com caimento adequado ao estilo dos brasileiros? E as nossas roupas importadas de qualquer lugar?

– A maior pérola é uma ousadia que não tem adjetivo. Não querem mais analfabetos, nem meio analfabetos e vão exigir principalmente que todos conheçam muito bem a matemática, o português, etc… Isso é um verdadeiro atraso!!!

– Decidiram colocar somente pessoas honestas e trabalhadoras na direção dos órgãos governamentais para que o País siga em frente! Isso já é demais! Vão decretar o fim da mentira por MP ou Projeto de Lei?

Talvez eu esteja redondamente errada em imaginar essas mudanças, afinal, hoje é voz corrente que temos que ter é a tal “tolerância”.

Sempre que não concordamos com algo ou alguém, estamos sujeitos a ser taxados de “intolerantes”.

E, para muitos, que não gostam de longas discussões, sempre filosóficas ou até religiosas, o melhor é ficar quieto e seguir em frente.

Não esquecer do tal “Politicamente Correto”, esse eu não consigo nem imaginar nada, não sei exatamente a definição. A coisa é tão complicada que cada um fornece uma explicação sempre de acordo com seus próprios conceitos.

Mesmo assim eu considero-me com muita sorte, tenho o direito de:

PENSAR LIVREMENTE!

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

O ANGORÁ DE TEMER

Citado em trechos vazados de delações da Odebrecht, o secretário-geral da Presidência, Moreira Franco, pode até ser inocente. Se o é, insiste em parecer o contrário. Sua ascensão a ministro, com direito a foro privilegiado, não só aponta para culpa confessa como complica o presidente Michel Temer, que reincide no erro de proteger os seus quando há sobre eles forte suspeição.

Temer já apanhou com as escolhas imprudentes de Henrique Eduardo Alves (Turismo), Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), ministros envolvidos na Lava-Jato, que tiveram de abandonar seus cargos ainda durante sua interinidade.

Sofreu ainda mais com Geddel Vieira Lima, que deixou a Secretaria do Governo depois de apertar o presidente em uma saia justíssima, tendo usado o cargo em benefício próprio, no caso, um apartamento milionário em Salvador.

Com Moreira, o “angorá” na planilha do departamento de propina da Odebrecht, mais uma vez Temer escolheu colocar seu governo, e de quebra o país, em risco.

A benesse a Moreira se materializou na quinta-feira. E atropelou vitórias importantes que o presidente arrancara com as eleições das mesas do Senado e da Câmara dos Deputados. Nelas, se viram maiorias sólidas, capazes de dar respaldo, e até celeridade, às reformas de que o impopular Temer e o agonizante Brasil tanto precisam.

Ofuscou ainda a entrada de corpo e alma do PSDB no governo – que Temer pretendia triunfal – com as posses de Antônio Imbassahy na Secretaria de Governo e de Luislinda Valois, no recriado Ministério de Direitos Humanos.

Com as alterações, a Esplanada que Temer queria ver reduzida bateu em 28, entre ministros, Banco Central, Procuradoria e secretários com status de ministros. Apenas três a menos do que a presidente deposta Dilma Rousseff deixou.

A petista chegou a ter 39 auxiliares no primeiro escalão, oito a mais que seu padrinho Lula, 18 acima do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Em 2015, quando a crise explodiu sua porta, Dilma reduziu para 31, retirando status de ministros de pastas que agora Temer repõe em nome não só de agrados a parceiros políticos, mas também do privilégio de foro.

Com atitudes assim, por mais que anuncie reformas e até vença no Congresso, rode o país e apareça em inaugurações, Temer dificilmente conseguirá construir credibilidade – quanto mais popularidade.

É fato que tem o que mostrar na área econômica. E muito.

Pela primeira vez desde maio de 2014 a inflação foi domada para dentro do teto da meta; os juros, ainda altos, baixaram por dois meses consecutivos, algo que não acontecia desde abril de 2013; a expectativa positiva nos meios produtivos aumentou.

E também na política.

Conseguiu aprovar o teto de gastos, tem chances de vencer, pelo menos parcialmente, nas reformas previdenciária e trabalhista. Com discrição e tato, colocou seus prediletos Rodrigo Maia (PMDB-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) na presidência da Câmara e do Senado. Devido a uma fatalidade, vai indicar um ministro do Supremo, algo que jamais imaginou que poderia fazer.

Deveria saber que as sete vidas não passam de lenda. E que, por mais tinhoso que seja o bichano, não há gato que valha o risco de pôr tudo a perder.

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

SEU OSVALDO DA FARMÁCIA E O BENZETACIL

Seu Osvaldo era um homenzinho branco e muito pequeno. Ficava ainda menor, por trás das grossas lentes dos óculos que usava pra adivinhar os garranchos das receitas que os médicos desenhavam no atendimento aos doentes do lugar.

Seus cabelos eram grisalhos e sempre bem penteados, o bigode e as unhas amarelados pelo cigarro e não largava jamais a camisa branca de mangas curtas e a gravata.

A sua farmácia, se não era a melhor era pelo menos a mais bem localizada da cidade de Monteiro, uma vez que ficava na avenida central e olhando para a praça principal, a Praça João Pessoa.

Seu Osvaldo, tinha a aparência de um sujeito de cara meio fechada e de pouca conversa mas dominava o conhecimento dos remédios que compunham o seu estoque, que a essa altura já não eram tão homeopáticos assim. Já existia nesse tempo coisa mais moderna, como, por exemplo, o Benzetacil, um poderoso antibiótico que injetado no braço doía mais do que ferroada de marimbondo no olho e o cabra passava mais de uma semana com gosto de ferrugem na boca. Doía mas curava um bocado de doença, por isso era caro.

Clodoaldo Torres Filho, Clodoaldinho, passou a sua adolescência em Monteiro, antes de vir pra Pernambuco e muito jovem ainda, ocupar pelo seu talento, cargos de alta envergadura no governo e na iniciativa privada. Bom contador de histórias, de personalidade alegre e festiva, Clodoaldo conta de um diálogo que assistiu num dia de feira na frente da farmácia de seu Osvaldo, quando vivia em Monteiro.

Eram duas matutinhas conversando com o velho farmacêutico:

– Se eu fosse vocês compravam esse antibiótico que tá em promoção, tá com um preço muito bom!

– Mas seu Osvaldo, nóis não tem doença nenhuma não!

– Mas esse remédio é muito bom, previne muita coisa e tá muito barato, depois vai subir, é antibiótico!

– E arde seu Osvaldo ?

– Arde!

– E dói?

– Dói!

– Então vamo tomar fulana que deve ser muito bom!

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

5 fevereiro 2017 JOSIAS DE SOUZA

MANOBRA PRÓ-MOREIRA REBAIXA O TETO DO GOVERNO

5 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

QUINHO – ESTADO DE MINAS


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