7 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

WASHINGTON LUCENA – VISTA SERRANA-PB

Só Deus é quem faz a ponte
Que conecta o meu juízo
Na peneira do improviso
Penero rima de monte.
No meu verso tem quem conte:
As construções de artista
Tens dons de ser urbanista
Enfeitando meu universo
Sou arquiteto do verso
construtor e paisagista!

Glosa: Washington Lucena/ Vista Serrana-PB
Mote: Silvano Lyra/Olinda-PE

Nunca fui um fuzileiro
Desses de enorme patente
Que atira bem na frente
Matando feito morteiro.
Eu miro no passageiro
Mas acerto o coração
Que meu fuzil de paixão
Dispara sem piedade
Dei um tiro na saudade,
Mas não matei solidão!

Glosa: Washington Lucena
Mote: Ocione Poeta Menor/MA

Eu tenho recordação…
Do casebre da fazenda,
Do meu almoço a merenda,
Preparada no fogão,
Eu vejo o velho pilão,
E uma tampa da panela,
Vi na brecha da janela
Um caco velho de prato.
Guardei na mente o retrato,
Da casa que morei nela.

Glosa: Washington Lucena
Mote: Silvano Lyra

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

IOTTI – ZERO HORA (RS)

7 fevereiro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

EDITOR CENSOR

Comentário sobre a postagem PROFANAÇÃO MACABRA

Tito:

“Bem, se agora pode, apesar de ter ficado um pouco fora de época, aqui vai meu texto que foi “censurado” pelo Berto, que me escreveu pedindo a minha compreensão e, claro, a teve:

Luto oficial??? Para uma ex-primeira dama??? Pior, para uma ex-primeira dama que fez chacota do povo brasileiro??? Aliás, nunca entendi por que “Dona” Marisa. Nenhuma outra primeira dama mereceu o “dona”, sempre foram chamadas pelo nome e de você. Menos ainda luto oficial. Nem a Ruth – que conheci pessoalmente e era admirável, apesar de nossas ideias não se cruzarem – que era doutora.

E eu que ainda dei um pouquinho da minha confiança ao senhor Michel Temer. Agora, além da sua total falta de decisão em qualquer assunto, mostrando-se um fraco maria vai com as outras, nos vem com mais essa? Abraçando o Lula, chamando-o pra conversar? Que conversa? Como enterrar a Lava Jato? Como continuar roubando o Brasil?

Ainda disse que vai conversar com os outros ex. Quem? Sarney? Collor? FHC? Dilma?… imagino o que esses ícones da probidade têm a dizer.

A partir desta data, minhas baterias de solapa estarão todas apontadas para o senhor Temer, a trégua, o saco e a paciência se foram.

Vou-me embora pra Pasárgada, nem preciso ser amigo do rei.”

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

7 fevereiro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

A VIADAGEM DO PULITICAMENTE CORRETO

O grande intelectual gaúcho Rodrigo Buenaventura de Léon – professor universitário, escritor e um cabra cuja cultura e sapiência é motivo de orgulho para o Rio Grande do Sul -, assina nesta gazeta escrota uma coluna intitulada Livre Pensador.

No seu último texto, publicado no dia 4, sábado passado, ele fechou a postagem com estas palavras:

“Estas pragas do politicamente correto pululam por todo o lado e, está na hora de darmos um basta.

Se não gostam das marchinhas ou do Carnaval não engajado vão se fuder… E não encham o saco!

Essa é minha opinião sincera. Eu que não sou carnavalesco, longe disto. Mas admiro o bom humor e a folia. E detesto do funda d’alma o tal do politicamente correto.

Aproveito este espaço para incitar nosso Mestre Berto, Carnavalesco, Cachaceiro e Rapariqueiro aposentado a emitir sua opinião expert no assunto.

Aguardamos seu comentário amado Guru.

Um abraço!

Meu estimado colunista, primeiro que tudo quero ressaltar que a condição de “cachaceiro aposentado” me causa uma raiva da porra. A abstinência compulsória é ordem do meu cardiologista, que eu cumpro sob rigorosa fiscalização de Aline. Nada posso fazer…

Quanto a ser “raparigueiro aposentado“, confesso que, apesar de ser bem casado, tenho uma saudade enorme dos tempos em que eu vadiava com as putas e gozava a vida nos bordéis. Suspiros, suspiros…

Quanto ao tema sobre o qual você pede meu pitaco, eu acho que todo sujeito que milita no puliticamente correto – e adota o comportamento idiota desta corrente muderninha de pesamento -, é abestado, xibungo, panaca, palerma, imbecil, trouxa, estafermo, paspalho, banana, pacóvio, atoleimado, tanso, cretino, tabacudo, leso, guenzo, baitola, boboca,  babaca, pamonha, bobo, lorpa, pascácio, apatetado ou soronga.

Aliás, em outubro do ano passado postei aqui no JBF um vídeo que gravei sobre o assunto.

Este aqui:

E vou encerrar minhas considerações com duas músicas dedicadas a estes jumentos que militam no puliticamente correto (sem qualquer ofensa aos jegues, claro…)

Uma destas músicas, intitulada Nêga do Cabelo Duro, da autoria de David Nasser, fez um sucesso da porra quando foi lançada, continuou fazendo sucesso nos carnavais seguintes e, por fim, fez sucesso e foi muito tocada na voz de Elis Regina. Mas aqui no JBF, que é um ninho de preciosidades, vamos ouvir uma versão gravada pelo saudoso conjunto Anjos do Inferno, formado em 1934 e que brilhou na música brasileira por mais de três décadas.

E, em seguida, vamos ouvir uma marchinha de carnaval que fala dos xibungos, bichas, viados, pederastas, frangos, baitolas, boiolas, aguenta-varas, adamados, desmunhecados, efeminados, leva-picas, maricas e doadores do orifício pecaminoso e adoradores de pajaraca de um modo geral.

* * *

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

7 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO PAULO – RECIFE-PE

Berto,

Bom dia. Tudo bem?

Segue sugestão para o blog.

Em anexo mando fotos do local.

Obrigado.

R. Meu caro, esta sua ideia de botar no JBF um reclame pra vender apartamentos me deixou ancho que só a porra!

É sinal de prestígio desta gazeta escrota.

A minha praga é que a Construtora Celi venda tudinho e fature muito!

Aqui neste antro fubânico só tem cabras bem de vida, faturando alto e todo mundo doido pra investir em imóveis.

Só faltou você mandar telefone e endereço da construtora pros futuros compradores fazerem contato.

Abraços e muito sucesso. Disponha sempre deste espaço.

* * *

CONSTRUTORA CELI ENTREGA RESIDENCIAL EM JABOATÃO DOS GUARARAPES

Entregue equipado e mobiliado, empresa aposta em detalhes como diferencial, sem economizar esforços para agradar aos clientes

O Residencial Famille Candeias, primeiro investimento da Construtora Celi em Jaboatão dos Guararapes, acaba de ser entregue com tudo equipado e mobiliado. Esse é, aliás, um diferencial da construtora sergipana, que ainda adiciona um acabamento que agrada muito aos clientes e entrega sempre dentro do prazo previsto (neste caso, 33 meses). Fiel ao projeto, os apartamentos contam com dois ou três quartos, um deles suíte e varanda, sendo 144 unidades em 23 pavimentos.

Localizado na Avenida Ulisses Montarroyos, em Candeias, o empreendimento possui área de lazer com 12 itens que atendem toda a família – como piscinas, minicampo de futebol, brinquedoteca, playground, salão de festas, academia e espaço grill. Uma novidade é o espaço inteligente, onde os moradores poderão desfrutar de uma área para estudos equipada com mesas, cadeiras, quadro branco e artigos eletrônicos. Assim, os condôminos que necessitarem de mais tranquilidade poderão estudar ou fazer trabalhos e reuniões com maior conforto.

Pensando em sustentabilidade, o residencial conta com coleta seletiva de lixo, captação de água da chuva para irrigação e paisagismo funcional. Segurança é outro aspecto importante no projeto, que oferece sensores de presença para áreas comuns e sistema de segurança com câmeras, cerca elétrica e portão automático. O Famille Candeias funciona com medição individual de água, gás e três elevadores.

O apartamento decorado, cuja ambientação foi realizada pelo escritório de arquitetura e negócios Yara Scherb, chama a atenção o uso de cores neutras. Vidros e espelhos são alguns artifícios explorados para dar a sensação de amplitude e mais leveza. Já o paisagismo do empreendimento ficou por conta de Martha Gavião, que utilizou plantas adequadas à região, mais resistentes ao clima e que atraem pássaros e borboletas para deixar o ambiente mais agradável.

* * *

SOBRE A CELI

Com 49 anos de atuação no mercado imobiliário de Sergipe, a Celi é referência em qualidade, com projetos de alto padrão construtivo e pontualidade na entrega de seus empreendimentos imobiliários desde o lançamento. Solidez e qualidade são os pilares da empresa, que totaliza mais de 1 milhão de metros quadrados de obras construídas e mais de 21 mil unidades habitacionais entregues. A Celi tem matriz em Aracaju e atua também em Pernambuco, Bahia, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro. Detém as certificações de qualidade ISO 9001, ISO 14001, OHSAS e PBQP-H do SiaC.

A Celi tem como objetivo atender com eficiência, oferecendo solidez, qualidade e preços competitivos, empregando gestão integrada e inovações tecnológicas na produção. Além disso, a construtora se destaca por ser uma empresa modelo de excelência na gestão empresarial no âmbito nacional, com qualidade em seus produtos e serviços, cumprindo a sua responsabilidade social.

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO

7 fevereiro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

AECINHO COMIQUIETO

Comentário sobre a postagem QUAL DOS DOIS?

Beni Tavares:

Mineirinho comiquieto
Apesar de ser safado
Não é páreo nem de longe
Do bandido desalmado
Com sua conversa chula
O denominado Lula
Ganha o jogo disparado.

“Cumpanhero Mineirim, tu sóis foda; e nóis dois junto semos fodão!”

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – SUPER NOTÍCIA (MG)

7 fevereiro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

DÚVIDA SANADA

Como vocês sabem, Temer indicou um componente da sua administração, o dotô Alexandre de Moraes, pra ser ministro do STF.

O careca ficou tão feliz que passou esta mensagem pra esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, no zap zap:

A mensagem é esta:

“Hoje, lá pelas 19h00, o Presidente indicará meu nome para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Se Deus quiser, em pouco tempo…”

Eu estava em dúvida se foi boa ou não a escolha de Temer.

Se o fato do prisidente Cara-de-Tabaca indicar o Cabeça-de-Pica Alexandre de Moraes seria positiva ou negativa para Banânia.

Minha dúvida se acabou de imediato quando li duas opiniões sobre esta escolha.

Duas opiniões que estão abaixo transcritas.

Depois de lê-las, concordei imediatamente com o prisidente.

Vejam:

“Não tem estofo. Está indo para ser instrumento de blindagem de gente do governo Temer” (Deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).)

“Alexandre Moraes para o STF? É um escândalo. Sua militância advocatícia, sua incompetência manifesta no ministério. É golpe mesmo” (Deputado federal Afonso Florence, líder do PT no governo de Dilma Rousseff.)

Palmas para Temer.

Se Cara-de-Tabaca conseguiu deixar a escória petralha emputecida, então ele acertou em cheio.

Contrariar a furiosa tabacuda Maria da Novena é uma coisa pra deixar qualquer cidadão de bem com o peito em festa e o coração a gargalhar.

“Xiuf, xiuf, snif, snif… este Editor do JBF só sabe me esculhambar… tô fudida…”

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

SEMPRE BATE O SOL – Fátima Guedes

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

7 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLOS ROCHA – GOIÂNIA-GO

Berto

Seu cabra desassombrado.

Amanheço nesta segunda feira dos mais contrariado. E carecendo de um conselho de como passear no domingo com a patroa sem inventar coisa, e não ficar nessa penúria que t’ou padecendo.

Te explico.

A Mariquita (minha doce esposa), danou, ontem à tarde, p’ra pagar uma visita que devemos, há tempos, pro sobrinho dela, que mora aqui pertinho de casa.

Antes, no entanto, tivemos que passar na casa de uma sua amiga, cujo neto aniversariava, e o comentário é que seria uma festa arretada!

Fomos. Eu todo arrumadinho, todo pimpão, me achando um Alain Delon…

Rapaz, nem te conto. O povo lá é evangélico (não que tenha nada contra eles – muito pelo contrário – até gosto de ir aos cultos com a Mariquita).

O que me chateou é que crente não bebe bebida alcoólica, e eu tava a fim de tirar o sarro da garganta. Neste domingo não tinha tomado nenhumazinha.

Saímos de lá, e eu, troncho pra beber a cervejinha, a convidei p’rá passar comigo no Pit Dog “Cachorrão”, também aqui perto ( e lá vendem cerveja)

Resultado, encontrei um colega de serviço, que também estava com a esposa, e demos a desculpa de comemorar o encontro inusitado… e aí foi aquele destempero… tomamos umas quatro!

Acordei com a boca com gosto de cabo de guarda-chuva…

Parecendo assim que tinha bebido à burras! Um mal estar da porra!

Fiz promessa pra beber cerveja só até ao meio dia de domingo…

Vocês, aí desta Gazeta Escrota, sabem d’alguma simpatia p’rá não ficar ressaqueado? (Pode ser mandinga que eu faço)

Um forte abraço deste Goiano do pé rachado.

Salute!

R. Fique tranquilo: aqui neste antro fubânico tem de tudo.

De tudo mesmo.

De modo que você pode esperar que vai aparecer algum catimbozeiro pra passar uma receita que cure esta sua ressaca goiânica.

Enquanto espera, recomendo que tome um chá de pau-barbado e um defumador de barba-de-bode com unha-de-preguiça.

E procure aí na Avenida Goiás, bem no centro de Goiânia, que tem uma farmácia onde você pode comprar um vidro de Salsa, Caroba e Cabacinha.

Este remédio milagroso é assim descrito pelo camelô e general-presidente Natanael, personagem principal do meu livro O Romance da Besta Fubana:

“Salsa, Caroba e Cabacinha não é fabricada com ouro, nem brilhante, nem notas de contos de réis. Salsa, Caroba e cabacinha é fabricado com salsa, caroba, cabacinha, velame, sucupira, jalapa, batata marapuama, goma arábica, cabeça-de-negro, batata-de-fruta, pega-pinto, parreira amargosa, velame do campo, catuaba, catingueira rasteira, mamelis, casaca sagrada, benjoim, alecrim do campo, capim santo, erva cidreira, quina-quina, pimenta d’água esquentada, boldo do Chile, anis estrelado, chapéu-de-couro, podofilina, cipó cabeludo, pau-de-resposta, rajinha e bateu-cagou.”

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

7 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ÊNIO IARUSSI – FEIRA DE SANTANA-BA

Distinto, preclaro e ilustre Editor,

Hitler foi um sujeito que passou à história como um vilão cruel, um carrasco terrível.

Merece ser mesmo condenado pela história e repudiado por todos nós.

Todavia, já estão exagerando.

Como cristão e praticante da piedade, acho que assim também já demais. A figura de Hitler está sendo torturada sem pena e sem dó.

Veja o que está circulando na internet:

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)

7 fevereiro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

ZUMBIS DESCEREBRADOS NAS ONDAS DO ZAP-ZAP

Alguns alienados, adoradores de istranjeirismos, costumam chamar o telefone celular de “smart phone” (Argh!)

Pois eu só chamo mesmo é de celular. Telefone celular. Um bichinho que é de uma enorme utilidade e que eu uso apenas pra fazer e receber ligações. O resto eu me viro no computador.

Me lembro da minha saudosa mãe, Quiterinha, quando eu liguei pra ela um dia. Eu em Brasília e ela em Palmares.

Eu ligava pro telefone de Seu Inácio, vizinho do meu pai e amigo da nossa família, e ele, na maior prestimosidade, me fazia o favor de chamar meus velhos.

Um dia, após a conversa, Quiterinha me disse assim:

– Meu filho, telefone é uma coisa tão boa que devia ir pra qualquer lugar junto com a gente.

Ou seja, nos anos 70, mamãe profetizou o surgimento do telefone celular…

Pois bem.

Adoro bater pernas pelos cantos, quebrar o jejum da manhã numa padaria, almoçar num selfi seuvice ou lanchar num casa aqui da Praça da Casa forte, tomando café com torradas e apreciando a paisagem.

Mas, infelizmente, a paisagem que me cerca é desoladora: uma multidão de zumbis em transe, manuseando o celular, digitando com os dois polegares e completamente alheios ao mundo que os cerca.

Ontem chega me deu uma tristeza no coração, tristeza acompanhada de revolta, quando vi numa mesa ao lado da nossa, uma família, pai, mãe e um casal de filhos adolescentes, todos de olhos fixos na telinha escravizadora.

Hoje pela manhã, na padaria Delícias da Praça, numa mesa perto da nossa, vi uma alma penada levando a xícara de café à boca com a mãe direita, enquanto que com a mão esquerda futucava o bichinho dominador dos juízos fracos. Tentei tirar uma foto deste instante desolador, mas só consegui mesmo uma foto quando ele já havia botado a xícara sobre a mesa.

Todavia, já existe um consolo para os zumbis viciados: um cachorro treinado para guiar os descerebrados que não conseguem largar a engenhoca. Um cachorro que tem o mesmo treinamento dos cães que guiam os cegos.

De modo que agora, além dos cães pra guiar os cegos dos olhos, temos também os cães pra guiar os cegos do juízo.

Vejam:

* * *

Atentem para este vídeo sobre os desastres a que estão sujeito os tabacudos que não largam o celular:

* * *

E vamos fechar esta postagem com Caju e Castanha numa gostosa embolada:

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

SÓ PARA MOER

Para alegrar esta terça-feira de sol, uma música de Viriato Silveira da Silva composta em de 1877. E já lá se vão 140 anos!!! Execução de Pixinguinha e Benedito Lacerda, em gravação de 1949.

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SAMUCA – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

JUSTIÇA OU PARCERIA

Temer nomeou um advogado amigo, fiel e leal para evitar surpresas desagradáveis no STF, seja nas decisões sobre as votações das reformas econômicas no Congresso seja, principalmente, na Lava Jato e, sobretudo, no julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE . Alexandre de Moraes passará 27 anos no cargo vitalício. Caber-lhe-á agir de forma a garantir um bom lugar na História, sendo imparcial como se espera de um ministro do STF num momento difícil e histórico como este, ou atuar como parceiro leal e fiel. Bons sinais: não se dá como Lewandowski nem com Toffoli. E já se posicionou a favor da prisão depois da segunda instância, uma contribuição histórica, na qual seu voto será decisivo.

Para ouvir o comentário, clique aqui.

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

AROEIRA – O DIA (RJ)

7 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

CELERIDADE X IMPUNIDADE

Faveco Corrêa

Ainda bem que o novo Ministro Relator da Lava Jato prometeu que, além de tratar o tema com responsabilidade (sic), será rápido na apreciação dos processos que se acumulam no STF.

Tratar com responsabilidade não é mais do que simples obrigação: afinal, quem poderia imaginar que, apesar de Ricardo Lewandowsky ter atropelado a Constituição e fatiado a sentença de Dilma Roussef, um Ministro do Supremo agiria irresponsavelmente? Seria o definitivo fim do mundo das nossas já titubeantes instituições.

Velocidade, rapidez e celeridade é justamente o que nós, a sociedade, esperamos. A lentidão do Supremo dá a nítida impressão, conforme editorial de 2 de fevereiro do Jornal Estado de S. Paulo, que “a suprema corte é o sepulcro das ações que envolvem acusados com prerrogativas de foro”.

Esta impressão acaba de se robustecer com a infeliz decisão do presidente Michel Temer de nomear ministro seu amigo Moreira Franco, citado em delações da Lava Jato, elevando para 28 o número de ministérios do Planalto. Pelo andar da carruagem, brevemente teremos dezenas de outros ministérios criados para livrar a cara de personagens alinhados com o Planalto. Confesso que esta atitude presidencial me deixou perplexo e estarrecido, por escancarar o fato de que pretendem confirmar o Brasil como o campeão mundial da impunidade dos políticos poderosos.

Lembram que quando a ex-Presidente Dilma tentou descaradamente emplacar seu “querido” padrinho Lula na Casa Civil, para que ele pudesse escapar das garras do juiz Sergio Moro, o país se revoltou indignado e o tiro acabou saindo pela culatra?

Agora, o caso do “Angorá”, como Moreira Franco é citado nas planilhas da corrupção (apelido bastante criativo, já que ele é branco como um gato dessa raça), ainda está passando batido. Será que a sociedade não vai protestar? Eu já estou protestando. É muita cara de pau.

Era tudo que Moreira Franco queria. Como ministro, vai fugir da implacável justiça de primeira instância, da qual estava morrendo de medo por causa de denúncias antigas e do que certamente virá das delações dos 77 executivos da Odebrecht, que foram homologadas por Carmen Lucia, e cujos conteúdos brevemente virão a público. Ele, como o homem dos aeroportos, estava voando baixo e por instrumentos; agora tem céu de brigadeiro.

Tudo nos leva a concluir, melancolicamente, que só mudaram as moscas…

A impressão que a sociedade tem de que a morosidade do STF facilita a impunidade é provada com fatos.

Até dezembro do ano passado, a justiça de primeira instância havia proferido 120 condenações baseadas na Lava Jato, enquanto a Suprema Corte não deu ainda nenhuma decisão no âmbito dessa operação. Segundo o Ministério Público Federal, o STF tem em mãos 15 denúncias, 18 inquéritos abertos e 3 ações penais, com 48 acusados. Na primeira instância 259 pessoas já foram acusadas. A diferença abismal.

A triste verdade é que a lentidão do Supremo tem causado espanto e gerado muita insatisfação da sociedade. Vide o caso do Senador Renan Calheiros, que continua dando as cartas, agora como líder da bancada do PMDB, apesar de estar respondendo por um caso de corrupção que está completando 10 anos (o pagamento de despesas de sua filha com a jornalista Mônica Veloso por uma empreiteira), além de mais 12 inquéritos no STF.

Agrava este quadro o fato de que no STF não são julgados penalmente cidadãos comuns e sim as mais altas autoridades, que desfrutam do execrável instituto do foro privilegiado e que, por causa disso, geralmente ficam impunes.

Oxalá o Supremo possa desmentir Lula e demonstrar que não está acovardado e que, em nome da justiça, tenha coragem suficiente até mesmo para enfrentar Eunício Oliveira, que na sua posse como novo presidente do Senado, fez claras ameaças.

E que o Ministro Edson Fachin, com a transparência, reponsabilidade e, principalmente, com a celeridade que anunciou em sua nota oficial depois da sua escolha como relator da Lava Jato, cumpra a sua promessa e consiga imprimir novo ritmo ao andamento dos processos que herdou do Ministro Teori Zavascki, de saudosa memória.

E que com isso reaproxime o Supremo da sociedade, que está começando a ficar descrente da sua atuação.

Que a substituição de Teori por Fachin não seja apenas uma mudança de moscas, cujo enxame continua esvoaçando sobre o até hoje intocado cerne da questão.

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

EDRA – DIÁRIO DE CARATINGA (MG)

PERNAMBUCANOS HONORÁRIOS (I)

Quando iniciamos a série dos “Pernambucanos ilustres”, disse que gostaria de incluir alguns nomes que muita gente acha que é de Pernambuco, tais como Miguel Arraes, Ariano Suassuna e Dom Hélder Câmara. Isto provocou um cearense dizendo que “os pernambucanos gostam de gozar com a pica dos outros”. Tentei explicar a apropriação dizendo que estes nomes passaram a maior parte de suas vidas no Recife e aí fizeram suas carreiras, mas não teve jeito. Então, para não magoar nossos vizinhos, encontrei uma forma de homenageá-los com o título de Cidadãos Honorários.
Pernambucanos Honorários I

Dom Hélder Câmara (1909-1999)

Dom Hélder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza, em 07/02/1909. Filho de um jornalista, maçom e crítico teatral e uma professora primária, manifestou sua vocação para o sacerdócio desde cedo. Hélder é o 12º dos 13 filhos. Aos 14 anos ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza, onde concluiu o curso ginasial e os estudos de filosofia e teologia. Demonstrava uma certa desenvoltura nos debates de classe sobre estas áreas. Com autorização especial do Vaticano, foi ordenado padre com apenas 22 anos de idade. Além da vocação religiosa, dispunha de uma vontade e talento excepcionais para o trabalho. Em 1931 fundou a Legião Cearense do Trabalho e, dois anos depois, a Sindicalização Operária Feminina Católica, congregando as lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas. Envolveu-se, também, com a Educação, participando do planejamento e politica de educação pública, até ser nomeado diretor do Departamento de Educação do Ceará, cargo que exerceu por cinco anos.

Sentindo necessidade de se aprofundar nesta área, procurou ser transferido, em 1936, para o Rio de Janeiro, onde passou a se dedicar a atividades apostólicas e ocupou o cargo de Diretor Técnico do Ensino da Religião. Por esta época sentiu-se atraído por um movimento político denominado “Ação Integralista Brasileira”, cujo programa pregava o resgate dos valores de Deus, Pátria e Família. Considerou que esse “é o maior programa cristão de assistencialismo da história do Brasil”. Porém, mais tarde, ao perceber as implicações ideológicas, afastou-se de qualquer compromisso político-partidário. No Rio, seu diretor espiritual foi o Padre Leonel Franca, criador da primeira universidade católica do Brasil, a PUC-RJ, cuja convivência veio lhe injetar mais ânimo na área da educação e organização social.

Logo após a II Guerra Mundial (1945) fundou a Comissão Católica Nacional de Imigração, para apoiar a imigração de refugiados. Nesta atividade ganhou projeção e visibilidade, e em março de 1952 foi ordenado bispo auxiliar do Rio de Janeiro. Menos de um mês depois foi ordenado Bispo, em 20/04/1952. aos 43 anos. Seu trabalho consistiu em promover o colegiado de bispos e incentivar a renovação da Igreja, através de um fortalecimento de seu compromisso social. Sua convicção era que a Igreja tinha que desempenhar uma função social, além da religiosa. Com tais ideias, em 1950, entrou em contato com o subsecretário de estado do Vaticano, Monsenhor Giovanni Batista Montini, futuro Papa Paulo VI. Expôs seu plano e conseguiu a aprovação para a criação da CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em 1952, onde atuou como secretário geral até 1964.

Pouco tempo depois, articulou com o mesmo Monsenhor Montini uma organização mais ampla, incluindo os bispos da América Latina. Assim, foi criada a CELAM-Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em 1955, com sede em Bogotá. Participou ativamente das conferências gerais do CELAM como delegado do episcopado brasileiro até 1992 (1ª no Rio de Janeiro; 2ª em Medellín, em 1968; 3ª em Puebla, em 1979 e 4ª em Santo Domingo, em 1992). Além de delegado brasileiro, exerceu os cargos de presidente e vice-presidente no CELAM. Com tal bagagem e liderança, parte para organização do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, realizado no Rio de Janeiro em 1955, contando com a presença de cardeais e bispos de todo o mundo. Em 1956 fundou a Cruzada São Sebastião, cujo objetivo era dar moradia decente aos favelados do Rio de Janeiro. Com esta iniciativa conseguiu, junto ao governo, a construção de diversos conjuntos habitacionais. Em 1959 obteve outra conquista relevante para os pobres: a criação do Banco da Providência para atender pessoas carentes, fornecendo pequenos empréstimos.

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7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (GO)

7 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

CANETADA DEIXA TRUMP ARRETADO

Juiz federal dos EUA paralisa aplicação do veto migratório de Trump.

A sentença impede que se ponha em prática no país inteiro o decreto que bloqueia a entrada de refugiados e imigrantes de sete países muçulmanos

A Casa Branca emitiu nota informando que vai recorrer contra a decisão do juiz federal do estado de Washington, James Robart, que suspendeu temporariamente o veto do presidente Donald Trump para entrada nos Estados Unidos de refugiados e titulares de visto de sete países predominantemente muçulmanos.

A Casa Branca primeiramente se referiu à decisão do juiz como “ultrajante”, mas depois retirou essa palavra da nota.

Embora temporária, a decisão do juiz de Seattle (cidade do estado de Washington) atinge o cerne da ordem executiva adotada há mais de uma semana por Trump, que previa o veto – por 90 dias – da entrada de pessoas nos Estados Unidos provenientes do Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

* * *

Este cabra, o juiz ianque, como diria o impoluto e digno pulítico banânico Renan Calhorda Calheiros, é um “juizeco”

Um juizinho bostel, uma magistradinho de quinta categoria, que ganha fama ao derrubar uma lei do prisidente dos zamericanos, o mais abilolado e furioso já eleito pra botar a bunda na cadeira da Casa Branca.

O dotô James Robart emputiferou não apenas Trump, como também seus fanáticos admiradores de todo Planeta Terra, inclusive a extrema direita banânica, ferrenha defensora de muros, bufetes e segregações.

Este magistrado ianque está se inspirando nos juízes golpistas brasileiros.

Eu desconfio que ele deve ter tomado conhecimento das sentenças do Dr. Sérgio Moro, aquelas que desafiam potentados e puderosos do primeiro até o mais alto escalão.

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

VERSÕES SERTANEJAS

* * *

01 – Reflections Of My Life – (Campbell/McAlesse) – The Marmalade – 1969

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02 – Reflexões em minha vida – (versão: Joel Marques) – Alma e Lua – 1999

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03 – Rain and tears – (Papathanassiou/Bergman) – Aphrodite`s Child – 1968

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04 – Chuva e lágrimas – (versão: Mauro Sérgio) – Rouxinol e Sabiá – 1990

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05 – Lover Why – (Milford / Weysley / Ives) – Century – 1985

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06 – Não quero mais – Bruno e David – 2003

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07 – I Swear – (Myers / Baker) – John Michael Montgomery – 1994

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08 – Eu Juro – (versão: Demian) – Leandro e Leonardo – 1995

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09 – What`s Up – (Linda Perry) – 4 Non Blondes – 1992

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10 – Eu te amei – (Valéria / Geizebel) – As Mineirinhas – 1997

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11 – I Want To Know What Love Is – (Jones / Sadkin) – Foreigner – 1984

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12 – Eu vou fazer você feliz – (Wilmar/Tony) – Márcio Rogério e Luciano – 1993

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13 – Estoy Enamorado – (Donato / Estefano) – Donato & Estefano – 1995

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14 – Estou apaixonado – (versão: Carlos Colla) – João Paulo e Daniel – 1996

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7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO -JORNAL NH (RS)

COMÍCIO DE CORPO PRESENTE

No Hospital Sírio-Libanês, onde recebeu os pêsames pelo AVC que provocou a morte de sua mulher, Marisa Letícia, e no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, antigamente de São Bernardo do Campo e Diadema, que ele presidiu e onde a conheceu, Luiz Inácio Lula da Silva fez o melhor que pôde para confirmar traços inconfundíveis de seu caráter. E mostrou estar em plena forma para repetir, como de hábito, todos os papéis que desempenhou na vida inteira.

Abraçou e afagou Fernando Henrique Cardoso, de cuja candidatura ao Senado, em sublegenda do PMDB, participou, nela empenhando seu prestígio de mais importante líder sindical da História do Brasil. O pleito foi vencido por Franco Montoro, mas, quando este ocupou o governo de São Paulo, o suplente ficou com sua vaga por quatro anos e dela ascendeu ao Ministério da Fazenda, no qual derrubou a inflação com o Plano Real, e terminou na Presidência da República. Chegaram ambos, aliás. Primeiro, o sociólogo da USP, que o derrotou duas vezes, e no primeiro turno. Depois, ele próprio esmagou dois adversários tucanos, assumindo um poder inimaginável, que o fez prosseguir pela escolha insensata da “gerentona” Dilma Rousseff. A imagem do abraço carinhoso mereceu aplausos generalizados de aliados e inimigos de ambos os lados. Saiu vencedor do aconchego, não tanto pelo afeto comungado e exibido, mas muito mais pelo risco representado por sua capacidade de mostrar-se capaz de cruzar pinguelas para ultrapassar abismos que os adversários construíram.

No dia seguinte, passou de novo pelo mesmo teste. Quando recebeu o presidente Michel Temer, sócio nas vitórias improváveis do poste Dilma, sem o qual ela jamais chegaria ao segundo turno em qualquer das duas eleições que venceu, mas por intermédio de quem foi apeada do poder, Lula travestiu-se de camelão. Na intimidade do apartamento hospitalar, que dividia com a mulher morta, conversou com o antigo camarada, que já foi seu súdito, dando o melhor de seu talento conciliador. Ofereceu-se para aconselhar. Deu como exemplos os piores conselhos – “só faça a reforma da Previdência quando a economia estiver bombando” e “estimule o consumo” -, com a convicção de quem parecia depender do sucesso do outro para a própria sobrevivência. Pôs nos seus devidos lugares o adversário que derrotou para assumir um poder que só deixaria 13 anos, 5 meses e 12 dias depois, José Serra, e o antigo subordinado de cujo insucesso agora depende para voltar ao ápice mais uma vez, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central em seu governo e ministro da Fazenda de Temer.

Do lado de fora do lugar onde a “galega” jazia, numa longa espera da decisão de protocolos médicos para ter o próprio passamento decretado, hordas de militantes chamaram Temer de “assassino” de uma vítima de mal súbito. Marisa teve um aneurisma identificado há dez anos, mas não se submeteu à cirurgia que a livraria do risco, nem evitou álcool, fumo ou algum mau hábito que levasse ao surpreendente desfecho. Ré em dois processos com o marido e dois filhos também sob o mesmo risco, ela seria uma estátua de gelo se não tivesse sofrido o estresse inevitável nas circunstâncias. Mas nunca seria demais concluir, por mais cruel que isso seja, que o único meio de não sofrer esse tipo de pressão ou tensão é não dar motivos para polícia e Justiça se interessarem por eles.

Temer, naturalmente, também foi xingado de “golpista”, apesar de o PMDB dele ter sido fundamental para a vitória do poste, e de “bandido”. De fato, o chefe do Poder Executivo foi citado 45 vezes numa delação dos 77 da Odebrecht. Mas, nesse particular, não seria justo usar o insulto nem para humilhar o anfitrião, réu em cinco processos por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Lula nunca teve escrúpulos para agir de uma forma na intimidade e atuar de maneira oposta em público. A “metamorfose ambulante”, que ele assumiu ter tomado emprestada da metáfora de Raul Seixas, comprovou que a experiência aprimorou sua capacidade de se metamorfosear. O sapo barbudo, que divertia Brizola ao ver a burguesia inimiga degluti-lo, jamais precisou de contos de fada para transformar-se em príncipe de convescotes. O cafajeste dos palanques nunca dependeu de gritar “shazam” para virar o Capitão Marvel gentil de palácios, mansões e clubes finos.

E essa capacidade de se virar do avesso sem precisar mudar de ambiente nem de vestuário se manifestou de forma mais absoluta mesmo depois de, afinal, a morte ter carimbado os protocolos de Marisa Letícia (alegria em latim). Esta, no caixão aberto, não foi obstáculo para que o marido abdicasse do respeito devido aos entes queridos mortos para se agarrar à oportunosa ensancha de um bom mote para retomar novamente os fados da fortuna, que em vida sempre sorriram ao casal.

Dias antes, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (SP), disse no Salão Verde da Casa que a morte cerebral de Marisa se deveu, em parte, a “toda a pressão que ela sofreu, que a família do presidente Lula vem sofrendo, a perseguição da Operação Lava Jato, a tentativa interminável de imputar crimes ao presidente e aos seus familiares. É evidente que isso levou a uma tensão que desaguou nesta situação.”

Mas ainda faltava a palavra do mui temido chefão. E ela veio no elogio fúnebre da mulher. Num discurso de 20 minutos, ele não deixou por menos: “Marisa morreu triste por causa da canalhice, da leviandade e da maldade que fizeram com ela (…) Acho que ainda vou viver muito, porque quero provar para os facínoras que eles tenham (sic) um dia a humildade de pedir desculpas a essa mulher (…) Esse homem que está enterrando sua mulher hoje não tem medo de ser preso (…) Descanse em paz, Marisa. O seu ‘Lulinha Paz e Amor’ vai ficar aqui para brigar por você.”

Seu recado foi dado, Lula não perdeu um segundo da chance que teve para tirar proveito daquela situação dolorosa, mas também oportuna. Talvez não se deva esperar resultado espetacular que catapulte seus sonhos de voltar à Presidência, pois a multidão que foi ao velório coube nos limites da sede sindical. Ao que parece, não há muito mais a almejar no momento: a volta ao sindicato, não à chefia do governo federal. Os devotos que foram ao ABC não lotariam sequer as dependências do demolido estádio de Vila Euclides, que sediavam as assembleias dos metalúrgicos em greve nos 70.

Não adianta acusá-lo de oportunista ou insensível por tê-lo feito. Afinal, a seu lado, o bispo aposentado dom Angélico Sândalo Bernardino, que esteve ao lado do casal nas lutas sindicais e na resistência à ditadura, fez pior: trouxe, quase como um indulto do papa Francisco, que também não resiste a oportunidades para mostrar seu espírito marqueteiro, seu cajado amigo de pastor. No sermão do comício fúnebre, criticou a reforma da Previdência do governo Temer, a quem Lula se tinha oferecido para “ajudar”.

A reforma da Previdência é um remédio muito amargo, mas algo há que ser ministrado para dissolver os trombos que entopem veias e artérias da República, de cama e em coma. Se seu amigo bispo se dispuser a indicar mezinha menos amarga para evitar que os aposentados de amanhã não tenham benefícios a receber de um erário erodido com a grande contribuição dos ladrões perseguidos pela Lava Jato, a hora é esta. Então que o faça e deixem Marisa descansar em paz.

7 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

JOTA A – JORNAL O DIA (PI)


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