13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

HERINGER – CHARGE ONLINE

C

13 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GOIANO BRAGA HORTA – PETRÓPOLIS-RJ

Berto, experimentei uma cachaça sen-sa-cional!

Pelo preço, só mesmo para especialistas.

Custa R$ 242,00 reais a garrafa, um luxo, mas conhecedores não podem deixar de prová-la..

Só é vendida pelo endereço na Internet: Authoral

Não tenho interesse comercial na divulgação – o fabricante é um bom amigo, Eduardo, filho de um amigo de infância, falecido há poucos anos, que morava em Brasília, o querido Antônio Manoel, que não chegou a conhecer essa delícia que o filho criou.

E estou divulgando não pela amizade, mas porque se trata de uma pinga realmente muito especial.

R. Meu caro colunista fubânico, você me mandou esta mensagem só mesmo pra me matar de inveja, seu safado.

Que baita sacanagem!

Estando em abstinência compulsória – sob severas ordens do meu cardiologista e sob vigilância sem trégua de Aline-, não posso nem mesmo dar uma beiçadinha numa aguardente arretada feito esta.

Mas, pra compensar, tenho certeza que os cachacistas fubânicos serão receptivos e estudarão com carinho sua sugestão.

Tomara que seu amigo venda bastante aqui pelo JBF, pra comprovar a grande audiência desta gazeta escrota.

Abraços, seu cabra malassombrado!

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU

VAMOS GANHAR NO GRITO

O cineasta José Padilha apresenta um artigo no jornal “O Globo” edição de 12/02 onde faz uma síntese da situação parasitária entre o Estado e o que ele chama de “Mecanismo”.

Uma simbiose que alimenta e escraviza um ao outro e suga energia da sociedade.

Destaco aqui apenas os trechos que julgo críticos para compreensão da mensagem:

“A importância da Lava-Jato”

Na base do sistema político brasileiro opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos.

O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no legislativo, no executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos à repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo

O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

A leitura completa desse texto com 27 parágrafos numerados, por coincidência o número de unidades federativas que compõe a República Federativa do Brasil, é o resumo mais claro da superfície dos nossos problemas. Tem muito mais sujeira abaixo da linha d’água.

Num texto anterior publicado pelo mesmo jornal em 11/12/2016, Padilha compara com precisão a transformação do parasitismo disfarçado em nacionalismo durante época da ditadura militar e a exploração atual encoberta pela democracia:

História recente do Brasil se caracteriza pela substituição de uma ditadura de direita, que controlava o país na ponta da baioneta e explorava a sociedade auferindo “vantagens competitivas” para grupos empresariais “amigos” do regime, por um mecanismo de dominação mais suave, em que a democracia e as eleições diretas legitimam a exploração econômica da sociedade por grandes fornecedores do Estado associadas a quadrilhas travestidas em partidos políticos.

Em entrevista a “Folha de São Paulo” em 22/11/2016 acerta mais uma no alvo:

A máfia que a esquerda elegeu, representada pela chapa Dilma-Temer e financiada pela máquina PT/PMBD, rachou ao meio sob a Lava-Jato. Um capo traiu o outro. No fim são todos bandidos.

Diz o ditado que uma imagem vale por mil palavras, o homem das imagens nem precisa escrever muito para mostrar a fotografia da podridão que toma conta da vida publica brasileira. Só faço uma observação sobre o que pensa Padilha. No paragrafo 25 do seu artigo de 12/02, ele escreve:

O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

Não Padilha, os dois problemas precisam ser atacados imediatamente com a mesma atenção. Uma nação com esse ambiente instável politicamente, com uma divida da ordem de 70% do PIB, com 10% de déficit fiscal e taxa de juros de 13% ao ano, não aguenta muito tempo. Se esperarmos pela parte da Lava-Jato que depende do STF para tirar o Mecanismo de dentro do Estado e que anda em velocidade de tartaruga manca, talvez não exista mais nada para salvar.

Precisamos desistir de esperar pelo próximo salvador da pátria (o último falhou feio) e começar a agir com nossa força como sugere José Padilha no parágrafo 26:

Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

Nosso grito nas ruas sempre impõe respeito.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

BENETT – GAZETA DO POVO (PR)

O TRISTE RELATO DE UM SABIÁ

Seres humanos malvados
Com seus instintos daninhos
Deixam aprisionados
Inocentes passarinhos,
Que no decorrer das trilhas
Sucumbem em armadilhas
E por infelicidade
Passam a viver sozinhos
Bem distante dos seus ninhos
Privados da liberdade.

É o cumulo da maldade
Se prender um inocente
Colocá-lo atrás da grade
Sem ter motivo aparente
Ainda mais na covardia,
E a vítima da ironia
E mártir da traição,
Passa a viver indefeso
Sofrendo mágoa, desprezo,
Na maior desilusão.

Numa certa ocasião
Que não esqueço jamais
Eu adentrei num galpão
Onde se vende animais,
Subjugada aos entraves,
Eu vi ali várias aves
No mais cruel cativeiro,
Que assim a revelia
Viraram mercadoria
Pra se trocar por dinheiro.

Eu passei um dia inteiro
Ali naquele ambiente
Num momento alvissareiro
Deparei-me de repente
Com uma ave solitária
Que estava naquela área
A olhar triste pra mim,
Assim como quem pedia:
Me livra dessa enxovia
Antes que chegue o meu fim.

Clique aqui e leia este artigo completo »

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

13 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALAMIR LONGO – QUARAÍ-RS

Mestre Berto,

Como esse mundo é pequeno…

Lembra daquele garoto de 17 anos, o Leandro, que foi xingado por Cabral e Lula, de “otário e sacana,” por ter feito cobrança aos dois?

Pois dizem que hoje ele seria o carcereiro do ex-governador Sérgio Cabral que um dia o humilhou.

Foi o que ouvi nessa manhã (13 de fevereiro), na rádio Jovem Pan-SP.

Reveja no vídeo abaixo, naquela ocasião, Cabral e Lula escorraçando o referido garoto:

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

ARCANO – Anderson Braga Horta

Cai o luar na terra, docemente,
embalsamando a plácida cidade.
E penetra em meu seio, lentamente,
um misto de esperança e de saudade.

Vem a noite apagar sob o clemente
manto de sombra as sombras da vaidade.
Iluminas-me, ó noite erma e silente,
de uma interior, divina claridade!

Para a minha alma, quando morre o dia,
em vez de espectros de funérea voz,
surge, da tarde à plácida agonia,

um turbilhão de risos e de sóis,
e do arcano da treva se irradia
um hino de longínquos rouxinóis.

.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

13 fevereiro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UMA GAZETA QUE SE COMUNICA COM A INTELIGÊNCIA

Comentário sobre a postagem TÔ PAGANDO…

Adônis Oliveira:

“Meus prezados amigos fubânicos,

Muitíssimo obrigado pelas maravilhosas palavras de apoio.

Esse jornal tem se constituído no meu único canal de comunicação com alguma forma de inteligência nos últimos tempos.”

* * *

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

13 fevereiro 2017 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

REGIOPIDIO LACERDA – JUAZEIRO DO NORTE-CE

Mestre Berto,

fui para um sítio que tenho numa serra aqui perto de Juazeiro, em Farias Brito, veja o que encontrei no pé de pinha (acho que aí chamam de ata ou fruta do conde) que tem no terreiro de casa.

Um ninho de galo de campina maravilhoso.

Armei a rede no alpendre em frente e passei o domingo admirando os bichos.

Abraços

Contemplando a natureza
E descansando no mato
Eu tirei este retrato
De um flagrante de beleza
Essa cena de pureza
Da perfeição se avizinha
A ave vinha sozinha
No bico uma rama fina
Vi um galo de campina
No ninho do pé de pinha.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

PROVÉRBIOS SOBRE O AMOR

“Em amor, a ausência, quando não é o maior dos males, é o melhor dos remédios.”

“O amor olha de tal maneira que o cobre lhe parece ouro.”

“Quando a pobreza bate à porta, o amor sai pela janela.”

“A lua e o amor, quando não crescem, diminuem.”

“Amor com amor se paga, e com desdém se apaga.”

“Amor é que nem fogo: quanto mais abafado, melhor.”

“Se o teu amor for doce, não o comas todo.”

“Amor que volta é doçura; amor que parte é saudade.”

“Da vida, o amor é o mel, do amor o ciúme é o fel.”

“O amor faz passar o tempo, e o tempo faz passar o amor.”

“Jamais se extingue o ódio com o ódio. O ódio só se extingue com o amor; esta é a lei eterna.”

“Em coisas de amor, o que se diz não se escreve.”

“Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi gordo, e com ele o ódio.”

“Lembre-se de que grandes realizações e grandes amores envolvem grandes riscos.”

“O amor morre mais de indigestão do que de fome.”

“Em amor, como em política, não há tratado de paz: tudo são tréguas.”

“O amor é um sonho, e o casamento um despertador.”

“O amor é um passarinho que não aceita gaiola.”

“O amor é na mocidade o que a mocidade é na vida, o que a vida é na eternidade, isto é, um relâmpago.”

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

13 fevereiro 2017 A HORA DA POESIA

ENCANTAMENTO – Abgar Renault

Ante o deslumbramento do teu vulto
sou ferido de atônita surpresa
e vejo que uma auréola de beleza
dissolve em lua a treva em que me oculto.

Estás em cada reza do meu culto,
sonhas na minha lânguida tristeza,
e, disperso por toda a natureza,
paira o deslumbramento do teu vulto.

É tua vida a minha própria vida,
e trago em mim tua alma adormecida…
Mas, num mistério surdo que me assombra,

Tu és, às minhas mãos, fluida, fugace,
como um sonho que nunca se sonhasse
ou como a sombra vã de uma outra sombra…

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

13 fevereiro 2017 XICO COM X, BIZERRA COM I


http://www.forroboxote.com.br/
MEUS AMIGOS QUE SE FORAM

Quem me conhece sabe que gosto de escrever pouco. É quase uma defesa: escrevendo pouco evito alguns riscos, como dizer bobagens além do razoável ou agredir a gramática mais do que o bom senso permite. Por isso escrevo pequenos contos, minúsculas crônicas, comentários breves. Inventei um dia, faz 3 anos, de escrever um romance: BASTIÃO DO JESUS BOM, ambientado num sertão qualquer dos nossos e habitado por loucos, carolas, políticos corruptos e gente comum e boa como toda a gente dos sertões. Não passei do terceiro capítulo. Curioso que já escrevi o capitulo final, criei todos as tramas e os personagens paralelos e as transformações morais e de comportamento por que passaram no decorrer da história e um desfecho da trama à la Garcia Marques. Todo o ‘miolo’ na cabeça, mas cadê coragem para concluir? Antes quero publicar o infantil PEQUENINAS HISTÓRIAS PARA GENTE PEQUENINA, (este pre-aprovado por boa editora pernambucana), e o meu xodó, meu livro que relata encontros meus e conversas com Luiz Gonzaga, Manoel Bandeira, Helder Camara, Lampião, Miguel Arraes, Ariano Suassuna, Paulo Freire, Josué de Castro, Naná Vasconcelos, Sivuca, Capiba, Padre Cícero, Jorge Amado, Vitalino, Patativa do Assaré, Moacyr Santos, Louro do Pajeú, João Cabral de Melo Neto, Pinto do Monteiro, dentre outros, personagens que têm as caracteristicas comuns de serem nordestinos, terem a minha admiração e não mais morarem em nosso plano terrestre. Um dia sai. Falta só um Editor se interessar. Aos desavisados, (avisar nunca faz mal) todos esses projetos estão devidamente registrados nos competentes órgãos e cartórios devidos (é triste que assim seja mas já tive idéias musicais e literárias ‘roubadas’ semvergonhamente). Pra quem gosta de escrever pouco até que eu me alonguei, né?

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

13 fevereiro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

COLUNISTA FUBÂNICO ENCANTOU-SE

Lamento informar aos nossos leitores que encantou-se o colunista fubânico Cícero Cavalcanti, aos 66 anos de idade.

Ele sofreu um acidente de carro e ficou internado por mais de 10 dias na UTI de um hospital da cidade de Anápolis-GO.

O sepultamento será hoje, segunda-feira.

A fubânica Dalinha Catunda presta um homenagem ao nosso amigo.

A postagem está logo a seguir.

O último texto de Cícero  publicado no JBF, na sua coluna Terceira Visão, foi no dia 18 de janeiro passado.

Descanse em paz, seu cabra arretado.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A VIAGEM DE CICIM

E se foi nosso Cicim…
Sem sequer se despedir
Sua sina foi cumprir
A vida é mesmo assim
Sei que no céu tem clarim
Porém aqui nesse plano
Ficou mudo seu piano
Ficou a dor da saudade
Calou a voz da verdade
O tal destino tirano.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

CLÁUDIO PAIVA – CHARGE ONLINE

QUANTO VALE UMA AMIZADE

Uma amizade sincera
É rara e não tem preço
É solidária e fraterna
Supera dor e tropeço
Em qualquer situação
Acolhe e estende a mão
Com palavras de apreço

Vira o mundo pelo avesso
Destrói fofoca e mentira
Nocauteia o falso amigo
Que age feito traíra
Acalma redemoinho
Abre porteira e caminho
Seu exemplo nos inspira

Arrogância e ziguizira
No seu diário não tem
Rancor, vingança e ira
Fica de fora também
Cultiva sem destemor
A linguagem do amor
O seu negocio é o bem

Amizade só faz bem
Só em falar me deleito
Amigo é pra se guardar
Do lado esquerdo do peito
Diz a belíssima canção
Escrita com perfeição
Reverencia e respeito

Fiz um estudo bem feito
Consultei autoridade
De notório conhecimento
Mestre em contabilidade
Com publicação sublime
E não achei quem estime
Quanto vale uma amizade

Quem souber por bondade
Queira fazer um favor
A quem almeja a verdade
Explicando o real valor
De uma nobre amizade
Rica em generosidade
Carinho, respeito e amor

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

13 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – A DESCULPA É A MESMAS EM TODAS AS REPÚBLICAS BANANEIRAS

O ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006 e teve prisão decretada na quinta-feira (9) por ter recebido US$ 20 milhões em propina para favorecer a Odebrecht, afirmou neste domingo (12) que não é um fugitivo da Justiça e reivindicou a presunção de inocência.

Em comunicado oficial divulgado em sua conta pessoal no Twitter, Toledo afirmou que não havia acusações contra ele na Justiça peruana quando saiu do país e disse que vai defender seu nome com a condição de que não o “prejulguem” culpado.

* * *

O Corruptor Passivo, a Odebrecht, é o mesmo nosso.

A acusação é semelhante à acusação de Banânia.

É bem provável que Alejandro Toledo também tenha ganho um triplex, um sítio e um terreno pra construir um instituto com o nome dele.

Esta nossa América Latrina é phoda!!!

Ganha um doce o leitor do JBF que adivinhar com quem foi que Toledo Cara-de-Pau aprendeu a dar este tipo de explicação esfarrapada.

O fato é que os dois estão soltos.

Um foragido nos Zistados Zunidos e o outro homiziado no triplex do Guarujá.

Tolôte e Toledo, uma autêntica dupla guabirutal latrino-americana

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

RONALDO – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

UMA LEITURA DAS RUAS

Num mundo que enlouquece celeremente, o Brasil deu sua cota na semana passada com a greve dos PMs no Espírito Santo: mortes, saques, assassinatos e assaltos dominaram as grandes cidades capixabas. O medo se ampliou com a possibilidade de outras PMs, notadamente Minas e Rio, seguirem o mesmo caminho. No auge da crise, o governo como sempre se omite, e o próprio ministro da Justiça pede demissão para se dedicar à sabatina para ocupar o STF.

A fórmula de sempre é mandar o Exército, com sua grande força psicológica, baseada na simpatia popular pela instituição. Mais psicológica do que real, uma vez que há 2.000 homens para cobrir a ausência dos 11 mil PMs em greve. Por trás do drama cotidiano, uma grande máquina, açucarada e viscosa, move-se não apenas para neutralizar a Lava-Jato, mas para garantir o poderoso esquema de corrupção que une políticos e empresários no Brasil. O ministro indicado para o STF escreveu uma tese dizendo que presidentes não deveriam escolher seus auxiliares porque passariam a ficar dependentes desse favor.

Ao aceitar o cargo, Moraes é mais uma demonstração de que na prática a teoria é outra. Sua tese acadêmica é correta. É tão simples que a ouço nas próprias conversas de rua: “E o Temer, hein? Indicou o careca”. “Para quê?” “Hahaha”

O interessante é que muitas pessoas inteligentes passaram a defender a escolha do ministro da Justiça, argumentando que houve outros casos assim. É verdade. Mas nossa experiência de redemocratização resultou numa ruína. Apoiar-se nas mesmas práticas envelhecidas é apenas insistir num modelo caduco. Um novo ministro teria de expressar as aspirações de agora: qualidade intelectual e independência. A máquina se move com muitos braços. No Supremo, Gilmar Mendes quer rever as prisões da Lava-Jato. Ele tem condições para fazer isso, uma vez que, como presidente do CNJ, sempre se bateu para alterar o quadro das prisões preventivas, horizontalmente, entre os presos comuns. Mas sua fala se dá num momento em que alguns críticos da Lava-Jato avançam inclusive com a ideia da libertação de Eduardo Cunha. Sem questionar intenções, supondo sempre que as pessoas querem interpretar corretamente a lei, considero uma posição perigosa.

Eduardo Cunha é mestre em eliminar provas e intimidar testemunhas. Fez tudo para esconder os dados de computadores da Câmara que o incriminavam. Seus prepostos ameaçavam a família de testemunhas, como o fizeram com Alberto Youssef, que depunha na Câmara, nessa condição. A máquina se move até em espaços solenes, como o de um funeral. “Como deter a Lava-Jato, como colocar o Supremo contra ela?”, sussurram vozes que deveriam ser de dor e saudade. Para o mundo político, governo inclusive, toda essa tragédia que se desenrola nas ruas brasileiras é apenas um cenário distante. Todos se empenham em garantir sua zona de conforto, a possibilidade de continuar enriquecendo à custa do povo brasileiro. A única mudança que alguns parecem admitir é o ocaso do PT, considerado um rato magro, que ao ganhar o governo foi vítima de indigestão por sua fome acumulada. A tentativa de restaurar o esquema de sempre, e seguir a vidinha política do Congresso como se não estivéssemos numa profunda crise, é comovente. Digo isso porque eles parecem não compreender a gravidade do momento. Assassinatos, saques, cabeças decepadas, tudo isso se transforma num imenso mosaico policial, capítulo à parte em que a sucessão das atrocidades acaba suavizando-as. Em tese, não é nada confortável em ser governo num momento tão tenso no qual a corrupção é detestada.

O Rio está vivendo este drama com intensidade. É governado por um remanescente do grupo que assaltou e quebrou o estado, sem condições políticas de tirá-lo da crise. Mas não larga o osso. Existe uma dificuldade muito grande em perceber que algo acabou, que a sociedade não aceita mais esses padrões. Todo esse gigantesco esforço para retroceder o Brasil ao que havia antes da Lava-Jato é patético. Se olhassem atentamente para o que acontece no Espírito Santo, veriam que estamos no fio da navalha, habitando uma tênue fronteira com a barbárie. Quanto mais tempo perderem maquinando tramas para fugir da Justiça, mais a situação se agrava nas ruas. É urgente adequar as práticas às novas aspirações da sociedade brasileira. Temer deu um pontapé nelas ao nomear Moreira Franco ministro para garantir o foro privilegiado. E com a outra perna chutou a nomeação do próprio ministro da Justiça para o STF. Tantas historinhas na imprensa, mas o que fica para mim é que foram movidos pelo medo da Lava-Jato. Só isso justificaria o desgaste da nomeação. Ou será que vou acreditar que Temer, Padilha e Franco acordam e dizem: um belo dia para levar pancadas; vamos dar o foro privilegiado para o Moreira.

Eles sabiam que iam apanhar e o fizeram com um objetivo claro de autodefesa. Ou desvio de finalidade, visto por um ângulo legal. A tentativa de segurar o país num esquema do passado pode nos custar muito caro. Sobretudo para quem manobra nessa direção. Meu humilde conselho da planície para o planalto: é melhor aceitar a justiça do Estado do que enfrentar a justiça das ruas. E qualquer tentativa de neutralizar a justiça significa um perigo maior de cair nas mãos de pessoas enfurecidas. Seguem vídeos do Espírito Santo.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

13 fevereiro 2017 DO FUNDO DO CAÇUÁ MUSICAL

HOMENAGEM À FOLIA

Um Frevo de Bloco interpretado pelo coral do Bloco da Saudade. Música de Edgard Moraes, saudoso compositor pernambucano que se encantou em março de 1973, aos 69 anos de idade.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

DESARMAMENTO CIVIL

Estamos vivendo uma absurda e criminosa greve da PMES, com uma grande chance de alastra-se pelo Brasil. O governo é fraco, quer “negociar” e talvez ninguém seja punido quando acabar. Esse é o Brasil, o país da anistia. As outras PM que façam a sua levando em consideração a certeza de serem anistiadas. A do Rio de Janeiro já está ensaiando.

O caos e a barbárie estão espalhados por todo o Espírito Santo. Bandidos nas ruas, impunimente; roubos, furtos e assassinatos em massa; saques no comércio; e o cidadão de bem na prisão das suas casas, rezando para que ninguém as viole. Diz o governo que a situação melhorou…diz o governo.

Falando hipoteticamente, pois isso lá seria praticamente impossível, imaginemos se essa greve tivesse ocorrido no estado do Texas, EUA? Lá, o porte de arma, qualquer tipo de arma, é livre. Mais de 90% da população possui alguma arma, muitos possuem várias, e a grande maioria as porta. Pasmem, o Texas tem um dos menores índices de crime com uso de armas de fogo do mundo. Haveria caos e barbárie? Os bandidos iriam se criar? NÃO.

Só não contem isso para a esquerda!

Façamos um adendo para explicar aos leigos a diferença entre posse e porte. Posse é simplesmente ter a arma em casa, porte é carrega-la junto ao corpo em qualquer lugar.

Mas, sem precisarmos usar a greve da PM para justificar a nossa tese e desmistificar a da esquerda, vamos lembrar um fato triste no Brasil que a imprensa explorou como se fosse um daqueles que houve nos EUA (não vou me ater a esses agora, nem ao motivo, que não é aquele que a mídia conta):

“ATIRADOR ENTRA EM ESCOLA EM REALENGO, MATA ALUNOS E SE SUICIDA”, lembram? Foi em 2011. (Clique aqui para ler)

Naquele malfadado episódio, sem que ao menos esfriassem os cadáveres das vítimas inocentes, crianças na maioria, logo correram à mídia os políticos e os especialistas de plantão (a Globo adora!) com as já famosas soluções simplistas para um problema complexo, e um diagnóstico ainda mais simplista. Um culpado, uma solução e a falácia.

O culpado: a arma de fogo; a solução: desarmar a população de bem; a falácia: sem armas de fogo na mão da população de bem, os homicídios diminuem.

Destaco o “de bem” porque é aí que mora a mentira. É preciso desarmar sim, mas desarmar os bandidos. Aqueles que compram armas no mercado negro e nunca deixarão de comprá-las. Só assim irão diminuir os homicídios. Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas. Só bandidos ou desequilibrados mentais não pensam antes de atirar.

Mas, os políticos estão de olho nos votos; os especialistas, nos holofotes. Até, claro, a próxima tragédia que anula a anterior e o ciclo – ou circo – recomeça.

Todas as soluções que se apresentam na esteira dessas horas só têm como finalidade real esconder da população a incompetência do Estado e defender o interesse próprio. E o interesse das pessoas afetadas direta ou indiretamente pelo fato? E o interesse do povo? Ou de mais de 65% do povo? Lembram do referendo? Lembram o que fizeram com o resultado?

Só que agora o efeito foi contrário (a mídia se cala, claro) até para esses especialistas. Polícia em greve, população desarmada… Mad Max.

No caso da tragédia de 2011, existia polícia e o Caos não estava instalado. Agora, no ES, é cada um por si e Deus por todos. O Exército não vai resolver. Não tem poder de polícia e nem condição ou treinamento para isso. É apenas um pequeno paliativo, até porque o bandido, que de bobo não tem nada, já conhece as fraquezas das Forças Armadas nesse tipo de operação. É apenas uso político da Forças Armadas. Resolveria só se houvesse intervenção federal e estado de sítio, mas um governo fraco nunca adotaria essas medidas.

Acredito que qualquer pessoa normal quer a paz e é contra a violência, mas, infelizmente estamos no planeta Terra. O uso de armas com a finalidade de ferir ou matar o semelhante é tão antiga que data do período em que o homo sapiens começou a se tornar sedentário e viu-se obrigado a “contratar” pessoas que, em vez de auxiliarem na agricultura e na criação, ficavam de plantão para defendê-los daqueles que ainda eram caçadores-coletores e viam nas tribos sedentárias uma maneira mais fácil de conseguir alimento. A polícia é tão antiga quanto o roubo.

Nos dias de hoje, continuamos tendo a nossa plantação e a nossa criação, além do nosso principal e inviolável bem, a vida, mas infelizmente, ainda temos os nômades que teimam em tomá-los. Só que as tribos cresceram muito e os homens de plantão ficaram poucos.

Metáforas à parte, todo cidadão tem o direito constitucional de se defender. Todo cidadão tem que ter o direito de possuir uma arma de fogo, desde que queira e que possa comprovar perícia, bons antecedentes e boa saúde mental, ou seja, cumprir os requisitos que a lei atual já impõe. Resumindo, basta provar que saiba usá-la e que não é bandido nem louco, difícil?

Muita gente confunde porte com posse, como mostrei acima, e a má fé se aproveita disso. Não defendo o porte livre de armas, como existe na maioria dos Estados americanos, só em alguns casos que não vou explicar neste artigo. Acho que lá dá certo e que aqui não funcionaria, povos diferentes e ideias diferentes, mas vou me ater apenas às razões do direito à posse. Lembro que o porte de arma já é proibido no Brasil para o cidadão comum. A posse é permitida, mas com tanta burocracia, que a maioria dos cidadãos não tem acesso. O porte, então, tornou-se quase impossível depois do tal Estatuto do Desarmamento, um grande absurdo depois de um referendo. Mas era o PT, né?

Temos que ser responsabilizados pelos atos que praticamos e não pelos que podemos praticar. Pelos que fazemos, há o rigor da lei e o Estado tem a obrigação de fazê-la cumprir, o que não ocorre no Brasil.

Estatísticas e números existem para quem quiser consultá-los, e os que existem são do governo. O que vemos, na relação entre o número de armas legais e a variação dos índices de homicídios, e isto é fato, é que nos Estados brasileiros onde existem mais armas LEGAIS os índices são menores.

Os EUA são o país que têm o maior número de armas em mão dos cidadãos e, no entanto, ostentam um índice de assassinatos seis vezes menor do que o nosso.

Mas não é isso que mostram os números das ONGs e dos movimentos desarmamentistas!

Bem, até hoje eles não mostraram onde, como e quando fizeram o levantamento desses números e nem o registro de nenhuma pesquisa. Há apenas as pesquisas do ouvi dizer, sem dizer quem disse e, claro, os interesses duvidosos em torno de financiamentos, da indústria da segurança privada e de eminências pardas. Coisas que talvez só o goiano saiba explicar, mesmo sem argumento.

O ministro Luis Fux, do STF, um dia desses disse que a população votou errado no referendo e que o cidadão armado, se matar alguém, vai sentir remorso. Nos chamou de burros, mas a imprensa amou, imagino o Goiano. Lembro que ele tem segurança 24 horas por dia. Eu, por exemplo, vou sentir remorso se um bandido matar algum familiar meu porque não atirei antes. Nunca mais vou conseguir dormir.

Perguntem a um bandido se ele entraria numa casa em que tivesse a certeza de que o dono possui uma arma? Por si só, a arma é um fator dissuasório. Ladrão também tem instinto de sobrevivência. E é por isso que onde existem mais armas, ocorrem menos crimes.

Mas essa declaração é antiga. Pior foi a do Barroso que quer descriminalizar a maconha e, puta que pariu, a cocaína. Ele só pode ser viciado. Vou escrever sobre isso. Só citei porque também tem a ver com o desarmamento.

De todas as falácias sobre armas, talvez a maior seja quando as ONGs dizem que a maioria das que estão nas mãos dos bandidos são de fabricação nacional e foram conseguidas de cidadãos comuns, por roubo ou compra. Que eu saiba, não se vendem AK-47, AR-15, G3, metralhadoras de mão, pistolas 9mm e .45 nas lojas especializadas. São armamentos de uso restrito e proibidos.

Sabemos, agora sem falácias, que a grande maioria do armamento ilegal vem das nossas fronteiras, principalmente do Paraguai e Bolívia. Agora temos a Venezuela também. Inclusive armas de fabricação brasileira exportadas legalmente para aqueles países que depois retornam ilegalmente. Sabemos, também, que 84% das armas lá vendidas são importadas de forma ilegal pelas máfias com a conivência do governo local. Leiam sobre a Interarms.

Por que, em vez de cobrir aqueles países de benesses e simpatia, o governo brasileiro não cria sanções para impor a eles o controle desse comércio? Isso é imperialismo?

O governo se diz incapaz de vigiar e coibir o tráfico nas fronteiras por falta de efetivo. Por que não devolve às Forças Armadas o poder de polícia e as emprega na busca e apreensão dessas armas? E não só na fronteira. Hoje o Exército divide com a Polícia Federal o registro e a fiscalização das armas de fogo, mas depende das polícias para a autuação dos infratores da lei. São dois caciques na mesma tribo, mas só um pode castigar os índios.

O que falta no Brasil é um governo com pulso firme, sem ideologia partidária, e uma política de segurança séria, clara e efetiva, sem demagogia, que prenda bandidos e os mantenham presos, que pague um salário digno aos profissionais da segurança pública, que invista em tecnologias, em treinamento e equipamento e, principalmente, que tenha a coragem de fazer um Código Penal e um Código Processual livre do paternalismo fora de moda que só beneficiam os bandidos. O povo já votou e espera que a sua vontade seja respeitada. Basta que a democracia e o Estado de Direito sejam respeitados. A lei já existe e é dura, cumpram e a façam cumprir.

Desarmar a população é querer culpar a vítima pelo delito que sofreu. É tentar justificar a falência da política atual e desviar o foco das falcatruas e roubalheiras.

A arma mais mortal que um cidadão porta, e sem nenhuma restrição, é o Título de Eleitor.

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE

13 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

ESSE JOGO NÃO PODE SER 1X1

No primeiro ano como presidente, Dilma demitiu sete ministros por envolvimento em escândalos.

O presidente Michel Temer completa um ano em maio e já demitiu quatro pelos mesmos motivos.

* * *

O jogo está com o placar de 7×4.

Por enquanto.

Daqui uns dias chega ao empate.

A vitória de Temer virá no final.

* * *

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA


http://www.fernandogoncalves.pro.br
UM ENSAIO NOCAUTEADOR

Raras vezes um livro me provocou tanta vergonha como o que acabo de ler, muito embora ampliando ainda mais a minha solidariedade para com os despossuídos: A Fome, de Martín Caparrós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2016, 714 p. Um ensaio que impressiona, incomoda, fascina e desacomoda todos aqueles que ainda são possuidores de “duas mãos e o sentimento do mundo”, como bem proclamou um amado talento poético brasileiro chamado Carlos Drummond de Andrade.

O autor, argentino nascido em 1957, graduou-se em História pela Universidade de Paris e percorreu meio mundo – Bangladesh, Niger, Quênia, Sudão, Madagascar, Argentina, Estados Unidos e Espanha – entrevistando pessoas que, por diferentes motivos – secas, miséria, guerras, marginalizações as mais diferenciadas – sofreram estupidificantes privações alimentares.

Numa das orelhas, a primeira, uma definição do livro: “A Fome é um livro construído a partir de histórias dos que trabalham em condições bastante precárias para mitigá-la e daqueles que usam o alimento como meio de especulação financeira. A Fome tenta, sobretudo, destrinchar os mecanismos que impedem quase um bilhão de pessoas de suprir sua necessidade de alimentação.” E explicita alguns questionamentos que estão a merecer um vigoroso repensar civilizatório de todos nós: “Seria a fome um produto inevitável de nossa ordem mundial? Fruto da preguiça e do atraso? Um negócio de poucos? Um problema prestes a ser solucionado? O fracasso de uma civilização?” E arremata: “Este é um livro incômodo e apaixonado, uma crônica que faz pensar, um ensaio que relata e um panfleto que denuncia a pressão de uma vergonha incessante e que busca formas de acabar com esse mal.”

Ao iniciar a leitura do livro-bofetada do Caparrós, lembrei-me da Geografia da Fome, do pernambucano Josué de Castro, e de um poema de Manuel Bandeira, outro pernambucano ilustre, intitulado O Bicho, que dizia: Vi ontem um bicho / Na imundície do pátio / Catando comida entre os detritos. / Quando achava alguma coisa,/ Não examinava nem cheirava:/ Engolia com voracidade./ O bicho não era um cão, / Não era um gato,/ Não era um rato./ O bicho, meu Deus, era um homem! Nunca esquecendo um outro pernambucano muito arretado chamado João Cabral de Mello Neto, autor no inesquecível Vida e Morte Severina, que muito sensibiliza quantas vezes seja apresentado.

Para Caparrós, a imagem da fome mais antiga registrada em sua mente é a de um menino com a barriga inchada e as pernas magrinhas de uma região chamada Biafra, quando ele ouviu pela vez primeira a versão mais brutal da palavra fome: hambruna, que não tem correspondência em língua portuguesa, a significar fome generalizada. Um fenômeno que é escândalo do nosso século, “a destruição, a cada ano, de dezenas de milhões de homens, de mulheres e de crianças pela fome, onde de cinco em cinco segundos, uma criança de menos de 10 anos morre de fome em um planeta que é repleto de riquezas. Em seu estado atual, de fato, a agricultura mundial poderia alimentar sem problemas 12 bilhões de seres humanos, quase duas vezes a população atual. Uma criança que morre de fome é uma criança assassinada, escreve Jean Ziegler, ex-relator especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação.” E indaga repleto de indignação: “Como, porcaria, conseguimos viver sabendo que essas coisas acontecem?”

Uma descrição feita por Caparrós, logo no primeiro capítulo, atordoa, sem resvalar para pieguices, tampouco fazendo uso lacrimoso da dor alheia: “Quando um corpo come menos do que precisa, começa a comer suas reservas de açúcar; depois, as de gordura. Cada vez se movimenta menos: fica letárgico. Perde peso e perde defesas; seu sistema imunológico se debilita, por momentos. É atacado por vírus que provocam diarreias que o vão esvaziando. Parasitas que o corpo não sabe mais rejeitar instalam-se em sua boca, causam imensas dores; infecções bronquiais dificultam a respiração e doem muito. Por fim, começa a perder sua pouca massa muscular: não consegue ficar mais ficar de pé e depois perde a capacidade de se movimentar; dói. Se acocora, fica enrugado, sua pele enfraquece, fica quebradiça; dói. Chora devagar; quieto, espera acabar.”

Segundo pesquisas por nós feitas, “as últimas décadas foram de grande evolução no combate à fome em escala global. Nos últimos 25 anos, 7,7% da população mundial superou o problema, o que representa 216 milhões de pessoas. É como se mais que toda a população brasileira saísse da subnutrição em menos de três décadas. Contudo, 10,8% do mundo ainda vive sem acesso a uma dieta que forneça o mínimo de calorias e nutrientes necessários para uma vida saudável, e 21 mil pessoas morrem diariamente por fome ou problemas derivados dela.”

Nos países subdesenvolvidos, uma em cada sete crianças morre antes de completar 5 anos; nos países desenvolvidos, morre uma em cada 150. Mas as mortes das crianças não aparecem nos meios de comunicação. Nem poderiam: a cegueira moral e a perda da sensibilidade social na modernidade muito contribuem para distanciar tais tragédias cotidianas das consciências humanas.

Um ensaio incomodativo, as informações reveladas por Martín Caparrós, um argentino nascido em 1957, em Buenos Aires, autor de mais de 30 livros, também detentor de vários prêmios internacionais, inclusive o conferido pelo Rei da Espanha. Também tradutor de Voltaire e Shakespeare.

Vale a pena ampliar nossa solidariedade social, apesar de todas as nossas dificuldades.

PS. Sinto asco do tecnocratês, uma barreira cretinamente edificada para evitar a generalização do conhecimento. Atualmente, fome é “insegurança alimentar”. Segundo Caparrós, “um dos eufemismos mais tristes de uma época de eufemismos tristes.”

13 fevereiro 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

13 fevereiro 2017 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

JÁ PENSOU SE O DOTÔ TIVESSE ENFIADO NO FURICO???!!!

Comentário sobre a postagem TÁ TUDO NOS CONFORMES

Dalinha Catunda:

“Berto,

Fico muito feliz em saber de sua boa saúde.

Mais contente ainda em saber que o monte de “trocinhos” estavam enfiados no seu peito e não em outro lugar.”

* * *

Ainda bem que o doutor enfiou nos peitos…


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