9 março 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – BLOG DO ALPINO

9 março 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – TEREMOS UM EXCELENTE FINAL DE SEMANA!

A advogada Rosangela Moro fez a defesa do marido

* * *

O que gostei mesmo nesta manchete foi este detalhe: “Por unanimidade”.

Vamos comemorar esta excelente notícia com música.

Uma petralha cantando pra um canalha.

Canta, Beth!

9 março 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

CEGO – Rolando Boldrin

9 março 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – BLOG DO ALPINO

JOSÉ SILVA – CAMPO GRANDE – MS

Sr. Editor,

A notícia logo a seguir mostra como político aprende rápido.

Depois do ministro que pagava tapioca com cartão corporativo, agora temos uma Manuela que não sabia de nada.

Parece que o desmiolamento seletivo também atingiu outros próceres dos partidos citados.

Espero que os bravos representantes das siglas em solo pernambucano também não venham a ser acometidos por essa insidiosa moléstia.

* * *

Delator da Odebrecht diz que pagou R$ 21 milhões para corromper PROS, PRB e PCdoB de Manuela

Dilma sabia de tudo, mas sua aliada Manoela claro, não sabia de nada. Não é fácil saber quando um Partido é comprado para apoiar o outro

Em depoimento prestado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de segunda-feira, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar, afirmou que a empreiteira pagou R$ 7 milhões para cada um desses três partidos: PROS, PRB e PCdoB, em um total de R$ 21 milhões. Esses pagamentos de dinheiro sujo teriam sido realizados com a intermediação do então tesoureiro da campanha de Dilma, o ex-ministro Edinho Silva.

Alexandrino disse ao ministro Herman Benjamin, relator da ação que pode levar à cassação da chapa Dilma-Temer, que os pagamentos foram feitos via caixa 2 para garantir o apoio político dessas siglas à chapa que unia PT e PMDB na campanha presidencial de 2014. Com o pagamento milionário aos partidos, a chapa Dilma-Temer teria obtido a adesão de mais siglas à coligação que saiu vitoriosa naquelas eleições, além de garantir mais tempo de propaganda na televisão.

O PC do B é o partido dos deputados gaúchos Manuela D´Avila, Juliano Rosso e Assis Mello.

9 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

VOLTANDO DE FÉRIAS – PRIMEIRA DAMA E CENSURA

A primeira-dama obteve, na justiça, direito de não ser tornada pública uma chantagem que sofreu. Os jornais reclamaram. Censura, berraram. Mas terá sido mesmo?, eis a questão. Vale a pena olhar com mais calma, sobre o tema. A ideia de uma liberdade de informar sem nenhum limite é, nas sociedades maduras, somente lenda. Não vigora nem mesmo nos Estados Unidos. Onde a Primeira Emenda (1791) do Bill of Rights – nome coletivo das dez primeiras emendas à Constituição – proíbe, ao Congresso, votar leis limitando a liberdade de imprensa. Definindo, a Suprema Corte, “não ser absoluta essa liberdade, comportando seu exercício limites”.

Esse princípio de controles consensuais e democráticos à informação está presente em teoria hoje dominante na Suprema Corte, das Unprotected Speech (caso New York x Ferber, 1982). Sem esquecer que, com as teorias do Gravity on Evil (1924) e sobretudo das Free Speech (1945), a mesma Corte já confirmara que “a liberdade de expressão não é um direito absoluto, confrontando-se com outros direitos constitucionais”. Como a “privacy, que a tradição americana dotou de uma amplitude tentacular” – palavras de Hubert Gordon. Essa mesma privacidade que, em 1873, foi definida pelo justice britânico Cooley como “o direito de ser deixado só” (the right to be let alone).

Para além dos preconceitos, parece indiscutível que democracia é informar. Problema é que é, também, não informar. Dependendo das circunstâncias. Desde 1936, por exemplo, ações de família (como reconhecimento de paternidade) correm em segredo de justiça. Também, hoje, notícias que digam respeito a menores – por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente. Sem falar dos sigilos profissionais. Ninguém admitiria, por exemplo, que padres mencionassem, nas missas dominicais, a relação das confissões da semana. Os pecadores e seus pecados. Dona Maria, mulher do barbeiro José, confessou que trai o marido com o jardineiro Severino. Por aí. O mesmo se dando com médicos e advogados. Claro que não se trata, nesses casos, de censura.

Critério básico, para definir se uma informação deve ou não ser publicada, é o interesse coletivo. Em princípio, prevalente sobre a privacidade. Mas não em todos os casos. Até por haver diferentes graus, nesse direito à privacidade. A do indeterminado cidadão comum, por exemplo, é quase absoluta. Mas vai caindo, à medida em que aumenta o nível de exposição do interessado – governador, senador, ministro. Quanto mais alto, o cargo, menor a privacidade. Até chegar a presidentes da República, em que é quase nenhuma.

Problema é quem decide, em casos específicos, o que deve ser ou não publicado. Para donos de TVs e jornais, seriam eles. Enquanto, nas democracias, é o Poder Judiciário. No caso da primeira-dama, o Judiciário proibiu a divulgação. Não houve censura. Foi só uma decisão judicial. Dando prevalência ao direito da privacidade. Os jornais recorreram. E o Judiciário atendeu esse recurso. Talvez por conta de pressão da mídia. Um erro, na minha modesta opinião. Afinal, tratava-se de um crime. E o responsável está preso. Mas assim foi. A chantagem, bem ou mal, acabou publicada. Cumpriu-se a lei. Paciência. Bom nisso tudo é que, se continuarmos nesse caminho, e como dizia Millor, “nós vamos acabar caindo em uma democracia”.

9 março 2017 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

NA MESMA CELA, LULA, PALOCCI E DIRCEU SERIAM FELIZES PARA SEMPRE

O deus da seita fora da lei merece juntar-se aos sacerdotes engaiolados

José Dirceu, chefe da Casa Civil entre janeiro de 2003 e junho de 2005, foi condenado à prisão em 2012 por ter feito o que fez no Mensalão e engaiolado de novo em 2016 por voltar a fazer, agora no esquema do Petrolão, o que desde sempre faz.

Antonio Palocci caiu fora do Ministério da Fazenda em março de 2006 por ter estuprado o sigilo bancário de um caseiro. Absolvido pelo Supremo, foi despejado em junho de 2011 da Casa Civil por ter embolsado fortunas com consultorias imaginárias. Virou hóspede da República de Curitiba porque a Lava Jato descobriu o que andou fazendo com o codinome Italiano.

Dirceu e Palocci são apenas duas das incontáveis provas, todas ambulantes e contundentes, de que durante mais de 13 anos o coração do poder esteve sob o controle de seita fora da lei chefiada pelo vigarista promovido a único deus: sempre que pilhado em flagrante, Lula jura que nada viu e de nada sabe.

Lula e Palocci, Lula e Dirceu, Dirceu e Palocci, Lula, Dirceu e Palocci ─ esses nasceram para espancar em perfeita sintonia a ética, os bons costumes e o Código Penal. Se os caprichos do destino os juntarem na mesma cela, os três serão felizes para sempre.

9 março 2017 FULEIRAGEM

MICHELÂNGELO – CHARGE ONLINE

9 março 2017 JOSIAS DE SOUZA

RENASCE NO CONGRESSO ARTICULAÇÃO SOBRE CAIXA 2

9 março 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

ARAEL M. DA COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Caro Berto,

Fui tomar a “primeira” no Bar do Ferreirinha e lá me deparei com esse excepcional pronunciamento dessa, naturalmente, profunda conhecedora do metier – Gleisinha,

“Esse ano, o dia 8 de março será um dia de greve. Faremos greves nas escolas, em nossas casas, nas atividades domésticas, na área de trabalho, iremos fazer bloqueio de estradas, marchas e, inclusive, abstenção sexual”.

Gleisi Hoffmann, senadora do PT do Paraná, comunicando ao pais que, em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher, resolveu deixar o maridão Paulo Bernardo sem cama nem comida.

E me dei conta do quanto essa jovem deve ter inspirado o nosso Jorge Amado, para descrever a greve do ‘balaio fechado‘. Ela deve ter participado do evento, que quer reproduzir ou relembrar.

Aproveitando o ensejo (gostou do formalismo?) e sua “selfi seuvisse” me relembrou episódio que presenciei, nos anos ’50 (veja como estou rodado) em solenidade de encerramento de um campeonato nacional da classe Snipe (antigo barco à vela, de classe olímpica. Ainda existe uma flotilha, ai pelo Recife, na antiga praia de Venda Grande), realizado por aqui, nas águas mansas da praia de Tambaú.

Esse evento, que durou cerca de uma semana, teve como patrono e presidente de honra um almirante que ocupava lugar de destaque no comando de nossa Marinha, infelizmente submetido a seguidas noitadas de serestas e conversas de convés muito usuais nesse tipo de competição – grande confraternização nacional.

Ao encerrar o evento, em solenidade com a presença do Governador do Estado, o pobre do Almirante, completamente tresnoitado, falando aos presentes sobre um projeto que daria ‘status’ de reservistas navais a velejadores habilitados antes de completar 18 anos, que lhe era muito caro, viu-se traído pelo subconsciente e tacou a expressão “selviço militar“.

Talvez para elidir o escorrego do ilustre Comandante, o Capitão da Flotilha, conhecido por sua imensa verve e boemia, imediatamente levantou-se, de copo de cerveja à mão e retrucou: “O Almirante é selvido uma celveja?

Risos à parte e carranca do Governador presente, o ambiente desanuviou-se a a celveja do Almirante ficou apenas nas nossas lembranças, hoje muito poucos…

Um abraço reverente.

9 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

A MÃE-DO-OURO

Quando Berto propôs dar um nome às colunas que assinamos no Jornal da Besta Fubana (as que eram indicadas apenas pelo título de “A Coluna do Fulano de Tal”), me veio à mente uma expressão que conheci em minha cidade da infância, Lajinha, no interior de Minas Gerais: – Arco, tarco e Verva!

É uma expressão que, lá, queria dizer, mais ou menos, “põe tudo”.

A origem vem do sujeito que sentava no salão para fazer a barba e comandava ao barbeiro: – Arco, tarco e Verva, ou seja, para fazer a barba e passar “álcool, talco e Água Velva”, a “Verva”que era uma loção que se usava antigamente para depois de barbear, nem sei se ainda existe.

Esse indivíduo, sentado na cadeira do barbeiro, era um senhor exigente, que não queria um atendimento mínimo, queria serviço completo, como o indivíduo que pega a garota de programa e pede “cabelo e barba”.

A expressão pode significar “quero tudo!”, respondendo à pergunta “o que tu queres?”

Ou, ainda, um lugar onde tem de tudo (que pretendo ser o caso da minha coluna).

Aprovado o nome para a coluna, a partir de agora, pensei em, por assim dizer, inaugurá-la republicando um conto que tem suas origens naquela mesma cidade, de modo a estabelecer uma afinidade sutil entre nome, criador e criatura (bota sutileza nisso!).

Enfim, aí vai o texto, que espero que meus queridos leitores apreciem.

* * *

Estou voltando. Sinto o ar da minha terra, o cheiro familiar na brisa. O capim verde nos montes arredondados, os cupinzeiros, os anuns, os canarinhos-da-terra, tudo é como se jamais tivesse se afastado do meu dia-a-dia, como se os revisse de ontem, de anteontem, de todos os dias. O barulho dos bambus ao vento chama a atenção para o aumento da intensidade da brisa, que traz odores, perfumes, folhas, poeiras. Céu azul, ah! céu azul! Nuvens com beirais de prata e de ouro. Sol ameno. E o chão da estrada põe sob meus pés um contato de pedras redondas de tamanhos e formas conhecidas; uma poeira fina que resiste como um colchão de espuma de deliciosa maciez. Conheço tudo. Parece que o lugar e eu somos feitos da mesma matéria, temos o mesmo corpo e a mesma emoção.

Penso na cidade que logo verei, após uma curva da estrada, depois de uma ponte do pequeno rio pedregoso. A lembrança das casas brancas pequeninas, da torre da igreja caiada, das sinuosidades das ruas estreitas de terra batida ou de blocos de pedra, das copas das mangueiras dos quintais, ao longe, acelera-me o coração e faz-me quase sufocar de tanta ansiedade.

Agora, parece-me que o vento me leva. Bate-me às costas, empurrando-me como se tivesse pressa em retornar-me ao reduto amigo. Minhas pernas correm, algo trôpegas, mas não sinto seu movimento. Vejo-me nas asas da aragem, voando, deslizando, depressa mas suave.

Meu Deus! Quem sou? O que sou? Um pássaro, também? Como posso, agora, ver do alto o curso do rio, mas logo molhar meus pés em suas águas quase geladas, sentado no barranco úmido da margem? Como consigo não explodir de alegria, nem cair, de tanto estonteado, do dorso em pêlo deste animal suado que corre pelos campos, alucinadamente, e parece furar o espaço em cada salto sobre cercas e arbustos? Como posso ver-me, sim, a mim mesmo, de longe, passando com a fieira repleta de lambaris espelhados, pulsando de vida? Ou não serei, aquele, eu? Nem posso ter certeza. Na verdade, não consigo reconhecer nele a mesma pessoa que sou hoje. Não encontro, na memória, a seqüência de vida ligando um ao outro. Não somos a mesma pessoa. Tenho certeza.

Mas a memória me lembra daquele menino deslizando nas águas verdes do rio lerdo em seu insondável leito de lodo, pedra e areia. No bote calmo, abrindo um rombo esguio no dorso das águas, criando ondas espaçadas a perderem-se no roçar das ervas ribeirinhas. Na jangada roliça e escorregadia de bananeiras, os troncos verdes e brilhosos a rangerem nas embiras. Me lembra do contato fresco do chão da minha terra no meu corpo, da sensação levitante da rede suspensa nas goiabeiras, dos raios de sol por entre as folhagens, do cheiro de café, do fogão de lenha, das vozes queridas das pessoas amadas, do calor e do abrigo de seus corpos. Me lembra.

Mil anos! Mas foi ontem, é agora! E eu estou voltando, não sei de quando, nem de onde, nem bem por quê, para quem, para quê… Mas volto correndo, empurrado, como se voltasse para tudo, como se não tivesse ido, como se o tempo desmoronasse sobre si próprio no abismo do universo, reconstruindo-se e me refazendo, repondo-me como espectador de minha própria trajetória.

Duvido de saber ao certo como tudo aconteceu. Mas tenho a noção de saber que foi por causa da mãe-do-ouro.

Os outros meninos diziam que viam e eu não via nada. Mas eu dizia que também via. Alá! No fundo! Como ela brilha! É a mãe-do-ouro!

Agora, na estrada, eu tinha certeza de que estava de volta ao meu lugar. Por todo o mundo, onde estivesse, faltava-me um pedaço de bem dentro, talvez a própria alma, presa onde ficara enterrado o umbigo. Não é ali que ela fica? Por quê a sensação de ser estrangeiro em lugares onde construíra tantas vidas? Agora, na estrada, esperando desdobrar-se a curva do caminho para ver descortinar-se de dentro da paisagem, encravada no vale, a cidadezinha bonita, de sons alegres, antevejo-a, ou revejo-a, do alto, de cima da Pedra da Baleia, como um ente vivo, um bicho manso, descansado e amigo. Daqui, as casas são casinhas, as pessoas coisinhas que se mexem lentamente, sem formas definidas, muito embora dê para reconhecê-las a todas. Entre já, menino! As vozes chegam aqui como se produzidas pelo vazio, nascidas do nada. São palavras do vento. Ninguém parece dizê-las, mas elas chegam de longe, claras e ribombantes. Entra pra dentro! Como se em sintonias distintas, embora misturadas, chegam canções de algum rádio, latidos compassados dos cachorros, entremeados de risos e das batidas sonoras do martelo na bigorna do ferreiro. São sons de ferradura. Posso vê-lo batendo, moldando, o ferro rubro tirado com o alicate de dentro das brasas, vermelho como elas ao sopro do fole. O chiado dela na água não posso ouvir daqui. Mas sinto-o. E vejo-a emergindo da água ferruginosa do barril, em meio ao vapor borbulhante, pronta, a ferradura.

Quando subíamos o morro em direção à base da pedreira, parando aqui e ali para arrancar carrapichos dos cadarços ou para colher amoras pretinhas, alguém batizou-a Pedra da Baleia. Nada mais apropriado para uma gigantesca baleia de granito, de formas perfeitas, sobre uma imensa onda verde, o morro de pasto liso, de onde, por entre árvores escuras, a enorme montanha de pedra brotava, estendendo-se por quilômetros. Ninguém diria, assim, para ela olhando, que ela escondia um mistério. A certeza de com ele nos depararmos colocava-nos os corações às bocas. Mas, logo, distraíamo-nos ao correr da trilha, melando as meias no capim-gordura, impregnando-nos do ranço do seu cheiro.

Será que esta enorme lasca de pedra que desprendeu-se da montanha e escorreu até quase a sua base, retendo-se em grandes saliências e em outras pedras roladas, há tanto tempo que a vegetação esconde seus contornos, não irá, justamente agora, voltar a soltar-se, conosco dentro, soterrando-nos, esmagando-nos? Por quê não? Quem pode saber qual é o momento das coisas acontecerem? Não acontecerá, certamente, um dia? Amanhã? Em duzentos anos? Agora? Que dia terá fim esta caverna, tão certo como o apagar do sol, ou a explosão do universo?

Pois nada, nem esse medo, nem cobras, escorpiões, lagartos, nada demove-nos de esgueirarmo-nos por entre as pedras, para baixo, em direção ao brilho fantástico que repousa bem fundo, na escuridão mais estreita e inacessível da caverna. Ela! a mãe-do-ouro.

Volto depressa! Talvez ainda encontre a boiada espremida, de olhos arregalados, nas ruelas, empurrada pelos boiadeiros sobre cavalos inquietos, deixando atrás de si a rua viscosa de placas verdes, moles, cheirosas, espalhadas pelos cascos frenéticos. Se correr, quem sabe ainda me encontre a mim mesmo.

Não quero mais perder o ar úmido e gelado da madrugada enevoada, nas ruas desertas, silenciosas, escuras, alumiadas por fracas lâmpadas que se esforçam por sobressair entre as brumas, como estrelas raiadas. A noite fará de nossas vozes cristais límpidos e emoldurará canções lânguidas entoadas sob a sonoridade das cordas de uma viola.

Ouvirei de manhã a goteira que pinga, pinga, dos beirais dos telhados de telha de barro, anunciando dias e dias de chuva fina incessante? Tenho que correr!

O que vejo, ainda, é o menino com a fieira de lambaris e acarás cintilantes, pulsantes, adiantado à minha frente, e o que sinto é o vento voltando a tanger-me pressuroso pela estrada.

Só eu não vi a mãe-do-ouro. Mas não contei para ninguém. Não sei bem porquê. Não queria parecer bobo, pequeno. Quem sabe justamente por ser o menor da turma. Talvez isso me enchesse dessa coragem louca, que me faz agora subir sozinho esta montanha redonda, já na base da pedreira, passando por lugares tão íngremes que meus joelhos por vezes encostam no peito. Morro de medo. A entrada da caverna parece-me agora mais escura e maior, enorme. Os barulhos dos bichos rasteiros, do vento, da folhagem, dos grilos e dos pássaros, tão familiares, sobressaltam-me, assombram-me, apavoram-me. Tenho que subir para entrar. A abertura fica alguns metros mais alto que a base da pedra lascada que se desprendeu do resto da montanha e formou a câmara misteriosa. Entro e sinto-me fremir na mudança do ar quente e do corpo suado para o frescor pesado guardado dentro da pedra. Realmente, não é bem uma caverna. O chão é irregular, cheio de grandes pedras, poucos metros de largura, e a escuridão, que parecia total, desfaz-se ao acostumar da vista, deixando ver todo o ambiente. Aqui tudo é silêncio. Tenho que descer ao perigo, ao fundo, à pequena abertura da entrada da verdadeira caverna onde está a mãe-do-ouro, onde todos viram, admirados, a figura magnífica, descrita como uma luminosidade, como um brilho dourado, como um reflexo magnético de ouro, como algo, afinal, indescritível.

Agora eu quero olhar bem, procurar, tenho que ver. Desço ao fundo, ralando minhas pernas nas pedras, desprotegidas em calças curtas, ágeis de menino solto.

Meu espírito parece arrancado da caverna de volta à curva da estrada, avizinhando-se da entrada da cidade, mas reajo. Quero descer ao fundo. O vento volta a empurrar-me pelas costas, para a frente, depressa! Estou voltando! Como posso voltar sem nunca ter ido?

Minha cabeça chega à boca da entrada da morada da mãe-do-ouro. Olho a escuridão total. Vou-me enfiando mais fundo. O ar aqui me oprime, entra-me forçadamente pela garganta, pelas narinas, pelos pulmões.

Fofo-fofo-fofo-fofo. Lembro-me do trem-de-ferro no meio da estrada, parado, bebendo água, levando-me embora. A paisagem de puro campo é tão tranqüila, tão marcante, que nunca mais poderei esquecer este momento. A maria-fumaça descansa e fumega, soltando vapores, chiados, calores e odores. Agora, já vai. Fofo-fofo-fofo-fofo. Devagarinho. Fofo-fofo-fofo-fofo. Ai! uma faísca nos olhos. Ai! me queimei, mas não foi nada. Montanhas e mais montanhas. À noite, as fagulhas saindo da chaminé parecerão estrelas rolando na imensidão. Passarei horas fascinado, com este vento gelado enchendo-me os olhos dágua, crispando-me o rosto.

Ai, que vou; ai, que volto. Quero virar a curva da estrada, levantar-me desta pedra, retirar meus pés molhados do rio e seguir. Voltar.

Enfio a cabeça dentro do buraco da caverna e sinto-me arrastar, levado para longe.

Ai, saudades do meu galho, saudades do berço meu. Minha cabeça zune, meus cabelos se arrepiam, meu corpo vibra como o tinir do metal puro, como o soar do címbalo. Meus olhos procuram na escuridão do túnel a mãe-do-ouro, que só eu não vi. Mas agora pressinto-a. Um brilho fulgurante começa a aparecer ao fundo. Quanto aumenta sua intensidade, mais meu coração pulsa e minhas veias latejam. Meu corpo perde as proporções, desintegra-se, pulveriza-se. E eu a vejo! É linda, brilhante, púrpura, ouro e bonina, azul e prateada, onça e borboleta, sal e mel. Mergulho no seu abismo profundo e rodopio no espaço sem fim.

Para onde me leva que assim me arranca? Que estranha viagem, sem estrada, sem paisagem, sem o boi pastando através da janela? Ai, que a mãe-do-ouro me pegou. Mas é tão doce o seu canto, tão fina a sua voz, que sem querer assim me vou. Vou que vou-me, assim, embora, deixando tudo pra trás, arrastado por essas mãos cariciosas, pelo brilho desse olhar. Adeus, sonhos de menino, vãos castelos de ilusões.

Adeus, terra querida; adeus, pássaros; adeus, flores; até mais ver, ou nunca mais! Vou nos braços da mãe-do-ouro, sem pressa, sem resistir. Deslizo nos seus encantos, como pétala carregada mansamente pelas águas do rio.

Ai, minha terra. Minha terra, minha terra, minha terra tem palmeiras! Quero rever minhas serras.

Onde canta o sabiá?

Ali, por trás da curva da estrada, logo depois o desdobrar-se, que vem chegando, o vento às minhas costas, empurrando-me.

Meu Deus! Estou voltando!

9 março 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

9 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

DESEJO SATISFEITO

Minhas preces foram atendidas, meu desejo satisfeito.

Quer dizer, meu desejo foi satisfeito em parte, pois ainda continuo procurando um colunista zisquerdista pra defender Lula, Dilma, o PT e as zisquerdas de um modo geral, aqui nesta gazeta escrota.

Quanto à procura de um novo comentarista pra fazer parelha com Ceguinho Teimoso e Ideia Fixa, esta chegou ao fim.

Finalmente apareceu mais outro colaborador fubânico pra fazer a defesa da petralhada naquela base de relembrar as ladroagens dos outros gunvernos, sobretudo dos tucanos, e deixar de bandinha o maior escândalo de corrupção do Planeta Terra, segundo analistas estrangeiros.

Agora, além de CeguinhoTeimoso e Ideia Fixa, chegou o Poeta Renitente!

Vejam esta sequência:

A coluna “Comentário de Augusto Nunespublicou um texto onde se ocupava de erros crassos de português num manifesto dos zintelequituais petistas.

Então Poeta Renitente postou o seguinte comentário:

São por texto como este
Com sua arrogância ativa
Que explicam a decadência
E a forma nada atrativa
Que este ser transformou
O programa roda viva.

E este Editou perguntou:

E quanto ao mérito do texto, ao teor da postagem, num vai dizer nada não?

E o Poeta respondeu assim:

Grande mestre Berto, quando o Augusto Nunes escrever um texto onde ele critique o intelectual FHC por apoiar os seus asseclas do psdb por desviaram tanto dinheiro do metrô de São Paulo, por terem comprado os votos da emenda da reeleição, por não terem investigado das privatizações subvalorizadas e financiadas com dinheiro do bndes, quando ele denunciar as obras do aeroporto de Cláudio-MG, dos desvios e propinas de furnas, da sede do governo de MG etc, etc, etc… talvez o mérito do texto mereça algum comentário, sem isso o texto torna-Se inepto, ou seja, se resolve sem observação do mérito. 

Enfim, aquele velho e conhecido comportamento dos que tem bandidos de estimação, coisa que este Editor não tem.

Todos os assuntos citados pelo Poeta Renitente já foram alvo de cacetadas aqui no JBF.

Quem se der ao trabalho de fazer uma busca vai encontrar. Eu já fiz isto tantas vezes que estou cansado e de saco cheio.

Repito, sustento, afirmo e declaro: ladrões e corruptos levarão sempre cacete no lombo aqui nesta gazeta escrota.

Sejam eles da esquerda, da direita, do azul, do encarnado, do PT, do PSDB ou da PQP.

Atualmente baixo o cacete em Temer por duas razões: é o prisidente da vez (e eu estou sempre na oposição) e, muito pior ainda, foi eleito na chapa do PT ao lado de Dilma.

FHC e Lula, quando davam início ao seu prontuário, distribuindo panfletos na porta das fábricas,  juntinhos, solidários, lado a lado; e Bonitinho Cheira-Pó, brilhando no noticiário pulítico-corrupcional dos últimos dias; um trio autenticamente banânico

9 março 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)

NOSSO BRASIL NÃO MUDA

A matéria a seguir foi pescada no G1, coluna de Lauro Jardim:

“Em seu primeiro dia como líder do governo no Congresso, André Moura tentou aprovar um projeto de lei que considera prioritário: prorrogar o prazo para o acabar com os lixões no país.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010, estabeleceu que o lançamento de rejeitos in natura a céu aberto deveria acabar até 2014. O projeto começou a tramitar no mesmo ano do vencimento, tentando empurrar o prazo para 2021.

A votação do caráter de urgência estava na agenda da Câmara hoje, mas foi retirado da pauta. Na sessão, Rodrigo Maia garantiu que o requerimento será votado amanhã.

Se a urgência for aceita, Moura irá tentar um acordo no colégio de líderes para aprová-lo no plenário sem necessidade de discussões nas comissões”

Quem faz a coisa certa sofre punição por ter gastado tempo e recursos para cumprir a lei que normalmente é alterada para beneficiar os que a desrespeitaram. O próprio legislador, no caso acima líder do governo na Câmara, réu em três ações no STF, condenado em segunda instância por improbidade administrativa e acusado de tentativa de homicídio é quem propõe o perdão para quem desrespeitou a legislação desenvolvida pelo congresso que ele faz parte. Se não era necessário por que criaram a tal lei? Se é do interesse da sociedade, por que perdoar quem não cumpre?

Os lixões produzem impactos como degradação da paisagem natural; contaminação das águas superficiais e subterrâneas; contaminação e depreciação da qualidade do solo, além da propagação de ratos, baratas, mosquitos, bactérias e vírus, que são responsáveis pela transmissão de várias doenças como leptospirose, dengue, cólera, diarreia, febre tifoide, dentre outras. Os lixões não apresentam problemas apenas de ordem ambiental, mas também sanitária, social e acima de tudo econômica.

Insistir com a prática, não configura apenas como crime ambiental, mas um atentado contra a saúde pública. Apesar de tudo isso o grande deputado, líder do governo na Câmara Federal e com todas as qualificações mencionadas acima quer que nosso povo continue por mais sete anos convivendo com essa mazela. Provavelmente em 2020 o ilustre deputado enviará um novo projeto pedindo uma nova anistia para quem não estiver adaptado. Esse deputado está no lugar certo, ele representa muito bem o que é o Governo do PMDB de Temer.


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