9 março 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – BLOG DO ALPINO

9 março 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – TEREMOS UM EXCELENTE FINAL DE SEMANA!

A advogada Rosangela Moro fez a defesa do marido

* * *

O que gostei mesmo nesta manchete foi este detalhe: “Por unanimidade”.

Vamos comemorar esta excelente notícia com música.

Uma petralha cantando pra um canalha.

Canta, Beth!

9 março 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

CEGO – Rolando Boldrin

9 março 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – BLOG DO ALPINO

JOSÉ SILVA – CAMPO GRANDE – MS

Sr. Editor,

A notícia logo a seguir mostra como político aprende rápido.

Depois do ministro que pagava tapioca com cartão corporativo, agora temos uma Manuela que não sabia de nada.

Parece que o desmiolamento seletivo também atingiu outros próceres dos partidos citados.

Espero que os bravos representantes das siglas em solo pernambucano também não venham a ser acometidos por essa insidiosa moléstia.

* * *

Delator da Odebrecht diz que pagou R$ 21 milhões para corromper PROS, PRB e PCdoB de Manuela

Dilma sabia de tudo, mas sua aliada Manoela claro, não sabia de nada. Não é fácil saber quando um Partido é comprado para apoiar o outro

Em depoimento prestado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de segunda-feira, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar, afirmou que a empreiteira pagou R$ 7 milhões para cada um desses três partidos: PROS, PRB e PCdoB, em um total de R$ 21 milhões. Esses pagamentos de dinheiro sujo teriam sido realizados com a intermediação do então tesoureiro da campanha de Dilma, o ex-ministro Edinho Silva.

Alexandrino disse ao ministro Herman Benjamin, relator da ação que pode levar à cassação da chapa Dilma-Temer, que os pagamentos foram feitos via caixa 2 para garantir o apoio político dessas siglas à chapa que unia PT e PMDB na campanha presidencial de 2014. Com o pagamento milionário aos partidos, a chapa Dilma-Temer teria obtido a adesão de mais siglas à coligação que saiu vitoriosa naquelas eleições, além de garantir mais tempo de propaganda na televisão.

O PC do B é o partido dos deputados gaúchos Manuela D´Avila, Juliano Rosso e Assis Mello.

9 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

VOLTANDO DE FÉRIAS – PRIMEIRA DAMA E CENSURA

A primeira-dama obteve, na justiça, direito de não ser tornada pública uma chantagem que sofreu. Os jornais reclamaram. Censura, berraram. Mas terá sido mesmo?, eis a questão. Vale a pena olhar com mais calma, sobre o tema. A ideia de uma liberdade de informar sem nenhum limite é, nas sociedades maduras, somente lenda. Não vigora nem mesmo nos Estados Unidos. Onde a Primeira Emenda (1791) do Bill of Rights – nome coletivo das dez primeiras emendas à Constituição – proíbe, ao Congresso, votar leis limitando a liberdade de imprensa. Definindo, a Suprema Corte, “não ser absoluta essa liberdade, comportando seu exercício limites”.

Esse princípio de controles consensuais e democráticos à informação está presente em teoria hoje dominante na Suprema Corte, das Unprotected Speech (caso New York x Ferber, 1982). Sem esquecer que, com as teorias do Gravity on Evil (1924) e sobretudo das Free Speech (1945), a mesma Corte já confirmara que “a liberdade de expressão não é um direito absoluto, confrontando-se com outros direitos constitucionais”. Como a “privacy, que a tradição americana dotou de uma amplitude tentacular” – palavras de Hubert Gordon. Essa mesma privacidade que, em 1873, foi definida pelo justice britânico Cooley como “o direito de ser deixado só” (the right to be let alone).

Para além dos preconceitos, parece indiscutível que democracia é informar. Problema é que é, também, não informar. Dependendo das circunstâncias. Desde 1936, por exemplo, ações de família (como reconhecimento de paternidade) correm em segredo de justiça. Também, hoje, notícias que digam respeito a menores – por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente. Sem falar dos sigilos profissionais. Ninguém admitiria, por exemplo, que padres mencionassem, nas missas dominicais, a relação das confissões da semana. Os pecadores e seus pecados. Dona Maria, mulher do barbeiro José, confessou que trai o marido com o jardineiro Severino. Por aí. O mesmo se dando com médicos e advogados. Claro que não se trata, nesses casos, de censura.

Critério básico, para definir se uma informação deve ou não ser publicada, é o interesse coletivo. Em princípio, prevalente sobre a privacidade. Mas não em todos os casos. Até por haver diferentes graus, nesse direito à privacidade. A do indeterminado cidadão comum, por exemplo, é quase absoluta. Mas vai caindo, à medida em que aumenta o nível de exposição do interessado – governador, senador, ministro. Quanto mais alto, o cargo, menor a privacidade. Até chegar a presidentes da República, em que é quase nenhuma.

Problema é quem decide, em casos específicos, o que deve ser ou não publicado. Para donos de TVs e jornais, seriam eles. Enquanto, nas democracias, é o Poder Judiciário. No caso da primeira-dama, o Judiciário proibiu a divulgação. Não houve censura. Foi só uma decisão judicial. Dando prevalência ao direito da privacidade. Os jornais recorreram. E o Judiciário atendeu esse recurso. Talvez por conta de pressão da mídia. Um erro, na minha modesta opinião. Afinal, tratava-se de um crime. E o responsável está preso. Mas assim foi. A chantagem, bem ou mal, acabou publicada. Cumpriu-se a lei. Paciência. Bom nisso tudo é que, se continuarmos nesse caminho, e como dizia Millor, “nós vamos acabar caindo em uma democracia”.

9 março 2017 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

NA MESMA CELA, LULA, PALOCCI E DIRCEU SERIAM FELIZES PARA SEMPRE

O deus da seita fora da lei merece juntar-se aos sacerdotes engaiolados

José Dirceu, chefe da Casa Civil entre janeiro de 2003 e junho de 2005, foi condenado à prisão em 2012 por ter feito o que fez no Mensalão e engaiolado de novo em 2016 por voltar a fazer, agora no esquema do Petrolão, o que desde sempre faz.

Antonio Palocci caiu fora do Ministério da Fazenda em março de 2006 por ter estuprado o sigilo bancário de um caseiro. Absolvido pelo Supremo, foi despejado em junho de 2011 da Casa Civil por ter embolsado fortunas com consultorias imaginárias. Virou hóspede da República de Curitiba porque a Lava Jato descobriu o que andou fazendo com o codinome Italiano.

Dirceu e Palocci são apenas duas das incontáveis provas, todas ambulantes e contundentes, de que durante mais de 13 anos o coração do poder esteve sob o controle de seita fora da lei chefiada pelo vigarista promovido a único deus: sempre que pilhado em flagrante, Lula jura que nada viu e de nada sabe.

Lula e Palocci, Lula e Dirceu, Dirceu e Palocci, Lula, Dirceu e Palocci ─ esses nasceram para espancar em perfeita sintonia a ética, os bons costumes e o Código Penal. Se os caprichos do destino os juntarem na mesma cela, os três serão felizes para sempre.

9 março 2017 FULEIRAGEM

MICHELÂNGELO – CHARGE ONLINE

9 março 2017 JOSIAS DE SOUZA

RENASCE NO CONGRESSO ARTICULAÇÃO SOBRE CAIXA 2

9 março 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

ARAEL M. DA COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Caro Berto,

Fui tomar a “primeira” no Bar do Ferreirinha e lá me deparei com esse excepcional pronunciamento dessa, naturalmente, profunda conhecedora do metier – Gleisinha,

“Esse ano, o dia 8 de março será um dia de greve. Faremos greves nas escolas, em nossas casas, nas atividades domésticas, na área de trabalho, iremos fazer bloqueio de estradas, marchas e, inclusive, abstenção sexual”.

Gleisi Hoffmann, senadora do PT do Paraná, comunicando ao pais que, em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher, resolveu deixar o maridão Paulo Bernardo sem cama nem comida.

E me dei conta do quanto essa jovem deve ter inspirado o nosso Jorge Amado, para descrever a greve do ‘balaio fechado‘. Ela deve ter participado do evento, que quer reproduzir ou relembrar.

Aproveitando o ensejo (gostou do formalismo?) e sua “selfi seuvisse” me relembrou episódio que presenciei, nos anos ’50 (veja como estou rodado) em solenidade de encerramento de um campeonato nacional da classe Snipe (antigo barco à vela, de classe olímpica. Ainda existe uma flotilha, ai pelo Recife, na antiga praia de Venda Grande), realizado por aqui, nas águas mansas da praia de Tambaú.

Esse evento, que durou cerca de uma semana, teve como patrono e presidente de honra um almirante que ocupava lugar de destaque no comando de nossa Marinha, infelizmente submetido a seguidas noitadas de serestas e conversas de convés muito usuais nesse tipo de competição – grande confraternização nacional.

Ao encerrar o evento, em solenidade com a presença do Governador do Estado, o pobre do Almirante, completamente tresnoitado, falando aos presentes sobre um projeto que daria ‘status’ de reservistas navais a velejadores habilitados antes de completar 18 anos, que lhe era muito caro, viu-se traído pelo subconsciente e tacou a expressão “selviço militar“.

Talvez para elidir o escorrego do ilustre Comandante, o Capitão da Flotilha, conhecido por sua imensa verve e boemia, imediatamente levantou-se, de copo de cerveja à mão e retrucou: “O Almirante é selvido uma celveja?

Risos à parte e carranca do Governador presente, o ambiente desanuviou-se a a celveja do Almirante ficou apenas nas nossas lembranças, hoje muito poucos…

Um abraço reverente.

9 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

A MÃE-DO-OURO

Quando Berto propôs dar um nome às colunas que assinamos no Jornal da Besta Fubana (as que eram indicadas apenas pelo título de “A Coluna do Fulano de Tal”), me veio à mente uma expressão que conheci em minha cidade da infância, Lajinha, no interior de Minas Gerais: – Arco, tarco e Verva!

É uma expressão que, lá, queria dizer, mais ou menos, “põe tudo”.

A origem vem do sujeito que sentava no salão para fazer a barba e comandava ao barbeiro: – Arco, tarco e Verva, ou seja, para fazer a barba e passar “álcool, talco e Água Velva”, a “Verva”que era uma loção que se usava antigamente para depois de barbear, nem sei se ainda existe.

Esse indivíduo, sentado na cadeira do barbeiro, era um senhor exigente, que não queria um atendimento mínimo, queria serviço completo, como o indivíduo que pega a garota de programa e pede “cabelo e barba”.

A expressão pode significar “quero tudo!”, respondendo à pergunta “o que tu queres?”

Ou, ainda, um lugar onde tem de tudo (que pretendo ser o caso da minha coluna).

Aprovado o nome para a coluna, a partir de agora, pensei em, por assim dizer, inaugurá-la republicando um conto que tem suas origens naquela mesma cidade, de modo a estabelecer uma afinidade sutil entre nome, criador e criatura (bota sutileza nisso!).

Enfim, aí vai o texto, que espero que meus queridos leitores apreciem.

* * *

Estou voltando. Sinto o ar da minha terra, o cheiro familiar na brisa. O capim verde nos montes arredondados, os cupinzeiros, os anuns, os canarinhos-da-terra, tudo é como se jamais tivesse se afastado do meu dia-a-dia, como se os revisse de ontem, de anteontem, de todos os dias. O barulho dos bambus ao vento chama a atenção para o aumento da intensidade da brisa, que traz odores, perfumes, folhas, poeiras. Céu azul, ah! céu azul! Nuvens com beirais de prata e de ouro. Sol ameno. E o chão da estrada põe sob meus pés um contato de pedras redondas de tamanhos e formas conhecidas; uma poeira fina que resiste como um colchão de espuma de deliciosa maciez. Conheço tudo. Parece que o lugar e eu somos feitos da mesma matéria, temos o mesmo corpo e a mesma emoção.

Penso na cidade que logo verei, após uma curva da estrada, depois de uma ponte do pequeno rio pedregoso. A lembrança das casas brancas pequeninas, da torre da igreja caiada, das sinuosidades das ruas estreitas de terra batida ou de blocos de pedra, das copas das mangueiras dos quintais, ao longe, acelera-me o coração e faz-me quase sufocar de tanta ansiedade.

Agora, parece-me que o vento me leva. Bate-me às costas, empurrando-me como se tivesse pressa em retornar-me ao reduto amigo. Minhas pernas correm, algo trôpegas, mas não sinto seu movimento. Vejo-me nas asas da aragem, voando, deslizando, depressa mas suave.

Meu Deus! Quem sou? O que sou? Um pássaro, também? Como posso, agora, ver do alto o curso do rio, mas logo molhar meus pés em suas águas quase geladas, sentado no barranco úmido da margem? Como consigo não explodir de alegria, nem cair, de tanto estonteado, do dorso em pêlo deste animal suado que corre pelos campos, alucinadamente, e parece furar o espaço em cada salto sobre cercas e arbustos? Como posso ver-me, sim, a mim mesmo, de longe, passando com a fieira repleta de lambaris espelhados, pulsando de vida? Ou não serei, aquele, eu? Nem posso ter certeza. Na verdade, não consigo reconhecer nele a mesma pessoa que sou hoje. Não encontro, na memória, a seqüência de vida ligando um ao outro. Não somos a mesma pessoa. Tenho certeza.

Mas a memória me lembra daquele menino deslizando nas águas verdes do rio lerdo em seu insondável leito de lodo, pedra e areia. No bote calmo, abrindo um rombo esguio no dorso das águas, criando ondas espaçadas a perderem-se no roçar das ervas ribeirinhas. Na jangada roliça e escorregadia de bananeiras, os troncos verdes e brilhosos a rangerem nas embiras. Me lembra do contato fresco do chão da minha terra no meu corpo, da sensação levitante da rede suspensa nas goiabeiras, dos raios de sol por entre as folhagens, do cheiro de café, do fogão de lenha, das vozes queridas das pessoas amadas, do calor e do abrigo de seus corpos. Me lembra.

Mil anos! Mas foi ontem, é agora! E eu estou voltando, não sei de quando, nem de onde, nem bem por quê, para quem, para quê… Mas volto correndo, empurrado, como se voltasse para tudo, como se não tivesse ido, como se o tempo desmoronasse sobre si próprio no abismo do universo, reconstruindo-se e me refazendo, repondo-me como espectador de minha própria trajetória.

Duvido de saber ao certo como tudo aconteceu. Mas tenho a noção de saber que foi por causa da mãe-do-ouro.

Os outros meninos diziam que viam e eu não via nada. Mas eu dizia que também via. Alá! No fundo! Como ela brilha! É a mãe-do-ouro!

Agora, na estrada, eu tinha certeza de que estava de volta ao meu lugar. Por todo o mundo, onde estivesse, faltava-me um pedaço de bem dentro, talvez a própria alma, presa onde ficara enterrado o umbigo. Não é ali que ela fica? Por quê a sensação de ser estrangeiro em lugares onde construíra tantas vidas? Agora, na estrada, esperando desdobrar-se a curva do caminho para ver descortinar-se de dentro da paisagem, encravada no vale, a cidadezinha bonita, de sons alegres, antevejo-a, ou revejo-a, do alto, de cima da Pedra da Baleia, como um ente vivo, um bicho manso, descansado e amigo. Daqui, as casas são casinhas, as pessoas coisinhas que se mexem lentamente, sem formas definidas, muito embora dê para reconhecê-las a todas. Entre já, menino! As vozes chegam aqui como se produzidas pelo vazio, nascidas do nada. São palavras do vento. Ninguém parece dizê-las, mas elas chegam de longe, claras e ribombantes. Entra pra dentro! Como se em sintonias distintas, embora misturadas, chegam canções de algum rádio, latidos compassados dos cachorros, entremeados de risos e das batidas sonoras do martelo na bigorna do ferreiro. São sons de ferradura. Posso vê-lo batendo, moldando, o ferro rubro tirado com o alicate de dentro das brasas, vermelho como elas ao sopro do fole. O chiado dela na água não posso ouvir daqui. Mas sinto-o. E vejo-a emergindo da água ferruginosa do barril, em meio ao vapor borbulhante, pronta, a ferradura.

Quando subíamos o morro em direção à base da pedreira, parando aqui e ali para arrancar carrapichos dos cadarços ou para colher amoras pretinhas, alguém batizou-a Pedra da Baleia. Nada mais apropriado para uma gigantesca baleia de granito, de formas perfeitas, sobre uma imensa onda verde, o morro de pasto liso, de onde, por entre árvores escuras, a enorme montanha de pedra brotava, estendendo-se por quilômetros. Ninguém diria, assim, para ela olhando, que ela escondia um mistério. A certeza de com ele nos depararmos colocava-nos os corações às bocas. Mas, logo, distraíamo-nos ao correr da trilha, melando as meias no capim-gordura, impregnando-nos do ranço do seu cheiro.

Será que esta enorme lasca de pedra que desprendeu-se da montanha e escorreu até quase a sua base, retendo-se em grandes saliências e em outras pedras roladas, há tanto tempo que a vegetação esconde seus contornos, não irá, justamente agora, voltar a soltar-se, conosco dentro, soterrando-nos, esmagando-nos? Por quê não? Quem pode saber qual é o momento das coisas acontecerem? Não acontecerá, certamente, um dia? Amanhã? Em duzentos anos? Agora? Que dia terá fim esta caverna, tão certo como o apagar do sol, ou a explosão do universo?

Pois nada, nem esse medo, nem cobras, escorpiões, lagartos, nada demove-nos de esgueirarmo-nos por entre as pedras, para baixo, em direção ao brilho fantástico que repousa bem fundo, na escuridão mais estreita e inacessível da caverna. Ela! a mãe-do-ouro.

Volto depressa! Talvez ainda encontre a boiada espremida, de olhos arregalados, nas ruelas, empurrada pelos boiadeiros sobre cavalos inquietos, deixando atrás de si a rua viscosa de placas verdes, moles, cheirosas, espalhadas pelos cascos frenéticos. Se correr, quem sabe ainda me encontre a mim mesmo.

Não quero mais perder o ar úmido e gelado da madrugada enevoada, nas ruas desertas, silenciosas, escuras, alumiadas por fracas lâmpadas que se esforçam por sobressair entre as brumas, como estrelas raiadas. A noite fará de nossas vozes cristais límpidos e emoldurará canções lânguidas entoadas sob a sonoridade das cordas de uma viola.

Ouvirei de manhã a goteira que pinga, pinga, dos beirais dos telhados de telha de barro, anunciando dias e dias de chuva fina incessante? Tenho que correr!

O que vejo, ainda, é o menino com a fieira de lambaris e acarás cintilantes, pulsantes, adiantado à minha frente, e o que sinto é o vento voltando a tanger-me pressuroso pela estrada.

Só eu não vi a mãe-do-ouro. Mas não contei para ninguém. Não sei bem porquê. Não queria parecer bobo, pequeno. Quem sabe justamente por ser o menor da turma. Talvez isso me enchesse dessa coragem louca, que me faz agora subir sozinho esta montanha redonda, já na base da pedreira, passando por lugares tão íngremes que meus joelhos por vezes encostam no peito. Morro de medo. A entrada da caverna parece-me agora mais escura e maior, enorme. Os barulhos dos bichos rasteiros, do vento, da folhagem, dos grilos e dos pássaros, tão familiares, sobressaltam-me, assombram-me, apavoram-me. Tenho que subir para entrar. A abertura fica alguns metros mais alto que a base da pedra lascada que se desprendeu do resto da montanha e formou a câmara misteriosa. Entro e sinto-me fremir na mudança do ar quente e do corpo suado para o frescor pesado guardado dentro da pedra. Realmente, não é bem uma caverna. O chão é irregular, cheio de grandes pedras, poucos metros de largura, e a escuridão, que parecia total, desfaz-se ao acostumar da vista, deixando ver todo o ambiente. Aqui tudo é silêncio. Tenho que descer ao perigo, ao fundo, à pequena abertura da entrada da verdadeira caverna onde está a mãe-do-ouro, onde todos viram, admirados, a figura magnífica, descrita como uma luminosidade, como um brilho dourado, como um reflexo magnético de ouro, como algo, afinal, indescritível.

Agora eu quero olhar bem, procurar, tenho que ver. Desço ao fundo, ralando minhas pernas nas pedras, desprotegidas em calças curtas, ágeis de menino solto.

Meu espírito parece arrancado da caverna de volta à curva da estrada, avizinhando-se da entrada da cidade, mas reajo. Quero descer ao fundo. O vento volta a empurrar-me pelas costas, para a frente, depressa! Estou voltando! Como posso voltar sem nunca ter ido?

Minha cabeça chega à boca da entrada da morada da mãe-do-ouro. Olho a escuridão total. Vou-me enfiando mais fundo. O ar aqui me oprime, entra-me forçadamente pela garganta, pelas narinas, pelos pulmões.

Fofo-fofo-fofo-fofo. Lembro-me do trem-de-ferro no meio da estrada, parado, bebendo água, levando-me embora. A paisagem de puro campo é tão tranqüila, tão marcante, que nunca mais poderei esquecer este momento. A maria-fumaça descansa e fumega, soltando vapores, chiados, calores e odores. Agora, já vai. Fofo-fofo-fofo-fofo. Devagarinho. Fofo-fofo-fofo-fofo. Ai! uma faísca nos olhos. Ai! me queimei, mas não foi nada. Montanhas e mais montanhas. À noite, as fagulhas saindo da chaminé parecerão estrelas rolando na imensidão. Passarei horas fascinado, com este vento gelado enchendo-me os olhos dágua, crispando-me o rosto.

Ai, que vou; ai, que volto. Quero virar a curva da estrada, levantar-me desta pedra, retirar meus pés molhados do rio e seguir. Voltar.

Enfio a cabeça dentro do buraco da caverna e sinto-me arrastar, levado para longe.

Ai, saudades do meu galho, saudades do berço meu. Minha cabeça zune, meus cabelos se arrepiam, meu corpo vibra como o tinir do metal puro, como o soar do címbalo. Meus olhos procuram na escuridão do túnel a mãe-do-ouro, que só eu não vi. Mas agora pressinto-a. Um brilho fulgurante começa a aparecer ao fundo. Quanto aumenta sua intensidade, mais meu coração pulsa e minhas veias latejam. Meu corpo perde as proporções, desintegra-se, pulveriza-se. E eu a vejo! É linda, brilhante, púrpura, ouro e bonina, azul e prateada, onça e borboleta, sal e mel. Mergulho no seu abismo profundo e rodopio no espaço sem fim.

Para onde me leva que assim me arranca? Que estranha viagem, sem estrada, sem paisagem, sem o boi pastando através da janela? Ai, que a mãe-do-ouro me pegou. Mas é tão doce o seu canto, tão fina a sua voz, que sem querer assim me vou. Vou que vou-me, assim, embora, deixando tudo pra trás, arrastado por essas mãos cariciosas, pelo brilho desse olhar. Adeus, sonhos de menino, vãos castelos de ilusões.

Adeus, terra querida; adeus, pássaros; adeus, flores; até mais ver, ou nunca mais! Vou nos braços da mãe-do-ouro, sem pressa, sem resistir. Deslizo nos seus encantos, como pétala carregada mansamente pelas águas do rio.

Ai, minha terra. Minha terra, minha terra, minha terra tem palmeiras! Quero rever minhas serras.

Onde canta o sabiá?

Ali, por trás da curva da estrada, logo depois o desdobrar-se, que vem chegando, o vento às minhas costas, empurrando-me.

Meu Deus! Estou voltando!

9 março 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

9 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

DESEJO SATISFEITO

Minhas preces foram atendidas, meu desejo satisfeito.

Quer dizer, meu desejo foi satisfeito em parte, pois ainda continuo procurando um colunista zisquerdista pra defender Lula, Dilma, o PT e as zisquerdas de um modo geral, aqui nesta gazeta escrota.

Quanto à procura de um novo comentarista pra fazer parelha com Ceguinho Teimoso e Ideia Fixa, esta chegou ao fim.

Finalmente apareceu mais outro colaborador fubânico pra fazer a defesa da petralhada naquela base de relembrar as ladroagens dos outros gunvernos, sobretudo dos tucanos, e deixar de bandinha o maior escândalo de corrupção do Planeta Terra, segundo analistas estrangeiros.

Agora, além de CeguinhoTeimoso e Ideia Fixa, chegou o Poeta Renitente!

Vejam esta sequência:

A coluna “Comentário de Augusto Nunespublicou um texto onde se ocupava de erros crassos de português num manifesto dos zintelequituais petistas.

Então Poeta Renitente postou o seguinte comentário:

São por texto como este
Com sua arrogância ativa
Que explicam a decadência
E a forma nada atrativa
Que este ser transformou
O programa roda viva.

E este Editou perguntou:

E quanto ao mérito do texto, ao teor da postagem, num vai dizer nada não?

E o Poeta respondeu assim:

Grande mestre Berto, quando o Augusto Nunes escrever um texto onde ele critique o intelectual FHC por apoiar os seus asseclas do psdb por desviaram tanto dinheiro do metrô de São Paulo, por terem comprado os votos da emenda da reeleição, por não terem investigado das privatizações subvalorizadas e financiadas com dinheiro do bndes, quando ele denunciar as obras do aeroporto de Cláudio-MG, dos desvios e propinas de furnas, da sede do governo de MG etc, etc, etc… talvez o mérito do texto mereça algum comentário, sem isso o texto torna-Se inepto, ou seja, se resolve sem observação do mérito. 

Enfim, aquele velho e conhecido comportamento dos que tem bandidos de estimação, coisa que este Editor não tem.

Todos os assuntos citados pelo Poeta Renitente já foram alvo de cacetadas aqui no JBF.

Quem se der ao trabalho de fazer uma busca vai encontrar. Eu já fiz isto tantas vezes que estou cansado e de saco cheio.

Repito, sustento, afirmo e declaro: ladrões e corruptos levarão sempre cacete no lombo aqui nesta gazeta escrota.

Sejam eles da esquerda, da direita, do azul, do encarnado, do PT, do PSDB ou da PQP.

Atualmente baixo o cacete em Temer por duas razões: é o prisidente da vez (e eu estou sempre na oposição) e, muito pior ainda, foi eleito na chapa do PT ao lado de Dilma.

FHC e Lula, quando davam início ao seu prontuário, distribuindo panfletos na porta das fábricas,  juntinhos, solidários, lado a lado; e Bonitinho Cheira-Pó, brilhando no noticiário pulítico-corrupcional dos últimos dias; um trio autenticamente banânico

9 março 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)

NOSSO BRASIL NÃO MUDA

A matéria a seguir foi pescada no G1, coluna de Lauro Jardim:

“Em seu primeiro dia como líder do governo no Congresso, André Moura tentou aprovar um projeto de lei que considera prioritário: prorrogar o prazo para o acabar com os lixões no país.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010, estabeleceu que o lançamento de rejeitos in natura a céu aberto deveria acabar até 2014. O projeto começou a tramitar no mesmo ano do vencimento, tentando empurrar o prazo para 2021.

A votação do caráter de urgência estava na agenda da Câmara hoje, mas foi retirado da pauta. Na sessão, Rodrigo Maia garantiu que o requerimento será votado amanhã.

Se a urgência for aceita, Moura irá tentar um acordo no colégio de líderes para aprová-lo no plenário sem necessidade de discussões nas comissões”

Quem faz a coisa certa sofre punição por ter gastado tempo e recursos para cumprir a lei que normalmente é alterada para beneficiar os que a desrespeitaram. O próprio legislador, no caso acima líder do governo na Câmara, réu em três ações no STF, condenado em segunda instância por improbidade administrativa e acusado de tentativa de homicídio é quem propõe o perdão para quem desrespeitou a legislação desenvolvida pelo congresso que ele faz parte. Se não era necessário por que criaram a tal lei? Se é do interesse da sociedade, por que perdoar quem não cumpre?

Os lixões produzem impactos como degradação da paisagem natural; contaminação das águas superficiais e subterrâneas; contaminação e depreciação da qualidade do solo, além da propagação de ratos, baratas, mosquitos, bactérias e vírus, que são responsáveis pela transmissão de várias doenças como leptospirose, dengue, cólera, diarreia, febre tifoide, dentre outras. Os lixões não apresentam problemas apenas de ordem ambiental, mas também sanitária, social e acima de tudo econômica.

Insistir com a prática, não configura apenas como crime ambiental, mas um atentado contra a saúde pública. Apesar de tudo isso o grande deputado, líder do governo na Câmara Federal e com todas as qualificações mencionadas acima quer que nosso povo continue por mais sete anos convivendo com essa mazela. Provavelmente em 2020 o ilustre deputado enviará um novo projeto pedindo uma nova anistia para quem não estiver adaptado. Esse deputado está no lugar certo, ele representa muito bem o que é o Governo do PMDB de Temer.

9 março 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

SANDRO ARILSON ROSA – JOINVILLE-SC

Caro Berto, bom dia!

Como leitor assíduo deste arrazoado de notícias, besteiras, defesas lulo-dilmísticas incríveis (ops, desculpe a redundância), sugiro aos demais leitores que alcem novos vôos.

Digo isto, pois, acabo de passar por essa experiência lendo vários sites pró-esquerda como O Cafezinho, Diário do Centro do Mundo, Brasil 247 (o preferido do Google), Jornal GGN e claro, o melhor de todos: Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim (Boa noite… e boa sorte!!!…).

Estou decidido a abandonar os sites ditos de direita e me bandear pra’queles lados.

Lá a crise toda será resolvida tirando o Temer, o Padilha, a Grobo, mas nenhuma palavra sobre o Renan e os que concordam que a crise foi gestada, parida e amamentada nos governos do mais “onesto” e da gerentona de lojinha de R$ 1,99.

Lá o mais “onesto” é o candidato certo para corrigir todos os males causados pela Lava Jato, reerguer a economia deteriorada pelo bundão do Temer e seus “blue-caps” e claro voltarmos a ser uma potência econômica internacional, retomando os negócios com potências como Gana, Belize, Guatemala, Cuba, etc…

Enfim, lá é o Brasil de verdade, não essa república bananeira descrita aqui!!

Um abraço,

9 março 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)


http://www.musicariabrasil.blogspot.com
ALDIR E BOSCO, 70 ANOS

Hoje trago para os amigos fubânicos um bate-papo muito gostoso que tive com dois grandes entendedores da música popular brasileira. Nesta informal conversa tivemos como tema “Aldir Blanc e João Bosco”, ícones da nossa música e que continuam escrevendo histórias dentro de nosso cancioneiro.

O material foi feito para o Musicaria Brasil, espaço no qual iniciei em 2008 e que me veio abrindo portas ao longo destes anos, inclusive o Jornal da Besta Fubana.

Comigo estão mais dois pernambucanos: o primeiro é Jarbas Cavendish, pianista, compositor, arranjador e produtor musical. Radicado em Goiás, local onde está à frente de um exitoso projeto de extensão intitulado Banda Pequi, que já tive a oportunidade de apresentar aos amigos leitores aqui mesmo em outra oportunidade.

O segundo convidado é o nosso amigo Joaquim Macedo Junior, jornalista radicado há décadas em São Paulo e titular da coluna “Megaphone do Quincas“, publicada às terças-feiras aqui no JBF e que deu a origem ao livro “São Paulo, um Estado de emoções“, já apresentado aos amigos fubânicos aqui mesmo neste espaço.

9 março 2017 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)

9 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

FAZENDO RAIVA À DIPUTADA MARIA DA NOVENA (III)

Esta série é uma homenagem à diputada petralha Maria da Novena, a grande defensora dos Direitos dos Manos em Banânia.

Solicito aos nossos que leitores que mandem aqui pro JBF toda e qualquer notícia onde os bandidos se dão mal, são presos ou, melhor ainda, são eliminados.

Todas serão publicadas.

A banda decente da nação antecipadamente agradece a participação de todos vocês.

O vídeo abaixo foi enviado pelo leitor Zé Mané, da nossa querida Salvador-BA:

* * *

Xiuf, xiuf, snif, snif… este policial reacionário e direitista assassinou brutalmente um cumpanhero excluído, que estava em sua nobre prática de extorquir burgueses e redistribuir a renda…xiuf, xiuf, snif, snif…

9 março 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

9 março 2017 JOSIAS DE SOUZA

TEMER E DILMA LEVAM À INTERNET VÍDEOS ANTAGÔNICOS SOBRE O “DIA DA MULHER”

Michel Temer e Dilma Rousseff penduraram na internet mensagens sobre o Dia Internacional da Mulher. Os dois vídeos têm conteúdo antagônico. A presidente deposta subiu no caixote: “No Brasil, estamos na resistência contra o desmonte das políticas criadas nos nossos governos democráticos.” Seu substituto constitucional, como que adivinhando o que estava por vir, soou como se buscasse uma auto-imunização: “Nós estamos providenciando um fundo de combate a violência contra a mulher.”

No dizer de Dilma, Temer destrói “políticas feitas para enfrentar a violência, promover a autonomia econômica e assegurar direitos sociais a todas as mulheres.” Guiando-se por seus autocritérios, Temer faz da proteção às mulheres uma causa de vida: “Graças a Deus, eu tenho tido uma presença ao longo da minha história razoavelmente forte em relação ao direito da mulher. Basta relembrar que, nos idos de 1985, eu, secretário da Segurança Pública de São Paulo, criei a primeira Delegacia de Defesa da Mulher. […] Quando cheguei à Câmara dos Deputados, criei a Procuradoria Parlamentar da Mulher.” Absteve-se de dizer que, chegando ao Planalto, não nomeou uma mísera ministra. Pressionado, confiou duas pastas a mulheres, num total de 28: Advocacia-Geral da União e a recém-recriada pasta de Direitos Humanos.

Dilma realçou a natureza reivindicatória da data: “Em todo o mundo, as mulheres paralisam suas atividades pelo fim da violência de gênero, contra o racismo e todas as formas de discriminação. As mulheres vão às ruas contra os modelos econômicos neoliberais, que promovem a desigualdade e excluem as mulheres.”

A primeira presidente eleita e deposta no Brasil não se deu conta. Mas não há tantas mulheres nas ruas brasileiras. Em São Paulo, elas precisaram de um reforço das corporação dos professores para vitaminar uma manifestação contra a reforma da Previdência. Talvez tenham sido alcançadas pela recessão histórica resultante das barbeiragens econômicas da ex-gerentona do PT. Nunca antes na história do país o PIB amargara um tombo de 7,4% em dois anos. Muitas mulheres podem estar mais preocupadas em recuperar um contracheque que lhes permita encher a geladeira do que em pegar em lanças contra o neoliberalismo.

Enquanto cuida dos netos em Porto Alegre, Dilma avisa: “Nós vamos lutar contra o retrocesso, vamos resistir ao golpe e lutar pela democracia que nós construímos, com a participação de nós, mulheres, como protagonistas conscientes do nosso papel histórico. Estamos, sim, na luta por mais avanços e por uma sociedade sem preconceitos…” Temer, despreconceituosamente, enalteceu o trabalho da capitã Carla, comandante do avião presidencial. “Quando ela pilota, os aviões descem com mais suavidade. Isto significa a presença da mulher nas mais variadas atividades. Sempre com justo profissionalismo e com muito sucesso.”

Mais cedo, discursando em evento alusivo à data, Temer espantara a plateia. Em pleno século 21, ele dera a entender que o local onde a mulher desempenha o seu melhor papel é em casa: ”Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela [Temer], do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher.”

Quer dizer: considerando-se as poses feitas por Dilma e Temer, fica demonstrado que o oportunismo independe de gênero.

* * *

9 março 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

RACISMO, ESCRAVIDÃO E COTAS

Nossa! Como o nosso mundo melhorou!

Quando eu era criança, nunca tinha ouvido falar de racismo, de bulling e de outras coisas modernas que nem sei o que é.

Brincava na rua de bolinha de gude, de soltar pipa, carrinho de rolimã ou de nem me lembro mais do quê.

Lembro que, além do meu irmão, O meu companheiro de brincadeiras era o Telson , nunca me esqueci do amigo, nem do nome dele.

Ele era “preto”, eu era branco. Ele era pobre, eu era “rico”.

Brincamos muito, frequentamos nossas casas, tanto a rica quanto a pobre, e nunca percebemos que tínhamos diferenças.

Mudei de casa, passou o tempo, perdi o contato com o Telson.

Agora, eu seria o opressor que usou o poder econômico para se sobrepor ao negro oprimido, que se viu obrigado a aceitar o meu favor para que ele pudesse usufruir das migalhas deixadas pelo luxo dos brancos.

Saudade daquele Brasil, saudade da minha infância, saudade do Telson. Onde ele andará?

Com essa reflexão inicio o meu artigo. Vamos falar de racismo no Brasil?

Primeiro, vamos diferenciar raça de etnia. Raça humana é uma só, logo, falar em racismo seria o mesmo que dizer que algum indivíduo de determinada cor ou de determinada cultura não é humano. Mas tudo bem, vamos fazer de conta que existam raças humanas diferentes, ou então, não teríamos como falar em racismo, palavra “bonita” inventada pelos sociólogos e adorada pelo politicamente correto.

Racismo existe, mas existe de brancos contra negros, negros contra brancos, brancos contra brancos, negros contra negros e por aí vai. Basta olharmos para a África e para o Oriente médio que veremos do que estou falando.

No nosso País, antes do politicamente correto e das minorias controladas pela esquerda, como se negros aqui fossem minoria, não se falava em racismo e não se falava por uma razão óbvia, aqui não existe, ou não existia.

Se existe racismo, como explicar a maioria parda da população? Racista não se relaciona sexualmente com outra “raça”.

Nunca houve lugares em que só era permitido entrar pessoas com uma determinada cor de pele ou cultura, e se houve, foram exceções. E ainda não há… mas a esquerda criou o racismo. Apenas o racismo contra negros, o resto para eles não é racismo. O branco chamar um negro de criolo é racismo, o negro chamar um branco de branquelo azedo não é. Racismo reverso não dá voto. E não pensem os negros e outras ditas minorias que a esquerda quer a sua proteção. Querem apenas manipulá-los e conseguir sua militância e voto para o seu projeto de poder. Depois que conseguirem, jogarão vocês no lixo.

Apartheid era racismo, locais e transportes separados para whites e coloureds era racismo. Até lá fora isso acabou, aqui começou. Basta ver a política de cotas que nada mais é do que…racismo.

Mas e a escravidão? Bem, a escravidão existiu no mundo inteiro, desde que a raça humana dominou a Terra e, infelizmente, ainda existe, vide ISIS ou Boko Haram. É uma aberração e uma vergonha, apesar te ter sido culturalmente aceita na antiguidade.

Mas o racismo nunca foi fruto da escravidão, a escravidão é que foi fruto do racismo. Por que?

Basta ver como era feito o comércio de escravos para as américas? Os mercadores de gente conseguiam a sua “mercadoria” pelas mãos dos próprios africanos. Esses é que capturavam os escravos de outras tribos de etnia diferente. No início eram escravos na própria África até que surgiu a possibilidade de lucro ao vender os escravos para os mercadores brancos. Quem tiver um pouco mais de curiosidade, assista à serie Raízes.

Mas precisamos reparar o mal que fizemos aos negros. Só agora? Eles foram libertos em 1888.

E os negros que fizeram mal aos negros, também não têm que reparar?

Não foram só os negros das tribos escravagistas africanas que fizeram mal aos escravos brasileiros quando os venderam aos brancos, mas historicamente sabe-se que os negros alforriados, assim que conseguiam uma situação social e financeira melhor, compravam…negros escravizados. Quantos escravos tinha a famosa Xica da Silva? Sabe-se ainda que os temidos capitães do mato eram em sua maioria…negros. Que o proclamado e aclamado Zumbi dos Palmares tinha diversos escravos…negros, e também, pasmem, brancos.

Se ainda hoje os negros ainda têm uma situação social e financeira aquém da dos brancos, a culpa é justamente dos abolicionistas, aqueles liberais que brigaram pela causa enquanto ela existiu e, ao ser assinada a lei Áurea, foram para os bares comemorar e quem sabe achar uma outra causa, sem nenhuma preocupação com o destino dos libertos. Lembra alguma coisa?

Como quase tudo no Brasil, a abolição da escravatura foi feita de forma impulsiva e atabalhoada. Não houve uma política de desmobilização, educação e emprego.

A criação da política de cotas apenas cria um racismo inexistente e age como um paliativo para o que é, na realidade, a falência do ensino público básico e médio. Por que o branco pobre, que tem pouca renda, também não tem direito à cota? Por que não foi criada a cota para qualquer um que tenha baixa renda e não para A ou B? Por que o negro de alta renda tem que ter direito à cota? Resposta: racismo.

Ao contrário do que se propaga, as cotas não ajudam os negros, pelo contrário, humilham, roubam o seu voto.

Reparação é dar educação de qualidade a todos, negros, brancos, azuis, verdes; reparação e dar acesso à saúde de qualidade; reparação é melhorar a renda do trabalho; reparação é parar de roubar e desenvolver o Brasil.

Uma coisa é certa, reparação não é criar um racismo que nunca existiu ou um “dia da consciência negra”. Reparação não é criar mais uma separação com o nome pomposo de “apropriação cultural”.

O Brasil só precisa de uma coisa, vergonha na cara.

9 março 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

9 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

RELAÇÃO DAS COLUNAS

Informo ao distinto público que foi feita uma modificação na relação de colunas que está aí do lado direito do JBF, em ordem alfabética.

A partir de hoje, o nome do colunista virá antes do título da coluna, tudo em caixa alta.

Passem lá e confiram, por favor.

Conto com a compreensão de todos.

Abraços e uma excelente quinta-feira!

9 março 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
LEMBRANÇAS

O senhor Milton Olímpio da Silva, ao menos entre os mais íntimos, era conhecido como Papi. Quem foi Papi? Meu sogro, gente da melhor qualidade. Sua principal característica era falar, falar, falar. Adorava falar. E falava alto. O assunto sempre era detalhe menor. Bastava lhe dizer “bom dia”, e o papo estava garantido. Os mais escolados puxavam uma cadeira.

Para que incorporasse o “comandante” Fidel, não eram necessários mais que segundos. Em dia de garganta arruinada, coisa que nunca vi, a preleção era mais curta: de duas horas, em média. Quando lhe dava na telha, pedia licença e punha ponto final na prosa. Monocraticamente.

O pai, ao contrário, sempre foi quieto, recatado. Raramente, elevava o tom de voz. Mas não havia chance de lhe dizer “bom dia” e não receber algum incentivo, um conselho, um livro emprestado.

Dois loucos, dois estilos, dois mestres.

* * *

O pai nunca foi homem de farra, nunca teve muitos amigos. Gostava mesmo era de ler e reler seus muitos livros. E de fazer planos, ainda que já não tivesse mais condições de colocá-los em prática. Sempre foi um homem afável, mas sem tempo para, como se diz, jogar conversa fora.

– Por que o senhor não desce e vai conversar com outras pessoas lá embaixo, no jardim? Fica tão só…

Era o que sempre lhe perguntavam, a começar por minha irmã e eu.

E ele nos dizia:

– Não tenho nada contra ninguém, não. Tenho uma relação cordial com todos os que moram no prédio. Também não me sinto melhor ou pior que os outros. Mas o que tenho para lhes falar não é do interesse deles. A recíproca é verdadeira. E a vida é curta, filho. Nunca dá tempo para a gente ler o que precisava ler.

9 março 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

DON PABLITO – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Caro Berto

Enquanto eu caminhava pela calçada movimentada em São Bernardo, sabendo que estava atrasado para um compromisso meu olho caiu sobre um daqueles indigentes, sem-teto que são encontrados em cada cidade nos dias de hoje.

Algumas pessoas se viravam para olhar. Outros rapidamente desviavam o olhar como se a visão fosse de alguma forma contaminá-los.

Recordando meu velho pai, que sempre me admoestou para cuidar dos doentes, alimentar os famintos e vestir os nus, eu estava movido por algum poderoso impulso interior para chegar a essa pessoa infeliz.

Vestindo o que só pode ser descrito como trapos, carregando toda sua posse mundana em dois sacos plásticos, meu coração foi tocado pela condição dessa pessoa.

Sim, onde algumas pessoas viram apenas trapos, eu vi uma verdadeira beleza escondida.

Uma pequena voz dentro da minha cabeça gritou: “Estenda a mão, alcance e toque esta pessoa!”

EU FIZ

Acho que vou passar um certo tempo no hospital me recuperando.

9 março 2017 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO

MEU MUNDO CAIU

Maysa

“Eu somei muita coisa, ensinei muitas coisas. Só não ensinei a mim mesma” (Maysa Matarazzo)

Lançada em 1958, a canção MEU MUNDO CAIU,de autoria da diva Maysa Matarazzo, foi considerada o maior sucesso daquele ano. De tradicional família de classe média alta, a saudosa cantora nasceu em 6 de junho de 1936. Casou-se aos 18 anos com o empresário André Matarazzo, quase 20 anos mais velho, e quando dele se desquitou, em 1957, passou a usar o sobrenome de solteira Figueira Monjardim.

Começou a cantar e a tocar piano na adolescência, em festas de familiares, quando também começou a compor.

Além de MEU MUNDO CAIU, e OUÇA Maysa compôs inúmeras canções no estilo, sendo essas duas as mais famosas. com letras e músicas de sua autoria.

O belo timbre de Maysa era melancólico e triste, e combinava perfeitamente com o gênero fossa ou samba-canção. Esse gênero, comparado ao bolero pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor fracassado, foi chamado também de dor-de-cotovelo ou de música-fossa. O samba-canção surgiu na década de 1930, antecedendo o movimento da bossa nova (surgido em 1958), Maysa também aderiu a esse novo estilo, que deu mais leveza às melodias e interpretações em comparação ao samba-canção, tornando-se uma de suas principais divulgadoras em diversos países, tendo se apresentado na França, Argentina, Estados Unidos e Portugal. Cantora e compositora de sucesso gravava suas próprias músicas. No início da década de 70 passou a dedicar-se ao teatro e televisão, participando da novela “O Cafona” da TV Globo em 1971, tendo inclusive composto o tema musical do personagem central.

Artista de grande sensibilidade soube dosar com magníficas interpretações músicas de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Newton Mendonça, Aloysio de Oliveira, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Luis Bonfá, Denis Brean e outros.

A partir de 1971, a cantora vivia isolada em sua casa de praia em Maricá, sofrendo de depressão. No fim da tarde do dia de casamento do seu filho, em 22 cd janeiro de 1077, pegou seu carro e foi para Maricá, quando um acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói deu fim a sua vida.

Minha voz e interpretação são completamente diferentes da voz rouca e ao mesmo tempo aveludada de Maysa. Sem nenhuma tentativa de imitá -la, por ser isso impossível e também porque eu não o faria, mesmo se pudesse, canto para vocês essa pérola que é MEU MUNDO CAIU.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

(Produção e arranjos são do talentoso músico Marcos Vampa. Mix teve a participação do também talentoso músico e produtor Diego do Valle (eles podem ser encontrados no Facebook).

DISCOGRAFIA
Os Grandes Sucessos de Maysa 195 – A Música de Maysa 1960 – Ternura… É Maysa 1965 – Eu Não Existo sem Você 1969 – A Personalidade de Maysa Dois na Fossa – Maysa & Tito Madi -1975 – Para sempre Maysa 1977 – Bom É Querer bem 1978 – Retrospecto vol. 3- 1979 – A Arte do Encontro – Vol. 4 1981 – Presença de Elis Regina e Maysa – Convite para Ouvir Maysa 1988 – Demais 1989 – Maysa por Ela mesma – 1991- Tom Jobim por Maysa 1993- Maysa – 1996 – Bossa Nova por Maysa 1997 – Maysa 1998 – Simplesmente Maysa 2000 -Quatro em Um – Volume 13 2001 – Retratos – 2004 – O Talento de Maysa – Novo Millennium 2005 – Grandes Vozes 2007 – Maysa – Quando Fala o Coração 2009 – Super Divas 2012.

9 março 2017 FULEIRAGEM

MOISÉS – BLOG DO MOISÉS

9 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

ENSINANDO O BOM CAMINHO

Ontem, Dia da Mulher, o noticiário deu um bom espaço pras agressões e violências físicas que são praticadas contra as fêmeas.

Me lembrei da história contada por um sobrinho meu, que trabalhava na Delegacia da Mulher, em Brasília.

Ele disse que trouxe até a delegacia um sujeito que havia dado uma surra na companheira.

Frente a frente com a delegada, o cabra fez uma curiosa defesa do seu comportamento:

– Mas doutora, se eu não dar uns tapas nela, ensinar as coisas certas e botar ela no bom caminho, quem é que vai fazer isto???

Vôte!


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa