ALINE BERTO – RECIFE-PE

Berto,

hoje, dia 12 de março, é aniversário das duas cidades irmãs.

Recife completa 480 anos. E Olinda, 482.

Estou mandando minha homenagem às duas em forma de música:

1) Recife, manhã de sol, um frevo-de-bloco de J. Michiles, interpretado pelo Coral do Bloco da Saudade.

2) E o poema Olinda, do poeta Carlos Pena Filho, musicado por José Antonio Madureira e gravado por Geraldo Maia.

R. Meu amor, depois de você e do João, Recife e Olinda são as outras duas paixões da minha vida.

E João é olindense de nascimento!

Foi lá que você deu ele à luz.

Neste poema de Carlos Pena Filho, intitulado Olinda, que Antonio Madureira musicou, tem um verso que acho fantástico.

É este aqui:

“Olinda é pra os olhos
Não se apalpa
É só desejo
Ninguém diz
É lá que eu moro
Diz somente é
Lá que eu vejo.

Coisa genial de um poeta talentoso.

Um beijão, neguinha!

E feliz aniversário pra estes dois queridos recantos de mundo, estas duas irmãs que embelezam nossa beirada de Atlântico.

12 março 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)


A SÁBIA SABIÁ – E O SERTÃO QUE VIROU MAR

Sabiá e sua maravilhosa coloração

De novo volto ao sertão. Volto com dois assuntos: um, nostálgico, relembrando os bons tempos da infância inocente; as “caçadas” com a baladeira; as vigílias com as arapucas de pegar sabiás; as retiradas dos filhotes dos ninhos para a criação nas gaiolas feitas de talos e palitos de coqueiro ou, ainda, as armações com talos de carnaubeira.

Infância pura. Infância construtiva, obediente, respeitosa – e sem a frescura de achar que Pai e Mãe é só para dar comida e não tem direito de, quando entender como necessário, punir com uma boa sova.

Tempo em que quase todos tinham lá seus apelidos, e ninguém conhecia essas babaquices de bulliyng inventadas e adotadas por uma sociedade que mais destrói que constrói. Coisa de idiotas que andam rápido na direção da autodestruição.

E, falar do meu sertão, do meu passado, deixando Vovó de fora do assunto, é a mesma coisa que dar bom dia para surdo ou achar que limpa o fiofó com papel higiênico (foi Vovó, que faleceu nos anos 70, quem me disse que, ânus não se limpa com papel nem com sabugo de milho, lava-se com água. E, repito, ela jamais frequentou uma escola.

Pois é. Alguém suja a mão com merda, e corre para lavar com sabonete e desinfetar com álcool. Mas, o ânus, ele acha que “limpa” com um pedaço de papel.

Vovó me ensinou quase tudo que sei. Eu só poderia adorar uma mulher como essa. Foi ela quem me ensinou a contar os dias que uma ave nasce, quebrando o ovo e saindo para a vida. Foi ela, também, quem me ensinou a armar e desarmar uma arapuca e qual a malha apropriada para pegar sabiás e outros pássaros. Me ensinou a armar a arapuca com “isca” de melão São Caetano maduro – que os sabiás adoram. E, me ensinou mais: quando o sabiá “cai na arapuca”, se demorarmos para recolher, a cobra vem e come.

Certo dia ela conseguiu me mostrar que sabiá é tão inteligente quanto o xexéu ou a graúna. Sabiá aprende tudo e, naquelas paragens havia uma que aprendera a “desarmar” a arapuca. Ela banhava em algum lugar e, posando sobre a arapuca, se sacodia toda para secar as penas e acabava “desarmando” a arapuca. Era uma sabiá muito sábia. Coisas da vida no sertão.

* * *
 

A fila da água – só quem “precisa” sabe o que isso significa

A água, aprendemos na escola, é um bem comum. Mesmo no nosso Brasil capitalista, ainda existem milhares de lugares onde não se paga para ter água potável e de qualidade. Nas nascentes das serras por exemplo e nas fontes naturais. A água que se paga é a água “tratada” quimicamente ou a água mineral e engarrafada em vários tipos de vasilhames.

Nenhum ser vivo consegue viver sem água. O homem, o animal, a ave e as árvores. Todos precisam de água.

Uma das maiores necessidades das regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a água. Há muitos anos essas duas regiões sofrem com a escassez desse bem comum – ainda que se saiba da existência de lençóis subterrâneos em Estados onde a escassez é mais acentuada. No Piauí, por exemplo. No Vale do Gurguéia, os lençóis subterrâneos são tão fortes que tem sido difícil pensar em canalização.

A agricultura precisa de água. Por anos, essas duas regiões enfrentam dificuldades com a seca que acaba por provocar o êxodo rural. A dependência maior tem sido das chuvas, escassas, provocando anualmente o fenômeno da estiagem e da seca.

Independentemente de quem seja o “pai” do filho bonito e útil, depois de uma longa espera e custando verdadeiras fortunas, a transposição das águas do Rio São Francisco começa a chegar para atender as principais necessidades dos seres humanos e, agora, dos animais e da agricultura. Certamente diminuirá o êxodo rural.

Na sexta-feira, 10 de março, um dia depois da cerimônia com o presidente Michel Temer (PMDB) para a chegada da água da Transposição do Rio São Francisco à Paraíba, o primeiro estado beneficiado pelo projeto, foi reaberto mais um canal de disputas partidárias e acusações que não levam a lugar nenhum. A obra no eixo leste começou em 2007, no segundo mandato de Lula, com o objetivo de ser entregue três anos depois. Ao todo, foram investidos até agora mais de R$ 8 bilhões.

O eixo leste capta água do São Francisco em Floresta, no Sertão pernambucano, e passa por 217 quilômetros de canais até chegar ao açude de Poções, em Monteiro, onde 33 mil pessoas devem ser beneficiadas. De lá, vai pelo Rio Paraíba até Campina Grande, para atender mais 400 mil pessoas. Ato todo, o objetivo é de levar água às torneiras de 12 milhões de nordestinos – além de Pernambuco e Paraíba, no Ceará e no Rio Grande do Norte.

Finalmente, chegou o dia do sertão virar mar.

12 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

CARANGUEJO DANADO

Um remelexo de autoria do rabequeiro alagoano Nelson dos Santos, o Nelson da Rabeca, que hoje, dia 12 de março, está completando 88 anos de vida.

12 março 2017 FULEIRAGEM

MOISÉS – BLOG DO MOISÉS

O NÊGO DA POMADA

(Pra Rael de Simão e Valmir de Vamberto, gente da Prata)

Chegou lá pela Prata na Paraíba, há uns cinco anos atrás trazido e vindo só Deus sabe de onde e por quem.

Era um negro roliço de mocotó grosso, bucho empinado e um indicativo de gente andada:

Um chapéu preto com aba pequena e uma peninha de pavão do lado esquerdo.

Numa velha Belina marrom, ano setenta e pouco com um alto falante de difusora no teto e um microfone enrolado num farrapo de flanela vermelha onde gritava os milagres do produtos que vendia.

Em latas vazias de vick vaporube, espoleta picapau e até de graxa  de sapato usadas que comprava por aí afora, colocava porções de uma pomada milagrosa,  que dizia ser ser um peixe da Amazônia chamado piraquê o famoso  peixe elétrico.

Pomada milagrosa que curava de mal do monte, passando por reumatismo e até espinhela caída.

Mas na verdade era sebo de gado que adquiria nos açougues da região, derretia e botava dentro das latas.

O nego era jeitoso pra enganar os matutos.

Espalhava as latas em cima de um pano florado no capuz da velha Belina, misturadas com fogos de artifíco que também comercializava e com a difusora e muita saliva ia “lascando’ os pobres matutos doentes ou não.

Mas o negão tinha outros planos pra ampliação do negócio.

Foi quando  ele encontrou lá no mercado da Prata, um galego magro e sarará feio de quebrar resguardo de raposa, chamado Galêgo de Inaça Calú, tava ali o homem certo.

Depois de alguns “pingos de solda” os dois acertaram uma nova empreitada que essa sim ia render uma boa grana pros dois.

Aí o negão mandou embora um aleijado e um anão que lhe faziam companhia  e começou a  investir no galego pra sua nova empreitada.

Mas não podia ser lá na cidade do galego por que poderia despertar alguma desconfiança.

Foram estrear a novidade na vizinha Sumé, na feira de lá.

O negócio foi o seguinte, o negão comprou  um pedaço ainda sangrando de fígado de boi, e botou num lado do queixo do galego depois enrolou com uma tira  de pano branco fino cobrindo toda a cara do desgraçado, só deixando os olhos, os buracos da venta e a boca de fora.

Até as orelhas ficaravam cobertas.

Tinha que ficar também aparecendo um pedaço de figado preto pra impressionar os circunstantes simulando uma doença muito feia na cara daquele coitado vivente.

Quando o sangue do fígado começava a coagular, o negão tacava uma colher de óleo de salada pra poder escorrer e empapar o pano.

Aí o galego entrava na Belina  ficava sentado todo tronxo, com as duas mãos apoiadas nos joelhos, no que restava do banco traseiro já ocupado com o butijão de gás que servia de combustível  pro carro e o negão, com no microfone fazia o resto.

– “Venha” ver meus amigos o sofrimento desse rapaz e ajudem em nome de Deus.

Nos intervalos ainda achava pouco e botava no ar a música “Noite traiçoeira” com o padre Marcelo Rossi.

Aí chovia dinheiro dentro da Belina.

Os matutos que morrem de medo de doença feia, perguntavam :

– É “cance”?

O negão tampava com a mão o microfone e respondia baixinho:

– É.

Algumas mulheres chegavam mais perto:

– E isso pega moço ?

– Diz o povo que sim .

– Vige Maria, vem olhar fulana!

Outras não tinham coragem de se aproximar e jogavam o dinheiro de longe.

E o caixa dos dois engordando de feira em feira, de cidade em cidade.

Até que um dia o galego contestou a partilha das ofertas e partiram pra briga com ameaça de contar tudo pra polícia.

Aí anoiteceu e não amanheceu.

O  mundo abriu e fechou com o Negão da Pomada.

Até hoje…..

12 março 2017 FULEIRAGEM

MICHELÂNGELO – CHARGE ONLINE

12 março 2017 DEU NO JORNAL

UMA LEI MUITO IMPORTANTE

O presidente Michel Temer sancionou nesta quinta-feira (9) a lei que confere à cidade de Blumenau, em Santa Catarina, o título de “Capital Nacional da Cerveja” em cerimônia no Palácio do Planalto.

Blumenau foi colonizada majoritariamente por imigrantes alemães que instalaram na região diversas fábricas de cerveja.

Todo ano no mês de outubro é promovido na cidade o festival Oktoberfest, voltado à bebida, como acontece há mais de 180 anos na Alemanha.

* * *

Até que enfim o nosso parlamento federal aprovou uma lei que tem serventia, devidamente sancionada pelo prisidente de Banânia.

Uma lei que deve ser festejada por nós outros, os bebedores banânicos.

Festejada até mesmo por um cachacista feito eu, em compulsória abstinência por ordem do meu cardiologista, Dr. Sérgio Azevedo.

Na foto abaixo, Michal Cara-de-Tabaca aparece se inxirindo no meio das encantadoras moças catarinenses.

A que está à esquerda dele é mais comprida do que um dia de fome.

Que mulé grande que só a gôta serena.

Vôte!!!

Aproveito a oportunidade pra informar que, do dia 1º de janeiro até a data de ontem, 11 de março, esta gazeta escrota foi acessada 478 vezes em Blumenau, segundo dados do Gooble Analytics.

Um grande abraço pra todos os fubânicos dessa linda e progressista cidade catarinenses.

* * *

A bela Blumenau, localizada a 130 km de Curitiba e com uma população de 334.002 habitantes

12 março 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – SUPER NOTÍCIA (MG)

12 março 2017 DEU NO JORNAL

A HORA DA VERDADE

Carlos José Marques

Aproxima-se o dia do grande julgamento, o dia do “Juízo Final” para a classe política que soube se lambuzar nos financiamentos ilegais de campanha, que transformou estatais em meras centrais de desvios de recursos para um projeto de poder liderado pelo PT, que estabeleceu uma relação promíscua com empresas privadas, que sistematizou a corrupção como um plano estruturado e diabólico para enriquecer figuras da patota e destruir o País. Aproxima-se o dia do apocalipse condenatório quando muitos, diante do tribunal, terão de expiar seus pecados e serão punidos a arder, por meses e anos, nos porões dos calabouços e unidades prisionais de Norte a Sul do Brasil. A bíblica passagem dos profetas se encaixa como uma luva para uma laia de políticos – a grande maioria – que povoa Brasília, estados, capitais e arredores e que, de uns tempos para cá, não pensa em outra coisa que não o flagrante de seus delitos.

Contam-se às centenas. Muitos não dormem mais, à espera da convocação. Chega a hora do veredicto. Da conclusão de inúmeras investigações, provas, delações e evidências. Chega a hora do confronto dos personagens, corrompidos e corruptores, vendilhões do templo que afrontaram crenças e economias do povo. Devido a práticas escabrosas e interesses inconfessáveis os artífices dessa máfia organizada estão a um passo do cadafalso. E sabem disso. Vivem momentos de tormento. Suas agendas, declarações e conversas estão voltadas para a defesa prévia. Chega a hora dos diáconos e consagradores das propinas, das negociatas imorais e do deplorável esquema de “ganha-ganha” prestarem contas por ludibriarem eleitores com promessas populistas enquanto aparelhavam o Estado com saqueadores do Tesouro – arrivistas e aventureiros que, quase, destruíram a Petrobras, o Banco do Brasil, o BNDES, a Caixa Econômica e os Correios, patrimônios nacionais.

O ex-presidente Lula encara as barras da Justiça já nesta semana, na condição de réu, por tentar comprar o silêncio do ladrão confesso, Nestor Cerveró. Volta a ficar frente a frente com um juiz algumas semanas depois, em Curitiba. Dessa vez o próprio Sergio Moro, paladino da Lava-Jato, vai sabatinar Lula. É o início do seu calvário que ainda se arrasta em inúmeras frentes e deve torná-lo inelegível por enquadramento na Lei da Ficha Limpa. Seu ex-ministro, José Dirceu, recebeu dias atrás mais 11 anos de cadeia (somados a outros 21 anos) e não deve acabar por aí. As penas em cascata podem levá-lo a passar o resto dos dias na cadeia. O ex-governador Sergio Cabral virou réu pela sexta vez na inacreditável condição de negociar diretamente suborno para si próprio, da ordem de US$ 3 milhões, em pleno Palácio Guanabara.

É o fim do mundo!

Estão abrindo a caixa de Pandora. Das 77 delações da Odebrecht, as primeiras começaram a vir a público e são de estarrecer. Uma bolada de mais de R$ 10 bilhões foi distribuída de forma ilícita para agentes do governo, senadores, deputados, governadores e agregados que atendessem às demandas da companhia. Quase 14 anos de dilapidação das finanças públicas remontam a herança deixada pelo Partido dos Trabalhadores enquanto esteve no poder. E ali está demonstrado. O ex-ministro Palocci, que se projetou como braço-direito da economia de Lula e, a seguir, realizou préstimos a Dilma, surge identificado como o “italiano” que barganhava o esquema para a esquadra petista. O tesoureiro de campanha, João Santana, que levou em caixa dois, ilegalmente, outros milhões de dólares para vender falsas promessas de Dilma, teve confirmado seu codinome de “feira”. E Lula, pela proximidade com os gestores da propina, aparece classificado como “o amigo”.

O departamento operacional da grana que bancou essa “suruba” – para tomar por empréstimo uma expressão que assumiu novos traços na visão do senador Romero Jucá – vem tratado pejorativamente como “setor trepa moleque”. Parece brincadeira! Mas configura a real dimensão dessa epopeia de falcatruas. A engenharia completa de seu funcionamento deverá ser delineada em detalhes após a abertura dos inquéritos que o ministro Janot vem solicitando ao Supremo. Espanta, agride o senso comum e coloca por terra qualquer critério de escrúpulos o que foi feito por essa turma. Não houve o monopólio da corrupção por parte do PT. Mas foi ele quem profissionalizou e incorporou a prática como método de governo. Nunca se viu nada igual – e os brasileiros esperam nunca mais voltar a ver novamente.

12 março 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

12 março 2017 FERNANDO GABEIRA

A AGONIA DO SIGILO

O WikiLeaks disparou a bomba mais potente da semana: a revelação de um instrumento da CIA para invadir telefones, tablets e televisões conectadas à internet. Ao mesmo tempo que notícias como essa mostram a vulnerabilidade da privacidade do indivíduo, elas revelam também como o sigilo estatal está cada vez mais ao alcance da sociedade. E a ferramenta da CIA e todos os seus usuários têm em si mesmos uma forte proteção, é um sigilo que a alta tecnologia torna mais recôndito.

Aqui, no Brasil, num nível mais artesanal, o sigilo oficial em torno dos depoimentos dos dirigentes da Odebrecht foi um fracasso de crítica, mas um sucesso de público. Uma análise antecipada mostraria que o sigilo não iria sustentar-se. O melhor era abrir tudo, com todas as letras. Em primeiro lugar, porque dissipa dúvidas e neutraliza interpretações de má-fé. Em segundo, porque se pode fazer um trabalho mais didático, como o fizeram as autoridades norte-americanas e suíças.

Um dirigente da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, revelou que a empreiteira pagou R$ 10,5 bilhões em propinas a políticos de 2006 a 20014. Um dado fundamental.

Mas tanto nos EUA como na Suíça, para que todos fossem mais inteligíveis do que um simples vazamento, existiu a preocupação de mostrar o quanto a Odebrecht lucrou com esse dinheiro investido em propinas. Se a informação chegasse completa aos brasileiros, com as duas colunas, a julgar pelos índices suíços de um dólar de propina por quatro de lucro, a Odebrecht, na verdade, recebeu em troca dos R$ 10,5 bilhões cerca de R$ 42 bilhões.

A planilha, mais uma vez, vem cheia de apelidos sonoros. “Amigo” é um deles. Já se dizia que “amigo” era o Lula. Mas agora a afirmação vem de delator da empresa diante de um ministro do TSE. Lula afirma que não existem provas de que ele seja o “amigo”. Quando forem comparados os dados de Curitiba com os obtidos pelo TSE, ele terá de encontrar uma resposta mais elaborada.

Como a eventual candidatura de Lula poderá sobreviver depois da avalanche dos fatos? Se ela deixar de ser competitiva, neutralizará a alegação perseguição política.

De certa maneira, alguns lances de 2018 estão sendo decididos pela tática suicida da esquerda. A julgar pelas eleições municipais de 2016, é possível que no Brasil, por um caminho muito mais vergonhoso, se chegue a um cenário parecido com o da França, onde a esquerda se desgastou tanto que não deverá chegar ao segundo turno. Das correntes de direita que se habilitam, uma delas sempre tentará ocupar o espaço do populismo, das soluções simples, da exploração do ressentimento.

Quando menciono esse cenário, sei que irrito interlocutores de esquerda e de direita, porque estou subestimando o potencial do PT e de seus aliados, como o PCdoB e o PDT, cujas eleições também eram financiadas pela Odebrecht, segundo os delatores. Mas, na verdade, é apenas uma tentativa de imaginar um pouco a paisagem depois da batalha. No momento, o que vejo são dois contendores: uma avalanche de fatos e uma força política decidida a negá-los. Qual deles vai atropelar o outro?

É difícil esconder os fatos, embora exista a tentação de atropelá-los, fugir para o território das narrativas, dos fatos alternativos, da pós-verdade. Falsas notícias, lendas urbanas, teorias conspiratórias brotam com facilidade num mundo conectado. Mas quando se trata de um esquema de corrupção que desviou dos cofres públicos uma soma talvez maior que o déficit do Orçamento nacional de R$ 136 bilhões, o País precisa saber a verdade.

Li que Janot decidiu manter sob sigilo os dados das delações sobre corrupção em outros países. Por quê? Não podem ser públicos aqui, se certamente serão divulgados no continente?

A corrupção lá fora tem relação com o Brasil, pois a BNDES financiava a Odebrecht. Ainda não sabemos precisamente o que aconteceu no banco estatal na sua longa e extensa parceria com a Odebrecht e outras empresas. Se houvesse um Parlamento menos estranho que o nosso, os deputados teriam convocado a presidente do BNDES para cobrar dela um relatório sobre seu papel nessa história.

Tudo indica que, no fundo, a Odebrecht usou também o dinheiro de um banco oficial para corromper autoridades estrangeiras. Nada melhor que os fatos para confirmar ou desmentir essa tese.

O governo Temer não compreendeu ainda a importância disso ou quer esconder os dados do BNDES. Aliás, Temer parece também não entender o quadro ao afirmar que o prejuízo causado pelo PT foi incalculável. Um pequeno grupo de trabalho com a máquina de somar dispensaria o adjetivo e traria um pouco mais de precisão. A não ser que Temer se refira a um quadro mais amplo que o da corrupção e o incalculável aluda também ao mundo simbólico dos valores.

Em termos econômicos, os números da corrupção estão aí, soltos, porém sob controle, como um animal doméstico: basta chamá-los que eles aparecem na sala.

A contabilidade não se esgota nos ganhos fabulosos das empresas envolvidas no esquema, nem na parte do leão que coube ao PT. Ela se estende aos pequenos e ao grande aliado do partido, o PMDB. E, em escala menor, ao PSDB e ao DEM. Mesmo no quadrilha montado por Sérgio Cabral não se sabe ainda o quanto de recursos federais foi devorado no jogo de propina e superfaturamento.

A Odebrecht pagou R$ 6,7 bilhões num acordo de leniência. Mas ele foi feito com todas as delações avaliadas, houve um cálculo real de quanto ela ganhou? Só uma medida provisória comprada pela Odebrecht, a 460, teria dada a ela R$ 2 bilhões. E a cesta de compras da empresa era muito variada, como também abundantes as ofertas no sistema político transformado em balcão de negócios.

Apesar de estar vendo o essencial, continuo me sentindo como se estivesse olhando uma cena pelo buraco da fechadura, por meio dos vazamentos. Esperando a porta se abrir.

12 março 2017 FULEIRAGEM

BRUNO AZIZ – A TARDE (BA)

12 março 2017 DEU NO JORNAL

VIVEMOS A HORA E A VEZ DA GUABIRUTAGEM PMDEBAICA

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, recebeu da Odebrecht pelo menos quatro senhas para o pagamento de caixa 2 ao PMDB, segundo informou o ex-executivo José de Carvalho Filho em depoimento prestado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta sexta-feir, 10. As senhas eram as seguintes: Foguete, Árvore, Morango e Pinguim.

Carvalho afirmou ao TSE que Padilha intermediou o pagamento de caixa 2 para o PMDB. Padilha acertou locais de entrega do dinheiro da empreiteira mediante senhas trocadas com o ex-executivo. O valor total destinado ao PMDB chegou a R$ 5 milhões, dos quais R$ 500 mil teriam sido destinados ao então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

José de Carvalho Filho procurou o peemedebista para solicitar os endereços onde seriam entregues as quantias. Padilha forneceu os endereços repassados para a ex-secretária Maria Lúcia Tavares, que atuava no setor de propina da Odebrecht. Era Maria Lúcia a responsável por criar senhas que seriam entregues posteriormente por José de Carvalho a Padilha.

O depoimento do ex-executivo foi feito nesta sexta-feira (10), no âmbito da ação que apura se a chapa de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger em 2014.

José de Carvalho afirmou que, para entregar as senhas, esteve com Padilha pelo menos quatro vezes. 

Um dos locais indicados por Padilha foi o escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor de Michel Temer. Esse pagamento foi realizado no dia 4 de setembro de 2014.

* * *

Eliseu Padilha é, nada mais, nada menos, que o ministro-chefe da Casa Civil de Temer.

Seguramente, a Casa Civil é o posto mais importante e estratégico da administração federal.

Um posto do chamado “núcleo duro”, cujo titular despacha diariamente com o presidente e tem sala ao lado da dele.

Só isto. Apenas isto. Nada mais que isto.

A canalhice domina Banânia de ponta a ponta, de norte a sul, de leste a oeste.

E, em falando de canalhice, vemos fechar esta postagem ouvindo um samba bem balançado, pra esfriar a cuca diante de tanta notícia fela-da-puta

12 março 2017 FULEIRAGEM

JULIO – CHARGE ONLINE

 

É COR-DE-ROSA CHOQUE

M de Michel, M de Marcela, M de Michelzinho, M do comando político do Governo. Só M, M de machos – que não entendem nada do M de mulher.

Michel Temer, como Dilma antes dele, não pode ver ninguém comendo banana na outra calçada sem atravessar a rua para ver se escorrega na casca. Teve tempo para elaborar um discurso memorável, mas preferiu a fórmula das revistas femininas da década de 1950, privilegiando o bom desempenho doméstico.

Temer até que fez coisas, há muito tempo, para ser bem lembrado pelas feministas. Criou, por exemplo, as delegacias da mulher, que de São Paulo se espalharam pelo Brasil. Mas os maus hábitos com relação a mulheres são comuns entre os políticos. Quando a ministra Ellen Gracie foi sabatinada no Senado, houve parlamentares que elogiaram seu porte, sua elegância, suas roupas. Alguém se lembrou de comentar os ternos e o porte do ministro Alexandre de Moraes?

Pior ocorreu quando Sylvia Kristel, a bela estrela do filme Emmanuelle, visitou o Congresso. Parlamentares de idade avançada, cabelos mal pintados, babavam diante da atriz. Um deputado, olhando para ela, levou um tombo.. E qual era a participação de Sylvia Kristel na política? Zero. Nenhuma. Estava no Brasil para um ensaio fotográfico da revista Status, e passou pelo Congresso. Pois não é que naquele dia o Congresso estava cheio?

A fala infeliz de Temer tornou-o alvo dos defensores dos direitos das mulheres. Como adverte a música de Rita Lee, não provoque: é cor-de-rosa choque.

Esperando Janot – bom

O Supremo Tribunal Federal solicitou aos veículos de comunicação interessados na Lista de Janot (os pedidos formulados pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot), que enviassem um HD em que coubesse todo o material disponível. Isso indica que as acusações da Promotoria estão para ser liberados, e os jornalistas terão conhecimento de tudo que os procuradores solicitam ao Supremo, sem vazamentos seletivos. Não haverá mais boatos de que fulano será investigado, já que todas as suspeitas dos procuradores estarão na Lista de Janot.

Esperando Janot – mau

Acontece que o Supremo pediu à mídia que envie equipamentos com capacidade de memória de um terabyte – um trilhão de bytes. Um smartphone bem recente, o IPhone 7, tem na versão mais cara a capacidade de 256 gigabytes, GB. Um terabyte equivale a 1.024 GB. Com um terabyte, dá para guardar umas 200 mil músicas; e gravar 730 filmes de 1h30, com qualidade de imagem de DVD.

Quem é que vai analisar tudo isso de arquivos? Este é o problema da Lava Jato e das operações conexas: o volume da ladroeira é tamanho que fica impossível acompanhar tudo, individualizar as culpas, analisar convenientemente as provas, julgar os réus. Há quem diga que essa foi a tática dos principais envolvidos: contar tudo, até superar o limite operacional de quem os julga. Ninguém é jovem entre os acusados na bandalheira. Se o julgamento demorar, talvez nem ocorra.

Esperando Janot – real

Hoje há 800 réus de ações penais aguardando julgamento no foro privilegiado do Supremo. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, publicado no bom site jurídico Espaço Vital, “o tempo de espera de um processo para uma nova providência do ministro relator ou revisor, que era de sete dias em 2002, saltou para 42 dias em 2015”. O pessoal apanhado na Lava Jato deve, claro, se preocupar. Mas talvez não seja preciso preocupar-se muito.

A magia eleitoral

Depois de anos de guerra fiscal, São Paulo e Goiás chegaram a um acordo. Goiás festeja os termos da paz: “Os incentivos fiscais foram determinantes para o crescimento de Goiás nos últimos anos”, diz o governador Marconi Perillo, “e agora estão garantidos em nossa política de desenvolvimento”. O governador Geraldo Alckmin determinou a retirada da ação que pedia o fim dos incentivos fiscais goianos; e o Supremo retirou a questão da pauta de julgamentos.

Nada como interesses eleitorais comuns para promover reconciliações, não é mesmo? Alckmin quer ser candidato à Presidência da República em 2018, mas precisa vencer no PSDB seus adversários Aécio Neves e José Serra. O goiano Perillo agora está a seu lado; e pode ser vice de Alckmin, ou senador.

O terror eleitoral

O problema das eleições é que todos os candidatos se transformam automaticamente em alvos. Antigos aliados que se julgam abandonados, por exemplo. E agora os adversários do PSDB querem atingir simultaneamente Alckmin, Serra e o senador Aloysio Nunes – que substituiu seu amigo José Serra no Itamaraty – com o caso Paulo Preto. O poderoso Paulo Preto, ou Paulo Vieira de Souza, foi presidente da Dersa, que administra as mais modernas rodovias paulistas, e, depois de acusado de se relacionar bem com Carlinhos Cachoeira e Fernando Cavendish – um, bicheiro; outro, presidente da Delta, empresa que acabou sendo proibida de realizar obras para governos – deixou o cargo. Queixou-se de Serra, dizendo que aliados feridos não podem ser abandonados. E agora há quem diga que ele prepara uma delação premiada. Seria um problema sério para o PSDB.

12 março 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

12 março 2017 DEU NO JORNAL

CONTRADIÇÕES DO MODO DE CORRUPÇÃO PETISTA

Rogério Furquim Werneck

Brasília vive dias cada vez mais tensos. Com a perspectiva de divulgação da lista de Janot e de parte substancial das delações da Odebrecht, os nervos estão à flor da pele. Temendo que os complexos desdobramentos das delações possam paralisar de vez o Congresso, o Planalto vem tentando correr contra o tempo para, na medida do possível, adiantar o avanço da reforma da Previdência.

O clima de alta tensão vem tornando o debate mais confuso ainda do que já era. Em meio à crescente preocupação com a contenção de danos, não têm faltado esforços contorcionistas de racionalização antecipada do que vem por aí.

Os tucanos apressam-se a esclarecer que palavra de delator não é prova. E que é preciso todo cuidado para não confundir os vários tipos de caixa 2. O PMDB já não sabe mais o que alegar. E, na oposição, há agora quem argua que o centralismo do modo de corrupção petista não deve ser razão para que o partido seja injustamente execrado.

O que se alega é que, em contraste com o PMDB, que deixou que a corrupção se distribuísse pelo amplo arquipélago de forças políticas regionais de que é formado, o PT optou por um comando centralizado da corrupção.

Opção que, agora, fará o Partido dos Trabalhadores aparecer na foto como muito mais corrupto, em termos relativos, do que supostamente seria. Por surreal que pareça a alegação, é mais do que compreensível que o PT esteja alarmado com a foto que vem sendo formada a partir dos fragmentos das delações que, aos poucos, têm sido vazadas.

O que agora foi revelado, em depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE, é que, por meio de uma conta corrente mantida ao longo dos governos Lula e Dilma, a Odebrecht teria posto à disposição do PT um total de R$ 300 milhões, em troca de favores acertados com o ministro da Fazenda de turno (O Globo, 3 de março). Entre tais favores, merece destaque uma providencial medida provisória relacionada a um programa de recuperação fiscal (Refis), especialmente benéfica ao braço petroquímico do grupo, pela qual a Odebrecht teria concordado em transferir R$ 50 milhões ao partido (“Estadão”, 2 de março).

Para sorte do país, quis o destino que os Odebrecht – não se sabe se pelo resquício de meticulosidade germânica que ainda possam ter mantido, ou por soberbo senso de impunidade que possam ter adquirido — insistissem em manter, ano após ano, registros contábeis perfeitamente acurados de todas as transações do operoso “Departamento de Operações Estruturadas”do grupo, responsável pelos pagamentos de propinas.

Em depoimento recente prestado ao TSE, o executivo responsável pela gestão do “Departamento de Operações Estruturadas” revelou que, entre 2006 e 2014, nada menos que US$ 3,4 bilhões (isso mesmo, dólares) foram mobilizados pelo grupo para abastecimento de campanhas eleitorais com caixa 2 e pagamento de propinas, no Brasil e no exterior.

Os desembolsos cresceram vertiginosamente ao longo do segundo governo Lula e do primeiro governo Dilma. De US$ 60 milhões, em 2006, passaram a US$ 420 milhões, em 2010, saltaram a US$ 750 milhões, em 2013, e só recuaram para US$ 450 milhões, em 2014, porque a Lava-Jato já havia sido deflagrada.

À medida que o exato teor das delações dos 77 executivos da Odebrecht vier a público, a foto que, aos poucos, vem sendo composta a partir dos fragmentos de informações vazadas, ganhará constrangedora nitidez. E logo se transformará em longo, circunstanciado e deprimente documentário do espantoso surto de corrupção que tomou de assalto o país desde meados da década passada.

Diz bem do desespero delirante em que caiu o PT que, a esta altura dos acontecimentos, o partido esteja dando asas à fantasia de que, na cena final desse documentário, Lula possa aparecer alçado, mais uma vez, à Presidência da República.

12 março 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)


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