13 março 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

13 março 2017 FERNANDO GABEIRA

NA CORTE DO REI ARTUR

As revelações dos dirigentes da Odebrecht inauguram a fase da tsunami que deverá levar o Brasil a reformar seu sistema político. Não podia dar certo. A Odebrecht deu R$ 10,5 bilhões aos políticos. De um modo geral, ela ganha quatro vezes o valor de suas propinas. Uma só empresa, portanto, deve ter faturado R$ 42 bilhões de vantagem nessas operações. Janot decidiu não quebrar o sigilo da ação internacional da Odebrecht: é o que dizem os jornais. Isso esconderia um pedaço do Brasil por algum tempo.

É um pedaço tão sinistro que, no futuro, de alguma forma, o país terá que se desculpar por ele. Interferência em seis processos eleitorais estrangeiros, compra de ministros e até de presidentes, como no Peru – tudo isso é um escândalo sem precedentes. Ele vai se tornar muito mais grave se concluirmos que a Odebrecht foi financiada pelo BNDES. A corrupção no continente e na África era movida com dinheiro oficial, um eufemismo para dinheiro do povo.

Os danos à imagem do Brasil, infelizmente, não se esgotam nessa trama que Janot, aparentemente, quer manter em sigilo. O jornal “Le Monde”, numa reportagem de grande repercussão, afirmou que o Brasil teria comprado a escolha do Rio para a Olimpíada. Um empresário brasileiro depositou cerca de US$ 1,5 milhão na conta de um dirigente do COI. Nesta semana, um dos envolvidos no episódio, Frank Fredericks, pediu demissão. Ele monitorava o sorteio e levou US$ 300 mil. O mais interessante da história é o personagem que surgiu como o corruptor ativo, o empresário brasileiro Arthur César de Menezes Soares Filho, velho conhecido da política fluminense: o Rei Artur. Ele era dono da Facility e tinha amplos negócios com o governo Cabral. Eram amigos. Lá fora, isso não importa. O que as pessoas guardam é a ideia de que o Brasil comprou a Olimpíada.

Se chamo a atenção para as manchas na imagem do país é porque realmente me sinto um pouco confuso sobre o país em que estou vivendo. Em 1949, os norte-americanos fizeram um filme chamado “Na corte do Rei Artur”. É a história de um mecânico que leva um golpe na cabeça e acorda na corte do Rei Artur, no século XVI, e se apaixona por Alessandra. São os artifícios da máquina do tempo. Agora, levamos uma pancada na cabeça e acordamos na corte do Rei Artur, uma versão pós-moderna na qual o melhor amigo do rei é, na verdade, o Tio Patinhas, Sérgio Cabral, que estocava dinheiro, joia, ouro, diamante, quem sabe um dia para despejá-los em sua piscina de Mangaratiba.

Sempre se falou no Rei Artur e em seus negócios escusos. Mas comprar uma Olimpíada é algo que surpreende pela audácia, assim como surpreende pela audácia a fortuna de seu amigo, que considerávamos apenas um corrupto de médio porte. Nesse livre devaneio, a corte do Rei Artur se estende por todo o país. Levamos uma pancada na cabeça e constatamos que o sistema partidário brasileiro está em vias de desaparecimento.

Marcelo Odebrecht, bobo da corte? É um luxo mesmo para um lugar com tanta esperteza. Literalmente, essas empresas devem ter roubado do Brasil o valor do déficit orçamentário deste ano, R$ 139 bilhões. Associadas a um governo corrupto, roubaram tudo o que podiam aqui e, com uma parte do dinheiro, foram comprar autoridades lá fora. E como se não bastasse, o tronco fluminense teria comprado uma Olimpíada, uma festa internacional teoricamente voltada a estimular valores éticos e fraternidade entre os povos.

Finalmente roubaram também a limpidez da imagem do país no exterior. Esse sistema político partidário está pela hora da morte. A insistência da esquerda em negar o gigantesco processo de corrupção e o papel de Lula no seu comando é um dado imutável, mas, ao mesmo tempo, decisivo para as eleições de 2018. A autocrítica é uma saída que poderia fortalecer a esquerda a longo prazo, mas a tiraria do páreo. Por outro lado, o confronto com a avalanche de dados que surgem das delações e documentos é um caminho masoquista que vai arrasá-la ainda mais.

Apesar da pancada na cabeça que me levou à corte do Rei Artur, creio que posso imaginar paisagem depois da batalha ao acordar desse golpe. Passada a tsunami, o sistema partidário será levado na enxurrada ou terá de se abrigar em patamares éticos mais elevados, através de uma reforma.

E as eleições presidenciais brasileiras podem tomar, por caminhos diferentes, o mesmo rumo da francesa. Pela primeira vez, a tradicional alternativa esquerda-direita não irá ao segundo turno.

O chamado momento pós-ideológico não significa o fim do populismo, pois na França, assim como nos Estados Unidos, ele assume outras formas, canaliza o ressentimento popular e torna-se um dos atores principais do processo.

No filme “A corte do Rei Artur”, o mecânico americano Frank Martin, de Connecticut, termina pedindo reformas no reino. Aqui, além de reformas, algumas prisões são necessárias, inclusive a do próprio rei.

13 março 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

13 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

TRÊS MAGNÍFICOS PODERES

* * *

VACA PEIDONA CAGANDO FRANCÊS:

13 março 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

FRED MONTEIRO – RECIFE-PE

Caro Berto,

Em homenagem à data de ontem, aniversário do nosso Recife (mesmo sendo você dos Palmares e eu de Maceió), mando de presente uma gravação diferente da linda música do J Michilles, Recife Manhã de Sol.

Uma gravação do nosso estúdio, com Geraldo Azoubel na gaita de boca, José Valdemir nas flautas e eu no resto (banjo, violão e percussão).

Mais pra fugir da bela, mas um pouco enfadada gravação da baiana irmã do baiano.

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13 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

13 março 2017 DEU NO JORNAL

VEM AÍ O CAIXA ZERO

Caixa oficial de campanha irrigado por propina, caixa dois com e sem propina, propina fora dos períodos eleitorais para garantir maioria parlamentar ou para comprar votações de interesse do pagante, propina para rechear bolsos de amigos, para satisfazer mimos. Sem meias palavras ou tergiversações, crimes.

É claro que há diferenças na gravidade, na frequência, na premeditação. É assim para qualquer delito. Roubar é roubar, seja um doce ou um milhão. Mas, assim como ninguém arquiteta o furto de um doce, dificilmente garfa-se um milhão sem planejamento. Quanto mais bilhões. Não por outra razão, busca-se punir o ato de acordo com o dolo.

Na política não deveria ser diferente. Mas é. Ou, pelo menos, tem sido.

Nesta semana, possivelmente amanhã, quando o Supremo receber a segunda lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com as novas dezenas de políticos enrolados na Lava-Jato, os citados continuarão tentando aliviar o dolo para descriminalizar o ato.

Nada de novo. É o que sempre fizeram.

Nem mesmo vão se dar ao trabalho de adaptar o discurso depois de a Segunda Turma do STF considerar que a doação eleitoral oficial não exclui a hipótese da origem ilegal do dinheiro. Continuarão a exibir as contas aprovadas, como se elas fossem atestado de lisura. E aquelas declarações que realmente são idôneas vão se misturar com as que não são.

Mas se é possível enxergar diferenças e eventuais injustiças entre contas e mandatos limpos, que não foram contaminados pela roubalheira que se apoderou do Estado durante os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff, o caixa dois a todos une. De Arnaldo Malheiros Filho, defensor de Delúbio Soares no processo do mensalão, para quem o caixa dois era “deslize típico da democracia brasileira”, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que até condena a prática, mas a considera apenas como “um erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido”.

Ainda que não esteja tipificado no Código Penal, caixa dois não é simplesmente um “erro”. Tem condenação expressa no artigo 350 do Código Eleitoral – “Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais”–, com pena de reclusão de até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias de multa. E sabe-se lá porque essas punições nunca são aplicadas.

Além de ser crime, “caixa dois é uma agressão à sociedade brasileira”, como disse a hoje presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, ao passar um pito em Malheiros Filho, que, na mesma sessão, em 2012, insistia em tratar o ilícito como “recursos movimentados paralelamente”.

Adicionando mais elementos ao debate, o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, que atualmente preside o TSE, levanta a hipótese de que dinheiro limpo pode, em tese, ter financiado caixa dois.

Não é de todo improvável, embora se some aí o crime moral de financiar expectativa futura, algo usual em campanhas. Sabe-se que empreiteiras do porte da Odebrecht, bancos e outras grandes empresas, espalhavam recursos para todos os candidatos. Não queriam correr o risco de ficar mal lá na frente caso A ou B vencesse. E um pouco ou muito mais – por dentro e por fora – para o candidato predileto, aquele que, com certeza, devolveria o investimento com lucro. Não por outro motivo, as notícias sobre a conta só da Odebrecht com Lula-Dilma ultrapassaria a casa dos US$ 300 milhões.

O emaranhado entre o lícito e o ilícito, o delito maior ou menor, só ajuda os que têm contas a prestar. Além de juntar todos os políticos no mesmo balaio, os que se locupletaram buscam misturar os crimes, tirar o peso da premeditação, do dolo.

Na verdade, embora digam que não, temem mais os efeitos da quebra de sigilo das delações da Odebrecht do que a citação na nova lista de Janot, que, como a anterior, apresentada há exatos dois anos, demora a sair do lugar. Dos 50 nomes de 2015, apenas 25 são alvos de inquéritos. E só três – Aníbal Gomes (PMDB-CE), Nelson Meurer (PP-PR) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) – viraram réus no STF. Depois de cassado e antes de ter seu processo aberto no Supremo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está preso temporariamente em Curitiba.

E quem se lembra dos demais?

Na ponta do lápis, a conta é que a lista em si não produzirá efeitos penais até as eleições de 2018. As delações, ao contrário, podem ser devastadoras. Com ou sem provas, que só são apresentadas nos autos, elas chegam como bomba na opinião pública. Não poupam nem os poucos inocentes.

Pior: as confissões podem criar embaraços adicionais à na nova tentativa dos deputados e senadores de aprovar anistia para delitos passados, de zerar o caixa. Algo que, ao contrário de separar o joio do pouco trigo, unirá pequenos e grandes delitos, de primários e reincidentes.

13 março 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

VIA – LÁCTEA

Noite, que ignota mão, dos altos céus senhora,
desata do infinito as límpidas capelas?
Ei-la aspergindo o azul de esferas de ouro, e nelas
desce o férvido céu à fria terra agora.

Em pérolas a arder, em cadentes estrelas,
as emoções do amor, que tranquilo me fora,
tornaram-me também da alma contempladora
a via-láctea azul. Não sei como entendê-las,

tais lágrimas sem dor. Imagino, entretanto,
multiplicado em sóis, que as gotas deste pranto
são cristalizações do amor que te votei:

estrelas a brotar, deslumbradoramente,
dos meus olhos, do céu de meu desejo ardente,
das galáxias sem fim dos beijos que te dei!

13 março 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO ALBERTO – BLOG DO M. ALBERTO

13 março 2017 REPORTAGEM

É LEGAL, MAS NÃO É JUSTO

Milhares de brasileiros vestiram a túnica da indignação de Antígona ao lembrarem do insepulto corpo da modelo Eliza Samudio agora que Creonte ganhou a liberdade – o goleiro Bruno Fernandes, solto após seis anos de prisão, mesmo estando condenado a mais de duas décadas de encarceramento. Enquanto as Antígonas (mulheres e homens, mas todos Antígonas), se mobilizam, atuam e se revoltam, Creonte passeia, diverte-se e já fala em voltar ao futebol. Creonte, não fantasiado de ateniense, dizem as redes sociais que até pulou o carnaval.

Em coro com essa multidão de cerca de meio milhão de pessoas que na semana passada passou a protestar em todo o País contra a injustiça da libertação de Bruno-Creonte, também esse artigo se levanta – contra a armadilha injusta do destino que devolveu o preso às ruas, frise-se, e jamais contra a lei penal e a Constituição, garantidoras do devido processo legal e alicerces imprescindíveis ao Estado de Direito. Muito longe disso. Levanta-se, isso sim, contra a circunstância de injustiça. Lei é lei, e no direito positivo do País ela existe para ser cumprida. Ponto final.

Assim agiu o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello ao ser confrontado com mais uma inépcia do Poder Judiciário, com mais um episódio de recurso jurídico que se arrastou sem ser julgado: condenado pelo Tribunal do Júri a exatos vinte e dois anos e três meses de prisão (sequestro, cárcere privado, agressão, assassinato, vilipêndio e ocultação de cadáver da amante Eliza Samudio), o goleiro Bruno tem mesmo o direto de pleitear a liberdade enquanto aguarda instâncias superiores decidirem sobre suas apelações para diminuição da pena ou novo julgamento. Tivessem eles, os recursos, já sido julgados, e a decisão do STF seria outra. Assim, o ministro Marco Aurélio nada mais fez do que cumprir liminarmente o seu dever de ofício: aplicou a lei e soltou Bruno-Creonte. Sem julgamento em segunda instância não há “culpa formada”, e ninguém pode ficar preso nessa condição por tempo tão dilatado. Essa foi a brecha legal de que se valeram os advogados de defesa.

O que é legal pode coincidir com aquilo que é justo, mas podem também, o legal e o justo, se estranharem feito cão e gato – e esse é o caso da libertação de Bruno. Para permanecermos no chão grego do dramaturgo Sófocles referido na abertura desse artigo por intermédio das personagens Antígona e Creonte, lembremos aqui de Platão, Sócrates e Aristóteles, todos eles a endossarem o princípio filosófico de que a “a verdade não está com os homens, mas entre os homens”. A verdade traduz-se pelo justo, ou seja, o sentimento de justiça que é tecido a partir da convivência de pessoas de bem com pessoas de bem, não necessariamente por imposição ou reflexo da lei. Quando se olha no espelho social, a lei, muitas vezes, vê-se anoréxica, sequer vê o seu semblante refletido com justeza.

Números dão conta disso em relação a Bruno. Dois clubes de futebol assumiram de fato que gostariam de contratá-lo, o Bangu e o Friburguense Atlético Clube, ambos do Rio de Janeiro (quando estraçalhou Eliza, Creonte jogava no Flamengo). Pois bem, foi Bangu e Friburguense falarem, e seus torcedores quase depredaram as sedes dos times de tanta indignação. Banguenses organizaram imediatamente um abaixo-assinado virtual que chamou de “esdrúxula” a ideia de contratar Bruno. “Isso é factoide, não há a mínima hipótese de tê-lo no elenco”, declarou Luiz Henrique Lessa, diretor executivo do Bangu e sócio da Vivyd Capital, empresa do mercado financeiro que trata da gestão do clube. O Friburguense também desmentiu a boataria, e na sequência outro abaixo-assinado virtual começou a ganhar de goleada contra o retorno do goleiro aos gramados: o da ONG Vítimas Unidas, com milhares de assinaturas, e isso em vinte e quatro horas. Os advogados do goleiro, cumprindo profissionalmente o papel que lhes compete, afirmavam que mais de uma dezena de times estão interessados em ter Bruno guarnecendo suas metas, sem entretanto nomeá-los. Mas isso é bola fora, claro que é só encenação, claro é só bola fora.

Se nessa história o cartão vermelho tem de ser dado à lentidão da Justiça que acarretou a liberdade de Bruno, há outro cartão da mesma cor que precisa ser erguido para a personalidade do jogador – mais especificamente, ao seu temperamento, que é justamente um dos fatores constitutivos da própria personalidade. E mais uma vez vemos o legal se indispor com o justo. Quando Bruno fala, suas palavras tendem, talvez, a revelar psicopatia. Ponto pacífico na psiquiatria (DSM-5 e CID-10) é que a racionalização pode revelar tal psicopatologia. O que é racionalização? Vamos ao exemplo clássico: A mata B; na sequência, o assassino A comenta: “é a vida, todo mundo tem mesmo de morrer um dia”. Gente assim faz gelar os nossos ossos. Nada diferente da gélida fala de Bruno: “independentemente do tempo que eu fiquei preso, eu quero deixar bem claro, se eu ficasse lá, se tivesse prisão perpétua no Brasil, não ia trazer a vítima de volta”. Ou seja: Eliza Samudio foi covarde e cruelmente assassinada, Bruno está envolvido em toda essa barbárie, mas que desperdício de tempo e judiação ele permanecer preso se ela não vai voltar mesmo a viver. Mais do que gelar, é de trincar os ossos. Em nenhum momento Bruno se coloca no lugar da vítima, e isso quer dizer que ele é desprovido do sentimento de empatia. Empatia zero. E falta de empatia é outro indicador de perigosa personalidade.

Na época do assassinato da coitada e indefesa Eliza, mãe de uma criança que ela teve com Bruno, ele ganhava salário mensal de aproximadamente duzentos e cinquenta mil reais. Os trezentos reais que ela pedia de acréscimo de pensão eram, então, espécie de troco, mixaria pura. Por essa ninharia de dinheiro Eliza foi sequestrada e apanhou muito dos comparsas de Bruno, por essa ninharia de dinheiro Eliza foi torturada e asfixiada pelos mesmos comparsas, por essa ninharia de dinheiro Eliza teve seu cadáver vilipendiado e atirado a famintos cães, ou teve seu cadáver emparedado, ou teve seu cadáver carbonizado. Bruno diz que não sabe aonde o corpo está. Alguém acredita? Bruno se diz recuperado. Alguém acredita? Eu acredito na lei, acredito no justo, acredito na vida quando o legal e justo se complementam. Eu não acredito em Bruno.

Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza e portanto avó do garotinho (sete anos) que é filho de Bruno, também não acredita nele. Sônia, essa Antígona real ereta de coragem e vergada de dor, tem medo e por isso ordenou ao netinho que “não chegue sozinho perto do portão de casa nem saia da escola com alguém que não seja ela ou seu marido”. Sônia é clara: “se fosse verdadeira a afirmação de que ele se recuperou, então a primeira coisa que deveria fazer é revelar onde está o corpo da minha filha para lhe darmos sepultura digna”. Por uma sepultura digna ao seu irmão Polinice, negada pelo rei Creonte, Antígona passou a existência lutando, como conta a tragédia grega de Sófocles. Por uma sepultura digna para Eliza, o que é ditame dos homens e dos deuses, todo um Brasil tomado pela injustiça reza e luta com dona Sônia. Bruno e seus amigos criminosos deixaram, figurativamente, o corpo ao corvo. E isso não é justo.

Transcrito da Revista Isto É

13 março 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

BREVE REFLEXÃO SOBRE A AMIZADE

Somos seres sociais e enquanto crescemos e desenvolvemos nossos relacionamentos, mais congestionados eles ficam. A amizade é um poderoso vínculo afetivo, muitas vezes mais significativa do que um grau de parentesco. Amigos são os parentes que nós escolhemos . Eles participam da nossa vida, apoiando nos momentos de crise e comemorando nossas conquistas.

Amigos verdadeiros nos admiram apesar das limitações e nos respeitam apesar das discordâncias. Eles acham que sempre merecemos o melhor nesta vida e sofrem quando alguém nos magoa. Amigos são as maiores conquistas que podemos fazer na vida. Cada um deles é um tesouro. Eles são sócios nas lembranças mais felizes e queridas.

É uma questão de qualidade e não de quantidade. Alguns vão ficando para trás durante a jornada, enquanto outros vão chegando. De vez em quando, alguém desembarca de paraquedas. Quando nos damos conta, os laços de amizade já estão profundamente fortes. Uma amizade verdadeira, às vezes, é difícil de encontrar, mas é essencial em nossas vidas.

Machado de Assis (1839 – 1908) retrata de forma poética a beleza da amizade com estes versos belos e filosóficos:

BONS AMIGOS

“Abençoados os que possuem amigos,
os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos,
os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que
acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raiz, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade.

Há pessoas que choram por saber
que as rosas têm espinhos.
Há outras que sorriem por saber
que os espinhos têm rosas.”

13 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

MANGAÇÃO NO ISTRANJEIRO

Comentário sobre a postagem EX-PRISID-ANTA GERENTA FAZENDO MUNGANGA NO ISTRANJEIRO

H. Albino (Genebra, Suiça):

“Bonjour, Monsieur Berto

Hoje o dia começou estranho, as pessoas que trabalham comigo começaram a zoar.

E, inocente, eu não sabia do porque (morro e não aprende a utilizar os “porques”.

Mostraram-me o vídeo.

Se Voltaire, Lamartine, Rousseau, Proust, Victor Hugo, etc., se contorciam no tumulo, eu fiquei envergonhado.

Esta senhora deveria ter alguém com os “coullies (culhoes) roxos” para explicar: se a Sra. não fala um português decente, não arrisque outra língua.

Adaptando o General de Gaulle: “O Brasil e a língua francesa não são para amadores”.

Madame Dilma, Curitiba vous attende.

13 março 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

13 março 2017 DEU NO JORNAL

OS HOMENS DO TEMER

Afora as últimas gafes no Dia das Mulheres, até que o Temer é um cara bem intencionado. Esforça-se para fazer um governo diferenciado. Tenta arrumar o quebra-cabeça da economia destroçada pelo PT e recuperar a credibilidade do Brasil no exterior. Até aí tudo bem, ele faz o que qualquer presidente ajuizado faria no seu lugar. O diabo é que o Temer não consegue se livrar facilmente dos amigos que tem. Para onde vai, carrega esse fardo que custa muito caro ao seu governo. Agora, o amigo da vez que entra em cena é o “Sombra”. Trata-se do advogado José Yunes, amigo de longa data, que se derrete a cada declaração que faz para se livrar da acusação de ter transformado seu escritório em São Paulo em caixa dois do PMDB, como ele próprio confessou.

Yunes chegou às manchetes dos jornais acusando Padilha, principal assessor do presidente, de intermediar a caixinha para a campanha do PMDB, quando Temer estava na chapa de vice da Dilma. Foi espontaneamente ao Ministério Público para dizer que recebeu um envelope (!) com um milhão de reais do doleiro Funaro, preso na Lava Jato. Detonou Padilha. Mas os procuradores da república não se convenceram da defesa prévia de Yunes. Quando começaram a mexer no formigueiro descobriram que o amigo do presidente está enrolado, enroladíssimo com a história que tenta contar para se livrar da acusação de receptador do dinheiro da Odebrecht.

Temer, porém, faz cara de paisagem para o que os brasileiros pensam de seus amigos malfeitores, muitos apeados do poder pelo passado obscuro. Já desceram do púlpito palaciano auxiliares da sua intimidade como ex-ministro do Turismo Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Romero Jucá e outros. Estão pendurados na brocha Eliseu Padilha e Moreira Franco, este protegido por uma imunidade arranjada de ministro. O presidente aos poucos vai se desfazendo dos seus amigos até então fieis e inseparáveis. Quando eles são flagrados nos escândalos, Temer simplesmente os frita, torrando-os em fogo ardente, sem mexer um músculo da cara.

Mas o brasileiro tem consciência de que esses senhores que o presidente hoje descarta foram seus companheiros de luta dentro do partido durante muito tempo, gozaram e gozam da sua intimidade. Portanto, são eles que conhecem a trajetória do presidente porque o ajudaram a chegar ao poder. Empurraram a Dilma de ladeira abaixo mesmo quando estavam ao lado dela como ministros para abrir o espaço para ele chegar ao topo do poder. Por isso, acredito, que não será tão simples descartar esses “Homens do Presidente” apenas com uma canetada. Assim, mais cedo ou mais tarde, os alijados do poder, vão apresentar a fatura. E que fatura!

Padilha, o mais leal dos seus auxiliares, tem dito a amigos que se sente excluído da turma presidencial desde que o Yunes o acusou de intermediar o dinheiro de corrupção da Odebrecht. Irrita-se quando sabe que antes de ser detonado, Yunes desfilou com Temer pelos corredores do Palácio do Planalto numa conspiração que assustou o próprio Padilha acostumado a conchavos políticos pelas madrugadas adentro em Brasília. Se voltar às funções de ministro-chefe da Casa Civil – coisa difícil – volta ao Palácio do Planalto enfraquecido. Se desistir do cargo, recolhe-se profundamente magoado com o amigo presidente.

Temer, pelo que parece, está brincando com fogo. Se não melhorar a economia para gerar mais emprego e renda para os brasileiros (13 milhões de desempregados), corre o risco de ver uma fagulha espalhar fogo no seu celeiro de palhas secas com as denúncias da Lava Jato. O governo, de agora em diante, vai depender do desempenho do seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles, um dos poucos que não saíram da cozinha do então vice-presidente para a Esplanada dos Ministérios.

O presidente precisa ficar de olho nos ministros “amigos” que saem do governo pelo poder que eles têm de conspirar. Os que ainda estão nos cargos são mais fáceis de tourear. Estão ocupados em suas tarefas diárias.

13 março 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

JOSÉ SILVA – CAMPO GRANDE – MS

Sr. Editor,

Ontem, domingo foi dia de missa e Carlos Chagas resolveu fazer uma homilia defendendo o divino ente, a alma mais honesta destepaiz, e condenando às chamas do inferno socialista a sua sucessora, que ele não ousa declinar o nome. (clique aqui para ler)

Nessa história do novo Éden petista o articulista nos adverte, seriamente, que o seu “deus molusco” só roubou pelo nosso bem. Depois, caiu em pecado venial por pérfida influência feminina, de uma Eva que sorrateiramente lhe enfiou uma mandioca, por influência de um ofídio do gênero das “zelites”.

Essa revisão já consta do mais novo evangelho esquerdista, que indica o caminho da salvação dos comparsas e asseclas.

Oremos, pois.


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