20 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM PASSEIO PELO PASSADO

Ontem, domingo, fomos tomar o café da manhã numa padaria aqui perto de casa, a Pan Jovem, na Praça da Jaqueira, um dos vários aprazíveis recantos de mundo que este Recife nos dá de presente.

Depois de me deliciar com frutas, com carne de sol, com queijo de coalho frito, com suco de caju e de comer um baita dum pão-doce, fomos dar um passeio, aproveitando a bela manhã de sol.

Dirigir nosso automóvel é um dos meus prazeres mais caros, depois que me restabeleci do piripaque cardiológico e passei pelos pesados exercícios de fisioterapia.

E pensei comigo mesmo, sem falar nada pra Aline ou pro João: “Vou direto pra Olinda, matar as saudades. Faz um bom tempo que não vejo aquela amada paisagem“.

Eu estava no meio do pensamento quando escutei João falando: “Pai, vamos passear em Olinda, a cidade onde eu nasci?

Chega se assustei-me com aquela espantosa coincidência de pensamentos.

Vôte!

E disse isto pro João. “Que coisa, meu filho, eu estava pensando o mesmo!

E ele me respondeu na bucha, com a cara mais lavada do mundo:

– Isto é a ligação de pai e filho.

Filosofofeiro da porra, este menino!!!

Subi emocionado – como sempre acontece quando vou lá -, a comprida ladeira que leva ao Alto da Sé. Uma rua daquela cidade que mora na minha estima e que descrevo num trecho do meu livro O Romance da Besta Fubana.

Lá em cima, fui rever o Seminário de Olinda, hoje em dia decadente, em ruínas, caindo aos pedaços. Uma lástima. 

Na porta do seminário abandonado

Lembrei-me logo de Henrique, um amigo muito querido, uma figura que passou à história como O Padre Henrique, um ser humano que foi vitima da brutalidade e da pavorosa capacidade do ser humano de incorporar os piores espíritos malignos que podem existir nos Quintos dos Infernos.

Sobre Henrique escrevi uma crônica que foi publicada aqui no JBF há alguns anos. Quem quiser ler, é só clicar aqui.

Subi pela ladeira que vai pra Sé e desci pela Ladeira da Misericórdia, mais conhecida pelo povo como Ladeira do Quebra-Bunda.

Um passeio arretado.

Só não foi igual aos antigos passeios que eu fazia por lá, porque faltou a parada obrigatória no Restaurante Gameleira, com direito a moqueca de peixe, lapadas de aguardente e cerveja gelada.

A abstinência compulsória a que estou submetido depois do piripaque cardiológico, fiscalizada rigorosamente por Aline, não me permite alguns luxos do passado recente.

Mesmo assim, foi um ótimo domingo.

Lá em cima, na quase em pé Ladeira da Misericórdia

Com João no Alto da Sé; ao fundo, a imensidão azul do Atlântico

20 março 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

BLINDANDO CORRUPTOS EMPLUMADOS

Comentário sobre a postagem POLÍTICA ESTÁ REDUZIDA A UMA IRMANDADE DA LAMA

Glória Braga Horta:

Quando Moro deixar de ser parcial, contará com todo meu respeito e, acredito de todos nós, mas endeusá-lo é uma heresia.

Ele ganha – e muito bem – para cumprir o trabalho dele, e não para blindar corrupto tucano.”

* * *

Corruptos tucanos, envolvidos na Lava Jato, e que estão respondendo processo em Curitiba; eles participaram do fantástico saque à Petrobras, dando origem ao maior escândalo do Planeta Terra, o Petrolão; todos eles estão sendo vergonhosamente blindados pelo juiz Sérgio Moro; isto é fato, não é invenção

20 março 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

20 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

ESTE É HERÓI MESMO

É com muito orgulho e alegria que este Editor oferece aos seus leitores um breve pronunciamento do verdadeiro Herói do Povo Brasileiro, falando sobre a página de sua esposa no Face, intitulada Eu Moro Com Ele.

O homem da caneta-pajaraca, que assombra bandidos e corruptos de todos os lados, de todos os partidos e de todas as fações, faz um singelo agradecimento.

20 março 2017 FULEIRAGEM

CLÁUDIO PAIVA – CHARGE ONLINE

20 março 2017 DEU NO JORNAL

NAU DOS INSENSATOS

Tábua de salvação frequente diante do naufrágio, a reforma política volta à tona. Desta vez para evitar o afogamento de envolvidos na Lava-Jato. E, como sempre, navega longe dos interesses do eleitor.

Não há dúvida quanto à necessidade de o país substituir o atual modelo político – falido, sustentado por financiamento não raro ilícito. Mas não há qualquer chance de que ele seja alterado por aqueles que dele se beneficiam.

Se for, será sempre para pior.

E é nessa trilha do para lá de ruim ao péssimo que caminha o debate desde a delação coletiva dos executivos da Odebrecht, quando a Câmara tentou, sem sucesso, aprovar a primeira anistia a financiamentos espúrios passados. Piorou depois de a Segunda Turma do Supremo entender que o caixa oficial de campanha pode embutir lavanderia de dinheiro sujo, e chegou ao alerta máximo com a segunda lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, citando mais de uma centena de políticos, entre comandantes e tripulantes.

Além da anistia ao caixa dois, que não saiu da mira, o que se tenta agora é aprovar o voto em lista fechada, já com validade para 2018. Trata-se de um molde sob medida para proteger denunciados: eles estarão elencados em um rol elaborado pelo partido – e até com preferência para quem já é parlamentar -, algo já declarado inconstitucional pelo STF. E o eleitor, em vez de votar no candidato, vota na lista inteira, dando a vitória, pela ordem, aos primeiros relacionados pela agremiação.

A ideia foi rechaçada há dois anos, quando a Câmara também descartou o Distritão, que substituiria o atual sistema proporcional pela regra majoritária de se eleger o parlamentar com mais votos, independentemente do partido, e o voto distrital misto, que combina eleição proporcional e majoritária, com um candidato por partido em cada distrito. Manteve-se exatamente o que hoje existe, sem tirar nem por.

Em novembro de 2016, o Senado também aprovou reformas. Estabeleceu a cláusula de barreira, criando percentuais de votação mínima para que uma sigla tenha acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral (dita) gratuita, e o fim das coligações proporcionais. Medidas fundamentais para banir as legendas de aluguel, detentoras de segundos milionários de horário eleitoral, e os eleitos quase sem votos, que chegam ao Parlamento na cola das grandes legendas.

Não virou lei porque ambos os dispositivos ainda dependem de aprovação de dois terços da Câmara, em duas votações. E nada indica que serão apreciados.

Mas os mesmos que nada querem mudar – se pudessem manteriam os sistemas de financiamento empresarial e, por que não, até o caixa dois, imortalizado como “recursos não contabilizados” pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares – agora clamam pela reforma política.

Nada diferente do que o PT e a presidente deposta Dilma Rousseff fizeram em 2013. Quando as ruas ocupadas por milhares os ameaçaram, eles sacaram do bolso a urgência popular por reforma política e plebiscito para aprová-la, como se fosse essa a reinvindicação das multidões.

Tanto lá como agora, uma armadilha tão bem tramada que enreda até gente acima de qualquer suspeita. Na sexta-feira, durante entrevista à CBN, a presidente do STF, Cármen Lúcia, se viu debatendo reforma política, que só fala a língua dos que têm seus mandatos atuais ou futuros ameaçados.

Mais uma vez, os que querem simplesmente tergiversar ou descaradamente fazer leis de autoproteção conseguiram recolocar em pauta a premência da reforma política. Mas, claro, longe de sua essencialidade. Não dão andamento ao que já foi aprovado no Senado e, muito menos, a temas como o fim do voto obrigatório e mecanismos de recall, capazes de destituir bandidos, traidores do voto ou ineptos.

Fosse um país sério, a reforma política há muito estaria feita. Já que não foi, seria a quarta na fila, atrás das reformas da Previdência, trabalhista e tributária, essenciais para tirar o país da crise.

Chamar de reforma política os remendos em curso é dar pano para vela de gente que saqueou e desgovernou a nau.

Nau dos insensatos. Antiga alegoria que descreve o mundo e seus habitantes como uma nau cujos passageiros nem sabem nem se importam para onde estão indo (Foto: Xilogravura alemã de 1549)

20 março 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

LEMBRA DE MIM

No dia de hoje, 20 de março, está fazendo exatamente quatro anos que encantou-se o grande cantor Emílio Santiago. Aqui ele canta uma composição da dupla Ivan Lins/Vitor Martins.

20 março 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

20 março 2017 JOSIAS DE SOUZA

QUEM PAGOU COMÍCIO DE LULA NO SÃO FRANCISCO?

Alguém já disse que a verdade é algo tão precioso que às vezes precisa ser protegida por uma escolta de mentiras. Ao discursar no megacomício que Lula realizou na cidade de Monteiro, no Cariri da Paraíba, o anfitrião Ricardo Coutinho (PSB), governador paraibano, disse o seguinte:

“Aqui, no território livre da Paraíba, o povo sabe o que é verdade, o povo tem a coragem de ir às ruas. […] Eu agradeço aos meus companheiros, prefeitos aqui da região. Botaram a mão na massa. Fizeram, efetivamente, de burro, de carroça, de carro, de ônibus, de qualquer jeito criaram as condições para que muita gente estivesse aqui. Não foi gasto um centavo de dinheiro público, não foi gasto nada, a não ser o sentimento de gratidão que o nosso povo tem.”

Coutinho revelou-se um grato cego. Não viu a superestrutura ao redor. Entre outros itens, o aparato montado para Lula reinaugurar o pedaço da obra da transposição do Rio São Francisco que Michel Temer já havia inaugurado há nove dias incluiu: o palanque, as tendas, o equipamento de som, as grades de proteção, o jatinho para o candidato e uma frota de ônibus para levar aclamação até os ouvidos de Lula. Essas coisas não costumam ser custeadas pelo “sentimento de gratidão”. Mesmo no “território livre da Paraíba”, os fornecedores só quitam as faturas mediante pagamento em dinheiro.

As imagens veiculadas abaixo indicam que o evento custou caro. Como Coutinho assegurou que não há verba pública no lance, ficou boiando sobre as águas transpostas do São Francisco uma interrogação: quem pagou as despesas relacionadas ao megacomício de Lula?

De duas, uma: Ou o morubixaba do PT dispõe de meia dúzia de mecenas dispostos a financiar no caixa dois sua campanha fora de época ou o governador da Paraíba cometeu algum engano. Esse é o tipo de engano que costuma virar matéria-prima para ações judiciais. Em tempos de Lava Jato, o brasileiro já não se importa com enganos. Ele apenas não suporta ser enganado.

Quem financiou? Além do palanque, ao fundo, comício de Lula teve uma ala de tendas, à direita

Quem custeou? Coutinho levou Lula e Dilma às margens do São Francisco em ônibus refrigerado

Quem bancou? Parte da plateia companheira que ovacionou Lula foi transportada em ônibus fretado

Quem pagou? Lula, ao lado da deputada Estela Izabel (PSB), chegou à Paraíba de jatinho

* * * 

20 março 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

VALTER MESSINA – JOÃO PESSOA-PB

Estimado editor,

há poucos dias um fubânico falou em “Dissonância Cognitiva” se referindo aos fanáticos do PT.

Na qualidade de estudioso deste assunto, eu gostaria de dizer que isso não é Dissonância Cognitiva.

Trata-se de uma enfermidade catalogada como Diarreia Mental.

Este é um distúrbio causado por uma nova bactéria que surgiu no pós-Lula (o Lulaestreptococos) e costuma atacar petralhas.

Essa bactéria fica circulando entre o maxilar inferior e o cérebro deixando o sujeito com demência esquerdista.

Estudos recentes acham que uma possível cura é colocar o sujeito sentado em cima de uma plantação de Chique-chique, comendo palma por 15 dias e olhando pra um jegue.

R. Caro leitor, me mate uma curiosidade…

Este jegue a que você se refere, seria o querido jumento fubânico Polodoro?

Este cuja imagem está a seguir:

20 março 2017 FULEIRAGEM

QUINHO – ESTADO DE MINAS

TESTE DE INTEGRIDADE NA TV

Vez por outra surge na televisão algum programa apresentando as chamadas “pegadinhas”, sendo uma delas a de submeter um indivíduo a uma situação de extrema tentação sexual: pega-se um homem casado, noivo ou namorado, coloca-se o cara em uma situação na qual uma bela mulher vai tentá-lo a cometer a traição, enquanto a esposa, noiva ou namorada do infeliz fica assistindo à cena.

Pode ser, por exemplo, um sujeito que vai entregar pizza e já de cara a mulher que vai recebê-la abre a porta semi-nua, convida-o a entrar enquanto simula preparar o cheque e insinua-se o quanto pode, até que o pobre coitado não consegue vencer a tentação e avança no flagrante preparado. Vai pagar caro por isso: nem terá a oportunidade de ir aos finalmente, nem escapará da fúria da parceira, quiçá com a separação definitiva do casal.

Essa é, comparativamente, a situação proposta em um dos itens das 10 Medidas Contra a Corrupção apresentadas pelo Ministério Público Federal ao Congresso Nacional, para que se transformasse em lei.

Faz parte do item 1 – Prevenção à Corrupção, Transparência e Proteção à Fonte de Informação, como segunda proposta, nos seguintes termos:

“Outra proposta é a previsão da possibilidade da realização de testes de integridade, isto é, a “simulação de situações, sem o conhecimento do agente público ou empregado, com o objetivo de testar sua conduta moral e predisposição para cometer crimes contra a Administração Pública”. A realização de tais testes pode ser feita por órgãos correicionais e cercada de cautelas, incluindo a criação de uma tentação comedida ao servidor, a gravação audiovisual do teste e a comunicação prévia de sua realização ao Ministério Público, o qual pode recomendar providências. O pressuposto desses testes não é a desconfiança em relação aos agentes públicos, mas sim a percepção de que todo agente público tem o dever de transparência e accountability, sendo natural o exame de sua atividade. A realização desses testes é incentivada pela Transparência Internacional e pela ONU.

Imagino que um servidor público, nesse “teste de fidelidade”, seria submetido á tentação de, por algum pixuleco, propina ou coisa que o valha, vender-se a alguém para garantir a uma pessoa ou empresa alguma vantagem, como vencer uma licitação, fechar os olhos a uma irregularidade, dar parecer favorável, compactuar com superfaturamento de preços, por exemplo.

Tratar-se-ia de uma “Pegadinha Legal”, preparada e executada pelo governo; e é estranhável que os autores da idéia não tenham proposto, também, que ela fosse apresentada em transmissão nacional pela televisão, podendo, além do resultado de pegar o agente público pelo pé, divertir os telespectadores e conseguir um rendimento extra para os cofres da Nação pago pelos patrocinadores.

Ora, direis: – Por que desenterrar coisa tão absurda que, até, já foi eliminada das propostas legislativas?

– Porque é importante que exercitamos nosso espírito crítico e autocrítico a respeito das questões que sobrepairam a vida nacional, para que não incorramos em excessos condenatórios e pré-condenatórios, para que não nos afoitemos a criar leis que desacordem com a filosofia e com os princípios mais básicos do Direito, elaborados ao longo de séculos e cristalizados em leis as quais, no fundamental, se teceram cuidadosamente, observando, inclusive, os usos e costumes, atentas à psicologia e à sociologia e nunca descuidando de atentar para a natureza humana e o comportamento esperado dos indivíduos em geral.

A proposta de instituição do chamado Teste de Integridade deve servir-nos para que fiquemos atentos à tendência das massas e, até, de operadores do direito imaturos, que se ponham a tentar resolver os problemas do mundo com normas esdrúxulas, que não resistem ao confronto com os princípios básicos do Direito.

O teste de fidelidade das pegadinhas não surpreende, necessariamente, o infiel – ele cria um infiel.

Assim como o Teste de Integridade poderá, ao invés de pegar corruptos, criar corruptos, submetendo pessoas à situação que diz que a ocasião faz o ladrão.

O Estado não deve promover a criação de corruptos e ladrões, invertendo os valores, mas, antes, cuidar de educar o cidadão, seja agente público ou não, nos princípios da moralidade e da ética.

Os fins não devem justificar os meios. Felizmente, os cuidados técnicos e jurídicos de profissisonais da área estão, ainda, sendo eficientes para impedir que prosperem aberrações como essa e, para fechar o raciocínio, para barrar o desvio da aceitação de provas ilicitamente obtidas, outra tolice que corria na esteira da insuficiência de densidade jurídica e que tem muito a ver com o tema.

20 março 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

20 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

RECLAME DE GRAÇA

Nota da Editoria:

Isto é uma adaptação do que foi publicado nos principais órgãos da imprensa brasileira, jornais, revistas, televisões e páginas internéticas. Este reclame aí de cima, por exemplo, foi tirado diretamente da revista Veja.

O Departamento de Artes do Complexo Midiático Besta Fubana montou este comercial unindo primorosamente as siglas JBS e JBF.

A finalidade desta postagem é sensibilizar a empresa que está sendo alvo de cacete na grande mídia golpista brasileira, a fim de que ela solte uma graninha pra nóis, visando aliviar a deprimente situação em que se encontra o caixa desta gazeta escrota.

Dependendo do valor que a JBS creditar na nossa conta, garanto que o reclame será publicado todos os dias.

Ou até mesmo várias vezes ao dia, conforme seja o vulto do pixuleco.

Ajuda nóis, JBS!!!

* * *

20 março 2017 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
SEM CARNE E SEM PAPELÃO

VOU LOGO AVISAR:

Prefiro comer Preá
Galinha,Camaleão,
Tripa de Bode,Jabá
Ou um bife do Oião
Rolinha,Curimatã
Carne de Teiú e Rã
Passarinha,Camarão,
Ou espetinho de Gato.
Só não ponha no meu prato
Mistura com papelão.

Rainilton de Sivoca

* * *

EU VOU AVISAR TAMBÉM:

Depois dessa confusão
Só sirvo bicho de asa
Carne aqui em minha casa,
Não deixo entrar mais não
Vou mudar a refeição
Novos tempos novo rito
Já pelei o periquito
A rola já ta na mão
No fogo e na pressão
Faço um rango sem atrito.

Dalinha Catunda

20 março 2017 FULEIRAGEM

AMORIM- CHARGE ONLINE

20 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

RECORDAR É SE RIR-SE

Vamos rever uma reportagem feita num  tempo recente.

Uma reportagem da grande mídia golpista que tem a estranha mania de filmar e documentar os fatos e colocá-los no ar.

Uma coisa absurda!

Nesta matéria vemos uma multidão de dezena de milhares de mal educados, desrespeitando e profanando a sagrada instituição que é a Presidência de República.

E gritando coisas absurdas como “Hei, Dilma, vai tomar no cu!

Só podia ser mesmo no Rio da Janeiro, aquele estado atrasado e subdesenvolvido onde, segundo Nelson Rodrigues, a torcida do Maracanã vaia até minuto de silêncio.

Aqui no Nordeste, sobretudo no Maranhão, no Piaui e em Palmares, com um eleitorado de alta conscientização política e elevado grau de conhecimento, isto jamais aconteceria!

Vejam que vexame absurdo, transmitido ao vivo e a cores para os quatro cantos do Planeta Terra:

20 março 2017 FULEIRAGEM

SAMUCA – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

ALTER EGO

Todas as noites, deixa o fantasma dos desencantos
ou das vitórias o lastro obscuro de cada peito,
todos os risos, todas as mágoas, todos os prantos
fogem, cantantes, e um corpo inerte fica no leito.

Esses noturnos seres estranhos, que olhos não sonham,
fremem nos ritos de alguma ronda desconhecida.
E, antes que as trevas depois do sono se decomponham,
voltam aos corpos para os labores de uma outra vida.

O eu verdadeiro vive nas sombras, belo ou monstruoso.
Só quando noite, libera as dores e as alegrias,
cantando todas – umas, cansadas; outras, em gozo.

E há, nessas horas, fundas insânias, carícias mansas,
medonhos gritos, pântanos negros, formas sombrias,
choros e anseios, trevas e angústias, sóis e esperanças.

20 março 2017 FULEIRAGEM

SOLDA – BLOG DO SOLDA CAÚSTICO

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto

Veja que a concorrência internacional já começou.

R. Meu caro colunista, isto é o que se pode chamar de saudável concorrência.

Uma concorrência em favor da saúde.

Deixemos de lado a carne podre brasileira e passemos a comer a sadia carne argentina (se conseguirmos mastigar este gostoso e abundante filé, né?…)

É bem melhor comer carne mijada malhada do que comer carne apodrecida.

Minino, eu chega se assuspirei-me.

20 março 2017 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE


http://pinheirochumbogrosso.blogspot.com.br
JOHN WAYNE: O PAPA DO FAROESTE

Se vivo fosse estaria completando 110 anos, JOHN WAYNE, um dos atores mais emblemáticos dos filmes faroestes era considerado o PAPA dessa modalidade de cinema. Não era preciso ninguém dizer a John Wayne que ele não era um bom ator. Ele era o primeiro a dizer, conforme nos confidencia o bom crítico de cinema Inácio Araújo. Na minha simplória análise, Henry Fonda pode ter sido a efígie da virtude; Lee Van Cleef a encarnação do mal; George Hilon ou Terence Hill o bonitão ou até mesmo o galhofeiro do Oeste; James Stewart, a prova de que o valor moral precede a virtude física. Foram caubóis absolutos. Mas WAYNE ia além. Ele era dotado de uma vulgaridade que ninguém mais tinha. O grandalhão de um metro e noventa nasceu em 26 de maio de 1907, com o nome de MARION MICHAEL MORRISON, no CONDADO de Winterset, Iowa.

Pois bem!!! Em que pese meus singelos conhecimentos a respeito do assunto e um pesquisador como também um estudioso nato dos ícones do cinema de faroeste, caubói ou bangue bangue, lendo sobre o PAPA DO FAROESTE, percebe-se claramente que John Wayne não se espantava. Era dotado de um conhecimento prático. Sua sabedoria podia ser limitada, mas era enormemente precisa. Se outros grandes caubóis encarnaram as virtudes da América, Wayne trazia também seus defeitos. Não era apenas um adepto da vida em liberdade dotado de espírito de conquista. Era quase sempre TRUCULENTO, não raro AMBICIOSO demais, por vezes SÁDICO. Nos melhores papéis, está longe de ser um mocinho: o Ethan Edwards de “RASTROS DE ÓDIO” (1956) e o Dunson de “RIO VERMELHO” (1948) estão longe de ser figuras que possuíam algumas virtudes de caráter. Só Duke(apelido dele na infância) poderia ser cheio de ódio, vingativo, racista, violento. Isso sem deixar de suscitar a admiração do espectador pelo homem mal. Seu início de carreira em Hollyood foi bastante conturbado, haja vista que o ator foi condenado a uma série infindável de filmes “B” até ser resgatado por John Ford para estrelar “NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS” (1939). O filme emplacou. E também a imagem de WAYNE como protótipo do herói americano em tempo de guerra. Guerra, aliás, por conta da qual fez uma pilha de filmes secundários.

Em se tratando dos monstros sagrados do cinema mundial, entre atuações e participações, o norte-americano possui cerca de 150 filmagens como ator. Mas o que marca realmente JOHN WAYNE, tanto quanto o seu contemporâneo Kirk Douglas que ainda é vivo e completou recentemente, 100 anos de idade (os dois trabalharam juntos no filme Gigantes em Luta), é o seu primórdio como galã, em uma época onde os “DURÕES” eram o que ditavam a indústria do faroeste. Tanto Wayne como Kirk são lendas atualizadas do cinema de bang bang com aquele aspecto de brutamontes. Os dois são os últimos de uma geração diferente de galãs. Naquela época os valores eram outros. O homem, por exemplo, não podia demonstrar fraqueza. Imperavam regras como “HOMEM NÃO CHORA”. Hoje em dia a viadagem tomou conta do pedaço e essa “GUEIZADA” que aí estar só sabe rebolar e mostrar a bunda em suas “PARADAS GAY”. Hoje, esse papo furado que homem não chora ou mesmo rótulo dessa natureza, não passa de um título de música brega na voz do bom, romântico e inesquecível Waldick Soriano…

É de bom alvitre destacar que, Wayne era um reacionário de carteirinha. Talvez para mostrar seu apreço, naquela hora difícil em que todo mundo o ridicularizava, Hollywood concedeu-lhe o Oscar de melhor ator de 1969 por “BRAVURA INDÔMITA”, um filme que não estar com esse balaio todo de Henry Hathaway. Fumante inveterado desde a juventude, a essa altura o câncer já o atormentava. Deixou de fumar seus cinco maços de cigarro diários. Isso não impediu a progressão do mal, que o levaria a uma notável interpretação, em “O ÚLTIMO PISTOLEIRO” (1976), de Don Siegel, em que interpreta, justamente, um atirador que está morrendo de câncer. A última imagem não foi boa: o homem enorme debilitado e abatido recebia o OSCAR HONORÁRIO, imensamente aplaudido pela plateia. Aquele homem parecia um fantasma do John Wayne que conhecíamos. Morreria poucos anos depois, em 11 de junho de 1979, aos 72 anos.

Por fim, aconselha-se aos amantes do faroeste assistir ao filme O ÚLTIMO PISTOLEIRO que é uma obra imprescindível. Em 1976, Wayne se despediu das telas e fez seu derradeiro filme, O Último Pistoleiro, ao lado da excepcional atriz Lauren Bacall, NO PAPEL DE UM VELHO CAUBÓI MORRENDO DE CÂNCER, MAS AINDA LUTANDO. O roteiro tem muito a ver com a própria vida do ator, traz a história de um velho e lendário pistoleiro que sofre de câncer e procura um local, onde possa morrer em paz. Porém, não consegue escapar de sua reputação. Além da atriz Lauren Bacall contracena com ele James Stewart, que faz o papel de médico e dá-lhe o diagnóstico do câncer e apenas três meses de vida. John Wayne, perfeito em seu último papel, também sofria da mesma doença na VIDA REAL. Este foi o último filme da carreira do Papa dos filmes de faroestes. Em 11 de julho de 1979, o homem que melhor se identificou com os heróis da colonização americana, morreu vítima de câncer nos pulmões, mas entrou para sempre no Olimpo dos deuses da sétima arte. Sem sombra de dúvida, o ÚLTIMO PISTOLEIRO é uma Obra imprescindível e porque não dizer, imperdível!!!

20 março 2017 FULEIRAGEM

DACOSTA – CHARGE ONLINE

20 março 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UMA CAMPANHA ABSURDA

Esta revistinha reacionária, golpista e porta-voz da extrema direita, conhecida pelo nome de Veja – que não vê a verdade -, não toma jeito mesmo.

É um caso perdido.

Não bastasse a campanha sistemática que faz contra o PT e as zisquerdas banânicas, neste final de semana a revista botou nas bancas uma edição que fala mal de três ex-prisidentes da república, de seis atuais ministros e de treze (êpa!) gunvernadores de estados.

Todos eles homens públicos honrados, éticos, probos, de reputação ilibada e de currículos completamente limpos.

Todos, sem exceção!

Francamente, e usando a expressão contida na capa, é duro de engolir a grande mídia golpista deztepaiz.

Sem sombra de dúvidas, é uma coisa horripilante esta capa caluniosa que usa a palavra “vergonha”, referindo-se à Lista de Janot, quando, na verdade, vergonha é a existência de uma publicação deste quilate.

E, como se isto não bastasse, pra completar o lamaçal de mentiras, a revistinha sem credibilidade alguma botou esta chamada lá em cima, encabeçando a capa:

Isto é um campanha absurda, abjeta, inominável, repulsiva.

Uma campanha odiosa patrocinada pelas zelites insensíveis de Banânia.

Chega de calúnias e de mentiras!

Sugiro a todos os brasileiros que, a partir de hoje, releguem a revista Veja ao esquecimento e passem a ler apenas o Jornal da Besta Fubana, uma publicação confiável e que só publica a mais pura verdade.

20 março 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

O CORONEL BITÕEQUÊI

O coronel Bitônio Coelho, mas conhecido pelos capangas pela alcunha de Bitõequêi, era um fazendeiro ignorante, mais grosso do que cano de passar tolete. Era desses coronéis que arrancava a unha dos desafetos com alicate e a transformava em paleta de corda de violão.

Qualquer assassino de homem, mulher, matador de aluguel que chegassem a sua fazenda pedindo guarida, ele nunca dizia não, mas mandava o caboclo montar logo no cavalo alazão bruto, ou em boi brabo sem proteção e pegar cobra no mato com a mão e ter de trazer para ele ver. Era adepto de São Tomé.

Odiava ladrão! Quando pegava um traquinando na fazenda, capturava, pendurava de cabeça para baixo no tronco, arrancava-lhe as tripas e pulava corda com elas e o resto do corpo fazia igual ao que Bruno, Macarrão e Bola fizeram no de Eliza Samudio: concretava!

Certa vez chegou um caboclo em sua fazenda, trazido pelos capatazes, assassino confesso da mulher que dizia ter matado por estar lhe pondo chifres com um padeiro vizinho.

Seu Bitônio Coelho mandou o caboco aguardar no saguão do casarão enquanto calçava as botas para espiar a fazenda e vistoriar o gado junto com os outros capatazes no pasto.

Quando se aproximou do acaboclo este estava de cabeça baixa, macambúzio, chapéu de palha na mão e com olhar de fome.

Vendo que o caboclo estava com fome, o Homem não perdeu tempo. Chamou uma das governantas da casa, mandou preparar um cuscuz com três pacotes de fubá, com meio quilo de carne de charque para o visitante e mandou servi-lo com uma caçamba de leite de vaca tirado na hora. Não deu cinco minutos, o matuto valentão engoliu tudo de um trago só, tamanha era a subnutrição!

Satisfeita a barriga, o fazendeiro chamou o caboclo na varanda da casa grande e, com um facão na mão e uma carabina nos quartos, perguntou-lhe o que fazia ali e o que queria dele.

O homem não teve demora nas suas pretensões, e falou:

– Se vosmicê permitir, eu queria ficá aqui por uns dias. É que matei minha mulé e estou fugindo do comissário da puliça!

O fazendeiro não negou a guarida ao caboclo, mas mandou que ele fosse à mata, pegasse um boi brabo pelos chifres, agarrasse uma cobra surucucu e ficasse em riba de um formigueiro por uma hora, e ainda lhe trouxesse um enxame de marimbondo!

O caboclo tentou argumentar que era uma injustiça as condições impostas pelo fazendeiro, e este argumentou:

– Interessante né seu cabra! Você é ou não é homem valente?! Não matou sua mulher e quer se esconder da puliça? Entonce, aqui é o lugar certo, mas com essas condições que eu meto a todo mundo que chega aqui! Você não quer me decepcionar, quer?

Percebendo não ter outra saída, o caboclo aceitou o desafio imposto. Garrou dum cavalo, danou-se pro mato, laçou o boi, pegou a cobra e veio todo encalombado de mordidas de formiga e marimbondo, apresentar o resultado da empreitada ao patrão.

Necessidade faz sapo voar – disse o matuto aos colegas da fazenda!

Depois de passar pela empreitada macabra o caboclo ganhou a simpatia do fazendeiro e tornou-se seu capataz preferido ao ponto de tudo que o Homem iria fazer o chamava para acompanhá-lo. Até motorista do fazendeiro o caboclo passou a ser.

Certo dia, seu Bitônio Coelho precisou ir a uma concessionária no Centro da cidade comprar uma carreta Mercedes Bez para carregar cana, capim, adubo, para a fazenda e chamou o caboclo para acompanhá-lo porque naquela altura já lhe tinha adquirido confiança.

Ao entrar numa concessionária, seu fazendeiro, com as duas botas meladas de barros, bostas de vaca, de cavalo e fedendo mais do que gambá, se dirigiu ao gerente da loja, que o recebeu na maior bajulação.

Antes de se sentar com as calças toda suja de bosta, aparecendo os dois ovos murchos por causa da braguilha aberta, se dirigiu ao gerente, com o capataz junto com ele todo ancho:

– Ôh! Paulo, me diga uma coisa meu fio: quanto é que custa aquela meceda amarela que está logo ali na frente?

Antes de o gerente responder, o capataz, metido a intelectual, interveio e o tentou corrigir:

– Mas seu Bitõe, não é meceda não, é carreta Mecedes Bez!

Ao que o velho, enfezado, na bucha, respondeu:

– Taí, tu sabe dizê o nome correto, mas não tem dinheiro pra comprá! Eu não sei dizer, mas posso comprá tudo que está aqui na loja! E aí quem manda mais: sou eu ou é tu? De que vale tu sabê falá feito um dôtô e não ter dinheiro pra comprá uma picape velha?

O cabôco pôs o rabo entre as pernas e aprendeu mais uma grande lição da vida: Manda quem pode. Obedece quem é fudido! E, feito um burro adestrado, murchou as orelhas, e nunca mais questionou o patrão!

20 março 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

BREJEIRO

No dia 20 de março de 1863 nascia Ernesto Nazareth, na cidade do Rio de Janeiro. Vamos ouvir o Conjunto Época de Ouro executando um choro de sua autoria.

20 março 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)


http://www.forroboxote.com.br/
GOL

Sou de um passado, ainda não perdido na poeira da lonjura, em que havia jogo bonito, Tempos de Santos e de Botafogo. E em cada jogo, a bola era escrava do craque e cada ataque um prenúncio de gol. Coisa que não se aprende na escola. A barra era a senzala da bola, depois de um lançamento de não-sei-quantas jardas. A bola matada no peito, com todo o respeito, era amaciada pra grama (naquele tempo havia grama de verdade) e, de uma trivela bem dada ou uma folha-seca certeira a bola beijava a rede. O campo, um teatro, jogadores, seus atores dialogando uma troca de passe E os aplausos da galera como que a gritar Bravo! Hoje, os Pelés e Garrinchas já não enfeitam as tardes de domingos. A violência venceu e o clássico virou a mais reles das peladas. Como antes, apenas a bola continua redonda.

20 março 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

20 março 2017 DEU NO JORNAL

EMPLUMADO GANHA PRÊMIO ACUMULADO DA MEGA SENA

* * *

Atenção gente: este “mi” que está na manchete aí de cima não é de 50 mil.

São 50 milhões!!!

É dinheiro pra ladrão tucano deitar e rolar pelo resto da vida.

Quem quiser ler a matéria completa, é só clicar aqui.

20 março 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – BLOG DO ALPINO


http://www.fernandogoncalves.pro.br
PARA MAIS SABEDORIA

Há poucos dias, na FSP de 26 de fevereiro último, li um artigo do notável cientista brasileiro Marcelo Gleiser, hoje radicado nos Estados Unidos. O título do trabalho é provocante: A presença do inexplicável – o inesperado nos muitos níveis de realidade. E o resumo amplia a curiosidade por uma leitura atenta: “Ainda que a ciência busque oferecer chaves de leitura totalizantes para a realidade, o fato é que estamos cercados por mistérios. Há quem considere uma derrota da razão essa incapacidade de decifrar os enigmas que cadenciam a experiência humana. O texto insta o leitor a se deixar surpreender pelo insondável.” Vale a pena capturar na internet o artigo do Gleiser, autor do notável livro A Simples Beleza do Inesperado, recentemente lançado pela editora Record.

Vez por outra, deparo-me com gente que se declara entendido nisso e naquilo numa determinada área, imaginando-se muitos furos acima daqueles que se dedicam décadas de estudos a temas antigos e também correlatos, muito embora sempre conscientes de serem eternos aprendizes, nunca menosprezando ensinamentos dos primeiros desbravadores. Mas “eram homens e, como tais, se enganaram, tomando suas próprias ideias pela luz. No entanto, mesmo os seus erros servem para realçar a verdade, mostrando o pró e o contra. Ademais, entre esses erros se encontram grandes verdades que um estudo comparativo torna apreensíveis”, como alerta Allan Kardec em seu O Livro dos Espíritos, item 145. Muito bem complementado na muito contemporânea questão 628, um baita stop nas pretensões daqueles que se imaginam tampas-de-foguete e definitivos nas matérias por eles desenvolvidas: “para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamentos, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos, e podem contribuir grandemente para vossa instrução.”

Numa época em que os russos tornaram-se extraordinários com as experiências de telepatia, muitos cientistas norte-americanos ratificaram a tese de que a mente e o pensamento não são matérias, outros que estudam a sobrevivência da mente após a morte do corpo, e também Joseph Banks Rhine (1895-1980), botânico estadunidense fundou a investigação científica na parapsicologia, definindo a Parapsicologia como “uma ciência da natureza não física, uma disciplina envolvida com fenômenos que falhavam em mostrar relações regulares com o tempo, espaço, massa e outros critérios fisicalistas, escapando a mente dos limites corporais sobre certas condições”, o mundo ingressa num tempo axial. E por tempo axial, segundo Karl Jaspers, é aquela conjuntura onde as ideias se alteraram qualitativa e quantitativamente, onde até o papa Francisco, muito corajosamente distanciado das antessalas sinistras do Vaticano afirmou, em 23/2, que é preferível a sinceridade dos ateus que as hipocrisias dos que se postam de cristãos.
Encontramo-nos numa estupenda encruzilhada da História da Humanidade, onde tudo se convulsiona, nos mais diferenciados aspectos: religioso, axiológico, econômico, político, familiar, relacionamentos humanos, entre grupos sociais e entre países e continentes. Vivenciamos a mais profunda mudança da história humana, onde a instantaneidade das informações ampliam perplexidades, inconformismos e tragédias, incompetências gerenciais e estratégias institucionais, públicas, empresariais, militares e religiosas, onde amplia aceleradamente a busca por uma espiritualidade mais solidária para com os menos favorecidos, de maior conformidade com a sobrevivência do todo planetário.

Atualmente, o ser humano está pensando muito pouco, tornado pela civilização pós-moderna num homem prático, inteiramente voltado para os problemas imediatos, funcionando como uma máquina, não raras vezes recorrendo ao suicídio ou às drogas, por não mais aceitar sua cegueira mental. Age como um robotizado, crendo sem qualquer indagação a partir de uma tradição que lhe foi imposta quando as circunstâncias eram bem outras. Daí se dizer que o ateísmo e a crendice idiotizada são os dois extremos perigosos da atual condição humana, tornadas ausentes as luzes do indispensável esclarecimento espiritual.

Para aqueles que buscam ampliar seu humanismo, recomendo a leitura de O Homem Novo, de J. Herculano Pires, São Bernardo do Campo SP, Correio Fraterno, 2008, 159 p. E também Para uma espiritualidade leiga – sem crenças, sem religiões, sem deuses, Marià Corbi, São Paulo, Paulus, 296 p. E ainda Sabedoria Espírita: aprendendo a viver melhor com Allan Kardec, de Daniel Araújo Lima, Curitiba, Nobilitá, 2015, 142p. Esta última, elaborada por um cearense graduado em Direito e com especialidade em Filosofia pela University of Oxford, busca a imbrincação cognitiva entre a Filosofia e a Doutrina Espírita, buscando respostas para três questões fundamentais: O que podemos saber?, O que devemos fazer? e O que nos é lícito esperar?

No mais, as indicações acima possibilitam um salutar início de uma vida sem preconceitos, abrangente e profunda, densamente cultural, sem as merdalhadas atuais que enodoam uma contemporaneidade desparafusada pelo desconhecimento de uma maioria em como desenvolver uma pensação essencialmente libertadora, uma base racional de crença para combater o agnosticismo que se espraia em todos os continentes.

PS. Plena razão tem J. Herculano Pires em seu livro: “Não basta tornar-se alguém um especialista na letra, é preciso que procure, com humildade, sem pretensões sectárias, a compreensão espiritual.”

20 março 2017 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE (CE)


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