2 abril 2017 FULEIRAGEM

LORENZO – CHARGE ONLINE

2 abril 2017 JOSIAS DE SOUZA

PSDB JÁ NÃO É O QUE FOI E NÃO SABE O QUE SERÁ

O PSDB vive uma crise de identidade. Tornou-se o pior tipo de ético – o tipo que não consegue enxergar a ética no espelho. Houve tempo em que o partido se vangloriava até de sua divisão interna. Cada arranca-rabo para a escolha de uma candidatura tucana era tratado como um marco civilizatório na vida política nacional. Dizia-se que uma disputa entre Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra só trazia vantagens, pois nenhuma outra legenda podia levar à vitrine contendores tão qualificados. Agora, o tucanato se esforça para medir não a qualificação dos seus pássaros, mas a quantidade de lama que cada um traz sobre a plumagem.

Até ontem, o PSDB apresentava-se como campeão da moralidade. E se atribuía o direito de denunciar os adversários como salteadores. Apanhados com a asa nas arcas da Odebrecht, os tucanos protegem-se alegando que caixa dois não é corrupção. Suprema ironia: na crise do mensalão, o tucanato achou que poderia sangrar Lula e varrer para baixo de sua hipocrisia a aliança do seu presidente, Eduardo Azeredo, com Marcos Valério. Na era do petrolão, o ninho acha natural ecoar o lero-lero da verba “não-contabilizada” do tesoureiro petista Delúbio Soares. Mandou a credibilidade para o beleléu.

Nas pegadas da derrota apertada de Aécio Neves em 2014, o PSDB foi ao Tribunal Superior Eleitoral. Acusou a coligação adversária de prevalecer na base do abuso do poder político e, sobretudo, econômico. Pedia, então, a cassação da chapa Dilma-Temer e a posse da chapa Aécio-Aloysio Nunes, segunda colocada. O tempo passou. Sobreveio o impeachment. Tucanos viraram ministros. E o PSDB pede ao TSE que condene Dilma à inelegibilidade, mas livre Temer da guilhotina. Sustenta que o dinheiro sujo que bancou a continuidade de madame não contaminou a reeleição do seu substituto constitucional. O tucanato perdeu o nexo.

Sem ética, sem credibilidade e sem nexo, o PSDB já não é o que foi – ou imaginava ser. E ainda não sabe o que será. Deve doer em Aécio, Alckmin e Serra a ideia de encenar o papel de políticos que fazem pose de limpinhos numa peça imunda. Meteram-se num enredo em que a personagem principal é a Odebrecht e cujo epílogo é uma candidatura presidencial do prefeito João Dória fazendo cara de nojo e alardeando na televisão que é um empresário, não um político.

2 abril 2017 FULEIRAGEM

FRAGA – CHARGE ONLINE

2 abril 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UMA RECOMENDAÇÃO E UMA PRAGA

No texto de Mary Zaidan, publicado hoje no JBF, tem uma frase que eu gostaria de ressaltar.

É esta aqui:

“Em cada novo ato do MPF, da PF e de Moro, o apavoramento se agudiza.”

Recomendo a leitura da coluna dela com muito entusiasmo. Está logo aí embaixo.

Bom domingo para nós todos, eleitores e contribuintes, homens de bem e cidadãos decentes.

E uma praga pra tudo quanto é ladrão e corrupto deste país:

Vão vocês tudinho tomar no olho do fedegoso e arder nas chamas das profundas dos quintos dos infernos, bando de cabras safados!!!

2 abril 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

2 abril 2017 REPORTAGEM

DESACATOS EM SÉRIE

Declarações investidas de uma audácia ímpar proferidas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ex-ministro Ciro Gomes, repletas de ofensas e críticas pesadas aos coordenadores da Operação Lava Jato, colocam os dois pretensos candidatos a presidente da República em 2018 na rota de colisão com o ordenamento jurídico. O tom raivoso de Lula, que chamou um procurador de “moleque”, pode ser enquadrado, no mínimo, como um crime de injúria. O despautério de Ciro, que afirmou receber “na bala (sic)” as pessoas porventura enviadas pelo juiz Sergio Moro para prendê-lo, configura uma ameaça gravíssima. Num passado não muito distante, declarações como essas levariam os dois a serem responsabilizados por desacato à autoridade. Se fossem cidadãos comuns, poderiam ser presos por isso.

A escalada de ataques ao Judiciário não encontra paralelo na história recente do País. O palco da sanha verborrágica de Lula, como não poderia deixar de ser, foi um seminário do PT, na sexta-feira 24, em que o partido, logo quem, dignou-se a pontificar sobre a Operação Lava Jato. Claro, a estrela principal do evento, réu em cinco processos, três dos quais por corrupção, estava ali única e exclusivamente para destilar impropérios contra as autoridades que o investigam e julgam. O procurador Deltan Dallagnol foi tachado de “moleque”. Já Moro e um delegado da Polícia Federal, segundo a régua de Lula, não tinham “a lisura, a ética e a honestidade” que, pasme, o petista alega ter. Afirmou ainda que sua condução coercitiva pela Polícia Federal em março de 2016, foi “a coisa mais sem vergonha da história deste País”. Dois dias depois, foi a vez de Ciro, famoso por suas declarações completamente destrambelhadas e intimidatórias, típicas de um coronel do Nordeste, passar mais uma vez do tom. “Ele que mande me prender que eu recebo a turma do Moro na bala”.

Juristas ouvidos por IstoÉ dizem que Lula e Ciro também cometeram crime de injúria ao ameaçarem autoridades

Os ataques a Moro e Dallagnol não são impensados. Em 4 de março de 2016, no dia da condução coercitiva de Lula, o senador Jorge Viana (PT-AC) telefonou para o advogado do petista, Roberto Teixeira, e recomendou que o ex-presidente enfrentasse o processo jurídico de forma política, forçando uma prisão por “desacato”, chamando o juiz de “bandido”, a fim de transformar Lula em um “preso político”. Ou seja, trata-se de uma um estratagema do petista para escapar da Justiça, e do radar de Moro, apelando para a vitimização.

Tanto assim que logo depois da condução coercitiva, Lula ingressou no Tribunal Regional Federal, da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, com pedido para que o juiz Sergio Moro deixasse de ser o responsável por seu julgamento em Curitiba. Lula, como se sabe, perdeu. Das cinco ações em que Lula é réu, duas estão com Moro. Uma delas é sobre os benefícios que ele recebeu na aquisição de um tríplex no Guarujá. Ate junho, o ex-presidente pode ser sentenciado. Caso seja condenado e o TRF-4 reafirme a sentença, Lula torna-se ficha suja e não poderá ser candidato em 2018. Já contra Dallagnol, Lula entrou na Justiça porque o procurador o denunciou como “chefe de quadrilha” numa entrevista coletiva para anunciar a abertura de mais um processo contra o ex-presidente. Lula chamou essa entrevista de denúncia do “Power point” e está acionando Dallagnol na Justiça, pedindo uma indenização por danos morais de R$ 1 milhão.

Fontes ligadas à Justiça do Paraná dizem que tanto Lula quanto Ciro poderiam responder por crime de injúria ou desacato, mas que nem Dallagnol e nem Moro pretendem se ocupar com isso. O professor da USP José Álvaro Moisés entende que as declarações dos dois presidenciáveis mostram um jeito autoritário de se lidar com quem pensa diferente. “Nos dois casos, embora em graus diferentes – o Ciro é muito mais despreparado -, eles partiram para brutalidade”, avalia. Para o especialista, Ciro “merece ação policial”. Até quando?

Transcrita da Revista Isto É

2 abril 2017 FULEIRAGEM

BENETT – GAZETA DO POVO (PR)


NO TEMPO DO QUEROSENE E DO VELOCÍPEDE

Lamparina usada para “aluminar” as casas da roça de antigamente

A casa era grande – não no sentido da Casa Grande de Gilberto Freyre – com vários cômodos. Paredes construídas com barro de estuque e varas de marmeleiro amarradas com palha de carnaúba, deixava sempre um cheiro de Terra. Cheiro de vida, de suor e tempero da paixão que sempre tivemos pelo nosso lugar. Lugar onde nascemos, vivemos e nos sentiríamos premiados por Deus, se, também pudéssemos ter a sorte de fechar pela última vez os olhos naquele mesmo lugar.

O dia, como um poema que se renova a cada dia, começava com o cantar do galo e os berros dos cabritos, cabras e bodes. O silêncio era tão grande, que qualquer pessoa de boas “oiças” poderia escutar o barulho da água fervendo para o café matinal.

A claridade chegava e com ela a hora de apagar a lamparina acesa no escurecer do dia anterior, “na boquinha da noite” – para alumiar apenas o “cômodo” onde se juntasse mais gente.

– Meu fii, vá na venda comprar “uma quarta de litro de querosene”!

A fala continha um misto de ordem com um pedido de favor e poderia ser entendida de outra forma, se não fosse atendida imediatamente:

– Menino, se avexe e cuide logo, se não nós fica no escuro, quando a noite chegar!

Por anos, a lamparina foi a principal “peça” noturna daquela casa. Servia para tudo. Desde “alumiar” a escuridão, até acender o cachimbo – era, também, a grande forma de economizar o desperdício de fósforos.

Bomba de rojão

Começava o mês de abril e, quando menos se esperava, chegava a Semana Santa e, logo após, o dia 13 de maio, comemorado no Brasil em homenagem à Nossa Senhora de Fátima. O fim de maio chegava rápido, como se fosse guiado por um meteoro.

Começava junho e a propaganda iniciava os apelos para as compras do Dia dos Namorados, 12 de junho. Em seguida – o dia seguinte – os rojões, traques, foguetes e tudo que representava o período junino começava a “espocar” pela cidade. Fortaleza, ainda hoje é assim.

As fogueiras, as bananeiras sendo “feridas a faca” pelas simpatias das solteironas, anunciavam o dia de Santo Antônio: 13 de junho e estava aberta a porteira oficial para os milhos assados, os bolos de carimãs, os aluás de milho, de pão ou de casca de abacaxi. Os bolos de milho, pé-de-moleque, bolo de batata doce.

Pais chegavam de volta à casa e com eles vinham as caixinhas de “traques” de estalinho, bombas de fósforo, foguetes rabos de saias – mas nunca faltavam as bombas de rojão, as cabeças de nêgo, as rasga latas.

Fila para telefonar no “orelhão” – o outro, com defeito

Ao completar 18 anos e ficar livre de servir ao Exército, Paulinho precisava sair da casa dos pais para tentar a vida (ainda sem uma profissão definida). Com o dinheiro colocado no cofrinho de lata, conseguiu comprar a passagem para a capital. Lá trabalharia mais alguns meses e juntaria as economias para viajar e tentar a vida em São Paulo. Nas priscas eras, na capital paulista sempre se encontrava trabalho fácil – para quem queria realmente trabalhar.

Tudo como planejado. Trabalho garantido, estudos reiniciados para a profissionalização definitiva que não demoraria.

Na tarde do sábado, Paulinho gastou passagens de ônibus e de trem urbano e foi até o “centro” onde encontraria a Central Telefônica e, lá, telefonaria para casa. Mais precisamente para a venda do Seu Cipriano. Falou pouco, pois falaria mais no domingo, com tarifa mais barata:

– Alô, é Seu Cipriano?

– Sim. Quem fala?

– Seu Cipriano, aqui quem fala é Paulinho, filho de Ademir de Rosa. Por favor, peça para alguém falar um recado para o meu pai, que, amanhã, às 10 horas eu volto a telefonar para falar com ele.

Era assim que se usava telefone, não faz tanto tempo assim. Hoje, embora seja o objeto preferido dos assaltantes, para trocar ou pagar dívidas com a droga, qualquer pessoa possui um telefone celular. Telefone de conta no final do mês, telefone pré-pago com direito a bônus e ainda tem o whats-ap.

Detalhe: nenhuma operadora de telefone (apesar de “pagar muita propina”) que serve ao povo brasileiro, presta serviço de qualidade.

Velocípede – presente comprado com esforço pelos pais

Velocípede, patinete, pião, io-iô, bambolê (para as meninas), quebra-cabeças, carrinho de madeira – no meu caso, sempre ganhei mesmo foi serra tico-tico, martelo, serrote, lixo para madeira, prego e eu mesmo que fizesse meus brinquedos.

Por muitos anos, pais faziam economia para garantir a compra do material escolar no ano seguinte, bem como o uniforme, os sapatos e a pasta para carregar os livros. Mas, o velocípede, era um presente que os “niños” ganhavam para passear ás tardes na pracinha ou no parque. Ou em casa, no alpendre.

Por que mudamos tanto?

O que ganhamos, de prático, com essas mudanças?

Não faz tanto tempo, o nosso “telefone” eram duas latas vazias amarradas a um barbante, e vivíamos na ilusão da comunicação – e, provavelmente por isso, nunca nos trumbicamos.

2 abril 2017 FULEIRAGEM

MOISÉS – BLOG DO MOISÉS

2 abril 2017 A PALAVRA DO EDITOR

ENQUETE FUBÂNICA (X)

O instituto Data Besta informa o resultado da última pesquisa.

A Editoria desta gazeta escrota agradece a participação dos que votaram.

Semana que vem tem mais!

 

2 abril 2017 FULEIRAGEM

SIMANCA – A TARDE (BA)

2 abril 2017 RUY FABIANO

O ESCÂNDALO DOS SIGILOS

Na hierarquia dos escândalos brasileiros – que não são poucos, nem insignificantes -, nenhum se sobrepõe ao da preservação do sigilo das delações dos 78 executivos da Odebrecht.

O vazamento mais recente, ontem registrado, envolve o senador Aécio Neves, do PSDB, acusado pelo ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Junior, de ter recebido propina em conta corrente de sua irmã, Andrea Neves, em Nova York.

A propina teria sido contrapartida ao atendimento de interesses da construtora, ao tempo em que Aécio governava Minas, entre 2007 e 2010 – mais especificamente, a obra da Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, e a construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, de cujo consórcio participou a Cemig, a estatal mineira de energia elétrica.

Há, nos demais depoimentos, acusações equivalentes ou piores, envolvendo as mais graduadas figuras da República, que, se inocentes fossem, deveriam ser as mais interessadas em divulgá-los.

O escândalo do sigilo em benefício dos infratores, tratado como ato legítimo e necessário pela Justiça, mesmo não o sendo, está envolto em um doce mistério: por que tamanho zelo com a reputação de quem não teve zelo algum com os contribuintes e os cofres públicos? As histórias de detetive ensinam que, quando uma ação não tem dono – e é o caso -, convém buscar sua autoria na resposta a uma pergunta: a quem interessa?

No caso, o sigilo só interessa aos políticos delatados, já que seus parceiros na rapina, os empresários, não tiveram sigilo algum. Os sigilos induzem aos vazamentos. E a Justiça continua mais preocupada com eles que com o que revelam, atitude em desacordo com o sentimento geral da sociedade. Se vazar é ilegal – e é -, resta saber se é legal ocultar o que claramente precisa ser público.

Até hoje, não se sabe, por exemplo, por que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anulou a delação premiada de Leo Pinheiro, da OAS, o empreiteiro mais próximo de Lula, responsável pela doação do controvertido tríplex do Guarujá.

Em relação à delação da Odebrecht, Janot age de maneira oposta: pede ao STF, mais especificamente ao relator da Lava Jato naquela Corte, o ministro Edson Fachin, que quebre o sigilo. Fachin, até aqui, fez-se de surdo – e mudo. Resta o mistério: por que Janot mandou incinerar o depoimento de Leo Pinheiro?

O ministro Gilmar Mendes, do STF e presidente do TSE, ameaçou fazer o mesmo com o depoimento de Marcelo Odebrecht ao juiz Herman Benjamin, relator do processo que examina se houve irregularidades na eleição da chapa Dilma Roussef-Michel Temer, nas eleições de 2014. Segundo Marcelo, houve – e muitas.

Foi preciso que vazasse para que se soubesse – não tudo, mas alguma coisa, o suficiente para desfazer mitos correntes, como o de que a ex-presidente Dilma Roussef não sabia de nada e de nada participou. Os crimes lá relatados, dos quais ela é cúmplice, incluem Lula, mesmo não sendo ele o objeto da ação.

Permitem ver também – e principalmente – que aquela eleição é nula de pleno direito, assim como as que a precederam na Era PT. As dimensões da roubalheira não têm precedentes nem aqui, nem em parte alguma do planeta, em nenhuma época.

Só a Odebrecht – e há mais umas dez empreiteiras a depor – pagou a políticos propinas de 3,4 bilhões de dólares – cerca de R$ 10 bilhões -, entre os governos Lula e Dilma.

De onde veio esse dinheiro? Simples: licitações fraudadas, obras superfaturadas, propinas estocadas nos caixas dos empresários amigos, para serem liberadas não apenas a pretexto das eleições, mas a qualquer tempo e hora. A Petrobras foi a vítima maior, mas não a única. A Odebrecht abriu uma filial no Panamá apenas para gerenciar as propinas.

Marcelo contou que, nesse setor de sua empresa, havia uma “conta” intitulada “Presidência da República”, inicialmente movimentada por Lula, via Antonio Palocci (o “Italiano”), e posteriormente por Dilma, via Guido Mantega (o pós-Italiano).

Ambos eram ministros: Palocci, da Casa Civil (de onde teve de se demitir, devido a denúncias), e Mantega, da Fazenda. Nada menos que os dois principais figurões da República.

Do atual governo, além do próprio presidente, há ao menos dois ministros – Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência da República -, os presidentes da Câmara e Senado e uma centena de parlamentares acusados.

É isso, dentre outras coisas, que o sigilo oculta da sociedade. Um escândalo que acoberta os demais – e é do tamanho deles.

2 abril 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

FATOS, DADOS, PROVAS E NÚMEROS: COISA DE BOBINHOS

Comentário sobre a postagem DEU NO ANTAGONISTA

Goiano:

“O papel aceita tudo.

Os bobinhos também.”

* * *

AGUENTAR UMA DESSA É O QUÊ???

2 abril 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

2 abril 2017 MARY ZAIDAN

INTELIGÊNCIA QUE DÁ MEDO

Condenado a mais de 15 anos de cadeia, o ex-deputado Eduardo Cunha volta a assustar. Não porque tenha poder de fogo – é carta fora do baralho, teria dificuldades até mesmo para firmar um acordo de delação premiada -, mas pelo teor da sentença que o condenou. A peça confronta a sofisticação dos crimes cometidos com os avançados padrões de inteligência para rastreá-los, com indiscutível vitória da investigação.

A leitura da sentença é didática. Em 536 tópicos, 109 páginas, o juiz Sérgio Moro resume as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, realizadas com apoio da Suíça, indicando cada um dos documentos comprobatórios da acusação.

A remessa para Cunha de dinheiro originário da compra, pela Petrobras, de um campo de exploração em Benin, na África, feita em parceria com uma empresa sem qualquer expertise no setor e muito menos fundos, e que não produziu uma única gota de óleo. O cruzamento entre contas bancárias oficiais e não declaradas mantidas no exterior com cartões de crédito e de compras, de depoimentos, telefonemas, contas de terceiros citados pela defesa do ex-deputado, dados da Receita Federal. Tudo ali unido, pontos e pontas.

Provas fartas, difíceis de serem rebatidas. Desmoronamento de falsos álibis e das teses de nulidade pretendidas pela defesa, a maior parte delas, como Moro faz questão de citar, negada pelo então relator da Lava-Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, morto há pouco mais de dois meses.

A sentença mete medo porque não há acusação sem prova. Nem mesmo apoio na tese de domínio de fato, tão contestada na época do mensalão. Não se embasa em relatos de delatores (embora os use para corroborar os delitos), mas em documentos, extratos, assinaturas.

E como os investigadores e a origem dos delitos são os mesmos, fica claro que também será assim no Supremo para aqueles que gozam de privilégio de foro.

Ainda que já tivessem sido alertados para o requinte que as investigações adquiriram, políticos enrolados com a Lava-Jato aparentemente continuavam sem crer nisso. Especialmente os que passaram ao largo do mensalão, processo restrito à instâncias superiores, sem a montagem de uma equipe especial de primeiro grau para as apurações. Na época, também não se viu colaboração internacional do porte da que se tem hoje.

Tanto é assim que a roubalheira não cessou pós-mensalão. Como as penas mais severas recaíram para os operadores do esquema e não para os políticos, imaginava-se que mesmo diante de um escândalo de maiores proporções valeriam as regras da impunidade e da incapacidade de a investigação produzir provas.

“Nem Eduardo Cardozo, quando era ministro da Justiça da Dilma, acreditava que a Polícia Federal fosse capaz de rastrear isso”, diz um agente federal que participou das investigações da Lava-Jato.

Sem falar uma única palavra sobre o teor das apurações – para as quais defende sigilo absoluto -, ele diz que governo algum, nem Lula, nem Dilma, nem Michel Temer, tem como interferir no trabalho da PF. Nem para o bem nem para o mal. Eles “desconhecem o nível do desenvolvimento dos setores de inteligência da PF”, que começou a interagir com o que há de mais sofisticado em matéria de rastreamento de dinheiro no planeta a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, um marco para a cooperação das polícias em todo o mundo.

Em cada novo ato do MPF, da PF e de Moro, o apavoramento se agudiza.

Na mesma quinta-feira em que Moro sentenciou Cunha, parlamentares do PT, Zé Geraldo (PA), Wadih Damous (RJ), e do PSB, Danilo Forte (CE), se revezaram em acusações grosseiras ao juiz, convidado especial para um debate na Câmara dos Deputados sobre o novo Código Penal.

Fora a descortesia, a virulência dos ataques revela o despreparo (e o desespero) dos deputados para lidar com a situação posta: Moro vai julgar fatos a partir de provas apresentadas pelo MPF e pela PF.

Não importa quem é o réu. Na quinta-feira foi Eduardo Cunha, o ex-todo-poderoso do PMDB. Em um futuro próximo, o ex-presidente Lula, hoje sem a regalia do foro de função. E, ainda que apeláveis ao Supremo, as decisões de Moro têm sido na maior parte das vezes referendadas pela Corte superior.

E – justiça seja feita – nada disso seria possível sem a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, sem a inteligência. São elas que propiciam que o martelo da Justiça possa pôr fim à impunidade.

2 abril 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

O MAR SERENOU

Na dia de hoje, 2 de abril, no ano de 1983, encantou-se Clara Nunes.

Já lá se vão 34 anos que ela partiu…

Vamos reverenciar sua memória ouvindo-a cantar uma composição da autoria de Candeia.

2 abril 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

É SEM NUNCA TER SIDO

O Tribunal Superior Eleitoral inicia depois de amanhã o julgamento da chapa Dilma-Temer, acusada de abuso do poder econômico nas eleições de 2014. Se houver condenação, a chapa é cassada; os candidatos perdem o cargo que tenham obtido. Dilma já se foi; Temer perde o mandato.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio cassou o registro da chapa Pezão – Francisco Dornelles. E, portanto, decidiu afastá-los dos cargos que ocupam, governador e vice-governador do Rio.

Pezão e Dornelles foram cassados, mas continuam exercendo o mandato até que o Tribunal Superior Eleitoral julgue seu recurso. Não dá tempo: até o recurso ser julgado, o mandato de ambos estará findo. Algo semelhante deve ocorrer com Michel Temer: o relator do processo, ministro Hermann Benjamin, pode apresentar relatório desfavorável ao presidente. Mas, ao que se sabe, ministros favoráveis a Temer estão dispostos a pedir vistas do processo, paralisando tudo. Na prática, não há prazo para devolver os autos, e enquanto isso o julgamento não anda. Mas imaginemos que o processo se mova e Temer seja derrotado. Vai continuar no cargo enquanto todos os recursos não forem julgados. E, em 31 de dezembro de 2018, à meia-noite, seu mandato presidencial se encerra. Depois disso, uma eventual condenação não passará de curiosidade histórica. Como dizia o ex-ministro Roberto Campos, o Brasil não corre o menor risco de dar certo.

Numerologia 1

Da internauta Simone Queiroz, assídua leitora desta coluna:

“13 é o número do PT/13 anos no poder
13,5 milhões de desempregados
Está comprovado: 13 é um número azarado.”

Numerologia 2

O juiz Sérgio Moro trabalha na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Inflação em queda

A inflação (em parte por maus motivos, como a recessão que obriga os fornecedores a reduzir, ou no máximo manter, seus preços; em parte por bons, já que as medidas antiinflacionárias estão funcionando) mostra tendência de queda – a tal ponto que o ministro Henrique Meirelles pensa em reduzir a meta oficial, em 2018, para 4,25%; e para 4% em 2019. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já propôs que, a longo prazo, o país busque inflação máxima de 3% ao ano. Hoje a meta é de 4,5%, e o Governo Dilma a ultrapassou todos os anos.

Comércio respirando

A assessoria econômica da Federação do Comércio de São Paulo registra boa recuperação do varejo paulistano em janeiro. É o terceiro aumento seguido nas vendas, que subiram 5,9%, puxadas por concessionárias de veículos, que tiveram alta de 2,8%. Segundo a Federação, o crescimento de vendas de veículos indica a melhora das expectativas dos consumidores paulistanos, já que envolve gastos elevados por um extenso período. Mas os números do desemprego continuam altos.

Ainda falta!

As leves melhoras na economia não foram suficientes para dar uma injeção de popularidade no presidente da República. Uma pesquisa do Ibope, encomendada pela CNI, Confederação Nacional da Indústria, mostra péssimos índices para Michel Temer. Dos entrevistados, 55% consideram seu Governo ruim ou péssimo, contra 10% que o consideram ótimo ou bom. A esperança de Temer está numa recuperação econômica que seja percebida pelos eleitores e os convença de que o desemprego será reduzido.

Falta muito!

De acordo com pesquisa de outro instituto, o Ipsos, sobre a avaliação dos políticos brasileiros, o ex-presidente Lula está na frente: 38%. Mas tem dois grandes obstáculos no caminho para disputar a Presidência: o primeiro é que tem 59% de rejeição. A popularidade não é suficiente para elegê-lo no primeiro turno, e a rejeição é alta demais para permitir-lhe a vitória no segundo. O outro motivo é que o juiz Sérgio Moro e o ministro aposentado do Supremo Joaquim Barbosa são mais populares do que ele, e enfrentam menor rejeição. Moro tem 63% de popularidade; Barbosa, 51%.

Fato novo

Há também um novo possível candidato que pode criar problemas para Lula: o prefeito paulistano João Dória Jr., do PSDB, cuja administração vem sendo muito bem avaliada. Dória diz que não pretende deixar a Prefeitura no meio do mandato e que seu candidato a presidente é o governador Geraldo Alckmin. Mas como se comportará se as pesquisas, no ano que vem, o indicarem como o mais forte candidato entre os tucanos, com possibilidades reais de se eleger presidente? Alckmin, lembremos, já perdeu de Lula, com menos votos no segundo turno do que no primeiro.


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