NEURÔNIO MAFIOSO

Dilma reconhece que foi uma faxineira que não soube viver sem lixo por perto

“Diz-me com quem tu andas que eu te direi quem és”.

Dilma Rousseff, em entrevista à Folha, justificando por que passou tantos anos ao lado de José Dirceu, Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, Alfredo Nascimento, Carlos Lupi, Edson Lobão e Lula, fora o resto.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

JOSÉ SILVA – CAMPO GRANDE–MS

Sr. Editor,

Hoje deparei-me com uma fubânica notícia que me levou a meditar, incluindo entre as grandes questões do universo as seguintes indagações:

Quem é a cafetina?

Quem são as “meninas”?

Será que as frenéticas defensoras da Anta fazem parte dessa “casa”?

Será que entenderam mal o “é dando que se recebe”, esquecendo que também “é dando que se concebe”?

Então resolvi consultar esse emputecido oráculo fubânico para deslindar tão intrigante mistério.

R. Quem quiser saber as razões da angústia do nosso meditativo e filosofófico leitor, é só clicar na manchete abaixo que ficará por dentro de tudo:

Petistas de Lula recebiam dinheiro sujo da Odebrecht até em puteiros, diz Marcelo Odebrecht

Uma coisa é certa: se existe a palavra “puteiro” no meio, com absoluta certeza tem a ver com Lula e com o JBF, antro de escrotidão e raparigagem.

Só pra você ter uma ideia, veja o reclame que recebi ontem da minha querida amiga Maria Beira-Roxa, dona da Pensão Riso-da-Noite, o maior puteiro de Palmares.

Me mandou a publicidade do estabelecimento e também uma foto dela, proprietária, pedindo que fossem ambas publicados no JBF. 

Aproveito esta postagem pra atender ao pedido desta estimadíssima figura, pela qual tenho um carinho e um bem-querer muito grande. Publico com muita satisfação.

Maria Beira-Roxa é uma conterrânea empreendedora, excelente recrutadora e administradora de tabacas, além de cantora afinadíssima de músicas bregas.

Quando aparece algum xexeiro em seu estabelecimento, ela expulsa debaixo de porrada e, em seguida, canta “Vá Com Deus“, de Roberta Miranda. E a freguesia aplaude com entusiasmo.

Confira na tabela aí embaixo que Palmares evoluiu tanto que “bimba” passou a ser chamada de “pinto“, como acontece nos grandes centros putáricos bananíferos.

E vamos aproveitar que os preços estão baratinhos.

É promoção de Páscoa!!!

Maria Beira-Roxa, distinta amigo do Editor, e a tabela de preços do seu estabelecimento

6 abril 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

6 abril 2017 HORA DA POESIA

HIMENEU – Vinicius de Moraes

Na cama, onde a aurora deixa
Seu mais suave palor
Dorme ninando uma gueixa
A dona do meu amor.

De pijama aberto, flui
Um seio redondo e escuro
Que como, lasso, possui
O segredo de ser puro.

E de uma colcha, uma coxa
Morena, na sombra frouxa
Irrompe, em repouso morno

Enquanto eu, desperto, a vê-la
Mesmo sendo o homem dela
Me morro de dor-de-corno.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

CASAL DO MAL

Comentário sobre a postagem MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

Dalinha Catunda:

Subia a temperatura
A chapa estava esquentando
Mas acabaram botando
Muita água na fervura
E nessa tal conjuntura
Só perde a população
Uma boa ocasião
De se livrar do casal
Que já causou tanto mal
Ao povo desta nação.

* * *

6 abril 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

A SEMANA É SANTA, MAS ENTRE VINHOS E CHOCOLATES

Meus netos estão se empanturrando de chocolate para alegria dos fabricantes. Essa invencionice comercial, a venda da “comida dos deuses” durante a Páscoa, está definitivamente institucionalizada pela propaganda massiva. Nossos netos vêem o ovo de chocolate e o coelho como símbolos da semana da paixão e morte de Cristo. Um período mais apropriado à meditação, à oração, tornou-se a festa do chocolate.

Os marqueteiros não combinaram com a Igreja, tão conservadora nos assuntos sobre sexo, pois, coelho é o símbolo de procriação, de fertilidade, de muitas transas, e chocolate é conhecido como alimento afrodisíaco. Portanto, os símbolos da semana santa moderna, inventados pelo comércio, são apologias ao sexo. Não deixa de ser uma evolução da Igreja, sempre castradora em sua história.

Juntar coelho com ovo de chocolate deu samba de crioulo doido. Meu neto menor em sua inocência perguntou porque o ovo de coelho é de chocolate e o da galinha é de cozinha. Foi difícil explicar.

Sou saudosista das tradições, mesmo sem muita crença, tenho boas recordações da semana santa de meu tempo de criança ou juventude.

Iniciava no Domingo de Ramos quando se comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém montado em um burrico. Seus discípulos trouxeram dois burricos puseram em cima deles suas vestes, e sobre elas Jesus montou. A multidão estendeu suas vestes e cortaram ramos das árvores, espalhando-os pela estrada, formando um tapete de folhagem para o Rei dos Reis passar em cima de um jerico. O povo acompanhava Cristo, aclamava: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Entrando Jesus em Jerusalém, toda cidade se alvoroçou. Perguntavam Quem é este? E a multidão respondia: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.” Assim li, aprendi e está escrito na Bíblia.

Sempre achei essa parte da história de Cristo muito emblemática. Entrada triunfal num jerico, logo depois ser traído e crucificado. Mas para meninada dos anos 50/60, o melhor do Domingo de Ramos era a procissão. Iniciava na Catedral, os colégios femininos religiosos compareciam: São José, Sacramento, um desfile de meninas bonitas, a moçada comparecia mais para paquerar. Um olhar, um sorriso, um piscar de olho valia a pena a missa, a procissão.

O feriado começava na quinta-feira santa, a partir desse dia era proibido comer carne. Em compensação minha mãe cozinhava um delicioso bacalhau, arabaiana, camarão, feijão ao coco, jerimunzada, brêdo, uma delícia. Por que só existe esse maravilhoso tipo de comida na semana-santa? Nunca esclareceram-me essa dúvida.

Na noite da quinta-feira havia uma brincadeira perigosa. A meninada saía em bando, cinco a seis moleques para o “Serra Velho”. A serração de velho é uma tradição européia conhecida desde o século XVIII. Reunia-se o grupo de jovens brincalhões, diante da casa de um velho. Serravam um pedaço de tábua com muito ruído, muito choro, muito lamento. Os velhos “serrados” irritavam-se com a brincadeira. Pela crença popular, velho serrado morreria naquele ano, não chegava à outra Quaresma. A garotada cantava alto acordando a vizinhança: “As almas do outro mundo vieram lhe avisar que deste ano o “Seu Fulano” não vai passar”. “Encomende a alma a Deus, que seu corpo já não vale nada”. E liam um bem humorado testamento em versos feitos anteriormente com ajuda de adultos. Os velhos ficavam brabos. Certa vez levamos uma carreira do pai do Toroca na Pajuçara. Seu Pádua um velho ranzinza da Avenida, quando estávamos lendo seu “testamento”, jogou um penico cheio de xixi, tive que ir para casa tomar um demorado banho.

Na Sexta-feira da Paixão parecia que o mundo havia se acabado. As rádios tocavam músicas fúnebres, era proibido ir à praia, tomar banho de mar, proibido sorrir. As mulheres da vida fechavam as portas dos cabarés e o balaio; nem pensar numa visita fortuita.

À noite todos iam à Igreja para beijar os pés de Nosso Senhor morto. Finalmente o sábado de aleluia. A meninada preparava um boneco de pano, o Judas, sempre com um nome de algum político ou algum inimigo público ( quanta gente hoje poderia ser o Judas! ). Quando às 10 horas, os sinos da Igreja dobravam anunciando a aleluia, a moçada caía de cacete malhando, tocando fogo no Judas amarrado em um poste. Melhor do que malhar um Judas, era roubar os Judas dos pivetes da vizinhança. (Já estão taxando a malhação de Judas como uma brincadeira primata, politicamente incorreta)

Afinal chegava o domingo da ressurreição. Os padres contavam a história como Cristo depois de morto subiu aos céus. Hoje é um espetáculo pirotécnico com atores globais para se assistir comendo chocolate e tomando vinho.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

ATORRES – DIÁRIO DO PARÁ

QUATRO AVE-MARIAS BEM CHEIA DE GRAÇA

Rezo quatro Ave Maria
Ao Glorioso São Gerome
Pra que nos livre da dor
Da agonia e da fome
Duma casa com goteira
Cacimba longe de casa
Dente de piranha preta
Dum teco-teco sem asa
Dum sem pensar no juízo
Dum teje-preso! ou cadeia
De sofrer uma cambrainha
Bem cedo de manhãzinha
Por ter pisado sem meia.

Da tercerez desse mundo
De passagem só de ida
Ferroada de lacrau
Coice de besta parida
Nos livre da companhia
Dum cabra chato e pidão
Dum sujeito bexigoso
Sem figo e sem coração
Duma tosse igrejeira
Dum trupicão de ladeira
Duma largada de mão.

Nos livre da punição
Da saúde canigada
Pois a enxada na mão
É melhor que mão inchada
Nos livre duma dentada
Dum vira-lata espritado
Picada de mangangá
Dum soldado má-criado
Dum baque de rede pensa
De briga de má-querença
Dum jogo má-radiado.

Nos livre dum nôro besta
Ou duma genra fregona
Que Zé meu abaixe o facho
Pro lado daquela dona
Nos livre duma visagem
De alma braba e defunto…
Puxando agora de banda
Disgaviando o assunto:
Nos livre daqui pra diante
Do roubo dos governantes
Coisa que duvido muito.

Poema publicado em 1998, no livro Agruras da Lata D`água

6 abril 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

YEVTUSHENKO EM OLINDA

Yevgeny (Aleksandrovich Gangnus) Yevtushenko nasceu (18.07.1932) em uma pequena cidade, Zima, da Sibéria (Russia). E morreu, sábado passado (01.04.2017), longe de casa. Nos Estados Unidos. Onde lecionava, na Universidade de Tulsa (Oklahoma) e no Queens College (Nova York). Filho de modesta família camponesa, acabou sendo um poeta do mundo.

Em fins dos anos 1980, passou pelo Recife. A convite do Partido Comunista, deu recital na lendária Livro 7 de Tarcísio Pereira. Apresentado pelo famigerado Jommard Muniz de Brito. Numa noite, levado por Naíde Teodosio, foi parar em Olinda. Na casa do pintor José Cláudio – que pensava encontrar um homem baixinho, branquelo e de barriga proeminente. Só que bateu na sua porta um sujeito enorme, com corpo de atleta, vestindo bermuda e camiseta brancas.

Conversaram em espanhol. Lembrança dos tempos em que viveu na Ilha, em 1964, redigindo o roteiro de um filme de propaganda, Soy Cuba. Era próximo de compañeros como Allende, Neruda e Che Guevara.

No fim da visita, perguntou se poderia escrever algo na parede. Nada a estranhar, tratando-se de um poeta. Quando redigi uma biografia de Fernando Pessoa, estive na Biblarte – Miradouro de São Pedro de Alcântara, Lisboa. E lá, bem no fim da loja, o alfarrabista Ernesto Martins mostrou um pequeno quarto. Onde Pessoa dormia todo fim de tarde. Para curar dos quilos de álcool consumidos. E se preparar para noitadas com os amigos. Só depois da morte de Pessoa (em 1935), Martins (que nunca lá ia) percebeu que as paredes estavam todas rabiscadas. Com versos imortais. Perdidos, para sempre, depois de uma reforma. Ninguém se preocupou em preservar o local. Talvez porque, naquele tempo, ainda Pessoa não fosse Pessoa.

Lembro, a propósito, conto de Julio Cortázar (“Grafito”) que fala na história de homem e mulher que se apaixonam, durante a ditadura, e se comunicam por frases escritas nos muros de Buenos Aires. Até que, um dia, ele escreveu “también me duele a mi” (também me dói). E nunca mais se soube dos dois. Como disse Victor Hugo, “palavras são passagens para os mistérios da alma”.

Voltando a Olinda, Leo foi logo buscar um carvão. Desses que pintores usam para fazer rascunhos nas telas. Yevtushenko pegou nele e escreveu, na parede bem branca da sala de jantar, “La felicidad es el sufrimiento que se ha cansado” (A felicidade é o sofrimento que se cansou). E assinou, por baixo. Despediram-se. Zé Cláudio pensou em pintar uma moldura, em volta, como se aquela frase fosse um quadro. Para mostrar aos visitantes. Mas era tarde, estava cansado e foi dormir.

Dando-se que no dia seguinte, bem cedinho, Mané Pé-de-Pano entrou em ação. Contrariado por terem sujado, com palavras estranhas, aquela parede que com tanto zelo havia pintado na véspera. E passou tinta branca por cima. Deixando nela, sem razões para explicar isso, apenas a assinatura do poeta (que ainda hoje lá está) – começando por algo que se parece com a letra E. Mais o resto do nome, em cirílico.

Agora se foi Yevtushenko. Em palavras de Pessoa “Quem, morrendo, deixa escrito um verso belo deixou mais ricos os céus e a terra e mais emotivante misteriosa a razão de haver estrelas e gente”. É pena. Quando perdemos um poeta, o mundo fica menor. Uma estrela se apaga, no céu. E todos nós ficamos um pouco mais tristes.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

ALAMIR LONGO – QUARAÍ-RS

Prezado Editor,

Podem falar o que quiserem de Lula, mas quando nosso estadista fala dele mesmo, não mente.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)

DE ÍNDIOS EXTERMINADOS

Um pouco de história

Antes do bicho homem branco se apaixonar por essas plagas, nossos antepassados dominavam os Sertões e eram indígenas.

Em nosso querido Seridó se movimentavam entre a caatinga, sobre esse solo pedregoso, os índios Cariris.

Índios que os historiadores descrevem como homens altos, fortes, adestrados para a peleja, ferozes no combate e de traços delgados. Tenho a satisfação, também, de trazer no sangue da minha prole a genética desse povo, herança pelo lado da minha mãe. Os Cariris eram conhecidos como Janduís aqui no Rio Grande do Norte.

Os novos habitantes, colonizadores portugueses, não traziam o conceito da fraternidade e, embriagados pelo orgulho das conquistas e das riquezas adquiridas, demonstravam apenas desprezo pelo nativo com ações de tirania escravizadora. Os índios Janduís, povo inteligente, percebendo tal coisa e não aceitando o jugo da escravidão, homens acostumados que eram à liberdade, começaram a desencadear sérias rixas com os fazendeiros. Em 1685 já era grave a revolta e, dois anos depois, em 1687 alastrou-se de vez o levante das tribos que desencadearam em ações violentas e rápidas nas ribeiras do Assu, Mossoró e Apodi.

Foi no vale denominado como sendo d’Acauã que no ano de 1688 travou-se a destruidora batalha em que tomaram parte cerca de dois mil Janduís (Cariris), contra uns quatrocentos soldados das tropas do Terço Paulista, todos homens de armas treinados pelo experimentado cabo de guerra Domingos Jorge Velho e ajuntadas às margens do São Francisco, prontos para as tocaias ao grande Zumbi e seu movimento, vindos sobre determinação para a guerra contra os índios.

Domingos pouco tempo passou no Rio Grande do Norte, pois foi enviado novamente ao combate do quilombo dos Palmares. Para substituí-lo, chegou com toda probabilidade Matias Cardoso de Almeida, quem de fato comandou os homens aqui em nosso estado.

Esse encontro do Terço Paulista com nossos antepassados, foi dos mais sanguinários da rebelião geral dos nativos. Muitos historiadores chamam de Confederação dos Cariris e outros de Guerra dos Bárbaros. Eu mesmo prefiro o segundo termo.

A Guerra dos Bárbaros durou dez anos, de 1687 a 1697. Já em sua fase final as hostes do Terço Paulista receberam mais reforços de soldados vindos da então bem sucedida ação contra o Quilombo dos Palmares em 1693.

Da guerra não escapou muita gente para contar a história. Mas que escapou, escapou! Prova disso é o cabra Jesus de Ritinha de Miúdo, todo ancho e recontando essa história tão fantástica quanto triste, ouvida tantas vezes nas rodas pelas calçadas e lida mais de uma vez nos livros de Cascudo, de onde, aliás, tirei as descrições dos janduís.

Histórias de índias capturadas a casco de cavalo – e domesticadas com paciência – depois daquela sanguinária empresa, nós temos algumas. De uma dessas sobreviventes descende parte da família Costa, gente de Caicó, conforme me contou pessoalmente o genealogista Sinval Costa, hoje o maior conhecedor das raízes e dos galhos familiares ora ocupando esses sertões de inúmeras barbáries.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

6 abril 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO


OPORTUNIDADE

Vivendo embora na mesma cidade,
nos encontrando com certa constância,
entre nós dois jamais houve amizade,
pois me esnobavas com tua arrogância.

Nunca me deste uma oportunidade!
Interessante agora é que a distância,
que em nossos corações põe a saudade,
nos aproxime com recíproca ânsia.

A vida é sempre cheia de surpresa!
Do meu castelo já quase em ruínas,
quem sabe, venhas te tornar princesa?!

Pra que possamos, em noites de lua,
entre flores e o orvalho das campinas,
caminhar juntos, minha mão na tua!


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