9 abril 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

PEDACINHO DO CÉU

Para alegrar o nosso final de tarde domingueira, Izaías e Seus Chorões, no Instrumental Sesc Brasil, interpretam com grande sensibilidade o inspirado choro da autoria de Waldir Azevedo.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

QUINHO – ESTADO DE MINAS

9 abril 2017 DEU NO JORNAL

CUNHÃO PEIDÃO

* * *

Segundo declarações de companheiros de cela, o que Cunhão tem explodido ultimamente não é o mundo empresarial, mas o mundo corrupcional.

Os ouvidos e o olfato dos outros presos estão em petição de miséria.

Informantes dizem que ele solta cada peido capaz de abalar as paredes da cadeia!

9 abril 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – CORREIO POPULAR (SP)

JOÃO DUDU E O PORTUGUÊS DA VARZINHA

João Dudu era um velho sertanejo brabo, com um chapéu de abas gigantescas dobradas na fronte, uma pajeuzeira e um rabo de égua em cada lado da cintura, presos por um largo cinturão de sola, vestia sempre um mal cortado terno de brim cáqui, roupa que na época caracterizava os velhos carranças do Sertão.

Recordo o mestre Filizardo Garcez que tinha sido cangaceiro do Doutor Augusto Santa Cruz e já com seus oitenta e tantos anos, morava na vila da Prata. Era um caboclo bastante alto para os padrões sertanejos, magro e de olhos acinzentados, com seu terno cáqui seu punhal na cintura e uma cara dura que botava onça pra correr só com um olhar. Eu que morria de medo dele, ficava abismado quando minha mãe dizia que tinha sido com o mestre Filizardo que aprendera as suas primeiras letras.

Chapéu de couro quebrado na testa uma baixa verde e uma “rabo de égua” pendente na cintura, era essa a indumentária daqueles sertanejos, sempre prontos para enfrentar um iminente inimigo.

O velho João Dudu, morava na fazenda Malhada do Riachão, atualmente município de Tuparetama, um lugar ainda hoje isolado e de acesso penoso.

A fazenda Malhada era vizinha da fazenda Caiçara, que fora comprada por um português.

O português tinha um filho chamado Orlando que arrumou um namoro com Francisquinha filha do velho João Dudu e começou a “alisar” os bancos da fazenda Malhada, contra a vontade do velho fazendeiro: “Eu crio minhas fias pro serviço de casa, não é pra namoro não “!

A rebeldia da moça movida pelo motor da paixão, entretanto, não permitiu que o namoro se acabasse ali. Continuaram a se encontrar escondidos, acobertados pela cumplicidade de Terezinha a irmã mais nova, que trazia e levava bilhetes e recados.

O namoro prosseguia na sua clandestinidade quando tomaram uma decisão radical: fugiriam numa segunda feira às seis horas da tarde. Orlando a estaria esperando atrás da cerca de pau a pique do velho curral que ficava ao lado da casa grande.

Chegado o dia, estava lá na espera Orlando no seu cavalo, pronto para a maior aventura da sua vida.

Seis horas, o sol se pondo, os animais se recolhendo, os vagalumes acendendo as suas lanternas verdes, a noite estendendo o seu escuro véu sobre a caatinga, só Francisquinha não chegava.

Já impaciente Orlando viu se aproximar um vulto de mulher, segurou a emoção, preparou-se e no lusco-fusco percebeu que não era a sua amada e sim a irmã mais nova com a mais nova notícia:

– Orlando, Francisquinha se arrependeu e mandou eu vir aqui te avisar que ela desistiu de fugir, eu vim aqui, só te dizer isso .

– Mas é danado, Terezinha: eu esperei esse tempo todo, fiz despesas, fiz até uma feira que tá aqui na carona, e agora, o que é que eu faço?

– Sei não Orlando!

– Ô Terezinha, pra eu não perder a viagem, tu não queres ir comigo não?

– Eu quero!

– Então sobe na cerca e monta aqui na garupa.

Terezinha montou, fugiram, casaram, tiveram filhos e viveram juntos e felizes por muitos e muitos anos.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

9 abril 2017 DEU NO JORNAL

ORIENTAÇÃO SEGURA

Reformas como a trabalhista e a previdenciária, nos moldes propostos pelo governo do presidente Michel Temer, podem até atender aos apelos do mercado, mas deixam de fora interesses básicos do cidadão – justamente o maior afetado por elas, e o que menos ou nada foi chamado a participar dessa discussão

A opinião é da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, entidade que, nas últimas semanas, se reuniu com representantes da CUT e de outras centrais sindicais no debate por uma agenda de mobilização contra as reformas.

No último dia 23, a confederação divulgou uma nota em que criticou duramente a reforma previdenciária ao afirmar, por exemplo, que a proposta defendida pelo governo “escolhe o caminho da exclusão social”

* * *

Esta notícia é um excelente indicativo pra quem ainda está indeciso ou não tem opinião formada sobre o assunto.

Se  os vagabundos da CUT e os desocupados clérigos da CNBB são contra, então, consequentemente, logicamente, as reformas propostas pelo governo devem ser boas.

Simples assim.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

PAÍSES NÓRDICOS

O brasileiro é inocente. Pensa que sabe tudo, domina o pedaço, não se enrola com nada, mas na verdade, o brasileiro tem na verdade muito o que aprender com os povos mais evoluídos, com a cultura nórdica, pela distância no saber. É o que diz a experiência. É o que se constata na sabedoria das nações mais evoluídas. Desenvolvidas e organizadas do planeta.

Lá no norte da Europa, mais precisamente na região setentrional do continente europeu, apesar de diminutos em tamanho, ocuparem somente 3,5 milhões de quilômetros quadrados de superfície terrestre, existem cinco países que dão show de bola nos quesitos relacionados à estrutura econômica e social. São líderes, com louvor, no cumprimento de cinco indicadores mundiais. Boas ofertas educacionais, excelentes trajetórias de trabalho, fácil acesso aos bens e serviços, portas abertas para o status social e desfrutar de regular conceito social e político. Conecidos indicadores que retratam a realidade do IDH-Índice de Desenvolvimento Humano.

A Dinamarca, Finlândia, Noruega e a Suécia são mestres em itens de vida. Exibem as melhores conquistas em educação, economia, competividade, direitos civis, qualidade de vida e desenvolvimento humano.

Embora a maior parte da região ocupada pelos países nórdicos seja inabitada, por causa de extensas camadas de gelo cobrindo grande parte da superfície dos países e de muitos icebergs ocupando vastas áreas do mar territorial, no entanto, os mais de 30 milhões de habitantes dos países em evidência gozam de excelente nível de vida. Registram formidável status social. Pelo menos, o seu povo, embora não se gabe, é extremamente organizado. Sua gente é rica. Costuma exibir fino trato.

Por isso não se apegam muito a esse negócio de regras e tradições. Coisa comum entre os brasileiros. Povo menos aculturado. Todavia, bem mais desobedientes e desorganizados socialmente.

Mesmo enfrentando clima congelante na maior parte do ano, os nórdicos não estão nem aí. Nunca proibiram as crianças de brincar à vontade no meio de tanto gelo. As mães nunca temeram os filhos andar descalço no chão geladíssimo, jamais ordenam a meninada evitar dormir em cima de blocos de gelo em pleno inverno, com medo de ter dor de garganta amanhã ou contrair pneumonia.

Aliás, na cultura nórdica, o frio tem o poder de deixar o corpo infantil mais forte e resistente. É normal os pais deixarem a criança cochilando ao ar livre, no carrinho, enquanto fazem compras ou tomam aquele cafezinho quente e saboroso.

A Dinamarca adota a prática de dar uma educação liberal aos filhos. Aos completar 16 anos, a molecada torna-se independente. Como tem o privilégio de decidir o que fazer, inclusive no tema sexo, os filhos podem levar o namorado ou a namorada para dormir junto, na mesma cama, em casa, sem constrangimento, justamente para evitar fugas para motel ou lugares escondidos.

Neste particular, o próprio governo se encarrega de distribuir gratuitamente camisinhas, pílulas anticoncepcionais ou as pílulas do dia seguinte para evitar contratempos e garantir segurança nas relações.

Nos países nórdicos, família é primazia, derruba o item trabalho. Até nos finais de semana, quando o comércio costuma fechar com o proposito de permitir a união familiar.

Detalhes curiosos são adotados na Finlândia. Até os seis anos a criança passa o tempo brincando. Não quer saber de sala de aula. Aos sete, começa a estudar, geralmente em escola pública, quase cem por cento das escolas finlandesas são públicas, que oferece excelente qualidade de ensino. Outras curiosidades que devem ser levadas em consideração. Nessa idade, os estudantes finlandeses não usam farda, não fazem prova e nem são avaliadas. Como a educação na Finlândia é item prioritário, os estudantes toda vez que participam de exames a nível internacional, se destacam como os melhores do grupo de jovens avaliados.

A Noruega é um dos mais desenvolvidos países do mundo, ideal para quem quer envelhecer numa boa, ao contrário do Brasil. O que predomina no território norueguês é o senso de justiça. Permanentemente. Tudo que é planejado lá visa atender unicamente o anseio democrático. O bem-estar coletivo. Nada de interesses particulares. De politicagens mesquinhas e egoístas.

Os noruegueses também cultiva forte relação com a natureza, principalmente a vida ao ar livre. Os passeios no campo ou nas montanhas são quase obrigatórios. Com fins saudáveis.

Já na Suécia, país que leva a sério a fé pública, cada um faz o seu, sem temer censura, crítica ou desaprovação. O sueco não enfrenta fila, pra onde vá, tem senha à disposição. Basta puxar na máquina. É um país politicamente correto, não admite safadeza, falcatrua. Viajar, dar a volta ao mundo é tradição no país. O sueco não perde oportunidade para pegar a estrada. Sair por aí, desfrutando do bom e do melhor que a natureza tem para oferecer aos viajantes. Sem temer o inesperado. Ser assaltado, roubado durante as viagens de lazer.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)


A BOTIJA E A CASA MAL ASSOMBRADA

 

Botija com moedas de ouro e prata

Preparado como em todas as noites, o ambiente era convidativo. Uma área de aproximadamente 200 metros quadrados, varrida caprichosamente com vassourinhas – como árvores tinha apenas dois belos ipês amarelos, floridos de tal forma, que a ausência da folhagem permitia aos sentados, olhar a lua e contar estrelas.

Toras de árvores improvisadas como tamboretes, arrumadas involuntariamente por quem não entendia nada de palcos ou teatros, formavam e davam a impressão de uma arena. Repleta de espectadores – meninos e meninas, e duas ou três velhotas que ali ficavam esperando a chegada do sono.

Banhado e cheirando a açucena, Vovô Camilo arrumou seu tamborete com assento de couro de bode, que trouxera da camarinha – guardava, para outras pessoas não colocarem a bunda no que era somente dele – e colocou num local onde pudesse olhar os rostos das crianças e permitir que todas lhe vissem e ouvissem contando suas estórias.

Fez um pigarro leve seguido de outro mais forte, para temperar a garganta, enquanto acendia o cachimbo Bertoldi que ganhara da filha Mariazinha quando completou 60 anos de vida. Estava pronto para começar mais uma das estórias que engabelavam a criançada nas noites de um lugar onde não havia outro tipo de lazer – até fazê-las dormirem.

– “Era uma vez um fazendeiro muito rico, dono de muitas terras e essas com muitas vacas e cavalos. Os muitos animais eram cuidados por vaqueiros que vinham de outros lugares, pois a Fazenda “Boa Sorte” não tinha gente preparada.

Nem todos os vaqueiros se davam bem. Alguns nem se falavam, e, quando conduziam os bois e os cavalos, apenas faziam o chicote estalar. Entre os vaqueiros, existia um tal Bartolomeu, que viera de Goiás, recomendado por uns amigos de Moreira, proprietário da Fazenda Nossa Senhora da Boa Sorte.

Bartolomeu era estranho. Falava pouco e tinha o hábito de responder sim ou não com um simples aceno com a cabeça. Em casa era diferente. Falava muito, embora só tivesse a mulher Zilda para conversar – aproveitava, de noite, para falar tudo que não falava durante o dia, na fazenda.

Os companheiros de trabalho tentaram descobrir o motivo que tornava Bartolomeu uma pessoa arredia e calada. Certo dia, conseguiram descobrir que ele tinha um segredo. Passaram a vigiá-lo.
Aos domingos e feriados, quando ganhava folga como Vaqueiro, Bartolomeu saía de casa com uma enxada no ombro e voltava sempre tarde. Não era dono de roça, nem trabalhava como agricultor para ninguém. A desconfiança cresceu ainda mais.

Não demorou muito e os companheiros conseguiram descobrir que Bartolomeu não viera de Goiás apenas para trabalhar como Vaqueiro. Havia alguma coisa que eles queriam descobrir.

Num domingo, novamente de folga, Bartolomeu saiu de casa e não demorou muito estava de volta. Ofegante, com um saco nas costas. Procurou a mulher Zilda, e determinou que ela se arrumasse e colocasse tudo que tinha de valor dentro de dois sacos, enquanto ele preparava dois jumentos com cambitos e caçuás. Quando a noite caiu, Bartolomeu “fugiu” com a mulher, levando os dois animais, algumas peças de roupa e bastante água.

Na segunda-feira o Vaqueiro não apareceu na fazenda. A procura foi em vão – dias depois descobriram que Bartolomeu havia encontrado o que viera procurar quando saiu de Goiás: uma grande botija cheia de valiosas moedas de prata e algumas mais de ouro.”

Somente quando Vovô Camilo acabou de contar a estória, foi que percebeu que todos os meninos e meninas estavam dormindo sentados.

A casa mal assombrada do povoado Pedras Verdes

Construída numa área elevada pouco mais de um metro do nível local, a residência da família Silva Costa teve seus momentos áureos na época do domínio da cana de açúcar. Era ali que muitos donos de engenhos do lugar se reuniam durante a noite para acertar contas, conhecer os lucros que estavam tendo e até para negociar a venda de alguns poucos negros escravos.

Há quem afirme que, em meados do século XIX, por conta do descobrimento da sonegação de impostos, o Governo resolveu fiscalizar com mais veemência, provocando, entre outras coisas, o desinteresse dos canavieiros pelo plantio e colheita da matéria prima (cana de açúcar). Muitos proprietários de terras resolveram mudar para centros urbanos mais desenvolvidos, onde certamente poderiam investir noutros negócios.

E assim foi feito. No povoado Pedras Verdes (onde diziam que havia minas de turmalinas – o que teria gerado o nome de Pedras Verdes), a casa dos Silva Costa chamava a atenção de quem por ali passasse, mesmo com a rodovia passando ao lado, numa distância de 220 metros. De longe se avistava o casarão. Um verdadeiro fascínio, quando belo e habitado.

Os proprietários foram embora e os poucos escravos desapareceram, tentando viver a liberdade noutro lugar. Sem habitante, sem cuidado e manutenção, a deterioração chegou a galope. Pássaros, cobras, urubus, corvos, raposas e outros tantos animais fizeram dali a sua moradia. Alguns cavalos que serviam aos proprietários, sem alimentação e sem cuidados, acabaram morrendo de fome e as carcaças tornaram o ambiente lúgubre e de um fedor insuportável.

Rápidos e levados pelo vento, os boatos ganharam a vizinhança, dando conta de que a casa era mal assombrada e em noites de lua cheia se escutava gemidos de escravos, uivos de raposas, sobrevoos de corujas – tudo provocado por uma forte ventania que chegava naquela casa construída um pouco mais alta do nível do chão.

Soube-se, também, que havia um sótão no interior da casa, e que lá vivia uma velha com duas cabeças, que fora ali aprisionada para não ser vista por ninguém. Teria morrido de fome e sede – e agora vivia aparecendo para cobrar atenção dos proprietários.

Verdade ou não, em noite de lua cheia nenhum passante se atrevia a andar devagar naquela estrada, de onde diziam avistar luzes incandescentes e ouvir muitas vozes – que afirmavam ser dos antigos proprietários negociando preços da matéria prima e a venda de escravos.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

NO LIXO E NA PRIVADA

Comentário sobre a postagem MAGNO BEZERRA DOS SANTOS – CHICAGO-ILLINOIS-EUA

Nino Yoshida:

“Mas que barbaridade, Berto.

Moro no Japão desde 1990, acesso esta “gazeta escrota” várias vezes ao dia, comento notícias e tu nunca me chamaste para ser correspondente.

Fico triste.

No brazil eu estudei no Mobral e sei ler e escrever de carreirinha, apenas ainda tenho muita dificuldade de assinar o nome.

Aqui eu trabalho de faxineiro, limpador de privada e catador de lixo.

Grande abraço.”

* * *

Nota da Editoria:

O leitor Nino Yoshida está nomeado correspondente desta gazeta escrota no Japão. Seu salário será em ienes e começará a ser pago assim que o JBF conseguir um patrocínio da Toyota ou da Honda.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA (MG)

K-622 E OS QUILOMBOLAS

Dentre as 626 músicas compostas por Mozart, quase todas absolutamente celestiais, uma das que eu mais gosto é o último Concerto para Clarinete classificado como sendo o de número K-622. Neste concerto, a parte que eu gosto mais ainda é o sublime 2º Movimento – o Adágio.

É pungente! Não consigo ouví-lo sem sentir uma profunda emoção.

O “bicho” é tão bonito que já foi usado inúmeras vezes como tema de filmes. Dentre os que eu assisti, os que me veem à memória primeiro são:

1) ENTRE DOIS AMORES, com Merril Streep e Robert Redford.

Veja abaixo:

Recomendo firmemente que vejam este peque filme a fim de poderem entender melhor o que vou dizer mais abaixo.

2) GREEN CARD, com Andy MacDowell e Gerard Depardieu. Muito bom, também.

Existe uma série de coisas bastante interessante a respeito deste concerto. Primeiro, o fato dele ter sido composto poucos dias antes da morte de Mozart. Tanto foi assim que seu número fica espremido entre a ópera A FLAUTA MÁGICA, K-620, composta em novembro de 1791, poucos dias antes, portanto, da sua morte em 5 de dezembro do mesmo ano, e o RÉQUIEM, K-626, considerado como sendo a sua última obra, razão pela qual ficou inacabado, só tendo sido concluído pelo seu aluno Franz Xavier Susmayer após a sua morte

Na realidade, o K-622 não era originalmente um concerto. Eram apenas anotações esparsas e que foram reunidas em um concerto por um dos estudiosos e compiladores da sua obra, através de documentos religiosamente guardados pela viúva de Mozart, Constance.

Mesmo tendo sido “montado” a partir de peças avulsas, o resultado final se apresenta com uma coerência tão grande que até parece ter sido composto com esta intenção. Originalmente, o mesmo foi composto em outra tonalidade, adequada para um tipo de clarinete pequeno, existente naquela época e que hoje não é mais utilizado. Assim, até sua tonalidade foi também mudada.

Não importa! O que interessa é que o resultado final é sublime.

Agora vem a pergunta: E onde é que entram os quilombolas nesta conversa? Calma que eu explico já!

O finado e polêmico Jornalista Paulo Francis disse certa vez que:

“Toda a contribuição da África Negra à cultura da humanidade não se compara à descoberta do clarinete por Mozart!”

Apesar de considerar que o jornalista foi propositalmente exagerado, apenas para criar polêmica, não deixo de reconhecer que há muito de verdade em suas palavras.

Busco e rebusco na memória algo que contradiga a frase acima e não encontro. Se alguém souber, faça-me o favor de indicar. Agradeço penhoradamente, já que gostaria de ter argumentos para contradizer quem me vier com esta argumentação. Até porque, dentre a mistura de etnias que forma minha ancestralidade, encontra-se uma bisavó negra.

Por outro lado, tenho certeza absoluta que os “quilombonazis”, mesmo sem apresentarem nenhum argumento minimamente racional, até porque racionalidade não é bem a praia desta turma, cairão de pau em mim, afirmando que sou preconceituoso e que mereço ser processado e ir para a cadeia.

O fato de fazerem um berreiro do tamanho que bem quiserem não alterará em nada a realidade dos fatos. Eu diria até: A TIRANIA ABSOLUTA E INSENSÍVEL DOS FATOS.

Como bem lembrou o grande filósofo cearense Falcão, “Se grito resolvesse, porco não morria!”. Portanto: Podem berrar à vontade! A realidade continuará exatamente a mesma.

É aí que eu me lembro de mais um dos grandes polêmistas desta nossa época tão repleta de “Gaynazis”, “Feminazis”, “Esquernazis”, e outros “Nazis” menos cotados: O deputado Jair Bolsonaro.

A propósito do assunto em epígrafe, o mesmo afirmou recentemente que visitou quilombos onde só encontrou gente passando muito bem. “Não tinha ninguém pesando menos de 7 arrobas”. Foi além ao constatar a total inutilidade de tais comunidades, já que nada de bom produziam. “Nem para reprodutores servem mais”(sic), segundo suas palavras. Se eleito presidente, continuou, encerraria totalmente qualquer repasse de recursos públicos a tais entidades.

Por conta destas duas assertivas acima, o nobre deputado está sendo execrado de todas as maneiras possíveis e imagináveis, sendo inclusive processado por crime de racismo e outros ismos de igual jaez.

Pois bem! Descontando-se a tremenda e evidente grosseria do deputado, vamos analisar em mais profundidade as duas assertivas.

1º) Seria tentativa de tapar o sol com a peneira a pretensão de negar a existência de uma quantidade imensa de pessoas dependentes de repasses de recursos governamentais para sobreviver, sem que tenham a obrigação de ganhar seu pão com o suor de seu rosto. Isso se aplica não só aos quilombolas, mas a toda uma legião de pessoas.

Sabemos muito bem que, como definiu maravilhosamente Margareth Tatcher, “Quando uma pessoa ganha sem trabalhar, alguém está trabalhando sem ganhar.” Nos casos acima citados, os panacas que trabalham sem ganhar, já que seu ganho é espoliado pelo governo para dar aos seus protegidos, são os mesmos de sempre: Nós! Os cidadãos pagadores de impostos.

Fico me perguntando por que foi que os emigrantes japoneses, judeus, alemães, poloneses e italianos que aqui chegaram, mesmo tendo enfrentado também condições de vida terríveis, todos eles trabalharam desesperadamente e terminaram legando condição de vida muito melhor para seus filhos e netos, sem que precisassem das famigeradas “Cotas” ou “Bolsas governamentais”.

Seria maravilhoso para o nosso país caso todos esses “hipossuficientes” se mirassem neste exemplo. Ocorre porém que, enquanto forem mantidos confortáveis e bem nutridos, dificilmente encontrarão motivação para correr atrás do prejuízo. Acho que foi mais ou menos isso que quis dizer o deputado.

2º) O Brasil atual apresenta uma feição bifronte, tal e qual o Deus Jano, semelhantemente à Bélgica e ao Canadá: É uma nação fracionada entre duas etnias totalmente diferentes. De um lado, os descendentes de povos com uma fortíssima ética do trabalho e da honestidade. Para estas pessoas, a grande missão da vida consiste em legar uma condição de vida melhor para seus filhos e netos, numa espiral ascendente de melhoria e de evolução. Estes são extremamente comedidos quando se trata de colocar filhos no mundo. Limitam sua prole a UM, ou no máximo DOIS filhos, e isto quando estão em condição financeira muito boa.

Por outro lado, os descendentes das etnias mais primitivas, especialmente em termos de evolução civilizacional, seguem encantadas as orientações desregradas de comportamento sexual propagandeadas abundantemente por todos os meios de comunicação, onde são enfatizadas uma promiscuidade sexual absurda e degenerada. A consequência deste desregramento está se refletindo em uma taxa de 30% de todas as crianças nascidas neste país serem filhas de jovens com menos de 15 anos de idade. Segundo o PNAD, cerca de 65% de nossas crianças são criadas em lares com apenas um dos cônjugues.

Juntando a gravidez precoce e serial, onde normalmente cada criança de uma mesma mãe é de um pai diferente, com a miseria onde se dé essa proliferação de deserdados da sorte, podemos imaginar qual é o futuro dantesco que aguarda esta nação. Éramos 90 milhões em ação, conforme dizia aquele hino do selecionado nacional de futebol em 1970. Hoje, menos de meio século depois, ultrapassamos aceleradamente a barreira dos 200 milhões. Qual o ganho advindo desta multidão de mais de 110 milhões de miseráveis, alem de uma carga brutal de necessidades sociais a serem atendidas pelos parcos recursos sobrantes do orçamento nacional, depois de se pagar a montanha dos juros anuais?

É! Acho que a ideia de deixar este pessoal se reproduzir à vontade não prenuncia nada de bom não!

9 abril 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

9 abril 2017 A PALAVRA DO EDITOR

CONVOCAÇÃO

O gunverno Temer, populista e irresponsável, liberou o saque do FGTS para os fudidos de baixa renda.

Semana que passou, eu trouxe de Palmares minha querida amiga Cabeça-de-Fossa, tesoureira do Comitê Municipal do PT na nossa cidade, pra ficar gritando “Fora Temer” em frente as agências da Caixa, conforme pode se ver na foto abaixo.

A bichinha só não levou uns tabefes no escutador-de-novelas porque os seguranças do banco entraram em ação.

E ela voltou pra Palmares ontem, sábado, puta da vida com os reacionários golpistas e de direita que faziam fila em frente ao banco.

Saiu escorraçada, botando fogo pelo furico, braba que só uma capota choca

Mas a convocação continua:

Minha gente, vamos recusar esta oferta demagógica do prisidente e vamos intensificar a campanha “Fora Temer“.

Solicito aos leitores fubânicos que divulguem esta convocação para os iludidos miseráveis que dormem em frente às agências da Caixa.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

NEM O INIMIGO É DOS BONS

Michel Temer convive com ministros ameaçados pela Operação Lava Jato (e correlatas), com aliados que criticam o PT depois de participar de três períodos e meio de petismo no Governo, com suspeitas sobre o financiamento da campanha que o elegeu, ao lado de Dilma. Tudo bem, é do jogo; pelo menos é o que dizem os defensores de seu Governo.

O problema é que Michel Temer escolheu mal até seu principal inimigo. O presidente e sua articulação política temem Renan Calheiros – um senador que já foi obrigado a renunciar à Presidência do Senado por, entre outras coisas, fazer com que uma empreiteira pagasse a pensão de sua amante; que é investigado em 12 inquéritos, nove deles por questões da Lava Jato; que corre o risco de não se reeleger no ano que vem (as pesquisas o colocam atrás de Ronaldo Lessa, PDT, e Teotônio Vilella Filho, PSDB, e empatado com Benedito de Lira, PP); e que, para não perder o foro privilegiado, que o mantém a salvo do juiz Sérgio Moro, pode até desistir da reeleição para o Senado e sair para deputado – de preferência em lista fechada. Antes ser deputado em Brasília do que réu em Curitiba.

Para Renan, é bom brigar com Temer: o Governo tem baixa popularidade, e talvez seja melhor, em Alagoas, dispor do apoio de Lula. Mas Temer deveria arranjar adversários mais qualificados. O que não pode é o presidente brigar com alguém cuja maior aspiração é escapar de Moro.

Os mugidos

Coincidência: o PMDB elegeu os presidentes da Câmara e do Senado. Ambos, quando precisaram explicar a origem de seu dinheiro, voltaram-se à carne. Eduardo Cunha disse que ganhou muito exportando carne moída em lata para a África – embora nunca tenha lidado com carne, nem com exportações. Renan Calheiros apresentou fazendas com rebanhos primorosos, de rápido desenvolvimento, capazes de gerar grandes lucros. Nas mais modernas e rentáveis fazendas do país, a taxa de fertilidade das vacas é de 73%. Nas de Renan, eram de 86% (e, em 2004, chegaram a notáveis 90,8%). E houve até (veja aonde chega a maldade humana) quem dissesse que o gado declarado por ele não caberia na terra disponível.

Eduardo Cunha já está preso em Curitiba.

Amanhã vai ser outro dia

Amanhã, 10 de abril, Marcelo Odebrecht depõe para Sérgio Moro.

Boas palavras

O prefeito paulistano João Dória Jr., PSDB, determinou a extinção, na Prefeitura, de denominações que indiquem diferenças de classe social entre os cidadãos. Viva! Todos serão chamados de “senhor” e ”senhora”, abolindo-se termos como Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Magnanimidade, Vossa Eminência e outros quetais. Quem somos nós para julgar o mérito de um juiz a ponto de chamá-lo de “meritíssimo”? Qual parlamentar merece, por seus atos e formação, ser “Vossa Excelência”?

Certa vez, este colunista foi informado de que deveria dirigir-se a determinado funcionário público de alto nível com o termo “Vossa Magnificência”. Primeiro achei que era pegadinha; ao ser informado de que era assim mesmo, exigi ser chamado de Vossa Gordência. Ele, Magnífico; eu, Gordo. Pelo menos no meu caso o título refletiria a realidade.

Tolerância

Combate à intolerância – étnica, de gênero, de origem, poder aquisitivo, seja qual for – e promoção da tolerância. A revista Conib, da Confederação Israelita Brasileira, acaba de ser lançada e dá acesso gratuito em Cadernos Conib. Um primor: coordenada por um competente jornalista, Henrique Veltman, traz textos de Celso Lafer, Renato Janine Ribeiro, Nilton Bonder, Bernardo Sorj, Yossi Alpern, Flávio Azm Rassekh, Hélio Carnassale, Carla Bassaneto Pinsky, Gabriel Holzhaker, Henrique Veltman, Ivanir dos Santos, Patrícia Campos Mello, Jaime Pinsky, Lelette Couto, Peter Demant, Rony Vainzof; e reproduz um excelente debate entre o ex-chanceler Celso Lafer, a advogada Akemi Kamimura e o advogado Fernando Lottenberg, presidente da Conib. O texto introdutório é de Eduardo Wurzmann, secretário-geral da Conib, e Fernando Lottenberg.

Outra visão

O bom jornalista Marco Piva, comentando uma nota desta coluna de apoio à extinção do Imposto Sindical, lembra que dos 17 mil sindicatos existentes no país (cálculo do relator da reforma trabalhista, Rogério Marinho, PSDB potiguar), mais de cinco mil são patronais, também ameaçados pela tesoura. “Os patrões, muitos deles, também vivem a boa vida sindical, sendo que alguns não pisam numa empresa há muitos anos”, diz Piva, e tem razão. Como disseram Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na voz de Nara Leão, é hora de por pra trabalhar gente que nunca trabalhou.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

DON PABLITO – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Caro Berto:

É incrível o poder de uma bala disparada por um Policial.

O projétil disparado pela arma tem um poder mágico de transformação!

Assim que ela atinge e mata um marginal, imediatamente ele se converte em:

– pai de família
– trabalhador
– pagante de impostos
– servo de Cristo
– reencarnação de Mahatma Ghandi
– filho exemplar
– estudante dedicado
– vizinho maravilhoso
– ser divino, anjo de luz…

Eu não entendo como a Igreja ainda não começou a estudar este fenômeno espiritual.

R. Fique tranquilo, meu caro.

Já encontrei uma igreja que vai estudar este fenômeno.

Uma igreja que tem uma particularidade muito curiosa: todos os seus adeptos e pagadores de dízimo são eleitores de Lula, sem exceção.

Trata-se da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus, de propriedade do Apóstolo Agenor e sua mulher Bispa Ingrid (uma Bispa que, ressalte-se, tem um belo pé de rabo!)

Veja só o diâmetro da bunda da Bispa na foto abaixo:

E tem mais: o milagreiro Apóstolo Agenor cura até viadagem, esta doença horrível dos tempos mudernos que assola o mundo inteiro.

Ele já tirou do pecado e das trevas até mesmo baitola que dava e comia o furico pro Satanás. Enfim, um pecador que trocava cavalo-magro com o Cão.

Xibungo que levava no furico a pajaraca do Tinhoso e, ao mesmo tempo, enfiava a bimba no toba de Exu, imagine só.

Agenor tem puder pra arrombar a tabaca de Xolinha!!! 

Veja:

9 abril 2017 FULEIRAGEM

GILX – JORNAL O DIA (PI)

COLUNA DA ANTA

Vanessa Grazziotin morou num Brasil que só comunista sabe onde fica

“O problema do Brasil não é a Previdência, mas a falta de crescimento econômico e a opção do governo em favorecer o capital especulativo”.

Vanessa Grazziotin, senadora do PCdoB do Amazônas, garantindo em seu artigo na Folha que, ao contrário do que todo mundo imagina, no governo Dilma Rousseff o crescimento econômico foi de matar de inveja até alemão, o capitão especulativo foi enquadrado e a Previdência deu lucro

9 abril 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – YAHOO NOTÍCIAS

O IMPÉRIO DE NAPOLEÃO ACABOU NO RECIFE

É sabido que o império de Napoleão acabou na Batalha de Waterloo, em 1815. Porém, é sabido também que os impérios não acabam assim de repente. O que restou e o que foi feito do famoso exército napoleônico? Após seu degredo para a Ilha de Santa Helena, muitos de seus altos oficiais foram presos; outros mortos; e outros debandaram pelo mundo afora. Muitos foram parar nos Estados Unidos; pais ainda em formação; brigando com a Inglaterra; logo, um bom lugar para começarem nova vida. Nos EUA, se estabeleceram na maior cidade americana da época: Filadélfia, a cidade do amor fraternal como diz seu nome; um lugar apropriado para receber estrangeiros; grande centro da Maçonaria internacional; ideal para reunir gente disposta a empreender, conspirar, lutar. Assim era a Filadélfia em 1817, a primeira capital dos EUA.

No mesmo ano o Brasil se agitava com a Revolução Pernambucana em curso, pretendendo tornar-se independente de Portugal. O movimento eclodiu em março de 1817, com a tomada do Palácio do Governo, na praça do Erário, onde se depositava o dinheiro português. Para presidir o Erário foi designado o influente comerciante Antonio Gonçalves da Cruz Cabugá. Em seguida, o Comitê Revolucionário enviou emissários às províncias vizinhas, com a finalidade de obter apoio interno; e para o exterior na busca de apoio externo, particularmente dos EUA.

Em maio de 1817, Cruz Cabugá desembarcou na Filadélfia com 800 mil dólares na mala e a missão de (1) comprar armas para combater as tropas inimigas, (2) convencer o governo americano a apoiar a Revolução e (3) recrutar alguns experientes militares franceses para ajudar a formar o exército que nascia em Pernambuco.

Não sabemos se chegou a comprar as armas, mas obteve um relativo apoio do governo americano. Enquanto durasse a revolta, os navios pernambucanos poderiam navegar em águas norte-americanas e, caso fracassassem, receberia os exilados. O contato com os militares franceses, regado a vinho e cachaça que ele levou, animou-os a participar da empreitada. Cruz Cabugá conseguiu contratar quatro veteranos de Napoleão: Conde Pontelécoulant, coronel Latapie, ordenança Artong e o soldado Roulet. Foi o que deu para conseguir com o dinheiro que levara.

Os franceses viram ali uma oportunidade de resgatar Napoleão, preso na ilha de Santa Helena e levá-lo para o Recife. Vencida a batalha, poderiam partir para a reconquista do Império na Europa. Napoleão também viu vantagem na empreitada. Seria uma oportunidade para se vingar de Dom João VI, o rei fujão de Portugal. Negócio fechado, os quatro franceses embarcaram para o Recife, enquanto Cabugá concluía as negociações.

Imprevistos da História auxiliados pela demora da navegação fizeram com que os quatros franceses demorassem a chegar e foram presos antes mesmo de desembarcar. Recife estava sitiada pelas tropas portuguesas. Cruz Cabugá, sabendo do ocorrido, ficou por ali mesmo até que as coisas esfriassem, digamos assim.

A História não lida com suposições, mas não custa nada imaginar que Napoleão tenha vindo, vencido a batalha contra os portugueses e instalado seu governo em Pernambuco. Foi o que Sérgio C. Buarque imaginou e escreveu o livreto Pernambuco imortal, imortal: devaneios de um cronista republicano do século XIX, editado pela Fundação Astrojildo Pereira, recentemente lançado. Napoleão se instalou no Recife e seus oficiais passaram a preparar a retomada da França. Enquanto isso, ele se refastelava com as delícias e o clima da terra, até que uma morena cor de jambo atravessou seu caminho.

Certo dia, ele reuniu todos os oficiais no terraço do Palácio das Princesas, e ao lado da morena anunciou: “Compatriotas, decidi abandonar o meu projeto de restauração da França e os convido a me acompanharem na entrega a este pequeno e inculto país que estamos construindo nos trópicos. A partir de agora, sou apenas pernambucano, um revolucionário pernambucano, um republicano dedicado à glória de Pernambuco. Tenho quase 50 anos, amo esta mulher cor de jambo que me ensinou a amar esta terra e que carrega um pequeno Napoleão no seu ventre. Não quero mais navegar por esses mares. Quero formar uma família e construir uma nação aqui. Dedicar o resto dos meus dias à proteção ao progresso desta terra”.

E assim termina a aventura napoleônica no Recife. Uma história engraçada cujo começo e meio estão repletos de fatos, intrigas e desilusões, que não vou contar para não estragar o prazer da leitura dos interessados em suposições históricas.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA (MG)

WASHINGTON LUCENA – VISTA SERRANA-PB

Mote de Washington Lucena:

Foram os pregos de amor que seguraram
O Messias na cruz da salvação.

Glosas de Chico Pinto:

Como prova maior do seu amor
Jesus Cristo sofreu em quantidade
O exemplo da sua santidade
Era uma lição ao pecador
O martírio causava grande dor
Sem haver que tivesse compaixão
Tinha um prego cravado em cada mão
E mais as câimbras que os músculos suportaram
Foram os pregos de amor que seguraram
O Messias na cruz da salvação.

Nosso amado Jesus padeceu tudo
Criticado por mais de uma pessoa
Cada espinho que tinha na coroa
Penetrava no couro cabeludo
Mesmo sendo insultado ficou mudo
Quando ouvia a blasfêmia do ladrão
Como exemplo de amor e de perdão
Para todos que a Ele suplicaram
Foram os pregos de amor que seguraram
O Messias na cruz da salvação.

Suas costas ficou dilacerada
Provocada por golpes de chicotes
Quando Judas chamado Iscariotes
Teve a mancha da culpa perdoada
Sua face ficou ensanguentada
Que tirava o formato da feição
O seu corpo naquela posição
Suas carnes com o peso se rasgaram
Foram pregos de amor que seguraram
O Messias na cruz da salvação.

Pouco caso se fez do Rei Jesus
Construiu um reinando mais sozinho
A coroa era feita de espinho
Para o mundo das trevas era luz
Seu trono era um braço de uma cruz
Sua história de amor era o perdão
E tudo há mais que lhe deu sustentação
Foi as chamas de amor que lhe queimaram
Foram pregos de amor que seguraram
O Messias na cruz da salvação.

A história de cada acusador
Não mostrou culpa alguma dos seus atos
Era tão inocente que Pilatos
Não achava que fosse transgressor
Como filho de Deus seu muito amor
Confundia qualquer acusação
Ele estava cumprindo uma missão
Como os homens de Deus profetizaram
Foram pregos de amor que seguraram
O Messias na cruz da salvação.

Quando aqueles soldados lhe prendeu
Os discípulos também lhe abandonou
Diz a bíblia que Pedro lhe negou
Finalmente ninguém lhe defendeu
As três horas o mundo escureceu
Quando o véu rasgou-se até o chão
É que estava chegando à conclusão
Todos os planos do Pai se completaram.
Foram pregos de amor que seguraram
O Messias na cruz da salvação.

9 abril 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO


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