Arquivos de Maio 2017

A ULISSES – Judas Isgorogota

Quando à manhã parti – era a partida de um novo Ulisses à Ítaca sonhada – eu vivia da homérica investida e empolgavam-me os lances da chegada! Menino, ia este sonho me levando… Não nasci para Ulisses… melhor fora não ouvir a sereia enganadora e ter ficado junto ao mar, sonhando… Mas, se voltasse a …

Continue lendo

SONETO DO AMOR TOTAL – Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor … não cante O humano coração com mais verdade … Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te afim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente …

Continue lendo

ETERNA MÁGOA – Augusto dos Anjos

O homem por sobre quem caiu a praga Da tristeza do Mundo, o homem que é triste Para todos os séculos existe E nunca mais o seu pesar se apaga! Não crê em nada, pois, nada há que traga Consolo à Mágoa, a que só ele assiste. Quer resistir, e quanto mais resiste Mais se …

Continue lendo

BIBI ALEXANDRE

Bibi Alexandre é um cabra atarracado, forte e vermelho, que compra e vende bode lá pelas bandas de Ouro Velho, Mundo Novo, Tuparetama, por ali afora… Gente boa, alegre e brincalhão, nunca gostou muito de briga, mas numa terça-feira , dia de feira no lugar, no meio de uma cachaçada, no bar de Mocinho, lá …

Continue lendo

ESPERA – Maria Braga Horta

Tu não vens, meu amor, porque te espero e nunca o amor, quando esperamos, vem. Quanto mais tardas, mais e mais te quero e, se aqui estás, eu mais te quero bem. Espero-te e suponho que ninguém pode reter-te aí, se aqui te espero: és meu amor, és meu, e é meu também teu coração, …

Continue lendo

REGI – AMAZONAS EM TEMPO

VOLÚPIA – Florbela Espanca

No divino impudor da mocidade, Nesse êxtase pagão que vence a sorte, Num frémito vibrante de ansiedade, Dou-te o meu corpo prometido à morte! A sombra entre a mentira e a verdade… A núvem que arrastou o vento norte… – Meu corpo! Trago nele um vinho forte: Meus beijos de volúpia e de maldade! Trago …

Continue lendo

SONETO DA SEPARAÇÃO – Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De …

Continue lendo