22 maio 2017 FERNANDO GABEIRA

EH BOI

Estava no meio de um artigo sobre a conversa com Deltan Dallagnol no Teatro do Leblon, a respeito dos livros que publicamos. Mandei o artigo para o espaço. Durante muitos anos trabalhei, no Congresso, para proibir bombas de fragmentação. Elas ficam no terreno, às vezes parecem um brinquedo e, de repente, bum: explodem. Nesse terreno minado, no entanto, a JBS nunca me enganou. Faz alguns anos que a menciono em artigos. Ela recebia muito dinheiro do BNDES. E doava também muito dinheiro para as campanhas políticas. O PT levava a maior parte, mas não era o único.

A Polícia Federal já estava no rastro, investigando suas fontes de renda, BNDES, FGTS, todos esses lugares onde o dinheiro público flui para o bolso dos empresários. Assim como no caso da Odebrecht, as relações com o mundo político eram muito amplas. Elas são suficientes para nos jogar, pelo menos agora, numa rota de incertezas.

Temer foi para o espaço, Aécio foi para o espaço, embora este já estivesse incandescente, como aqueles mísseis da Coreia do Norte no momento do voo. O PT e Lula já sobrevoam o mar do Japão. Tudo isso acontece num momento em que há sinais de uma tímida recuperação econômica. Como navegar nesses mares em que é preciso desmantelar o grande esquema de corrupção e não se pode perder o foco nos 14 milhões de desempregados?

Escrevo de noite, num quarto de hotel, não me sinto capaz de formular todos os passos da saída. Mantenho apenas o que disse no Teatro do Leblon: a história não recomeça do zero, haverá mortos, fraturas expostas, ferimentos leves, algo deve restar para receber a renovação que, acredito, virá em 2018. E até lá? Não creio que se deva inventar nada fora da Constituição. Mas será tudo muito difícil. Mesmo porque, em caso de necessidade, a Constituição pode ser legalmente emendada.

No Teatro do Leblon, ainda no meio da semana, não quis fazer considerações finais. Não há ponto final, dizia. As coisas ainda estão se desenrolando num ritmo alucinante. O sistema político no Brasil entrou em colapso. Isso já era uma realidade para muitos, agora deve se tornar um consenso nacional. A sociedade terá um papel decisivo, pois deve preparar uma renovação e simultaneamente monitorar os ritos fúnebres do velho sistema. A grande questão: que caminho será o menos traumático para uma economia combalida?

No meio dos anos 1980 já existia uma forte discussão a respeito de partidos políticos. Não seriam uma forma de organização condenada? Discutia-se isso também em outros países. Partido ou movimento, o que é melhor para reunir as pessoas?

A discussão na França, creio, deve ter influenciado, anos depois, a eleição de Macron, agora em 2017. Ele estava à frente de um movimento, mas precisará dos partidos para governar. As fórmulas da renovação política trazem inúmeras possibilidades. Talvez seja difícil falar delas com tantos obstáculos a curto prazo no universo político.

No momento em que escrevo há surpresas, eletricidade, sensação. Só há clima talvez para se discutirem as medidas mais imediatas. O processo de redemocratização no Brasil chegou a um impasse. Precisa de um novo fôlego, algo que, guardadas as proporções, traga de novo as esperanças despertadas pelo fim do longo período ditatorial.

Foi um longo processo de degradação. As últimas bombas que ainda estão espalhadas pelo terreno ainda podem explodir. Mas a explosão de cada uma delas deve ser celebrada.

A corrupção, apesar das recusas da esquerda em reconhecer sua importância, tornou-se o grande obstáculo para o crescimento do país. Não vamos nos livrar totalmente dela. Há um longo caminho para fortalecer a estrutura das leis, desenvolver uma luta no campo cultural – onde as transformações são mais lentas – e sinceramente mostrar às pessoas que é razoável que estejam surpresas com tantas revelações escabrosas. Mas um pouco mais de atenção já teria detectado o escândalo na fonte, nas relações da JBS com o BNDES, na sua ampla influência nas eleições. Até que ponto tanta surpresa seria possível num universo não só com um pouco mais de transparência, mas também com menos ingenuidade?

O tom de prosperidade, crescimento, projeção internacional ajudou a JBS a dourar a pílula, mesma fórmula de Cabral para encobrir seus crimes.

Nos dias anteriores ao escândalo da JBS, a presidente do BNDES ainda achava estranhas as notícias de corrupção no banco e anunciava que iria apurar as irregularidades na gestão anterior.

E falamos delas há anos. Se essa gente insiste tanto em nos infantilizar é porque, ao longo desse tempo, a tática se mostrou eficaz.

A vigilância pode nos libertar dela, embora sempre vá existir um grupo numeroso que vê nas denúncias contra seus líderes uma conspiração diabólica. Esses, entregamos a Deus, sua viagem é basicamente religiosa.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE

22 maio 2017 HORA DA POESIA

DE UM LADO CANTAVA O SOL – Cecília Meireles

De um lado cantava o sol,
do outro, suspirava a lua.
No meio, brilhava a tua
face de ouro, girassol!

Ó montanha da saudade
a que por acaso vim:
outrora, foste um jardim,
e és, agora, eternidade!
De longe, recordo a cor
da grande manhã perdida.
Morrem nos mares da vida
todos os rios do amor?

Ai! celebro-te em meu peito,
em meu coração de sal,
Ó flor sobrenatural,
grande girassol perfeito!

Acabou-se-me o jardim!
Só me resta, do passado,
este relógio dourado
que ainda esperava por mim . . .

22 maio 2017 FULEIRAGEM

BRUNO – VALEPARAIBANO (SP)

DON PABLITO – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Ola Berto

Segue abaixo uma piada que explica muito o Goiano

“A petista caiu dura no chão da cozinha e foi pro céu. Chegando lá, encontrou com Deus, que imediatamente reconheceu o erro:

– Ih, minha filha, não era sua hora, não! Houve algum erro aqui, vou te mandar de volta.

– Que bela surpresa, companheiro Deus! Mas, antes de ir, o Senhor poderia fazer a gentileza de me tirar uma dúvida?

– Claro, minha filha. É o mínimo que eu posso fazer para reparar este equívoco.

– O Lula é mesmo culpado por corrupção?

– Hahahah! Mas é claro, minha filha! Alma mais suja não há! Eu mesmo votaria no Satanás antes do Lula.

Ressuscitada, a petista liga para a colega:

– Cumpanhêra! Tenho novidades escandalosas!

– Mas o que houve?!?!?

– Você não imagina quem a Globo comprou!”

22 maio 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE


REFLEXÕES À BEIRA-MAR

“Pisar a areia. Ver o mar. Sentir a brisa úmida de encontro à pele do meu rosto recém-escanhoado. Dia quente, céu azul, o sol brilhando sem tréguas. Verão carioca. O sol forte cega-me. Sinto que o pouco contato com ele, durante o último ano, fez com que os meus olhos esquecessem a clara e plena luminosidade. Como velhos amigos que se reencontram, por enquanto tateamos um ao outro no nosso primeiro contato em busca de um ponto de apoio no passado.”

Sempre me incomodou este trecho do romance Em Liberdade, de Silviano Santiago. Explico. O texto tenta transcreve um suposto diário de Graciliano Ramos depois que deixou a prisão. E por que o incômodo? Vamos lá.

“O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito… O mar…”, diz a canção de Caymmi. Realmente é bonito, mas não para todos. E Graciliano era um desses. Daí ler a cena quase idílica do escritor com o mar não me parece verossímil. Intimidade com o sol até vá lá, mas com o mar?

E não se pode condenar o velho Graça, é uma questão de preferência. “O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito…”, Caymmi tem razão, mas não aos olhos de todos, repito. Os versos, há décadas, invadem os ouvidos com harmonia, beleza, sensibilidade. Acarinham os corações mais empedernidos e mesmo aqueles que não conhecem o mar ficam a sonhar com suas ondas, seu azul intenso, sua profunda beleza. Já outros olham toda aquela paisagem líquida com despreza e até enfado.

Lembro de um amigo perdido pelo tempo, Antônio Campos, um poeta do Recife, tradutor refinado de William Blaker (não confundir com o escritor e advogado homônimo, idealizador da Fliporto). Os poetas, mesmo os líricos, nem sempre são praticantes da delicadeza. Antônio estava nesse balaio. Costumava ler ao lado de uma janela e, quando os textos, sobretudo os poemas, não lhe tocavam, jogava o volume pela janela. Foi o descarte bibliográfico mais radical que conheci.

Pois bem, voltando ao mar, estávamos em São José da Coroa Grande e Antônio, com seu inseparável cachimbo, balançava numa rede enquanto lia. Alguém de passagem atirou-lhe o convite: “Antônio, vamos ver o mar?” “Ver o quê? Ali não tem novidade nenhuma, só um bocado de água indo prá frente e prá trás…”

Graciliano devia ter uma opinião parecida. Lembro-me de seu filho, Ricardo Ramos, contando que, certa feita, caminhando com o pai pelo Rio de Janeiro, diante das montanhas e do mar, suspirou: “É muito bonito…”. “Prefiro o sertão”, respondeu o velho. E frente ao espanto do filho começou a descrever a paisagem seca, esturricada, cheia de cactos e misérias. Anos depois Ricardo lembrava: “E ele quase me convenceu de que tinha razão…”

Li e reli Memórias de Cárceres e sempre me admirou o fato de Graciliano descrever toda uma viagem marítima sem falar no mar. O máximo de concessão que faz é quando, de passagem por Maceió, olha pela escotilha e vislumbra as casas distantes, as casas, não a praia. Também em seu romance Angústia, que se passa todo ele na ensolarada Maceió, o ambiente é o do centro, da praça dos Martírios, do Bebedouro, não chega sequer perto da Pajuçara.

Mas também não se pode botar Silviano Santiago em uma fogueira inquisitorial. Ele escreveu Em Liberdade num instante de angústia, com um irmão preso pelos agentes da repressão da ditadura militar dos anos 1970, e sentia a necessidade de falar de prisões e liberdades. E logo de saída transcrever como epígrafe uma sentença do mestre Otto Maria Carpeaux: “Vou construir meu Graciliano Ramos.”

Apenas pensei nisso tudo caminhando pelo calçadão da Pajuçara e encontrando ali, eternizado em bronze, o velho Graça, com seu inseparável cigarro e seu terno largo. Nada mais destoante para minha visão de rabugento que prefere encontrá-lo no beco da Moeda, na rua do Macena. Desculpe leitor, mas aprendi com Mário Quintana que “um erro em bronze é um erro eterno”.

Deixando a rabugice de lado, reconheço que as homenagens devem ser feitas e são merecidas por muitos. No entanto há exageros e contradições. Foi o que se deu com o escritor Valter Pedrosa Amorim.

Eu o conheci ali pelo início da década de 1980, já com alguns livros de contos e um romance publicados. Alagoano, vinha de uma família de tradições comunistas. Um de seus primos, Jayme Pedrosa, fora assassinado durante a repressão militar. E assim Valter não negava suas convicções. E por elas sofria. Naquele tempo, como engenheiro sanitarista, trabalhava na consultoria de uma instituição internacional lá para as bandas da Colômbia, pois não conseguia nenhum emprego no Brasil. Por suas crenças políticas fora demitido de várias companhias estatais de saneamento, a última em Brasília, onde então morava sua família.

Tinha um sonho, entrar para a Academia Alagoana de Letras e resolveu se candidatar à vaga deixada pelo senador Teotônio Vilela. Começou a cabalar votos e estava indo muito bem, a eleição líquida e certa, não havia a menor possibilidade de derrota, até que se deu o desastre. Foi à Maceió para acompanhar de perto o pleito e logo concedeu entrevista a um jornal que estampou sua declaração como manchete: “Chego à Academia como cidadão comunista”.

Volto derrotado para Bogotá. Alagoas, que expulsou de suas terras Graciliano Ramos o acusando de comungar com o credo comunista, não perdoou seu filho Valter.

Para minha surpresa, anos depois, num sábado pela manhã, abro o jornal e leio, consternado, o convite para a missa de sétimo dia em louvor à alma do velho comunista Valter Pedrosas Amorim.

As homenagens são justas, mas às vezes contraditórias.

Não me espantarei se algum dia encontra uma estátua de Valter Pedrosa Amorim na calçada da igreja dos Martírios.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

22 maio 2017 A PALAVRA DO EDITOR

ELE MENTE DIVERTIDAMENTE

Uma postagem dedicada aos pescadores fubânicos.

E também aos mentirosos de todos os outros blogues e de todas as partes de Banânia.

Ah, sim: é também dedicada aos 600 milhões de desinfelizes que perderam seus empregos por culpa do Dr. Moro e da Operação Lava Jato e que atualmente coçam 600 milhões de sacos infestados de chatos.

 

22 maio 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

Palavras do Presidente Temer:

Esse senhor, (dono da JBS) nos dois timos governos, teve empréstimos bilionários no BNDES para fazer avançar os seus negócios. Prejudicou o Brasil, enganou os brasileiros e agora mora nos Estados Unidos. A gravação fraudulenta e manipulada especulou contra a moeda nacional. É um conhecido falastrão, exagerado. O delator cometeu, digamos assim, o crime perfeito…

Essas palavras, Senhor Presidente, dão a entender, claramente, que esse delator, dono da JBS, era velho conhecido no mundo da corrupção, do crime, portanto, bandido.

PERGUNTA.

Que razões teve VOSSA EXCELÊNCIA para receber, em audiência, bandido tão infesto?

22 maio 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

22 maio 2017 A PALAVRA DO EDITOR

PRISÃO DOMICILIAR PAJARACAL

Sabemos que o pobre ex-prisidente Lula é um sem teto desvalido.

Não tem triplex, não tem sítio, não tem apartamento em São Bernardo.

Nem mesmo o Instituto Lula é dele.

Ele não tem onde dormir, resumindo tudo.

Então surge um terrível dilema:

No caso de ser decretada sua eventual prisão domiciliar, onde ele iria cumprir a pena?

Hein?

Trata-se de uma questão de muita relevância, pois estamos falando do maior prisidente que esta República Federativa de Banânia já teve.

Pois então, senhoras e senhores, eu quero dizer que tive uma ideia.

Vou dar uma sugestão.

A pena pode ser cumprida na Casa do Caralho.

Um casa construída pelo querido artista cearense Falcão em sua música “Oportunidade Única“.

Prestem atenção na letra e vejam que poema lírico e terno.

Na medida certa pra Lula cumprir uma possível sentença caseira.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

BENETT – GAZETA DO POVO (PR)

22 maio 2017 DEU NO JORNAL

ALÉM DO FUNDO DO POÇO

Nelson Paes Leme

Pensávamos que já tínhamos chegado ao fundo do poço com o festival de mentiras lançado por Lula contestando as várias delações premiadas. Até essa verdadeira bomba revelada pelo jornalista Lauro Jardim sobre o envolvimento direto do presidente Michel Temer, de forma comprovada, na alta corrupção da JBS com Eduardo Cunha.

Ficaram expostas as vísceras mais escabrosas dessa nossa “latrocracia”, ou do capitalismo de Estado que temos e a economia social de mercado que desejamos. Isso porque estamos bem distantes deste ideal. Mas, pelo menos, a caminho, com a revisão das práticas históricas de aparelhamento do Estado através do fisiologismo político e da corrupção sistêmica de seus agentes pelos representantes do capital produtivo e financeiro que, historicamente, temos praticado desde o Descobrimento.

Este, talvez, tenha sido o maior benefício gerado pela operação Lava-Jato e as congêneres que a sucederam: tentar separar o capital do Estado.

O Estado moderno perseguido pela ciência política e a ciência econômica é o Estado de bem-estar social, combinado com a livre iniciativa de seus cidadãos. O Estado puro, gestor, fiscal e eficiente na prestação dos serviços essenciais à sociedade, tais como saúde, educação, segurança e planejamento infraestrutural.

E o que temos no Brasil hoje ainda é o Estado empresário, hipertrofiado, perdulário, patrimonialista e concentrador de riqueza nas mãos de uma burocracia corrupta, sócio de um capitalismo primário, predador, corruptor e deletério.

Um governo de transição de uma realidade a outra não pode ser tíbio nem comprometido, ainda que reúna talentos. Há de ser incisivo, insuspeito e respeitado. Não é isto que acontece no Brasil neste instante decisivo e delicado.

O governo de transição não existe como fruto desse pacto, mas é um naco ainda vigente dessa conjunção espúria, composto por acusados e investigados, como agora fica comprovado.

Os compêndios do futuro hão de registrar com clareza o papel que teve essa nova geração de juízes, promotores e policiais federais nessa transição.

Aliás, esta transição que estamos a viver é, certamente, bem mais complexa do que a recente transição do autoritarismo para a democracia.

Poderíamos chamá-la de transição do estatismo para o capitalismo real. Pode-se mesmo dizer que esta seria o corolário daquela, porque o autoritarismo remanesce em atitudes atávicas de políticos tradicionais, nos comandos recentes do governo central e das próprias casas do Congresso Nacional — alguns deles já encarcerados, outros já réus ou investigados, mas petulantes e desafiadores em suas posturas públicas, como se donos do Estado fossem. Mas essa assepsia, ainda que indispensável e louvabilíssima, não é suficiente.

É fundamental, por exemplo, a reforma do Estado a partir da Federação. A reforma federativa é urgente porque já começa a redistribuir renda, com a revascularização das receitas dos três entes federados e reorganizando os serviços públicos, visando à reforma política e à implantação do voto distrital. Além disso, a reforma federativa é o primeiro passo para acabar com a macrocefalia administrativa e centralizadora da União, em detrimento de estados e municípios.

Os três entes federados deveriam ser quatro, com a introdução do distrito federado autônomo e interativo com a Federação. Seria o fim desses “fundos de participação”, remendos legislativos que acentuam as desigualdades regionais.

Os recursos públicos para gerir os entes federados têm de estar próximos da fiscalização pela própria cidadania como braço auxiliar essencial do controle das contas públicas. Os tribunais de contas devem ser órgãos de supervisão auxiliar dessas contas e de reforço técnico a essa ação cidadã permanente.

Para tanto, se torna indispensável a existência do distrito federado autônomo. Não apenas eleitoral, mas tributário e administrativo, diminuindo os butins federais, estaduais e das megalópoles, onde ocorre o assalto sistemático e incontrolável do Erário. Isto, em relação aos recursos que dizem respeito diretamente ao dia a dia do cidadão, como educação, saúde e segurança pública, além da mobilidade e dos equipamentos urbanos.

O Estado macrocéfalo e centralizador tem se tornado o maior entrave ao desenvolvimento da moderna economia social de mercado praticada na grande maioria dos países civilizados — onde se dá a excelência na prestação dos serviços públicos e na infraestrutura aceleradora e impulsionadora da economia estável, onde os capitais da iniciativa privada fluem livremente. E deslancham o empreendedorismo sadio, liberto dos tentáculos do paternalismo e da corrupção configurados pela onipresença de um Estado onipotente, corrompível em sua própria gênese e clamorosamente ineficiente.

O único meio legítimo de alcançarmos esse estágio superior de desenvolvimento é através de uma corajosa reforma constitucional do Estado brasileiro. Agora então, urgentementissimamente!

22 maio 2017 FULEIRAGEM

EDER – CHARGE ONLINE

A RAZÃO DÁ-SE A QUEM TEM

Para abrir a semana, um samba de 1932, de Noel Rosa, Francisco Alves e Ismael Silva. Interpretado por Mário Reis e Francisco Alves acompanhados pela Orquestra Copacabana.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

HUBERT – BLOG DO HUBERT

22 maio 2017 MARY ZAIDAN

COM O DIABO NO CORPO

Michel Temer, 76 anos, quase 40 deles dedicados à política, não se enquadra na categoria dos desprecavidos. Não teria sobrevivido se o fosse. Muito menos na dos ingênuos, o que torna inexplicável ter se deixado enredar na armadilha de Joesley Batista, para quem Temer, na noite de 7 de março, abriu os portões do Palácio do Jaburu e do inferno, lançando nas chamas ele próprio, o seu governo e o país.

Ainda que monossilábico, o presidente da República ouviu disparates de um investigado pela Justiça, concordou com o inconcordável, postou-se como cúmplice de relatos criminosos. Nada fez.

E deu muito mais do que os irmãos Batista precisavam para selar a delação premiada junto ao Ministério Público Federal: um diálogo cifrado, no qual Joesley poderia introduzir recheio de qualquer sabor.

Ao relatar a Temer que estava de bem com Eduardo Cunha, Joesley não cita a que se refere. Não fala de compra, de dinheiro, de valores – permitindo que ele dê a sua versão aos procuradores, como os tais R$ 400 mil que teriam sido pagos pelo silêncio de Cunha, com conhecimento do presidente. Algo que não está no escopo da conversa e, portanto, não aparece na gravação.

Há mais dúvidas do que certezas nessa hecatombe provocada pela delação dos donos e diretores da JBS, a maior processadora de carnes do mundo, uma das campeãs nacionais selecionadas por Lula da Silva e Dilma Rousseff, com direito a generosíssimos recursos do BNDES e da Caixa.

No que tange a Temer é incompreensível o fato de ele ter aceitado encontrar-se com Joesley no tardar da noite, em sua residência e sem testemunhas. Ter deixado a conversa se enveredar por temas nada republicanos – ao contrário, criminosos. De não ter desconfiado da armação. Teria rabo preso? Culpa? Medo?

Na outra ponta, a delação dos Batistas abre dezenas de questionamentos – a começar pelos dadivosos termos do acordo que os livrou de qualquer pena.

Além dos ganhos de milhões no entardecer da quarta-feira, 17, dia D do vazamento da delação, com compra de dólares e manipulação de ações, objeto de cinco investigações abertas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os donos da JBS – que estão livres, leves, ricos e soltos – acumulam discrepâncias entre o que dizem e o que deixam de dizer.

Eles são capazes, por exemplo, de afirmar com precisão cartesiana que beneficiaram 1.829 políticos via dinheiro sujo, mas não conseguem lembrar os nomes dos cinco parlamentares – apenas cinco – que teriam recebido R$ 3 milhões cada para votar contra o impeachment de Dilma, depois de recusar o pedido para comprar 30, que eles também não dizem quem são.

A JBS teria gasto quase R$ 600 milhões para financiar políticos, menos de 2% de forma lícita. Aécio Neves, enrolado até o último fio de cabelo pela gravação em que aparece pedindo dinheiro e acertando, como um meliante, a entrega das notas em espécie, teria levado mais de R$ 60 milhões. Gilberto Kassab, José Serra, Fernando Pimentel e outros 15 governadores estariam na lista de receptores. Os Batistas dizem possuir uma bancada invejável: 167 deputados federais e 28 senadores, 179 deputados estaduais em 23 estados.

Questionado sobre um juiz que ele teria no bolso e que citara a Temer, Joesley diz que inventara esse fato ao falar com o presidente – e o dito parece ter sido convincente. Em outro ponto, o delator afirma que só com Lula e Dilma foram gastos US$ 150 milhões (mais de R$ 320 milhões). Um recorde absoluto. Ainda assim, sabe-se lá por que, as transações com os dois ex não se tornaram objeto de denúncia específica.

Michel Temer, 76 anos, político experiente, foi incisivo no pronunciamento que fez na última quinta-feira, 21 horas depois do vazamento do teor da gravação, uma hora antes de oficialmente o áudio de seu encontro com Joesley ser liberado pelo ministro-relator da Lava-Jato no Supremo, Edson Fachin.

Após ouvir a gravação, o presidente teria voltado a respirar. Como dissera pouco antes, não havia menção alguma quanto à compra do silêncio de Eduardo Cunha. Mas continha tudo o que não podia: silêncio, concordância e cumplicidade com um empresário corrupto.

No sábado, Temer voltou a se dirigir à nação. Anunciou que sua defesa protocolaria pedido de suspensão do inquérito contra ele até que a gravação – objeto de edição revelada por peritos contratos pelos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo – fosse oficialmente periciada.

Abre-se assim um novo flanco de dúvidas. Pior, capaz de ferir de morte o MPF, ao qual cabe atestar a veracidade de provas-chave de delação e de abertura de inquérito.

Algo gravíssimo caso seja confirmado. Mas, ainda que venha a servir como extintor para as chamas que Temer lançou sobre si naquele 7 de março, não conseguirá apagar a revelação de que ele já havia se rendido ao diabo.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

LÁGRIMA – Anderson Braga Horta

Sob a fronde ensombrada e triste de um carvalho,
treme o fluido cristal de uma gota de orvalho.
A árvore secular, grandiosa e sobranceira,
sentira o despontar da lágrima primeira,

que luziu na ramada e rolou, galho a galho
sobre o chão poeirento e pobre de agasalho.
O pó bebeu-a, ardente, e, absorvida na poeira,
a gota se desfaz na prece derradeira.

E eu quedei a pensar, comovido de espanto:
são precisos, talvez, mil anos de tormentos
para saber chorar o pranto que conforta!

O carvalho sorriu, silencioso… Entretanto,
o crepúsculo veio, entre espasmos sangrentos,
caindo-lhe, a chorar, sobre a pupila morta.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

GILSON – CHARGE ONLINE

A INUTILIDADE DA ONU

Tem um assunto que, diariamente, insiste em transitar, pelos meus não sei quantos neurônios que ainda tenho em atividade, nos misteriosos hemisférios encefálicos que abrigam essa minha precária massa cinzenta.

Dizem os neurocientistas que uma pessoa normal, com cérebro sadio, tem cerca de 86 bilhões deles, e que 50% das células da caixa craniana são neurônios, e não 10% como se pensava. Menos mal. Com essa informação, a probabilidade de que eu seja menos burro do que penso, aumenta consideravelmente.

Bem, mas o assunto a ser tratado não é exatamente esse, e sim, a famigerada ONU (Organizações das Nações Unidas).

Sinceramente, não vejo nessa Organização outra utilidade que não seja a de servir de bureau para “burrocratas” de fim de carreira, e cabide de emprego para uma imensa corja de sanguessugas de todos os cantos do planeta.

Na minha ótica, a ONU, a exemplo da OEA, é uma instituição inútil, corrompida, sem credibilidade, ideologicamente contaminada e estruturalmente podre.

Aquela ONU criada após o término da Segunda Guerra Mundial, em 24 de outubro de 1945, não existe mais. Desviou-se, completamente, da nobel rota idealizada por Roosevelt, que seria manter a segurança e a paz mundial, promover os direitos humanos, auxiliar no desenvolvimento econômico e no progresso social das nações, definir leis internacionais, proteger o meio ambiente e prover ajuda humanitária em casos de fome, desastres naturais e conflitos armados.

Aliás, sobre esse tema – embora muitos tachem o atual presidente americano de tresloucado e intempestivo -, concordo com Trump quando diz que a ONU “é perda de tempo e dinheiro” e “causa problemas” e, além disso, “é apenas um clube para pessoas se reunirem, conversarem e se divertirem.”

Outra afirmação sobre as Nações Unidas que achei pertinente, foi a do Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu:

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22 maio 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

22 maio 2017 A PALAVRA DO EDITOR

DÚVIDA DE UM EDITOR IGNORANTE

Se, por qualquer motivo, o presidente Temer tiver que sair do cargo, a Constituição prevê quais as providências que devem ser tomadas e o que deve ser feito.

Eu nem sei o que é que deve ser feito, o que é que está previsto na Lei.

Caso o prisidente Michel seja afastado, quem é que assume: o prisidente da Câmara, o prisidente do Senado, a prisidente do Supremo ou o Editor do JBF?

Num sei de nada.

Mas de uma coisa eu tenho absoluta certeza:

Se o PT está pedindo “Diretas Já” é porque isto não consta da lei.

É ilegal. É inconstitucional. É petralhal.

Ou, como diria o fubânico petista Ceguinho Teimoso, isto é “usurpação

A cambada quadrilheira vermêio-istrelada só se embasa no que não consta dos textos legais pra fazer suas imundas reivindicações doutrinativas.

Os fubânicos que conhecem a letra fria da Constituição sobre este assunto específico, sucessão prisidencial, por favor, me digam se estou errado.

Pergunto:

A Constituição da República Federativa do Brasil prevê que sejam realizadas eleições diretas caso o prisidente Temer seja obrigado a deixar a Presidência da República?

Pedir eleições diretas caso Temer seja afastado é inconstitucional, é ilegal, é desrespeitar a lei?

Hein?

O JBF tá cheio de dotô anelado, bacharelado e ispicializado nas ciências sucessórias prisidenciais.

Espero que me tirem desta dúvida cruel.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS


http://www.forroboxote.com.br/
VENTO TRAQUINO

O vento criança brincava nos retângulos escondidos nas esquinas. E o eco respondia alinhando e reproduzindo os cantos de todos os quadrados. Por todos os lados ouvia-se o seu barulho. As cortinas dançavam a dança do sopro, dos malinos ares, indiferente a todos os ângulos, retos e oblíquos, complementares e congruentes. Tangiam-se sonhos e lembranças, todo o tempo, esvoaçando um passado que parecia dormir. Mas o vento pouco se importava com a tristeza do espaço e cumpria sua missão, traquinando, assoviando ao redor de círculos, sendo vento. Só vento. Somente ventando, assanhando o cabelo da menina, apagando a vela, revoltando o mar. Ventando.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

22 maio 2017 A PALAVRA DO EDITOR

RICO PODE. POBRE SE FODE

Este vídeo é um brinde do JBF.

Um brinde pra matar os fudidos de inveja!

Quem pode, pode.

Quem não pode que se lasque!

22 maio 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ESTRESSE

O estresse surge em conjunto com a sensação da necessidade de adaptação à determinada situação. Por esse motivo, pode ser bom ou ruim: a pessoa pode ficar estressada tanto pela promoção no emprego, quanto pela demissão, por exemplo. O ser humano, por natureza, procura manter um equilíbrio de suas forças internas, com todos os órgãos trabalhando em harmonia. Quando algum evento importante, benéfico ou danoso, ocorre na vida de uma pessoa, causando alguma mudança, o corpo vai fazer um esforço para se adaptar à nova situação.

Na presença de uma circunstância estressante, pode surgir uma reação positiva ou negativa, conforme dito acima. A negativa está relacionada ao desgosto emocional. É como se o copo estivesse cheio e uma pequena gota d’água o fizesse transbordar. Já a atitude positiva faz com que o indivíduo busque aumentar seu desempenho, tornando-se confiante para enfrentar determinadas circunstâncias, além de causar uma sensação de realização por ter condições de superar uma situação adversa.

Na verdade, a reação ao estresse ajuda a enfrentar desafios. Ele é que mantém seu foco durante uma apresentação no trabalho, é o que afia sua concentração no momento de executar um lance em uma partida de futebol e o leva também a estudar para um exame quando poderia se encontrar com amigos para um lazer. Porém, depois de um certo ponto, o estresse deixa de ser útil e começa a causar grandes danos a sua saúde, seu humor, sua produtividade, seus relacionamentos e sua qualidade de vida.

No maravilhoso mundo da poesia popular, temos uma sextilha de Manoel Filó (1930 – 2005) que ilustra como uma adversidade pode causar reações diferentes:

“Assim como existe alguém
Que quando perde alguém, chora
Também tem alguém que age
Quando o amor vai embora
Na mesma simplicidade
Que um pingo d’água se tora.”

22 maio 2017 FULEIRAGEM

BRUNO AZIZ – A TARDE (BA)

22 maio 2017 DEU NO JORNAL

LADRÕES EM DOSE DUPLA

Miguezim de Princesa

I
Em Goiás tudo é em dupla
Sertaneja de raiz:
Já vi até duas torres
Em uma igreja matriz
E por fim fizeram uma dupla
Para roubar o País.

II
Eles assim discutiram
Na hora de combinar:
Não há ideologia
Que não se possa comprar,
Seja direito ou canhoto,
Qualquer mão pode roubar.

III
Chamaram Luiz Inácio,
Operário sem vintém,
Deram metade de tudo,
Merecido, sem desdém:
– Ele só tem nove dedos,
Mas é mesmo que ter cem!

IV
Correram pro outro lado,
Quase a mesma opinião:
Deram ao neto de Tancredo
Uma montanha de milhão
E apenas reclamaram
Que ele era o mais pidão.

V
Aécio ganhava cinco,
Gastava e queria de novo:
– Acabou-se minha merenda,
Só estou no pão com ovo!
Então vinha Doutor Friboi,
Lascava o cofre do povo.

VI
Lula mandava guardar
A grana no estrangeiro:
Adquiria senador,
Deputado e até olheiro,
E espalhava a lorota
De ser fiel companheiro.

VII
Michel Temer e companhia
(Cunha, Cabral e Padilha),
Juiz, promotor, polícia,
Formando uma mesma rodilha,
O Brasil sendo comido
Pelas traças da quadrilha.

VIII
Quando viu que a Lavajato
Ia acabar com o esquema,
A dupla Wesley/Joesley
Montou um estratagema:
– Vamos salvar o dinheiro,
Tá resolvido o problema!

IX
Se danaram a delatar
Tudo quanto foi partido:
Da esquerda, da direita,
Até quem estava escondido,
E sumiram com a bufunfa
Para os Estados Unidos.

X
O brasileiro pergunta,
Sem resolver a questão:
Como é que tanto dinheiro
Circulou de mão em mão,
Na Receita Federal
Ninguém prestou atenção?
E o sistema bancário,
Cheio de rigor com o povão,
Que para sacar 10 mil
É grande a aporrinhação?
Dá pra sentir custipio
De saber que meu Brasil
Foi vendido num leilão.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

REGI – AMAZONAS EM TEMPO


http://pinheirochumbogrosso.blogspot.com.br
O GIGANTE ATOR NEGRO, WOODY STRODE

Quando se fala em atores negros de Hollyood vem logo à memória da gente a figura de Sidney Poitier, hoje, com 90 anos de idade. Esquece-se desse gigante ator negro que é Woodrow Wilson Wolwine Strode, apelidado “WOODY”, descendente de Índios Cherokee, além de naturalmente ser o que se convencionou chamar de afro-americano. Essa mistura de raças gerou um jovem fortíssimo, com 1,93m de altura e uma invejável musculatura. Em sua brilhante e promissora carreira como ator Woody Strode fez parte de grandes filmes, conviveu com diretores do mais alto gabarito como John Ford e com atores famosos como John Wayne. Tudo isso em razão de sua boa índole, seu porte físico e altivez somados a seu razoável talento interpretativo, fizeram dele um dos mais requisitados atores negros de seu tempo. O Gigante Woodyfoi abatido por um câncer do pulmão que o levaria à morte aos 80 anos em 31 de dezembro de 1994, em Glendora, na Califórnia.

Essa figura extraordinária, Strode foi daqueles atores que tem uma presença tão marcante, em razão de seu porte, seu olhar, que mesmo tendo poucos diálogos, como na maioria de seus filmes, atraía o olhar da plateia para ele num piscar de olho, automaticamente. Todos os papéis que esse ator desempenhou, ele deixava um rastro de perfeição. Como sempre, impondo uma dignidade, uma altivez e uma grande sensibilidade em tudo que fazia ou o papel que desempenhava. Basta dizer, do seu desempenho de ator que dignificou cada personagem que interpretou, especialmente o Sargento Rutledge de “Audazes e Malditos”, o gladiador de “Spartacus” e o negro Pompey, empregado de John Wayne em “O Homem que Matou o Facínora”. Esses três filmes apenas bastariam para colocar Woody Strode no hall da memória dos verdadeiros amantes dos filmes de faroestes.

O competente historiador de filmes faroestes, Darci Fonseca, nos afirma que, na década de 1960 Woody Strode participou de diversos filmes importantes que o levaram a ser conhecido pelo nome e não apenas lembrado como “aquele negro forte” de tantos outros trabalhos no cinema. A magnífica sequência começou em 1960 com “Audazes e Malditos” (Sergeant Rutledge), western de John Ford que Woody protagonizou. No mesmo ano, um dos melhores momentos do épico “Spartacus” foi a brutal luta entre o gladiador africano Draba (Woody) contra Spartacus (Kirk Douglas). Indicado para o prêmio ‘Melhor Ator Coadjuvante’ do Globo de Ouro (1961), por sua atuação em “Spartacus”, Woody Strode recebeu, enfim, o reconhecimento da crítica quanto a seu talento como intérprete. Fazer parte do grupo de atores preferidos de John Ford é, sem dúvida, uma honra para qualquer intérprete e Woody Strode atuou sucessivamente em “Terra Bruta”, “O Homem que Matou o Facínora”, ambos do diretor John Ford que morreu no ano de 1973. Neste último, que foi a derradeira obra-prima de Ford, Woody Strode interpreta Pompey, numa atuação tão marcante quanto aquela em que personificou o Sargento Rutledge. E Woody estaria presente no elenco de “Os Três Desafios de Tarzan”, em que o Rei das Selvas é Jock Mahoney. Strode já estivera em outro filme do Rei das Selvas, que foi “Tarzan e a Tribo Nagasu”, com Gordon Scott.

Os anos 60 reservaria ainda dois filmes memoráveis para Woody Strode, ambos faroestes. Em 1966 Woody foi um dos quatro especialistas de “Os Profissionais”, como o atirador de flechas de Burt Lancaster E veio 1968, com Sergio Leone colocando Woody Strode na deslumbrante sequência inicial de “ERA UMA VEZ NO OESTE”, com Woody como Stone, um dos bandidos que aguardam a chegada do trem. Depois desse conjunto de westerns Woody Strode poderia ser considerado o mais importante ator negro dos faroestes, ainda que nunca como ator principal. Provavelmente pelo grande preconceito de seu país, woody não teve maiores oportunidades como protagonista, pois, em minha opinião, ele tinha talento, pena que não pôde desenvolvê-lo a contento. Outros westerns-spaghetti, já nos anos 70, que contaram com Woody Strode no elenco foram “Keoma”, com Franco Nero. Pois bem!!! Longe do gênero western Woody Strode apareceu em “Travessia a Cuba”, como também em “Causa Perdida”: uma biografia do guerrilheiro argentino Che gGuevara que fora protagonizado por Omar Shariff.

O filme CHE que teve seu nome alterado, aqui no Brasil, para Causa Perdida. Apesar de ter sido filmado em 1969, só chegou às telas do Brasil em 1976, em pleno regime militar e com vários cortes… Esta é uma obra bastante controversa, em especial nas personagens centrais: Ernesto Che Guevara (Omar Sharif) e Fidel Castro (Jack Palance, caracterizado fisicamente de maneira perfeita). Como escreve o blogueiro Alexandre Maccari, o filme é uma produção hollywoodiana, com elenco mega estelar, que tinha o objetivo de retratar um símbolo da luta contra o imperialismo dos Estados Unidos. Principalmente se considerarmos ser um filme feito no cerne de acontecimentos importantes da Guerra Fria, como a luta no Vietnã e tão próximo da morte de Ernesto Che Guevara, em 1967. A obra está estruturada de forma que somos conduzidos por depoimentos pseudo-documentais, de partícipes da luta pró e também contra os ideais de Guevara, sendo exposto a trajetória do líder da chegada à Cuba (em fins de 1956), passando pelos conflitos ideológicos entre Fidel e Che, até o retrato do momento da guerrilha na Bolívia e seu desenlace trágico. O filme vale principalmente por seu caráter histórico. Destaca-se na produção os ótimos atores Frank Silvera e Woody Strode, que no filme acabam sendo meros coadjuvantes de Jack Palance e Omar Sharif.

Por fim, a esse “GIGANTE” que com certeza ajudou abrir “muitas portas” para as futuras gerações de artistas negros que tão bem desempenhou o papel de Sargento Rutlegde, no filme “Audazes e Malditos”, o mais preto e branco dos filmes do diretor John Ford. E para fazer jus e dignificar a cada personagem que o gigante ator negro interpretou, assista ao trailer de apenas 3 minutos de trechos exibidos como anúncio do filme O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA, com o extraordinário John Wayne, o perverso bandido Lee Marvin, o excelente James Stewart e tendo como capataz de John Wayne o rastro de perfeição que se chamava Woody Strode.

 

22 maio 2017 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

22 maio 2017 DEU NO JORNAL

UM TABACUDO DA REDE ENREDADO EM IDIOTICE

O deputado federal Alessandro Molon – da Rede, linha auxiliar do PT – entrou com um pedido de impeachment de Michel Temer depois que saiu a notícia de que Temer havia sido pego em áudios nos quais teria cometido obstrução de justiça ao falar a frase “tem que manter isso” em relação às atitudes de Joesley Batista com Eduardo Cunha.

Observe o que está no pedido:

Para além do fato já suficientemente ridículo de tratar uma matéria de jornal como base jurídica, o que é no mínimo insuficiente, ainda mais se tratando de uma matéria que até aquele momento não continha sequer as evidências – como a gravação da conversa -, há também outro fato patético: Molon usou a “Globo Golpista” como fonte, o que é apenas vergonhosamente contraditório e simplesmente destrói sua narrativa.

* * *

Este deputado, o tal Aleijado Moral, quer dizer, Alessandro Molon, merece uma calorosa saudação.

Vamos botar o jegue fubânico pra relinchar em homenagem a ele.

A pica de Polodoro, em destaque no vídeo, vai como brinde pro eleitorado dele.

Rincha, Polodoro!

22 maio 2017 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE (CE)


http://www.fernandogoncalves.pro.br
UMA EXISTÊNCIA ABENÇOADA

Há personalidades que cativam pela solidariedade humana oferecida aos mais necessitados. Tive a felicidade de conhecer algumas e de conviver com outras por longos anos. Na convivência, o meu orientador maior, depois do Carolino meu pai, foi Dom Hélder Câmara, um ser humano que irradiava um magnetismo pessoal gigantesco, próprio das lideranças contempladas por forças transcendentais, dessas que iluminam os já de espíritos aperfeiçoados por múltiplas vivências.

Entretanto, uma outra personalidade que ainda não conheço pessoalmente, embora dele seja admirador de carteirinha, sempre me deixou sensibilizado pelos serviços prestados à comunidade, pelas pregações feitas ao longo de uma vida dedicada a praticar a mensagem de Jesus de Nazaré através do Espiritismo: Divaldo Pereira Franco. De biografia escrita pela historiadora Ana Cláudia Landi – Divaldo Franco – a trajetória de um dos maiores médiuns de todos os tempos, São Paulo, Bella Editora, 2015, 302 p.-, um livro que recomendo a todos os cristãos, independentemente de segmento religioso.

Divaldo Pereira Franco, mais conhecido como Divaldo Franco ou simplesmente Divaldo (Feira de Santana, 5 de maio de 1927) é um professor, médium e orador espírita brasileiro mundialmente conhecido, recentemente tornado nonagenário. O mais importante espírita brasileiro em atividade, com mais de cinquenta anos dedicados a cuidar dos meninos de rua de Salvador, na Bahia, tendo fundado, em 15 de agosto de 1952, com Nilson de Souza Pereira, a casa de assistência Mansão do Caminho, responsável pela orientação e educação de mais de 33 mil crianças e adolescentes carentes.

Divaldo apresentou, desde jovem, diversas faculdades mediúnicas, tanto de efeitos físicos quanto de efeitos intelectuais. Destaca-se, dentre elas, no entanto, a psicografia. Com mensagens assinadas por diversos espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como “um Espírito Amigo“, ocultando-se no anonimato, à espera do instante oportuno para se fazer conhecida. Ela revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável, repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta aos mais diversos leitores e necessitados de diretrizes espirituais.

Em 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias das mensagens de sua autoria e enfeixou-as num livro, intitulado Messe de Amor. Foi o primeiro livro que o médium Divaldo Franco publicou. Logo em seguida, Rabindranath Tagore ditou Filigranas de Luz. E o que se seguiu constitui-se num verdadeiro fenômeno editorial, pois, em seus anos de atividade como médium, Divaldo teve publicados mais de 300 títulos, totalizando mais de cinco milhões e quinhentos mil exemplares, muitos deles ocupando lugar de destaque na literatura, no pensamento e na religiosidade universal. Dessas obras, editou-se 80 versões para 15 idiomas (alemão, castelhano, esperanto, francês, italiano, polonês, tcheco, braile, entre outros). Os livros de Divaldo Franco englobam uma grande variedade de estudos literários, como prosas, romances, narrações e etc., abrangendo temas filosóficos, doutrinários, históricos, infantis, psicológicos e psiquiátricos.

Nas obras psicografadas por Divaldo, apresentam-se 211 alegados autores espirituais, além de Joanna de Ângelis. Entre eles, Manoel Philomeno de Miranda, Victor Hugo, Amélia Rodrigues, Ignotus, Vianna de Carvalho, Carlos Torres Pastorino, Bezerra de Menezes, Rabindranath Tagore, João Cléofas, Eros e Simbá.

A maioria das obras escritas por Divaldo Franco sob a inspiração de Joanna de Ângelis almeja incentivar o autodescobrimento e facilitar a aplicação no dia-a-dia dos ensinamentos morais de amor fraterno contidos nos Evangelhos e na Doutrina Espírita, estimulando o leitor a enfrentar as dificuldades cotidianas de modo mais prático e otimista.

Como orador, Divaldo iniciou-se em 1947, difundindo a Doutrina Espírita e hoje apresenta uma histórica e recordista trajetória no Brasil e no exterior, sempre atraindo multidões, com sua palavra inspirada e esclarecedora. Há vários anos, viaja em média 230 dias por ano, realizando palestras e também seminários no Brasil e no mundo. Suas palestras promovem o pacifismo, estabelecendo pontos de convergência entre a doutrina espírita e a ciência (principalmente a psicologia), sempre incentivando a busca constante pelo autoconhecimento, ancorada em conhecimentos sobre psicologia e doutrina kardecista.

Desde jovem, Divaldo teve vontade de cuidar de crianças. Educou mais de 800 “filhos”, hoje emancipados, a maioria com família constituída e profissão – magistério, contabilidade, serviços administrativos e até medicina. Na década de 60 iniciou a construção de escolas-oficinas profissionalizantes e de atendimento médico. Hoje, a Mansão do Caminho é um admirável complexo educacional que atende milhares de crianças e jovens, na Rua Jaime Vieira Lima, 01 – Pau de Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador, com 83.000 m² e 43 edificações. A obra é basicamente mantida com a venda de livros mediúnicos e das fitas gravadas nas palestras.

Ainda recentemente, março de 2017, Divaldo lançou a 6ª. reimpressão , com 5.000 exemplares, do seu livro psicografado Transição Planetária, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, Salvador, LEAL, 264 p., com todos os direitos reservados única e exclusivamente para o Centro Espírita Caminho da Redenção, Bahia, de onde apresentamos, abaixo, a reflexão contida da introdução Transição Planetária, do Espírito Manoel Philomeno:

“As criaturas que persistirem na acomodação perversa da indiferença pela dor do seu irmão, que assinalarem a existência pela criminalidade conhecida ou ignorada, que firmarem pacto de adesão à extorsão, ao suborno, aos diversos comportamentos delituosos do denominado colarinho branco, mantendo conduta egotista, tripudiando sobre as aflições do próximo, comprazendo-se na luxúria e na drogadição, na exploração indébita de outras vidas, por um largo período não disporão de meios de permanecer na Terra, sendo exiladas para mundos inferiores, onde irão ser úteis limando as arestas das imperfeições morais, a fim de retornarem, mais tarde, ao seio generoso da mãe-Terra que hoje não quiseram respeitar.”

No livro, Divaldo Franco nos aponta mecanismos e razões de ordem superior da transição planetária em favor das mudanças urgentes e necessárias direcionadas para um maior respeito à Natureza e às populações menos desenvolvidas do nosso planeta.

* * *

PS. Abraço fraternal no irmão kardecista Bruno Tavares, da Casa dos Humildes, de quem tenho recebido excelentes orientações nas sessões de estudo, todas as sextas-feiras à noite, naquela instituição.

22 maio 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)


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