30 junho 2017 HORA DA POESIA

CÍRCULO VICIOSO – Machado de Assis

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
– “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

– “Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

– “Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume!”
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

– “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…
Enfara-me esta azul e desmedida umbela…
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”

30 junho 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

LÊ, SEU MIÚDO.

Vai, meu pai. Aprende mais. E depois me passa.

Preciso da sua sabedoria copiada em mim.

Porque os seus conselhos ainda são como a sua mão segurando a minha, eu menino, dando-me equilíbrio, evitando os meus joelhos ao chão desse caminho irregular chamado de vida.

Sinto-me protegido ao seu lado.

Ainda.

Mesmo o senhor tornando-se um “eu menino” por força dos dias.

Não se enfade, meu pai. Lê apenas.

E me conta, como em uma história de príncipes, princesas, feiticeiros, monstros e a vitória final do bem, o que os livros lhe ensinam.

Se o senhor se esquecer um pouco – ou mesmo o tudo – o que importa?

Minha mão segurará a sua e seremos novamente um amparando o outro.

Alguém sendo protegido.

E ainda serei eu.

Porque verei o conselho dos seus livros em seu olhar pleno de amor por mim.

Depois ri, meu pai, como o menino que esqueceu a piada.

Seremos um só sorriso.

Sobre a página de um livro lido em conjunto.

E não importará quem será mais “eu menino” de nós dois.

Porque no fundo os meus anos estão nos seus.

E os seus estão nos meus.

Abraçamos uma mesma história de amor, proteção e afeto.

Somos, meu pai, capa e orelha de um mesmo livro.

Aquele que lemos juntos, quando o senhor me aconselha.

Preciso da sua sabedoria copiada em mim.

Seu Miúdo, pai do colunista

30 junho 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

CARLOS ROCHA – GOIÂNIA-GO

Berto

Segue mais um soneto da autoria deste seu amigo e modesto escriba.

* * *

Futuro incerto

No doce enlevo da alcova a neve fria
vai colorindo a branca serra glacial,
as aves voltam aos seus ninhos, num sinal
tal sinos tristes anunciando a ave-maria.

Teus lábios roçam a minha boca, e a magia
deste momento tão sublime e augural,,
rezo uma prece, em silêncio, pois pro meu mal
tens de partir – sem eu saber se volta um dia.

Levas-me a vida. Pressinto a dor dentro do peito
pela incerteza escondida no porvir,
sentindo a angústia mais cruel do meu despeito

Vai meu amor! – Levas contigo, a emoção,
toda a alegria de viver, cantar, sorrir
O amor, a flor, o riso, a paz, a fé e o coração!

30 junho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

SE FOR PRÁ CHORAR QUE SEJA DE ALEGRIA

Todos somos artistas, às vezes não sabemos como direcionarmos o talento emergente dentro de nós desde que nascemos. Os talentos são os mais diversos, para o bem ou para o mal. Tomando o exemplo da História Mundial, é inegável que Hitler e Stalin eram altamente talentosos, apenas usaram seus talentos de líderes e pensadores para impor ao mundo suas ideias, com talento e idealismo mataram mais de 100 milhões de pessoas, mas isso são apenas detalhes. Já Jesus, Gandhi e Luther King usaram seus talentos para mudar o mundo com o amor e a paz. Tom Jobim e Chico Buarque fascinaram o povo com o talento musical. Jorge Amado, Mário Vargas Llosa, Gabriel Garcia Marques se imortalizaram com a arte de escrever. As mulheres rendeiras do Nordeste criaram o filé, a renda, a singeleza com seus talentos natos.

Mal comparando, no decorrer de minha vida procurei meu talento na arte. Tentei o violão, desajeitado, não consegui aprender a nota de dó. Na pintura fui um desastre, meus quadros de natureza morta pareciam pedaços de defuntos, hoje talvez fizessem sucesso como pintura moderna, quem sabe com exposição no MAM ou no MOMA? Até que um dia alguns amigos me incentivaram a escrever um livro cotando histórias de minha vida atribulada. Gostei da idéia e danei-me a escrever. Com seis meses o livro estava pronto, lancei CONFISSÕES DE UM CAPITÃO em 2001, tinha apenas 61 anos, houve um sucesso inesperado, fui entrevistado até no Jô Soares. Engoli a corda, não parei mais de escrever. Atualmente toda semana escrevo na Gazeta de Alagoas a coluna HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA, são pequenos contos numa linguagem coloquial que agradam aos leitores, esse é meu linguajar, eu gosto do que escrevo. Já são 851 historinhas publicadas nos jornais, revistas e sites nesses 16 anos. Recentemente na bela Palmeira dos Índios tive a surpresa em sentir popularidade entre as professoras e a população que lêem minha coluna na Tribuna do Sertão.

Por conta desse sucesso, o ator de tantas novelas na Globo e filmes internacionais, Chico de Assis, convidou-me a participar de em espetáculo, uma peça teatral, em que eu entro contando algumas dessas histórias passadas em Maceió, ele, Chico, arremata com um poemas ligados à história e a afinadíssima cantora Andréa Laís, acompanhada de Toni Augusto, canta músicas que tenha um elo com a história. Mesmo com meus alquebrados 77 anos, aceitei esse desafio. Ao contar a minha mulher que seria ator de teatro por um dia, ela me perguntou. “O que falta mais você inventar na vida?”.

A peça com o título, “SE FOR PRA CHORAR QUE SEJA DE ALEGRIA”, concorreu no edital do projeto TEATRO É O MAIOR BARATO, foi uma das escolhidas. Ensaiamos quase dois meses e vamos estrear na próxima quarta-feira dia 5 de julho no Teatro Deodoro às 19.30.

O espetáculo consta de uma encenação: Uma entrevista ao vivo na fictícia Rádio ZY – 200 (homenagem à Radio Difusora de Alagoas – ZYO4 e aos 200 anos de Alagoas). Nesse programa, o radialista (Chico de Assis) entrevista o historiador Carlito Lima sobre alguns acontecimentos e lembranças de seus 77 anos de vida. O entrevistado conta diversas histórias vividas ou ouvidas por ele, enfocando a infância, a juventude em Maceió. São histórias bem humoradas com figuras conhecidas no Estado, o tempo da ditadura quando era Capitão do Exército. Em seguida de cada relato, o ator Chico de Assis recita um poema ou a cantora Andréa Laís canta uma música, provocando na plateia um exercício de reflexão, de conhecimento de sua terra, até de auto-estima com a alegria e a irreverência dos atores.

“Se For prá Chorar que Seja de Alegria” é uma obra de relacionamento humano do nordestino, envolvida com uma capa de bom humor singular e o enfoque do passado, arrematada pela poesia e a musica.

Lembrando que o teatro é o mais antigo e o mais moderno meio de comunicação para aprimorar conhecimentos e difundir a cultura na sociedade. E a peça tem um papel fundamental de estimular a formação de público e o gosto pela juventude pelo teatro, e a valorização da produção artística das Alagoas.

Finalmente convido meus queridos leitores e família, levem seus filhos e netos para aplaudir ou vaiar esse espetáculo inédito em Maceió inventado pela mente fértil, pelas fantasias do ator Chico de Assis, orgulho das Alagoas.

TEATRO DEODORO – DIA 5 DE JULHO – 19.30 HORAS.

30 junho 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

30 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

SEXTA-FEIRA DA VAGABUNDAGEM

* * *

Quanta falta faz um roçado pra capinar ou um tanque cheio de roupas pra lavar.

A vagabundagem zisquerdal de Banânia arrumou um jeito de prolongar o final de semana malandramente.

Pior ainda: perturbou e estragou o dia das pessoas honradas e que ganham a vida dando duro.

Bando de felas-da-puta!!!

30 junho 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

OITO MESTRES DO IMPROVISO E UM FOLHETO DE POLÍTICA

VILA NOVA

Ivanildo Vilanova, genial poeta cantador nascido em Caruaru, em outubro de 1945

Ivanildo Vilanova

É o céu uma abóboda aureolada
Rodeada de gases venenosos
Radiantes planetas luminosos
Gravidade na cósmica camada
Galáxia também hidrogenada
Como é lindo o espaço azul -turquesa
E o sol fulgurante tocha acesa
Flamejando sem pausa e sem escala
Quem de nós poderia apagá-la
Só o santo doutor da natureza.

* * *

Zé Limeira

E sou Zé Limeira, caboclo do mato
Capando carneiro no cerco do bode
Não gosto de feme que vai no pagode
O gato fareja no rastro do rato
Carcaça de besta, suvaco de pato
Jumento, raposa, cancão e preá
Sertão, Pernambuco, Sergipe e Pará
Pará, Pernambuco, Sergipe e Sertão
Dom Pedro Segundo de sela e gibão
Cantando galope na beira do mar.

* * *

Cicinho Gomes

Eu admiro o canção
Na cabeça de uma estaca;
Olha pra baixo e pra cima
Acuando a jararaca
Como quem diz : “Ó meu Deus!
Ah se eu tivesse uma faca!

Eu admiro demais
É uma gata parir,
Pegar o filho na boca,
Levar pra onde quer ir.
Nem fere o filho no dente,
Nem deixa o gato cair.

* * *

Dimas Batista

Alguém já me perguntou:
o que são mesmo os poetas?
Eu respondi: são crianças
dessas rebeldes, inquietas,
que juntam as dores do mundo
às suas dores secretas.

Nossa vida é como um rio
no declive da descida,
as águas são a saudade
duma esperança perdida,
e a vaidade é a espuma
que fica à margem da vida.

* * *

Raimundo Nonato

Para um mundo diferente,
nossas mentes estão vindo,
quem amanhece com ela,
tem que amanhecer sorrindo,
e a poesia não sente,
mas deixa a gente sentindo.

Ela aguça o meu QI,
que dá mais um incentivo,
nessa tarde deu um show,
pra gente cantar ao vivo,
Eu passo até sem dinheiro
mas sem poesia eu não vivo.

* * *

Moacir Laurentino

Numa das noites mais belas
dos nossos interiores,
para um encontro de sonhos,
unem-se dois cantadores,
iguais a dois jardineiros
numa colheita de flores.

* * *

Antônio Batista Guedes

Longe do mar de Netuno,
O cocheiro Faetonte
Percorria o horizonte
No seu coche de tribuno,
De Anfitrite e de Juno,
Tinha ele a proteção!
Apoio, tendo na mão
Um livro de poesia,
Me ensinou com galhardia(
Cantar dez pés em Quadrão!

* * *

João Paraibano

Faço da minha esperança
Arma pra sobreviver
Até desengano eu planto
Pensando que vai nascer
E rego com as próprias lágrimas
Pra ilusão não morrer.

Coruja dá gargalhada
Na casa que não tem dono
A borboleta azulada
Da cor de um papel carbono
Faz ventilador das asas
Pra rosa pegar no sono.

A juventude não dá
Direito a segunda via
Jesus pintou meus cabelos
No final da boemia
Mas na hora de pintar
Esqueceu de perguntar
Qual era a cor que eu queria.

* * *

Um folheto de Antonio Barreto

MENTIRAS QUE O POVO GOSTA EM ÉPOCA DE ELEIÇÃO

O discurso é sempre igual
Em período de eleição.
O povo segue enganado,
Não esboça reação.
E os políticos brasileiros
Com a mesma falação:

– Se você quiser na Câmara
Um político honrado,
Vote certo para mim:
Estarei sempre ao seu lado.
Provarei ao eleitor
Ser um grande Deputado.

– Representarei você,
Meu querido eleitor.
No Congresso a minha voz
Será de grande valor.
Não esqueça de honrar
Seu voto pra Senador.

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30 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

LULA FINGE TER ESQUECIDO A VIAGEM A PÉ PARA CURITIBA

Ex-presidente Lula divulga vídeo malhando na academia

“Provem uma corrupção minha e eu irei a pé para ser preso”, jactou-se Lula mais de uma vez até descobrir que um fora-da-lei não está acima da lei, mesmo que tenha sido presidente da República. Se tivesse algum compromisso com o que diz, sobretudo em discursos depois do almoço, o único deus da seita da estrela vermelha estaria treinando há muito tempo, e duramente, para honrar a palavra empenhada. Para quem mora em São Bernardo, Curitiba não é logo ali.

Em vez disso, Lula come como um faquir que acabou de encerrar o jejum, bebe o que lhe aparece pela proa, dribla exercícios físicos com a habilidade de um Garrincha e só caminha de um lado para outro nos palcos em que continua a ampliar o vasto acervo de pérolas do besteirol. Nesta quarta-feira, por exemplo, recitou a seguinte declaração: “Se tiver uma decisão que não seja a minha absolvição, quero dizer que não vale a pena ser honesto neste país”.

O frase é endereçada a juízes que julgam sem medo de poderosos patifes, procuradores que procuram fazer Justiça, delegados que acordam pecadores com batidas na porta às seis da manhã e investigadores que investigam. O Evangelho segundo Lula ensina que, até agora, o chefão do maior esquema corrupto desde o Dia da Criação é tão inocente quanto um bebê ainda no ventre da mãe. Caso descubra que a Lava Jato decidiu que honestidade é crime, aí sim a alma viva mais pura do planeta fará o que meio mundo sabe que faz.

Se for condenado, portanto, estará à vontade para ser presenteado por bilionários amigos com uma fazenda em Atibaia, um prédio de dez andares no Guarujá, o reajuste do preço das palestras que não valem um tostão mas lhe rendiam R$ 400 mil por hora antes que a Lava Jato afugentasse a freguesia, um aumento de 15% para 80% na comissão paga ao corretor de negociatas na África e a renovação de contratos que livrem da falência o sobrinho necessitado e o Ronaldinho da informática.

Só depois de retomar publicamente as atividades de camelô de empreiteira e despachante de larápios internacionais é que Lula admitirá a possibilidade de reconhecer que, pensando bem, é mesmo um tremendo caso de polícia a implorar por temporadas na cadeia.

30 junho 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

30 junho 2017 JOSELITO MÜLLER

ENCONTRO SATÂNICO

BRASÍLIA – O presidente Michel Temer voltou a falar sobre a denúncia ajuizada pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, contra sua pessoa, qualificando-a como “uma bela obra de bosta de um Zé Ruela”.

Temer discorreu especificamente sobre as gravações das conversas que teve com o empresário Joesley Batista, nas quais o orienta como entrar no Palácio do Jaburu sem ser identificado pelos seguranças.

“O IDEAL É VOCÊ CHEGAR DEPOIS DA MEIA NOITE, QUANDO A MARCELA JÁ ESTÁ DORMINDO, E PASSA NA PORTARIA SEM PRECISAR BAIXAR O VIDRO DO CARRO”, DIZ TEMER NUMA DAS GRAVAÇÕES.

Em sua defesa, Temer alega que os encontros eram com propósito de fazer rituais satanistas, “já que o Joesley é da mesma religião que eu”, e ressaltou que “o estado é laico, então não há nada de mau nisso”.

Questionado sobre os horários dos encontros, Temer questionou: “E você já viu ritual satanista antes da meia noite?”

TEMER DISSE TAMBÉM QUE A VANTAGEM DELE ESTAR SENDO PROCESSADO CRIMINALMENTE, É QUE “FINALMENTE OS ESTUDANTES DE DIREITO ESTÃO DANDO A ATENÇÃO DEVIDA AO ART. 86 DA CONSTITUIÇÃO, QUE TRATA DOS CRIMES COMUNS COMETIDOS PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA.”

30 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

QUANDO EU VIM DE MINAS

A saudosa Clara Nunes, uma mineira arretada, interpreta uma linda composição de Xangô da Mangueira para alegrar a nossa sexta-feira.

30 junho 2017 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA (SC)

ESGOTE SEU MARIDO!

O médico Sebastião Ferrão Castello Branco se notabilizou por ser um bom ginecologista e obstetra do Recife, nos anos 60. As consultas eram marcadas com grande antecedência. Sala de espera sempre cheia.

Ficou famoso pelas historinhas que costumava contar às pacientes para curá-las de “ciumeiras explícitas”. Só ele tinha o remédio: o aconselhamento.

A partir de 1963 pegou a fama de “psicólogo das madames”, fator que lhe proporcionara boa cartela de clientes cativas. Sabia de fato contornar certas situações conjugais através de histórias nem sempre verídicas mas de efeito letal em qualquer situação “fodológica”.

Orientava as senhoras no melhor estilo e exigia a presença dos maridos. Era uma espécie de marketing. U’a forma de propagação, de fidelização da clientela. E dava conselhos através da teatralização, com alguns gestos vulgares até, porém, precisos, a fim de obter boas risadas. Sabia manejar a psiquê das senhoras que assistia. E a fama corria.

Não raro aconselhava que elas fossem ao consultório com os maridos. Certa feita marquei com minha senhora para iniciar uma assistência pré-natal com ele. Era Gustavo Jorge quem estava embuchado.

Chegando mais cedo, a patroa andou conversando com D. Severina Ramos, a Atendente. Aproveitou para soltar, de leve, algumas confidências. Estava meio chateada porque se dizia que “mulher buchuda” ficava esquecida pelos maridos. Tudo em face às dificuldades na prática do ato sexual quando grávidas.

Deixou entender que lhe preocupava tal situação porque a barriga começara a crescer. “Você sabe, essa “melancia” pode atrapalhar um bocado!”

Era parte do cenário. Nos intervalos, D. Severina entrava no gabinete do médico oportunidade em que “dava o serviço”. Informava sobre as queixas elas. A prática se dizia ser usual, a fim de fazer funcionar o esquema de marketing. Na verdade um médico inteligente procurava agradar seu plantel de pacientes fidelizadas.

E logo que a paciente entrava Dr. Castello passava a enfocar teses sobre a “ciumeira das mulheres grávidas” e as “dificuldades da introdução do “negócio” na hora do amor”. Assemelhavam-se a teses de mestrado. E oferecia solução prática.

Minha senhora, como as demais, ficou encantada com a orientação recebida. Primeiramente ele as convencia ter elas a consciência de que eram amadas por seus maridos, e por causa de u’a “melanciazinha” de nada não iriam deixar de provocar e dar amor a eles.

Em nosso caso, mesmo não havendo uma reclamação direta, ele foi logo contando certa historieta. Uma cliente andava às turras com seu marido. Enfezava-se a coitada porque seu mimoso demorava dias para “furar o couro”, alegando que a “melancia” atrapalhava.
Dr. Castello deu o recado indireto, finalizando a história:

– Minha senhora – com todo o respeito lhe digo – dê uma “trepadinha” na madrugada, outra de manhã bem cedo, e antes de ele ir trabalhar exija mais “umazinha”, a “saideira”. Será o remédio infalível para confirmar que ele não terá condições físicas de “comer” mais ninguém. Não haverá mais ciumeira. O jeito é deixá-lo esgotado. Esgote seu marido, minha senhora!

30 junho 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)


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