LIDERENÇA DO DEM – BRASÍLIA-DF

PEC do foro chega à Câmara e líder do DEM deve ser o relator na CCJC

Depois de passar pelo Senado Federal a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 10/2013), que acaba com o chamado ‘foro privilegiado, chega à Câmara e o líder do Democratas na Casa, deputado Efraim Filho (PB), deve ser o relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

“É uma demanda da sociedade e pela qual lutaremos também: todos devem ser iguais perante a lei”, argumentou Efraim.

A PEC extingue o foro especial por prerrogativa de função para autoridades federais, mais conhecido como foro privilegiado. Hoje, no Brasil, cerca de 20 mil autoridades possuem essa prerrogativa. “O que era par ser exceção virou a regra”, criticou o parlamentar paraibano.

O deputado disse acreditar que a proposta do Congresso avança em relação à discussão que o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza hoje sobre o mesmo tema. “O debate no pleno do STF está circunscrito à perda de foro para parlamentares”, sublinhou. “Eu defendo que, excetuando presidentes de poderes, ninguém tenha tal prerrogativa”, afirmou.

Efraim ressaltou que prerrogativa de foro é um resquício aristocrático. “É um fator arcaico e obsoleto da Constituição, que precisa ser modernizado, de acordo com o que pensa a sociedade e que o Brasil espera que aconteça”, concluiu.

R. Sua Insolência Sinhô Diputado Efraim, tenha certeza que bateu na porta certa para divulgar vossa atuação.

Nesta gazeta escrota se publica de tudo: aqui tem do que presta e tem também do que num vale nada.

Pode determinar à vossa assessoria que continue mandando suas mensagens para o JBF.

E tem mais: se Vossa Insolência descolar com o Prisidente Temer uma verbinha qualquer pra minorar a nossa miséria, uma minxaria, uns tostões, uns pixulecos, algum trocado que dê pra gente limpar as teias de aranhas que enfeiam o nosso cofre, tenha certeza que este jornal vai falar bem do DEM e de Vossa Insolência o dia todo.

Chupicleide, secretária de redação, conta com vossa boa vontade pra poder receber os salários atrasadas e o 13º dos últimos anos.

Disponha sempre, Insolência.

1 junho 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

1 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

ENTREVISTA

Mês passado ganhei um presente arretado, que me foi dado por Arnaldo Ferreira, meu editor, diretor das Edições Bagaço, a casa onde está publicada toda a minha modesta obra.

O presente foi um CD contendo uma entrevista que dei no ano de 2004. E já lá se vão 13 (êpa!) anos…

Uma entrevista dada ao Programa Leituras, da TV Senado.

Este programa era apresentado pelo colaborador fubânico Maurício Melo Júnior, meu amigo e meu cumpade, que assina aqui no JBF a coluna Canto do Arribado.

Maurício é um caso especial dentro da crítica literária brasileira: ele só escreve e só entrevista escritores cuja obra ele conhece e tenha lido na totalidade. Isto num país onde os resenhistas se limitam a ler as orelhas dos livros pra fazer suas matérias…

Maurício fez uma série chamada “Histórias de Acadêmicos”, na qual realizou 10 entrevistas com membros da Academia Brasileira de Letras. O último foi Ariano Suassuna, que encantou-se antes do programa ir ao ar.

Eu sempre defendi a tese de que escritor não tem nada que dar entrevistas. Tem mesmo é que gastar a caneta (hoje em dia é o teclado…). Passar o seu recado escrevendo e não falando bestagens. Aliás, eu digo isto no vídeo. Mas, como foi um convite do meu cumpade Maurício, eu não pude recusar de modo algum.

Quem tiver paciência e quiser ouvir conversa fiada, é só clicar no vídeo abaixo.

O som está meio maroto. Mas, com um pouco de sacrifício, acho que dá pra entender as besteiras que eu digo.

1 junho 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

SONIA REGINA – SANTOS – SP

Desalentada

Incrível!

Entra governo, sai governo e a incompetência aliada à safadeza só aumenta.

Faz algum tempo, passando pela TV Senado, ouvi um senador na tribuna falando sobre pesquisa do IBGE. Chamou minha atenção ele dizer que, fazia parte da pesquisa cidadãos “desalentados”, ou seja, aqueles que perderam o emprego e desistiram de procurar outro. (Clique aqui para ler a matéria )

Também foi dito que, não eram considerados desempregados aqueles que, recebiam o seguro desemprego.

Tem mais aberrações nas tais pesquisas, mas, vamos ficar só nestas duas.

Não sei se aquelas informações do senador eram corretas ou não. Acredito que, se fossem incorretas, um senador da base do governo na época, deveria desmentir na mesma hora o que não aconteceu. Por dedução, devo acreditar nas informações.

Agora vem o “X” da questão.

Será que um governo com o mínimo de competência e honestidade não percebeu que a coisa toda estava se esfacelando? Ora, até quando pode um País sustentar um cidadão com seguro desemprego? E os desalentados, quando seriam novamente “Alentados”?

Já se ouvia dizer na mesma época que, o ritmo de produção da indústria vinha caindo, ou seja, menos emprego. Fico pensando:

– Qual a mágica que iriam tirar da cartola? Talvez fosse a solução o tal do “Pré-sal” que no momento está até esquecido ou, algum investidor de Marte que resolveria todos os problemas. O governo despejado não economizava nas propagadas da mídia o incentivo ao consumo desenfreado, os brasileiros passaram a colecionar cartões de créditos cada vez mais “sem crédito”.

Governos que sonham com poder a qualquer preço costumam distribuir dinheiro para os cidadãos não perceberem a arapuca que esta em curso e assim, vamos levando a vida sem muitas preocupações. Resultado:

– Eleições “Ad eternum” garantidas.

Será essa a moderna estratégia dos “Ditadores”?

Eu dou outro nome para as enganações que nos brindam esses governos.

Canalhice.

Não é preconceito, mas, com raras exceções, essa raça de políticos que temos pra cuidar da Nação e mesmo na condição de aposentada, também me sinto:

Desalentada

1 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

1 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

GOLPE E EMPULHAÇÃO

A petezada pirou de vez. Agora vai às ruas pedir diretas já como se o país não vivesse na sua plenitude democrática. Como se o vice tivesse chegado ao poder por via indireta, sem voto, dando um golpe na Constituição. Esses lunáticos petistas acham ruim tudo que não é bom para eles. Quando perderam as eleições, foram às ruas e derrubaram o Collor (Lindbergh estava lá com os caras pintadas). Aceitaram o Itamar como governo de transição. E depois esperaram oito anos para chegar ao poder. Na presidência destroçaram a economia, promoveram o maior escândalo de corrupção do mundo e deixaram um legado de 14 milhões de desempregados.

Mas o pior veio a galope: a Comissão de Constituição e Justiça caiu no conto do paco do senador Lindbergh Faria e aprovou Emenda à Constituição que prevê a realização de eleição direta para presidente e vice-presidente da República se os cargos ficarem vagos nos três primeiros anos de mandato. Atualmente a Constituição determina apenas se a vacância ocorrer nos dois primeiros anos. O único senador que teve coragem de peitar o casuísmo foi o Ricardo Ferraço (PSDB-ES). O resto – que é resto mesmo! – embarcou no conto do vigário do PT e aprovou a emenda. Essa CCJ, sem dúvida, é a mais imbecilizada e corrupta de que se tem notícia na história do Congresso Nacional.

A PEC, se aprovada no plenário, simplesmente antecipa as eleições. Como a petezada que evitar que o Lula vá para a cadeia, eles agora vão se organizar para tocar fogo no país e sair por aí pregando as diretas já como se as instituições brasileiras estivessem trincadas. Querem porque querem trazer de volta a organização criminosa chefiada por Lula, Palocci e Zé Dirceu para acabar com o que ainda resta do país. Dessa vez – pasmem! – com a conivência de alguns senadores idiotizados que integram essa CCJ desmoralizada.

A petezada e seus lunáticos torcem para o quanto pior melhor. Não se conformam terem sidos banidos do poder como ladrões e chefes de quadrilha, como vem dizendo o juiz Sérgio Moro em suas sentenças e o STF quando julgou o mensalão. Eles acham, por fanatismo, que o Lula é o Messias que veio ao mundo para salvar a humanidade das ovelhas negras. Não querem que o vice que eles mesmo elegeram governe. Provocam movimentos populares para enganar os mais incautos. Tentam parecer democrático quando na verdade não passam de tiranos golpistas que, quando não ganham no voto, tentam incendiar à nação. Não enxergam – porque são ignorantes politicamente e despreparados – que o caminho para sair da crise é ter as instituições fortalecidas. Quebrá-las só interessa aos vândalos, aos déspotas e os oportunistas. Eleições fora de hora é golpe, simplesmente golpe. E mesmo assim, a CCJ deixou-se levar no grito. Alguma coisa esses senadores estão armando, porque boa parte dessa comissão está enrolada na Lava Jato.

O Brasil está acostumado a conviver com vices desde Floriano Peixoto. Na Nova República conviveu com Sarney e Itamar que concluíram seus mandatos sem quebrar a normalidade democrática. Se conseguiram administrar bem o país ou não são outros quinhentos. Terminaram seus mandatos aos trancos e barranco sem ferir os preceitos constitucionais. Ressalve-se, contudo, que Itamar botou o país nos eixos ao criar o Plano Real.

A petezada esconde-se no manto da farsa. Quer trazer de volta os gritos das ruas pelas eleições diretas, a exemplo do que ocorreu nos idos de 1980, como um apelo popular para legitimar os seus atos de vandalismo. Acha que pode arrastar multidões por uma causa que eles consideram nobre, quando, na verdade, não passam de golpistas, oportunistas e incendiários. Por trás de toda essa “pelegância”, o capo tutti capi Luis Inácio que vem tentando evitar a primeira condenação ameaçando tocar fogo no país se isso ocorrer pelas mãos de Sérgio Moro. A própria Polícia Federal já interceptou conversa dele com seu pupilo Lindbergh onde eles tramam levar as centrais e os sindicatos às ruas para provocar badernas e criar um clima de instabilidade política.

O mais triste de tudo isso é assistir um monte de artistas – muitos deles que estiveram engajados na redemocratização do país na época da ditadura – clamando para que o povo se manifeste contra um governo que o PT agora considera ilegal, mas o escolheu como comparsa durante os dois mandatos da Dilma. Gritar diretas já nas ruas é compactuar com a organização criminosa que assaltou a nação, provocou a tragédia do desemprego e destroçou a economia. Mais de trinta anos depois da DIRETAS JÁ (com caixa alta), o movimento cívico e pacífico que aglutinou o povo contra a ditadura, surge agora uma quadrilha de criminosos tentando fazer do povo massa de manobra para levá-lo a uma tragédia anunciada.

Se você não quer mais que seu país seja governado por criminosos e assaltantes dos cofres públicos, diga não a essas diretas fajutas, oportunista e golpista. Está provado que o voto, apenas o voto, não livra ninguém de bandidos políticos. Se assim fosse, o país não tinha desmilinguido nas mãos de Lula/Dilma, os mais corruptos e venais presidentes que já governaram o Brasil.

1 junho 2017 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO


AUSÊNCIA

Tu foste em minha vida um anjo lindo,
a flor mais bela havida em meu jardim,
o paraíso para mim se abrindo…
Em minha vida foste tudo, enfim.

O amor que te votei foi grande, infindo.
Ninguém jamais amou alguém assim.
Foste um ser para mim sempre bem-vindo…
A tua ausência dói demais em mim!

Sinto-me agora um barco em mar de escolhos,
sujeito a turbulências e fracassos,
amargo pranto a deslizar dos olhos.

Mas poderás esse caos reverter,
acabando de vez o meu meu sofrer,
no dia em que voltares a meus braços…

1 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

1 junho 2017 JOSELITO MÜLLER

GENTILI SEXISTA

Um ato no mínimo escroto. Assim foi denominada a atitude do humorista Danilo Gentili, que divulgou um vídeo no qual aparece passando em sua bolsa escrotal uma intimação enviada pela deputada Maria do Rosário à sua pessoa, em razão de tuitadas maldosas que teriam desagradado a parlamentar.

“SOU A FAVOR DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO, MAS PUBLICAR VÍDEO PASSANDO DOCUMENTOS ZELOSAMENTE ELABORADOS PELA PROCURADORIA DA CÂMARA É UMA AFRONTA”, DISSE A PETISTA, QUE PROMETEU MOVER OUTRAS AÇÕES CONTRA O HUMORISTA.

“Vou pedir a realização de uma perícia, e se os documentos tiver sido esfregado em apenas um dos ovos, vou mover outra ação. Mas se a intimação tiver tido contato com ambos os ovos, dobraremos a meta”, ameaçou Rosário.

A atitude de péssimo gosto de Gentili desagradou emblemáticos nomes do submundo do bloguismo engajado, assim como ativistas e passivistas de movimentos sociais, artísticos e afins, como é o caso do diretor da peça de teatro Macaquinhos.

“ACHEI O ATO MUITO VULGAR, SEXISTA E MACHISTA”, DECLAROU O TEATRÓLOGO COM EXCLUSIVIDADE À NOSSA EQUIPE, ENQUANTO TENTAVA INTRODUZIR O DEDO INDICADOR NO BURAQUINHO ANAL DE UM SÓSIA DO ZÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA.

O artista revelou que irá se reunir com outros intelectuais para elaborar uma intervenção artística, a ser apresentada na próxima virada cultural, na qual participarão os caras que enfiaram imagens sacras no cu.

“É UM ABSURDO QUE ESSE TIPO DE ATITUDE AINDA EXISTA, SOBRETUDO NUM MOMENTO EM QUE A CIVILIZAÇÃO AVANÇOU JUSTAMENTE POR QUEBRAR O PARADIGMA OUTRORA IMPOSTO PELA SOCIEDADE FALOCÊNTRICA. FOI UM ATO DE PÉSSIMO GOSTO E MERECE SER PENALIZADO”, DECLAROU A PROFESSORA QUE CAGOU NA FOTO DO BOLSONARO.

1 junho 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS

O SILÊNCIO DO CANTOR

Expedito Baracho (1935-2017)

Desde sábado passado, a vida recifense está fora de compasso. Pior ainda, emudeceu. Calou-se a voz do seresteiro Expedito Baracho, talvez o último exemplar de uma privilegiada estirpe que caminha para a extinção.

Somente registrar o falecimento de Expedito Baracho, como se tratasse de um cantor de serenatas qualquer, é pouco. Muito pouco. Quem saiu de cena no último sábado foi simplesmente um dos maiores seresteiros do Brasil, o dono de uma voz aveludada que não feria os ouvidos nas notas agudas e não tornava as palavras ininteligíveis nas notas graves.

A pergunta é inevitável: quem, como ele, haverá de ter interpretado as canções de Capiba, especialmente aquelas que celebravam o amor, a paixão?

Quem, como ele, pois, terá cantado a Valsa Verde ou Maria Betânia?

Quem, como ele, terá impregnado de sentimentos Restos de Saudades ou de A uma Dama Transitória, esta composta em parceria com Ariano Suassuna? Será que Expedito Baracho cantava não com as cordas vocais, mas com o coração? Que a ciência perdoe a hipótese, mas é possível, sim, porque quando ele cantava as palavras pareciam vir do fundo do peito.

Com seu timbre refinado, Expedito Baracho cantou o amor, seja pelas pessoas, como em Maria Betânia ou Rosa Amarela, seja pelas cidades, como em Recife Cidade Lendária, Olinda Cidade Eterna e Igarassu Cidade do Passado.

Nascido no Rio Grande do Norte, em 1935, ainda criança veio para Pernambuco e aqui aprendeu a tocar violão. Participou de programas de calouros, foi vocalista da Jazz Band Acadêmica, foi para São Paulo – onde se tornou amigo do grande Sílvio Caldas – profissionalizou-se, conviveu com o reconhecimento do excepcional cantor que foi.

Resta inscrever no nosso calendário sentimental o 27 de maio como um dia de tristeza para os que ficamos sem o seu talento, mas pleno de enlevo para os anjos.

Aqui para nós, quando Expedito Baracho pegar o violão e começar a cantar, nunca mais os anjos quererão saber das harpas.

* * *

Expedito Baracho canta Maria Betânia, da autoria de Capiba

1 junho 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

O DINHEIRO E A ÉTICA

Como se diz por aí, dinheiro não é problema, é solução. Obviamente que sim, dinheiro é solução pra ir e vir e viver… Há tantos projetos (projetos de vida, sonhos), que dependem de grana para saírem do papel, tantas realizações, tantas necessidades legítimas, tantas justas vontades! E tantas viagens por esse mundo de meu Deus… O dinheiro só é problema se se torna uma desarrazoada obsessão, uma avareza da alma, uma cegueira de poder, um apego em si, uma trama de dominação, uma doença do espírito.

Quanto aos que põem a mão em grana roubada, principalmente roubada dos cofres públicos de um País como o nosso onde tantos são tão carentes de tudo, esse é o caso mesmo de depravação moral imperdoável, coisa pra lá de hedionda. No mais, quisera eu sempre uma graninha extra (honesta!) pra voar, voar, e mais “voar” por aí…

Não obstante, essa é uma moeda com muitas faces…

Alguém já disse que “o dinheiro compra até amor verdadeiro”! Pois é, o dinheiro pode quase tudo, nesse mundo onde muitos corações transitam entre o oportunismo sem culpa e o cinismo(?) que “sabe se valorizar”… Mas também o completo reverso do bilhão é a falta até de amor próprio, afinal na vida real ninguém ama “o amor e uma cabana”, muito menos admira o fracasso.

Mas como nem o “quase tudo” é perfeito, não raro em meio ao dinheiro acumulado ávido, o amor se perde, a simplicidade se esquece de existir e a vida se esvazia. Então, se há aí uma riqueza, há muito de pobreza também, e a pior delas talvez: a miséria moral! Claro que, como frisei, é bem ruim a falta de grana, torna o dia a dia muito difícil e o mundo um lugar praticamente impossível de se viver.

Por outro lado, o excesso material traz uma dificuldade de outro tipo: faz da pessoa-acúmulo uma amnésia do mundo! E, às vezes, quando precisa da sinceridade sem subterfúgios, já desaprendeu até a reconhecer os afetos que não têm preço. Quer receber, acreditar, mas tem dúvidas: será que sou eu, ou meu dinheiro?

O dinheiro que compra pessoas é maldito, primeiro porque corrompe, depois porque perdeu o sentido. Riqueza feita de desonra tudo o que soma é destruição: humilha o homem e engana a alma. Sorri como luxo, porém resta como lixo. Não aquele lixo que se joga fora, mas aquilo em que se transforma o caráter.

Governantes que se vendem, por exemplo, não são dignos de assim serem reconhecidos, apenas se deve chamá-los de cínicos, pois somente conseguem vestir-se de fracos. Vejam o nosso caso: não há verdadeira crise econômica no Brasil, nunca houve! Somos um País rico, muito rico. Nossa crise é moral e nosso colapso tem nomes e sobrenomes, antes de vir a ser fome e desemprego. Inclusive sabem pedir votos, esses nomes, e conhecem de traição como ninguém. Depois se organizam como poder e então destroem valores e princípios.

É verdade sim, nós não temos crises econômicas, o que nós temos é miséria moral crônica. E como o dinheiro corrompe! Meu Deus do céu, como o dinheiro apequena o homem! Perde-se a honra por um pote de ouro, vende-se a alma por uma conta bancária, troca-se o ser por uma riqueza que passa. No entanto, o dinheiro que tanto compra, não compra o valor do caráter nem a verdade do sol: o caráter, se se vende, é porque era uma farsa; e a verdade do sol, porque não se pode tocar com mãos humanas a essência que arde seus renasceres.

Então há limites bem claros para o poder ancorado apenas na riqueza dos homens: a honra de quem a tem, e a inevitabilidade do novo amanhecer. Na vida existem sensações tão sutis, assuntos tão impagáveis, que triste de quem não perceber isso. De que te adiantará toda riqueza do mundo, se ela te cegar os olhos do coração?

Cuidado, portanto, não viva para o dinheiro, pois por algum tempo serás rico, mas pelo tempo inteiro não passarás de um miserável, uma pobre alma vazia, um rio que corre seu curso mas é incapaz de ouvir o murmúrio dos ventos…

1 junho 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

AVE-MARIA DAS MANGUEIRAS

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 7 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

* * *

Canta Marcela Quirino, filha deste colunista

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1 junho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

1 junho 2017 DEU NO JORNAL

QUEM É O “ECONOMISTA DO PT”?

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega reconheceu ter uma conta não declarada no exterior com depósito de US$ 600 mil.

Segundo a defesa, a conta foi aberta antes de o petista assumir o comando do Ministério da Fazenda e o valor refere-se ao pagamento recebido pela venda de imóvel herdado do pai.

Réu na Operação Lava Jato, Mantega é investigado por ter solicitado pagamentos ilícitos a campanhas do PT, em 2012.

O ex-ministro chegou a ser preso na 34ª fase da Lava Jato, intitulada de Arquivo X.

* * *

Mantega, não custa nada lembrar, foi Ministro da Fazenda de Lula e de Dilma.

Foi também Ministro do Planejamento de Lula

Naqueles tempos antigos, quando os vermêios nem sonhavam ainda em chegar ao poder, as matérias na grande imprensa – revista Veja, falecida revista Manchete, revista IstoÉ e jornalões do Rio e São Paulo -, traziam reportagens e entrevistas sobre o “economista do PT”, especulando como seria a política financeiro-monetária de um ainda improvável governo Lula.

Eram matérias sobre um careca desconhecido, um certo Dr. Guido Mantega, de fala mansa e gestos educados, um italiano nascido em Gênova que se tornou brasileiro e virou petista no final dos anos 80.

Em breve futuro iríamos constatar que o PT, seu economista e sua política financeira não passavam de uma continuação, sem qualquer trauma, mudança ou ruptura, de tudo que os tucanos haviam deixado de herança.

Na verdade, o PT foi bem mais neoliberal do que foram os tucanos. Que o digam as agradecidas empreiteiras e multinacionais que pagavam com “cachês” milionários as palestras da série “Absolutamente Nada” que eram proferidas por Lapa de Safado.

Hoje em dia já se sabe quem é o “economista do PT“: trata-se do Dr. Guido Mantega, este que tem uma conta não declarada no exterior, com centenas de milhares de dólares.

Uma equipe da pesada; um trio que é cara cagada e cuspida da República Federativa de Banânia

1 junho 2017 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)

PONTO DE VISTA

Mote:

Não discuto o seu gosto musical,
Só lhe peço que devolva o meu São João.

Se você é chegado ao “breganejo”,
Se adora as meninas de Goiás,
Se é fã de Wesley e outros mais
Travestidos de estilo sertanejo.
Eu só peço que respeite o lugarejo
Onde tenha a bandeira do baião
Hasteada no mais alto pavilhão
Demonstrando sua marca cultural.
Não discuto o seu gosto musical,
Só lhe peço que devolva o meu São João.

Cada tipo de cultura tem seu meio:
Carimbó representa o Grão-Pará,
Parintins é a Meca do Bumbá
E Barretos é a terra do rodeio.
Nós gostamos da sanfona no floreio,
Da zabumba repicando no salão,
Do triângulo relembrando Gonzagão,
Da fogueira esquentando o arraial.
Não discuto o seu gosto musical,
Só lhe peço que devolva o meu São João.

1 junho 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

1 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

JUSTIÇA ENTRE AMIGOS: NO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, UM INIMIGO DA LAVA JATO

1 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
O “MAESTRO” INCONFORMADO

– Marcelo, eu juro por Deus: nos conhecemos há décadas, mas cada vez menos consigo entendê-lo. Não compreendo o que o leva a tomar certas atitudes. Além de beber, você anda cheirando. Só pode ser isso. Ou, então, enlouqueceu de vez. Vai saber.

– Paulinho, eu já sei aonde você quer chegar. Está todo melindrado porque demiti o diretor de arte. Sou sócio majoritário, tenho 75% de participação na empresa. Eu decido. Quem criou a agência? Fui eu. Quem colocou essa porcaria de pé? Fui eu. Quem conseguiu os melhores clientes? Fui eu. Quem desenvolveu as melhores campanhas? Fui eu. Porra! Quer mais? Vamos lá. Quem nos tempos de bonança fez os investimentos em aplicações financeiras e imóveis, na cidade, na praia e no campo? Fui eu, meu caro. Se eu não tivesse aberto as portas para você, o que seria de sua família hoje? Seus filhos, sua mulher e você estariam na mesma pindaíba em que se criaram. Ou não? Fala a verdade.

– Impossível falar com você. Impossível argumentar com quem se julga Deus.

– Olha aqui: não cheguei a ser Deus, mas cheguei bem perto. Na nossa área, não tinha para ninguém, não. Tinha?

O silêncio pesado e arrastado se impôs. Tempo suficiente para que os dois consumissem, sem palavras ou resmungos, doses generosas de uísque e abarrotassem os cinzeiros.

Paulinho resolveu retomar o diálogo improvável:

– Marcelo, eu não quero discutir, mas preciso entender o motivo que o levou a demitir o Caio. O cara é ótimo, baita profissional, trabalhador, criativo. Além de tudo, é boa gente. Quem saiu perdendo foi nossa empresa, meu caro. Ele arruma emprego a qualquer momento, independentemente do tamanho da crise econômica. Ainda é capaz de levar para o novo emprego alguns de nossos clientes, se ele não montar a própria agência.

– Sorte dele.

Novo silêncio, nova rodada de uísque (agora, sem gelo) e cigarros. Dessa vez, foi Marcelo, o sócio majoritário, quem retomou a falação:

– Paulinho, você quer mesmo saber por que demiti o Caio?

– É evidente que sim.

– Ele é tudo de bom, como você falou agorinha. O problema dele é a vaidade. Andava dizendo para todo mundo e para amigos nossos que, sem ele, nós já tínhamos quebrado. Que era o cérebro da agência.

– Mas, ainda que ele tenha feito isso – o que duvido –, qual o problema, Marcelo? Você já foi o grande “músico”, o criador, hoje é o maestro da companhia. Não lhe basta?

– Aqui, jamais alguém brilhará mais que eu. Agora chega, é tarde. Tenho compromisso com Dora. Você tem até segunda para me dizer quanto quer pelos seus 25%. Compro sua parte, toco a empresa do meu jeito.

1 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

LUCÉLIA NAPPO – GUARAPARI-ES

Berto,

já que vc é candidato a presidente, veja este debate entre um coxinha e um cuzinho.

é pra vc treinar e ir aprendendo.

muito sucesso na campanha

conte com meu voto.

1 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


http://www.musicariabrasil.blogspot.com
FERNANDA CUNHA – ENTREVISTA EXCLUSIVA

Comemorando os noventa anos de um dos mais representativos nomes da música popular brasileira, a cantora apresenta um álbum que já se faz atemporal por seu conteúdo

Abordando pela segunda vez a obra de um de um dos mais representativos nomes do nosso cancioneiro, a cantora e compositora Fernanda Cunha mais uma vez foge do convencional ao imergir na obra do nosso eterno maestro soberano. Há dez anos atrás, quando se era comemorado as oito décadas de vida de Tom Jobim, Fernanda trouxe ao mercado fonográfico o álbum “Zíngaro”, um projeto feito ao lado do instrumentista Zé Carlos abordando apenas canções do homenageado em parceria com Chico Buarque.

Neste primeiro momento a cantora registra clássicos como “Eu te amo”, “Anos Dourados”, “Sabiá”, “Retrato em branco e preto”, entre outras. Agora, uma década depois, a artista busca manter-se a partir de um viés diferente e em novo tributo apresenta canções composta apenas pelo homenageado. “Jobim 90”, acaba-se destacando-se de tantos álbuns lançados ao saudoso Tom Jobim por trazer consigo um repertório que mescla clássicos como “Fotografia”, “Samba do avião” e “Águas de março” com canções de menor expressividade popular como é o caso da faixa “Two Kites” como foi apresentado aqui mesmo em nosso espaço recentemente a partir da matéria “EM TOM PRECISO, FERNANDA CUNHA DÁ VOZ À OBRA DO MAESTRO SOBERANO”. Hoje a cantora e compositora retorna ao nosso espaço para este bate-papo exclusivo onde fala, dentre outras coisas, da excelente receptividade desse tributo tanto pela crítica quanto pelo público, da carreira internacional e de como pretende cair na estrada com este novo projeto. Excelente leitura!

Fernanda, é sempre motivo de grande honra ter a possibilidade de conversar com você. Hoje a lisonja é maior ainda ao poder abordar além do seu nome, o de um dos ícones de nosso cancioneiro, que é o Tom Jobim. Ao homenageá-lo, em duas oportunidades, você buscou seguir vieses que fogem do convencional. Como surgiram as ideias de, em um primeiro momento, abordar apenas parcerias de Tom e Chico; e agora, apenas canções de sua autoria?

Fernanda Cunha – A ideia de abordar as parcerias de Tom Jobim em 2007 veio de um conterrâneo de Juiz de Fora. Mas era um projeto que eu tinha para o futuro, mas que acabei decidindo fazer na época dos 80 anos do Tom em duo de violão e voz com o Zé Carlos. Agora nos 90 anos, eu queria também seguir um critério que não fosse na base de “as musicas que eu gosto mais”. Até porque eu gosto de tudo do Tom. “Angela” eu já tinha cantado num festival de jazz do Canadá em 2007 , e ao mexer nesse roteiro de 2007 vi que tinha ali muita coisa que era só letra e musica do Tom. E como “Two kites” também é, me dei conta que o critério poderia ser esse. Tom era um letrista excepcional e este lado dele não é muito comentado. Fala-se sempre do compositor, do pianista, do cantor, do maestro, mas pouco se fala no Tom letrista.

Dentre as escolhidas para compor “Jobim 90” houve algum parâmetro específico para a seleção do repertório?

FC – Então, o critério foi letra e musica do Tom. Escolhi as que eu achava que podia contribuir com meu canto, com minha interpretação. E também fazer um equilíbrio das musicas de maior sucesso e das que não foram muito gravadas e executadas.

O processo de gravação de “Jobim 90” ocorreu de modo bem rápido não foi? Você poderia nos contar como se deu a concepção do álbum?

FC – Sim, fizemos as gravações em 2 dias ao vivo no estúdio. E depois mais 2 dias pra mixar e 2 pra masterizar. O disco ficou pronto pra ir pra fábrica em 1 semana praticamente. Eu escolhi as musicas e dividi os arranjos entre Zé Carlos, Camilla e Jorjão Carvalho. Eu sabia o que eu podia esperar de cada um dos arranjadores. O Zé ficou com 4, Camilla com 2 e Jorjão com 2. Eu tinha um arranjo pronto do meu querido e saudoso amigo Helvius Vilela para “vivo sonhando”. E o meu guitarrista e amigo Canadense Reg Schwager ficou encarregado de fazer o arranjo de “Two kites”. O Helbe Machado gravou conosco o Cd inteiro com exceção de “Two kites” que a bateria foi gravada pelo baterista paulistano Edson Ghilardi. Nós todos temos uma relação de amizade acima de tudo, então trabalhar com amigos torna o trabalho mais prazeroso e mais rápido.

Sua relação com a música do Tom parece existir há muito tempo (até pelo contexto ao qual você foi criada). Qual é a lembrança mais remota do Tom Jobim em sua vida? Você chegou a ter oportunidade de conhecer o Tom?

FC – Não me lembro de ter conhecido o Tom, porque acho que só o vi uma vez quando eu era bem pequenininha. Sueli Costa, minha tia, me corrigiu outro dia porque dei uma entrevista dizendo que minha mãe dizia que eu cantava “Águas de março” com 3 anos. E a Sueli disse que foi com 2 anos! E que contaram isso pro Tom na época e ele não acreditou. Então, de fato não lembro desse episódio, mas me lembro de ter visto, depois de adulta, o Tom muitas vezes na rua andando pelo Leblon, sentado na cobal tomando sua bebidinha, ou na antiga churrascaria Plataforma. O Tom era um homem simples, sem essa frescura de hoje em dia em que o artista não anda na rua, ou entra em espações fechados com óculos escuros (como se não fossem ser reconhecidos). Essa simplicidade do Tom está muito evidente nas letras e nas músicas. Minha mãe gravou “Eu te amo” com o Tom no piano em 81, que foi o que a projetou na época.

Em 1981 sua mãe também fez o registro de uma canção de autoria apenas do Tom Jobim intitulada “Espelho das águas”. Você cogitou a possibilidade de registrar também esta canção?

FC – Foi em 1983 no LP que ela gravou pela som livre. Não cogitei gravar não. Acho aquela gravação maravilhosa, já ouvi duas gravações dessa música e sinceramente não acho que nada tenha sido mais bonito do que aquela gravação da minha mãe com arranjo do Dori Caymmi. “Eu te amo” eu gravei no disco em duo com o Zé Carlos porque eram as parcerias de Tom e Chico e não dava pra fugir. Acho o resultado “honesto” mas longe do que foi a gravação original. Tem coisa que me marca tanto que eu não me sinto a vontade pra mexer não. “Querida” por exemplo, que também é letra e música do Tom, eu adoro. Mas como é que se grava “Querida” depois do registro da Miúcha? A música é a cara da Miúcha, eu não saberia regravar! Aliás a Miúcha tem muito isso, é uma característica dela. Me pediram pra cantar “Pela luz dos olhos teus” no prêmio Vinicius de Moraes, e eu disse: “Pode ser outra? Essa é da Miúcha” …rs Não estou querendo dizer que as gravações são definitivas e “intocáveis”, eu já gravei coisa que a Elis cantou, que a Gal cantou, que a Leny cantou, etc. Mas as vezes uma determinada gravação é definitiva em mim, e neste caso não faz sentido.

Você vem há anos excursionando ao redor do planeta em países como Malásia, EUA, Portugal, Canadá entre tantos outros. Nestas apresentações Tom Jobim provavelmente é um dos nomes que não deve faltar não é? O que mais o público gosta de ouvir em sua voz?

FC – “Dindi”.

Em ano de comemoração, “Jobim 90” tem sido destaque e vem sendo muito bem recebido tanto pelo público quanto crítica especializada. Em contrapartida, os espaços para a boa música popular brasileira estão cada vez mais escassos. Como lhe dar com esse tipo de paradoxo, uma vez que sua carreira é marcada por uma discografia irrepreensível e justamente por isso restringe-se a poucos espaços?

FC – Pois é, essa é uma conta que não fecha. Infelizmente…

Ao reverenciar em discos nomes como Tom Jobim, Chico Buarque, Sueli Costa e Johnny Alf (e em show nomes como o do saudoso Sinval Silva); você tem ciência de que, de algum modo, está fazendo a sua parte na perpetuação da MPB de qualidade. No entanto, uma andorinha só não faz verão… em sua opinião o que falta dentro contexto cultural para o Brasil desvencilhar-se do velho estigma de um país sem memória?

FC – De produtores bem intencionados e comprometidos em promover a boa música acima de tudo. Tenho consciência da importância do meu trabalho, se eu não tivesse, já teria “jogado a toalha”. Sei que tem um público que consome este tipo de música (sempre terá), mas é claro que seria importantíssimo que as novas gerações soubessem quem foi Johnny Alf (um gênio da musica brasileira), quem é Sueli Costa (que está celebrando 50 anos de carreira com musicas gravadas por grandes intérpretes da musica vocal e instrumental), que pudéssemos resgatar o cancioneiro do Sinval Silva, e que que o Tom Jobim jamais seja esquecido porque ele foi e será sempre o nosso maestro soberaníssimo. Não há outro Tom Jobim na música Brasileira, sua música é atemporal. É perfeita. E quanto ao Chico, também dispensa qualquer elogio de minha parte posto que é um dos maiores letristas e compositores do país. Uma pena que este país agora se vire contra ele por posições políticas. Está tudo muito esquisito. Como você diz, uma andorinha não faz verão, mas eu sou um andorinha bem persistente… rs. E creia, há MUITO mais andorinhas por aí. O país é rico de músicos, cantores e compositores.

Como está sendo arquitetada a turnê deste álbum? Já há data confirmada para cair na estrada?

FC – Bom, o país está numa situação dificílima, uma crise que compromete a cultura e a circulação de espetáculos. Mas a estreia no Rio de janeiro será Maio, estou aguardando uma confirmação oficial. Em São Paulo haverá o lançamento numa unidade do Sesc em setembro, e em setembro também voltamos com 2 shows no Rio (um em Paquetá e outro na região serrana). O show segue o caminho internacional sem nenhuma dificuldade. Em maio farei 4 cidades no Canadá. Em julho farei Áustria, Dinamarca e Portugal. Final de setembro retorno ao Canadá para uma província que faltou na primeira turnê. E vamos seguindo…

Maiores Informações: Site Oficial – Fernanda Cunha

1 junho 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

1 junho 2017 DEU NO JORNAL

UM NÚMERO IRRISÓRIO

Num é nada, num é nada e, no final, num é nada mesmo.

No mês de maio ontem findo, esta gazeta escrota teve um total de acessos que chegou perto de apenas 1,5 milhão, segundo dados da LocaWeb.

Deu uma média de quase 48 mil acessos por dia, beirando os 50 mil diários.

Só isto. Nada mais que isto. Apenas isto.

E este fato acontece numa bosta de jornal que não tem qualquer patrocínio, não exibe um único anúncio, não dispõe de verbas públicas ou privadas, e que se mantém no ar apenas com os suados caraminguás que este Editor paga do seu próprio bolso à empresa que hospeda e à empresa que mantém o jornal, respectivamente a LocaWeb e a Plano 4.

Uma gazeta que ainda continua respirando graças à generosidade dos seus leitores, espalhados pelos quatro cantos do Brasil e em cima da redondura do mundo.

Estes números na ilustração aí de cima são irrisórios. Uma merreca. Uma vergonha. Uma minxaria.

Num sei nem mesmo a razão pela qual estou divulgando isto.

Acho que é por conta do meu masoquismo: adoro sofrer e passar vergonha.

Desocupados do mundo todo, uni-vos!

Passem a acessar esta gazeta escrota e aumentem estes índices ridículos, por favor.

Os outros blogs de Banânia devem estar todos se rindo-se de nós e mangando deste número irrisório: apenas 1,5 milhão de acessos num mês.

Vamos reagir, gente!!!

1 junho 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

A ARTE DE SER CAMALEÃO

Os capitéis dos templos romanos eram povoados por figuras animais que vieram das páginas do Apocalipse. Expressando-se nessas figuras receios, remorsos, virtudes, o mel e o fel que habitam o indeterminado cidadão comum. Avançamos no tempo. Até (Friedrich) Nietzsche. Que fez seu bestiário baseando, na moral, a busca de poder que eleva o Übermensch (em tradução livre, o Novo Homem).

Inspirado nesses capitéis, representava esse homem com figuras animais. O camelo, com a moral pesada do eu devo. O menino, com a moral simples do eu sou. E o leão, com a moral onipotente do eu quero. Nesse zoológico de símbolos, será legítimo perguntar qual animal deveria representar a imprensa. Mais amplamente, os meios de comunicação. E, se assim for, talvez devêssemos escolher o camaleão. Por sua infinita capacidade para mudar sempre. Com a moral ambígua do eu me adapto.

Isso vem de longe. Nos livros de jornalismo, por exemplo, sempre se proclama que tudo começou com (Johannes) Gutenberg (1398-1468). Só que não é bem assim. Os tipos móveis não foram inventados por ele. Já sendo usados, na China e na Coréia, milhares de anos antes. Feitos em porcelana, madeira e metal. O título de Pai da Imprensa, que lhe é atribuído, se deve ao fato de que teria editado o primeiro livro. A Bíblia de Gutenberg, assim se diz. Problema é que essa Bíblia de Gutenberg nunca existiu. Trata-se de uma história inventada. Como tantas outras.

Para pagar dois empréstimos de 800 florins, cada, o coitado foi obrigado a entregar, em 1455, ao banqueiro Johannes Fust, materiais e obras em preparação. Entre elas, o projeto de uma Bíblia de 42 linhas. Apenas projeto. Que acabou depois realizado, inteiramente, por Peter Schöffer. Quando veio a público a Bíblia de Shöffer e Fust, em 1456, já Gutenberg havia voltado ao anonimato em que sempre viveu. Sem que se conheça um único livro impresso por ele. Nem havendo sequer um retrato seu. Nada. Ficou apenas o anúncio, alardeado por ele nos bons tempos, de que estaria fazendo uma Bíblia. Que nunca fez, mais uma vez se diga. Apesar disso, e por força das repetições, continuamos a falar na Bíblia de Gutenberg. Um caso claro em que a adaptação camaleônica de uma mentira, e sua repetição continuada, finda por se converter em verdade.

Escrever, adaptando bem conhecida sentença de Graciliano, é muito perigoso. Se partirmos da ideia de que o fundamento de todas as liberdades é a da consciência, vamos ter que reconhecer duas exigências básicas. Uma antes, que é não ter censura. Nenhuma consciência livre se forma sob o peso da censura. E outra depois, que é poder dizer tudo que se quiser. Fora isso, de que valeria ter uma consciência livre? Só que não é assim. Ao menos por enquanto. Para muito além dos símbolos, e dando à arte de escrever alguma dignidade, ela deve se fazer a partir de alguns compromissos básicos – com sua consciência, com sua circunstância e com seu tempo. Ao menos deveria ser assim.

*Início de prefácio para o livro “Histórias de um repórter”, do jornalista Magno Martins.


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