6 junho 2017 FULEIRAGEM

IOTTI – ZERO HORA (RS)

FUNDO DO POÇO

O PT conseguiu ficar pior no retrato depois de instalar na presidência a versão paranaense de Dilma Rousseff

“Não vejo como tentar desconstruir mais a imagem do partido como já foi feito”.

Gleisi Hoffmann, senadora do PT do Paraná, confirmando que não há como piorar a imagem de um partido que não vê nada de mais em instalar no cargo de presidente uma Gleisi Hoffmann.

6 junho 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
HORA DO QUEIMA

É junho, é fogo é fogueira,
Incendiando a nação
E na dança das quadrilhas
É hora de animação
Dilma e Temer formam par
A Chapa vai esquentar
Na dança da Cassação.

Quem entrou de braços dados
Assim tem é que sair
Sempre foram aliados
E não há como omitir
Nessa dança das cadeiras
Já chega de brincadeiras
Quem se queimou tem que ir.

6 junho 2017 FULEIRAGEM

LUCIO – CHARGE ONLINE

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto

Veja a quantidade de mal-assombrados verdadeiramente nordestinos, nessa excelente propaganda do São João pernambucano.

R. Meu caro colunista, uma das unidades do supermercado ExtraBom fica aqui perto de onde moro, na Estrada do Arraial e, de vez em quando, Aline vai lá comprar as frutas do meu café da manhã.

Esta peça publicitária, de fato, está arretada. Grandes artistas nordestinos aparecem no vídeo, como Petrúcio Amorim, minha querida amiga Irah Caldeira, Genival Lacerda, a talentosa Nádia Maia e Geraldinho Lins.

Um comercial muito bem bolado, pegando de surpresa os fregueses que estavam no estabelecimento na hora da gravação. E que caíram no rela-bucho com toda disposição!

Atenção, senhor proprietário do ExtraBom: as página dos JBF estão abertas pra vocês.

Arranjem pelo menos uma feirinha pra matar a fome de Chupicleide, nossa secretária de redação que a gente publica estes reclames sempre que vocês quiserem!

6 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

6 junho 2017 HORA DA POESIA

SONETO A QUATRO MÃOS – Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

6 junho 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

O MAR

A inconfundível névoa fina da maresia que se espalha e paira cheirando a grude e umidade a invadir-nos as narinas e as casas. E o buliçoso vai e vem de pernas hipnotizadas a passear calçadas que convidam e beiram. E as folhas abalonadas e extensas dos sargaços verde-acastanhados que flutuam suas águas e depois frequentam suas praias atapetando-as com seu marrom. E as velas ao vento infladas tão longe quais gaivotas branco-pontilhadas. E as redes saltitantes arrastadas e trazidas cheinhas de peixes a aguçar sabores e arrodear curiosidades. E o reflexo lindo-prateado que dança para o deleite de nossos olhos extasiados. E o eterno ir e vir das ondas sempre acordadas a nos embalar sonhos e a alcovitar abraços nos banhos colados dos enamorados. E a fina areia a registrar o instante borbulhante-temporário de nossos rastros molhados. E o azul mutante-esverdeado a nos desvairar os sentidos e a embasbacar os semblantes de estandarte alucinado! O Mar, meu Deus, o mar! O mar, o sal, o mar! O mar essa retina difícil de acreditar! O mar essa marca pra toda vida: milagre! Milagre! Não há o que duvidar: milagre!

… e o milagre

Ela morava em frente à praia cheirando a sol e muro baixo e a vida ali era um eterno amanhecer de portas e janelas abertas. Areia branca, vegetação e ondas. Murmúrio a pé e inesquecível… Tudo era bom, tudo era sal, água e alegria. Tudo era mar. E era a vida que havia, energia sem nome onde eu me chamava paz. Mas um anjo me puxou pelos braços e um demônio agarrou-me as pernas e eu gritei: parem! Deixem-me ainda não ser terra! Diante do mar, saibam, diante do mar não há santo ou pecador. Diante do mar somente há êxtase e aprendizado, pés descalços e grande sabor de culpa nenhuma…

O menino…

O menino corre carregando consigo a pipa que voa, o vento lambe a terra e levanta com sua língua tão larga o torvelinho de pó, poeira em redemoinho a girar. Já a tarde é avançada no sol e a rua pára pra ser diversão e algazarra . E o menino nunca está sozinho. Uma trave a improvisar, outra trave, par, ímpar, zera no dez a pelada. Na casa mais próxima o socorro da água, de torneira, que o minuto nem espera e a bola muito menos e saracoteia e rola. Agora a lua já ensaia seu lugar, ainda junto ao suor que cai dos rostos e corpos exaustos a arengar suas resenhas. E a boca da noite vem pra mandar a rua voltar com roupas simples no além muros a magnetizar olhares e a brincar e conversar nas calçadas radiantes. Encontros. Eternos. Tão grandes. E tudo vai tornar a ser rua, e o menino vai continuar.

E a pipa, e a bola, e o suor já e o torvelinho que faz o mundo.

E vai. E o menino vai. E a rua sai. E de novo. E rola. E o menino. E a bola. E o vento. E o vento. A ventania. E o menino. O menino. Os dias. Até um dia. Até um dia.

…e a lembrança

Na cidade de minha infância havia ainda o pote de ouro lá no fim do arco-íris e as ruas eram de barro, onde floresciam singelas florzinhas lilases e amarelas. Meio acanhadinhas, talvez por serem tão simples e belas. Nasciam nos cantos dos muros, junto aos melõezinhos, às carrapateiras, aos carrapichos e às urtigas! Assim a vida ardia, e sujava e… quanta alegria! Nas tardes de minha rua havia festa todo dia, tão cheias de vida que eram. De crianças a brincar, tão repletas eram as noitinhas de minha rua. Nas casas de minha infância havia quintais! Acho que é lá que ainda hoje eu moro.

O sonho…

Meu Deus! Hoje sonhei com velhos amigos tão queridos! Revi minha infância e juventude, passeei nos quintais daquelas horas e por tanta aventura de nós. Quanta história! Meu Deus! Passeei de novo nos jardins daqueles dias sem extravagâncias, daqueles dias nada excêntricos: a não ser que éramos leves e podíamos VOAR…

… e os amigos

Os dias vão passando e nós os vamos cumprindo, perdendo-os. Meus amigos, quem fomos nós para o mundo? Nada, nada. Os dias vão avançando e vamos juntos rumo ao: agora é que não somos nada mesmo. Nada, nada. Sobre o tempo, o que tenho a dizer é: quem te viu, quem te vê! É isso, é isso aí. Quanto mais se vive, quanto mais invisível se fica (que importa?). O melhor dos amigos é poder rever o “nada” que um dia, essa cumplicidade… Triste de quem não celebrou amizades para então… (não tem passado!). É bom rir de nossas insignificâncias, esse brinde: tim-tim. Até que éramos bem danados! E como vivemos! Um gosto de saudade, uma música ainda. Amizade, tradução: sentido. Fomos tanto para o mundo de nossos sonhos, essa vida que nos fizemos! Tanto significado… Uma música ainda!

O amor…

Amar é como ver o mar: sabe-se o sal que tempera, os altos e baixos, o quão profundo se pode ir no mergulho… E sabe-se ser cambiante: ora turbulento, ora fascinante. Ora sôfrego e voraz! O ir e vir, as ressacas que quebram, a tamanha força, a eternidade derramada, espraiada com graça. Revolto oceano, misterioso e hipnótico oceano, fatalmente absorto, perigosamente devorador. Assim é o mar… Amar é assim como ser o mar, como ter um intenso mar dentro de si… Impossível querer braçar – desafiar – e não cambalear ao sair. Se sair… Impossível singrar sem emarear, impossível restar sem certo enjoo… Uma ânsia, uma aflição… Uma incontrolável vontade de retorno! A melhor parte, a melhor noite, o melhor motivo de haver motivo. Sonhar! A tontura n’alma, o vinho, a pele a se propagar… Uma efervescência, um encontro acústico a tilintar. Uma taça, outra taça, um olhar n’outro olhar brilhante, borbulhante, enebriado com o amor e o champanhe que faz-se brinde. E faz convidar aos amantes ao entregar-se alucinante, ao movimento estonteante que é do mar. Desse mar…

… e o tempo

O tempo e a vida agora mesmo estão fluindo entre a gana do porvir e a ânsia da conquista. O impulso do mundo é na direção do progresso, e a necessidade de sentir-se motivado exige-nos movimento. O rio flui rumo ao mar, os edifícios fluem rumo aos céus, as ruas fluem rumo ao dinheiro, o futuro flui rumo a mais futuro. Vive-se como se a existência fosse uma seta correndo à nossa frente, e nós precisássemos alcançá-la a qualquer custo. E os sentimentos fluem rumo ao esvaziamento. Ninguém consegue amar se não compreende o tempo do amor. Se não percebe que esse tempo é diferente do tempo das correntezas que rumam para os oceanos das grandes ambições. O amor só ambiciona amar. Se frente a frente com o espelho não se vê a alma, apenas mira-se o olho, então que se aprenda a amar com esses olhos do tempo, e eles ensinarão a amar com os olhos da alma. E ensinarão finalmente que só se perde do amor quem antes já se perdeu da própria capacidade de amar, não o contrário. O amor é permanente. O amor não sai do lugar!

A simplicidade….

O céu é uma rua do passado, sem asfalto-sangue, nem carros apressados. É quando a saudade liga o rádio e ainda escuta o amor. Que era tão proibido… E o cinema era o mundo todo! O céu existe nalgum lugar que vi num filme que eu mesmo me destinei e dirigi. Agora o que não existe é a máquina do tempo (das inocências perdidas). Não que queira dourar o ontem, não é isso. É apenas por lembrar, na alma, que a simplicidade salva.

… e as palavras!

Um universo tão vasto faz estontear o rumo dos homens e suas bússolas. Um pássaro tão lá no alto inspira as asas dos homens que caminham. Um oceano tão sal faz pasmar uma humanidade sedenta. Assim é nossa liberdade: um labirinto, um sonho e um engolir em seco. Tão desejada e buscada, e sempre escoando como a água em nossas mãos. Entanto, jamais aceitarei isso: que decepem meus dedos… de voar!

Escrever é ser livre! Ainda que as palavras sejam éter…

6 junho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)

SE ARRASTANDO

Chegou o São João ! ! !

Um balançado bem gostoso, à base de pífano, pra alegrar a terça-feira fubânica.

Música de Tulio Ricardo, interpretada por João do Pife.

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João-do-Pife

João do Pife, grande artista pernambucano natural de Riacho das Almas

6 junho 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO


STAND-UP COM POESIA

TENTAÇÃO

Você se despia
À beira do lago
Não me vê fingia
Virava às costas
Eu ficava de lado
Só pra te olhar
Mais uma vez
Depois perguntar:
Tem gente aí?
Embora soubesse
Que só tinha você.

* * *

NOSSOS ÓRGÃOS

Meu coração
É uma bomba
Que explode
Quando te vê

Teu corpo
É uma brasa
Que incendeia
Quando me toca

Nossos encontros
Só resta cinza
Incendiado
Pela paixão

Moral da história
Somos uma brasa
Mora!

* * *

NORDESTINO

Nordestino não nasce
Estréia
Quando o nordestino
Estréia
Nordestino não chora
Declama
Quando as cortinas da vida
Se fecham
Nordestino se recolhe
Pra escrever poesia.

* * *

AMEAÇAS

Tô sofrendo ameaças
De vida longa
Durante o dia
Mesa e banho
Durante à noite
Quarto e cama
Corpo em chamas
Com teu beijo quente
E com o sol nascente
Do outro dia
Se você quer saber
Tudo de novo
O mesmo sacrifício
Fazer o que
Só se submeter
São ossos do ofício…

Oh Deus!
Tende piedade da gente.

6 junho 2017 FULEIRAGEM

SAMUCA – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

O SOM DO PARÁ – GUITARRADA

Sugestão do leitor fubânico Marcos André M. Cavalcanti.

Marcos, sou pouco conhecedor da música paraense, mas espero que a seleção seja do seu agrado e dos demais fubânicos.

Breve atenderei seu outro pedido, ok?

* * *

Mestre Vieira, o Rei da Guitarrada

* * *

01 – Guitarrada do Caboclo – Mestre Vieira

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02 – Botando no toco – Magalhães da Guitarra

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03 – Pra você balançar – André Amazonas

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04 – Lambada do Jacaré – Mestre Curica

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05 – Passeando em Fortaleza – Aldo Sena

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06 – Cidade linda – Vieira e Banda

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07 – Quero ver você suar – Oséas

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08 – Lambada da Jamaicana – Mestre Vieira

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09 – Dança das guitarras – Manuel Cordeiro

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10 – Ternura – Magalhães da Guitarra

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11 – Caribenha – Mestre Curica

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12 – Olinda – Manuel Vieira

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13 – Ribeirinho – Aldo Sena

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14 – Carimbó do meu Ceará – André Amazonas

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15 – Toada guitarrada – Manuel Cordeiro

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16 – Lambada – Mestre Vieira

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6 junho 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

VAMPIRO DE VIRILHA

Não gosto de descer com frequência à zona da alta sacanagem. Mas inspiro-me em tema relevante comentado ontem pelo nosso sacanocrático Editor Luiz Berto.

Seu tema versou sobre tamanhos de pênis, crônica em que louva Antônio Pitanga, que dizem ter 25 cm de envergadura. É tão grande que não fica completamente duro e sim meio bambo, tema, aliás, referido na revista Isto é.

Volto à cambada do Banco do Brasil nos anos 50, quando as brincadeiras predominavam nos bastidores após os expedientes públicos. A começar pelos apelidos. Havia até uma Comissão instituída para tal fim, sendo Capiba o Presidente Perpétuo.

Três Pernas – Havia um certo grupo que se gabava pelo tamanho do seu “Prativai”. Dentre eles, Sílvio Duarte, apelidado por: “Três Pernas”, tal o agigantado membro, que segundo as mariposas da Zona do Bairro do Recife, mais parecia u’a mangueira de jardim.

Guia de INPS – Outro famoso, Manoel de Azevedo, conhecido por “Guia do INPS”, que infernizava as moças logo que arriava as calças. Reclamavam de que todas as vezes que cediam aos seus desejos amorosos no dia seguinte estavam com o útero virado. Era Posto de Saúde do INPS na certa.

Pé de Mesa – Maurílio Mendes, pela desenvoltura que alardeava e o provou certo dia uma empregada doméstica, tinha uma pajaraca tão agigantada que mais parecia um pé de mesa, segundo a infeliz amante.

Amostra Grátis – Já Eunício de Medeiros procurava ocultar seu membro, evitando comentários, porque dizia que o gigantismo de alguns espantava a moçada da Rua da Guia, “Centro Cultural do Meretrício”. Seu “negócio” era tão pequeno que recebeu o codinome de: “Amostra Grátis”.

Nitroglicerina – Paulinho de Helena, lá da agência e Limoeiro, tinha uma jabiraba tão desenvolvida que explodia o interior de qualquer dama que o recebesse, mesmo que com todo amor.

Vampiro de Virilha – Colega solteirão, já de meia idade, sempre assinalando suas peripécias junto ao mulheril, confidenciou que seu maior prazer, verdadeira tara, era cheirar tabacas e depois passar a língua. E dizia que praticava muito tais procedimentos. Como tinha a cara parecida com Zé do Caixão”, Capiba aplicou-lhe o apelido de “Vampiro de Virilha”.

6 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

MAGNO BEZERRA DOS SANTOS – CHICAGO-ILLINOIS-EUA

J.U.I.Z. Luiz Berto

(Justo, Univoquo e Integro Zéfiro) Luiz Berto

Pois bem, antes de tudo deixe-me registrar minha admiração por essa magnífica e escrotal gazeta, e pela maneira justa com que você, meu candidato a Presidente da República, trata todos os seus fubânicos leitores, entre os quais com muita alegria me incluo.

Morando no estrangeiro mas sempre ligado nas vergonhosas marmeladas bostíferas tupiniquins, sempre tenho uma oportunidade de comparar o que se passa em meu país natal e em um país onde impera a lei e a ordem.

Ontem foi presa aqui nos Estados Unidos uma Juiza – sim, isso mesmo, uma Juiza. Trata-se da Dra. Leticia Astacio, Juiza na cidade de Rochester City, estado de Nova Iorque. Seu crime? Foi pega, pela segunda vez, dirigindo embriagada. Como não compareceu à audiência original, levou uma cana de 45 dias, dois anos sem poder dirigir e uma tornozeleira eletrônica para ser monitorada.

Fiquei pensando em uma história similar acontecida no Brasil (não me lembro dos detalhes) onde um Juiz desacatou um (ou uma) agente do trânsito em condição similar – saiu nos jornais, mas meu bestunto não está mais tão sólido em lembrar-me das coisas. O resultado é que o (ou a) agente do trânsito foi quem se lascou.

Ou, também público, Juízes que recebem como “punição” serem afastados da função mas sem perderem o precioso salário e suas regalias – em outras palavras, ficam coçando as partes pudendas sem trabalharem, salário esse saído dos bolsos desse bando de idiotas e imbecis que votam na cachorrada de sempre (perdão pela expressão, já que os cães são honestos, desde que descontados um ou outro bife roubado na cozinha).

A foto da meretíssima, devidamente algemada, é esta aqui:

Tenha um ótimo dia e transmita um grande abraço à gloriosa comunidade fubânica do mundo todo.

R. Me mate uma curiosidade, meu caro.

É que a metríssima aparece na foto se rindo-se, arreganhando os dentes ao sair do tribunal.

Me diga: tem diretório do Partido dos Trabalhadores aí em Chicago???

Êita neguinha inxirida que só a bobônica!

Só faltou levantar o punho fechado e se declarar Heroína dos Zamericanos!

6 junho 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)


INCOMODOU-ME

Cheguei, ansiosa pelo que viria a encontrar. Tinha certeza de que o sorriso costumeiro seria meu recepcionista. Não deu outra! Parece que o olhar radiante acompanhado do seu mais largo sorriso se fez ao me receber… Não pense você que estou sendo vaidosa a ponto de achar que era especificamente pela minha chegada, não! É ela, é dela, energia que emana!

Além da imensa afabilidade não pude deixar de notar que, mesmo em casa, calçava um belo salto com fitas douradas, vestido colorido de mangas compridas e uma maquiagem que me fez desejar passar tempo no espelho a copiar. Seus cabelos presos num coque desalinhado mostravam os cuidados recentes que teve ao clarear algumas mechas… e que ficaram ótimas, inclusive. Eu falei!

Estava ali para tratar de negócios, mas com ela o abraço sempre nos traz lembranças desta velha amizade que perdura, e que não enjoa e que se sustenta. Recíproca, claro, mas ela… ela sempre me puxou para junto de si. Me lembrando de que ali estava e ficaria até eu voltar ao eixo. Conheceu minha pequena quando ainda era realmente pequena.

Como estava vaidosa, diferente, calma! Logo colocou o avental e começou os trabalhos na cozinha, afinal, cheguei na hora do almoço e ela fez questão de prepará-lo. Que maestria no fogão e que caos na pia! Detalhes, meros, a companhia era tudo!

Servidas, logo sentamos à mesa de trabalho e ali detalhamos planos, projetos, sonhos. Ela me incomodou tanto nesses últimos meses que acabou me fazendo recordar a que vim, pelo que me apaixonei. Cheguei a concordei em caminhar com ela, comigo, conosco até que surgiu a Consigo. Ela Conseguiu primeiro!

É, menina, agora mais que isso né? Você me incomodou e isso foi bom, foi ótimo. Tudo que nos incomoda nos faz querer melhorar, mudar principalmente e, claro, para melhor. Trouxe Consigo o poder de realizar as nossas vontades, prazeres que estavam dentro do peito. Não tem jeito, é adiante que caminharemos. Eu com a sua companhia e você com este sorriso!

6 junho 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

MARCOS ANDRÉ – RECIFE-PE

Berto, boa tarde.

Recebi no meu facebook – do Instituto Liberal de São Paulo – excelentes sugestões de atitudes que a esquerda deveria por em prática. (Clique aqui para ler)

Ficaria bem melhor na fita do que cagar em fotos no espaço público ou depredar o patrimônio alheio.

Fazer o que pregam seria o máximo da coerência esquerdopata.

Mas, aí é esperar demais também.

 

6 junho 2017 FULEIRAGEM

RLIPPI – CHARGE ONLINE


Mundo Cordel
DIAGÓSTICO PRECOCE

– Mas, senhor J*, há algum motivo especial para o senhor ter vindo aqui? – perguntou o psiquiatra ao paciente, após as perguntas de praxe em uma primeira consulta. – O senhor está sentindo alguma coisa diferente? Algo estranho?…

– Doutor, eu vim aqui, porque eu acho que um médico psiquiatra talvez seja a pessoa que possa me ajudar.

– E o senhor acha isso… por quê?

– Porque eu tenho um problema… Que, na verdade, é um poder. Mas é um poder que pode me trazer problemas, porque eu estou perdendo o controle sobre esse poder…

– E que poder é esse? – interessou-se o médico.

– É um poder que eu tenho, de matar uma pessoa só com o olhar. Basta eu ter uma raiva da pessoa. Se eu olhar com raiva para a pessoa, ela morre na hora.

– E o que é que faz o senhor acreditar que tem esse poder? Alguém já morreu assim?

– Desde pequeno eu sei que tenho esse poder. Só que eu controlo. Por isso nunca matei ninguém. Mas agora eu sinto que estou perdendo esse controle. Ele é que está me dominando. Aí eu tenho medo de ter uma raiva de uma pessoa, e matar a pessoa sem querer. Eu não quero matar ninguém, doutor. Mas, do jeito que eu estou sentindo esse poder tomar conta de mim, posso acabar matando alguém. Sem querer…

– Bem, senhor J*, nós precisamos investigar isso. Uma das linhas que nós podemos seguir, é a possibilidade de o senhor ter um transtorno psicótico. Talvez um transtorno psicótico crônico, já que o senhor relata que desde criança tem o mesmo tipo de… digamos… alucinação… Então, pode ser que agora o senhor esteja tendo uma crise, mais aguda, por isso sua preocupação…

– Como assim, alucinação, doutor?

– Bem… talvez esteja mais para delírio… precisamos averiguar… Mas, é mais ou menos tratar como se fosse realidade uma coisa que só existe na sua imaginação. Aí a pessoa acredita naquilo, e vive como aquilo fosse realidade…

– Então, quer dizer que esse meu poder de matar as pessoas pode ser só imaginação da minha cabeça?

– Pode… É bem provável que seja isso – e caiu morto.

6 junho 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

6 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

DOIS QUERIDOS CONTERRÂNEOS

Dois conterrâneos que eu muito admiro.

Um é pernambucano nascido no Rio de Janeiro e chama-se Pedro Corrêa.

O outro é paulista nascido em Garanhuns e chama-se Luiz Inácio.

Os dois formam uma parelha de guabirus corruptos da pesada e fazem com que meu bairrismo suba às alturas.

Um já está preso e o outro aguarda a voz de prisão.

Quando foi ontem, segunda-feira, tive o prazer de ter notícias dos dois.

Um falando do outro.

O sincero Luiz Inácio, no dia de 10 maio passado, num depoimento em Curitiba, disse que não conhecia o mentiroso Pedro Corrêa. Luiz Inácio jurou que não sabia nem quem ele era e que nunca tinha nem passado perto dele.

Aí, o mentiroso Pedro Corrêa, ao contrário do sincero Luiz Inácio, apresentou provas e documentos, e desmentiu o conterrâneo.

Isto foi ontem, segunda-feira, conforme se pode ver no vídeo que fecha esta postagem.

O mentiroso Pedro Corrêa declarou textualmente o seguinte:

– Eu não era um desconhecido do Lula, como ele afirmou que não tinha relação comigo. Eu vivia no Palácio do Planalto, e participava de pelo menos duas reuniões por mês do Conselho Político, com todos os presidentes dos partidos.

Lula e Pedro Corrêa ladeando o cumpanhero Zé Dirceu, em reunião de altíssimo nível, no Palácio do Planalto, ao tempo do gunverno petralha: um trio de guabirus da pesada

* * *

6 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

PERNAMBUCANOS ILUSTRES XXII

Osman Lins (1924-1978)

Osman da Costa Lins nasceu em Vitória de Santo Antão, em 05/071924. Escritor, poeta, ensaísta e dramaturgo. Perdeu a mãe aos 16 dias, em decorrência de um parto complicado. Como ela não deixou fotografia, ele passou a vida procurando construir o rosto inexistente. “Isso configura a minha vida como escritor, pois parece que o trabalho do escritor, metaforicamente, seria construir com a imaginação um rosto que não existe. Isso talvez tenha me conduzido a suprir de algum modo, através da imaginação, essa ausência.” Assim, a fotografia constitui-se num fator que aparece em vários momentos de sua obra.

Foi criado pela avó e, principalmente, pela tia casada com Antônio Figueiredo, caixeiro-viajante, de quem o menino ouvia narrações de suas viagens, e que despertou-lhe o gosto de narrar e o fez escritor. “Foi ele o meu primeiro livro, meu iniciador na arte de narrar, assim como Totônia foi a primeira influência literária de José Lins do Rego. Com a diferença de que as suas histórias não falavam de princesas ou dos Doze pares de França. Mas dos homens que conhecia e do chão onde pisava. Foi a ele, e não a um escritor, que procurei imitar, quando – tateando o meu destino e dando o passo inicial no que viria a ser, mais tarde o projeto central da minha vida – esbocei as primeiras narrativas.”

Sua ligação com o pai, Teófanes da Costa Lima, alfaiate se dá de modo mais distante, porém não menos afetiva. Mais tarde publicará crônicas dedicadas ao dia do alfaiate e fará algumas reflexões sobre as relações entre o trabalho do escritor e do artesão: “Creio, assim, que o Dia do Alfaiate desaparecerá em breve do nosso calendário de comemorações. Desaparecem, com as alfaiatarias, oficiais como meu pai, que mantinham com as medidas e os riscos uma intimidade cheia de nobreza. É, com isto, a razão de ser da homenagem, já que os novos tempos mostram-se desdenhosos para com os oficiais delicados, cujo sentido não está em produzir muito e sim em produzir serenamente”.

Realizou os primeiros estudos no Colégio Santo Antão (1932-35) e no Ginásio de Vitória (1936-40). Aí teve como professor José Aragão, uma espécie de tutor de quem herdou o sentido da disciplina e discernimento na ordenação narrativa. Em 1941, mudou-se para Recife, onde passou a trabalhar como escriturário na secretaria de um Ginásio. Por essa época surge seu primeiro texto publicado no suplemento literário de um jornal do Recife: Menino mau e Fantasmas. Em 1943, passou no concurso para trabalhar no Banco do Brasil e deixou a literatura em repouso. No ano seguinte entrou na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Recife.

Ao mesmo tempo em que estuda Economia, passou a escrever um romance por mais de dois anos. Concluiu-o mas não publicou; foi mais um exercício de escrita criativa exercido com apurado senso crítico. Em 1947 casou-se com Maria do Carmo, torna-se pai de três filhos e passa a escrever com regularidade nas horas vagas. Começou com contos, apresenta-os em concursos e obtém algumas premiações. Em 1951 intensifica a atividade literária fazendo parte do corpo de redação da revista “Memorandum”, da Associação Atlética do Banco do Brasil e colaborador do Suplemento Literário do Diário de Pernambuco. Participou, também, da produção e direção de programas radiofônicos culturais, na Rádio Jornal do Commércio, em Recife.

Por essa época vai se definindo o artesão da palavra, tendo seus livros premiados e aclamados pelo público: O visitante, lançado em 1955, recebeu o prêmio “Fábio Prado” e Os gestos, lançado em 1957, agraciado com o prêmio “Monteiro Lobato”, ambos em São Paulo. Neste mesmo ano publicou a peça teatral O vale sem sol, com a qual obtém destaque especial no concurso da Companhia Tônia-Celi-Autran. Com os contatos mantidos em São Paulo, passou a colaborar com críticas para o jornal “O Estado de São Paulo”. Em 1960, concluiu o curso de Dramaturgia na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife, tendo como professores Joel Pontes e Hermilo Borba Filho, que veio a se tornar seu amigo.

Suas viagens ao Rio de Janeiro e São Paulo se intensificam, e tornam o escritor mais conhecido em âmbito nacional. Em 1961, ganhou uma bolsa de estudos da Aliança Francesa, passou seis meses em Paris. Enquanto isso, no Rio de Janeiro estreia sua peça Lisbela e o prisioneiro, recebendo o prêmio Concurso Cia. Tônia-Celi-Autran. No mesmo ano é publicado o romance O fiel e a pedra, premiado pela UBE-União Brasileira de Escritores. Sobre este romance, ele diz seu lançamento corresponde a uma “plataforma de chegada de saída”, encerrando uma fase de sua ficção em termos tradicionais.

Em seguida e em função de seu projeto literário, muda-se para São Paulo. Observa-se a concretização de um processo que já vinha se desenvolvendo internamente com grandes repercussões na sua vida familiar e na sua escrita. Dois anos após, concretiza-se a separação de sua esposa, que retorna ao Recife junto com as filhas. A partir de agora terá que trabalhar mais para manter a família distante. Lançou Marinheiro de primeira viagem, e passou a publicar contos nas revistas “Cláudia”, “Senhor” e “Vogue”, antecipando futuros capítulos de romances. Sua peça é encenada no Teatro Bela Vista.

O ano de 1964, dominado pela agitação política, é pródigo de acontecimentos: engajou-se na defesa da dramaturgia brasileira com artigos polêmicos na imprensa; sua peça premiada Lisbela e o prisioneiro é publicada em livro; sua fama de intelectual e militante cultural se estabelece; casou-se com a escritora Julieta de Godoy Ladeira. Em 1966, publica Nove novena e dá inicio a outra fase de sua ficção: uma construção estrutural rigorosa, em que se aliam precisão e fantasia, prosa e poesia, reflexão e estória. Tais inovações poéticas atraem o olhar da crítica, que ressaltou sua dimensão política sem fazer concessões à literatura engajada. Ainda em 1966, é publicado, no Recife, seu livro de ensaios Um mundo estagnado. Em 1967, passou a publicar regularmente no jornal “A Gazeta”, de São Paulo.

Em 1969 lançou Guerra sem testemunha: o escritor, sua condição e a realidade social, um ensaio onde faz uma reflexão sobre o ofício do escritor. No ano seguinte, aposentou-se do Banco do Brasil e passou a dar aulas de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília. Ao mesmo tempo em que leciona, realiza o curso de pós-graduação na Universidade de São Paulo e começa a escrever seu romance mais conhecido e enigmático: Avalovara. Em 1973 defendeu seu doutoramento, com a tese Lima Barreto e o espaço romanesco, que será publicada em 1975. Desiludido com o ensino e o desinteresse dos professores e alunos pela literatura, afastou-se do ambiente universitário e passou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Desde então, passou a colaborar com mais frequência com o Suplemento Literário d’ O Estado de São Paulo e escrever roteiros para a televisão.

Em 1975 deu-se o lançamento de Avalovara, seu livro mais importante, um romance que propõe um complexo jogo de leitura, cuja narrativa é uma obra de engenharia, construída a partir de um palíndromo dentro de uma espiral onde vão sendo desenvolvidos todos os capítulos do livro. O livro é o ponto de chegada de suas inovações narrativas, causando certo alvoroço no meio da crítica literária e certa estranheza no público. Tais experimentos literários são compartilhados com sua esposa, também escritora, com quem escreveu a quatro mãos o livro La Paz existe? a partir de uma viagem que fizeram ao Peru e Bolívia.

Em 1977 e no ano seguinte são publicados vários trabalhos na área do romance, do teatro, do ensaio, roteiros, casos especiais para a TV e até livro infantil (O diabo na noite de Natal). Tais atividades não o desviam da preparação do seu próximo romance: Uma cabeça levada em triunfo. Mas não pode concluí-lo. Surgem os sintomas de um câncer decorrente de um melanoma tardiamente diagnosticado, vindo a falecer aos 54 anos, em 08/07/1978. Foi um escritor “aberto à experimentação, afeito aos vôos e riscos, avesso à repetição dos caminhos conhecidos”. Em 2013, sua filha Angela Lins, junto com outros apreciadores de sua obra, criou o Instituto Cultural Osman Lins, no Recife, com a missão de resgatar a memória, conservar o acervo, criar um espaço para eventos, conceder bolsas de estudos, reeditar os livros e divulgar a obra do escritor.

Concluindo, vale repetir sua última declaração, publicada no Jornal do Comércio, de 16/07/1978: “Como diz T.S. Eliot num de seus poemas, ‘Para nós há somente tentativa. O resto não é de nossa conta.’ Desde a minha estreia com O Visitante, até a publicação, agora, de A Rainha dos Cárceres da Grécia, venho dando o melhor de mim mesmo à literatura, procurando realizar uma obra tão alta quanto permitam as minhas forças. Isto é o que posso fazer e o que tenho feito. Só posso ter certeza, portanto, de que a minha é uma contribuição séria. Quanto á sua importância, dentro do romance brasileiro, não me compete julgar. Mais: a qualidade da obra ‘não é da nossa conta’. Só podemos fazê-la bem: mas fazê-la bem não decorre de uma intenção, de um ato da nossa vontade. (baseado no site do autor: Osman Lins 

6 junho 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

6 junho 2017 DEU NO JORNAL

EM BANÂNIA TUDO É POSSÍVEL

As portas de acesso de um posto de saúde em construção em Biguaçu, na Grande Florianópolis, ficam a cerca de 5 metros do chão.

Apesar de a unidade estar pronta há dois anos, pelas condições do terreno não havia sido construída nenhuma forma de acesso ao local até esta segunda-feira (5), segundo a prefeitura.

Conforme o prefeito do município, Ramon Wollinger, está previsto acesso através de um elevador e uma escada.

* * *

Se a gente contar isto lá no istranjeiro, ninguém vai acreditar.

Os haitianos estão se mijando de tanto se rir-se desta notícia.

6 junho 2017 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)

6 junho 2017 MEGAPHONE DO QUINCAS


BEZERRA DA SILVA – DOSE DUPLA

Bezerra da Silva: sambista, malandro, carioca típico, nascido no Recife-PE

Alguns dos maiores ícones artísticos, políticos, intelectuais e avulsos de vários países e regiões não são naturais do país ou local em que são ídolos.

O caso mais clássico que me vem à mente é de Carlos Gardel, o maior representante do tango e certamente o maior ícone da cultura popular argentina. Presume-se que nasceu em Paris; há quem garanta que é uruguaio de nascença, mas poucos se atrevem a negar-lhe a identidade nacional argentina.

Prefira-se, então, para evitar confusões, a formulação que ele mesmo fez para afastar-se dessa incômoda questão: “senhor Gardel, afinal, onde de fato o senhor nasceu”, perguntou o entrevistador. Rápido, como as nuances de um tango, disse “sou nascido na Argentina desde os 4 anos”.

Há o caso conhecido de Milton Nascimento, o mais mineiro das Alterosas. Nascido, porém no Rio de Janeiro.

Mas aquele que mais chamou a atenção foi Anthony Quinn, ator de mais de 150 filmes, entre os quais “As Sandálias do Pescador”, “Lawrence da Arábia” e “Zorba, o grego”, o belíssimo filme que colocou Quinn, ainda em 1964, no patamar dos grandes atores épicos.

À parte a ligação direta com o nome do filme, até bem pouco tempo tinha Quinn como grego mesmo, quem sabe, talvez, originário de algum dos países balcânicos, hoje Iugoslávia. Pois bem, Quinn é conterrâneo de Mario Moreno, o Cantinflas, portanto, um mexicano.

Mas essa coisa não chega a ser tão incomum assim, não. Quando quero zoar com os cariocas, afirmo que 3 (três) dos maiores sambistas do Rio são mineiros: Ataulfo Alves, João Bosco e Ary Barroso.

Nesta linha trago para a coluna de hoje um dos maiores e mais originais sambistas cariocas. Da linhagem de Moreira da Silva e Dicró, Bezerra da Silva compôs um álbum parodiando os três tenores – Pavarotti, Carreras e Placido Domingo.

Ok, Bezerra da Silva é mesmo patrimônio do samba de partido alto, do fundo de quintal e do bom pagode do Rio de Janeiro.

Pois bem, José Bezerra da Silva é sim um carioca da gema, nascido no Recife em 23 de fevereiro de 1927, falecendo no Rio, em janeiro de 2005.

Foi cantor, compositor, violonista, percussionista, oficialmente intérprete dos gêneros coco e samba em especial partido alto.

No princípio, dedicava-se a gêneros nordestinos, principalmente o coco, até se transformar num dos principais expoentes do samba.

Por meio do samba, cantou os problemas sociais encontrados dentro das comunidades, apresentando-se no limite da marginalidade e da indústria musical.

Bezerra da Silva estudou violão clássico por 8 (oito) anos e passou outros 8 (oito) anos tocando na orquestra da TV Globo, sendo um dos poucos partideiros que lia partituras.

Gravou seu primeiro compacto em 1969 e o primeiro disco em 1975. Lançou 28 álbuns em toda a carreira, que venderam mais de 3 (três) milhões de cópias. Ganhou 11 Discos de Ouro, 3 (três) de platina e um de platina duplo (?).

Apesar de ser um dos artistas mais populares do Brasil, foi praticamente ignorado pelo “mainstream”.

– Aos 15 de idade, depois de ser expulso da Marinha Mercante, Bezerra viajou ao Rio, com o objetivo de encontrar o pai (separado de sua mãe) e fugir da pobreza. Teria encontrado o pai, mais a relação não foi boa e acabou ficando sozinho.

Passou a trabalhar na construção civil, como pintor de paredes e tinha como endereço a obra na zona central do Rio. Pelos idos de 1949, foi morar com uma dona no Morro do Cantagalo, na Zona Sul.

Parece que Bezerra da Silva seria, hoje, muito atual

Juntamente com o trabalho de pintor, começou a desenvolver a verve musical, a partir do coco de Jackson do Pandeiro e logo ingressou na bateria do bloco carnavalesco “Unidos do Cantagalo”, tocando tamborim.

Boêmio e malandro foi detido dezenas de vezes pela polícia e acabou desempregado, em 1954. Durante muitos anos, viveu como morador de rua em Copacabana, quando chegou a tentar o suicídio.

Ligou-se a um terreiro de Umbanda e lá descobriu sua mediunidade. Sua mãe-de-santo teria lhe confirmado que seu destino era a música.

O sambista pernambucano foi tema do livro “Bezerra da Silva – Produto do Morro”, de Letícia Viana, lançado em 1998.

O cantor Marcelo D2 prestou-lhe uma homenagem, 2010, com o Álbum “Marcelo D2 canta Bezerra da Silva”.

Em 2012, foi lançado o documentário “Onde a Coruja Dorme”, de Marcia Deraik e Simplício Neto, que destaca os compositores de suas músicas, trabalhadores anônimos, que abordavam em suas letras temas da realidade brasileira como o malandro, o otário, o alcaguete, a maconha.

Foi casado com Regina de Oliveira, também sua empresária e até mesmo uma de sua compositoras, sob o pseudônimo de Regina do Bezerra. Antes de se fixar como grande nome do partido alto, Bezerra fez cocos como este:

Semana que vem, tem mais…..

6 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA (MG)

ALAMIR LONGO – QUARAÍ-RS

A CARTA CHEGOOOOOOU!!!

Lembram daquela perfumadíssima carta enviada por Danilo Gentili à deputada petista, Maria do Ossário?

Chegooooou!!!

Infelizmente, por ser muito delicada e emotiva, a referida musa parlamentar, mais conhecida por “lombriga anêmica” – (segundo Bolsonaro) -, não a abriu.

O escalado para tão honrosa missão foi o “cumpanheru” deputado bolivariano Paulo Maduro Pimenta Chavez, outro poço de moralidade da famíglia Lula.

Confiram a festa:

6 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

FALTA ALGUMA COISA NESSA DELAÇÃO

Até agora o professor Michel Temer não renunciou à Presidência para resolver a crise criada com as delações premiadas dos irmãos Batista, principalmente Joesley, da Friboi. Ao resistir, tem amealhado a cumplicidade de antigos adversários frouxos, hoje ferrenhos aliados, do que foi, durante a roubalheira nos três governos e meio de Lula e Dilma, do PT, em associação com o PMDB, o soit-disant maior partido da oposição. Era tudo mentira, fingimento. Hoje o PSDB é acusado, e com evidências bastante lógicas e sólidas, de ser sócio no descalabro e companheiro na derrocada da imagem que o tem tornado um bando de párias eleitorais.

Conforme relatou a repórter Isadora Peron, da Sucursal do Estado em Brasília, ministros tucanos se reuniram domingo com Temer no Palácio do Jaburu para lhe garantir que o partido, “por ora”, vai continuar na base aliada. A permanência do PSDB no governo dá fôlego a Temer, que enfrenta nesta semana o início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do seu mandato. Participaram do encontro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades), que deu o voto decisivo para sacramentar o impeachment de Dilma e chegou a ameaçar entregar o cargo no dia em que a delação dos empresários do Grupo J&F veio a público. Segundo um dos ministros, a reunião da Executiva do partido foi marcada para quinta-feira 8, mas terá como objetivo fazer uma “análise de conjuntura”, e não decidir se o PSDB deixará o governo. Na semana passada, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), havia anunciado que a cúpula da legenda se reuniria na terça-feira 6 para definir uma posição em relação ao governo. Na mesma ocasião, Pauderney Avelino (DEM-AM) deixou claro que seu partido seguirá a decisão, que, na verdade, não configura nenhuma “escolha de Sofia”. Os tucanos continuarão em cima da muralha do oportunismo e o DEM, à sombra dela.

Na Câmara, a bancada tucana, com 46 deputados, está dividida. Uma eventual saída do partido da base, entretanto, depende do aval da Comissão Executiva. Ou seja, ela cumpre o papel histórico da legenda de repetir o ser ou não ser do príncipe Hamlet da Dinamarca. E, jogando no lixo sua promessa eleitoral de representar parte da sociedade que esperava deles a resistência contra os ladravazes da República, seus parlamentares aderiram à resistência de Temer mantendo o apoio ao governo zumbi, sem moral alguma para exercer a autoridade que lhe compete, num abraço cego, surdo e loquaz de afogados insensíveis e mentirosos, que mantém a Nação vítima de sua desumana aliança apodrecida, mas também inquebrantável.

Esta é uma tragédia para todos, mas acima de tudo para a Nação. O Poder Executivo se pintou de guerra para defender o chefe e, com ele, suas mamatas nos carguinhos do governo. O Legislativo está totalmente dominado por suspeitos de cumplicidade na corrupção. E o Judiciário, controlado por uma maioria de indicados, sócios e suspeitos, garantirá uma vitória dos réus no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, por quatro a três. E por seis a quatro no Supremo Tribunal Federal (STF).

A opinião pública está perplexa diante dessa perspectiva. Para complicar, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem sido rápido e rigoroso contra Temer, o ex-presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), e outros flagrados na tal “ação controlada”. Mas não dá respostas a questões básicas para justificar a liberdade gozada no exterior pelos delatores premiados. Por exemplo: nunca identificaram, processaram nem prenderam os bandidos que, segundo foi informado para justificar o prêmio excessivo para eles, os ameaçaram de morte, o que justificou a leniência excessiva. Quem ameaçou? Por quê?

Além disso, nada se comenta sobre eventual punição aos responsáveis pelo enriquecimento vertiginoso e ilícito dos marchantes de Anápolis que viraram tranchãs da produção e comercialização de proteína animal no mundo. Segundo reportagem de Marcelo Godoy, no Estado, a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista valeu-lhes o perdão de crimes cujas penas somadas individualmente poderiam alcançar de 400 a 2 mil anos de prisão. Estatísticas da Procuradoria-Geral da República revelam 240 condutas criminosas, reunidas nas confissões dos delatores e em 42 anexos entregues pelo órgão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Levantamento feito pelo repórter dá conta de que foram relacionados oito tipos de crimes, entre eles 124 de corrupção e 96 de lavagem, praticados por mais de uma organização criminosa. Segundo Godoy, especialistas em Direito Penal indicam que, em tese, muitas das condutas delatadas, apesar de autônomas, foram praticadas de forma continuada, como se fossem desdobramentos de um mesmo crime. É o caso da lavagem de partes de uma mesma propina por meio de ações diferentes para dissimular o dinheiro, tais como o uso de notas frias para encenar relações comerciais, o superfaturamento na compra de imóveis ou o uso de contratos fictícios de honorários advocatícios. Assim, as penas pelos delitos poderiam cair para algo em torno de 230 anos no mínimo e 1,3 mil anos no máximo. Cáspite!

A análise desses dados reacende a polêmica em torno das vantagens concedidas aos Batistas nos termos do acordo de delação assinado com o Ministério Público Federal (MPF): eles não poderão ser processados por nenhuma das 240 condutas criminosas, recebendo ainda imunidade em outras investigações em andamento e o perdão judicial caso sejam denunciados em outros processos. Os empresários pagaram ainda multa de R$ 110 milhões, valor considerado insuficiente por juristas pelos malfeitos cometidos. Os delatores são ainda suspeitos de usar o acordo com o MPF para lucrar com operações de venda de dólares aproveitando-se da divulgação das delações, suspeita que fez a Justiça Federal decretar o bloqueio de R$ 800 milhões do Grupo J&F.

O repórter citou em seu texto crítica feita pelo criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira: “São (os Batistas) criminosos antigos, reiterados e sem nenhum escrúpulo. A delação premiada não pode ser transformada em um instrumento de impunidade”. Ele defende um dos 1.829 políticos delatados: o presidente Michel Temer, seu velho amigo.

A reportagem citada é leitura obrigatória, pois também mostra que, além de corrupção e lavagem de dinheiro, os delatores da holding J&F revelaram financiamentos por caixa 2 de campanhas eleitorais de partidos políticos. O PT e seus integrantes lideram o ranking dos destinatários das propinas, concentrando R$ 616 milhões de cerca de R$ 1,4 bilhão que os Batistas confessaram ter pago. Especialista em combate à lavagem de dinheiro ouvido por Marcelo Godoy, o promotor de Justiça Arthur Pinto de Lemos Junior, do Grupo de Atuação Especial Contra Delitos Econômicos (Gedec), acha que a extensão e a qualidade da delação fortaleceram a decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de conceder os benefícios dados aos Batistas. Segundo ele, “os ilícitos revelados são todos inéditos, eram desconhecidos até então, e o Ministério Público Federal não ia descobri-los se não fosse a iniciativa dos colaboradores.”

O problema é que, sabidamente, há farta produção de provas sobre os delatados do PMDB de Temer e do PSDB de Aécio, Aloysio e Serra. Mas nenhuma prova documental do uso das duas contas que, segundo Joesley Batista, foram abertas em seu próprio nome e eram manipuladas por Antônio Palocci (o Italiano da Odebrecht), primeiro, e Guido Mantega (o Laticínio, apud Mônica Moura), depois, em favor dos ex-presidentes petistas. Isso não impediu que Lula chamasse o próprio protegido de “canalha” na reunião do PT no fim de semana.

É bem verdade que hoje são vazadas informações de que o Italiano e o Laticínio (ou Latrocínio?) se dispõem a delatar para alterar esse quadro, mas nenhum fato foi confirmado. Além do mais, a abundância de milhões em reais de dinheiro público emprestados aos goianos gestores de matadouros pelo economista Luciano Coutinho quando presidia o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que tornou possível que prosperassem muito, continua oculta sob um tapete vermelho (a cor do PT). Enquanto esses fatos não vierem à tona, haverá dúvidas e suspeitas. Já passou da hora de revelá-los com a mesma miríade de provas como as que surgiram com gravações e documentos que incriminam muitos chefões partidários, à exceção dos petistas.


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