8 junho 2017 FULEIRAGEM

DUQUE – O TEMPO (MG)

8 junho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

NA GLÓRIA

Ele encantou-se há oito anos, quando tinha 94 anos de idade. Raul de Barros era um dos maiores trombonistas brasileiros.

Vamos ouvi-lo interpretando o samba-choro de sua autoria Na Glória.

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RauBarros

(* 25.Nov.1915 – 08.Jun.2009)

8 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

PENSAMENTO SERTANEJO

Tou pensando nos pássaros sertanejos
Quero-quero e anum carrapateiro
Tou pensando no canto boiadeiro
Êh êh êh…rê ! Malhada e Ventania !
Tou pensando no sapo, rã e jia
Orquestrando o amem da hora santa
Na insônia do grilo que me encanta
Na leveza dum fole bem tocado
No vergel que se espalha no roçado
No prazer de ver planta que se planta.

Trago no assoalho da garganta
O entalo de lindos pensamentos
Da tristeza amuada dos jumentos
Tais e quais um bruguelo desbriado
Do vexame bem dispranaviado
Do doidim que traz água na ancoreta
Do cachimbo de Dona Mariêta
Numa reza de limpa de quebranto
Do espelhinho, missal, de terço e santo
Na banquinha do lado da maleta.

Tou pensando na sala e na saleta
Com jarrinho de flor bem aguádo
Na fachada triângulo bem pintado
Rodeado de traços em relevo
Vira-lata mijão fazendo frevo
Quando avista seu dono despresente
Lavadeira batendo lentamente
Tricoline, fustão, bramante e linho
E um menino caçando passarinho
Badocando e pisando mansamente.

Tou pensando no homem paciente
Com direito de ali nunca ter nada
Do trabalho arrastado na enxada
Cavucando o terroso continente
E apesar de sofrido este valente
Solta um riso risido e clareado
Faz um verso na hora improvisado
Tão inédito que nunca é repetido
Quem não  presta atenção sai ressentido
De perder o que nunca é reprisado.

Tou pensando no cego ter falado
Que a idade não capa pensamento
Que fumaça não tapa firmamento
Que igreja não capa o vigário
Que cadeia não cura o salafrário
Que senado não pune o deputado
E o ceguinho fazendo o pontiado
E molhando a palavra numa cana
No balcão da bodega de Mãe Nana
Com cerquinha pros copos emborcados.

Tou pensando aqui com meus lembrados
No aconchego da casa praciana
No terraço se tira uma pestana
Depois dum almocim bem palitado
Essa casa tem jeito alpendrado
Tem o dom de não ter uma garagem
Tem um muro baixinho e arvoragem
E o ambulante gritando: Garrafeeiro!!!
Êh  jornal, êh  garrafa, êh litro e meio!
E os moleque juntando a miudagem.

8 junho 2017 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA (SC)

8 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM TRIBUNAL BANÂNICO

* * *

Correção:

O nome do petralha é Antonio Dias Toffoli. E não Ricardo Dias Toffoli. Ricardo é o outro petralha. O Lewandowski. Desculpem. Falha deste Editor leso.

8 junho 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE


PRECE

Deus, meu Senhor, perdoa os erros meus,
os meus pecados, minhas omissões!…
Se tenho errado nas minhas ações,
se a alguém fiz mal, foi sem querer, meu Deus!

Pecador, minha estrada hei percorrido
como barco perdido em mar revolto,
exposto às tempestades, leme solto,
navegando sem rumo definido.

Dá-me forças, ó Deus, para que eu vença
tantas barreiras que esta vida tem…
Peço ainda, Senhor, para também
fortalecer a minha pouca crença.

Mostra-me a direção, o lado certo,
pra que eu possa seguir mais confiante…
Que a minha fé em Ti seja constante
e que de mim estejas sempre perto!

8 junho 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

O ANEL DE GYGES

Capelinha de Nossa Senhora dos Aflitos. Na Rosa e Silva, quase chegando ao Náutico (perdão por lembrar, amigo leitor, mas Hexa ainda é Luxo). Todo mundo conhece. Ou deveria. É a mais bela de Pernambuco. Para este pobre coitado que aqui escreve, e seus irmãos, tem um sentido especial. É que lá casaram nossos pais. Foi uma cerimônia curiosa. Sexta-feira, comecinho da tarde. Problema é que um juiz marcou audiência, no Forum, para pouco depois. E não aceitou remarcar. Consequência, dr. José Paulo casou com aquele terno branco de linho que usava normalmente para trabalhar. Igual ao de boa parte dos advogados, à época. E explicou antes, à quase esposa, que tinha o dever de ir à tal audiência. Findo o casamento, levou dona Maria Lia até um táxi. Carro era luxo que não cabia nos seus orçamentos. E foi à tal audiência. Ela teve que aceitar. Contrariada. Até hoje continua. Já nos seus 91 anos – embora pense, viva e ria como quem tem só 18. Mas advertiu: Se não chegar em casa antes das 6 da tarde, nunca mais vai me ver. Deu tudo certo, graças ao bom Deus.

Pois foi em tal capelinha, na homilia de sábado passado, que padre Sergio Absalão falou na lenda de Gyges. A mesma referida por Platão em sua “República”. Resumo. Gyges era pastor na Lídia. Depois de tempestade, abriu-se uma cratera em sua frente. Desceu lá e, junto a um cavalo de bronze, encontrou o cadáver de um gigante. Com anel de ouro em um dos dedos. Colocou esse anel no seu próprio dedo. Mais tarde, casualmente, deu nele uma volta para a esquerda. E ficou invisível. Girou novamente o anel, agora para a direita. E voltou a poder ser visto. Segundo a lenda Gyges, aproveitando-se desse poder, seduziu a mulher do soberano e o matou. Assumindo seu reino.

Para além da mitologia, trata-se de uma parábola sobre o bem e o mal. Até que ponto um homem virtuoso será capaz de resistir à tentação de proceder sempre retamente? Faria o mesmo caso soubesse que poderia agir como quisesse e, ainda assim, ficar impune? Qual o limite da virtude? Poucos dias faz vimos, em Palmares, pessoas humildes se preparando para invadir um supermercado. Era errado mas o fariam. A polícia é que não deixou. Em Olinda, numa greve da PM, o supermercado da Arcomix foi assaltado por uma pequena multidão. Inclusive fiéis que iam, todos os dias, a missas e cultos evangélicos. Não é uma questão simples.

Mas penso que nosso grande padre Sérgio não pensava propriamente em questões íntimas, quando se referiu a essa lenda. Talvez estivesse apenas sugerindo que, em Brasília, nossas elites políticas agem como se estivessem acima do bem e do mal. Carlos Pena Filho, poeta do azul, começa um soneto (“A Solidão e sua Porta”) dizendo: Quando mais nada existir que valha/ A pena de viver e a dor de amar. Pois naquelas bandas, amigos, vale a pena, a dor e sobretudo a grana. Eles topam tudo por dinheiro. Sem nenhuma poesia. Como se todos usassem, nos dedos, o tal anel de Gyges.

Para sorte nossa, por aqui, parece que tais anéis nem sempre funcionam bem. Por conta de algum defeito de mecanismo. Razão pela qual muita coisa finda por aparecer. Não tanto, é pena. Mas aparece. Penso em Gyges nascendo no Brasil. Onde estaria ele, hoje, com seu anel? Talvez fosse Presidente da República – conversando escondido coisas escondidas, noite alta, com quem deve e não deve. Ou talvez se apresentasse às massas, com lágrimas falsas nos olhos, como se fosse o Salvador da Pátria. Ou talvez, para seu azar, estivesse preso em Curitiba. Pensando em fazer delação premiada. Tudo é possível. O Brasil é muito mais complicado que a Grécia de Platão.

8 junho 2017 FULEIRAGEM

GABRIEL RENNER – CHARGE ONLINE

BOM APRENDIZADO PARA O BLOGUEIRO QUE TEM LEITOR QUE LEVA JOSELIO MULLER A SÉRIO…

Comentário sobre a postagem FLATULÊNCIAS DE TRUMP

eduardo:

“As vezes acompanho aqui algumas publicações, mas é inverdade os comentários sobre Trump.

Há é muitas mentiras sobre o aquecimento global.

Caso o blogueiro tenha interesse, convido-o a pesquisar nos seguintes blogs:

Aluizio Amorim

Ecologia Clima

Thyselfolord

Somente esses três são suficientes para desmoronar toda a desinformação sobre o aquecimento global e os destemperos contra Trump.

Mas se não for ainda o suficiente consultem pelo nome de Luiz Carlos Molion no youtube.

Bom aprendizado.

* * *

8 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
RAPIDÍSSIMAS

O MORIBUNDO MORREU…

Antes do tempo. Por excesso de visitas.

* * *
JUSTIÇA

Não se deve condenar toda a espécie pela ignorância da maioria.

* * *

CANDIDATO?

Só ao esquecimento.

* * *

EVOLUÇÃO

É quando você se dá conta de sua irrelevância. E não liga.

* * *

MALDADE

Ela se foi e deixou no varal as duas calcinhas de que mais gosto.

* * *

PAZ NO CAMPO

Os cães, ladram, ladram. Mas não tem jeito. A caravana não passa.

* * *
PSORÍASE

Pobre Gustavo. Virou pó em vida.

* * *

GERAÇÃO SAÚDE

Adoro andar. De carro.

* * * 

MENOS, MENOS

Piados só de passarinho.

8 junho 2017 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE

8 junho 2017 DEU NO JORNAL

GRANDES NOMES DE PULÍTICA BANÂNICA

* * *

Cabral pede chorosamente absolvição e Lula busca pateticamente não condenação.

Cabral diz que fez tudo para alavancar a economia do Rio.

E Lula diz foi ele quem alavancou Banânia, extinguiu a miséria e botou todos os pobres do país pra viajar de avião e passar férias em Miami.

Segundo o fubânico petista Citador de Números, os 14 milhões de desempregados atualmente existentes são culpa dos 9 meses e 8 dias do guverno Temer.

Daí a campanha “Fora, Temer” pra acabar com o desemprego.

Este Temer do “Fora, Temer” é aquele mesmo Temer que Lula impôs pra ser vice da retardada mental Dilma.

Vocês intenderam, num é?

Bom, se num intenderam, é melhor cuidar de coisas mais importantes e aproveitar a quinta-feira.

O Trio Bostífero em pose especial para os leitores fubânicos petistas e eleitores de Lula e Dilma

8 junho 2017 FULEIRAGEM

FRED – CHARGE ONLINE


http://www.musicariabrasil.blogspot.com
BELEZA, VOZ, VIOLÕES E TALENTO

Em seu primeiro disco, a cantora e instrumentista carioca Alice Passos apresenta uma verdadeira antologia ao violão brasileiro

Ninguém sabe ao certo a sua origem, mas o que se tem certeza é que após a sua introdução na música brasileira, o violão passou a ser um dos mais relevantes instrumentos desde então. No Brasil, o primeiro instrumento musical de cordas que se tem notícias há quem afirme que foi a viola de dez cordas – ou cinco cordas duplas – trazida pelos jesuítas portugueses, que a utilizavam durante a catequese dos índios a partir do século XVII em São Paulo. Tempos depois, no século XIX, já com as definitivas seis cordas e o advento do choro (que nascido no Rio de Janeiro ganhou forte expressão nacional tornando-se um símbolo da cultura brasileira e um dos mais originais estilo de música instrumental existente a partir de então), o violão popularizou-se significadamente. Por falar em choro, é válido o registro que tal gênero surgiu aglutinando outros tantos advindos da Europa a exemplo da polca, da valsa, do schottisches, da quadrilha, entre outros.

Dessa mescla e estilo de tocar consolidou-se o choro, um dos primeiros gêneros musicais genuinamente brasileiro ao lado do lundu, da modinha e do maxixe e que foi de fundamental importância para a popularização do violão a partir de nomes como Garoto, Quincas Laranjeiras, Eduardo das Neves, Dilermando Reis, João Pernambuco, Tute, Laurindo de Almeida, Catulo da Paixão Cearense, Donga, o maestro Heitor Villa-Lobos entre outros, que de um modo ou de outro contribuíram ao longo de todos estes anos para desdobrar o instrumento abarcando os mais distintos gêneros e subgêneros dentro da música popular brasileira ao longo das últimas décadas tais quais a bossa nova com o inconfundível e arrebatador violão de João Gilberto, os afro-sambas com Baden Powell e toda malemolência baiana e praiana presentes nas músicas e instrumento de Caymmi.

Tal retrospecto é válido para que possamos abarcar a nova geração de instrumentistas brasileiros e todas as influências que os constituem como é o caso da carioca Alice Passos, um promissor nome da música que apesar da pouca idade é respeitada como uma veterana no meio do samba e do choro nos principais redutos dos gêneros de sua cidade, em especial a Lapa, local historicamente cultural da cidade e local propenso ao desenvolvimento de sua paixão pela música. Filha da compositora e instrumentista maranhense Ignez Perdigão, Alice cresceu envolta ao canto, o cavaquinho, a flauta e o violão. E dentre estes instrumentos que permearam a sua infância abraçou em particular dois: a flauta e o violão, fazendo deste último seu principal companheiro neste álbum de estreia.

Nos palcos substanciou o seu talento para além da teoria acadêmica, visto que Alice Passos é formada em arranjo musical pela UniRio assim como também dá aulas de música já há alguns anos, e por conta disto já encontra-se muito bem substanciada teoricamente. Estas experiências empíricas, práticas e experimentais alicerçaram o seu primeiro álbum intitulado “Voz e violões”, disco que conta com treze faixas e a participação de um verdadeiro dream team do violão brasileiro. Dentre as canções que compõem o disco, há uma mescla entre inéditas e releituras como é o caso “Toque de amor” (João Lyra e Zé Rocha) lançada por Elba Ramalho no álbum “Do jeito que a gente gosta”; “Sem palavras” (Francis Hime e Thiago Amud), originalmente lançada em 2013 no álbum “Eterna alegria” por Alcione e “Mestre”, uma parceria de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, registrada pelo autor em 2014 no álbum “Setenta anos”, disco alusivo as sete décadas de vida do Dori.

Por falar em Pinheiro, seu nome é recorrente dentre os autores presentes no disco. Das treze faixas, assina sete. Além da já citada, apresenta também “Lembrança viva” (em parceria com Julião Pinheiro), “Piraiaguará” (com Mário Gil), “Assombros” e “Samba de Mestre“, a primeira em parceria com João Camarero, já a segunda com Maurício Carrilho. O disco ainda conta com “Aparição” (Miguel Rabello e Roberto Didio), “Preta Bá” (Pedro Messina e Chico Alves), “Nem cais, nem barco” (Guinga e Aldir Blanc), “Sertão do vale” (Zé Paulo Becker e Mauro Aguiar) e a inédita “Quadrança” (Sergio Santos e Paulinho Pinheiro).

Lançado pela Fina Flor (nome também sugestivo para os violonistas que a acompanham neste debute fonográfico) e sob produção de Maurício Carrilho, “Voz e violões” traz como marca maior o modo antológico como a jovem e promissora artista apresenta, a partir do violão, a rica sonoridade existente em nosso país priorizando um seleto repertório que nos remete a confins e rincões desse Brasil de dimensões continentais. O curioso é que ela não deixou-se acomodar pela sonoridade cosmopolita que rege o seu cotidiano, e tal qual uma escafandrista, buscou imergir na vastidão sonora que compõe a nossa música. Longe de ser um álbum comercial, “Voz e violões” é antes de tudo um cartão postal sonoro do Brasil, onde busca enaltecer em pouco mais de 45 minutos nossas riquezas naturais, tradições folclóricas, o amor entre outros temas. Nele viajamos do toque da capoeira ao maracatu; do tradicional samba às mais densas harmonias existentes na música urbana e que no disco faz-se tão bem registradas pela altivez do canto de Alice, adornado pelos precisos arranjos presentes em um disco virtuoso, confeccionado de modo singular e alicerçado em premissas nada aceitáveis para um mercado fonográfico cada dia mais supérfluo como o atual.

Trabalhos como este remete-nos a um texto escrito por Nazareno de Brito na contracapa do disco “Abismo de rosas”, do Dilermando Reis, e que diz o seguinte: “O violão, em sua simplicidade, mesmo quando o pinho tosco se cobre de vernizes e arabescos em madrepérola e pedrarias, parece ter sido criado para a linguagem sonora e sincera dos simples (…)”. Imbuído de verdade e simplicidade, “Voz e violões” nos leva a uma profunda imersão na tradição do violão brasileiro, levando-nos a crer que aquilo que tão bem nos foi apresentado por nomes como Helena de Magalhães Castro, Rosinha de Valença e Helene Meireles atemporalizou-se e hoje perpetua-se a partir de trabalhos como este que reitera a necessidade de voltarmo-nos atenciosamente a atenção para uma nova, promissora e talentosa geração, de onde destaca-se este jovem e auspicioso nome. Se Dori Caymmi, Guinga, João Camarero, João Lyra, Julião Pinheiro, Mario Gil, Maurício Carrilho, Miguel Rabello, Pedro Messina, Sergio Santos, Theo de Barros, Thiago Amud e Zé Paulo Becker deram os seus respectivos avais não há como ir de encontro a este consenso. Uma chancela como esta acaba por atestar a importância de Alice Passos para a música popular brasileira daqui para frente.

Para o público leitor a faixa “Mestre”, composta pela dupla Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro e já citada anteriormente aqui no texto:

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8 junho 2017 FULEIRAGEM

HERINGER – CHARGE ONLINE


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