15 junho 2017 DEU NO JORNAL

O LONGO VOO 6237

Demétrio Magnoli

‘Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo.”

No voo Avianca 6237, durante duas horas, Míriam Leitão tornou-se alvo da hostilidade organizada de grupo – no caso, de delegados do Congresso Nacional do PT. A aeronave converteu-se, assim, em mais um registro numa história secular.

O “ato de repúdio” – esse é o nome da coisa – não deve ser confundido com eventos randômicos de agressão politicamente motivada. É um mecanismo de ação política consagrado por regimes e partidos que exercitam, ou almejam, um poder absoluto.

Na Rússia Soviética dos anos 20 do século passado, o “ato de repúdio” acompanhou, como uma sombra, os passos de Trotsky, Zinoviev e outros bolcheviques da velha geração que articulavam movimentos de oposição a Stalin.

Desde 1992, a Rússia restaurou a antiga bandeira czarista e a aliança entre o Kremlin e a Igreja Ortodoxa que sustentava os imperadores e hoje sustenta Vladimir Putin – mas não esqueceu o “ato de repúdio”.

Alexei Navalny, líder de manifestações contra a corrupção governista, é ritualmente recebido nas estações de trem do interior por chusmas de militantes ultranacionalistas que, sob orientações de cima, lançam-lhe ovos e tomates.

O “ato de repúdio” sempre obedece a um gesto de comando do alto, mas nunca tem chancela oficial explícita, disfarçando-se de manifestação espontânea. Contudo, a simulação é deliberadamente farsesca.

Putin confraterniza com os chefes das gangues “patrióticas” que atacam Navalny, como fazia Stalin com os militantes comunistas encarregados de repudiar seus desafiantes. Ambos, porém, negam ligação direta com os episódios de baderna.

A ambiguidade proposital alcança um duplo objetivo: de um lado, preserva a imagem das autoridades ou dirigentes políticos que os instigam; de outro, veicula a eficaz mensagem de que a agressão parte de um temível aparato de poder.

O nazismo e os fascismos europeus conduziram, por meio de milícias semioficiais, incontáveis “atos de repúdio”, que se completavam com espancamentos ou a destruição de jornais, lojas ou residências.

Na China da Revolução Cultural, o ritual adquiriu feições de tortura de “inimigos do povo” em praça pública.

A ideia básica do “ato de repúdio” não é intimidar a vítima circunstancial, embora isso também eventualmente aconteça, mas propagar uma onda de medo: “você pode ser o próximo”. A finalidade é silenciar, genericamente, o adversário (real ou imaginário).

Seu emprego, na democracia, destina- se a suspender a crença de que a divergência faz parte do jogo político normal.

No voo 6237, a milícia de delegados petistas erguia uma paliçada em torno de seu partido, delimitando uma fronteira para a crítica.

A blogueira dissidente cubana Yoani Sánchez foi alvo de “atos de repúdio” em Feira de Santana, em 2013. Os bandos de militantes do PT e do PCdoB, narrou Yoani, “seguravam o mesmo documento, contendo um feixe de mentiras a meu respeito” e “repetiam um roteiro vulgar” de slogans gritados em coro “que mesmo em Cuba não mais são ditos”.

Não se deve equiparar a agressão verbal de indivíduos malcriados, como os que hostilizaram Guido Mantega, no saguão de um hospital, ou Chico Buarque, numa calçada, com o “ato de repúdio”. Os primeiros agem sós, no calor da hora, sob o impulso de seus desvios de caráter. O segundo é uma operação planejada, codificada e de natureza coletiva.

Os agressores de Míriam Leitão encontraram- na fortuitamente no voo 6237, mas agiram guiados por uma tradição política contra um alvo nomeado pelo próprio Lula em diversas ocasiões.

Cuba isto é, o castrismo – está na raiz da prática petista do “ato de repúdio”. Yoani tinha 5 anos, em 1980, durante a crise dos emigrados de Mariel, quando viu, casualmente, pela primeira vez, um “ato de repúdio” no qual “as pessoas berravam e cerravam os punhos à frente da porta de um vizinho”. Depois, ao longo do tempo, como transeunte, vítima ou jornalista, observou dezenas de outros.

Nas suas manifestações silenciosas, as Damas de Branco, parentes de presos políticos na Ilha, são invariavelmente circundadas por hordas de funcionários comunistas convocados para “atos de repúdio”.

A baderna de Feira de Santana foi articulada a partir de uma reunião na embaixada cubana, em Brasília, da qual participaram assessores parlamentares.

O “ato de repúdio” é uma encenação teatral. Os milicianos – funcionários ou militantes – representam o papel do “povo”. À vítima, cabe o papel involuntário de “inimigo do povo”.

A antropologia possui os instrumentos para decifrar os significados simbólicos embutidos na performance, enquanto a psicologia talvez seja capaz de esclarecer as recompensas emocionais obtidas pela horda de “repudiadores”. Mas, no plano político, o espetáculo do “ato de repúdio” ancora-se no lodo do totalitarismo.

Que ninguém se engane: o voo Avianca 6237 decolou cem anos atrás.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (GO)

15 junho 2017 HORA DA POESIA

CENSURADO – Glauco Mattoso

Sabendo que a censura não me trava,
pediram-me um soneto sem calão
pra pôr na antologia de salão
que o tal do [censurado] organizava.

Queriam até tônica na oitava,
mas nada de recurso ao palavrão.
Usei o ingrediente mais à mão,
porém sem [censurado] não passava.

Desisto. Quanto mais remendos meto,
mais roto vai ficando o [censurado].
Poema não é texto de panfleto

pra ter que se estampar todo truncado!
Pois esta [censurado] de soneto
que vá pra [censurado] [censurado]!

15 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

BONS COMPANHEIROS

Depois de ser derrotado na disputa pela presidência do PT, Lindbergh dá aulas de economia

“Lula diz sempre que é colocando dinheiro na mão do pobre que a economia cresce. E foi isso que Lula fez”.

Lindbergh Farias, senador do PT fluminense conhecido na Odebrecht pelos codinomes Lindinho, Feio e Primo, explicando que a economia cresceu durante o governo Lula porque o penta-réu da Lava Jato colocou dinheiro na mão dos empreiteiros pobres, dos banqueiros miseráveis e de Altos Companheiros que viviam na rua da amargura antes de aprenderem com o chefe como ganhar dinheiro exercendo o ofício de larápio.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

MEUS PECADOS PREDILETOS

A letra é minha e a música é do meu filho Vítor Quirino.

Com a participação especial do cumpade Xangai.

Está no livro Berro Novo, Editora Bagaço.

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15 junho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)


QUERER

Quero-te muito! E, por querer-te tanto,
eu não te esqueço um momento sequer.
Teu nome é música pra mim, é canto.
Como eu te quero, ninguém mais te quer!

Às vezes choro copioso pranto,
imaginando uma razão qualquer
que nos impeça mútuo amor. No entanto,
não vou deixar de te querer, mulher!…

Tu és manhã que vem raiando agora!
Eu sou a tarde que se descolora…
Entre nós dois uma distância existe.

Porém distância é para ser vencida…
E como há para tudo uma saída,
meu coração de amar-te não desiste.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

15 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

A FRASE DA SEMANA

Esta frase eu tirei da coluna de Josias Souza, publicada hoje no JBF.

É pra reflexão do público fubânico nesta quinta-feira, que amanheceu chuvosa que só a porra aqui no Recife.

Vejam:

“Para que Aécio fique 100% igual a José Dirceu falta uma tornozeleira eletrônica e um coro com coragem para entoar o refrão “herói do povo brasileiro”. A ausência de reação do PSDB demonstra que a legenda ainda tem muito a desaprender com o PT.”

* * *

Dois heróis do povo brasileiro. Melhor dizendo, dois heróis daquela parte idiota do povo brasileiro

15 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

QUADRILHA É BOM

quadrilha

Aqui na Nação Nordestina já estamos em meio aos festejos juninos. Aliás, desde que começou este mês de junho.

Apesar do título, “Quadrilha é Bom“, esta música nada tem a ver com o Brasil contemporâneo. Nada a ver com Mensalão, Petrolão, JBS ou cachês pagos por empreiteiras a figurões da república.

Trata-se apenas de uma celebração junina, gravada em 1957.

Composição do imortal Zé Dantas na voz de Marinês. 

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15 junho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

15 junho 2017 JOSIAS DE SOUZA

PSDB AINDA TEM MUITO A DESAPRENDER COM O PT

O que mais assusta na marcha de Aécio Neves rumo à sarjeta não é a sensação de que ele se converteu num político igual aos demais. Espantosa mesmo é a revelação de que Aécio se tornou um líder completamente diferente do que ele imaginava ser quando gravava vídeos como este exibido acima, de junho de 2013. Ao assistir ao derretimento sem esboçar reação, o PSDB escorre no mesmo melado que engolfa seu presidente licenciado.

Como dizia Aécio quando ainda não era um político multi-investigado, “o Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo isso, se calou ou não fez nada para impedir.” O tucanato não tem como impedir o que está feito. Mas chorar o leite derramado não resolve o problema. Convém punir quem derramou o leite. Do contrário, o eleitor estará autorizado a perguntar aos seus botões: como confiar uma bandeja com um copo de leite, mesmo que metafórico, a um partido que escolhe um farsante para presidi-lo?

Difícil saber a essa altura o que causa mais desgaste ao PSDB: se a manutenção do apoio ao governo de Michel Temer ou o silêncio cúmplice em relação a Aécio. Noutros tempos, o grão-tucano Fernando Henrique Cardoso costumava fazer política recorrendo a Max Weber. Nessa época a análise política exigia raciocínios transcendentes. Era preciso decidir se o pragmatismo do PSDB era melhor do que o puritanismo do PT, se a social-democracia responderia às dúvidas do socialismo, se a ética da responsabilidade era melhor do que a ética da convicção…

Hoje, a lama tornou as coisas mais simples. Karl Marx e Max Weber perderam a serventia. Com o auxílio do PMDB, PT e PSDB eliminaram as supostas diferenças. Igualaram-se em abjeção. Para que Aécio fique 100% igual a José Dirceu falta uma tornozeleira eletrônica e um coro com coragem para entoar o refrão “heroi do povo brasileiro”. A ausência de reação do PSDB demonstra que a legenda ainda tem muito a desaprender com o PT. Quanto mais demorar, maior será o desgaste.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

15 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM FUBÂNICO DE TALENTO

O arquiteto paranaense Roque Sponholz é um profissional cujo talento é do tamanho do seu bigode: imenso.

O chargista Sponholz, brilhante colaborador desta gazeta escrota, sempre foi um ácido crítico das administrações do PT, de Lula, de Dilma e de todos os descerebrados da militância vermêio-istrelada.

Nos últimos dias, depois da tempestade de lama que caiu na cabeça de Aécio Neves, Sponholz tem criado charges que avacalham com o PSDB e com a tucanalhada.

Quem não tem bandido predileto (como tem a militância petêlha), quem repudia a corrupção, quem baixa o cacete em criminosos de qualquer tendência, age desta forma que Sponholz sempre agiu.

E ainda tem gente, com a caixa craniana abarrotada de merda, que chama nosso amigo de “coxinha”.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha a existência de tantas antas neste curral chamado Banânia!!!

Quem quiser dar um excelente passeio, passe na página deste sujeito talentoso clicando aqui. 

Tem de tudo e mais alguma coisa.

Um grande abraço, Spon!

Você é um cabra malassombrado que muito dignifica este ambiente escroto  com a sua presença.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
PAPINHOS COM DUDU: MULHERES MADURAS

– Vovô, vovô.

– Fala, Dudu.

– Acho que estou apaixonado.

– O que é isso, menino? Você faz um mês amanhã! Francamente. Nem de casa sai.

– E daí? O amor acontece.

– Meu Deus! Apaixonado por quem?

– Pela Nathalia?

– Nathalia?

– É, vovô. A netinha da tia Eva e do tio Quincas.

– Mas você nunca a viu?

– Vi, sim.

– Quando?

– Ontem.

– Ontem?

– Foi. Você mostrou a gatinha para a vovó no facebook e falou que era muito querida. Espichei os olhos. Concordo com você, vovô: ela é bem lindinha.

– Mas ela já é quase uma jovem senhora perto de você, pirralho.

– E daí? Quem sai aos seus não degenera.

– É verdade. Mas aonde você quer chegar?

– Sou como você: gosto de mulheres maduras.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

A AFRONTA BOÇAL SOFRIDA POR MÍRIAM LEITÃO É OBRA DE LULA

O chefão da seita aproveita o sermão de missa negra para atiçar os pit bulls que só rosnam quando agrupados em matilhas

Devem ser debitadas no prontuário de Lula as violências sofridas neste 3 de junho pela jornalista Míriam Leitão, que voava de Brasília para o Rio a bordo de um avião infestado de fanáticos que haviam participado do congresso nacional do PT. Dois dias antes, durante o sermão da missa negra que encerrou a reunião, o único deus da seita atiçou as centenas de devotos com ataques ao Grupo Globo em geral e a Míriam em particular. A colunista e comentarista da empresa, segundo o cinco vezes réu da Lava Jato, sempre erra em desfavor da organização criminosa que, disfarçada de entidade política, por pouco não destruiu o país.

Ao toparem com a jornalista no aeroporto da capital, pit bulls que só esbanjam valentia quando agrupados em matilhas começaram a rosnar em coro. A sequência de afrontas ganhou dimensões mais repulsivas a bordo da aeronave da Avianca, cuja tripulação testemunhou passivamente o berreiro covarde sublinhado por gestos obscenos. Míriam suportou com altivez o constrangimento absurdo, relatado em sua coluna no Globo desta terça-feira, 13 de junho. Um trecho do artigo sugeriu a Lula que deixasse de citá-la nominalmente nas discurseiras que invariavelmente incluem incitações à selvageria.

A jornalista poderia ter incorporado à recomendação um fato relevante: neste 11 de junho, oito dias depois do espetáculo da boçalidade encenado acima das nuvens, o chefão recomeçou a ofensiva por terra na festa de posse de Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo rebaixado a presidente do diretório paulista do PT. “Por mais que determinados setores da imprensa tentem vender de manhã, à tarde e à noite que tá tudo maravilhoso, eu sinceramente não sei”, começa o torturador da verdade e do idioma no vídeo abaixo. “Eu se um dia… eu não posso nem falar de candidatura porque o Ministério Público já quer me processar por antecipação de campanha”.

E então a cabeça baldia recoloca na alça de mira a inimiga do Pai dos Pobres que virou Mãe dos Ricos: “Mas eu quero dizer que, se um dia, se Deus quiser e o povo brasileiro assim desejar e eu voltar, eu vou chamar a Míriam Leitão para ser minha ministra da Fazenda, porque eu nunca vi ninguém dar mais palpite errado do que essa mulher”, ironiza o homem fustigado por pesadelos em que aparecem celas, grades e placas com o nome da capital do Paraná. “Eu, sinceramente, não sei como é que a Globo mantém uma pessoa que não acerta uma. Quando a gente tava no governo, a crítica era pela desgraça, agora é tentando achar um jeito de vender alguma coisa que não existe. Então, me parece que eu preciso dar uma chance a essa moça”.

Caso se consumasse o convite, estaria configurada uma ofensa gravíssima à jornalista sem contas a acertar com a Justiça. Em seus dois mandatos presidenciais, o sitiante sem escritura teve apenas dois ministros da Fazenda. Ambos viraram casos de polícia. O primeiro foi Antonio Palocci, codinome Italiano, preso em Curitiba desde setembro passado. O segundo foi Guido Mantega, codinome Pós-Itália, ainda desfrutando da liberdade que perderá a qualquer momento. Como Lula.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

A TATUAGEM E O VOTO

Para muitos, maior jurista do século XX foi o austríaco Hans Kelsen. Principal nome da Escola Normativista. Por sua Teoria Pura do Direito (Reine Rechtslehre) – que abstraiu, do conceito do Direito, a ideia de Justiça. Perseguido por Hitler, dado ser judeu, perdeu suas cátedras. Fugiu da Alemanha com a colaboração de nazistas que o admiravam. E acabou professor na Universidade da Califórnia. Em Berkeley. Onde morreu (1973). Sua posição a favor do julgamento de Nuremberg rendeu-lhe numerosos detratores. E a defesa daquele voto o acompanhou, como um fantasma, por toda a vida. Talvez aconteça o mesmo com os quatro votos de sexta feira, no TSE.

Mas, para muita gente mais, jurista maior terá sido o italiano Francesco Carnelutti. Fundador da União dos Juristas Católicos. E principal inspirador do Código Civil italiano de 1940. Algumas frases suas, sobre julgamentos, evocam também os quatro votos de sexta. Cito apenas: 1. A lei é igual para todos. Também a chuva molha todos, mas quem tem guarda-chuva abriga-se. 2. As pessoas creem que o processo penal termina com a condenação, o que não é verdade. As pessoas pensam que a pena termina com a saída do cárcere, o que tampouco é verdade. Nove em cada dez vezes a pena jamais termina. Quem pecou está perdido. Cristo perdoa, os homens não. Inclusive quem viu aquele julgamento pela TV.

Lembro Carnelutti porque, dez anos antes de morrer (em Milão, 1965), escreveu artigo monumental para a Rivista Trimestrale di Diritto e Procedura Civile – La Crise del Diritto. Em que sustentava fosse, ideal do Direito, não só Justiça. Também Segurança e Paz. E foi inspirado nesses dois ideais que, no julgamento do TSE, quatro ministros abandonaram as provas abundantíssimas do processo. Por considerar que seria muito ruim, para o país, perder outro presidente. Sobretudo quando já vamos ter, no começo do próximo ano, eleições diretas. Em palavras do ministro Gilmar Mendes, A cassação lançaria o país em quadro de incógnita. Respeito quem pense assim. Entendo as razões por trás dos votos. Problema, para esses que votaram, foi a fartura de provas sobre tanta corrupção. E é duro fazer de conta que nada disso existiu.

Em certa passagem, o ministro Admar Gonzaga dirigiu-se ao relator, ministro Herman Benjamim, e disse: O senhor não vai me constranger. Resposta: O que vai constranger os senhores serão seus votos. No plural. Palavras que valem para todos os que votaram pela absolvição. Imagino, ao dormir, como se lembrarão dos votos que deram. E das rezas, que devem ter rezado, para que todos se esqueçam do que fizeram. É o preço, meus senhores. Tudo tem seu preço.

Também nesta sexta, um jovem de 17 anos foi detido por populares ao furtar uma bicicleta. Era usuário de drogas. E se defendeu com palavras que bem poderiam ser utilizadas por quase toda nossa elite política: Nem sabia o que estava fazendo. Seja como for, tatuaram na sua testa, para que assim ficasse ao longo da vida, Eu sou ladrão e vacilão.

Para sua sorte, a prefeitura de São Bernardo do Campo já providenciou operação médica para corrigir isso. Bem visto essa tatuagem, para o criminoso, foi um mal menor que aqueles quatro votos, para os eminentes ministros. Porque tatuagens podem ser apagadas. E votos ninguém esquece.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE

15 junho 2017 DEU NO JORNAL

A FELICIDADE DA IDIOTICE

* * *

O Ministro Fachin, que foi nomeado para o Supremo pela ex-prisid-Anta Vaca Peidona, a partir de hoje vai ser considerado pelos cuzinhos vermêios como sendo um coxinha azul.

Um reacionário golpista da direita.

Nascer sem cérebro tem esta ventagem: o idiota vive feliz com as bostas que carrega na caixa craniana e não tem consciência de nada ao seu redor.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (GO)

TEMER FUGINDO DA CADEIA

15 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

15 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UMA CARTA PARA GILMAR

Uma homenagem da Editoria do JBF ao Ministro Gilmar Boca-de-Buceta Mendes.

(Homenagem extensiva a uns 13 idiotas descerebrados que conheço…)

Fala, Marcela!!!

15 junho 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE


http://www.musicariabrasil.blogspot.com
GUTO GOFFI E UM BANDO PRA LÁ DE MUSICAL

Baterista do Barão Vermelho apresenta álbum que traz inédita de Plínio Araújo, baterista e um dos fundadores da Orquestra Tabajara

Surgido nos Estados Unidos no final dos anos de 1940, mas consolidado mundialmente a partir dos anos de 1950, o Rock é um dos gêneros que melhor representa gerações desde o seu surgimento, pois acabou tornando-se um gênero universal por transcender o contexto musical. Inovador, o estilo propagou-se, a partir da influência americana, nos quatro cantos do planeta , onde distintos produtos da indústria cultural daquele país foi incutindo na cabeça de muitos o novo ritmo. Essa influência se deu para além da indústria fonográfica (em particular a partir do cinema). Filmes que retratavam a juventude da época como Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955), do diretor Nicholas Ray, Sementes da Violência (Blackboard jungle, 1955), O Selvagem (The wild one, 1953) e No Balanço das Horas (Rock Around the Clock, 1956), influenciaram toda uma geração ao redor do planeta, pois retratavam a juventude da época, que gostava de música mais barulhenta do que a que seus pais ouviam, tinham seus conflitos, suas dúvidas com relação ao mundo e precisavam de auto-afirmação que acabou refletindo-se, dentre outras coisas, no vestir (calça jeans, camiseta branca, jaqueta de couro).

Nessa época há relatos que onde o filme era exibido , os jovens pulavam nas poltronas, berravam adoidado, rasgavam cortinas, ousando inclusive levantar as saias das garotas tudo devido ao “ritmo selvagem”. Dessa época, as figuras emblemáticas que merecem destaque na sétima arte são Marlon Brando e James Dean. Já na música, nomes como Bill Haley and His Comets e The Platters, que lançaram, respectivamente, músicas como Rock Around the Clock (considerado o marco inicial do rock and roll) e Only You. No Brasil, tal “epidemia” não foi diferente. Jornais como a Folha da Noite de 2/10/56 chegou a publicar: “Mas é essa musica que, dançada pelos interpretes do filme, causa conflitos no seio de jovens mal formados pela educação modernizada, dando assunto aos estudiosos de problemas psicológicos“.

Tempos depois, também impactados pelo gênero após assistirem a um show da banda Queen em São Paulo, os jovens Flávio Augusto e Maurício Carvalho cogitaram a possibilidade de criar uma banda de rock. Com Guto na bateria e Maurício no teclado estava formado o embrião de daquela que viria a ser uma das maiores e mais populares bandas do gênero no Brasil: Barão Vermelho. Batizada pela dupla em homenagem aviador alemão Manfred von Richthofen, principal inimigo dos Aliados na Primeira Guerra, a dupla logo viria a se unir a Dé (André Palmeira Cunha), baixo, e Frejat (Roberto Frejat), guitarra. Sem vocalista, a banda a princípio teve como cantor o jovem Léo Guanabara (que viria a ser conhecido como Léo Jaime) que, devido ao timbre da voz, acabou não sendo aprovado pela banda, oportunizando Cazuza (Agenor de Miranda Araújo Neto) a assumir o posto vago por indicação do próprio Léo Jaime.

Com essa formação o Barão Vermelho ganhou projeção nacional já no primeiro álbum a partir de canções como “Todo amor que houver nessa vida” e “Down em mim“. Em seguida, vieram diversos hits, dentre eles canções como “Bete Balanço” (trilha sonora do filme homônimo), “Pro dia nascer feliz“, “Maior abandonado“, “Puro Êxtase“, “Por você” entre outras. Ao longo desses anos de formação, a banda teve relativas pausas para que seus integrantes dessem vazão a projetos pessoais. No primeiro momento, em 2012, Guto Goffi lançou “Alimentar“; Agora apresenta o seu segundo álbum solo, gravado por dois anos no estúdio Cabeça de Lâmpada e cujo título “Bem”, facilmente nos remete aquilo que a música proporciona a partir de uma gama de ritmos existentes nas mais distintas regiões do nosso país assim como outras influências que permeiam o universo musical do grupo.

Com nove faixas da lavra de Guto Goffi (ora solo, ora em parceria com nomes como Claudio Perpetuo e Raul de Barros Jr.), o disco abre com “Tudo de bem“, canção de cunho reflexivo. Melodicamente interessante a canção flerta com sonoridades distintas, fato que acaba deixando claro já na primeira faixa aquilo ao que se propõe o disco: expressar o amor pela música sem render-se a fronteiras ou gêneros. Essa proposta está bem audível nas faixas seguintes a exemplo de “Bom que seja assim” e “Maracatu de Caxangá” (única faixa do disco que não leva a assinatura de Guto; foi composta por Plínio Araújo, baterista e um dos fundadores da Orquestra Tabajara e que faleceu em 2015). Ambas flertam com o universo musical nordestino a partir de instrumentos típicos da região como a rabeca e ritmos como o maracatu (que faz-se presente também na faixa “Grão da Vida“). O disco conta ainda com”Baobá“, que que nos remete a uma viagem sonora que nos remete da sonoridade paraense ao legado deixado por Reginaldo Rossi. Homenagem são duas: “Porque os sinos tocam” (homenagem ao filho André) e “Lei de Neide” (homenagem à irmã); e para fechar o disco vem “Estrela Solitária“, “Flores Raras” e “Renascida“.

Acompanhado por Markus Britto (baixo e vocal), Elir “Hombre” Filho (responsável pela guitarra), Bruno Mendes (vocais) e César Brunet (percussão); Guto Goffi se dá ao direito de reinventar-se e renovar os seus votos de amor à sua arte ao reunir-se com este bando. Mesmo com o seu nome indelevelmente marcado na história da música popular brasileira como músico, cantor, compositor e integrante de uma das mais emblemáticas bandas nacionais, Goffi mostra que ainda há muito o que apresentar ao seu público. E sem deixar-se acomodar, registra a rica tradição percussiva brasileira em “Bem“, um disco que facilmente pode ser considerado parâmetro para a música contemporânea se levarmos em consideração seus flertes com os mais distintos gêneros presentes ao longo das faixas existentes.

Tal qual alquimista, o band leader injeta um gênero aqui, põe uma dosagem maior de outro ali e assim vai formulando a sua identidade para além do grupo onde estamos habituado a vê-lo. Quem acredita ver a pulsante bateria do músico a favor do gênero que o consagrou, irá frustar-se; mas em compensação irá ganhar a certeza que as delimitações (fronteiras criadas apenas pela nossa mente como bem diz o provérbio chinês) não é um termo que faz parte do seu vocabulário. Muito pelo contrário, pelo o que se vê dar-se a entender que a sua arte enxerga o com os olhos de uma criança que almeja um promissor futuro pela frente. E quando renova-se a esperança a partir de uma conjuntura dessa não há substantivo mais adequado do que este que batiza o álbum: Bem.

Para audição dos amigos leitores a faixa “Tudo de bem“, de autoria do próprio Guto como já dito:

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15 junho 2017 FULEIRAGEM

ZÉ DASSILVA – DIÁRIO CATARINENSE

A EXPLOSÃO DA REPÚBLICA

Tantas palavras já ditas,
tantas frases já formadas,
que ao escrever pressinto
não estar dizendo nada

que não tenha vindo à tona
para informar o leitor:
Chico Pinheiro detona:
foi muito constrangedor

ver Gilmar Mendes imponente,
Gonzaga e Napoleão
em defesa ao presidente
no voto da cassação.

Já Reinaldo Azevedo
não pensa tão bem assim:
defende Gilmar (cruz-credo!)
e detona Benjamim.

Temer, exultante, festeja
o sabor dessa vitória:
brinda com uísque e cerveja
com a turma de sua escória.

O presidente-ladrão
pensa defender Aécio
(não cheguei à conclusão
de qual dos dois é mais néscio.)

Temer livre, leve e solto
vai nos causar mais insônia:
seu governo dissoluto
mira parte da Amazônia,

maior reserva do mundo
em flora, fauna e ouro
ele vai cada vez mais fundo
pra negociar o tesouro.

Enquanto isso, a lei:
Janot tem carta na manga
de gravação de Joesley
com Temer e seu capanga.

FHC pede a Globo
que blinde Temer, e encerra:
quanto a Lula, não sou bobo,
acione a Sala de Guerra,

use um plano articulado,
e ordena tiro ao alvo:
com o povão feito gado
nossos bilhões ficam a salvo.

O juiz entra na Vara,
bem na hora, sem atraso.
Delator defende o Cara,
Moro: “Sei… não vem ao caso…”

Emílio, em depoimento,
diz que é mentira, é veneno,
e nega envolvimento
do PT com o terreno.

O sítio pertence ao ex-
presidente, e o apê também
ele é o dono do triplex,
afirma o juiz ‘bis in idem’.

A direita vibra e pula,
vou explicar nessas trovas:
o juiz vai prender Lula,
na cara de pau, sem provas.

Todo esse circo armado
Não suporta tanto rato;
o povo fica de lado
e acaba pagando o pato.

É isso. Já enjoei
de falar sobre política:
a bandidagem é a lei,
é a explosão da República.


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