15 junho 2017 DEU NO JORNAL

O LONGO VOO 6237

Demétrio Magnoli

‘Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo.”

No voo Avianca 6237, durante duas horas, Míriam Leitão tornou-se alvo da hostilidade organizada de grupo – no caso, de delegados do Congresso Nacional do PT. A aeronave converteu-se, assim, em mais um registro numa história secular.

O “ato de repúdio” – esse é o nome da coisa – não deve ser confundido com eventos randômicos de agressão politicamente motivada. É um mecanismo de ação política consagrado por regimes e partidos que exercitam, ou almejam, um poder absoluto.

Na Rússia Soviética dos anos 20 do século passado, o “ato de repúdio” acompanhou, como uma sombra, os passos de Trotsky, Zinoviev e outros bolcheviques da velha geração que articulavam movimentos de oposição a Stalin.

Desde 1992, a Rússia restaurou a antiga bandeira czarista e a aliança entre o Kremlin e a Igreja Ortodoxa que sustentava os imperadores e hoje sustenta Vladimir Putin – mas não esqueceu o “ato de repúdio”.

Alexei Navalny, líder de manifestações contra a corrupção governista, é ritualmente recebido nas estações de trem do interior por chusmas de militantes ultranacionalistas que, sob orientações de cima, lançam-lhe ovos e tomates.

O “ato de repúdio” sempre obedece a um gesto de comando do alto, mas nunca tem chancela oficial explícita, disfarçando-se de manifestação espontânea. Contudo, a simulação é deliberadamente farsesca.

Putin confraterniza com os chefes das gangues “patrióticas” que atacam Navalny, como fazia Stalin com os militantes comunistas encarregados de repudiar seus desafiantes. Ambos, porém, negam ligação direta com os episódios de baderna.

A ambiguidade proposital alcança um duplo objetivo: de um lado, preserva a imagem das autoridades ou dirigentes políticos que os instigam; de outro, veicula a eficaz mensagem de que a agressão parte de um temível aparato de poder.

O nazismo e os fascismos europeus conduziram, por meio de milícias semioficiais, incontáveis “atos de repúdio”, que se completavam com espancamentos ou a destruição de jornais, lojas ou residências.

Na China da Revolução Cultural, o ritual adquiriu feições de tortura de “inimigos do povo” em praça pública.

A ideia básica do “ato de repúdio” não é intimidar a vítima circunstancial, embora isso também eventualmente aconteça, mas propagar uma onda de medo: “você pode ser o próximo”. A finalidade é silenciar, genericamente, o adversário (real ou imaginário).

Seu emprego, na democracia, destina- se a suspender a crença de que a divergência faz parte do jogo político normal.

No voo 6237, a milícia de delegados petistas erguia uma paliçada em torno de seu partido, delimitando uma fronteira para a crítica.

A blogueira dissidente cubana Yoani Sánchez foi alvo de “atos de repúdio” em Feira de Santana, em 2013. Os bandos de militantes do PT e do PCdoB, narrou Yoani, “seguravam o mesmo documento, contendo um feixe de mentiras a meu respeito” e “repetiam um roteiro vulgar” de slogans gritados em coro “que mesmo em Cuba não mais são ditos”.

Não se deve equiparar a agressão verbal de indivíduos malcriados, como os que hostilizaram Guido Mantega, no saguão de um hospital, ou Chico Buarque, numa calçada, com o “ato de repúdio”. Os primeiros agem sós, no calor da hora, sob o impulso de seus desvios de caráter. O segundo é uma operação planejada, codificada e de natureza coletiva.

Os agressores de Míriam Leitão encontraram- na fortuitamente no voo 6237, mas agiram guiados por uma tradição política contra um alvo nomeado pelo próprio Lula em diversas ocasiões.

Cuba isto é, o castrismo – está na raiz da prática petista do “ato de repúdio”. Yoani tinha 5 anos, em 1980, durante a crise dos emigrados de Mariel, quando viu, casualmente, pela primeira vez, um “ato de repúdio” no qual “as pessoas berravam e cerravam os punhos à frente da porta de um vizinho”. Depois, ao longo do tempo, como transeunte, vítima ou jornalista, observou dezenas de outros.

Nas suas manifestações silenciosas, as Damas de Branco, parentes de presos políticos na Ilha, são invariavelmente circundadas por hordas de funcionários comunistas convocados para “atos de repúdio”.

A baderna de Feira de Santana foi articulada a partir de uma reunião na embaixada cubana, em Brasília, da qual participaram assessores parlamentares.

O “ato de repúdio” é uma encenação teatral. Os milicianos – funcionários ou militantes – representam o papel do “povo”. À vítima, cabe o papel involuntário de “inimigo do povo”.

A antropologia possui os instrumentos para decifrar os significados simbólicos embutidos na performance, enquanto a psicologia talvez seja capaz de esclarecer as recompensas emocionais obtidas pela horda de “repudiadores”. Mas, no plano político, o espetáculo do “ato de repúdio” ancora-se no lodo do totalitarismo.

Que ninguém se engane: o voo Avianca 6237 decolou cem anos atrás.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (GO)

15 junho 2017 HORA DA POESIA

CENSURADO – Glauco Mattoso

Sabendo que a censura não me trava,
pediram-me um soneto sem calão
pra pôr na antologia de salão
que o tal do [censurado] organizava.

Queriam até tônica na oitava,
mas nada de recurso ao palavrão.
Usei o ingrediente mais à mão,
porém sem [censurado] não passava.

Desisto. Quanto mais remendos meto,
mais roto vai ficando o [censurado].
Poema não é texto de panfleto

pra ter que se estampar todo truncado!
Pois esta [censurado] de soneto
que vá pra [censurado] [censurado]!

15 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

BONS COMPANHEIROS

Depois de ser derrotado na disputa pela presidência do PT, Lindbergh dá aulas de economia

“Lula diz sempre que é colocando dinheiro na mão do pobre que a economia cresce. E foi isso que Lula fez”.

Lindbergh Farias, senador do PT fluminense conhecido na Odebrecht pelos codinomes Lindinho, Feio e Primo, explicando que a economia cresceu durante o governo Lula porque o penta-réu da Lava Jato colocou dinheiro na mão dos empreiteiros pobres, dos banqueiros miseráveis e de Altos Companheiros que viviam na rua da amargura antes de aprenderem com o chefe como ganhar dinheiro exercendo o ofício de larápio.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

MEUS PECADOS PREDILETOS

A letra é minha e a música é do meu filho Vítor Quirino.

Com a participação especial do cumpade Xangai.

Está no livro Berro Novo, Editora Bagaço.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

xangai1

15 junho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)


QUERER

Quero-te muito! E, por querer-te tanto,
eu não te esqueço um momento sequer.
Teu nome é música pra mim, é canto.
Como eu te quero, ninguém mais te quer!

Às vezes choro copioso pranto,
imaginando uma razão qualquer
que nos impeça mútuo amor. No entanto,
não vou deixar de te querer, mulher!…

Tu és manhã que vem raiando agora!
Eu sou a tarde que se descolora…
Entre nós dois uma distância existe.

Porém distância é para ser vencida…
E como há para tudo uma saída,
meu coração de amar-te não desiste.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

15 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

A FRASE DA SEMANA

Esta frase eu tirei da coluna de Josias Souza, publicada hoje no JBF.

É pra reflexão do público fubânico nesta quinta-feira, que amanheceu chuvosa que só a porra aqui no Recife.

Vejam:

“Para que Aécio fique 100% igual a José Dirceu falta uma tornozeleira eletrônica e um coro com coragem para entoar o refrão “herói do povo brasileiro”. A ausência de reação do PSDB demonstra que a legenda ainda tem muito a desaprender com o PT.”

* * *

Dois heróis do povo brasileiro. Melhor dizendo, dois heróis daquela parte idiota do povo brasileiro

15 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

QUADRILHA É BOM

quadrilha

Aqui na Nação Nordestina já estamos em meio aos festejos juninos. Aliás, desde que começou este mês de junho.

Apesar do título, “Quadrilha é Bom“, esta música nada tem a ver com o Brasil contemporâneo. Nada a ver com Mensalão, Petrolão, JBS ou cachês pagos por empreiteiras a figurões da república.

Trata-se apenas de uma celebração junina, gravada em 1957.

Composição do imortal Zé Dantas na voz de Marinês. 

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

15 junho 2017 JOSIAS DE SOUZA

PSDB AINDA TEM MUITO A DESAPRENDER COM O PT

O que mais assusta na marcha de Aécio Neves rumo à sarjeta não é a sensação de que ele se converteu num político igual aos demais. Espantosa mesmo é a revelação de que Aécio se tornou um líder completamente diferente do que ele imaginava ser quando gravava vídeos como este exibido acima, de junho de 2013. Ao assistir ao derretimento sem esboçar reação, o PSDB escorre no mesmo melado que engolfa seu presidente licenciado.

Como dizia Aécio quando ainda não era um político multi-investigado, “o Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo isso, se calou ou não fez nada para impedir.” O tucanato não tem como impedir o que está feito. Mas chorar o leite derramado não resolve o problema. Convém punir quem derramou o leite. Do contrário, o eleitor estará autorizado a perguntar aos seus botões: como confiar uma bandeja com um copo de leite, mesmo que metafórico, a um partido que escolhe um farsante para presidi-lo?

Difícil saber a essa altura o que causa mais desgaste ao PSDB: se a manutenção do apoio ao governo de Michel Temer ou o silêncio cúmplice em relação a Aécio. Noutros tempos, o grão-tucano Fernando Henrique Cardoso costumava fazer política recorrendo a Max Weber. Nessa época a análise política exigia raciocínios transcendentes. Era preciso decidir se o pragmatismo do PSDB era melhor do que o puritanismo do PT, se a social-democracia responderia às dúvidas do socialismo, se a ética da responsabilidade era melhor do que a ética da convicção…

Hoje, a lama tornou as coisas mais simples. Karl Marx e Max Weber perderam a serventia. Com o auxílio do PMDB, PT e PSDB eliminaram as supostas diferenças. Igualaram-se em abjeção. Para que Aécio fique 100% igual a José Dirceu falta uma tornozeleira eletrônica e um coro com coragem para entoar o refrão “heroi do povo brasileiro”. A ausência de reação do PSDB demonstra que a legenda ainda tem muito a desaprender com o PT. Quanto mais demorar, maior será o desgaste.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

15 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM FUBÂNICO DE TALENTO

O arquiteto paranaense Roque Sponholz é um profissional cujo talento é do tamanho do seu bigode: imenso.

O chargista Sponholz, brilhante colaborador desta gazeta escrota, sempre foi um ácido crítico das administrações do PT, de Lula, de Dilma e de todos os descerebrados da militância vermêio-istrelada.

Nos últimos dias, depois da tempestade de lama que caiu na cabeça de Aécio Neves, Sponholz tem criado charges que avacalham com o PSDB e com a tucanalhada.

Quem não tem bandido predileto (como tem a militância petêlha), quem repudia a corrupção, quem baixa o cacete em criminosos de qualquer tendência, age desta forma que Sponholz sempre agiu.

E ainda tem gente, com a caixa craniana abarrotada de merda, que chama nosso amigo de “coxinha”.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha a existência de tantas antas neste curral chamado Banânia!!!

Quem quiser dar um excelente passeio, passe na página deste sujeito talentoso clicando aqui. 

Tem de tudo e mais alguma coisa.

Um grande abraço, Spon!

Você é um cabra malassombrado que muito dignifica este ambiente escroto  com a sua presença.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
PAPINHOS COM DUDU: MULHERES MADURAS

– Vovô, vovô.

– Fala, Dudu.

– Acho que estou apaixonado.

– O que é isso, menino? Você faz um mês amanhã! Francamente. Nem de casa sai.

– E daí? O amor acontece.

– Meu Deus! Apaixonado por quem?

– Pela Nathalia?

– Nathalia?

– É, vovô. A netinha da tia Eva e do tio Quincas.

– Mas você nunca a viu?

– Vi, sim.

– Quando?

– Ontem.

– Ontem?

– Foi. Você mostrou a gatinha para a vovó no facebook e falou que era muito querida. Espichei os olhos. Concordo com você, vovô: ela é bem lindinha.

– Mas ela já é quase uma jovem senhora perto de você, pirralho.

– E daí? Quem sai aos seus não degenera.

– É verdade. Mas aonde você quer chegar?

– Sou como você: gosto de mulheres maduras.

15 junho 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa