18 junho 2017 DEU NO JORNAL

MÍRIAM LEITÃO E A COVARDIA DA GANGUE

Ruth de Aquino

Os ataques verbais de petistas uniformizados à jornalista Míriam Leitão não são um episódio isolado que se pode varrer para debaixo do carpete do avião ou para o porão da consciência nacional. Os xingamentos e deboches dirigidos a Míriam no voo da Avianca, de Brasília ao Rio de Janeiro, são mais um sintoma da enfermidade que viraliza no Brasil, a intolerância burra e preconceituosa. Virtual e real.

Os militantes voltavam ao Rio após um congresso do PT. Agiram como arruaceiros covardes. Foi uma bravata encorajada pelo grupo. Estavam protegidos pela superioridade numérica e pela leniência da companhia aérea e do piloto, que nem pediu silêncio pelo alto-falante. Não me venham falar de esquerda ou direita. Foi falta de educação e de civilidade. Pegou mal para o PT, que pediu desculpas em nota.

Míriam voltava de uma entrevista em Brasília para a GloboNews em que pressionou duramente o ministro da Justiça, Torquato Jardim, a responder sobre o encontro clandestino entre o presidente Temer e o dono da JBS, Joesley Batista. Ela foi coagida a escutar, da sala de embarque até a aterrissagem, coisas assim: “Terrorista.” “Tem golpista a bordo.” “Essa aí é agente da CIA.” “Shh, shh, é a Míriam Leitão.” Gargalhadas. Alguns empurravam sua cadeira ao passar pelo corredor. Erguiam o celular.

Uma tripulante a convocou a mudar de assento. Míriam respondeu: “Diga ao comandante que eu comprei a 15C e é aqui que eu vou ficar”. Os hooligans tentavam provocar uma reação intempestiva. Um deles se levantou da cadeira, virou as costas para Míriam e soltou um p… “Gases acontecem”, falou, rindo. Uma vulgaridade que Míriam não teve coragem de relatar em sua coluna no jornal O Globo, intitulada “Ódio a bordo”. A gangue só divulgou um clipe de 20 segundos em que o grupo gritava palavras de ordem contra a TV Globo. Não aparecia o rosto de ninguém.

Telefonei para Míriam após a repercussão mista de solidariedade e ódio nas redes sociais. Alguns petistas davam outra versão, tentando desacreditá-la – assim como se desqualifica uma vítima de estupro ou de abuso. Diziam que ela “precisa arcar com o ônus” de sua opinião e “não tem imunidade por ter lutado contra a ditadura”. Quanta besteira. Primeiro, opinião só é crime em ditaduras. Segundo, o ônus de se expressar numa democracia é aguentar a discordância, não o linchamento moral. Míriam não deseja imunidade. E sim o direito ao debate e à argumentação, como qualquer cidadã que exerce seu ofício honestamente.

“Acabo de visitar o baú de minhas dores guardadas [com o livro do filho Matheus Leitão Netto, Em nome dos pais]”, diz Míriam. “Aí, entro num lugar fechado, 45 anos depois, e esse grupo me faz lembrar nitidamente da cena em que militares jogavam os cachorros em cima de mim me chamando de terrorista. Quando saí do aeroporto, a vontade era correr para casa. Eles não eram jovens radicais, entusiasmados, idealistas. Eram profissionais do PT, alguns viajando juntos desde o congresso do Recife em 2001. Sou golpista porque mostrava, com números e fatos, como Dilma dobrou o número de desempregados de 6 milhões para 12 milhões? Faço terrorismo econômico porque já em 2010 eu criticava a manipulação de índices fiscais e previa a crise e a recessão que hoje aprisionam e entristecem o país?”

Esses agressores provavelmente nem leem o que Míriam escreve. Mas ouvem Lula gritar, em comício em São Paulo, que “essa Míriam Leitão não acerta uma”, “só dá palpite errado”, e que, se ele for reeleito presidente, vai nomeá-la para o Ministério da Fazenda para “dar uma chance a essa moça”. Lula esquece – ou nunca leu – que Míriam já elogiou o Bolsa Família, as cotas para negros, a política econômica e ambiental do primeiro mandato lulista. Lula precisa parar de insuflar a militância para a guerra. Ao citar nomes de jornalistas em tom jocoso, Lula faz o mesmo que Donald Trump nos Estados Unidos. A guerra à mídia e à imprensa é típica de populistas. Vemos o que Nicolás Maduro faz na Venezuela. Ou o que fazia Cristina Kirchner, na Argentina, ao incitar ataques ao grupo Clarín. Ou, pior, o presidente turco Erdogan, que já condena jornalistas à prisão perpétua. Em Cuba, os Castros nunca admitiram dissensões e só existe um jornal, do Partido. Lembram como a blogueira cubana Yoani Sánchez foi hostilizada ao vir ao Brasil em 2013?

A intolerância se alimenta do ódio ao diferente, ao que não pensa igual, não se veste igual, não se comporta igual. Pode levar à perda das liberdades e até mesmo da vida, quando a turba justiceira amarra um pretenso ladrão a um poste ou tatua um adolescente na testa por furto. Quando um grupo se arvora o direito de constranger, assediar e linchar, moral ou fisicamente, uma pessoa – e na maioria das vezes essa pessoa é mulher ou negra ou homossexual ou pobre –, perde-se a dignidade humana. Perde-se toda e qualquer razão.

Visivelmente descontrolados petistas atacam manifestantes Pró-Petrobras em ato no Rio, dezembro de 2015

18 junho 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

18 junho 2017 HORA DA POESIA

CONTRIÇÃO – Chico Jó

Com migalhas de amor me satisfaço,
De nada, ou pouco menos, me sustento:
Vejo-te – e já venci todo o cansaço,
Sorris – e já esqueci todo tormento.

Na mesa farta em que te serves, passo
Por bem do que me dás, a teu contento:
Se me deixares o menor pedaço,
Será esse meu único alimento.

Não exijo, não peço, não suplico:
Espero – e se tu ficas, também fico,
E se foges de mim, eu te procuro.

Da luz que há nos teus olhos me cobriste:
Uma réstia de sol num dia triste,
Um raio de luar no céu escuro.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)


SAUDADE DE TER FÉRIAS

Antigo despertador – tá na hora de levantar e ir pra escola

Hoje, domingo, dia 18 de junho. Faltam apenas 12 dias para terminar o mês. Desses 12 dias, quatro não são considerados úteis – dois domingos (18 e 25), um sábado (24) e um feriado santificado em alguns estados: 29, dia dedicado à São Pedro.

Lembro que, se eu ainda estivesse na escola, no curso primário, teria mais 9 dias de aulas – mas a última semana, de 26 a 30 tínhamos apenas as provas. Provas do meio do ano. Antes de entrarmos de férias.

No dia primeiro de julho, pernas pra que te quero – a caminho do interior, da vida pacata, do ouvir o galo cantar na madrugada e do viver em silêncio quase profundo a ponto de se poder escutar o bater de asas dos pássaros.

E aí transfiro um pouco de inveja da vida de Joãozinho Berto, que vai ficar um pouco aliviado do cântico dos pardais no parapeito da janela do quarto onde forme e viajar para Palmares, onde certamente dormirá a tarde toda balançando numa rede armada no alpendre. Vida de quem pode. Noutra rede também armada, Luiz Berto balança, coçando frieira entre os dedos na beirada da rede enquanto peida mais que jumenta carregando peso.

Além da cama o colchão também era de molas

Na minha infância o quarto ficava quase sempre nos fundos da casa e tinha uma janela. Minha santa mãe colocava a minha cama ao lado da janela. Isso tinha um objetivo: evitar que os irmãos mais velhos que tinham o hábito de chegar tarde, pulassem a janela para entrar em casa. Ela tinha que saber a hora que cada um chegava. Anos depois, eu mesmo era quem pulava a janela. Coisas de jovens – diferentes dos jovens de hoje.

Mas, a lembrança bate de volta e nos faz sentir saudades da cama com “estrado” de molas. O colchão também de molas, garantia um sono mais que tranquilo e reparador – mas, quando o despertador tocava, não adiantava fazer que estava dormindo. Tinha que levantar com toalha, saboneteira com sabonete e escola com creme dental. Melhor que isso: o café com pão passado manteiga ou cuscuz de milho estavam pronto e servidos à mesa. Coisas das mães de antigamente.

O jornaleiro não vendia – só entregava e o patrão recebia depois

Por vários anos era assim no bairro onde cresci e morei: meu pai recebia jornal diariamente. Três jornais: Correio do Ceará, Unitário e O Povo. Não tinha assinatura formal, mas pagava religiosamente dois jornais a cada final de mês: o Correio do Ceará e O Povo. O Unitário, da mesma empresa (Diários Associados) que editava também o Correio, fazia uma cortesia como se assinatura também fosse. Mas, a foto do garoto jornaleiro não é da minha cidade nem do meu bairro.

Meu pai não saía de casa para o trabalho (Fiscal Fazendário – nos últimos anos de vida, depois de ter sido Professor por anos à fio) sem ler os três jornais. Fazia alguns recortes de algo que lhe interessava e guardava em coleção. Nunca conseguimos descobrir do que se tratava. Colecionava também a revista semanal O Cruzeiro, e dela recortava a charge do Amigo da Onça do fenomenal Péricles.

Coisas dos tempos que, com certeza, não voltarão jamais.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

EDITOR TOMA NO OLHO DA GOIABA E É MANDADO SE LASCAR

Comentário sobre a postagem UMA LINDA COMPOSIÇÃO PARA A MILITÂNCIA DESCEREBRADA DA DIREITA

Aroeira:

“Não dá nem pra mandar tomar no olho da goiaba quem posta uma merda dessas, pois se tratando de esquerdista com certeza vai aceitar e até gostar…

Então vou no tradicional VÃO SE LASCAR CAMBADA DE FDP…

BOLSONARO 2018 E FIM DE PAPO”

* * *

18 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA (MG)

SÃO JOÃO DORMINHOCO

 

Um forró junino da autoria de Antônio Barros e interpretado pelo Trio Nordestino. 

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18 junho 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

18 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM DOMINGO PRA GENTE SE RIR-SE COM ABUNDANTES DADOS

Comentário postado ontem no JBF pelo fubânico petista Teimoso Renitente:

O governo do Lula possibilitou uma enorme melhoria das condições de vida do povo – fato que quem viveu a época não pode contestar sem esbarrar nos abundantes dados disponíveis.

Sem qualquer sombra de dúvidas, somos uma gazeta escrota e hilária.

Esbarramos em abundantes besteiras a cada parágrafo.

Vamos rir.

Nós e os 14 milhões de desempregados que o governo de Temer (e não o do PT) botou na rua.

Na verdade, segundo Lula são 600 milhões de desempregados!!!!!!!!!!!!!!

Um dado citado publicamente, numa audiência judicial, por um ex-prisidente de Banânia, que é tão bom de números, estatísticas e dados quanto os que votam nele.

Não custa nada repetir: dado cagado oralmente por um ex-prisidente (por duas vezes!!!!) deste paiszinho safado.

Como diz meu querido amigo palmarense Tonho Malamanhado, cada eleitorado elege o prisidente que merece.


18 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

A MORTE SEVERINA…

Esse camarada nasceu e foi criado numa terra de pouca chuva e pouca água nos Cariris Velhos na Paraíba, pobre, analfabeto e “doido” não lhe restou outra opção que não fosse um “galão” que logo e muito cedo empunhou pra ganhar a vida abastecendo a pequena vila da Prata.

Lá pelo começo dos anos sessenta a vila virou cidade e ele continuou com seu galão sobre os ombros vendendo a pouca água que o também pequeno açude represava, labuta que muitas vezes entrava pela noite escura percorrendo a passos curtos um caminho que só ele conhecia e enxergava .

Era comum encontrar a sua pequena e esquelética figura se movendo entre o território das águas e o dos potes, num gingado que lembrava o dos jangadeiros, pra tornar mais leves aquelas duas latas de querosene, presas por correntes de arame a uma vara curva que chamavam de “pau de galão”.

Tempos depois, a cidade cresceu, veio a água encanada e o seu trabalho  perdeu  a razão de ser.

Aí ele parou e foi correr e jogar pedras que nunca acertavam o alvo que eram os moleques que mexiam e zombavam dele.

Alegre divertido e “sem perder a ternura jamais” foi-se embora num caminho sem volta o nosso Severino Doido.

Deixando um vazio em quem desde menino com ele conviveu.

Seu galão, com latas enferrujadas, permanece pendurado em alguma parede da nossa feliz infância naquele lugar.

Que a Mãe Natureza lhe reserve um lugar com águas cristalinas e flores coloridas e perfumadas.

Assim como foi a sua humilde e terna alma…

18 junho 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

CARLOS EDUARDO CARVALHO DOS SANTOS – OLINDA-PE

ESTOU ME TORNANDO UM CLÁSSICO

Com algumas pregas na “fachada”, é bem verdade, mas estou acompanhando a modernidade. Fiz até um self pros amigos. Prova que estou ficando mesmo um Clássico, agora que completo 81 anos.

Hoje estou muito feliz e desejo compartilhar este evento com alguns amigos que ainda estão comigo no palco da vida, representando a peça: “Construção da Imortalidade”, e os novos personagens que estou incluindo em minha cartela de pessoas gratas.

Aos 18 de junho de 1936 nasci pelas mãos da parteira D. Enedina Rocha Silva, na casa nº 181, da Rua Venezuela, no bairro do Espinheiro, no Recife, às 09h20, filho de Alice Carvalho dos Santos e Arthur Saraiva Lins dos Santos.

Portanto, hoje emplaco 81 anos, lúcido, andante, sem tomar remédios, sem remorsos, e como bom piadista, estou cheio de fé, esperanças e ainda sonhando porque, segundo Machado de Assis, “Alguma coisa pode escapar no naufrágio das ilusões.”

Não tenho patrimônio que não seja aquele construído pelo resultado dos meus esforços e o empurrão de alguns saudosos amigos. E continuo trabalhando, graças a Deus.

Deixo, quando for atender ao convite da “Véia da Foice”, 4 filhos, 12 netos e 8 bisnetos pra contar minhas histórias.

Dos dias de escola, ficará um diploma de Contador.

Dos tempos de bancário, um “Certificado de Reconhecimento” do Banco do Brasil.

Do convívio com as Letras, um título de acadêmico.

No International Standard Book Number tenho registro de 26 livros próprios publicados e 18 na categoria de Editor.

Que mais posso desejar?

Pontal do Rio Doce, Olinda, 18 de junho de 2017.

R. Parabéns, seu cabra!!!

Em meu nome e em nome de toda a comunidade fubânica.

Você é um colunista que muito dignifica esta gazeta escrota.

Eu já falei que você está convidado pra minha festa de centenário, que vai ser comemorada daqui a 30 anos.

Se prepare que vou desobedecer a abstinência compulsória e nós iremos tomar uma lapada juntos.

E tome aqui de presente uma coletânea de frevos de rua.

Um mimo digno de um olindense apaixonado!

18 junho 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

18 junho 2017 MARY ZAIDAN

PERDÃO INDIGESTO

Chave-mestra para as investigações da Lava-Jato, o instituto da delação premiada pode ganhar nova interpretação nesta semana, fragilizar a operação e adicionar mais uma guerra às já deflagradas entre os poderes.

Desta vez opondo a Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, caso o plenário da Corte decida rever os termos das colaborações dos irmãos Batista, beneficiados com imunidade absoluta.

A questão será analisada na quarta-feira. A hipótese de a tese de revisão ser aprovada reduz o poder de negociação da PGR – uma arapuca para a Lava-Jato, que os investigados pela operação tentam com afinco, mas que acabou armada pela própria Procuradoria.

A PGR pode até espernear, mas se algo mudar será única e exclusivamente pela frouxidão do acordo firmado com os donos da JBS.

Por mais que o Procurador-Geral Rodrigo Janot afirme e reafirme que o teor da delação compensava todas as benesses, nem especialistas, quanto mais o cidadão comum, conseguem compreender como a instituição que comanda o combate à corrupção acabou por fazer valer o dito de que o crime compensa.

Ainda que tenham gravado um diálogo nada republicano com o presidente Michel Temer e outros com Aécio Neves, e combinado ações com a Polícia Federal para efetuar flagrantes que complicam Temer e o senador tucano afastado, os Batista ditaram e obtiveram regalias inexplicáveis. Sem parâmetros no mundo.

Causaram escárnio as imagens do apartamento de luxo de Joesley em Nova York, de seu jato particular e do embarque de seu iate de US$ 10 milhões para os Estados Unidos; a confissão de que corrompera 1.893 políticos. Todos os crimes perdoados – enfiados goela abaixo dos brasileiros pela PGR.

Criada no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1999, no bojo da Lei 9.807 sobre Proteção a Testemunhas e Colaboradores, a delação premiada reaparece na Lei 12.850, que define organização criminosa, assinada pela então presidente Dilma Rousseff, em 2013. Uma lei não anulou a outra. E entre uma e outra as mudanças mais significativas se referem ao detalhamento das delegações dadas ao Ministério Público e à Polícia Federal para formalizá-las.

Mas o que chama atenção é o pouco caso que se faz da legislação. O parágrafo 1o da Seção I da lei de 2013 — “a concessão do benefício levará em conta a personalidade do colaborador, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do fato criminoso e a eficácia da colaboração” – fornece, por exemplo, elementos de sobra para que a PGR negasse os termos exigidos pelos irmãos Batista no pacto. Mais adiante, o parágrafo 3o do Artigo 6º fixa a manutenção do sigilo do acordo até o recebimento da denúncia, preceito inútil para quase a totalidade das delações no âmbito da Lava-Jato.

No Supremo, a tendência é de revisão do acordo dos Batista. Mas em alguns termos, algo bem pontual. Difícil será fazê-lo sem colocar em risco acordos já firmados e outros que estão em negociação. É nesse ponto que a defesa da PGR deve se ater: a segurança jurídica.

O STF avaliará também se a homologação de delações pode ou não ser feita pelo juiz relator do processo ou se é sujeita, obrigatoriamente, a deliberação colegiada. E se o inquérito para investigar Temer e o ex-deputado Rodrigo Loures (PMDB-PA) continuará ou não com o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato. Na contramão do desejo de Temer, têm-se como favas contadas a vitória de Fachin.

Seja qual for a decisão do STF na quarta-feira, uma coisa é certa: o país não suporta mais a corrupção, mas também não tem estômago para delações que premiam excessivamente criminosos confessos. Cabe à Justiça evitar essa indigestão.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

18 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

COERÊNCIA PETRALHÍSTICA

Quem hoje grita “Fora Temer” são os mesmos que votaram em Temer.

O macaco tá certo e goza na cara das antas: um animal debochando de outros animais.

Não precisa explicar; eu só queria entender

18 junho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

LITERATURA E CINEMA

O cinema está embutido na literatura antes mesmo de seu surgimento no final do século XIX. Como assim? Expliquemos: Existe uma teoria limite, segundo a qual há uma essência do cinema, de um “pré-cinema” embutido em alguns textos literários “anteriores à forma de expressão cinematográfica, e que teriam como especificidade o fato de os escritores ordenarem o relato em função da incidência do olhar do narrador, da sua ‘ocularização’ da cena a narrar”, conforme o escritor espanhol Jorge Urrutia . Desse modo, a narrativa cinematográfica estava apenas aguardando o aparecimento de uma tecnologia para concretizá-la.

O surgimento da fotografia poucos anos antes foi o primeiro passo. A partir daí foi só “passar’ ou exibir 24 fotogramas por segundo através de um aparelho apropriado para dar a ideia de movimentação das imagens. Assim, temos o cinema numa explicação bastante simplificada. Está visto, pois, que as relações entre o cinema e a literatura são umbilicais e que, desse modo, o cinema é o segundo filho da literatura. O primeiro é o jornalismo, conforme já vimos aqui. Diante disso, passei a coletar os depoimentos dos escritores e cineastas sobre o relacionamento destas duas artes.

O trabalho resultou na edição do volume 4 da série “Mistérios da criação literária”, que venho divulgando aqui, publicada em 2007, sob o patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. São 80 depoimentos seguidos de uma pesquisa bibliográfica enfocando tais relações, onde os autores desfilam suas impressões sobre as influências mútuas ocorridas ao longo do tempo. Então quer dizer que o cinema também influencia a criação literária? Sim, a partir de dado momento, aquelas longas descrições de paisagens dos antigos romances tornaram-se anacrônicas. O cinema faz isto muito melhor. Há quem admita o roteiro cinematográfico como um gênero literário e até existem escritores que trabalham o texto com um olho na literatura e outro no cinema, havidos por verem sua obra filmada.

Na opinião do cineasta Jorge Furtado, é natural que alguém “se decepcione quando vê as imagens criadas pelo cineasta e diga: gostei mais do livro”. Pois, ao ler o romance, cada leitor cria suas próprias imagens, que podem ser mais belas ou mais bem feitas do que aquelas que o cineasta imaginou. Vale ressaltar que esta é a opinião de um cineasta. Mas, existem também escritores apologistas do cinema como arte. Henry Miller, por exemplo, chega ao cúmulo do absurdo em saudar a substituição da literatura pelo cinema: “O cinema é o mais livre de todos os meios de comunicação, pode-se realizar maravilhas com ele. De fato, eu iria saudar o dia em que os filmes substituíssem a literatura, quando não houvesse mais necessidade de ler”.

Está visto que o autor disse isto no calor de uma entrevista para provocar debate ou brincar com o entrevistador. As duas artes convivem muito bem e estão sempre fazendo intercâmbios em seus modos narrativos. Muitos dos depoimentos e a bibliografia podem ser consultados no site Tiro de Letra. Quanto ao livro, encontra-se esgotado no mercado livreiro, mas disponho de alguns exemplares que podem ser adquiridos ao custo de R$ 25 reais (porte pago) através do e-mail: literacria@gmail.com

18 junho 2017 FULEIRAGEM

CLÁUDIO – AGORA SÃO PAULO

18 junho 2017 DEU NO JORNAL

SAUDOSOS DO FASCISMO

Não são mera coincidência as agressões e insultos contra Mirian Leitão e poucos dias depois contra o jornalista Alexandre Garcia, no aeroporto de Brasília.

Os pistoleiros de aluguel da era petista, de inspiração fascista, lembram os “camisas negras” que perseguiam e intimidavam críticos do líder fascista italiano Benito Mussolini.

O capanga que agrediu Alexandre Garcia é o mesmo que em 2014 insultou o ministro Joaquim Barbosa (STF), pela atuação no mensalão. Isso não é casual.

Impunes, os “camisas negras” (que incluíam criminosos e oportunistas em busca de fortuna fácil) passaram depois a assassinar opositores.

Contratantes agora usam simpatizantes para monitorar viagens de jornalistas da Globo, “plantando” seus camisas negras no mesmo voo.

Os paus mandados gravam a selvageria com celulares, tentando obter reação descontrolada das vítimas para expor nas redes sociais.

* * *

Em homenagem às antas petistas descerebradas e selvagens, este Editor dedica a elas o hino All’armi.

A composição era o grito de guerra dos fascistas italianos.

Às armas, tabacudos petistas que compõe a militância irracional dos aeroportos e aviões de Banânia!!!

18 junho 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

TIRA, PÕE, DEIXA FICAR

Tira: Fernando Henrique, em notável artigo, pôs gasolina na fogueira: sugeriu que o seu PSDB deixe o Governo e que o presidente Michel Temer proponha eleições diretas antecipadas para a sucessão.

Põe: mas Temer já estava preparado para neutralizar a proposta. Seus emissários no Congresso lembraram que mais de 150 deputados enfrentam ações penais ou inquéritos; o mesmo ocorre com cerca de 30 senadores. Quem vai querer que o precedente seja aberto, justo com Temer?

Tira: Joesley Batista, em depoimento à Polícia Federal, reafirmou que entregou uma mala com R$ 500 mil ao então deputado Rocha Loures, da estrita confiança de Temer e por ele indicado para receber o dinheiro, uma propina para retribuir ao presidente benefícios recebidos do Governo. Seria mais uma bomba num Governo cuja base política se derrete.

Põe: mas Temer liberou R$ 50 bilhões do velho e bom BNDES para os Estados. Os governadores, encalacrados em dívidas, sabem que, se Temer cair, caem junto suas promessas. Trabalharão por ele (e, a propósito, agora já se sabe por que Maria Sílvia deixou o comando do BNDES).

Deixa ficar: para que a Câmara autorize uma ação penal contra Temer (investigado por organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da Justiça), são necessários 342 votos. Se 341 deputados votarem contra Temer, a ação não poderá ser proposta. Se 172 deputados não comparecerem à sessão, Temer estará salvo. Quem tem de se esforçar para reunir votos, portanto, não é Temer: é o procurador-geral Rodrigo Janot.

Vida que segue

Agora, para Temer, o importante é mostrar que o Governo continua vivo. Escreveu um artigo sobre sua próxima viagem à Noruega e à Rússia, articula a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência, ou do que sobrou delas depois da negociação política. A menos que haja manifestações de rua ou delações que o atinjam diretamente, vai conseguir aprová-las. Os sindicatos tentam ir às ruas, não para garantir direitos, mas manter de pé o imposto sindical que os financia.

Palavras ao vento

A propósito, Fernando Henrique sabe que, a menos que o improvável aconteça, sua proposta não é realizável. Sabe que reformar a Constituição para convocar eleições diretas exige mais tempo do que o disponível até o fim do mandato de Temer. Sabe que conseguir 2/3 dos votos é difícil. E, apesar de seu prestigio, Aécio Neves e outros parlamentares de seu partido têm um compromisso maior do que com ele: com a própria sobrevivência.

Passando a limpo

Enquanto a Lava Jato e outras investigações atingiram um dos lados do espectro político, receberam apoio do outro lado. Enquanto atingiram, fora do alvo principal, pessoas dificilmente defensáveis, tudo bem. Mas agora, que estão em risco políticos das mais diversas tendências e empresários, há uma união contra as investigações. Oficialmente, todos são favoráveis à Lava Jato e congêneres, “aguardando serenamente a decisão a Justiça”. Na prática, é guerra: quando mais de 1/3 dos deputados e senadores estão ameaçados, não apenas politicamente, mas até de prisão, eles vão reagir.

A primeira iniciativa é suspender as ações penais contra senadores e deputados federais, medida prevista no artigo 53 da Constituição. Para que esta prerrogativa seja exercida, deve ser aprovada por maioria absoluta de deputados e senadores. Os parlamentares já atingidos, 1/3, são votos certos; quem não foi atingido mas sabe que pode ser deve votar também a favor.

Guerra total

A medida é impopular, todos sabem, mas é melhor se arriscar a perder uma eleição do que passar algum tempo hospedado em Curitiba. Ficar sem mandato a partir de 2019 é ruim, mas pelo menos será em liberdade, A medida, em princípio, só não entrará na pauta em duas circunstâncias:

1 – Se houver possibilidade de derrota. Nesse caso, os parlamentares que votassem a favor perderiam a popularidade sem vantagem alguma;

2 – Se surgir outra ideia eficiente, de menor custo político. Porque todos sabem que a grande maioria dos eleitores se revoltará com a sujeirada.

A voz do Planalto

Os articuladores da Presidência estão trabalhando para garantir mais votos contra as investigações. O jornalista Josias de Souza, em seu bom blog, conta que testemunhou o telefonema de um ministro de Temer a um parlamentar do PP, partido com 21 deputados atingidos pela Lava Jato. Cita: “Se a Procuradoria e o Supremo querem derrubar o presidente da República, imagine o que não farão com os parlamentares!” É a batalha dos mandatos contra as togas.

As investigações

Atenção ao depoimento de Antônio Palocci. Tem novidades explosivas.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

BRUNO AZIZ – A TARDE (BA)

18 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM DOMINGO ALEGRE

Ganhei o final de semana!

O curral de antas lulaicas vive me chamando de “coxinha” e “reacionário” por conta dos cacetes que dou em Lapa de Corrupto, o maior meliante que já surgiu em toda história da República Federativa de Banânia.

Quando foi ontem, por conta de uma postagem esculhambatória que fiz sobre o deputado Jair Bolsonaro, intitulada UMA LINDA COMPOSIÇÃO PARA A MILITÂNCIA DESCEREBRADA DA DIREITA, a turma da direita e o eleitorado do milico baixaram o cacete no meu lombo.

Neguinho me mandou até “tomar no olho da goiaba“.

Fiquei ancho que só a porra!!!!

Desagradar as duas bandas significa que estou no caminho certo.

Certíssimo!

Quando digo que sou extremista de centro e que não tenho bandidos prediletos, tem gente que não acredita.

Pois aconselho que levem a sério esta minha afirmação.

Petista é que tem bandido predileto. E eu não sou petista.

Pra completar minha alegria dominical, o fubânico petista Ceguinho Teimoso bateu um novo recorde de besteiralidades absurdais e explicatórias em comentários  feitos ontem, sábado.

Fiquei se rindo-me de felicidade o dia todo.

Fechando a postagem, quem quiser refrescar a memória e saber o que penso sobre Bolsonaro, basta clicar aqui e rever um texto que escrevi em maio de 2014. Um texto que teve 77 comentários.

E tome música pra abrilhantar o nosso domingo!

18 junho 2017 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA (SC)

SOFRIMENTO

Quando não é oito, é oitenta. Enquanto a seca maltrata o sertanejo. Seca fontes de água, mata animais, devasta lavouras, obriga as pessoas, vítimas de pobreza extrema, a percorrer léguas, debaixo de sol abrasador, à procura de água de barreiros, suja e contaminada, para saciar a sede, chuvas fortes de bom inverno inundam cidades, devastam a zona da mata, alagam fazendas e fábricas, destroem pontes, tornando a vida de famílias um inferno.

A seca pinta miséria. Por onde passa, deixa profundos rastros de destruição. Finca enormes quadros de prejuízos para o sofrido povo. Donos de poucos bens patrimoniais e financeiros.

Desde 1552, o Nordeste registra, periodicamente, falta de chuva. Experimenta a raridade de invernos, vive a escassez de água. Todavia, foi no Segundo Império, mais precisamente no ano de 1877, que a Região sofreu uma das maiores secas da história. Nessa época, o Nordeste sofreu barbaridade. O sertão ficou devastado. A população acumulando sofrimento.

Até 1909, ninguém tinha bolado a ideia de cuidar da terra seca, a partir do armazenamento de água. Foi aí que surgiu a iniciativa de se construir poços artesianos, e muito posteriormente cisternas, açudes e barragens pela região, especialmente no Ceará, geralmente o estado mais castigado com a falta de chuva.

Ressentidas com o êxodo generalizado do nordestino, as autoridades começaram a pensar numa maneira de evitar o sofrimento dos flagelados que preferia não enfrentar a debandada para outras regiões. O êxodo rural.

A construção de campos de concentração nos arredores das capitais para segurar os indecisos, acabou trazendo benefícios. No entanto, o que prejudicou o projeto foi o descaso, a omissão dos gestores daquele tempo que não tomaram atitude contra o desvio de verbas, anteriormente destinadas à construção de açudes e barragens públicas para represar água, apenas em terras de latifundiários. Donos de grandes fazendas. Desprezando os realmente necessitados.

A atividade foi tão criminosa que descambou para a criação da severa e nojenta indústria da seca. Inconformado com a negligência de maus governos, o nordestino rebelou-se. Inspirou a formação de grupos isolados. Gerou resistências na Bahia, como a Guerra dos Canudos, comandado por Antônio Conselheiro, e em Pernambuco, quando Lampião, resolveu invadir fazendas na marra, com o intuito de recuperar o grosso que foi desviado pela ganância política e devolver aos camponeses.

Era a revolta sertaneja contra a classe dominante, contra o coronelismo vigente no Nordeste. Baseada na vingança contra a violência praticada nas mulheres nascidas no seio de suas famílias, impedir a expulsão de parentes das terras dos figurões. Tentar barrar a expansão da pobreza, com o aumento da fome nas famílias sertanejas.

O que menos se esperava, acoanteceu. De maio pra cá, as chuvas intensas em Alagoas e Pernambuco, desabrigou e desalojou um montão de famílias. O nível dos rios subiu tanto que deixou muitas cidades debaixo d’água, inundadas, fazendo gente desaparecer, casas sucumbir, levadas pela forte correnteza.

O problema é que toda vez que o curso da água dos rios sobe, inunda cidades. Alaga ruas e casas. Traz danos e doenças. Provoca tragédias. Numa imensurada repetição.

A causa é a interferência humana. A agressão à natureza. O desequilíbrio do clima. O lixo acumulado, a poluição, o entupimento de bueiros, o sistema de drenagem deficiente, a ocupação desordenada do espaço público, a pavimentação de ruas, a cimentação de quintais e calçadas, que dificultam o escoamento das águas. Favorece a erosão. Duplica o aparecimento das áreas de risco.

Existem diversas maneiras para conter as enchentes, as enxurradas e o transbordamento de córregos. A mais fácil é a construção de represas de vergonha e de barragens. Outra saída é o desassoreamento do leito dos rios, itens tão prometidos nas campanhas eleitorais, mas costumeiramente esquecidos e também raramente cumpridos. Em Pernambuco, como esqueceram de construir algumas barragens, já planejadas, o povo pagou pelo que não devia.

Caso o poder público não fosse tão negligente, executasse o planejamento do uso do solo nas cidades com interesse e prudência, construísse sistemas de drenagem urbana, desocupasse as áreas de risco, cuidasse das reservas florestais com esmero, principalmente na margem dos rios para evitar desabamento de casas e morte de pessoas, as consequências seriam mais brandas. Haveria menos vítimas. As forte cenas de desamparo não seriam tão desastrosas. Com certeza.

Ora, se a seca deriva de deficientes índices de precipitação, que depende basicamente da natureza, as enchentes também poderiam ser administradas com razoabilidade por governantes e população. De modo a evitar tragédias.

Como são dois fenômenos da natureza, percebidos, muitas vezes, antes de acontecer, e não tão difíceis de resolver, compete aos gestores tomar providências. Primeiro combater a exploração dos dois tipos de indústrias, altamente exploradas pelas autoridades. A da seca e a das enchentes. Depois, ter interesse político para evitar os estragos. Eliminando a exploração dos casos no âmbito puramente eleitoral.

Como se gastam vultosas somas de dinheiro nas desnecessárias inspeções aéreas durante as tragédias, em busca de holofotes, por que não usam esses desperdícios financeiros para evitar futuras catástrofes. Agindo com honestidade, humildade e consciência.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

RLIPPI – CHARGE ONLINE

ANTA PEDALANDO

Comentário sobre a postagem LOURINHO

Power Guido:

“Ótimo e divertido texto, prezada colunista!

Só faço um reparo neste comentário aí em cima.

Não é só o papagaio que é capaz de reproduzir palavras, frases e músicas.

Saiba que neste país conseguiram ensinar uma anta a fazer tudo isso que faz o papagaio e até mesmo pedalar em bicicletas.

Confira clicando aqui.”

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18 junho 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

RIOS E CANAIS

Viena – Austria

Uma questão que sempre me incomodou muito foi a constatação da imensa e diametral diferença existente entre a maneira como nós, brasileiros, tratamos nossos rios e canais, e a maneira como os cursos d´água são tratados nos países de civilização mais desenvolvida que a nossa. Essa questão voltou com força mais uma vez à minha mente quando meu avião se aproximou de Viena para pousar. Nessa ocasião, pude me deliciar mais uma vez com a imensa beleza do velho “Danúbio Azul” cruzando os “Bosques de Viena”.

Todas as grandes cidades do mundo tiveram sua localização definida em função dos cursos e massas de água ao redor das quais estão assentadas. A disponibilidade de água em abundância, seja para consumo, seja para deslocamento, sempre foi o fator primordial na definição da localização das cidades. Paris não existiria sem o rio Sena! De forma semelhante, Londres sem seu Tâmisa; Farnkfurth sem o Reno, Berlim sem o Spree, Lisboa sem o Tejo, e tantas outras. De forma semelhante, Hong Kong deve sua existência à sua “Bahia Formosa” como excelente porto, da mesma forma que Stocolmo, Bremem e Copenhague, que levam o nome do porto (Haven) que lhes deu origem. Sem excelentes condições portuárias, certamente que Helsinque, Nova York, ou até mesmo o Rio de Janeiro e Recife não existiriam nas suas localizações atuais, como também todas muitas capitais de nosso país, com as honrosas exceções de São Paulo e Teresina. Mesmo estas, possuem o Tietê e o Parnaíba, respectivamente.

Em função disso, estas massas de água foram quase sempre tratadas com imenso respeito, devido principalmente à sua importância fundamental na qualidade de vida da população, assim como da sua influência nas atividades econômicas, muito especialmente como propiciadoras de transporte fácil e barato para o comércio e o intercâmbio com outras comunidades. Isso sem falar na sua função de local apropriado para inúmeras atividades de lazer imensamente agradáveis. Assim, as residências primavam por estar localizadas sempre o mais próximo possível destas vias condutoras de riqueza e beleza. Amplos jardins foram construídos às margens destes rios e canais e estas eram sempre as localizações mais disputadas.

Cenas bucólicas de canais e marinas europeias

O que me atiçava a curiosidade, sempre que visitava um desses lugares paradisíacos, especialmente as cidades de maior população, tal qual Tóquio, Berlim, Hong Kong, Paris, Londres, Roma, Lisboa, e inúmeras outras, foi o fato destas não apresentarem o mínimo mau cheiro decorrente de esgotos sanitários. Sempre ficava pensando com meus botões: O que será que esses gringos fazem com as fezes dessa população imensa, pra que a cidade toda não apresente uma intensa catinga de merda? Qual é o milagre para manter esses rios, lagos e canais absolutamente limpos e bem tratados?

Comecei a ter um vislumbre da razão pela qual as cidades dos gringos são impecavelmente limpas há muitos anos atrás. A empresa onde eu trabalhava era uma imensa multinacional, com ramificações em quase todos os países do globo e, por conta disso, promovia ativamente o intercâmbio de jovens engenheiros e executivos com culturas de países diferentes.

Coube a mim, nesta ocasião, ser o orientador de um jovem engenheiro holandês de nome Mark.

Muito orgulhoso de nossas belezas naturais, fiz questão absoluta de levá-lo a conhecer a praia de Boa Viagem, mesmo estando o jovem acometido de uma gripe e uma coriza irritante. Acreditava eu que o ar marinho poderia ser de alguma ajuda para a seu problema. Ao chegarmos lá, qual não foi a minha surpresa ao constatar que, mesmo estando sentado na areia e em meio ao maior caos de lixo urbano, que o gringo assoava o nariz em lenços de papel e, por falta de uma lixeira nas proximidades, colocava o papel dentro da sua carteira de dinheiro, mesmo estando estes papéis bastante sujos. O cara não aceitava ser cúmplice e partícipe daquela esculhambação.

Muitos colegas virão me dizer que a atitude deste jovem era inútil, ou até pedante. Não concordo!

É a soma de milhões de pequenos gestos como este que fazem a diferença entre o nosso caos e a extrema limpeza e organização deles. A consequência cumulativa desta nossa despreocupação com o bem estar geral e com o patrimônio comum é absolutamente catastrófica.

Andei durante as últimas semanas navegando por dezenas de ilhas paradisíacas na costa da Croácia, no Mar Adriático. Não vi nenhum gari em todos os lugares por onde passei, e todos eles estavam sempre impecavelmente limpos. Por que será? Como será que eles fazem?

Acho que eles devem ter uma mega-organização estatal, com milhares e milhares de fiscais, sempre prontos a aplicar multas pesadíssimas em quem ousar cuspir no chão, todos vigiando diuturnamente a população através de milhares de câmaras de TV, todas ocultas por detrás de cada uma das pedras de seu extenso litoral;.e aquele que for flagrado poluindo, este será objeto de um “Ato de Repúdio” ao estilo Petista. Será?

18 junho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

18 junho 2017 DEU NO JORNAL

NÚMEROS ABSURDOS

A instabilidade política e a grave crise econômica que afetam a Venezuela tem feito com que um crescente número de pessoas venha para o Brasil pela fronteira com Roraima.

Só nos primeiros seis meses deste ano a Polícia Federal no estado já recebeu 5.787 pedidos de venezuelanos querendo refúgio, cerca de 3.500 a mais do que em todo o ano de 2016.

Ao passo que avança a tentativa de Nicolás Maduro em promover uma reforma jurídica no país, o número de pedidos de refúgio na sede da Polícia Federal em Boa Vista cresce.

Venezuelanos fazem fila para receberem atendimento na sede da PF em Boa Vista

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Fiquem tranquilos os zisquerdistas-luleiros-bolivarianistas daqui de Banânia.

O fubânico petista Ceguinho Teimoso – que ontem bateu um novo recorde de contorcionismo explicatório em comentários -, vai desmentir esta imagem aí de cima e estes números absurdos da imprensa golpista.

Esperem que o domingo será divertido.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (GO)

18 junho 2017 JOSELITO MÜLLER

DELAÇÃO DE JOESLEY BATISTA

Entre as estarrecedoras revelações que vieram à tona na delação premiada do empresário Joesley Batista, do grupo Friboi, publicadas na edição desta semana da revista Época, uma chama atenção.

Segundo o delator, o presidente Temer teria amputado propositalmente o próprio dedo mindinho para se aposentar por invalidez.

O fato teria ocorrido quando o presidente trabalhava como professor de direito constitucional, e teria fundamentado pedido de aposentadoria, já que, com um dedo a menos na mão, o então professor não teria como lecionar para seus alunos quais são os chamados “remédios constitucionais”, que são cinco.

“HABEAS CORPUS, HABEAS DATA, MANDADO DE SEGURANÇA, MANDADO DE INJUNÇÃO E AÇÃO POPULAR SÃO OS CHAMADOS REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS. COM UM DEDO A MENOS, O REQUERENTE (TEMER) NÃO TERÁ COMO EXPLICAR A MATÉRIA, O QUE EVIDENCIA SUA INCAPACIDADE PARA DESEMPENHAR SUAS ATIVIDADES LABORAIS”, ALEGA O REQUERIMENTO.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

A LOURA E O MORENO

A semana foi marcada por dois fatos envolvendo jornalistas corretos. Vênia para breves comentários.

A LOURA. É Mirian Leitão. Agredida, em um avião da Avianca, por guerreiros da democracia. Não preciso dar testemunho sobre o profissionalismo da jornalista. Todos o conhecem. O que torna injusto, e incompreensível, que seja confrontada como foi. Por uma turba com cerca de 20 marmanjos vestidos, todos, com camisetas vermelhas. Voltando de mais um “Fora Temer”, em Brasilia. Protesto caro. Sem que se saiba quem pagou hotéis, restaurantes e passagens de avião. Em meio a fortes agressões verbais, ao passar por ela (que estava na fileira do corredor), também davam-lhe encontrões violentos.

Lamento não ter havido reação de qualquer dos passageiros. Jamais concordariam com peleja tão desigual, claro – 20 homens contra uma frágil mulher de 60 quilos. Mais provável é que estivessem com medo. É natural. Também não reagiu o comandante do avião. O que não tem nada de natural. Posto que deveria seguir o procedimento recomendado para distúrbios como esse. Chamar a polícia e prender todos. Mas preferiu ficar inerte. Quem sabe por pensar como eles. As ideologias por cima dos deveres. Em terra como no ar.

Dia seguinte, em outro aeroporto, chamaram o jornalista Alexandre Garcia de golpista. Com ameaças de que poderia ser mimimirianlizado. Esses episódios não devem espantar. Os valentões são do mesmo partido político da ex-governadora do Rio, e ex-ministra de Lula, Benedita da Silva – que, em vídeo viralizado, prega uma revolução com sangue para solução dos problemas do Brasil. E não está sozinha, nessa proposta. Penso que essa gente vai ter que escolher. Ou democracia, com voto. Ou revolução, com espingarda. Ou ainda acreditam em eleições, e nesse caso continuam com essa pregação das “Diretas Já”. Ou preferem uma revolução, e terão que dizer isso claramente. O povo brasileiro vai então escolher qual caminho prefere. O voto. Ou a bala.

O MORENO. É Jorge Bastos Moreno. Grande figura. Desde bem jovem, acompanhava sempre doutor Ulisses.Tinha mesa cativa do Piantela. Quem quisesse encontrar com ele, bastava ir lá. Moreno era uma unanimidade. Todos gostavam dele. O poeta Marcelo Mário de Melo recomenda lembrar nossos mortos por seus jeitos de rir. Sendo assim, lembro do amigo contando essa historinha passada, por terceiro, à época – jurando ser mesmo, Moreno, o personagem.

A redação de O Globo mandou Moreno fazer entrevista com o doutor Roberto Marinho. Bem cedo. Mais do que seria recomendável. Ou desejável. Para doutor Roberto, que ainda estava no quarto. E para Moreno, que quase saiu de uma farra direto para essa entrevista. A empregada pediu que esperasse no terraço. Moreno, com seus quase 150 quilos, desabou na poltrona. Cansado. Ouviu um ruído estranho e nem deu por isso. Ficou naquele cochilo restaurador até quando a mesma empregada passou por ele, aperreada, perguntando pelo pequenez de dona Lili. Como era um cão miúdo, talvez estivesse escondido em algum canto do terraço. Nada.

Quando ela se foi, Moreno começou a ter maus presságios. Lembrou daquele som estranho, de antes. Levantou e encontrou, embaixo de onde estava sentado, o tal pequenez de dona Lili. Preocupado em não ser apontado como assassino de cães, segurou seus restos mortais pela cauda e jogou dentro de um jarro de plantas. Acabou descoberto só dias mais tarde. Pelo cheiro ruim, presume-se. E ninguém sequer lembrou que o culpado poderia ser ele. Ainda bem. Tanto que não foi demitido. Graças ao bom Deus. Depois da entrevista, se mandou e nunca mais pôs os pés naquela casa.

Imagino Moreno, ao entrar no céu, se encontrando com aquele cão. O que dirão?, um ao outro. Se é que há céu. E se cães também forem admitidos no lugar. Sobre Moreno, tenho dúvidas não. Se houver dito céu, com certeza vai estar por lá. E bem. Saudades dele.

18 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


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