GOLPE DE CANETA NOCAUTEIA JOESLEY E DEIXA LULA GROGUE

Ao resumir numa carta manuscrita o encontro com Lula na casa de Joesley Batista, ocorrido em 26 de março de 2016, e revelar que o trio se reuniu para confabular sobre o impeachment de Dilma Rousseff, o prisioneiro Eduardo Cunha desferiu um golpe de caneta que deixou grogue um esquartejador da verdade e levou novamente às cordas a alma viva mais cínica do Brasil. No fim de semana, na entrevista a Diego Escosteguy, Joesley repetira que só viu Lula a um metro de distância duas vezes – em 2006 e 2013, quando se limitaram a trocar ideias exemplarmente republicanas. Nesta segunda-feira, foi obrigado pelo ex-presidente da Câmara a confessar que esteve com o chefão “em outras ocasiões” – certamente para tratar de negócios nada republicanos.

É o começo do fim da farsa encenada pelo açougueiro predileto de Lula e do BNDES. É o que faltava para o sepultamento da meia delação premiadíssima. Ou Janot rasga a fantasia e admite que não pretende investigar a organização criminosa que patrocinou a entrada de Joesley no clube dos bilionários ou reduz a farrapos as fantasias do dono da JBS com a convocação para uma nova série de depoimentos. É hora de forçá-lo a abrir o bico sobre o bando que, nas palavras do próprio depoente, institucionalizou a corrupção no país. Se insistir em vender Lula e seus comparsas como exemplos de honradez, estará implorando pela pronta interdição do direito de ir e vir.

No texto escrito de próprio punho na cadeia em Curitiba, Cunha tornou a exibir a vocação para arquivista. “Ele fala que só encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes, em 2006 e 2013”, lembra o signatário. “Mentira. Ele apenas se esqueceu que promoveu (sic) um encontro que durou horas, no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia, na sua residência na rua França, 553, em São Paulo, entre eu, ele e Lula, a pedido do Lula, a fim de discutir o processo de impeachment, ocorrido em 17 de abril, onde pude constatar a relação entre eles e os constantes encontros que eles mantinham”.

A profusão de minúcias deixa claro qual dos dois está mentindo. Para facilitar o trabalho de jornalistas e policiais incumbidos de checar as informações contidas na carta, o ex-deputado oferece meia dúzia de testemunhas. Que tal ouvir os seguranças da Câmara que o escoltaram na incursão por São Paulo? Que tal uma visita à locadora do veículo usado por Cunha para deslocar-se pela capital paulista? O Brasil decente torce para que seja longa e reveladora a briga de foice entre integrantes de duas organizações criminosas – ORCRINS, prefere Joesley – que roubaram em perfeita harmonia até o divórcio consumado pelo despejo de Dilma Rousseff.

Tomara que todos os bandidos contem tudo o que sabem uns dos outros. E que o bate-boca continue nas cadeias onde estarão alojados os corruptos, hoje desavindos, que a partir de 2003 produziram juntos a maior sequência de assaltos aos cofres do Brasil registrada desde o Descobrimento.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

21 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

A EDITORIA DO JBF PEDE DESCULPAS PUBLICAMENTE

Leitor fubânico enviou mensagem indignada por conta de uma ofensa perpetrada pela Editoria do JBF.

A ofensa foi cometida numa postagem de outubro de 2016.

Reconheço que foi mesmo cometida uma enorme ofensa contra um pobre animal, um bicho que não merecia de modo algum passar por este vexame.

O animal ofendido era um dinossauro, em cuja testa foi desenhada a estrela do partido que mais roubou e acoitou roubalheira em toda a história de Banânia.  

Aquele partido que não tem presidente, e sim proprietário, e que é mais conhecido pela sigla de PT – Perda Total.

De público, humildemente, peço desculpas ao honrado e honesto dinossauro.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

ALTAMIR PINHEIRO – GARANHUNS – PE

Prezado Berto,

Atentai bem para o novo sucesso de Chico Jabuti!!!

21 junho 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (GO)

MAIS UMA MEDALHA DE OURO

Comentário sobre a postagem JAIR BOLSONARO VEM AÍ?

Goiano:

“Jairo, nessa questão da ditadura cubana há uma complexidade histórica que não é possível debater e esclarecer sem uma aprofundada análise, tanto da ditadura cubana quanto da noção atual de “esquerda” dentro do processo político brasileiro.

Neste contexto, nós que, sendo partidários do PT somos, necessariamente, “esquerdistas”, não apoiamos ditaduras, nem a supressão das liberdades, nem as perseguições políticas, nem a tortura, nem as condenações sem julgamento justo, o que nos levaria a concluir que admiramos e apoiamos Cuba a despeito dos descaminhos que sua revolução trilhou.

Obama cortou a fita para inaugurar a possibilidade de Cuba ingressar em “nosso” mundo admirável, mas Tramp já começou a fechar-lhe novamente as portas.

Pode sim, digo eu, Juruna: mas em termos…”

* * *

21 junho 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE


EXPEDITO BARBEIRO – O FILATÉLICO

Eu gosto de escrever sobre o passado – eu não me envergonho do que passei nem do que vivi e trabalhei para vencer os obstáculos. Saudade não vai me matar – nunca fiz nada de que não possa me orgulhar.

Assim, de novo estou relembrando as boas coisas da vida (a minha) e do que é positivo e vale sempre a pena lembrar. Hoje quero falar desse profissional que, mude quem mudar, e chegue a forma de vida que chegar, continuará ali, de pé, trabalhando para ganhar a vida e o sustento da família: o barbeiro.

E aí me veio à lembrança o “Expedito Barbeiro”, que não era o único do bairro, mas tinha hábitos que prendiam o freguês sentado por horas e horas – quando cortava o cabelo e raspava a barba.

Por anos Expedito trabalhava numa cadeira assim – a Ferrante

Conversador extremo, fofoqueiro de marca maior, e muito convencido. Assim era Expedito Barbeiro, que, durante anos virou referência para muitos.

Onde você mora?

– Na primeira rua depois do Expedito Barbeiro!

Onde fica a Farmácia São José?

– Na mesma rua do Expedito Barbeiro!

Muito atencioso com todo freguês, Expedito fazia questão de entreter o dito cujo contando estórias as mais diversas (e muitas até inventadas). Aos sábados trabalhava até tarde da noite. Vestia uma única roupa: calças e camisa social branca. Calça de linho branco. Usava óculos Ray-ban, sempre. Fumava feito uma caipora. Dizia que pagava promessa feita para Santo Expedito.

Tinha dois hábitos (hoje chamados de “hobby”) dos quais se orgulhava muito. Era filatélico, e parte do que ganhava e sobrava – quando sobrava – comprava selos. Colecionava selos. Selos valiosos do Brasil e do exterior. Comprou um cofre apenas para guardar as pastas com os selos, e guardava o segredo do cofre como se nele estivessem contidas barras de ouro.

O outro hábito: colecionava charges do “Amigo da Onça” (criado por Péricles), que retirava da revista semana O Cruzeiro. Chegou a mandar reproduzir uma charge do Amigo da Onça, onde esse aparecia trabalhando como barbeiro.

Expedito só bebia conhaque São João da Barra “queimado” (ou pingado, como dizem alguns) e só fazia isso aos domingos, depois que despachava o último cliente.

Navalha Solingen “Corneta” – marca preferida de Expedito

Era gostoso observar Expedido Barbeiro afiando a navalha numa peça de couro montada sobre uma peça de raiz muito leve. Com a navalha afiada e sem as exigências atuais, Expedito se orgulhava de nunca ter “cortado” ninguém enquanto raspava as barbas.

Era um mestre no cortar o cabelo dos clientes, e melhor ainda em satisfaze-los. Servia café aos que estavam na “fila” esperando a vez de serem atendidos. Fornecia revistas e jornais para ajudar a passar o tempo da espera.

Anos depois de sair definitivamente de Fortaleza, voltei à casa onde morei. Ainda encontrei alguns amigos dos tempos da juventude, moradores da Rua Professor Costa Mendes, no bairro Porangabuçu. Perguntei por Expedito e ninguém respondeu. Ninguém soube de nada, mas muitos achavam que Expedito Barbeiro sumiu como éter. Talvez tenha sumido junto com as charges do Amigo da Onça, com quem, aliás, ele parecia muito.

Água Velva pós barba – a preferida de Expedito Barbeiro

– Pronto! Você está um homem novo!

Era assim que Expedito falava quando terminava de atender seus clientes, principalmente os que faziam cabelo e barba. Esperto, o barbeiro fazia firulas ao terminar de atender alguém. Pegava uma chave, que ele sabia onde guardava, mas fazia questão de procurar, para tentar mostrar que o cliente era importante.

Pegava a chave e meticulosamente abria um armário, de onde retirava um frasco de Água Velva, uma loção pós-barba que costumava usar para agradar a clientela.

E dizia:

– Novo e cheiroso e pode até ir para a igreja casar!

21 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

21 junho 2017 DEU NO JORNAL

JOAQUIM BARBOSA E MARINA SILVA: A CHAPA QUE SERIA O SONHO DOS ARTISTAS ENGAJADOS

Rodrigo Constantino

Ancelmo Gois informa em sua coluna que o ex-ministro Joaquim Barbosa teve encontro com artistas, entre eles Caetano Veloso. A notícia reforça a crença de que ele poderá se unir à Rede para disputar as eleições, uma “hipótese robusta” segundo membros do partido.

A aproximação entre Joaquim Barbosa e Marina Silva, para se formar uma chapa na disputa de 2018, é o sonho de muitos artistas engajados. Seria uma forma de resgatar o esquerdismo radical com manto de romantismo, atendendo a vários quesitos estéticos da narrativa dessa turma.

Para começo de conversa, Joaquim agregaria a volta do discurso ético a essa esquerda radical. Não importa que do outro lado tenha Marina Silva, que foi petista quase a vida toda política, que continuou próxima dos petistas, e que desaparecia sempre que assuntos polêmicos envolvendo partidos e colegas surgiam. O oportunismo salta aos olhos, mas a realidade nunca importou para quem só pensa em narrativa.

E é aí que a chapa encanta. Um negro e uma mulher juntos. Mas não qualquer negro, não qualquer mulher. Os fatores atrelados às “minorias” só merecem destaque quando os indivíduos são de esquerda. Perguntem a eles o que acham do jovem Fernando Holiday, do DEM. A cor da pele só vira qualidade quando pertence a esquerdistas.

E Barbosa, sem dúvida, é um esquerdista. Já confessou que votou no PT. É também um falso herói: não só nunca soube respeitar a liturgia do cargo, deixando que seus arroubos pessoais falassem mais alto do que o respeito às instituições que representava, como arrumou um problema nas costas para pular fora da responsabilidade que tinha na época, de punir os marginais poderosos ligados ao PT.

A dor nas costas melhorou? Ele pode ser político até, fazer passeatas, subir em carros de som e ficar em pé por horas a fio? Precisa indicar seu médico a todos, se for o caso, pois usou isso como argumento para sua precoce aposentadoria do STF. Sei de muitos que se encantaram com Joaquim por um momento, apenas para sofrer grande decepção depois. Barbosa não era nenhum Sergio Moro…

E Marina? Essa é o PT embalado à clorofila. O radicalismo está todo lá. O encanto com o MST está estampado em seu boné. Ainda que alguns discursos tenham melhorado, em parte pelos conselhos de Eduardo Giannetti, o fato é que Marina segue sendo uma esquerdista empedernida, e o que o Brasil necessita é do contrário: de um choque de liberalismo!

Uma eventual chapa com Joaquim Barbosa e Marina Silva levaria esses artistas engajados ao orgasmo. Os mesmos que estiveram do lado errado da História em todas as ocasiões, os que aplaudiram black blocs, os que acreditaram no PT, os que acreditam no PSOL, os que jamais conseguiram abandonar seus sonhos juvenis socialistas.

E qualquer crítica ao esquerdismo radical da chapa seria logo considerada como prova de racismo ou machismo dos detratores, a blindagem perfeita – e hipócrita, claro – que os extremistas usam para fugir do debate de ideias. Basta pensar em como Obama ficou protegido de críticas por esse mesmo motivo.

A chapa seria um sonho para essa gente. E um pesadelo para todo o restante, que não vive da estética da “arte”, tampouco de patrocínios estatais ou da Lei Rouanet, tendo de arcar com os resultados concretos dessas ilusões bobocas…

21 junho 2017 FULEIRAGEM

ED CARLOS – CHARGE ONLINE

21 junho 2017 HORA DA POESIA

CONCEIÇÃO 63 – Orlando Tejo

Rua da Conceição, sessenta e três
(a artéria tem o ar de um cais comprido)
aqui, anos sem fim tenho vivido
buscando a infância azul que se desfez.

Talvez seja isso um sonho, mas talvez
este meu velho abrigo tenha sido
da mesma argila minha construído,
porque é a mesma a nossa palidez!

Ele a mim se assemelha: é ermo e triste.
No jardim, no quintal, no chão, no teto
em tudo a mesma semelhança existe.

No tempo, entanto, aos céleres arrancos,
o seu telhado vai ficando preto
e os meus cabelos vão ficando brancos.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

21 junho 2017 DEU NO JORNAL

UMA PAJARACA MAIOR DO QUE A TORRE EIFFEL

A Corte de Apelações de Paris condenou nesta terça-feira o deputado Paulo Maluf a três anos de prisão e multa de 200.000 euros por lavagem de dinheiro.

Sua esposa, Silvia, também foi condenada a três anos, com multa de 100.000 euros.

Em 2015, o ex-prefeito de São Paulo (1993-1996) já havia sido condenado pela Justiça em Paris por lavagem de dinheiro. Os crimes ocorreram entre 1996 e 2003. Numa primeira instância, ele pegou três anos de prisão.

Além de Maluf, a Justiça francesa condenou sua mulher, Sylvia Lutfalla Maluf e o filho mais velho do casal, Flávio Maluf, pelo mesmo crime.

A sentença determinou ainda o confisco de 1,8 milhão de euros em contas do deputado e de seus familiares. Foram impostas, ainda, multas à família que somam 500.000 euros.

* * *

Danô-se!!!

Até o Lulinha Maluf foi condenado???!!!

Vôte!

Esta justiça francesa é muito cruel.

A França precisa aprender mais sobre a ciência penal com os doutos ministros do nosso STF.

Toffinho e Lawandowiski iriam deitar e rolar dando aulas pros juízes franceses. Isto sem falar em Gilmar Boca-de-Buceta.

Eu acho que é por isso que Lula nunca mais foi a Paris.

Nem mesmo quando Chico Buarque convida e Goiano se oferece como intérprete.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

21 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

JOESLEY É FRUTO DA AVACALHAÇÃO DO BRASIL DOENTE

O Brasil está tão avacalhado que um empresário, que fez fortuna à sombra do dinheiro dos bancos públicos, chama o presidente da república de “chefe de quadrilha” e não acontece nada. Joesley Batista, dono da JBS, que goza das benesses da Procuradoria Geral da República, revelou-se o capo di tutti capi em um país desgovernado e moralmente doente. É réu confesso em vários crimes de suborno e formação de quadrilha. Por muito tempo financiou as campanhas do PT com recursos que lhe chegavam às mãos pelos ministros da Fazenda Palocci e Mantega, com a conivência da dupla Lula/Dilma. Agora, com o cinto apertado pelas dívidas, decidiu novamente vomitar o que sabe para se livrar da cadeia.

A entrevista de Joesly à revista Época é um escárnio. Lula, o cara a quem ele acusa de ter “institucionalizado a corrupção no Brasil”, já minimizou as declarações dele ao dizer que nada do que o empresário falou tem valor jurídico. Mas, com certeza, mostra definitivamente como os políticos, principalmente aqueles que tinham a chave do cofre, envolveram-se promiscuamente com empresários bandidos e saqueadores do dinheiro público. Transformaram esses aventureiros de armazéns de secos e molhados em bilionários da noite para o dia para depois serem vítimas de suas próprias garras afiadas. Hoje pagam um preço alto pela cumplicidade inescrupulosa que tiveram com esses oportunistas gananciosos que lhes garantiram o poder.

É bom, entretanto, colocar os pontos nos is. Nessa guerra de delações e de revelações desavergonhadas não existe ninguém inocente. Pelo que se viu até agora tanto o PT como PMBDB e PSDB estão no lixo da história. O último dos moicanos a tentar se segurar na corda bamba fazendo malabarismo para não cair é o Temer, herança do próprio PT que caiu do poder, mas deixou esse legado imoral para o país. Na essência, o Brasil vive no esgoto. Isso porque o Partido dos Trabalhadores, chefiado por Lula, Palocci, Zé Dirceu, Mantega, Vaccari, Vargas e Dilma abriram a estação de tratamento para despejar os dejetos palacianos in natura em todos os lugares. Não é exagero dizer que nesse aterro sanitário o país fede de um canto a outro.

As declarações intempestivas de Joesly contra os dois presidentes, que a gente sabe que não são flores que se cheirem, só mostram quanto envolvimento esses dois senhores – Temer e Lula – tinham com a escória do empresariado. Só um cara que ainda guarda segredos inconfessáveis da república e se diz “achacado” por esses políticos, como ele disse na entrevista, dispara misseis com essa potência em direção a um presidente. Encurralado, com dívidas estratosféricas, ameaçado de ir para prisão nos Estados Unidos que, pela legislação, não permitem que empresários estabelecidos lá subornem autoridades em outros países, Joesley visualiza o fim do império que se aproxima.

Mas até la, o que desperta mais curiosidade em todo esse imbróglio é saber que Joesley recebeu um salvo conduto do Rodrigo Janot e do Ministro Edson Fachin, do STF, para ficar em liberdade e deixar o país depois de tanta revelação escandalosa que o inclui também como partícipe da farra financeira e da corrupção. Fachin, sabe-se agora, precisou do lobista da JBS, Ricardo Saud, também delatou, para convencer os senadores da sua indicação para o tribunal. Quanto a Janot, não se sabe até agora porque tanta benevolência com Joesley que se revelou o cérebro por trás de toda engrenagem da organização criminosa.

A participação de Joesley e seus irmãos na cooptação dos políticos é tão insolente que leva a população a perguntar como esses senhores conseguiram convencer o governo petista de que abrir empresa lá fora era melhor economicamente para o Brasil com a criação de multinacionais. Pelo menos foi esse argumento que eles usaram para levar os bilhões do BNDES para os Estados Unidos e outros países a juros maternais. Isso é a negação do que o Lula pregava quando chegou ao governo. Ele dizia que a Petrobrás deveria refazer sua política de compra, produzindo internamente para incrementar a indústria local e gerar emprego e renda no Brasil.

Nada disso aconteceu. Pelo que se viu, Lula era um blefe. Nunca entendeu patavinas de economia e menos ainda de administração. Deixou que seus dois ministros da fazenda agissem como Al Capone, transformando os gabinetes de Brasília em bordeis de luxo para lavar dinheiro e sangrar os cofres públicos. É a mais cabal de todas as evidências do despreparo do ex-presidente para gerar alguma coisa na vida, pois por onde passou deixou um rastro de corrupção.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

FESTAS JUNINAS

Quando o fole “pé-de-bode”
Der um acorde na serra
Até ancião de oitenta
Se levanta e desemperra,
Sai dançando no salão,
Festejando o São João
Que vai ter na minha terra.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

AMANTE DEFENDE AMIGO

Gleisi acha que Joesley não conseguiu enxergar a alma viva mais pura do PT

“A estrondosa entrevista do empresário Joesley contém algumas verdades. Entre elas, destaca-se a afirmação de que Temer lidera a mais perigosa quadrilha do país. De fato, essa afirmação está, nesse caso, embasada em gravações e filmagens que revelam, com provas cabais, um esquema de corrupção que atinge em cheio o núcleo do governo golpista. Mas a entrevista também contém alguns mitos que não têm nenhuma sustentação empírica. Podemos destacar dois. O primeiro, a afirmação estapafúrdia de que o PT teria ‘institucionalizado a corrupção no país’. Já o segundo, e mais grave, diz respeito à ideia de que todos os políticos são corruptos e que a atividade política é essencialmente corrupta”.

Gleisi Hoffmann – codinomes Coxa e Amante -, presidente do PT, em artigo publicado no site do partido, ensinando que também a corrupção institucionalizada em 2003 por Lula – codinomes Amigo, Brahma e Tulipa – é parte da “herança maldita” legada por FHC, que também criou o Mensalão, o Petrolão, o triplex do Guarujá e o sítio em Atibaia, além de Rosemary Noronha.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

21 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

NEM A PESTE DO RATO E A FEBRE DO CÃO FAZEM O CABRA ENXERGAR!!!

Mesmo sendo Lula penta réu – segurando um mísero guarda-chuva debaixo de uma grossa tempestade -, o fubânico petista Ceguinho Teimoso declara, afirma e jura que não existe nada, absolutamente nada, contra O Melhor Prisidente Que Este País Já Teve Desde O Seu Descobrimento!

Nada, nada, nada há contra Luiz Inácio Joesley Odebrecht da Silva.

O mundo inteiro está errado, apenas Lula está certo, brada Ceguinho.

Diz o velho ditado que a “justiça é cega“.

Pelo visto, não é apenas a justiça que é cega.

Tem mais outras entidades que são cegas nesta terra banhada de sol e de luzes.

Nosso querido fubânico faz jus ao nome: é ceguinho e é teimoso.

Aliás, o furor cegueta do nosso estimado confrade está a mil nesta corrente semana. Felizmente.

Quanto mais ele é prolixo, maior a nossa alegria.

O astral e o humor desta gazeta escrota vão às alturas com as tiradas ceguísticas.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

21 junho 2017 DEU NO JORNAL

AGORA O POLICIAL REAGIR A UM ASSALTO VIROU CRIME?

Rodrigo Constantino

O Brasil é mesmo um país muito estranho. Aqui nos Estados Unidos, se uma pessoa qualquer reagir a um assalto e matar o bandido, vira herói. Se um policial fizer o mesmo, será elogiado por ter cumprido bem sua função. É o que se espera dele. Mas não no Brasil. Após décadas de difamação e demonização da força policial pela esquerda, depois de tanta inversão entre bandido e vítima, eis que um policial que reage a um assalto é… suspeito! Vejam a notícia:

Um sargento da Polícia Militar (PM) é suspeito de reagir a uma tentativa de assalto, atirar e matar um homem na madrugada desta segunda-feira (19) no bairro Bom Jesus, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com a PM, três bandidos tentaram assaltar o militar, que estava fardado, e saía para trabalhar. Os outros dois ladrões fugiram.

Ainda segundo a polícia, o incidente foi por volta das 5h30 na Rua Palmeiras.

A PM informou que o sargento foi conduzido para o 18º Batalhão de Polícia Militar – onde será feito auto de prisão em flagrante. O revólver, uma arma particular, será recolhido. A Corregedoria da corporação informou que vai acompanhar o caso.

Num país em que as próprias autoridades recomendam que a vítima não reaja ao bandido, incentivando a postura acovardada da população, e num país em que o marginal é visto como vítima e a polícia como marginal, eis que o suspeito é o PM que reagiu ao assalto, não o assaltante em si. O homem precisa ser investigado, pagar um alto preço por sua ousadia. Onde já se viu reagir a assalto em vez de colaborar com a melhor distribuição de renda da população?

Lucas Berlanza comentou: “Suspeito de reagir! O assalto já é um patrimônio nacional a ser protegido, pelo visto… Agora reagir foi tipificado como crime. Enterrem logo esse Jornalismo que o defunto está fedendo”. De fato, esse “jornalismo” parece não ter juízo mesmo…

21 junho 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

SÉRGIO M. BARACAT – LONDRINA-PR

Berto,

Pela argumentação de “legítima defesa”, eu acho que o ladrão do vídeo é um petista bem doutrinado.

O galo pensou que o ladrão ia atrapalhar o “relacionamento” dele com a galinha e o tempo fechou.

Tenho certeza que Goiano fará uma brilhante defesa deste excluído social.

Saudações desde o Paraná!!!

21 junho 2017 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)

SÃO TANTAS COISINHAS MIÚDAS

Num dia, tarde da noite, o bandido notório de maior sucesso na história do país telefonou ao líder da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil para marcar uma visita. Ótimo: marcou-se a conversa para a mesma noite. O bandido notório combinou com o líder da quadrilha que usaria nome falso e a visita não entraria na agenda. Se a opinião de um sobre o outro era a que depois declararam, por que um pediu a reunião, por que o outro a aceitou? A história da reunião, da gravação e da entrevista é marcada por pequenos mistérios. Esquisitices – como entendê-las?

No início da conversa gravada de ambos, o líder da quadrilha comenta com seu convidado que há tempos não o via. O bandido notório lembrou um evento em que se encontraram. Mas, na entrevista, o bandido notório diz que o líder quadrilheiro vivia atrás dele para pedir dinheiro. Onde está a verdade? Se o bandido notório mentiu na delação, diz a regra do jogo, perde as vantagens – e que vantagens! Terá corrido o risco? E os 500 mil por semana, durante 20 anos? Terminado o mandato do capo da quadrilha, ele não vai ver um centavo a mais. Sem poder, sem dinheiro. Os dois sabem disso. Não seriam idiotas de propor ou aceitar essa bobagem.

Como compôs Gonzaguinha, e Maria Bethânia interpretou com brilho, essas coisinhas miúdas, tantas delas, vão “roendo, comendo, arrasando aos poucos com o nosso ideal”. Historinhas, “já não dá mais para engolir”.

Grito de alerta

Michel Temer é inocente ou culpado? Isso o Supremo irá decidir. E, no Brasil, só o Capitão Gancho põe a mão no fogo pela inocência de um figurão. Já Joesley confessou; se disse tudo, ou apenas parte, caberá ao Supremo julgar. Mas é estranho que, tendo multiplicado seus negócios nos 14 anos de Governo petista e neles transformado suas empresas nas maiores do mundo em proteína animal, concentre a maior parte da delação e acusações nos dez meses de Temer. E que, além de delatar, procure dar a maior repercussão possível às acusações, sem que isso lhe renda qualquer vantagem. Passou semanas negociando sua entrevista, com diversos veículos, até escolher quem a publicaria. Por que esse trabalho todo?

Amanhã ou depois

Com a entrega das alegações finais dos advogados de Lula, o juiz Sérgio Moro pode, a qualquer momento, emitir a sentença. Em caso de condenação, dificilmente Lula será preso: há a possibilidade de defender-se em liberdade até o julgamento da apelação pelo Tribunal Regional Federal. A sentença pode até sair hoje, mas, embora Moro seja conhecido pela rapidez das decisões, o normal é que demore mais de uma semana.

O que é, o que é

Além deste, Lula tem dois outros processos penais na 14ª Vara de Curitiba, do juiz Sérgio Moro. Mas o mais problemático é este que aguarda sentença. Se Lula for condenado, e sua apelação for negada, estará automaticamente proibido de concorrer a qualquer eleição – e, portanto, não poderá disputar a Presidência em 2018. Nos outros dois processos, não há tempo para que seja condenado em segunda instância.

É

No episódio da perseguição ao jornalista Alexandre Garcia no aeroporto de Brasília, noticiou-se que o responsável pelo assédio foi Rodrigo Grassi Cademartori, conhecido pelo apelido de Pilha. O que passou quase despercebido foi o passado do cavalheiro: Pilha (que filmou a perseguição a Alexandre Garcia e a colocou na Internet) já ofendeu o então senador Aloysio Nunes e foi detido por isso, sendo rapidamente solto, hostilizou a blogueira cubana Yoani Sánchez, tentando impedir suas palestras, e comandou a perseguição na rua ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. Na época, era assessor da deputada petista Erica Kokay.

Não é

Esta coluna errou ao dizer que Mário Covas, quando se opôs duramente à entrada do PSDB no Governo de Fernando Collor, dispunha do poder de governador de São Paulo. Na verdade, Covas dispunha apenas de seu prestígio e boa reputação: ainda não tinha sido eleito governador.

Sangrando

Lula, líder de um dos maiores partidos do país, sob ameaça de condenação. O PSDB, um dos maiores partidos do país, enfrenta problemas internos com grupos que querem afastá-lo do Governo. O PMDB, um dos maiores partidos do país, ocupante da Presidência da República, luta para manter o mandato ameaçado de Temer. Pois nada disso afeta nossos parlamentares: depois da semana folgada com desculpa do feriado de Corpus Christi, nesta semana o expediente termina mais cedo, por causa das festas juninas. Nesta quarta, o expediente termina às 15h, para que Suas Excelências possam pegar um voo mais cedo. Folgam até a terça que vem.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL (PA)

21 junho 2017 DEU NO JORNAL

MENOS GENTE COÇANDO O SACO

Brasil abre 34,2 mil vagas formais de trabalho em maio.

Pelo segundo mês seguido houve criação de postos de trabalho com carteira assinada.

* * *

Segundo o fubânico petista Citador de Dados, isto é reflexo da maravilhosa administração de Lula.

Aumento de vagas de trabalho é uma herança do período em que Banânia foi governada por um partido cuja sigla era PT (Perda Total).

21 junho 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE


STAND-UP COM POESIA

RESPINGOS

No meu quarto
Respingou você
Resta saber

Se entrando
Ou saindo
Se entrando
Se abanque
Crie raízes
Me ame depois

Se saindo
Me leve
Ou então
Seja breve
Volte depois

O mundo foi feito
Pra viver a dois.

* * *

SE PRA TE AMAR…

Se pra te amar
Tenho que te aprender
Hei de te aprender.
Se pra te aprender
Tenho que te amar
Hei de te amar.

Se algum dia
Eu não mais te ver
Hei de te sentir.
Se pra te sentir
Eu tenho que te ver
Hei de te ver.

Se eu
Não te aprender,
Não te amar,
Não te ver
Não te sentir.
Hei de te sonhar,

E se pra te sonhar
Eu tiver que dormir
Hei de dormir

Se esse é o preço
Eu pago o castigo.

* * *

COLISÃO FRONTAL

Você vinha quente
Eu estava fervendo
Você ardente
Eu derretendo
Na rota de colisão
Você inexperiente
Abalroo meu coração
Entre feridos e mortos
Todos viraram cinza

21 junho 2017 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE

21 junho 2017 JOSELITO MÜLLER

“SAIDÃO DE SÃO JOÃO”

Confirmando as críticas daqueles que se posicionam contrariamente à saída de presidiários para comemorar datas festivas fora dos presídios, a polícia civil efetuou a prisão de oito detentos beneficiados com o chamado “saidão de São João”, acusados de formação de quadrilha junina.

As prisões foram resultados de intensa investigação, realizada sobretudo por meio de interceptações telefônicas, o que impediu que ações da quadrilha se concretizassem.

“O certo mesmo é esse pessoal comemorar o São João dentro dos presídios mesmo, porque fora é um perigo para a sociedade”, declarou um especialista em segurança pública.

PARA ELE, “OS PRESÍDIOS TÊM TODA ESTRUTURA PARA REALIZAÇÃO DOS FESTEJOS JUNINOS, ENTÃO NÃO FAZ SENTIDO ESSA SAÍDA. DIFERENTEMENTE DO SAIDÃO DO DIA DE FINADOS, POR EXEMPLO, QUE TEM QUE SER COMEMORADO FORA.”

A prisão dos meliantes se dá sintomaticamente em meio à repercussão da afirmação de Joesley Batista segundo a qual Temer é o maior chefe de quadrilha do país.

21 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

JUNHO DAS NOITES BRASILEIRAS

BDSJ

No nosso calendário de festejos populares, a festa do Senhor São João se torna a mais festejada em Pernambuco, nesse mês dedicado aos santos de junho.

É também a festa mais antiga do Brasil, já registrada por frei Vicente do Salvador, em sua História do Brasil 1500-1627, que assim as descrevia: “acudiam com muita boa vontade, porque são muito amigos de novidades, como no dia de São João Batista por causa das fogueiras e capelas”.

Trata-se de uma festa de grande misticismo, a partir do próprio nome Batista – o que batiza cheio de graça -, em cuja noite se praticava feitiçarias, como demonstra a denúncia de Madalena de Calvos contra Lianor Martins, a Salteadeira, acusada dentre outras coisas, de trazer consigo uma semente enfeitiçada colhida na noite de São João, segundo depoimento prestado perante o inquisidor Heitor Furtado de Mendoça, em 22 de novembro de 1593, quando da primeira visitação do Santo Ofício a Pernambuco.

As festas juninas foram trazidas para o Brasil pelos colonizadores portugueses, eles próprios ainda hoje cultores desta milenar tradição marcada pelas festas de Santo Antônio, em Lisboa e em Lagos; São João, no Porto e em Braga, e São Pedro, em Évora e Cascais. Na Europa as festas juninas coincidem com o início do verão, daí a presença da tradição de costumes pagãos dentro dos festejos, como adivinhações e o culto ao fogo.

No que diz respeito às fogueiras, ensina a tradição cristã divulgada pelos jesuítas ter sido um compromisso de Santa Isabel, prima da Virgem Maria, de mandar erguer uma enorme fogueira no sentido de anunciar o nascimento de seu filho João Batista: “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Veio ele como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por seu intermédio. Ele não era a luz, mas devia dar testemunho da luz”. (João 1,6-8).

No Brasil as festas juninas acontecem com o início do inverno, tempo de colheita do milho e do feijão no Nordeste, que sempre está à espera das boas invernadas de modo a afastar o espectro das estiagens de modo a garantir a sua subsistência; como na polca de Zé Dantas e Luís Gonzaga, Lascando o cano (RCA 80/307B-1954):

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Vamo, vamo Joana
Findou-se o inferno
Houve um bom inverno
Há fartura no sertão…,
Ai! …Joana, traz pamonha, milho assado
Vou matá de bucho inchado
Quem num crê no meu Sertão.
Traz a riuna que eu vou lascar o cano
Pela safra desse ano
Em louvor a São João.

Em se tratando de um povo de bailadores, acostumado a dançar no meio da rua, na região Nordeste os festejos juninos são marcados, não somente pelas fogueiras, balões, comidas da época (nas quais predominam o milho, a mandioca, a castanha de caju e os doces variados), mas também pela música em seus mais diferentes gêneros a movimentar os arraiás, residências, comércio, clubes sociais, programação de rádio e televisão e, sobretudo, a alma festiva dessa gente; como naquela polca de Zé Dantas e Joaquim Lima, Chegou São João, gravada por Marinês (RCA- BBL1075-B-l/ 1960):

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Eita pessoá!
Chegou São João!
Vou me espraiá,
Vou dá no pé prô meu Sertão.
Eu vou pra lá,
Brincá com Tonha,
Com Zefa e Chico,
Comer pamonha e canjica
Vou soltar ronqueira,
Bebê e dançar coco
Em volta da fogueira.
Vou soltá,
Foguete, balão, buscapé
Bebendo aluá, cachaça e capilé

………………………………….

A festa de São João tem início com o Acorda Povo, logo na madrugada do dia 23, acordando os moradores ao som de zabumba, caracaxá, ganzá, triângulo, sanfona, tudo movido a muita cachaça: “Acorda povo que o galo cantou / Foi São João que anunciou ….”.

No por do sol do dia 23, véspera da festa do santo, são acendidas às fogueiras e a festa tem continuidade com a Bandeira de São João. Uma procissão antecipada por uma estrela, coberta de papel celofane com cerca de 150 cm. de diâmetro, iluminada por velas no seu interior, carregada por dois meninos. Seguem-se duas filas, formadas por homens e mulheres, que cantam e dançam em honra do santo, fazendo marcação com os pés e, por vezes, trocando umbigadas. Segue-se de uma bandeira, pintada com a imagem do Batista menino com o carneirinho, segurada em suas pontas por quadro adolescentes, antecedendo ao andor com a imagem do santo, esculpida em gesso ou madeira, carregado por quatro moças vestindo branco, encarnado e verde, cores mantidas também nas lanternas dos acompanhantes. Finalmente uma banda de pífanos, ou um terno de sanfona (acordem, zabumba e triângulo), acompanha os seguidores no seu canto: “Que bandeira é esta / Que vai levantar/ É de São João para festejar/ Que bandeira é esta / Que já levantou/ É de São João, primo do Senhor”.

A música é uma constante nos festejos juninos desde os primeiros dias da colonização. Foi assim com as capelas, referidas pelo frei Vicente do Salvador e descritas pelo Padre Carapuceiro, continuando em nossos dias com a adaptação de ritmos oriundos de outras plagas, como o xote (schottisch), proveniente da Hungria; a polca e a mazurca, originárias da Polônia, e a quadrilha, que teve por berço os salões aristocráticos de França e, no Brasil, veio a ser dançada da Corte às casebres da zona rural, como bem assinala O Carapuceiro, em sua edição de 6 de abril de 1842: “Nas baiúcas mais nojentas/ Onde a gente mal se vê/ Já se escuta a rabequinha,/ Já se sabe o balancê./ Nisto mesmo está o mérito/ Deste dançar tão jacundo,/ Que sem odiosa exclusão,/ Acomoda todo o Mundo”.

Não faltam nessas animadas festas os ritmos originários da terra, como o coco-de-roda, originário dos batuques africanos, que marcado por um ganzá, nas mãos do solista (tirador), acompanhado por um tambor em compasso binário, e respondido pelas vozes dos dançarinos a marcarem o ritmo com sapateado dos seus tamancos de madeira, trocas de umbigadas e assim mantém a alegria a noite inteira. Para Pereira da Costa, in Folk-Lore Pernambucano (1908), o coco é a “dança querida do populacho, com certa cadência acompanhada a palmas, e na qual os foliões acomodam trovas populares repetidamente”[…] “o coco, porém, está tão vulgarizado que chegou mesmo à zona sertaneja, com a sua particular toada, mas, com letra variada, convenientemente acomodada ao canto, e obedecendo sempre a um estribilho contínuo, cantado em coro pelos circunstantes”.

O nosso coco, também veio a ser era descrito no conto de Luís Guimarães Júnior (1845-98), quando, estudante da Faculdade de Direito do Recife, publicou no Diario de Pernambuco, 8 de fevereiro de 1871, um conto sob o título “A alma do outro mundo”, no qual comenta o que chamou de “samba do Norte” , na verdade o nosso coco-de-roda.

Rodrigues da Carvalho, in Cancioneiro do Norte (1928), afirma ser o coco a “dança predileta do pessoal dos engenhos de açúcar, negros e caboclos, cambiteiros, o mestre de fornalha, o metedor de cana, o banqueiro [mestre que dá ponto ao açúcar], os tanjedores da almanjarra, etc.”. Mas na hora da alegria, onde a cachaça passa a dirigir os gestos e as ações, nem mesmo a autoridade está livre de uma roda de coco; como bem descreve Zé Dantas em gravação de Luís Gonzaga (RCA-Leme 801656A/1957):

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O seu delegado fez mais um esforço
E madrugada mandou um reforço
Mas desconfiado por não ter notícia
Veio ver o que houve, com a sua polícia
E de manhã cedo, a graça do povo
Era o delegado contando bem rouco
Nesse coco poliça num tem vez
Se acaba no pau, quem falá em xadrez } bis

Também ligados ao Ciclo Junino, particularmente aos seus intérpretes, estão hoje o baião, o xaxado, a toada, a embolada, a ciranda e a marcha sertaneja, ou marcha junina, esta última originária das marchas populares com as quais Lisboa festeja o seu Santo Antônio e que vieram a ser conhecidas, através das companhias de revista, como marcha portuguesa, a exemplo da marcha de Zé Dantas e Luís Gonzaga, São João na roça (RCA 800895A/1952):

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A fogueira tá queimando
Em homenagem a São João
O forró já começou… ô
Vamos gente!…
Rapa pé nesse salão.
………………………….

Ou esta outra marchinha, marca do romantismo das noites juninas, composta por Luiz Gonzaga e José Fernandes, Olha pro céu (Vitale 603326832), recentemente relançada na coletânea 50 anos de chão, em homenagem ao Rei do Baião:

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Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo…
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo…

Foi numa noite
Igual a esta
Que tu me deste
O coração
O céu estava
Assim em festa
Porque era noite
De São João
Havia balões no ar
Xote, baião, no salão
E no terreiro, o teu olhar
Que incendiou meu coração

Tudo acontece numa mistura de ritmos e de cores, num cadinho conhecido no passado por forrobodó, já neste século por forrobodança e a partir dos anos quarenta por forró, como lembra Zé Dantas in Forró do Mané Vito, gravado por Luís Gonzaga em 1949 (RCA 800668B/49) ser o local onde todos esses sons se misturam num grande baile popular.

Nas composições musicais do ciclo junino está toda moral do sertanejo, “Sertão das muié séria / Dos homi trabaiadô”… (A volta da asa-branca, toada de Zé Dantas, gravada por Luís Gonzaga, em 1950, RCA 800739 A) e a vida simples do seu povo:

Ai São João chegou,
Iaiá!
Ai São João chegou,
Sinhá!
Teu vestido de chita,
Já mandei preparar.
Minha roupa de lista,
Já mandei engomar,
Eu tenho uma festinha
Para te levar
Eu tenho uma fogueira,
Para o nosso lar

E hoje, o jovem romântico de ontem, pode lembrar com saudades aquelas noites juninas que não voltam mais, cantando aquele sucesso sempre atual, composto por Zé Dantas e Luiz Gonzaga em 1954, que leva o singular título de Noites brasileiras (RCA 801307 A):

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Ai que saudade que eu sinto
Das noites de São João
Das noites tão brasileiras das fogueiras
Sob o luar do sertão

Meninos brincando de roda
Velhos soltando balão
Moços em volta à fogueira
Brincando com o coração
Eita São João dos meus sonhos
Eita saudoso sertão, ai, ai…

21 junho 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO


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