CHAMEGUINHO

Amanhã é dia de festa na Nação Nordestina, véspera do Dia de São João. Festa pra celebrar o querido santo com muito forró, muita comida, muita bebida, muita música, muita dança.

Assim como no final do ano se deseja “Feliz Natal”, aqui na terrinha a gente deseja Feliz São João!

Vamos esperar a grande festa de amanhã com um peneirado da bixiga lixa, obra da compositora paraibana Cecéu, na doce voz de Elba Ramalho.

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Flagrante feito no São João de 2015, aqui no Recife, Sítio Trindade: o casal de editores do JBF relando o bucho e polindo a fivela do cinturão num fuá da bixiga lixa!

22 junho 2017 FULEIRAGEM

GIANCARLO – CHARGE ONLINE

22 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

CENAS DOMÉSTICAS (24)

Amanhã, véspera de São João, já é mesmo que feriado aqui na Nação Nordestina.

Salvo a alegria e a festança, nada mais funciona.

Hoje, quinta-feira, foi o último dia de aula do João nesta semana.

E se repetiu a mesma lenga-lenga de todos os dias pra tentar tirá-lo da cama. O sujeitinho é preguiçoso que só a peste pra ir pro colégio.

– Acorde, meu filho. Tá na hora.

E ele resmungando debaixo do lençol:

– Que coisa ruim é este negócio de estudar.

– Estudar é muito importante pro seu futuro, meu filho – recitei cheio de entusiasmo.

E ele me respondeu de pronto:

– Pode ser bom pro futuro. Mas pro presente é um negócio chato mesmo.

Cabra cheio de ideias e que nunca deixa nada sem resposta.

Ele está todo empolgado com um curso de desenho que faz à tarde das quartas-feiras. Uma hora inteira de puro deleite e muita criação. Aprendeu a fazer desenhos em terceira dimensão e está sempre concentrado em suas criações.

Ontem eu já estava quieto no meu canto, deitado e vendo televisão, quando ele chegou e pediu licença pra tirar uma foto da minha cara. Acionou o celular, bateu a foto e saiu.

Quando foi hoje pela manhã, ele veio me mostrar o fruto de sua artimanha: desenhou o meu fucinho a partir da foto que havia tirado. Assinou e datou sua obra.

Sujeito arteiro que só a porra.

E eu fiquei lindo, lindo no desenho dele!

Vejam:

22 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA (MG)

GILMAR IGNORA QUE JÁ PERDEU A LUTA CONTRA A LAVA JATO

O ministro onipotente, onisciente e onipresente premiou o Brasil com o surgimento do único Juiz dos Juízes do planeta

Em 2002, quando o advogado e professor de Direito Constitucional se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes não havia julgado coisa alguma num tribunal. Talvez tivesse arbitrado pendências familiares ou discussões de botequim, o que não autoriza ninguém a caprichar na pose de magistrado de nascença, escalado já no berçário para decidir qual dos bebês em litígio tinha razão. Mas é assim que Gilmar se comporta há 15 anos, e com crescente arrogância.

Entre 2008 e 2010, período em que exerceu a presidência do STF, nasceu o Gilmar onisciente. Em seguida surgiu o onipotente. Neste outono, nasceu o Gilmar onipresente. A soma das três sumidades presenteou o Brasil com o único Juiz dos Juízes do planeta. Ele está em todos os lugares, opina sobre tudo e não admite ponderações em contrário. Até recentemente, os brasileiros comuns aprendiam que um juiz só deve falar nos autos. Gilmar só fala fora dos autos, até porque não é de perder tempo com a pilha imensa de processos que aguardam em sua sala alguns minutos da preciosa atenção do ministro.

Há poucos dias, num pronunciamento em Pernambuco, ele foi mais Gilmar Mendes do que nunca. Decidido a bombardear a Lava Jato, mas sem coragem suficiente para dizer isso com todas as letras, meteu-se num palavrório mais confuso que discurseira de Dilma Rousseff. “Investigação, sim! Abuso, não!”, berrou num começo de parágrafo. Seguiu-se a pausa dramática para os aplausos que não vieram. “Não se pode aceitar investigações na calada da noite!”, exclamou mais adiante. A Polícia Federal, portanto, deve suspender imediatamente as batidas na porta às seis da madrugada e limitar-se a esclarecer crimes entre 9 da manhã e 5 e meia da tarde.

“É preciso que se respeite o Congresso Nacional!”, ordenou o orador. “É preciso que se respeite a política!” Para que o Congresso mereça respeito, para que a atividade política não pareça uma forma de bandidagem, nada melhor que desmascarar e punir os delinquentes que desmoralizam a instituição e colocam sob suspeição todos os integrantes de partidos. É o caminho que a Lava Jato vem percorrendo há pouco mais de três anos, e que Gilmar Mendes adoraria interditar ─ se pudesse. Para alívio do Brasil decente, não pode. Nem ele nem ninguém.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

ORAÇÃO DE SOSSEGAR MOTOCICLETA

Santo ferreiro dos deuses
Santo psiu! do dedinho
Deus pequenino e Deus Pai
Baixai (três vezes) baixai
Com o poderio dos profetas
O som das motocicletas
Que ninguém agüenta mais.

Se o cabra tira uma madorna
Num alpendre ventador
No nheco-nheco de rede
Somente o som do armador
Pouco mais escuta: RÓÓÓZZZ!!!!!
É vaqueiro em motocross
Cuspindo carburador.

Se a gente tá palestrando
Com dois cumpade na feira
No melhor da segredagem
Duma fofoca brejeira
Pouco mais lá vem: bruaá!!!!!!!!
Pi-bit !!! Bruaá!!! Bruaá!!!!
Das motos na zoadeira.

Se tiver na capitá
Degustando uma gelada
Com um roliúde-sem-frilto
Puxando a última tragada
Na segureza do trago:
Pei-bufo! Danou-se! Estrago:
Três motos numa trombada.

Se você tá matutando
De motivo apaixonado
Tirando o peso dos ombros
Fazendo versos rimados
Pouco mais um terremoto
Rá-tá-tá-tá!!!! Passa uma moto
De butico envenenado.

Se você corre pra praia
No mais deserto oceano
Faz cancha mode o retrato
A mulher fotografando
No clik! dessa casquinha
Lá vem uma cinqüentinha
Pra-lá-pra-cá derrapando.

Antigamente, cumpade
Muito apoucadamente
A gente apontava à dedo:
Fulano tem uma lambreta
Sicrano uma monareta
Ou bicicleta-motor.

Um motoqueiro? Doutor?
Só via, com muita sorte
Dentro dum “globo da morte”
Dum circo do exterior.

Agora, daqui pra frente:
O mundo vai ser das moto,
dize-tu-e-direi-eu!
Vai ser zoada e fadiga
Vai findar naquela intriga
Que o Apocalipse escreveu.

Pra quem ainda não leu
Tá lá o escrito o boato:
“Quadriciclo é candidato
Do Partido dos Pneu.”

Por isso eu peço aos senhores
Meu santo Jesus Cristim
Santo ferreiro dos deuses
Meu santinho Querubim
Moto! Conheça-te a ti mesma
E ande feito uma lesma
Calada perto de mim.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

22 junho 2017 PERCIVAL PUGGINA

UMA REVOLUÇÃO DECRÉPITA E RABUGENTA

Em 1959, meus pais vieram morar em Porto Alegre. Aqui estavam as universidades e os melhores colégios públicos que para elas preparavam seus alunos. No topo da lista, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos e seus excelentes professores. Por ali passaríamos os sete irmãos, cada um ao seu tempo. Era impossível, na efervescência intelecto-hormonal e no dinamismo da política estudantil dos anos 60, ficar imune aos debates e às disputas entre as distintas e “sólidas” convicções dos adolescentes às voltas com suas espinhas. Foi nesse ambiente que ouvi, pela primeira vez, afirmações que repercutiriam através de sucessivas gerações de brasileiros: nosso país, a exemplo de outros, era subdesenvolvido por causa do imperialismo norte-americano, do capitalismo, da ganância empresarial e da remessa de lucros para o estrangeiro. Desapropriação e nacionalização compunham palavras de ordem e o fogoso Leonel Brizola se encarregava de agitar a moçada com inflamados discursos a respeito.

Para proporcionar ainda mais calor àquela lareira ideológica, Fidel Castro, montado num tanque, passara por cima dos supostos males causados pela burguesia e – dizia-se – colocava Cuba no limiar do paraíso terrestre. Derrubara uma ditadura e implantava o comunismo na ilha. Cá em Porto Alegre, nos corredores do Julinho, os mais eufóricos desfilavam entoando “Sabãozinho, sabãozinho, de burguês gordinho! Toda vil reação vai virar sabão!”. A efervescência tinha, mesmo, incontidas causas hormonais.

Em meados de 2015, o New York Times publicou matéria repercutida pelo O Globo sobre as expropriações e nacionalizações promovidas pela revolução cubana em seus primeiros três anos. Menciona vários contenciosos que se prolongam desde então, envolvendo, entre outros, o governo espanhol, uma entidade representativa dos interesses dos cidadãos espanhóis, os Estados Unidos, bem como empresas e cidadãos norte-americanos e cubanos. Todos tiveram seus haveres confiscados, expropriados e, em muitos casos, surrupiados por agentes públicos. Ao todo, dois milhões de pessoas abandonaram a ilha, deixando para trás seus bens. Muitos, como a nonagenária Carmen Gómez Álvarez-Varcácel, que falou ao NYT por ocasião dessa reportagem, tiveram tomadas as joias de família que levavam no momento em que abandonavam o país. Segundo a justiça revolucionária, tudo era produto de lucro privado e merecia ser expropriado. Quem, sendo contra, escapasse ao paredón, já estava no lucro. Um estudo da Universidade de Creighton fala em perdas de US$ 6 bilhões por parte de cidadãos norte-americanos. As pretensões espanholas chegariam a US$ 20 bilhões.

No discurso da esquerda daqueles anos, e que se reproduz através das gerações, Cuba, tinha, então, o paraíso ao seu dispor. Sem necessidade de despender um centavo sequer, o Estado herdou todo o patrimônio produtivo, tecnológico e não produtivo de empresas privadas e de milhões de cidadãos. Libertou-se a ilha da dita exploração capitalista. O grande vilão ianque foi banido de seu território. Extinguira-se, de uma só vez e por completo, a remessa de lucros. A maldosa burguesia trocara os anéis pelos dedos.Tudo que o discurso exigia estava servido de modo expresso, simultâneo, no mesmo carrinho de chá.

Cuba, no entanto, mergulhou na miséria, no racionamento, na opressão da mais longa ditadura da América, na perseguição a homossexuais, na discriminação racial e na concessão a estrangeiros de direitos que, desde então, recusa ao seu povo. Por outro lado, enquanto, em nome da autonomia dos povos, brigava como Davi com bodoque soviético contra os Estados Unidos, treinava e subsidiava movimentos guerrilheiros centro e sul-americanos, e intervinha militarmente em países africanos a serviço da URSS.

O recente recuo político promovido por Trump nos entendimentos com a alta direção de Castro&Castro Cia. Ltda. leva em conta aspectos que foram desconsiderados por Obama e pelo Papa Francisco, tanto na política interna da ilha quanto nos contenciosos nascidos naqueles primeiros atos da revolução. Não posso ter certeza sobre quanto há de proteínas democráticas na corrente sanguínea de Trump animando essa decisão. Mas não tenho dúvida, porque recebo informações a respeito, que os milhões de cubanos na Flórida conhecem como ninguém a opressão política, a coletiva indigência, a generalizada escassez e a falta de alternativas que sombreia sucessivas gerações de seus parentes sob o jugo de uma revolução velha e velhaca, decrépita e rabugenta. E essa pressão política pesa muito por lá.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA


AMBIÇÃO SEM LIMITE

AMBICAO SEM LIMITE

(Um Conto das Mil e uma Noites)

Um dervixe, no deserto,
caminhava certo dia.
Vinha de longe e apenas
tinha a fé por companhia.
O seu corpo maltratado,
fome e cansaço sentia.

Imerso em seus pensamentos
prosseguia o viajor.
Próximo de uma colina
encontrou um mercador
que de cem camelos era
o feliz possuidor.

Pediu-lhe o pobre uma esmola,
que de pronto foi negada.
O mercador recusou-se,
alma insensível, malvada,
a oferecer ajuda
a um pedinte na estrada.

O esmoler perguntou
àquele homem prepotente:
– São seus esses cem camelos?
– São meus – disse sorridente.
– E tem dívidas o senhor?
– Não, nenhuma, certamente.

– Um homem com cem camelos
e que não tem dívida é rico…
Muito rico com certeza!
Falou o outro – Eu explico:
evitando dar esmolas,
rico cada vez mais fico.

– Deus lhe fez rico e, a mim, pobre;
teve, pois, suas razões.
Mas Ele não quer que os pobres
sofram, como eu, privações.
Rico que despreza pobre
talvez sofra punições.

Ante um comentário às vezes
gente há que raciocina,
pois a fala do dervixe
tocou o rico sovina,
que temeu logo os castigos
da Providência Divina.

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22 junho 2017 FULEIRAGEM

ZÉ DASSILVA – DIÁRIO CATARINENSE

22 junho 2017 DEU NO JORNAL

GENTE BESTA E MATO

Levantamento nacional realizado pela Paraná Pesquisas revelou que 71,4% dos brasileiros acreditam que o juiz federal Sérgio Moro vai condenar o ex-presidente Lula no caso do tríplex.

Apenas 24,4% esperam absolvição do petista.

Indagados sobre se há algum tipo de perseguição do magistrado contra o ex-presidente – tese sempre repetida pela defesa do petista -, 61,1% foram categóricos ao afirmar que Moro não persegue Lula.

* * *

Este percentual de mais de 24% daqueles que esperam a absolvição do Maior-Bandido-Que-Banânia-Já-Teve, é um número impressionante.

Um número absurdamente alto!!!!

Pior do que esperar a absolvição de Lapa de Bandido, é saber que existe neguinho que garante ser o proprietário do PT completamente inocente!

Como tem gente idiota nesta terra.

Puta que pariu!!!

Como costumava dizer a Velha Menininha, minha saudosa avó, “gente besta e mato é o que mais tem no mundo“.

Vamos botar Polodoro pra rinchar em homenagem a quem AINDA acredita que Lapa de Demagogo é inocente.

E, pior, que diz que votará nele no ano que vem (se ainda estiver solto, claro)

Rincha, Polodoro!

22 junho 2017 FULEIRAGEM

DUM – CHARGE ONLINE


http://www.musicariabrasil.blogspot.com
ASA BRANCA 70 ANOS

Em homenagem aos setenta anos dessa canção que é , sem dúvida alguma, o hino do Nordeste, hoje trago sete versões em diferentes idiomas de uma das canções mais gravadas da música popular brasileira.

Francês:

Chinês:

Alemão:

Senegal:

하얀 날개(Asa Branca) Hayan Nalgae (White Wings)

Inglês:

Português:

22 junho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

JOÃO COUTO RAICK – CUIABÁ-MT

Berto,

Sou leitor diário do JBF. Um blog de alta qualidade.

É minha primeira leitura pela manhã antes de ir para o trabalho.

Presto atenção em tudo e em todo os detalhes.

No dia 30 de abril passado o nobre editor fez uma pergunta ao Ceguinho Teimoso.

Pergunta que continua sem resposta até hoje.

Será que teremos resposta antes de acabar o semestre?

R. Caro leitor, acho que, além de ceguinho, nosso querido confrade virou também mudinho.

De fato, ele deu o calado por resposta à pergunta que fiz.

Como a pergunta tem a ver com o ato de votar – e no próximo ano teremos eleições para presidência da república -, seria interessante que Ceguinho se pronunciasse assim que arranjasse um tempinho em sua movimentada agenda.

Quem quiser ver a postagem a que o nosso estimado leitor se refere, basta clicar aqui.

Um grande abraço para toda comunidade fubânica dessa bela e acolhedora Cuiabá!

22 junho 2017 FULEIRAGEM

BRUM – TRIBUNA DO NORTE (RN)

BRINCADEIRA DE PEGA

Depois das aulas na Faculdade de Engenharia era costume a turma reunir-se para uma cerveja e traçar planos noturnos na Pizzaria Sorriso na Praça Sinimbu. Certa noite de quinta-feira, após uma prova, tomei rumo à pizzaria, assim que entrei recebi o convite, participar de uma festinha íntima na praia da Sereia. As moças já estavam esperando para levá-las a um bar escondido em frente ao mar. Confesso, o convite me abalou, mas a namorada me esperava para assistir a última seção do Cine São Luiz. A paixão foi maior, agradeci aos amigos, fui ao cinema onde o amor puro e belo me aguardava.

Na manhã seguinte depois de tomar um café generoso daqueles que só existe na casa da nossa mãe, dirigi o carro rumo à Faculdade. Ao ligar o rádio sintonizado num programa de ronda policial, o locutor escandaloso esbravejava contando os acontecimentos.

“E atenção para essa notícia da juventude transviada. Um bando de xexelentos, rabugentos, estudantes da Faculdade de Engenharia da UFAL, promoveu um bacanal na praia da Sereia juntamente com algumas mundanas. Estavam como vieram ao mundo perturbando a moralidade pública, um escândalo na praia da Sereia. A depravação era tanta que uma moradora da redondeza chamou a Rádio Patrulha. Todos foram recolhidos a 1ª Delegacia de Polícia da Capital”.

Logo percebi que os xexelentos eram meus colegas. Mentalmente agradeci à namorada por não ter ido à festa. Na Faculdade um dos colegas contou a proeza, às gargalhadas.

Os meninos saíram em dois carros e um jipe percorrendo alguns pontos da cidade pegando as convidadas para a festinha. Eram sete acadêmicos e oito mulheres na praia em noite de lua cheia. No bar discreto pediram cerveja, cachaça, rabo de galo, tira-gosto de camarão, panã, siri, cioba. Todos conversando, sorrindo e cantando. A animação prosseguiu, um dos colegas tocava divinamente flauta, deu um show tocando músicas de Chico Buarque e Caetano. A cachaça rolava. Alguns mais apressadinhos davam uma saída para deitar-se olhando a Lua, os corpos rolando, lambuzando-se de areia da praia, parecia filé à milanesa.

Em certo momento, alguém teve a idéia.

“Está tudo muito bom, festa arretada, mas vamos animar um bocadinho, é tarde da noite e não tem vizinho por aqui. Vamos brincar de pega! As meninas correndo na frente se escondem, nós partimos depois para procurá-las. Quem conseguir achar e pegar alguma, os dois vão saudar Iemanjá num banho de mar ou em qualquer lugar. A ordem é essa!”.

A sugestão foi aceita por unanimidade. Logo estavam os 13 festeiros correndo e gritando pela praia iluminados por um luar prateado. Viam-se os vultos correndo e ouviam-se os gritinhos nervosos das meninas escondendo-se dos caçadores, brincadeira apimentada. Dois amigos preferiram ficar sentados no bar apenas olhando a brincadeira de pega, divertindo-se. Já durava uma hora de corre-corre, quando apareceu um jipe em marcha lenta com luz alta acesa focando os alegres jovens que brincavam de pega. Quando focou um dos acadêmicos pegando uma bonita morena, o estudante virou-se gritando alto.

– Apague essa luz, seu filho….!!!

O jipe parou, saltaram três policias com cassetete na mão e revólver nos quartos, era a Rádio Patrulha. Prenderam o casal. O comandante chamou todos para reunirem-se no bar. O pessoal foi se achegando, vestindo a roupa. Um dos estudantes apresentou-se como aluno do NPOR, mas não houve acordo. O sargento comandante da patrulha informou que a denúncia foi uma ligação de um capitão do Exército que morava pela redondeza pedindo para acabar aquela imoralidade pública, contra os bons costumes. Exigiu a prisão de todos os marginais da orgia.

Convidados para comparecerem à delegacia, foram os quinze pegadores, pecadores. O delegado logo trancafiou as mulheres no xadrez. A sorte é que um dos acadêmicos era primo do delegado. Os estudantes comovidos pediram para liberar as meninas. Às quatro da manhã chegaram a um acordo, os homens estavam liberados, podiam ir para casa, as mulheres depois seriam soltas. O delegado não cumpriu o acordo, as moças dormiram na delegacia, foram soltas no dia seguinte. Jornalistas encarregaram-se de espalhar a notícia do bacanal nas rádios e jornais.

Hoje esses engenheiros da brincadeira de pega na praia da Sereia são respeitosos pais de famílias, avôs, ainda trabalhando pelo desenvolvimento do belo Estado das Alagoas. E essa turma de Engenharia 1971 ainda reúne-se toda primeira quinta-feira do mês num almoço fraterno, nostálgico e alegre, lembrando-se das histórias da juventude.

Essa e outras histórias serão contadas na peça SE FOR PRA CHORAR QUE SEJA DE ALEGRIA – Dia 5 de julho no Teatro Deodoro, Maceió – 19 horas.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

PAGODE RUSSO

Uma sugestão do colunista fubânico José Nêumanne Pinto para este caçuá.

Composição da dupla Luiz Gonzaga e João Silva, interpretada pelo Rei.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
RAPIDÍSSIMAS

PÉ NA ESTRADA

Naquele dia, sem mais nem por que, talvez por puro cansaço, ele retomou o rumo inesperado: desistiu de desistir.

* * *

AUTOENGANO

A gente (quase) sempre sabe, mas finge que não. Depois reclama do preço.

* * *

TRISTE FIGURA

Tantas ele fez, que o velho personagem se mandou. Restou a lamentação.

* * *

FEITO BANDIDO

A polícia não pede licença para disparar bala perdida.

* * *

SEM PLANO B

A partida nem sempre é a melhor saída. Mas, às vezes, é a única.

* * *

NET WORK

Não tinha tempo para mesuras. Salamaleques? Nem pensar. Um burro. Hoje, paga o preço. Trabalhar muito, ainda que bem, vale pouco.

* * *

SINA

Caminhou, tropeçou, bebeu demais, trançou as pernas, mas nunca deixou de trabalhar. Chegou à Pasárgada. Mas o rei, seu amigo imaginário, fora deposto. Paciência. Hora de ir para Maracangalha. Amália, cansada dos descaminhos dele, não foi junto, não.

* * *

HUMANOS

Não somos ruins. Somos medíocres, predadores. Será sina? Não sei. Arte é que não é.

* * *

NO MUNDO DA LUA

Não foi, olhou e não viu, não sofreu. Nunca soube o que perdeu.

* * *

PLEASE

Se a felicidade não existe – e ela não existe mesmo –, me deixem gozar sem culpa.

* * *

CERTEZAS

Em geral, estão mais para ignorância e preconceito que para sabedoria.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

IGUALDADE NA POBREZA: DUAS MEDALHAS DE OURO NA MESMA SEMANA

Comentário sobre a postagem MAIS UMA MEDALHA DE OURO

Goiano:

“Acompanhei a revolução cubana, em uma época na qual logo viriam os movimentos no Brasil que culminaram na ditadura militar. Fui um observador do que aconteceu em Cuba, ao que se entendia à época jogada pelos Estados Unidos no colo da Rússia, e vimos o florescimento de uma sociedade próspera sob o comunismo, com as distorções que nas revoluções costumam acontecer, nem por isso menos deploráveis, e se por um lado admirávamos o país que se tornou comunista e trilhava um caminho de progresso em todos os sentidos, também lamentávamos o processo de expurgo que se fazia, com paredão e tudo o mais.

Como se sabe, Cuba, que praticamente só tinha a monocultura da cana, dependia da União Soviética, que comprava tudo e lhe dava a mão, já que o bloqueio internacional determinado pelos Estados Unidos não lhe permitia ter outros parceiros comerciais que não fosse o mundo socialista.

Hoje, está como está: empobrecida; mas lembra aquele dito com que os meus avós costumavam se referir a certas pessoas: – Pobres mas limpinhos.

Cuba está no limite de suas possibilidades, bem pobre, com as mazelas que a pobreza impõe, destacando-se a prostituição e as pequenas virações clandestinas, para o que o governo parece atualmente fechar os olhos.

Ao que tudo indica, hoje o regime cubano está bem mais light no que respeita às atrocidades, embora, “comme il faut”, mantenha certos rigores das ditaduras comunistas, como a da supressão de liberdades (os governos justificam-se afirmando que se um Estado comunista liberar geral, o sistema não se sustém, face aos atrativos egocêntricos e ilusórios do capitalismo – por exemplo: dificilmente um médico em um país comunista deixará de viver na simplicidade se puder ir ganhar rios de dinheiro em Miami, coisas assim, para simplificar).

Vendo historicamente, e olhando hoje o que resta de Cuba – pobre, mas ainda assim sem analfabetismo, sem mendigos, sem fome, com atendimento à saúde e outras virtudes, inclusive a igualdade na pobreza – sente-se alguma decepção pelo destino dessa ilha maravilhosa, mesclada com um certo orgulho de sua luta – orgulho reforçado por figuras como o escritor Leonardo Padura, do O Homem que Amava os Cachorros, que poderia ser um daqueles a abandonar o País, dado o seu sucesso na literatura, mas que lá permanece, “porque Cuba é o seu País”!

Embora nunca tenha ido lá, tenho Cuba no meu coração, com uma certa nostalgia por vê-la tão empobrecida, a ponto de, aparentemente, em breve não poder mais sustentar-se (deve, mesmo, vir a ser forçada a abrir-se para o capitalismo, já está demorando; e isso soará como uma verdadeira capitulação.

Raúl Castro deve estar em seu último ano de governo, os Castro deixarão o poder, veremos o que farão os novos nomes que assumirão.

Enfim, o mundo tem em um momento seus vilões que se transformarão em heróis e heróis que passarão a vilões, ao sabor das circunstâncias históricas, de modo que não se pode negar a figuras como Fidel Castro e Che Guevara ambos os papéis.

* * *

22 junho 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

A MUSA DA CENSURA

O 21º CinePE, que aconteceria entre 23 e 29 de maio, foi adiado. Por conta de cineastas que protestaram pela inclusão, na programação, de dois filmes: um, sobre o filósofo Olavo de Carvalho (“O Jardim das Aflições”); outro, sobre o Real (“O plano por trás da história”). Retiraram seus filmes da mostra gritando “Fora Temer!”. E se dizem defensores da democracia. Perdão, senhores, mas vão ter que escolher. Uma coisa ou outra. Censores ou democratas.

Não ficaram sozinhos, nesse gesto heróico. Logo outros, que se intitularam críticos de cinema, assinaram Manifesto (15/5/2017) concordando com o direito legítimo de não compactuar com a formação de uma tribuna para o pensamento ultraconservador que ora se vê encorajado pelo governo Temer. Para esses, mais importantes que os filmes em si, a liberdade de pensar e dizer, ou a própria democracia, é gritar “Fora Temer!”. A chacun son temps, como no provérbio francês.

A intolerância não tem pátria. Em Cannes, este ano, os filmes “Okja” e “The Meyerowitz Stories” acabaram boicotados. Por virem de duas empresas imperialistas, Netflix e Amazon. E por serem destinados a outras telas. Não foram considerados filmes. E acabaram fora das premiações. O presidente da HBO ponderou – Um filme é um filme, não importa se exibido em cinema, televisão, computador ou celular. Com toda razão. Menos para os cineastas bolivarianos que se deliciavam na bela riviera francesa.

Nos tempos de Hitler, um filme que falasse bem dos judeus jamais seria exibido nos cinemas alemães. Caberia então perguntar, aos cineastas/revolucionários de agora, se diriam lá o que dizem aqui – Vida e cinema não se distinguem. Caso em que apoiariam o Kaiser.

Na ditadura militar, caso fosse proibida a exibição de filme sobre um intelectual de esquerda, diriam todos que seria censura. Inclusive esses mesmos cineastas/revolucionários de agora, imagino. Já filme sobre um intelectual conservador, eles protestam. Antes, era censura. Agora, só um gesto democrático. Pungente e glorioso. Escusas, senhores, mas prefiro ficar com o poeta Fernando Pessoa (Ricardo Reis, “Odes”, 30/7/1914), Só na ilusão de liberdade/ A liberdade existe.

Não espanta que cineastas/militantes explicitem suas ideologias. Em prática aberta de censura. O espantoso é que, agindo assim, também se intitulem democratas. Democracia é algo diferente, senhores. É coisa séria. É a arte de conviver. Inclusive com pessoas que não pensam como a gente. Que não dizem o que gostaríamos de ouvir. Que fazem filmes, quaisquer de que sejam, diferentes do que preferimos ver. O que esses corajosos cineastas fizeram foi, digamos com todas as letras, censura. A mais clara. A mais intolerante. A mais insensata.

A direção da CinePE respondeu educadamente. Mais do que talvez devesse. Declarando respeito aos valores básicos da liberdade, quais sejam o direito de expressão, o respeito à pluralidade e o combate ao instrumento de censura. Mas, alvíssaras, tudo foi agora refeito. E o festival, afinal, será realizado. Entre 27/6 e 3/7. A partir da próxima terça, pois. Ainda bem. Em 1985, depois de 20 anos de chumbo, iniciamos, no Ministério da Justiça, o movimento Censura Nunca Mais. É lamentável que, 32 anos depois, ainda seja necessário dizer Abaixo a Censura.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)

22 junho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

SÓ EM PALMARES MESMO

Semana passada, quando estive em Palmares, tive o prazer de reencontrar meu querido amigo Gutemberg, proprietário da Casa Funerária Guedes.

Como Palmares é o lugar mais esculhambado do mundo, a funerária fica ao lado de uma loja de putaria chamada Ponto G.

Tá escrito lá em cima: “Sex Shop”. Coisa chic!

Pelo que me informaram, trata-se de “G” de “garanhagem”.

Há alguns anos Gutemberg mandou fazer um calendário com propaganda do seu estabelecimento. No calendário aparecia um esqueleto com a cara risonha e a seguinte inscrição embaixo do desenho: “Deixe de frescuras: a vida acaba sempre assim“.

Ele me informou que havia criado uma novo lema pra sua funerária. E recitou com a cara mais debochada do mundo:

Pra cima, glória nas alturas
Pra baixo, sete palmos de fundura

Um primor de mercadologia.

Assim que me avistou, Gutemberg veio em minha direção de braços abertos e falando alto:

 – Luiz Berto, lá na funerária tem cada caixão tão bonito que eu recebi esta semana, que se tu ver vai ficar com a maior vontade de morrer!

Vai te lascar sujeito!

Eu lá quero saber de caixão bonito, porra!

O fato é que os ares palmarenses nos dão mesmo é muita vontade de viver. E viver intensamente. Com deboche, alegria e encantamento.

Um abração, Gutemberg. Em breve voltarei pra gente fuxicar dos vivos.

22 junho 2017 FULEIRAGEM

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