1 julho 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS

CULPADO INOCENTE

Joesley Batista revela que Lula sabia de tudo, embora não soubesse de nada

“O Lula não estava me pedindo dinheiro nem nada. Mas eu fui lá porque eu estava preocupado com essa história da conta dele, de estar gastando dinheiro dele, supostamente, se fosse dele mesmo. Aí eu fui lá e só contei a história para ele. Eu disse: ‘Presidente, eu vim aqui, tal, porque eu estou muito preocupado, a gente vai ser o maior doador de campanha disparado. Eu tenho atendido aí o partido, o Guido, todo mundo, tal, tem pedido, mas, enfim, já está em 300 e tantos milhões. O senhor está consciente aí da exposição que vai dar isso, do risco de exposição e tal?’. Enfim, ele se encostou para trás, olhou bem para mim, ficou calado, não falou nada. Eu dei meu dever cumprido. Eu falei: ‘Olha, estou vindo aqui te falar isso só para o senhor precisa saber disso’. Porque eu, naquele momento ali, eu entendi que, ele sabendo que tinha sido mais de 300 milhões, amanhã ele não poderia vir me cobrar… se aquele dinheiro fosse dele”.

Joesley Batista, em depoimento ao Ministério Público Federal, ao revelar mais um encontro que jurava que não tinha tido com Lula em 2014, contando que o ex-presidente pedia, mas não pedia dinheiro ao dono da JBS, porque ele sabia, mas não sabia de uma conta com R$ 300 milhões em seu nome, que era, mas não era dele.

1 julho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

1 julho 2017 PERCIVAL PUGGINA

QUEM É O GREVISTA DE GREVE GERAL?

Inicialmente cabe perguntar: como pode ser “geral” uma greve sem apoio da população? Pelas siglas das bandeiras que agitam, os habituais construtores da confusão e suas massas de manobra acham muito bom o ambiente político promovido na Venezuela e os resultados colhidos em Cuba. Creem, então, ser de boa política demonstrar força parando o país na marra. O sucesso deles depende do fracasso de todos os demais.

São pequenos grupos articulados nacionalmente. Param o transporte coletivo na base da pedrada e do “miguelito”, mas não são, eles mesmos, motoristas de ônibus porque isso é muito trabalhoso. Bloqueiam rodovias e avenidas, incendiando pneus, mas não são, eles mesmos, transeuntes desses caminhos. Impedem os demais de trabalhar, mas são raros, raríssimos em tais grupos, os ativistas que ganham seu sustento com o suor do próprio rosto. Menor ainda é o número daqueles cuja atividade, por sua natureza, agrega algum valor à economia nacional. Querem é distância do mérito, da concorrência, do livre mercado. São nutridos por alguma teta política, pública, sindical ou familiar. São, estes últimos, filhinhos do papai entregues à sanha dos encolhedores de cabeças do sistema de ensino. É a geração nem-nem, mas com direito a mesada.

O que estou descrevendo aqui por intuição, os italianos diriam ser algo que “si sente col naso” (se percebe com o nariz). E bem mereceria ser objeto de uma pesquisa acadêmica. Conviria à sociedade conhecer o perfil dessas pessoas que volta e meia se congregam para infernizar a vida dos outros. No entanto, também com o nariz, posso intuir que a academia brasileira não teria o menor interesse em executar essa tarefa porque ela iria desmoralizar, politicamente, as seivas de que essa militância se nutre. E as grandes empresas de comunicação? Bem, pelo que tenho visto ao longo deste dia 30 de junho, tampouco elas, diante das depredações e da queimação de pneus, pronunciaram uma sílaba sequer que fosse além da mais cirúrgica narrativa dos fatos em curso. Tão lépidos em comentar tudo, entendam ou não dos assuntos, demonstram-se, hoje, absolutamente indispostos a qualquer análise do que está acontecendo. No entanto, há uma riqueza de conteúdo, tanto no que não aconteceu quanto no que aconteceu. Tudo por ser investigado.

Creio que só uma colaboração premiada poderia desvendar as entranhas dessas articulações político-ideológicas tão nocivas ao bem comum…

1 julho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

1 julho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UM SUCESSO RETUMBANTE

O sucesso das manifestações de ontem, sexta-feira, foi um fenômeno em termos de participação popular.

Os “trabalhadores” encheram ruas e praças, de norte a sul, de leste a oeste.

Minha querida amiga Cabeça-de-Fossa, que é tesoureira do Diretória Municipal do PT em Palmares, além de ativa militante dos “movimentos sociais” e líder do MST na nossa cidade, me mandou uma foto onde ela aparece segurando uma faixa juntamente com o ativista petista Mané Leso.

Ela numa ponta e ele na outra ponta da faixa.

Vejam só a multidão impressionante que tomou as ruas da nossa cidade:

1 julho 2017 FULEIRAGEM

RLIPPI – CHARGE ONLINE

1 julho 2017 RUY FABIANO

LULA É O CHEFE

O perigo do “Fora, Temer” é ofuscar o protagonismo do PT no maior processo de rapina já perpetrado ao Estado brasileiro – aliás, a qualquer Estado. A corrupção como método de governo.

O PMDB, partido que Temer presidiu por longo tempo, e cuja parceria com o PT o levou à vice-presidência de Dilma Roussef, praticou a corrupção clássica, que, embora obviamente criminosa, cuidava de não matar a galinha dos ovos de ouro.

A do PT, não. Não se conformava em enriquecer os seus agentes. Queria mais: saquear o Estado para financiar um projeto revolucionário de perpetuação no poder. Daí a escala inédita, mesmo em termos planetários. Só no BNDES, o TCU examina contratos suspeitos de financiamentos, que incluem países bolivarianos e ditaduras africanas, na escala de R$ 1,3 trilhão. Nada menos.

Poucos países têm tal PIB. A Petrobras, que era uma das maiores empresas do mundo, desapareceu do ranking mundial. Deve mais do que vale. O PT banalizou o milhão – e mesmo o bilhão.

As delações da Odebrecht e da JBS, entre outras de proporções equivalentes (Queiroz Galvão, OAS, Andrade Gutierrez, UTC etc.) mostram quem estava no comando: Lula e o PT. Os demais beneficiários estão sempre vários degraus abaixo. Eram parceiros – e, portanto, cúmplices -, mas sem comando.

Por essa razão, soou como piada de mau gosto – ou um escárnio à inteligência nacional – a afirmação de Joesley Batista de que Temer era o chefe da maior quadrilha do erário. A ação implacável do procurador-geral Rodrigo Janot procurou reforçar aquela afirmação, que obviamente não se sustenta.

Os irmãos Batista, no governo Lula – e graças a ele -, ascenderam da condição de donos de um frigorífico em Goiás à de proprietários da maior empresa de produção de proteína animal do mundo, com filiais em diversos países. Tudo isso em meses.

O segredo? A abertura dos cofres do BNDES, de onde receberam algo em torno de R$ 45 bilhões. Tal como Eike Baptista, são invenções da Era PT. Temer nada tem a ver com isso, ainda que tenha sido – e está provado que foi – beneficiário do esquema.

Mas chefe jamais. Temer e o PMDB são a corrupção clássica, igualmente criminosa, mas em proporções artesanais. É grave e deve ser investigada e punida. Mas enquanto a rapina peemedebista cabe em malas, a do PT exige a criação de um banco, como a Odebrecht acabou providenciando no Panamá para melhor atendê-lo.

É, portanto, estranho que, diante de evidências gritantes como as que Rodrigo Janot dispunha sobre Lula, não tenha se indignado na medida que o fez em relação a Temer e Aécio, cujas respectivas prisões pediu. Jamais denunciou Lula ou Dilma.

Muito pelo contrário. Até hoje não explicou porque destruiu uma delação premiada do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, que comprometia Lula. Não o sensibilizaram tampouco as delações do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que, inclusive, revelaram um esquema de financiamento de campanhas em países bolivarianos com dinheiro roubado da Petrobras.

E o casal deixou claro a quem obedecia: Lula e Dilma, fornecendo detalhes sórdidos do esquema: entre outras aberrações, uma conta fria de e-mail pela qual Mônica trocava informações com Dilma, com o objetivo declarado de obstrução de justiça.

E o caso do ex-ministro Aloizio Mercadante, que tentou silenciar Delcídio Amaral, que se preparava para uma delação premiada? Ofereceu-lhe dinheiro e intermediações no STF para soltá-lo. O que Janot fez com aquela fita, cuja nitidez dispensou perícias técnicas? Mercadante continuou ministro até a saída de Dilma. E o que Janot falou a respeito? Suas indignações, de fato, têm sido seletivas, dando ensejo justificado a suspeitas de engajamento.

Temer está em maus lençóis pelo que fez – e deve ser investigado. Ele, Aécio e quem mais tenha delinquido. Mas não se deve perder de vista o senso das proporções. Lula é o chefe.

1 julho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

CORRUPIO

Para alegrar o primeiro dia do segundo semestre, um sábado que amanheceu chuvoso aqui no Recife, Genival Lacerda interpreta um gostoso sacolejado de sua autoria:

1 julho 2017 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

1 julho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

É DE MILHÃO PRA LÁ!!!

Uma verbinha, um dinheirinho, um tostãozinho, um mísero pixuleco, um patrocínio, seja ele público ou privado, isto não tem mesmo!

A palavra “milhão” que consta no título desta postagem refere-se a outra coisa. Num tem nada a ver com dinheiro.

As finanças do Complexo Midiático Besta Fubana são de fazer chorar. O cofre é mais vazio do que cabeça de militante zisquerdista.

Os governos, federal, estaduais e municipais, nem se lembram que a gente existe.

A mesma coisa acontece com as empresas privadas ou públicas.

A JBS, a Cervejaria Itaipava ou a Petrobras nem ligam para a penúria em que vivemos.

Entramos hoje no segundo semestre de 2017 e o 13º de Chupicleide, secretária de redação, ainda não foi pago.

Em compensação, a quantidade de viciados nesta gazeta escrota, ao contrário da quantidade de dinheiro, é muita e sempre crescente.

Neste mês de junho recém findo tivemos um total de 1.552.427 acessos. Dados da empresa LocaWeb, onde o JBF está hospedado.

Detalhe: o pagamento da LocaWeb sai diretamente do bolso deste Editor. E Henrique Meireles, Ministro da Fazenda, não tem a menor pena deste jornal fudido…

Enfim, a quantidade de acessos num é pouca merda não: é merda pra cacete!

Deu uma média de quase 52 mil acessos por dia!

E estamos falando de um blog artesanal, caseiro, editado por um desocupado que tem prazer em esculhambar com os poderosos do momento e os idiotas que vagam nos ares. Quaisquer que sejam eles.

Mais de um milhão e meio de acessos… Isto significa que tem muito gente lesa, besta e desocupada neste mundo.

Ainda bem…

* * *

“A gazeta mais escrota do Planeta Terra”

1 julho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

EM 2012, TEMER ADIVINHOU O QUE VIRIA COM JOESLEY

A leitura de Anônima Intimidade informou que Temer é mau poeta. A releitura avisa que é bom vidente

Joesley Batista, presidente executivo da JBS 

Publicado em 2012, o livro Anônima Intimidade, de Michel Temer, promove um desfile de versos que parece ter começado só depois da divulgação da conversa que teve com Joesley Batista no escurinho do Jaburu.

Os poemas abaixo reproduzidos informam que estrofes são mais complicadas que mesóclises e conduzem a uma dúvida aflitiva: entre o presidente e o poeta, qual é o pior?

Mas também revelam que o Temer tem poderes premonitórios. Se perder o emprego, pode ganhar a vida como adivinho.

Confira:

Se houver uma segunda edição, alguém deveria recomendar a Temer a eliminação do aviso na primeira. Ninguém vai acreditar que as semelhanças com o autor e com terceiros foram mera coincidência.

1 julho 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

1 julho 2017 A PALAVRA DO EDITOR

VERMÊIO-ISTRELADO QUEBROU O FUCINHO…

Enio Verri é um deputado federal do PT. Eleito pelo Paraná.

Podes crer: num é só aqui no nordeste que se vota e se elege merda.

Lá pelo sul também acontece este estranho fenômeno.

Vejam como é lindo este sujeito, que imita o proprietário do partido até na barba:

Pois este tabacudo vermêio-istrelado inventou de fazer uma pesquisa no seu Twitter.

Uma pesquisa sobre as eleições presidenciais do ano que vem.

Foi há poucos dias, no final do mês de junho que terminou ontem.

Vejam só o resultado que ele obteve:

Quebrou o fucinho e se lascou-se todinho!

Eu chega se mijei-me todinho de tanto se rir-se-me.

“Essa foi do caralho!!!!”

1 julho 2017 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO


SER APÁTICO TEM PREÇO

Às vezes fico me perguntando qual a razão do brasileiro aceitar viver uma esdruxula situação política, social e econômica mesmo tendo à sua disposição uma gigantesca gama de potenciais em várias áreas, mas que não se desenvolvem. Fomos assim durante décadas na área da agropecuária e quando menos se esperava o governo militar partiu para o incentivo de expansão e hoje vemos um Estado como Mato Grosso, antes abandonado a própria sorte até os anos 70, se tornar um dos mais ricos da federação. Isto prova que é apenas ter uma visão correta do potencial de cada região e investir que teremos retorno, mas investir com inteligência e sabedoria. Temos muitos exemplos para isso. O caso da Amazônia é um deles e lá existe uma riqueza incalculável em toda a sua extensão. Inteligente seria ocupá-la sabiamente com a instalação de unidades militares para segurança desse patrimônio e abrir às universidades brasileiras a exploração de suas riquezas, tendo campus avançados no interior da floresta amazônica. Evitaria assim, as incursões predatórias que hoje existem.

Acontece que, para ações como essas, teríamos que ter governantes qualificados e apoiados por um Congresso Nacional menos corrupto e individualista, em que seus membros não dão um passo de forma altiva com propostas visando os interesses reais da população e que tragam a ela resultados que possam elevar a sua formação. Tudo que se faz, voltado a população, tem objetivos de curto prazo e bem visíveis por ela, como exemplo a educação, na qual a construção de escolas é o mote, pouco se importando com os que irão ensinar e os que estarão lá para aprender. O mesmo acontece em relação aos hospitais, estradas e por aí vai. O que vemos, ano após ano, são as rusgas entre partidos da situação e da oposição, em ação de politicagem rasteira em que apoios estão condicionados a cargos ministeriais e outros da administração pública. Partido é uma instituição falida.

A causa de existir essa falência ética, moral e política, está nos milhões de brasileiros omissos, o mais flagrante de todos os pecados que pratica o povo desta Nação. É um povo apático, desmoralizado e descrente. Acontece que isto teve a origem durante o decorrer das últimas décadas. A população não encontra e não vê alternativa depois de anos de luta para sair dos desmandos e o desmantelamento administrativo do governo Sarney, de batalhar para a saída de Fernando Collor de Mello que durante dois anos tomou algumas boas atitudes acabando com o curral empresarial imposto pelas multinacionais, mas se embriagou com o Poder. Ela, a população, se entregou ao sonho da esquerda idealizado em discursos e muita propaganda, mas que resultou em pesadelos que se estenderam com ilusões e mentiras, enganando o povo por muitos anos. O resultado é a situação que vivemos hoje, uma tragédia. Ainda não estamos livres desses usurpadores de ideologias e do governo. A meta é uma só, o cofre da Nação, do povo. Vaidades superam as razões em detrimento e sacrifício de toda a população brasileira.

Não há mais razão de Michel Temer permanecer à frente do governo. Hoje detém apenas pouco mais de 6% da aceitação popular. Está envolvido em muitas situações de corrupção ou no mínimo de ações não republicanas e que sujam sua biografia e a história do Brasil. Deixou de ser aquela pessoa que se mostrava sensata, pelo menos a sua casca assim transmitia. O Congresso Nacional está totalmente quebrado em sua postura como Poder e é impressionante a depreciação, aos olhos da população, dos senhores Deputados Federais. A Justiça não ficou fora da chafurdada e o TSE deixou a marca da sua sujeira no julgamento da chapa Dillma-Temer. O Congresso com 299 deputados com a espada de Dâmocles sobre a cabeça, a Justiça se transformando em trampolim político e de expansão de egos, o governo, fruto da enganação e ilusão praticada por anos, todos agrupados como em pacote de maldades, infestam o povo com miséria e sofrimento. Precisamos reagir, dar um basta definitivo a esta situação ridícula que o Brasil vive. Caso contrário, estaremos fadados a uma vida recessiva nunca vista. Ser apático tem um preço.

1 julho 2017 FULEIRAGEM

ADNAEL – CHARGE ONLINE

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Caro editodos Luiz Berto:

Veja esse vídeo onde um médico radiologista de Fortaleza é impedido de trabalhar por um bando de desordeiros que se diz sindicalista defensor do imposto sindical, da mamata e da vagabundagem.

Vale a pena ouvir a indignação do radiologista em frente ao hospital, que chegou para salvar vidas e foi impedido por marginais travestidos de sindicalistas.

R Fique tranquilo, meu caro: o fubânico petista Ceguinho Teimoso vai explicar que os vagabundos da sexta-feira – prolongadores de final de semana -, estavam certíssimos e lutando por uma justa causa.

O médico é que estava errado e seu paciente que se lascasse.

Aguarde que Ceguinho aparece daqui a pouco.

1 julho 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

DISCUTIR REFORMA POLÍTICA É IRRESPONSÁVEL

1 julho 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

SERÁ O BENEDITO?

Lá se vão quase quatro décadas da morte do pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980), certamente o mais festejado dramaturgo do país, autor de centenas de contos onde explorou as paixões e as tragédias do cotidiano do brasileiro.

Engendrar-se pelos enredos do escritor é também uma maravilhosa viagem ilustrativa dos usos e costumes dos anos 50 e 60, retratados com sotaque da época sem qualquer pudor ou censura.

Mas o que torna deliciosa essa leitura, principalmente para nós sessentões, é resgatar expressões e gírias escondidas, há muito, nas sombras de nossas lembranças. Nos contos de Nelson, tais citações escapolem aos borbotões de seu imaginário fértil, e se nos apresentam tão vívidas e atuais como no tempo em que foi escrita cada uma das cenas das histórias do autor.

Décadas atrás era comum externar surpresa dizendo: Carambolas! Papagaio! Mostrava-se desagrado afirmando: É de arder! Acho pau! É espeto! É de morte! Ora, que pinoia! Será o Benedito? Se algo ou alguma mulher nos era agradável aos olhos, manifestávamos a satisfação exclamando: Um brinco! Uma teteia! Bonita como uma estampa! Um biju! Bacana!

Ter receio se expressava com um Estou frito! Algum bode? Fizeram minha caveira! Para combinar um negócio recorria-se a ditos como: No duro ou De fio a pavio. Mulher rica era Cheia da gaita. Ir ou vir depressa se cobrava com um Chispando! Caracterizava-se uma mentira afirmando: É potoca!

O gabola era Garganta pura. Pessoa franzina não passava de um Espirro de gente. Recém-casado chamava-se Casadinho de fresco. Ser rigoroso era Entrar de sola. Pedia-se calma com um Sossega o periquito. Externava-se alguma contrariedade falando: Comigo não, violão! Para cobrar uma explicação recorria-se a Desembucha, anda!

Diante da possibilidade de um namoro era comum falar: Ela te dá bola, Faz fé com tua cara ou Pode dar em cima. Para acusar alguém de esnobismo ou de afetação comentava-se: Não me venhas com chiquê, com nove horas! Para insinuar que o tempo para determinada providência se esgotara, dizia-se: Até aí morreu o Neves! Classificar alguém de sonso era: Mas que mascarado você é! E por aí vai.

No fundo, as gírias de hoje traduzem o mesmo significado de outrora, com a diferença de estarem maquiadas com um vocabulário pesado, sem originalidade e, em muitas situações, chulo. Até que seria pitoresco um trabalho cotejando expressões idiomáticas extraídas do cotidiano do nosso povo, relacionadas a diferentes épocas de nossa história. Algum saudosista ao ler tal trabalho, deixaria escapar a seguinte manifestação: É um número! Digno de almanaque!

Um dos vocábulos mais utilizados nas crônicas de Nelson Rodrigues é Batata. Tanto para cobrar um compromisso quanto para corroborar um acerto: Nos veremos mais tarde. Batata?. A resposta seria: Batata! E estava selada a palavra.

Fico imaginando qual a reação de um adolescente, membro de alguma comunidade funk brasileira deste século XXI, quando questionado com um: Batata? Certamente, pensaria tratar-se de seu legume predileto e responderia algo do tipo: “Yes brother, mas tem que ser trabalhada num óleo bem esperto, acompanhando um sanduba de penosa e de um arrotante no grau que pinguim gosta”.

Batata?

1 julho 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)


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