2 julho 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

2 julho 2017 MARY ZAIDAN

FORA OS FORA DA LEI

Os elogios causaram estranheza e eram desnecessários. Mas, goste-se ou não, o ministro Marco Aurélio de Mello acertou ao devolver o mandato ao senador Aécio Neves, suspenso pelo ministro Edson Fachin desde 18 de maio. O tucano, flagrado pedindo dinheiro ao delator Joesley Batista, pode até ter culpa no cartório, mas suspeição não é critério (ou não deveria ser) para interromper um mandato popular, seja de quem for. Quanto mais quando um único juiz decide fazê-lo.

Mais de três dezenas de senadores são alvos de investigação no Supremo. Só Renan Calheiros (PMDB-AL) tem 12 delas nas costas. O ex-líder do PMDB, que ao ver o presidente Michel Temer abatido migrou para a oposição, exemplifica bem os pesos e medidas do STF. Acusado de peculato, virou réu em dezembro do ano passado e não foi suspenso, continua a exercer seu mandato. É o que a lei prevê até ser julgado e ter a sua sentença proferida.

Diante do gigantismo da bandidagem, os bilhões afanados e a cada vez mais sofisticada rede do crime de corrupção, a descrença popular nos políticos é compreensível. Para muitos, a melhor solução é linchar todos, jogar na cadeia os 32 senadores investigados e a outra centena de deputados. Prender o presidente Temer e seus auxiliares. Justiçar em vez de fazer Justiça.

Apedrejar sem investigar remete a práticas da Idade Média, que só perseveram entre uma minoria fundamentalista do Islã. Mas, de certa forma, é o que tem sido feito por aqui. Delação virou prova, vazamentos determinam as sentenças populares, na maior parte das vezes tecida por torcida, ignorância, má-fé ou tudo isso.

Tem-se uma briga de facções, todas arremessando pedras, usando a suspeita ou a investigação de crimes ainda não comprovados para destruir seus oponentes. E o fazem sem medir consequências – todas elas danosas à democracia e ao Estado de Direito.

Para proteger o ex Lula, também enrolado em cinco processos, um deles perto de ser finalizado na primeira instância, os que apedrejam Temer o fazem sob o mesmo argumento que o presidente tem usado contra a Procuradoria-Geral da República (PGR): a perseguição. E os que querem ver Lula na cadeia possivelmente amargarão a frustração de o ex ser condenado por Sérgio Moro, mas continuar em liberdade. Não por bondade do juiz de Curitiba, mas por ser réu primário. É a lei.

Lula fora da cadeia causará tanta indignação e descrença na Justiça quanto a soltura de Aécio ou a possível – e até previsível – decisão da Câmara de Deputados de não autorizar que o processo contra Temer ande.

Se isso ocorrer, vão proliferar as teorias de um grande acordo para livrar todos, algo almejadíssimo, mas quase ficcional.

Um acordão é desejo de 10 em cada 10 investigados. Frequenta jantares de Brasília. Mas amarga a mais doce das sobremesas quando os convivas se confrontam com a imensa impopularidade de uma eventual anistia.

Há ainda os que se consideram senhores da concertação e se arvoram a falar em nome da salvação nacional – que não deixa de ser um acordo, visto que à margem da lei.

Gente do porte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que recentemente passou a só ver saída com eleições gerais, tese que atraiu apoio de Lula e Renan, e outros tucanos de alta plumagem, que pregam parlamentarismo-já, rejeitado em plebiscito há pouco mais de uma década.

Gente que teria responsabilidade de apregoar a Constituição e que escolhe fazer pouco dela. Gente que deveria saber que é na crise que se revela o valor da Carta. Que mudá-la açodadamente é permitir que ela se mova de acordo com a força do vento – diga-se, de um aventureiro qualquer.

Não deveria existir condenação sem investigação e prova – ainda que imaterial, já que corruptos não passam recibo. Não deveria existir alternativa fora da lei, muito menos fora da Constituição. Pior: quando a sensação geral é a de que há mais bandidos do que mocinhos, qualquer um acha que pode encarnar o xerife.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

GENEROSIDADE É ISSO AÍ

Paulo Okamotto é uma pessoa que acredita no ser humano

“O senhor Alexandrino é uma pessoa muito solícita, soube que a gente estava procurando imóveis e se prontificou a ajudar, eu nem sabia que eles tinham negócios no setor imobiliário. Ele tentou oferecer algumas iniciativas”.

Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, contando que Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht, ofereceu um terreno para a construção de uma nova sede do Instituto Lula por ser uma pessoa muito solícita e não porque queria ser tratado com ainda mais benevolência pelos representantes do poder público.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

RLIPPI – CHARGE ONLINE

O INGLÊS DA VOLTA E OS BRITOS DE PESQUEIRA

Os Britos de Pesqueira, segundo alguns historiadores locais, surgiram todos a partir de uma bela história de amor, vivida por um jovem inglês e uma bela morena sertaneja. Que se encontraram quando aqui aportou lá pelos idos de mil oitocentos e tantos, em busca de aventuras, Richard Breitt, ou Richard Noble.

Veio da Inglaterra com apenas onze anos, escondido num navio comandado pelo tio, de onde havia fugido depois de jogar um tinteiro não cara de um professor na escola em que estudava. E aqui chegando, na primeira oportunidade embarcou para o sertão com um suiço que o abrigara, e foi parar precisamente no povoado de Varas, hoje Jabitacá, na época pertencente ao município de Afogados da Ingazeira. Na fazenda Volta, onde se hospedou, conheceu a linda morena filha do fazendeiro, voltou para o Recife com o suíço e tornou a fugir novamente para o sertão. Casou-se com ela e dali nunca mais saiu, gerando uma prole imensa que vai desde o célebre Adolfo Rosa Meia Noite, que morreu em Malta na Paraíba, debaixo de trinta “bocas de fogo” enfrentando sozinho trinta homens da polícia, até grandes empreendedores que povoaram e desenvolveram o sertão com a implantação de indústrias agrícolas que ficaram famosas em todo o Brasil e até no exterior.

O sobrenome “Breitt” difícil de ser pronunciado pelos nativos, logo virou “Brito” e Richard Breitt, tornou-se Ricardo Brito. Assim surgiram os Britos, todos de pele clara e olhos azuis. Esses galegos herdaram a valentia de um ancestral lendário: Ricardo I, Ricardo Coração de Leão, o rei guerreiro da Inglaterra que se destacou nos campos de batalha na Terra Santa como cruzado. Talvez por isso, os Britos nunca gostaram de levar desaforo pra casa. Aliás, pra lugar nenhum.

Ricardo I que era aliado do rei Filipe Augusto da França, tornou-se seu inimigo por que se recusou a casar-se com uma irmã sua, uma mulher feia chamada Alice. Terminou morrendo de uma flexada que levou no braço por questões de pouca monta.

Apaixonados por cavalos e corridas como manda a tradição inglesa, eram dos Britos os melhores animais que corriam nos “prados” da região e ai do juiz que ousasse desclassificar um cavalo dos Britos, numa competição.

Na década de sessenta, eram numerosos e poderosos numa espécie de aldeia que era a fazenda Ipojuca, atrás da serra de Cimbres, entre Pesqueira e Monteiro na vizinha Paraíba. Em Monteiro os “prados” eram as grandes festas domingueiras e os Britos levavam seus belos animais para competir com os pangarés da região. O público lotava a rua do Matadouro pra ver o espetáculo, que envolvia apostas vultuosas decorrentes do bom lucro que vinha da cultura algodoeira, nessa época já nos seus extertores finais.

O prado era uma festa pra todo mundo, menos para os meninos, que ficavam atrás dos adultos e de lá só traziam cotoveladas e pisaduras nos pés . Não viam nada até por que é um espetáculo muito rápido em função da pouca extensão da pista.

Manoel Bezerra, era o barbeiro oficial da cidade, tinha um salão, no centro, no beco de seu Pedroza Amador, onde além de cortar cabelos era também “queimador de sinal”. O matuto chegava lá com aquele sinal bem feio, ele danava “água forte” e o cabra saía com aquela ferida horrorosa na cara, mas sem o sinal. Se tivesse sorte, escapava.

Um dia chegou um velhinho de um sítio ali perto com um pedido para Manoel: arranjar uma colocação na barbearia para um filho seu que tinha “atenuança” pro serviço de barbeiro e já fazia alguns “caminhos de rato” na cabeça dos cabras de lá .

– Seu Mané, ele fica até de graça, só pra dominar o ofício!

Como havia uma cadeira sobrando no salão, de um colega que tinha feito a “viagem grande”, Manoel aceitou a proposta e Toinho, começou a trabalhar.

Muito aplicado Toinho era também muito inseguro, afinal a clientela era quase toda da rua, coisa mais refinada. Foi não foi, virava pro velho barbeiro para consultar:

– Tá bom seu Manoel?

– Tá sim, tá primeira, respondia o mestre, na maioria das vezes, sem sequer olhar de lado.

Um dia de sábado que antecederia um grande prado no domingo, os Britos começaram a chegar com os seus cavalos e foram tomando a cidade com a sua presença assustadora até por que viravam gigantes juntos dos severininhos nativos. Um deles, com o cabelo batendo nos ombros e a barba atingindo o peito, foi dar lá na barbearia de Manoel, Sentou logo na cadeira de Toinho, abriu a camisa onde deixou aparecer um revólver que mais paracia um canhão .

Toinho assustado com aquele homão ainda perguntou :

– Vai cabelo e barba ?

– Tudo, disse o cliente antes de cair num sono profundo.

O corte ia até bem quando Toinho que já raspara um pedaço do bigode do camarada lembrou-se de consultar Manoel:

– Ele disse bigode também, seu Manoel ?

– Não sei. Pergunte a ele.

Aí a coisa complicou quando Toinho foi acordar o vaqueiro:

– Meu amigo, o bigode também vai, não vai?

O cabra deu um pulo:

– Não toque no meu bigode, você não tá nem doido !

Toinho ainda teve tempo de se virar para Manoel:

– Seu Manoel, segure aí essa tesoura e essa navalha que eu vou ali e volto “jazim”, e saiu levantando poeira no calçamento.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

2 julho 2017 DEU NO JORNAL

UM TIME DE PRIMEIRA LINHA

Os advogados de Michel Temer (PMDB), Dilma Rousseff (PT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Aécio Neves (PSDB) articulam o lançamento de um manifesto para questionar a atuação da Justiça e do Ministério Público.

Os debates se desenrolam em um grupo de WhatsApp intitulado “Prerrogativas”.

Nas discussões, tratam da confecção de texto que prega o fim do que chamam de “Estado de exceção” e a “retomada do protagonismo da advocacia”.

O “pai” do manifesto dos criminalistas é o ex-presidente Lula.

Alberto Toron, advogado de Aécio Neves e Dilma Rousseff, Cristiano Zanin, defensor de Lula, e Antonio Mariz de Oliveira, de Temer, estão na linha de frente da formulação do manifesto. Todos os políticos estão na Lava Jato e foram fortemente implicados na delação de Joesley e Wesley Batista.

Outros criminalistas fazem parte do grupo que prepara o texto. Eles discutem criar um curso para debater o que seria “Estado de exceção”.

* * *

Só faltou convocar o advogado de Eduardo Cunhão.

Temer, Dilma, Lula e Aécio constituem um time autenticamente banânico.

Uma seleção da porra!!!

Um time de meliantes da pesada!!!

2 julho 2017 FULEIRAGEM

GENILDO – CHARGE ONLINE

MAURICIO ASSUERO – RECIFE-PE

Prezado Editodos,

chega doí a gente ver a esperança do brasileiro ser pisoteada constantemente.

Não dá muito, por mais que me esforce, para compreender o gesto do STF com a devolução do mandato de Aécio Neves e outras sandices.

Marco Aurélio, em dezembro passado, concedeu liminar afastando Renan da presidência do senado porque ele não poderia ficar na linha de sucessão. Isso foi antes da votação da PEC do teto e Temer conversou com Carmem Lúcia, arrumaram um “jeitinho” e Renan ficou na presidência, mas não na linha de sucessão.

Antes, no julgamento do impeachment, Lewandowski fez aquela lambuzada toda quanto livrou Dilma da punição de não poder concorrer a cargo público por 8 anos, numa absurda violação da Constituição.

Marco Aurélio soltou Bruno apesar de o cara não demonstrar uma gota de arrependimento pelo que fez a Elisa Samúdio.

Agora, o cara vai devolve o mandato de Aécio, diz que ele é um político elogiável e não autoriza o pedido de prisão. Proíbe Aécio de ter contado com outros investigados no caso. Ainda bem que ele disse “investigados no caso” porque se fosse para não ter contato com outros investigados, ele não poderia frequentar o senado!

Lembro das minhas traquinagens na minha querida Tabira. Quando fazia algo fora dos padrões (e olhe que eu não roubava) e chegava aos ouvidos dos meus pais, era repreendido. E muitas vezes eles sabiam por terceiros.. “Dona Martha, Seu Antônio, Maurício fez isso… ” e pronto, apenas o depoimento de uma “testemunha ocular” era suficiente.

Agora, o cara é preso com uma mala de dinheiro, sabe-se de um acordo que renderia R$ 500 mil por semana para Temer, a polícia federal colocou chip na propina de R$ 2 milhões paga ao primo Fred, e não há provas!!!!!!!

Adicionalmente, a gente observa Temer em conluio com Gilmar Mendes para discutir o nome do novo chefe da PGR e vemos o congresso se organizar para salvar o pescoço de Temer. A orientação? Os aliados não precisam aparecer no congresso para não se expor. Só isso.

Não consigo entender essa passividade da população. Temer tem 7% de aprovação, logo 93% o querem longe do governo. Tirando daí os 30% que apoiam o outro corrupto, temos 63% de eleitores que poderiam estar pressionando os deputados do seu estado, colocando mensagens nas redes, para dizer que estamos de olho e que ele aja em consonância com os anseios do povo sob pena de não ser eleito na próxima.

Temos que pressionar e mostrar que a população não aguenta.

Abraços,

2 julho 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

A RODA DA MISÉRIA – BRASIL

Em artigo recente, apresentei o que seria o ciclo virtuoso que denomino A Roda da Fortuna. Esta seria a sequência a ser seguida por qualquer entidade que possua a intenção de evoluir para uma melhor condição econômica e financeira. Os passos a seguir são extremamente simples e de bom senso:

1. POUPAR – Nunca gastar mais do que o que ganha. Como dizia Hayek, “A diferença entre o rico e o pobre é que o pobre gasta tudo o que ganha, enquanto o rico ganha tudo o que gasta”.

2. INVESTIR – Aplicar as reservas financeiras em investimentos que venham a propiciar aumentos de produtividade, gerando assim cada vez mais riqueza com menos investimento e esforço.

3. GANHOS DE PRODUTIVIDADE – Os investimentos realizados propiciam ganhos extraordinários sobre a receita tradicional da atividade produtiva.

4. AUMENTO NOS LUCROS – O que vem a propiciar maiores oportunidades para o início de uma nova fase na espiral de evolução em direção à riqueza almejada.

Apesar de todo o nojo que a seita esquerdista tem da “Acumulação de Capital”, esta é uma lei inexorável dos fatos econômicos. Pretender revogá-la é o mesmo que querer revogar a lei da gravidade. Até Stalin, ao planejar o desenvolvimento da indústria Soviética, apelou para esta realidade. O mesmo passou a acumular compulsoriamente todos os excedentes originados na produção agrícola do país afim de financiar a almejada expansão da indústria Russa. Apesar disto, de tempos em tempos surge um novo “gênio” da economia propondo alguma aberração econômica, como foi o caso do abilolado projeto desenvolvimentista do PT, capitaneado pelo arrecadador de pixulecos Guido Mantega. O mesmo propôs fazer o desenvolvimento do país através do incentivo à gastança irresponsável, sempre por meio da farta distribuição de recursos públicos a seus apaniguados que nada produziam. Segundo os acólitos petistas, seria a “Nova Matriz Econômica”. O resultado desastroso está aí para quem quiser ver.

Acredito firmemente que estamos verificando agora um quadro de total colapso da economia brasileira. Os sinais mais contundentes desta nossa “venezuelização” saltam às nossas vistas por todos os lados. Mesmo sendo invejável a capacidade de recuperação apresentada pela nossa economia, frente às inúmeras e imensas agressões que vem sofrendo há décadas, cremos que está praticamente impossível para os seus mecanismos de homeostase a conduzirem de volta a uma situação de normalidade e crescimento.
Parece que desta vez fomos longe demais na roubalheira!

Roubou-se desenfreadamente em todo o aparato estatal, como se não houvesse amanhã. Se olharmos bem, na realidade não há. O amanhã que antevemos é o mergulho no caos.
Roubou-se desregradamente, sempre através do aparelhamento dos seus mais recônditos desvãos, com a colocação em posições estratégicas dos famigerados sindicalistas “cumpanheiros” do partido, todos praticamente analfabetos mas detentores de uma competência única e invejável quando se tratava de depenar e desossar os cofres estatais. Foram de tal forma competentes que a roubalheira já está sendo estimada na casa dos TRILHÕES de reais. Vão ser competentes assim na roubalheira no inferno!

A consequência desta “Novíssima Matriz Econômica” está sendo o colapso da atividade econômica em todo o país. Ninguém mais ousa produzir coisa nenhuma. Todos os possuidores de alguma capacidade de análise da situação estão se recusando a servir de boi de piranha para estas hordas ensandecidas de ladrões e picaretas e pensando na melhor forma de deixar o país. O grande indicador desta Falência Múltipla dos Órgãos, em termos econômicos, foi o anúncio de um déficit governamental de quase 30 Bilhões de Reais no mês de maio passado. Anualizado, este valor aponta para um rombo da ordem de uns 300 ou 400 Bilhões, quando a previsão era próxima aos 120 Bilhões. A falência total se aproxima inexoravelmente.

O danado é que NÃO AUMENTARAM OS GASTOS GOVERNAMENTAIS. O que aconteceu é que a atividade econômica está dando seus últimos suspiros. Observem a quantidade de placas de VENDE-SE e ALUGA-SE em galpões e lojas, todas recentemente fechadas. A fonte dos impostos está secando. O nosso amado governo está matando sua galinha dos ovos de ouro: Os produtores e os comerciantes. O resultado deste quadro dantesco? É o que eu denomino de “A Roda da Miséria”.

O resultado deste arremedo de democracia para macacos disfarçados de humanos que foi implantado no Brasil foi a apropriação Graciniana do nosso edifício estatal por hordas ululantes (com trocadilho e tudo).

Imaginem agora como vai ser o debate a respeito do desmame dessas multidões de parasitas das tetas estatais. Apenas a título de exemplo, vejam abaixo as cenas do civilizado debate promovido recentemente em Curitiba quando da aprovação de legislação visando a redução do orçamento local. Bem interessante, né?

Precisamos urgentemente de um Pinochet pra botar ordem nesse imenso puteiro a céu aberto em que se transformou o Brasil. Assim como está, é como dizia a Madre Superiora: NÃO TEM CU QUE AGUENTE!

2 julho 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

ARAEL M. DA COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Quando o amor é verdadeiro, não importa o carro do bem amado.

R. Pra falar a verdade, eu não prestei atenção no carro que está nesta foto que você nos mandou.

Achei mais importante o pé-de-rabo da moça.

Ela merece a pajaraca do seu amado bandido.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

2 julho 2017 JORGE OLIVEIRA

JANOT CONTINUA CALADO SOBRE AS ACUSAÇÕES DO TEMER

O brasileiro é tido como um cara que esquece tudo muito rapidamente. Fala-se que ele tem memória curta, diria curtíssima. Não sei se isso é uma virtude ou um defeito de fábrica. Sabe-se lá. A forma de perdoar seus algozes, um vizinho ruim, um governo imprestável, um político corrupto ou um inimigo ocasional é própria da generosidade do brasileiro, uma gente honesta, bondosa e solidária. Veja um exemplo recente que envolve duas personalidades tão em evidencia nos últimos dias: o Temer insinuou que Janot, o procurador-geral da República, estaria envolvido na caixinha dos donos da JBS, que tiveram a defendê-los nos processos de leniência o procurador Marcelo Miller, braço direito de Janot e até então seu ajudante na apuração dos crimes da Lava Jato.

Menos de 48 depois, silêncio sepulcral. Ninguém fala mais nisso: o procurador envolvido, o Janot, o próprio Temer e a imprensa que não viu nessas acusações nenhuma anomalia do procurador, acusado frontalmente por um presidente da república de envolvimento com o dinheiro ilegal dos Batista. É certamente por isso que o Brasil está enxovalhado, desacreditado e expurgado do convívio das nações emergentes. Não foi à toa que a primeira ministra da Noruega, Erna Solberg, cujo país devasta a Amazônia com a exploração de bauxita, deu um puxão de orelha no Temer que botou o rabinho entre as pernas e voltou humilhado da viagem.

Pois é, não se conhece na história do país um caso de acusação tão grave de um presidente a um procurador-geral da República, que continua administrando o órgão como se nada tivesse acontecido. Trocando em miúdos, o que Temer disse sobre o Janot foi o seguinte: ele facilitou a saída do seu amigo Marcelo Miller da procuradoria para que ele integrasse um escritório de advocacia que administrou o processo de leniência da JBS dos irmãos Batista, quando coincidentemente os dois Joesley e Wesley entregavam seus cúmplices na maior roubalheira aos bancos estatais do país.

Pois bem, você pode achar que até aí nada existe de muito grave. E quando o presidente da república, em pronunciamento oficial à nação, insinua que os milhões de reais dos honorários da JBS não chegaram apenas aos bolsos do Miller? Aí a coisa muda de figura. Temer faz uma acusação grave que merece um esclarecimento mais severo ainda de Janot para evitar que o órgão se contamine por acusações que seriam levianas caso não haja prova do que ele disse.

Janot, muitas vezes tão falante, entrou em silêncio, em letargia. A nota oficial que distribuiu à imprensa não convence, não limpa a lama que foi jogada sobre a toga. E os seus auxiliares na procuradoria-geral não vão reagir? E as associações que protegem esses senhores vão ficar mudas diante de acusação tão grave? Ora, a procuradoria precisa esclarecer à população porque de uma hora para outra alguns de seus honoráveis membros, tão respeitados e acima de qualquer suspeita, estão na berlinda. Um, Ângelo Goulart Villela, está preso acusado de ser o olheiro dos Batista dentro da própria procuradoria. O outro, Marcelo Miller é suspeito de facilitar a vida da JBS, depois que deixou a procuradoria e levou com ele os segredos da Lava Jato. Janot – que se encolheu diante das insinuações de Temer – tem uma filha, Letícia, que trabalha em um escritório que defende a OAS nos acordos de leniência.

Janot se embaralha quando tenta justificar o salvo-conduto que deu aos Batista. Depois que o STF decidiu que a revisão de delação premiada só em casos excepcionais, ele disse que as delações da JBS podem ser invalidades caso fique provado que os executivos do grupo eram líderes de organização criminosa. Mas ao mesmo tempo faz essa ressalva: “Agora, neste juízo inicial (nesse caso), o que se vê é que a liderança da organização criminosa aponta para o lado oposto. São agentes públicos que operaram sobre esta questão. E o dinheiro utilizado para a propina e para gerar todos esses ilícitos, é o dinheiro público. O privado, em princípio, não tem acesso ao comando de liberação de dinheiro público”.

A apresentadora Hebe Camargo, se viva, diria que Janot é uma gracinha, quando acha que os Batista não são os chefes do crime organizado e responsáveis pelos saques bilionários nos bancos estatais. Ora, doutor Janot, para existir o corrupto tem que existir o corruptor.

Essa delação colorida dos Batista ainda vai dar muitos panos pra manga.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

BRUM – TRIBUNA DO NORTE (RN)

TEM POTÓ MIJANDO ATÉ EM PORTO ALEGRE. VÔTE!

Comentário sobre a postagem PICADA DE MUTUCA E MIJADA DE POTÓ – CREDO!

Elisabeth Kluck:

“Informo que o potó infestou meu apartamento em Porto Alegre.

Tive grandes lesões, desconhecidas para todos os médicos daqui.

Estavam alojados dentro da madeira dos móveis, que tiveram de ser destruídos.

Era uma espécie menor que a do nordeste e de cor escura.

Foi horrível.”

* * *

Consequência da mijada de potó no pescoço de um azarado:

2 julho 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

SIGA O CAMINHO DO DINHEIRO

Tudo bem, houve greve geral. Só que não foi geral: tirando alguns congestionamentos chatos em algumas cidades, o país funcionou como de costume. Também não foi greve: até os congestionamentos chatos, seu símbolo maior, ocorreram por manifestações com pouca gente, em locais estratégicos, para dificultar o trânsito. Trabalhou-se como de costume.

Guilherme Boulos, líder do MTST, movimento dos sem-teto, um dos organizadores da greve, atribuiu o fracasso ao desemprego. “As pessoas estão com medo de ser demitidas, achacadas por patrões”. A explicação tem lógica, mas não é verdadeira. O objetivo da greve geral era impedir um ponto da reforma trabalhista: o que prevê o fim do imposto sindical. Este imposto, um dia de trabalho de cada assalariado do país, é a grande fonte de renda das centrais sindicais (e dos sindicatos, que ficam desobrigados de trabalhar em favor de seus associados, porque eles não lhes fazem falta: o dinheiro do imposto sindical continua irrigando seus cofres com fartura).

O problema era esse? Michel Temer o resolveu: o Imposto Sindical será abolido e, em seu lugar, surgirá uma nova fonte de financiamento para a pelegada. Em outras palavras, o imposto sindical só muda de nome. Paulinho, presidente da Força Sindical, confirma a manobra: resolvido o problema do dinheiro (R$ 3,5 bilhões por ano), a reforma passa a ser boa.

As centrais ameaçaram, Temer acertou tudo, e o caro leitor paga a conta.

Os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, em passeata na avenida Faria Lima, em São Paulo

Dinheiro entra…

Um dia de salário de todos os empregados com carteira assinada (pouco mais de 41 milhões de pessoas) representa uns R$ 3,5 bilhões por ano. Desse dinheiro, pela CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, 60% vão para 15.315 sindicatos, para muitos deles a principal receita; 15% às federações; 5% às confederações; 20% ao Ministério do Trabalho, para financiar programas como o FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, que sustenta o seguro-desemprego e o PIS. Da verba repassada ao FAT, 10% vão para as centrais, livres de prestar de contas. Por isso há tantas centrais sindicais e tantos sindicatos: há muito dinheiro sem precisar trabalhar.

…dinheiro sai

A Assembleia Legislativa de São Paulo planeja licitação para contratar uma agência de publicidade. A agência terá verba inicialmente calculada em R$ 35 milhões por ano (podendo chegar a R$ 50 milhões). Pergunta que vale milhões: que é que a Assembleia paulista pretende anunciar? A Assembleia faz aniversário e quem ganha o presente é você? Assembleia, sempre a seu dispor? Assembleia, novas obras, agora ainda mais bonita?

Para que publicidade da Assembleia? Alguém lhe faz concorrência? Há alguma disputa de mercado? Não: é pura vontade de gastar cada vez mais.

Direito na prática

Depois de quatro sessões, o Supremo Tribunal Federal decidiu como tratar os acordos para obter delações premiadas. Os acordos de delação não poderão ser revistos, exceto em dois casos: quando houver uma ilegalidade afrontosa ou quando o delator não cumprir o que prometeu. Em outras palavras, os acordos legais deverão ser mantidos. E os ilegais, cancelados.

Temer, o poeta do futuro

Nos tempos do Império Romano, acreditava-se que os poetas recebiam dos deuses a capacidade de prever o futuro. Poeta, em latim, é “vate”; daí vem a palavra “vaticínio”, previsão. E, quem diria, nos dias atuais há quem preveja o futuro em seus poemas. O presidente Michel Temer publicou em 2012, pela Topbooks, o livro de poesias Anônima Intimidade. Cinco anos depois, é cada vez mais atual. Quem descobriu essa pedra preciosa foi o jornalista Augusto Nunes:

SABER: “Eu não sabia./ Eu juro que não sabia!”
TRAJETÓRIA: “Se eu pudesse,/ Não continuaria”.
FUGA: “Está/ Cada vez mais difícil/ Fugir de mim!”
RADICALISMO: “Não. Nunca mais!”
EU: “Deificado./ Demonizado./ Decuplicado.”/
“Desfigurado./ Desencantado./ Desanimado.”/
“Desconstruído./ Derruído./ Destruído”.
COMPREENSÃO TARDIA: “Se eu soubesse que a vida era assim,/ Não teria vindo ao mundo.”

Justiça petista

Frase do ex-presidente Lula (PT), que aguarda sentença de Sérgio Moro: “Se tiver uma decisão que não seja a minha absolvição, quero dizer que não vale a pena ser honesto neste país”.

Pimenta no ar

Rádio Jovem Pan de São Paulo, a partir desta terça, dia 3: voltam os Pingos nos Is, com Felipe Moura Brasil, Joice Hasselmann, Fernando Martins, mais o ótimo repórter Cláudio Tognolli. Metralhadora giratória.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE


A LETRA, A CARTA E O CARTEIRO

Caneta-tinteiro da marca Parker

Em qual mundo viveríamos, não fossem os registros através das letras? Será que existiria outro tipo de “comunicação” e outro tipo de informação? Decerto que sim – mas não se deve afirmar de forma categórica.

Por volta de vinte anos atrás, durante uma conferência pública em que o centro da questão era a comunicação, e os rumos que essa estava tomando, um colunista da então renomada revista Veja, do alto da sua profecia, afirmava que, “não demora muito e o impresso (em papel), enquanto forma de comunicação e socialização” se aproximará do fim.

Mereceu pouca atenção, na época da fala. Passados os dias, meses e anos, a tendência é que isso venha realmente acontecer em breve. Mas, a escrita é algo interminável. Não há como olvidar esse fato. Escrever em algo, em qualquer que seja o espaço, é uma forma de vida.

Faz muito tempo – provavelmente no início dos séculos passados – que os homens se preocupam com as letras. Com os números também. O número é uma letra que representa uma quantidade – embora exista ainda nos dias de hoje, quem use os dedos das mãos para contar alguma coisa. Muitos poucos conheceram o ábaco – uma tábua romana usada na contagem dos elementos. Se não estou enganado, hoje, apenas as escolas para deficientes visuais e outros tipos de carências humanas utilizam o ábaco no aprendizado.

Aí chegou a caligrafia. A boa caligrafia – e hoje quem tem boa caligrafia é considerado raridade. Nas escolas foram incluídas na grade curricular, as matérias relacionadas à Caligrafia. Caderno de Caligrafia – era necessário praticar a boa caligrafia, haja vista que, naqueles tempos também os alunos precisavam escrever pequenas partituras musicais, e conhecer “clave do Sol”, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

E o que é que as escolas ensinam nos dias de hoje?

Numa só lapada, os reformistas da educação retiraram da grade: latim, esperanto, desenho, caligrafia, ospb, aritmética e a matemática e o português já não têm a mesma importância. Nem quem ensina português, sabe a ponto de poder ensinar.

Assim, pode ser que se encontre algum dia, o início da “contaminação” da letra, e por fim, da escrita. Parece que o conferencista da revista Veja tinha razão.

Divisão silábica, nos dias atuais? O que é isso? Pra que serve? Soletrar virou atração nas televisão. É o cúmulo!

Tem muita gente que diz “trabalhar com a educação”, que está tentando oficializar a forma “moderna” de escrever em celulares: verdade virou vdd; por que, agora é pq; não passou a ser apenas n; sem contar que talvez virou tvz.

Vejam a maravilha de caligrafia abaixo. Parece desenho intencional.

Caligrafia – a prática constante levava ao bom resultado

A geração que continua passando e já conseguiu ultrapassar a barreira dos 50, nunca tirou da cabeça que, “estudar e conquistar boas notas na escola” não tem um milímetro menos que obrigação. Nunca isso (o ser aprovado e conquistar espaços por conta da escola) foi visto como motivo de premiação. Passar num concurso, para quem vive de estudar – é obrigação e uma mera formalidade. Não deveria ser diferente na escola.

O máximo de premiação (ou, com sentido de incentivo) que se recebia – e muitas vezes até da própria escola, era o primeiro lugar da turma, ao final do ano: uma caneta-tinteiro da marca Parker. E significava o máximo, quando essa caneta vinha com o nome do felizardo gravado. Era um marco quase histórico.

As cartas sempre chegaram e disseram sim ou não

A letra, cujo conjunto forma a escrita, escritura, relatório, ata e outras tantas definições, também forma a carta. A carta pode ser um documento válido em qualquer situação, mas, entre nós brasileiros, é vista mais pelo lado sentimental: cartas de amor ou carta familiar. Tem algum significado de distância material – mas uma proximidade acentuada de sentimentos.

A carta é uma escrita, no Brasil, tradicionalmente “entregue” pelo Carteiro – um profissional que nos liga na maioria das vezes às boas coisas. Aos bons avisos e às significativas alvíssaras.

Em alguns países do Oriente, o Carteiro é um indivíduo respeitado – precisa até ser “aprovado” por algumas comunidades, como se “eleito” fosse para carregar tantas responsabilidades.

No Brasil, esse “profissional” trabalha sem qualquer conforto e reconhecimento. Ao chegar para entregar cartas e/ou documentos, é instigado até pelo cachorro, ainda que traga boas notícias.

O carteiro

Faz parte do leque de bons filmes que assistimos, “O carteiro e o poeta” – filme dirigido por Michael Radford, uma espécie de homenagem ao poeta Pablo Neruda. Esse filme ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original, a partir da composição assinada por Luís Henrique Bacalov e Francisco Canaro.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

FRANCISCO CANINDÉ – NATAL-RN

Prezado Berto.

Não sei se este vídeo com o escritor Jorge Amado, que foi comunista e esquerdista de carteirinha, já rolou aqui nas páginas da Besta.

Se não, acho que vale a pena divulgá-lo à comunidade fubânica.

Quem sabe Ceguinho Teimoso, Cabeça de Fossa e Caninana de Resguardo se identifiquem e resolvam contar suas experiências na defesa do PT e de outras merdas que infestam Banânia.

Abraços.

R. Meu caro, o que eu gostei mesmo foi da frase que Jorge Amado pronuncia e que fecha este vídeo que você nos mandou.

Jorge Amado é um cabra de quem já li toda a obra, do primeiro ao último livro.

O que penso sobre ela deixo pra dizer em outra oportunidade.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

2 julho 2017 FERNANDO GABEIRA

EM BUSCA DO HORIZONTE

O naufrágio é a perda do horizonte. Estamos todos em busca do horizonte. O período que se abre com a denúncia contra Temer tende a ser bastante confuso. Mas é, de certa forma, um passo previsível na trajetória da crise em que nos metemos.

Procuro alguns elementos na conjuntura que nos possam ajudar a navegar na neblina. Os barcos dispõem de sensores precisos. Não temos instrumentos científicos, apenas algumas intuições. Nossa neblina é mais densa que a simples condensação de água evaporada.

No entanto, algo se move e duas pequenas luzes parecem tremular ao longe. Uma delas tranquiliza: a corrupção não acabou, mas dificilmente terá, nos próximos meses, a mesma intensidade e ousadia do passado. O risco ficou maior: políticos e empresários não ignoram esse fator. A outra pequena luz é apenas uma referência. Ela indica que todas as saídas de curto prazo passam pelo Congresso. Aceitar ou não a denúncia contra Temer, eleger seu substituto ou mesmo alterar a Constituição, tudo passará por ali.

À medida que nos aproximamos do ano eleitoral, cresce o poder da sociedade sobre o Congresso. Pelo menos tem sido assim: com voto aberto formam-se maiorias que o segredo sufoca.

É verdade que esse Congresso abriu um imenso abismo entre ele e a sociedade. Mesmo assim, o instinto de sobrevivência costuma reaparecer nessa época. Não creio que a sociedade vá moldar o caminho em todos os seus detalhes, mas tem condições de escolher as linhas gerais, na medida em que as escolhas sejam postas.

Será difícil a cada instante debruçar-se sobre uma realidade deprimente, vencer a repulsa diante de um jogo político tão baixo. Mas é preciso.

De modo geral, o interesse pela política cresce nas vésperas das eleições.

A denúncia contra Temer encontra nele a mesma resistência que encontram as denúncias contra Lula. Não há provas concretas, dizem ambos, antes de atacar os acusadores, ressaltando que são perseguidos políticos.

Ela pode ser rejeitada ou não pela Câmara dos Deputados. Uma vez que o presidente duvida das provas, questiona sua concretude e conclui pela inépcia da denúncia, o ideal seria levar o tema ao STF.

Naturalmente, qualquer pessoa tem ideia do que é uma prova. Mas ultimamente essa palavra tem sido tão questionada que, ao contrário de outros povos, os brasileiros terão um grau superior de conhecimento sobre prova. Num futuro próximo talvez todos nós tenhamos uma ideia de prova, assim como temos uma escalação ideal para a seleção brasileira.

Para alguns, não há provas de que a mala com R$ 500 mil levada pelo deputado Rocha Loures tenha relação com Temer. Há apenas uma conversa entre o presidente e Joesley Batista, na qual Temer indica Loures como seu interlocutor de confiança.

Não há imagens de Rocha Loures entregando o dinheiro a Temer. Não há certidões oficiais que liguem Lula aos imóveis que a Justiça lhe atribui.

Os defensores mais ardorosos sempre poderão perguntar: onde está a imagem de Temer no táxi, recebendo a mala com que Rocha Loures saiu correndo da pizzaria? Onde está o registro de posse de Lula?

Uma das razões por que a denúncia contra Temer deveria ser aceita pela Câmara é a possibilidade de o tema ser discutido pelo Supremo, onde cada um dos juízes pelo menos já discutiu centenas de vezes o que é uma prova e os limites de sua validade. Mas mesmo no caso de a questão subir para uma decisão do STF, a sociedade está sempre sujeita, como no caso do TSE, a um conflito típico da fábula O Lobo e o Cordeiro.

A suposição é de que gastarão horas e latim para definir o que é um prova, qual a superioridade de uma prova sobre outra, antes de apresentarem o seu veredicto. Ao cabo dessa discussão podem concluir que existem provas e que são abundantes, mas devem ser ignoradas, em nome da estabilidade do País.

Creio que a sociedade esteja acompanhando tudo isso. E o fato de não se ter manifestado com ênfase se deva à própria confusão do quadro político.

O que seria eficaz nessas circunstâncias? O movimento “fora Temer”, inspirado pela esquerda, tem uma visão clara de combater as reformas. Até mesmo a reforma trabalhista, que contempla as transformações do capitalismo e uma nova correlação de forças.

Os trabalhadores reais que se viram num mundo precário não contam tanto como os sindicalizados, os que trabalham com relógio de ponto, numa disciplina fabril. Trabalhadores, para a esquerda clássica, são os que alimentam os cofres dos sindicatos com os impostos e povoam a ideia de uma classe operária dos livros marxistas do século 20.

À precarização do trabalho a esquerda responde com uma aspiração saudosista de voltarmos todos à segurança do passado, algo desejável, mas distante da vida real de quem se vira para sobreviver num mercado em mutação. Essa reforma seria importante no momento.

A da Previdência é necessária, no entanto, mais complicada. Precisaria de ter um foco no serviço público, que tem grande peso nos gastos e na cobrança da dívida das grandes empresas.

Isso só se consegue com apoio popular. As corporações têm muita capacidade de mobilização e as grandes empresas, poderosos defensores. Daí a expectativa de uma reforma da Previdência a partir da legitimidade do novo governo.

Apesar de toda a confusão, a sociedade não pode observar o que se passa como se tivesse um satélite explorando Jupiter. A crise é real, sobretudo para quem vive no Rio, onde há uma dezena de tiroteios por dia e um roubo de carga por hora.

Não se trata apenas do fracasso de um sistema político-partidário. Sem interferência da sociedade ele acabará arruinando o País por décadas.

O que fazer nessa confusão, o que escolher como prioridade para evitar o pior? Já observamos muito o caos. Talvez seja hora de atenuá-lo.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

RLIPPI – CHARGE ONLINE

UM LADRÃO DIGNO DE NOTA E UM SUPREMO DIGNO DE SER ALVEJADO COM BOSTA

Comentário sobre a postagem AMARILDO – A GAZETA (ES)

Maurício Assuero:

“Aécio merece mesmo ser elogiado pelo Ministro Marco Aurélio.

Afinal, a maioria dos bandidos rouba carteiras, galinhas, pirulitos de criança, telefone celular, etc.

Aécio rouba milhões de forma sútil.

Tem ministros para defender, presidente para conversar sobre nomeação de delegados para investigá-lo e por aí vai.

Claro que é uma carreira elogiável: roubar tanto e continuar solto.

Isso é digno de nota.”

* * *

2 julho 2017 FULEIRAGEM

ADNAEL – CHARGE ONLINE

2 julho 2017 DEU NO JORNAL

A FARRA DO BOI

Guilherme Fiuza

O país do carnaval foi salvo do marasmo pelo procurador-geral da banda.

Isso aqui estava um tédio de dar dó. Depois do golpe de Estado que arrancou do palácio a primeira presidenta mulher, cuja quadrilha estava roubando honestamente sem incomodar ninguém, a sombra desceu sobre o Brasil. Um mordomo vampiresco entregou a Petrobras a um nerd que deixou os pais de família da gangue do Lula no sereno – extinguindo sumariamente o pixuleco, principal direito trabalhista conquistado na última década.

Mas não foi só isso. Além de arrancar a maior empresa nacional da falange patriótica de José Dirceu, o governo golpista da elite branca e velha deu um tranco na economia. Em pouco mais de um ano, estragou um trabalho de três mandatos presidenciais que levara o país a um recorde — a maior recessão da sua história. Enxotou do comando da tesouraria nacional todos aqueles cérebros amanteigados, e aí se deu o choque: inflação e juros caíram, dólar e taxa de risco idem. Uma tragédia.

Como se não bastasse, o mordomo começou a fazer as reformas estruturais que passaram 13 anos na geladeira do proselitismo coitado, que é o que enche a barriga do povo. Antes que o pior acontecesse – a retomada do emprego e do crescimento – apareceu Rodrigo Janot.

Mas não apareceu sozinho, que ele não é bobo e sabe que com elite branca e velha não se brinca. Veio com o caubói biônico do PT – aquele vitaminado por injeções bilionárias do BNDES, o brinquedo predileto do filho do Brasil. Só mesmo um caubói de laboratório teria a bravura suficiente para dizer ao país que comprou todo mundo e o culpado é o mordomo. A partir daí foi só alegria.

A dobradinha do procurador-geral da banda com o supremo tribunal companheiro nunca foi tão eficiente. A enxurrada de crimes da Lava-Jato envolvendo atos diretos e indiretos de Dilma Rousseff passou dois anos morrendo na praia. Já a homologação da pegadinha do caubói caiu do céu como um raio. Aí o delator foi amargar o exílio no seu apartamento em Manhattan, deixando o país paralisado, mas feliz – como no carnaval.

Nesta revolução progressista, também conhecida como farra do boi, Joesley Batista apontou Michel Temer como o chefe da quadrilha mais perigosa do país. Os brasileiros já deviam ter desconfiado disso. Lula e Dilma não davam um pio sem pedir a bênção do vice. Todo mundo sabe que Dirceu morria de medo de Temer, e não deixava Vaccari, Delúbio, Valério, Duque, Bumlai, Palocci e grande elenco roubarem um centavo sem pedir a autorização do mordomo. Chegaram a pensar em denunciá-lo à Anistia Internacional, mas se calaram temendo represálias. Já tinham visto no cinema como os mordomos são cruéis.

Agora estão todos gratos ao caubói biônico, que por sua vez está grato ao procurador-geral da banda – e ao seu homem de confiança que saiu do Ministério Público para montar o acordo da salvação da boiada (sem quarentena, que ninguém é de ferro). O pacto que emocionou o Brasil, festejado nas redes sociais como Operação Free Boy, é um monumento à liberdade talvez só comparável à Inconfidência Mineira.

Nada seria possível sem o desassombro de Edson Fachin, o homologador-geral da banda. Um candidato a juiz capaz de circular no Senado a reboque do lobista de Joesley não teme nada.

O legal disso tudo, além de bagunçar esse governo recatado e do lar com mania de arrumação (a melhora dos indicadores estava dando nos nervos), foi ressuscitar o PT. Depois da delação de João Santana, o roteiro criminal sem precedentes elucidado por Sergio Moro se encaminhava para a prisão de Lula e Dilma – os presidentes do escândalo. Aí veio a farra do boi dizer ao Brasil que, na verdade, Lula e Dilma eram coadjuvantes do mordomo – quem sabe até laranjas dele. E o Brasil, como se sabe, crê.

Alegria, alegria. Zé Dirceu solto, Vaccari absolvido pela primeira vez na Lava-Jato, pesquisas indicando aumento de aceitação ao PT! (Ok, é Datafolha, mas o Brasil crê). E você achando que não viveria para ver rehab de bandido. O auge da poesia foi o lançamento da denúncia de Janot em capítulos, como uma minissérie. Alguns especialistas classificaram-na como “inepta” (ou seja, a cara do pai), mas estão enganados. A denúncia de Janot é apenas um lixo. Quem gosta de inépcia é intelectual.

A alegação de corrupção passiva, por exemplo, é uma espécie de convite à investigação do Cade. Só faltou escrever “tem coisa estranha ali…” Um estudante de Direito poderia achar que quem denuncia sem apurar está cambaleando entre a negligência e a falsidade ideológica. Algum jurista na plateia?

Farra do boi não tem jurista. Tem quadrilha dançando em torno da fogueira de mais uma greve geral cenográfica, porque sacanear o país nunca é demais. Mas eis que chega um correio do amor para o procurador-geral do bando (devem ter errado a grafia). Vamos reproduzi-lo: “Companheiro, agora dê um jeito de completar o serviço e botar esse presidente na rua, depois em cana; acabe com ele, parceiro, porque dizem que maldição de mordomo é terrível. Só não é pior que a de mordomo-vampiro.”

2 julho 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

2 julho 2017 DEU NO JORNAL

A VAGABUNDAGEM VERMÊIA ESPICHOU O FIM DE SEMANA

O protesto mais ruidoso em Brasília foi do ambulante Reginaldo Souza, há 12 anos na profissão.

Ele acreditou no noticiário, coitado, e investiu em mercadorias:

“Cadê as pessoas? O povo não está indignado?”

“Cadê estes felas-da-puta??? Fique no preju e me lasquei todinho!!!”

* * *

O problema é que na sexta-feira passada os grevistas profissionais fizeram greve.

A pelegada vagabundística que luta pra que o imposto sindical não seja extinto resolveu prolongar o final de semana.

E o fracasso daquela picaretagem vermêio-zisquerdal foi retumbante.

O que é uma excelente notícia pra banda decente do país.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

2 julho 2017 DEU NO JORNAL

MESSIANISMO NÃO COMBINA COM POLÍTICA – NEM COM PROCURADORES

Rodrigo Constantino

Cheguei de um jantar ontem e liguei a TV. Estava na Globo Internacional, passando a minissérie daquela simpatizante do PSOL sobre os tempos do regime militar, aquela mesmo, com total inversão de fatos. Em poucos minutos, vi a emissora, de certa forma, enaltecer a pichação de muros e a invasão de uma cerimônia com apitos, faixas e gestos obscenos. Para quem já enalteceu até o terrorismo, isso é fichinha.

Fiquei pensando: como essa esquerda se recusa a sair dos anos 1960! Está aprisionada nessa época, idealizando o socialismo ainda, a “justiça social”, a “igualdade”. Não conseguiu fazer o luto desse sonho equivocado, que levou o pesadelo a milhões onde vingou. Precisa dos inimigos para sobreviver, e goza ao resgatar, agora, a posição de vítima de um “golpe”, ainda que tendo de colocar Temer, o vice de Dilma eleito pelos petistas, como o novo tirano implacável.

A visão estética domina todo o resto. São como crianças bobocas incapazes de amadurecer. Buscam orgasmos na imagem de libertadores dos oprimidos, ainda que suas fantasias esquerdistas sejam a maior causa de opressão no planeta. São messiânicos, e transformaram a política em seita religiosa, criaram uma teologia política salvacionista. E para tal nobre fim, como se importar com os meios, não é mesmo?

Assim é a extrema-esquerda. Mas claro que há, na direita, os messiânicos também, aqueles que buscam salvadores da Pátria, seja na política, seja no Ministério Público. Só que a maturidade não combina com tal postura. A democracia não cai bem com messianismo, e os jacobinos são sempre uma ameaça. Não aceitam as imperfeições da realidade, querem expurgar todos os pecados da noite para o dia, querem “zerar a pedra”. E nesse processo purificador, vale tudo.

Houve uma ala da direita, como sabemos, “janotista”, disposta a fechar os olhos para quem era Rodrigo Janot em busca dessa “limpeza geral”. Temer era o próximo da fila a ser detonado, então não importa como isso seria feito. Dava até para se unir ao PT e ao PSOL no “Fora, Temer”, e fechar os olhos para os abusos de poder dos “purificadores”. Mas isso não é compatível com a verdadeira meta de liberais e conservadores de boa estirpe: a construção de instituições republicanas sólidas.

Como essa ala da direita não quer saber disso, e como para alguns ali mais fanáticos até eu já virei um “socialista fabiano”, então estou livre para apresentar os argumentos de um pensador esquerdista que respeito, apesar de muitas vezes divergir de suas ideias. Em sua coluna de hoje, Demétrio Magnoli ataca justamente o messianismo de procuradores, cuja senha foi dada pelo próprio Janot. Diz ele:

Janot escreveu que o “foco do debate” sobre o acordo com Joesley deve ser “o estado de putrefação de nosso sistema de representação política”. A sentença é uma senha de combate entre procuradores messiânicos, que a repetem obstinadamente. Na minha avaliação (que está longe de ser consensual), nosso sistema político entrou, realmente, em decomposição. Mas tal diagnóstico pertence ao universo de referências do analista político, não podendo servir como bússola para o Ministério Público. A diferença é que, ao contrário dos procuradores, não possuo as prerrogativas de investigar, acusar e pedir prisões.

O Ministério Público tem poderes que me são vedados. Em contrapartida, tem a obrigação de se nortear, exclusivamente, pela letra da lei. A mobilização de uma análise política em defesa da imunidade judicial de Joesley evidencia que, nesse episódio, a lei foi jogada na célebre “lata de lixo da História”. Sugiro que Raquel Dodge, procuradora-geral indicada, reserve dois minutos para ler a postagem de Carlos Fernando no Facebook. Ela ilumina as raízes da deriva de Janot rumo aos mares revoltos da política.

Registrei, na coluna, as inclinações jacobinas de uma ala do Ministério Público –e apontei o risco de uma reação termidoriana destinada a cercear a Lava Jato. Carlos Fernando replicou com uma exaltada apologia da Revolução Francesa (cujos “ideais prevaleceram”, “apesar do Termidor”) que a identifica, implicitamente, ao Terror jacobino. O procurador ainda não aprendeu que um dos legados da experiência revolucionária francesa é a disjunção entre justiça e Terror (termidoriano ou jacobino). Por isso, escolheu Danton, um dos criadores do Tribunal Revolucionário, para citar em epígrafe, esquecendo-se de que seu herói morreu na guilhotina jacobina, condenado sob a acusação de enriquecimento ilícito num processo farsesco.

A Revolução Francesa foi um lixo em todos os aspectos, ao contrário da Revolução Americana. Por que, então, é a Francesa que continua despertando tantas emoções? A resposta está acima, no começo do meu texto: porque muitos colocam a estética acima da verdade, e a Revolução Francesa foi sem dúvida mais dramática, mais romântica, mais ambiciosa. Queria nada menos do que criar um novo mundo, do zero, detonando tudo que havia antes, que era podre. Deu nisso: o Terror, a guilhotina, que degolou o próprio Robespierre, o “incorruptível”.

É questão de tempo até que os jacobinos comecem a degolar a si próprios. Se o objetivo é nada menos do que a purificação plena do “sistema”, então o conjunto de alvos potenciais é 100%. Messias deve ser um conceito para a Cidade de Deus, jamais para a Cidade dos Homens. O messianismo definitivamente não se encaixa bem com o funcionamento da democracia, obra sempre imperfeita, pois lida com seres humanos reais, também imperfeitos.

2 julho 2017 FULEIRAGEM

MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS

SÓ FALTA O DINHEIRINHO DO 13º DE CHUPICLEIDE…

Comentário sobre a postagem É DE MILHÃO PRA LÁ!!!

Thomaz Aquino Quintella:

“Prezado Berto,

também sou um dos abestalhados, com muita satisfação.

Todos os dias dou uma ou duas passadas pelo vibrante JBF.

Parabéns, continue assim e arrume um dinheirinho para pagar o tal do 13º da Chupicleide.

Por favor, continue assim.

Abraços”

* * *

2 julho 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

LITERATURA E POLÍTICA

Bem sei que não estamos em tempos de falar de amenidades na política. Mas como já falei das relações política-polícia, me autorizo a falar agora da literatura para concluir a série dos “Mistérios da criação literária”, que venho expondo nesta coluna. O fato é que este relacionamento existe e tem causado polêmica e muitos debates: Qual a função social da literatura? Ela deve ser politizada? Qual o papel social do escritor? A literatura está acima destas coisas mundanas? E por aí vai.

A discussão sobre o engajamento político do escritor não é nova e tem resultado uma quantidade razoável de estudos e e debates no meio acadêmico e fora dele. Nas entrevistas com os escritores, o posicionamento política é solicitado frequentemente. Segundo o crítico literário João Gaspar Simões “para aqueles que afirmam hoje que a literatura é m instrumento de difusão de ideias reivindicadoras dos direitos dos oprimidos, é evidente que o escritor é um intérprete de um estado de espírito protestativo e que a sua missão não passa de subsidiária”.

É isto, a literatura pode ser subsidiária se quiser. Mas, se quiser também pode ser mais que subsidiária. “Papel e tinta aguenta tudo”, já diziam os antigos. Como já afirmei, o objetivo da série é levantar as opiniões de centenas de escritores sobre as tais relações para termos uma ideia do que se passa em suas cabeças. A diversidade de opiniões aqui é enorme, tal como nos outros volumes. Alguns escritores, notadamente politizados, expressam uma opinião contrária ao envolvimento político da literatura; outros colocam a política apenas como um um dos temas, entre tantos, da literatura; outros acham que a literatura tem uma função política e deve sempre trazer uma “mensagem” social.

Vejamos algumas: Rachel de Queiroz: A arte engajada é uma prostituição da arte. Todo artista sincero não pode colocar uma arte a serviço de uma pregação”. Octavio Paz: “É um ingenuidade tratar de mudar o mundo com um poema ou romance! O que posso fazer como escritor é iluminar um pouco esta ou aquela região da realidade”. Julio Cortázar: “Eu creio numa literatura comprometida politicamente. A obra literária realizada com essa preocupação tende a restringir-se, a decrescer de nível, a estreitar os seus horizontes”. Juan José Saer: “O importante, para mim, está nos valores literários. Gosto de escritores de direita, como Celine ou Borges. Não de Vargas Llosa, mas não porque é um escritor de direita, e sim porque suas formas literárias me parecem caducas”. Ismail Kadaré: “Não sou um escritor eminentemente político, mas acho que tenho o dever de falar do destino trágico do meu povo num momento em que ele corre o risco de ser simplesmente exterminado”. George Orwell: “Nenhum livro é genuinamente livre de preconceito político. A percepção de que a arte não deveria ter nada a ver com política é, em si mesma, uma atitude política”. Gabriel Garcia Márquez: “A política é uma atitude moral. Acho que se deve defender um elenco de valores essenciais… Sou político de emergência. Se eu não fosse latino-americano não estaria na política. Mas como um intelectual pode sentir-se feliz dando-se ao luxo de discutir o destino da alma, quando os problemas existentes são sobrevivência física, saúde, educação, ignorância etc.?”

Para complementar, o livro traz um levantamento bibliográfico com resumos sobre estas relações. Este é o 5º volume da série editada em 2007, com o patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e se encontra esgotado no mercado livreiro. Mas ainda disponho de alguns exemplares, que posso fornecer ao custo de R$ 25 reais (frete incluso). Os interessados devem entrar em contado através do e-mail: literacria@gmail.com


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